Levantamento para conversa com a SmartMIP
Aluna: Nathalia Lopes dos Reis
Nos últimos anos, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) passou por uma forte
digitalização no agronegócio brasileiro. Ferramentas como drones, aplicativos de
monitoramento e integração de dados climáticos transformaram a tomada de decisão,
permitindo maior precisão no campo. Paralelamente, o mercado de biológicos cresce
acima de 20% ao ano e já cobre cerca de 25% da área agrícola em 2024 segundo dados
da CropLife. Esse avanço responde á demanda por alimentos com menor resíduo
químico e se conecta a agricultura regenerativa, que busca conciliar o controle de
pragas, diversidade de cultivos e melhoria de saúde do solo. O MIP nesse contexto,
torna-se ferramenta estratégica para sustentabilidade e rastreabilidade de cadeias
produtivas.
A SmartMIP surgiu com o objetivo de promover o manejo integrado de pragas,
enfrentando a ineficiência da amostragem convenciona, considerado cara e pouco
padronizada. Oferecendo suporte técnico e recomendações personalizadas para os
agricultores. A startup demostrou reduções medias de 25% na pulverização sem perda
de produtividade, validando sua proposta de valor e reforçando a potencial do
negócio.
No monitoramento de pragas, algumas tecnologias têm mostrado resultados
concretos no campo. Por exemplo, armadilhas inteligentes conseguem identificar
automaticamente insetos como Helicoverpa armigera, ajudando a decidir o melhor
momento para a intervenção. Drones e imagens de satélite, combinados com Sistemas
de Informação Geográfica (SIG), permitem mapear reboleiras e aplicar defensivos
apenas onde realmente é necessário. Aplicativos de celular ajudam a organizar a coleta
de dados e garantem rastreabilidade, enquanto a Inteligência Artificial (IA) auxilia na
identificação de espécies e na previsão de surtos, destacando as áreas que precisam de
atenção mais rápida.
Mesmo com essas tecnologias, alguns desafios permanecem na amostragem: muitas
vezes é preciso avaliar vários pontos de pesquisa, há custos com equipe, a
variabilidade espacial do campo é alta e o tempo de resposta precisa ser rápido. Para
lidar com isso, estratégias como amostragem estratificada, pontos sentinela, rotas
fixas e uso de dados históricos e climáticos ajudam a simplificar o processo sem perder
qualidade. Entre os indicadores mais importantes estão o NDE (nível de dano
econômico), tempo de resposta menor que 48 horas, cobertura de pelo menos 70% da
área crítica, redução de 20 a 30% nas pulverizações e retorno financeiro positivo em
até duas safras.
O uso de agentes biológicos já está consolidado em várias culturas, como os
macrobiológicos Trichogramma pretiosum e microrganismos como Bacillus
thuringiensis e fungos entomopatogênicos. A IA já ajuda na classificação de insetos e
na previsão de picos populacionais, embora ainda existam desafios, como seletividade,
custo de implementação e necessidade de dados confiáveis. Nos próximos 12 a 24
meses, espera-se que surjam alertas automáticos integrados a dados climáticos,
prescrição localizada de biológicos e até liberação assistida por drones, tornando o
manejo mais preciso e sustentável.
Dentro desse contexto, o engenheiro agrônomo tem um papel fundamental. Ele
precisa identificar corretamente as pragas, fazer amostragens de forma organizada,
transformar os dados coletados em decisões práticas e comunicar os resultados de
maneira clara ao produtor. As oportunidades de carreira incluem pesquisa e
desenvolvimento em biológicos, assistência técnica em MIP e funções em agtechs
voltadas para operações e desenvolvimento de produtos. Para o bate-papo com a
SmartMIP, algumas perguntas podem guiar a conversa: quais foram os principais
aprendizados de campo que ajudaram a moldar o modelo da startup? Como equilibrar
o custo por hectare com o uso de tecnologia digital? E quais competências jovens
engenheiros agrônomos devem desenvolver para atuar nesse setor que cresce
rapidamente?