Teorema da Amostragem e Sinais Discretos
Teorema da Amostragem e Sinais Discretos
AMOSTRAGEM
Os sinais contínuos no tempo são por definição constituídos por um número
infinito de pontos, mesmo os de duração finita, pois podem ser descritos por
uma função contínua no tempo contendo eventualmente alguns pontos de
descontinuidade. A representação destes sinais no domínio das frequências
pode ser uma função contínua ou, se o sinal for periódico um número infinito
de valores (pontos isolados) igualmente espaçados em frequência. Em ambos
os casos são necessários infinitos pontos quer no tempo quer na frequência para
representar um sinal contínuo no tempo, o que é incompatível com o
processamento computacional caracterizado por recursos de memória
limitados.
Por outro lado, os sinais discretos no tempo com duração finita e a sua
representação espectral em termos de DFT são compatíveis com o
processamento computacional por poderem ser representados por um número
limitado de pontos quer no tempo quer na frequência.
No entanto os sinais normalmente encontrados na natureza são contínuos.
Por exemplo se falarmos para um microfone e registarmos o sinal eléctrico
produzido por este verificamos que se trata de um sinal contínuo. Então não
será este sinal processável computacionalmente? Certamente que sim, de outro
modo não existiriam redes telefónicas de comunicação digital. A ideia é
converter um sinal contínuo de duração finita num sinal discreto também de
duração finita. Isto pode ser facilmente conseguido tomando valores
instantâneos ou amostras igualmente espaçadas do sinal contínuo. A questão
que agora se coloca será em que condições estas amostras podem representar
completamente o sinal contínuo, ou seja será o sinal contínuo recuperável a
partir das suas amostras ? Se sim então não existiu perda de informação na
4.2
conversão do sinal contínuo para discreto. Neste capítulo vamos verificar que
de facto sob certas condições um sinal contínuo pode ser completamente
representado pelas suas amostras, o que é matematicamente provado pelo
teorema da amostragem também conhecido como teorema de Nyquist.
T. F.
T. F.
T. F.
4.3
x p (t ) p(t ) x(t )
T. F. X p ( w)
1
P(w) * X (w)
2
1 2
2 1 2
X p w X d X w k
2 T
wk
k T T k T
inalterada até que o próximo valor seja convertido como mostra a figura
seguinte.
A questão que se coloca agora é saber de que forma o sinal contínuo poderá ser
recuperado a partir das suas amostras quando estas são obtidas por amostragem
e retenção. Consideremos então o esquema equivalente do sistema de
amostragem e retenção que pode ser visto como uma amostragem por trem de
impulsos seguida de convolução com um pulso rectangular (compreenda bem
este detalhe !!) mostrado na figura seguinte.
Como H0(w) e H(w) são conhecidos, Hr(w) pode ser facilmente calculado
como
T
onde por definição de amostragem por trem de impulsos xp(t) é dado por
x p (t ) xnT t nT
n
ws wt
h(t ) T
sin c s
2 2
Então o sinal recuperado por filtragem passa-baixo ideal xr(t) pode ser escrito
como
4.8
ws ws t nT
xr (t ) x(nT )T 2 sin c
n 2
A equação anterior não é mais que uma fórmula de interpolação dado que
descreve como é que as amostras x(nT) devem ser ligadas para integrarem uma
função contínua xr(t). Repare que no caso da amostragem e retenção a
interpolação é feita pela convolução com a função h 0(t), sendo o sinal x0(t) (ver
pág. 4.6) neste caso uma aproximação a x(t). Por outro lado a interpolação com
a função sinc implementa a reconstrução exacta de x(t) no caso de não ter sido
violado o teorema de Nyquist. A figura seguinte (lado esquerdo) elucida este
tipo de interpolação. O lado direito da figura mostra a diferença entre a
interpolação com a função sinc (interpolação ideal) e a interpolação efectuada
pela amostragem e retenção. Podemos verificar que a aproximação por
amostragem e retenção é uma aproximação muito grosseira da interpolação
ideal (filtragem passa-baixo ideal), no entanto é suficiente na maioria dos
casos, o que significa que o filtro cuja resposta em frequência é mostrada na
figura ao cimo da pág. 4.7 não é em geral usado.
x(t )
x p (t )
xr (t ) xt
4.9
wT
H ( w) T sin c 2
2
X(w)
π π
-w0 w0 w
1 2
X p w Xwk
T k T
A figura seguinte mostra o caso em que 4Ws 6WM , portanto onde existe
aliasing, o que pode ser confirmado comparando o sinal reconstruído a partir
da sua versão amostrada com o sinal original. Repare que o sinal reconstruído
está em oposição de fase com o sinal original x(t) dado que os fazores
inverteram o seu sentido de rotação de um sinal para o outro. A oposição de
fase pode ser constatada verificando que todos os mínimos do sinal
reconstruído coincidem temporalmente com máximos do sinal original. O
recíproco não é verdadeiro porque entretanto o aliasing provocou alteração da
frequência do sinal original.
A figura seguinte mostra mais um caso onde existe aliasing e onde é maior a
diferença entre o sinal reconstruído e o sinal original
w w0 w w0
j w
v(t ) cos( w0t ) cos w0 t T. F. V (w) e w0
w0
arg[V(w)]
|V(w)|
φ
π π
-w0
w0
-w0 w0 w -φ
T. F. 2
2
i (t ) (t kT )
k
I ( w)
T
(w k T
)
k
i(t) I(w)
1 2π/T
T. F.
0 T 2T 3T t 0 2π/T 6π/T w
π/T π/T
1 |R(w)|
π/T π/T
Além disso como se pode verificar da figura a fase está invertida, pois o fazor
positivo e negativo ficaram com velocidades simétricas da do sinal original.
Deste modo aparentemente a massa desloca-se muito mais lentamente e com
sentido inverso do movimento real, o que significa que deu menos que uma
volta completa durante o tempo de amostragem. Pela figura podemos verificar
que a velocidade aparente (provocada por falsificação da velocidade da massa
devido a amostragem inadequada) da massa é agora descrita pela seguinte
equação
1 w
va (t ) cos( 0 t )
T 6
e) Este é uma caso onde também existe aliasing pois ws=w0-20π <<2w0
4.17
1 |R(w)|
π/T π/T
O sistema global é um sistema contínuo visto que tem como entradas e saídas
sinais contínuos, no entanto o processamento é digital. O sinal de entrada é
convertido para discreto através de um processo de amostragem, é processado
pelo sistema discreto e finalmente convertido novamente para contínuo através
de um processo de interpolação como por exemplo a filtragem passa-baixo
discutida na secção 4.1. A figura seguinte mostra em termos de diagrama de
blocos a conversão de um sinal contínuo para um sinal discreto
A figura seguinte mostra duas versões discretas do mesmo sinal x(t) obtidas a
diferentes frequências de amostragem
4.19
sistema digital imponha ao sinal analógico, pelo que se soubermos que sinal
digital entra neste sistema digital poderemos projectar este último de forma a
transformar o sinal digital (e indirectamente o analógico) do modo pretendido.
Verificámos na secção 4.1, por dedução no domínio das frequências, que a
transformada de Fourier do sinal amostrado é dada por
1
X p ( w) X ( w kws )
T k
x p (t ) x (nT ) t nT
n
c
X p w xc (nT ) t nT e jwt dt ... xc (nT )e jwnT
n n
X () xne
n
jn
4.21
X ( ) X p
T
com |α|<1.
4.22
NOTA: Antes de ver este exemplo veja o apresentado nas aulas teóricas (pág.
75)
sp(t) s[n]
sc(t)
a) Se T=T0 então T< π/wM ou ainda wM < π/T, ou ainda 2wM < 2π/T que é o
teorema de Nyquist pelo que se T=T0 não haverá aliasing.
b) Para projectar o filtro digital temos que conhecer espectralmente s[n]. Como
vimos nesta secção o espectro de s[n] é o espectro de sp(t) a menos de um
escalonamento nas frequências. Finalmente o espectro de s p(t) pode ser obtido
4.23
sc t x(t ) x(t T0 )
S c ( w) X ( w) e jwT0 X ( w) X w 1 e jwT0
A transformada de Fourier do sinal amostrado é então dada pelo teorema da
amostragem
1
S p ( w)
T
S
n
c ( w kws )
S () S p
T
Ou seja
S n2
1
S () c
T n
centrada em Ώ=0 será seleccionada pelo filtro passa-baixo de ganho T que irá
recuperar yc(t). Para simplificar a equação anterior e sem perda de generalidade
podemos então designar S0(Ώ) como a parte do sinal S(Ώ) que apareceria à
saída do sistema caso h[n] fosse igual a δ[n] (o sistema digital não modificasse
o sinal de entrada).
S0 () X () 1 e j
O que se pretende com o nosso filtro digital é que se obtenha uma saída
proporcional a x[n], seja kx[n] para a entrada s[n]. Então pela equação anterior
a resposta em frequência do sistema terá que ser
Y kX
H
k
X X 1 e j
1 e j
Y
H
k
X 1 e j
ou seja
Y 1 e j kX ()
nun T. F. 1
1 e j
pelo que
hn k un
n
yn kxn
No entanto o sinal x[n] existe apenas como parte integrante do sinal s[n],
cuja forma é
ou seja
4.26
Como sabemos qual o sinal desejado à saída do filtro e sabemos ainda que
o filtro digital é linear e invariante no tempo (só tratamos sistemas com estas
características no âmbito deste curso) podemos relacionar directamente y[n]
com s[n] a partir da relação conhecida (desejada) de y[n] com x[n] e da relação
conhecida (última equação) de s[n] com x[n]. A relação desejada entre a
entrada e a saída é
yn kxn
que a sua versão amostrada será dada por sn sc nT x(nT ) xnT T0
T0
ou seja s n xn x n T . Por definição de sinal discreto T0/T terá que
ser um número inteiro. Por outro lado para que não haja aliasing o período de
amostragem não poderá exceder os 0,125 ms pois a largura de banda do sinal
de fala são 4 kHz, o que é um dado do problema. Além disso temos T0=0,55
ms. Temos então que resolver a seguinte equação 0,55=kT sujeita à restrição
T< 0,125 ms, onde k é uma constante. Verifica-se então que k=5 e T=0.11 ms.
Isto significa uma frequência de amostragem de 9,0909 kHz pelo que o sinal de
fala pode ser aproveitado em termos de banda até cerca de 4,5 kHz ao que
corresponde uma velocidade angular máxima wM=2πx4,5 k rad/seg.
X (kw ) w kw
~
X ( w) X ( w) P( w) 0 0
k
T. F. 1
2
p(t ) t k
w0 k w0
T. F. 1
2
~
x (t ) x t w k
w0 k 0
2
2
x (t ) x(t ) * p(t ) x
1 1
~
t
k
k d ... x t w k
w0 w0 w0 k 0
4.29
temporal do sinal, o sinal x(t) pode ser integralmente recuperado por uma
janela temporal limitada no tempo de modo a retirar as repetições do sinal
causadas pela sua convolução com o trem de impulsos.
T. F. w
W ( w) 2 sin c
w0
4.30
X w X wW ( w)
1 ~
2
Onde
X (kw ) w kw
~
X ( w) 0 0
k
w kw0
X ( w) X ( kw0 ) sin c
k w 0
O que significa que mais uma vez a interpolação exacta é uma interpolação
com a função sinc, exactamente como acontecia com a recuperação de um sinal
no domínio dos tempos a partir das suas amostras. Perceba bem que a equação
anterior representa no domínio das frequências a forma como se devem unir as
amostras, que neste caso estão no domínio das frequências, para obter o sinal
original que foi previamente amostrado no domínio das frequências.
T. F. X p
x p n xn pn xkN n kN PX d
1
k
2 2
2
P k s
N k
N c n
hn sin c c
2
N c
xr n x p n* hn xkN sin c c n kN
k 2
xr n x p n* hn xkN h n kN
r
k
2
pn
1
0
n k
k 0
Então o sinal x[n] convolvido com p[n] pode ser calculado como
x n xn* pn ... xn kN
~ N
2 k
X d x ne
n
d
jn
E também
X p x ne
n
p
jn
x k e
j
X d p
N
k
4.38
n
x ne
j
X d p
N
X p
n N
p(t)
1 2
X p ( w) X ( w k )
T k T
2 4krad / s
2 8krad / s
X ( ) X p
T
XFDM(w)
X2 X3 X4
X1
- wM wM ws=8wM w
x1(t) x1p(t)
X
x2(t) x2p(t)
X X xp(t)
cos(w2t) Σ
x3(t) x3p(t)
X X
cos(w3t)
x4(t) x4p(t)
X X
p(t) cos(w4t)
Xp(w) 1/T
Xi1(Ώ) 2
-π π 2π 4π Ώ
X(Ώ) 2/T
Repetição do
processo 2 vezes
- π/2 π/2 2π 4π Ώ
8/T
Xi(Ώ)
XFDM(Ώ)
1 2 T x2(t)
Decimação
X
8:1
π/8 3π/8 w -π/8 π/8 w -π/T π/T w
cos(πn/4)
1 2 T x3(t)
Decimação
X
8:1
3π/8 5π/8 w -π/8 π/8 w -π/T π/T w
cos(πn/2)
1 2 T x4(t)
Decimação
X
8:1
5π/8 7π/8 w -π/8 π/8 w -π/T π/T w
cos(3πn/4)
cos(πn/2)
Σ
T x3(t) x3p(t) Conv.
X x3(nT)=x3[n] X
-π/T π/T w
T
x4(t) x4p(t) Conv.
X x4(nT)=x4[n] X
-π/T π/T w
p(t)
cos(3πn/4)
64 kHz