Pós-Graduação de Terapia Ocupacional Aplicada a Neurologia
HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN
Renata Bertolozzi
Terapeuta Ocupacional (USP-SP)
Doutoranda em Terapia Ocupacional (UFSCar-SP)
Mestre em Ciências da Reabilitação (USP-SP)
Especialização em TO e Recursos Tecnológicos (USP-SP)
Formação em TO Dinâmica, Conceito Bobath e Integração Sensorial
Membro da Diretoria da Associação Brasileira de CSA (ISAAC-Brasil)
ACESSIBILIDADE DIGITAL
COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA
Minha aproximação com a CSA
Formação no Método Terapia Ocupacional Dinâmica (MTOD)
⇩
Dinâmica da Relação Triádica
(sujeito-alvo, terapeuta, atividades)
⇩
Construir/organizar o cotidiano
⇩
Inserção social
BENETTON, FERRARI, MASTROPIETRO, MARCOLINO, BERTOLOZZI - 2021
ALGUNS CONCEITOS
COMUNICAÇÃO
•Comportamentos sinalizadores que ocorrem na interação de duas
ou mais pessoas e que proporcionam uma forma de criar
significado entre elas.
(BRYEN & JOYCE, 1985 apud NUNES, 2003)
INTERAÇÃO COM O AMBIENTE - SOCIAL
CÓDIGO / SIGNIFICADO COMPARTILHADO
FALANTE OUVINTE
ASSUNTO
“A comunicação direta entre duas mentes é impossível, não só
fisicamente como também psicologicamente. A comunicação só
pode ocorrer de uma forma indireta. O pensamento tem que passar
primeiro pelos significados e depois pelas palavras.”
(VIGOTSKY, 2003)
CODIFICAR
(criar e códigos/símbolos)
⇳
DECODIFICAR
(compreender e usar o símbolo)
PAPEL DA TO
INTERVIR NO COTIDIANO
de pessoas com histórias de vida marcadas pela
ausência ou desorganização de atividades que
sustentam este cotidiano
INCLUSÃO SOCIAL
(BENETTON, 1994)
COMUNICAÇÃO NO COTIDIANO
✔Cotidiano = sucessão de acontecimentos vividos pelo homem em
seu dia-a-dia, na diversidade do tempo, espaço e sujeitos
envolvidos nessa dinâmica (TAKATORI, 2001)
✔Amadurecimento = desenvolvimento de habilidades - assimilação
da manipulação das coisas + assimilação imediata das formas de
intercâmbio ou comunicação social (HELLER, 2000)
✔ Atividade do gênero humano - começa sempre por grupos (família,
escola, comunidade local) que estabelecem uma mediação entre o
indivíduo e os costumes, as normas e a ética de outras integrações
maiores – capacita o homem a se manter de forma autônoma no
mundo (HELLER, 2000)
Gerenciamento de comunicação – Enviar, receber e interpretar uma informação usando uma variedade de sistemas e
equipamentos, incluindo ferramentas para a escrita, telefones, máquinas de escrever, gravador áudio-visual,
computadores, pranchas de comunicação, luzes de chamada, sistemas de emergência, escrita em Braille, dispositivos de
telecomunicação para surdos, sistema de comunicação alternativa e assistente pessoal digital.
AOTA - FRAMEWORK, 2008
CARLETO et al., 2010
[Link]
ISAAC-Brasil
[Link]
ISAAC-Internacional
DEFINIÇÃO E
NOMENCLATURAS
COMUNICAÇÃO SUPLEMENTAR E
ALTERNATIVA
•Prática que se propõe a compensar (temporária ou
permanentemente) os prejuízos e incapacidades dos indivíduos com
severos distúrbios da comunicação expressiva e/ou distúrbios da
compreensão (ASHA, 1989)
•Conjunto de ferramentas e estratégias que um indivíduo usa para
resolver os desafios comunicativos do dia a dia. A comunicação pode
assumir várias formas, tais como: fala, um olhar compartilhado,
texto, gestos, expressões faciais, toque, linguagem gestual, símbolos,
imagens, dispositivos geradores de fala, etc. Todos usam várias
formas de comunicação, com base no contexto e nos parceiros de
comunicação. A comunicação eficaz ocorre quando a intenção e o
significado de um indivíduo são compreendidos por outra pessoa. A
forma é menos importante que o entendimento bem-sucedido da
mensagem ([Link]
•Comunicação Suplementar e Alternativa; Comunicação Alternativa e
Aumentativa; Comunicação Alternativa e Ampliada (REILY, 2004)
BREVE HISTÓRICO
•1971 - Adaptação do Bliss por Shirley - McNaughton
(Canadá)
•1978 - Sistema Bliss - Assoc. Quero-Quero
•1983 - International Society for Augmentative and
Alternative Communication (ISAAC)
•2004 – Congresso da ISAAC em Natal/RN
•2007 – Fundação da ISAAC-Brasil
POPULAÇÃO ALVO
▪Grupo com necessidade de um meio de expressão: pessoas que,
devido à falta de controle sobre os movimentos do aparelho
fonoarticulatório, não conseguem se expressar através da fala,
embora possuam boa compreensão da linguagem oral;
necessitam de um recurso de CSA permanente que dê forma e
expressão aos seus pensamentos.
▪Grupo com necessidade de uma linguagem de apoio: pessoas que
TÊM um atraso no desenvolvimento da linguagem ou um pequeno
comprometimento da expressão; necessitam de um recurso de
CSA temporário para o desenvolvimento da linguagem ou
esporádico nos contextos em que a comunicação através da fala
não é eficiente.
▪Grupo com necessidade de uma linguagem alternativa: pessoas
que se caracterizam por não usarem ou usarem muito pouco a fala
como meio de comunicação; necessitam de recursos de CSA para
desenvolver uma língua materna, que os auxiliarão na
compreensão e na expressão.
TETZCHNER & MARTINSEN, 2000
▪Todas as pessoas são capazes de se comunicar
▪Todas as pessoas se comunicam
▪A comunicação é inevitável
▪O único pré-requisito da comunicação é a respiração!
▪Sem mais pré-requisitos – agora com base em necessidades!
MIRENDA, 1999
▪DIAGNÓSTICO SITUACIONAL - MTOD
Conhecer as necessidades e os desejos do sujeito-alvo,
reunindo informações que possam nos ajudar a compreender
a posição de exclusão que este ocupa em seu cotidiano.
BENETTON, FERRARI, MASTROPIETRO, MARCOLINO, BERTOLOZZI - 2021
SISTEMAS DE CSA
CSA = SISTEMA
SÍMBOLOS
ESTRATÉGIAS RECURSOS
METODOLOGIAS
TÉCNICAS
TETZCHNER & MARTINSEN, 2000
RECURSOS - MTOD
Conhecimento teórico de outras disciplinas, técnica ou dispositivo que
facilite a realização de atividades.
BENETTON & MARCOLINO, 2013
SÍMBOLOS
▪Representações visuais, auditivas ou táteis de um
conceito TETZCHNER & MARTINSEN, 2000
BANHO
FOTOGRAFIAS
SÍMBOLOS
OBJETOS FIGURAS PICTOGRAMAS ORTOGRAFIA
COMBINADOS
DESENHOS
SISTEMAS GESTUAIS
(SORO, 1990)
“BIBLIOTECAS” DE SÍMBOLOS
PCS
Oakland
Rebus
Sigsymbols
Picwyms
PIC
Blissymbols
Augmentative Communication – An Introduction
American Speech Language-Hearing Association, 1986
BLISS
▪Foi desenvolvido por Charles K. Bliss em 1942, visando criar
uma “moderna linguagem simbólica”, universal.
▪Baseado na escrita pictográfica chinesa (lógica).
▪Início no Canadá em 1974, em indivíduos “não falantes”, com
paralisia cerebral.
▪Derivados de um número básico de formas geométricas,
desenhados com uma régua, atualmente há um .
Blissymbolics Communication International
[Link]
[Link]
PCS
▪Desenvolvido por Roxana Mayer Johnson, nos EUA em
1981.
▪Ampliar os materiais existentes na área
▪Sistema gráfico visual composto de desenhos com
estreita relação de forma (bidimensional) com seu
correspondente referente.
▪Além dos “símbolos”, inclui alfabeto, números, espaço
para cores e palavras difíceis de se converterem em
pictogramas.
▪Tem a possibilidade da associação de símbolos,
fotografias, rótulos de produtos diversos, logotipos,
alfabeto.
Bliss
SCLERA WIDGIT
PCS
MÃE
SYMBOLSTIX ARASAAC
SOFTWARES
PCS
WIDGIT
[Link] [Link]
SYMBOLSTIX
[Link]
ARASAAC
[Link]
SCLERA
[Link]
CONHECENDO ALGUMAS BIBLIOTECAS
“Num determinado país, o uso mais ou menos generalizado que
se faça de um sistema pode ser o argumento mais importante a
favor da sua escolha perante outro. É muito importante que o
maior número possível de pessoas use o mesmo sistema, de
modo que educadores e outros profissionais possam prosseguir
sem dificuldade o trabalho com crianças e jovens de outras
escolas ou instituições. Também não deve ser descurada a
possibilidade de os utilizadores poderem comunicar diretamente
entre si.”
(TETZCHNER & MARTINSEN, 2000)
NO AUTISMO:
•Processamento visual tende a ser um ponto forte
•A informação visual oferece tempo adicional para
ser processada
•Oferece apoio à informação auditiva
SHANE, 2015
•Padronização de imagens é importante!
Generalização e iconicidade!
RECURSOS
•Objetos, equipamentos, materiais utilizados
para transmitir as mensagens.
•ESTRUTURA FÍSICA DA CSA – TECNOLOGIA
•Características essenciais:
•PORTABILIDADE – intenção / iniciativa / função
•PRAGMATISMO/ECONOMICISMO (VARELA, 2010) –
frequência / função
•VARIABILIDADE – atividade / função
• Recursos de Baixa Tecnologia (LowTech)
• Simplicidade na confecção e no uso
• Utilizam ferramentas e materiais de baixo custo e/ou
disponíveis no ambiente – pranchas de papel
• Geralmente a produção é individualizada
• Recursos de Média Tecnologia (Easy/Light Tech)
• Utilizam ferramentas e materiais que envolvem uma
tecnologia intermediária – acionadores/comunicadores
• Facilidade para utilização
• Recursos de Alta Tecnologia (HighTech)
• Maior complexidade na confecção e no uso
• Utilizam ferramentas e materiais especiais e/ou de alto custo –
hardware/software
• Geralmente a produção é em série
(FARRAL, 2010)
SÍMBOLOS SOLTOS Baixa Tecnologia
SÍMBOLOS SOLTOS com Baixa Tecnologia
SUPERFÍCIES PARA FIXAÇÃO
PASTAS Baixa Tecnologia
COMUNICADORES Média Tecnologia
COMPUTADOR - SOFTWARES Alta Tecnologia
Prancha Fácil
[Link]
d
Plaphoons
[Link]/~jlagares/
Boardmaker com Speaking Dynamically
Communicator
[Link]
[Link]
AltaTecnologia
COMPUTADOR
ADAPTAÇÕES NO CORPO DO USUÁRIO
E NA ORGANIZAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS
@negonatonicacio
AltaTecnologia
COMPUTADOR HARDWARE
[Link]
AltaTecnologia
COMPUTADOR HARDWARE + SOFTWARE
ACIONADORES
[Link]
[Link]
[Link]
AltaTecnologia
COMPUTADOR
CONTROLE OCULAR
[Link]
AltaTecnologia
COMPUTADOR SOFTWARES COM PRANCHAS DINÂMICAS
[Link]
[Link]/~jlagares/
[Link]
r/prancha-facil/download [Link]
Let Me Talk
Little Story Creator
SymboTalk
I Speak Button
TD Snap
AltaTecnologia
TABLETS / IPAD
[Link]
[Link]
Importante!
• A escolha dos recursos está relacionada aos objetivos
terapêuticos
• Acessibilidade – independência
• Tamanho, disposição, posição, quantidade de símbolos
• Tipo de feedback
• Biblioteca associada, uso de fotos, gravação e síntese de voz
• Barra de frases, conjugação de verbos
• Possibilidade de varredura, configurações de acesso
• Trava de segurança, backup
• Autismo: questões sensoriais interferem no uso da tecnologia –
atenção/rastreabilidade visual, auditivo
• O mito da tecnologia !
• O custo da tecnologia!
AltaTecnologia
TABLETS / IPAD
GRANDE QUANTIDADE DE APLICATIVOS
COM PRANCHAS DINÂMICAS
QUAL ESCOLHER?
Recurso = Prancha
DE COMUNICAÇÃO TEMÁTICAS
Superfícies onde são organizados fotos ou símbolos
gráficos
Contém símbolos que São elaboradas para serem
expressam vivências, utilizadas em atividades e
características e contextos situações específicas.
do cotidiano de cada
usuário.
São individuais e Podem ser coletivas.
organizadas por categorias.
Funcionais – vocabulário, formato, posicionamento.
CATEGORIAS E CORES
pessoas
verbos
substantivos
descritivos
social
miscelânea
TÉCNICAS
• Forma pela qual o sujeito acessa a sua escolha dos
símbolos no seu sistema de comunicação.
ACESSO INDIRETO
ACESSO DIRETO
COMBINAÇÕES
ACESSO DIRETO
Realizado com o próprio corpo (mão, cabeça,
olho), utilizando ou não algum dispositivo.
ACESSO INDIRETO
▪ Seleção através de varredura realizada por outra pessoa.
▪ O sujeito deve dar uma resposta voluntária consistente.
▪ Indicado quando o sujeito não
tem condição motora para a
seleção direta, ou a latência de
tempo e desgaste muscular não
justificam essa ação.
▪ “Olho no olho” e familiaridade
com o instrumento
COMBINAÇÕES
ESTRATÉGIAS
•Modo como os recursos da CSA são utilizados.
•“Ensino da CSA”, com ou sem planejamento
prévio.
PARCEIROS
FAMÍLIA
EQUIPE
ACREDITAR
“CONCEPÇÃO
DE SUJEITO”
O que ele tem para comunicar?
Como comunica?
IMERSÃO EM
SÍMBOLOS
- AMPLIAR INPUT RECEPTIVO -
Uma criança típica vai ser exposta à linguagem oral por aproximadamente
4.380 horas até que comece a falar por volta dos 18 meses de idade.
Uma pessoa usando comunicação alternativa com símbolos cerca de 1 a 2
horas por semana, levará 84 anos para ter a mesma experiência com seus
“símbolos”.
Uma criança típica vai demonstrar competência linguística por volta de 9 a 12
anos de idade vivendo em imersão e praticando a linguagem oral por
aproximadamente 36.500 horas, durante as quais terá recebido feedback
corretivo.
Uma pessoa usando comunicação alternativa com símbolos cerca de 1 a 2
horas por semana, levará 701 anos para ter a mesma experiência com seus
“símbolos”.
(KORSTEN, 2011)
ANTECIPAR
ACONTECIMENTOS
@jogosagregando
REGISTRAR
ACONTECIMENTOS
OBSERVAR, VALIDAR
(FEEDBACK) E
APRESENTAR
COMPARTILHAR
SÍMBOLOS PARA OS SIGNIFICANTES
CODIFICAR AS (SÍMBOLOS) E OS
SIGNIFICADOS QUE
ATIVIDADES
ESTÃO SENDO USADOS
DURANTE A INTERAÇÃO
NARRATIVAS E MENSAGENS E
HISTÓRIAS RECADOS
DEFINIR
COMPARTILHAR
SIM E NÃO
PANHAN, 2001
OPORTUNIZAR
ESCOLHAS
APRENDER A
ESCOLHER
OPORTUNIZAR
ESCOLHAS
ESCOLHA DE 1 ESCOLHA ENTRE 2
ELEMENTO COM OU + ELEMENTOS –
SIM E NÃO COMO?
ESCOLHA
EM CONTEXTO
ESCOLHA
FECHADO
EM CONTEXTO
ABERTO
CONSTRUIR
FIDEDIGNIDADE
APOIAR-SE NO
CONTEXTO
CIRCULAR A
INFORMAÇÃO
SELEÇÃO
INICIAL DE
SÍMBOLOS
“CAIXA”
ATIVIDADE
“LABORATÓRIO”
INVESTIGAR OS
INTERESSES “Na relação com o sujeito e as atividades,o TO
adota uma postura ativa na busca por
alternativas que viabilizem sua participação. A
avaliação dos aspectos que interferem no fazer
é feita durante todo o processo, a partir da
observação de como o sujeito realiza as
atividades e do significado que elas adquirem
para ele.”
VARELA, SCHAIK, BARONE & BENETTON (2022)
INCENTIVAR A
DIVERSIDADE DE REPETIÇÃO
INTERLOCUTORES “APROPRIAÇÃO”
MODELO
PREPARAR APRIMORAR
MATERIAIS RECURSOS
GARANTIR
PRAGMATISMO
NO COTIDIANO
INDIVIDUAL
X
COLETIVO
METODOLOGIAS
•Estruturação de uma forma pré-determinada de
trabalho com a CSA
•PECS - Picture Exchange Communication System
(Sistema de Comunicação por Troca de Figuras)
•PODD - Pragmatic Organization Dynamic Display
(Organização Pragmática com Exibição Dinâmica)
PECS
•Sistema de Troca de Figuras
•Indicado para crianças em idade pré-escolar com
Transtornos do Espectro Autista e outros transtornos
de comunicação social que não apresentavam fala
funcional.
•Objetiva auxiliar a aquisição das habilidades
comunicativas, enfocando principalmente o ensino de
pedidos.
•Baseia-se na investigação e na prática dos princípios da
Análise Comportamental Aplicada.
(BEVILACQUA, 2011)
▪Fase 1 – “Como” comunicar - Troca em nível físico
▪Fase 2 – Distância e Persistência - Espontaneidade
▪Fase 3 – Discriminação de figuras
▪Fase 4 – Estrutura frasal
▪Fase 5 – Respondendo: “O que você quer?”
▪Fase 6 – Comentar
(FROSTY & BONDY, 2012)
PODD
•É um meio de selecionar e organizar símbolos em PASTAS para que as
pessoas com necessidades complexas de comunicação e seus
parceiros de comunicação possam se comunicar com mais facilidade.
•Características:
• Pragmatismo – segue a forma com que usamos a linguagem
socialmente
• Organização – as palavras e símbolos estão dispostos em uma
forma sistemática
• Exibição Dinâmica - muda de página.
([Link])
• Forma de organização de todo vocabulário num
livro de comunicação, aplicativo ou software para
promover imersão e modelagem para o
aprendizado.
AVALIAÇÃO
A avaliação da Terapia Ocupacional inclui procedimentos que
identificam quais impactos da ausência da comunicação funcional no
desempenho ocupacional. A avaliação inicial ocorre por meio da
observação qualitativa do paciente no setting terapêutico, coleta de
dados com familiares e possíveis interlocutores, análise das
atividades em diferentes contextos, podendo ser complementada
com uso de instrumentos interdisciplinares e específicos da Terapia
Ocupacional para rastrear capacidades, incapacidades, habilidades e
interesses ocupacionais.
SANT´ANNA, VARELA, SOUZA (2019)
O diagnóstico situacional é guiado para que a(o) terapeuta ocupacional possa
saber sobre a necessidade e o desejo, pois é na dinâmica entre eles que se
desenvolve o trabalho terapêutico e educacional da TO no MTOD. A
necessidade está diretamente ligada às faltas que o sujeito reconhece que
possui. Muitas vezes são colocadas como necessidades decorrentes de uma
doença ou deficiência, entretanto, na maior parte das vezes o que o sujeito
reconhece como necessidade está mais ligado a faltas no seu cotidiano do que
a própria doença ou déficit. Sobre o desejo, podemos pensá-lo, inicialmente,
como algo fantástico ou fantasioso. Entretanto, quando o sujeito reconhece
uma necessidade no seu cotidiano, abre-se espaço para o nascimento do desejo
que, usualmente, surge ligado à educação, ao que precisa aprender para seguir
a vida.
BENETTON, FERRARI, MASTROPIETRO, MARCOLINO, BERTOLOZZI (2021)
HABILIDADES
FÍSICAS
▪ Controle e estabilidade postural
▪ Capacidade de apontar/pegar
▪ Com qual seguimento do corpo?
▪ Amplitude do movimento
▪ Coordenação viso-motora
▪ Precisão/seletividade do movimento
▪ Tempo gasto na execução do movimento
▪ Movimento voluntário
▪ Precisão do movimento
▪ Tempo e gasto energético
HABILIDADES
SENSORIAIS
▪ Qual é a melhor via de entrada da informação para
o sujeito?
▪ A informação tátil é importante?
▪ Escuta? Como reage ao estímulo auditivo?
▪ Enxerga?
▪ Acuidade e campo visual
▪ Distância de foco e seguimento visual
HABILIDADES
COGNITIVAS
▪ Memória
▪ Quantidade de informações
▪ Compreensão do funcionamento do recurso
DINÂMICA DA
ATIVIDADE
▪ Como?
▪ Onde?
▪ Com quem?
▪ Pra quê?
DIMENSÕES DOS
RECURSOS
▪ Humanos: Quem pode oferecer ajuda?
▪ Materiais: Onde buscar fontes de financiamento?
▪ Emocionais: Qual o impacto para o sujeito?
(CASTIGLIONI, 2003)
[Link]
CSA E EQUIPE
• Fonoaudiólogo:
• Linguagem e CSA
• Terapeuta Ocupacional:
• Atividade, cotidiano e CSA
• Seleção de recursos e técnicas
• Professor:
• Adaptação curricular e CSA
• Psicólogo:
• Análise do comportamento e conhecimento dos
recursos de comunicação do individuo para análise
• Engenheiros / Profissionais de TI:
• Desenvolvimento de recursos
Algumas questões:
•Compartilhar a mesma compreensão de sujeito
•A prática e a experiência do trabalho em
conjunto levam a uma prática interdisciplinar
•De quem é a CSA?
•De quem é o programa que faz símbolos?
•Programas de capacitação e formação de
recursos humanos na área de CSA –
profissionais e comunidade
CSA E PARCEIROS
PARCEIROS = 4० termo (MTOD)
• Se coloca na relação com as pessoas com necessidades complexas de
comunicação de forma recíproca.
• Auxilia a construir sentido no uso dos recursos de comunicação alternativa,
pois oferece tempo e escuta, troca e diálogo e experiências do valor que a
comunicação têm para as relações e para atuar e agir no ambiente ,
acreditando que, apesar das possíveis limitações e dificuldades, sempre
temos algo a dizer.
• BOM PARCEIRO = atento à toda a sutileza de manifestações comunicativas,
que muitas vezes se expressam em pequenos gestos, vocalizações e
expressões faciais e compartilham possíveis significados que essas
manifestações podem ter a partir do contexto vivido e reforçam a construção
de um repertório de símbolos que podem ser utilizados.
• BOM PARCEIRO = inicia o diálogo, muitas vezes oferecendo o acesso aos
recursos de comunicação alternativa, mas também estimula a iniciativa, no
momento em que esta habilidade já possa ser aprendida.
• Importante encontrar parceiros em diferentes situações, na escola, no
trabalho, na fila do supermercado e, pra isso, parceiros precisam ser
multiplicadores, formadores de novos parceiros.
CSA E FAMÍLIA
• A intervenção deve levar em conta a perspectiva dos familiares
e a sua ação dentro do contexto real da criança.
• O sujeito e sua família devem ser ativos:
• na escolha dos símbolos e vocabulário
• na escolha dos recursos
• na efetivação das estratégias
• FAMÍLIA = 4० termo (MTOD)
Desta maneira, pretendemos que consiga transpor as vivências
com CSA experimentadas nos contextos clínico e educacional para
sua vida cotidiana.
ALGUMAS Resistências:
•“Não uso CSA pois entendo tudo o que ele fala”
Quando os pensamentos dos interlocutores são os mesmos –
quando duas pessoas vivem em íntimo contato psicológico - a
função da fala se reduz ao mínimo (VIGOTSKY, 2003).
• “Não quero que ele use estas figurinhas... Quero que ele
fale”
• “Não dá tempo de usar CSA com ele, tenho muitos
afazeres”
• “Acho difícil usar a prancha, entender o que ele quer
dizer”
Como superá-las:
•Equipe coesa na valorização da CSA
•Diálogo, diálogo, diálogo (KRÜGER ET AL, 2011)
•Incentivar troca de informações
•Capacitar a família para o uso da CSA
•Envolver a família na produção de materiais
•Participação da família – oferecer modelo e evidenciar
o “acreditar”:
•Veja como ele pode escolher
•Veja como ele pode contar algo que não está aqui e agora
•Veja como ele sabe das coisas
No estudo realizado por Kruger et al., a escolha de símbolos que considerem
a função dos contextos reais de interação da criança e a participação ativa
dos pais na construção dos recursos de CSA foram fatores descritos como
facilitadores do uso dos sistemas no cotidiano da criança. Um estudo
realizado por Varela e Oliver concluiu que, quando o recurso de TA é
implementado a partir das referências, ideias e valores de quem o utiliza e de
sua família e visa a garantir o pragmatismo típico da vida cotidiana, como a
busca de recursos de fácil acesso e que assegurem a portabilidade, a
probabilidade de utilização no dia a dia aumenta.
PELOSI, ROCHE, VARELA (2020)
Pensando no acesso a informação, os membros da ISAAC-Brasil tem atualizado
anualmente essa lista de materiais em português.
Existem também as publicações da ISAAC-Brasil!!!!
PUBLICAÇÕES – ISAAC-Brasil
2005 2009 2011
LIVROS
2015 2017
2013
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