Crescimento Econômico no Governo Lula
Crescimento Econômico no Governo Lula
H. N. L. SANTOS1, R. R. FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
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RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo apresentar como com uso de estatística descritiva os dados históricos e as
foi a condução da política econômica no governo Lula relações existentes entre PIB, inflação, câmbio (em
(2003-2010), abordando desde o descompasso causado relação ao U$), taxa SELIC, taxa de desemprego,
pelos temores de sua eleição, passando pela formação de progressão do salário mínimo, expansão do crédito e o
sua equipe econômica que introduziu uma política fiscal comparativo entre receitas e despesas em percentual do
austera que obteve êxito no controle da inflação e na PIB.
geração de superávit primário. Cabendo ainda destacar
PALAVRAS-CHAVE: Governo Lula, Expansão do crédito, Inflação, Desemprego e progressão do salário mínimo.
KEYWORDS: Lula’s government, Credit expansion, Inflation, Unemployment and Progression of the minimum wage.
1 INTRODUÇÃO
Em primeiro de janeiro de 2003, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-
2002) passa a faixa presidencial para o líder sindical do ABC paulista, Luís Inácio Lula da Silva. Era a
primeira vez que um candidato da esquerda chegava ao poder após a redemocratização, a primeira
vez que ganhava um candidato sem ensino superior e o primeiro operário no cargo (FOLHA, 2002).
Assim teve início a era Lula.
Antes da eleição, houve um temor no mercado financeiro sobre as futuras ações de um
possível governo Lula que, no intuito de conter esse receio, lançou a “carta ao povo brasileiro”. Na
carta, o então candidato prometeu respeitar contratos, obter superávits primários e controlar os
gastos do governo. Além disso, escolheu para compor a chapa o empresário e senador José Alencar,
que permaneceu no posto pelos dois mandatos.
A “carta” e a escolha do vice acalmaram os mercados. Morais e Saad-Filho (2011)
argumentam que os economistas da época, independente da orientação ideológica, ficaram
surpresos com a política macroeconômica do governo, que se manteve inalterada da política do
governo anterior. O tripé econômico (sistema de metas de inflação, câmbio flutuante e superávits
primários) seguiu sendo pedra fundamental da política econômica brasileira.
O primeiro mandato do presidente Lula foi marcado por estabilidade. Para enfrentar a
desconfiança do mercado com o governo, o então presidente montou uma equipe econômica
ortodoxa, com nomes como Antônio Palocci no ministério da fazenda e Henrique Meirelles no banco
central. Além disso, no primeiro ano de seu mandato, chegou a elevar a Selic a 26,50% e atingiu um
superávit primário de 4,5% do PIB (ROQUE, 2016). Essas medidas aumentaram a confiança dos
empresários, permitindo a volta dos investimentos e o aumento do crédito.
No entanto, apesar da tranquilidade e bom andamento da economia, ao final do primeiro
mandato ocorre o primeiro grande problema do governo do petista, o mensalão. No ano de 2005
estoura o primeiro grande caso de corrupção, ficando conhecido como mensalão, consistindo na
compra de apoio parlamentar com dinheiro de caixa dois. Esse caso teve grande repercussão no
governo, trazendo como consequência a queda de grandes expoentes da equipe, como os ministros
da casa civil e fazenda, respectivamente, José Dirceu e Antônio Palocci.
Apesar disso, em 2006 Lula se candidata e novamente ganha a corrida presidencial em cima
do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. O segundo mandato foi marcado por um afrouxamento na
política fiscal do governo, aumentos para o funcionalismo, lançamento do PAC, expansão do crédito
consignado, entre outras medidas para estimular a economia (LOUREIRO et al, 2011). Vale lembrar
que no segundo mandato, no ano de 2008, explodiu a crise financeira internacional, conhecida
como crise dos subprimes, forçando governos de todo o mundo a fazer uso de medidas anticíclicas.
O presente trabalho, então, pretende analisar a política econômica dos governos Lula, a
partir da análise descritiva dos dados do período. Para tanto, realizou-se uma pesquisa descritiva
sobre o período entre 2003-2010, através da bibliografia sobre o assunto e dos dados econômicos
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O final do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) foi marcado por
dificuldades (OLIVEIRA e TUROLLA, 2003). Nos anos 2000 os EUA viveram a chamada crise das
pontocom, que acabou contaminando mercados no mundo todo. Além disso, no ano seguinte,
ocorreram os atentados às torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001, contribuindo para aumentar
as incertezas. Ao mesmo tempo, na américa latina, a Argentina vivia a crise da dívida, decretando a
moratória do pagamento. Para completar o difícil cenário brasileiro, que vinha de uma certa
estabilidade e calmaria até o ano 2000, o país enfrentou uma crise energética, com o perigo de
ocorrer um apagão, deixando a economia fragilizada.
Todo esse cenário, somado ao fraco desempenho econômico, fragiliza o candidato
governista José Serra e fortalece o principal opositor Luís Inácio Lula da Silva, que apesar de crescer
nas intenções de voto, conta com grande desconfiança do mercado. Para enfrenta-la e evitar uma
grande fuga de capital, o candidato petista lança o documento “carta ao povo brasileiro” (Lula,
2002), onde assume compromisso público de respeitar os contratos, buscar o crescimento
econômico, igualdade social e responsabilidade com as contas públicas. Sendo esse documento
fundamental para acalmar os mercados sobre um eventual governo Lula (MORAIS e SAAD-FILHO,
2011).
Então, em outubro de 2002, o candidato petista é eleito presidente do Brasil, tomando posse
em primeiro de janeiro. Apesar de amenizado, o clima de desconfiança não acabou, por isso, foi
com grande surpresa que os mercados receberam a notícia da nova equipe econômica do governo,
composta por técnicos ortodoxos. A equipe era liderada por Antônio Palocci, na fazenda, e o ex-
presidente global do Bank Boston, Henrique Meirelles, no Banco Central. Outras pessoas bem vistas
pelo mercado fizeram parte do governo, como Joaquim Levy, Ilan Goldfajn, Afonso Beviláqua e
Alexandre Schwartsman (ROQUE, 2016).
Além da escolha de uma equipe econômica ortodoxa, o primeiro ano foi marcado por uma
política econômica conservadora. Primeiro, foi decidido continuar o regime de metas de inflação,
iniciado em 1999, onde o Conselho Monetário Nacional define a meta de inflação e o Banco Central
fica encarregado de perseguir essa meta através, principalmente, da fixação da taxa básica de juros,
a SELIC (ALMEIDA, 2009).
No primeiro ano do governo, a SELIC chegou a atingir 26%, mas já no final ela mostrou uma
tendência de queda, terminando com um pouco mais de 16%. Esse choque na política monetária
ajudou a trazer a inflação para baixo, ainda que no primeiro ano ela tenha fechado em 14,7%, no
segundo ela foi de 6,6%. No último ano do primeiro mandato o governo conseguiu atingir uma
inflação de 4,3% e uma taxa SELIC de 13,19% (ALMEIDA, 2009).
No campo fiscal o governo se comprometeu a atingir superávits primários contínuos. Logo
no primeiro ano o superávit foi 4,5% do PIB1, valor superior ao que o governo anterior tinha se
comprometido com o FMI, de 4,25% (CUNHA e BICHARA, 2004). No primeiro ano as receitas do
governo eram 21,59% em relação ao PIB e acabaram o primeiro mandato em 23,06%, já as despesas
foram de 21,40% para 24,45%, mostrando que apesar da responsabilidade fiscal mostrado pelo
presidente, já esboçava uma tendência ao aumento de gastos do governo petista.
A carga tributária teve um pequeno aumento durante o primeiro mandato. Ainda bem
abaixo do período FHC onde ela foi dos 26% do PIB aos 35%, devido a política de estabilidade fiscal
promovida pelo governo da época (CUNHA e BICHARA, 2004). No primeiro mandato de Lula a carga
tributária, que era de 31,50%, foi para 33,60% do PIB. Esse aumento é explicado em partes pela
necessidade de aumentar a receita frente ao aumento de despesas promovidas pelo governo.
Um dos pilares e base de sustentação do governo Lula foram as políticas sociais. O bolsa
família, instituída ainda no primeiro mandato, como carro-chefe do programa Fome Zero, começou
atendendo 3,7 milhões de famílias em 2003, chegando a 11,1 milhões no final do primeiro mandato
(SOUZA, 2007). Esse incremento na renda das famílias de baixa renda contribuiu para impulsionar o
mercado interno, principalmente nas cidades do Norte-Nordeste.
Ainda sobre o aumento da demanda interna, que contribuiu para o aumento do produto
interno, tivemos grande expansão do crédito. Souza (2007) aponta que entre os anos de 2003 e
2005 o total de empréstimos em consignação na folha tomados pelos aposentados e pensionistas
do INSS, saltaram de R$ 612 milhões para R$ 8,8 bilhões. Essa política de baratear o crédito para as
pessoas foi defendida pelo próprio presidente durante todo o mandato.
Apesar dos bons indicadores econômicos obtidos pelo governo, em 06 de junho de 2005
uma entrevista no jornal Folha de S. Paulo, dada pelo deputado Roberto Jefferson põe em risco o
governo. O caso, que ficou conhecido como mensalão, escancarou velhas práticas da política
nacional de compra de apoio parlamentar com dinheiro de caixa dois, envolvendo nomes de peso
da cúpula do governo e do Partido dos Trabalhadores (Silva, 2014). Esse fato custou muito,
politicamente, para o presidente, colocando em risco seu mandato e a queda de seus principais
apoiadores, Dirceu, Palocci, Genuíno, Gushiken, entre outras importantes personalidades petistas.
1
Atualmente esse dado é encontrado com um valor um pouco menor, devido a mudança no cálculo do PIB ocorrida em
2015, que incluiu outras variáveis. Assim, o PIB foi maior e, consequentemente, diminuindo a relação resultado
primário/PIB.
Werneck (2010) mostra que a queda do ministro Palocci levou a um relaxamento na política
fiscal. Além do ministro, caiu também a corrente que defendia a contenção do crescimento dos
gastos públicos. O movimento oposto, encabeçado pela nova ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,
defendia que a ampliação do gasto público levaria ao crescimento da economia. Esse pensamento
domina o segundo mandato, ganhando mais força após a crise financeira de 2008.
O último guardião do controle dos gastos era o BC. Ele conseguiu manter a inflação
próxima ao centro da meta durante todo o segundo mandato, que variou entre 3,6% e 5,7%. No
entanto, a taxa básica de juros apresentou muita oscilação no período, saindo de 11,18% no
primeiro ano para 13,66%, 8,65% e 10,66% nos anos seguintes. Ainda que muitos defendam a
atuação do BC (WERNECK, 2010), outros autores discordam da postura, defendendo que o BC
deveria ter cortado mais as taxas de juros (SOUZA, 2014).
O Brasil vive um momento de euforia durante o segundo mandato. Após a quebra da
desconfiança e relativo sucesso do primeiro ciclo, no segundo o Brasil cresce a um ritmo mais
acelerado para os padrões das últimas décadas, em média 4,65%. Mesmo com a crise de 2008,
defendida por alguns como a pior da história, o desemprego segue em queda, saindo da casa dos
dois dígitos e chegando a mínima de 6,8%, enquanto que o salário mínimo segue em crescimento,
mais que dobrando o valor entre o 2003 e 2010. Esse bom momento contamina a sociedade e o
presidente goza, então, de altos níveis de popularidade e aprovação.
O cenário externo já vinha contribuindo para o governo desde o primeiro mandato,
mas no segundo ele se intensifica. Almeida (2013) defende que o crescimento na américa latina a
partir de 2002 deveu-se a três fatores: as reformas liberais da década de 90, o crescimento chinês
dos anos 2000 e o boom das commodities. O Brasil, como grande exportador mundial de
commodities, beneficiou-se dessa conjuntura, atraindo investimentos estrangeiros, que
multiplicaram a partir de 2006, chegando a mais de R$ 26 bilhões em 2008.
Contudo, Roque (2016) ressalta que somente esses fatores não ajudam a explicar
todo o sucesso. A baixa participação das exportações no PIB, menos de 12% do PIB (a média mundial
é de 29,8%), não conseguem explicar todo o crescimento, as guerras do Afeganistão e Iraque, assim
como as crises das “pontocom” e da dívida argentina, contribuíram para a queda do dólar e
valorização do real, mantendo a inflação baixa mesmo com a explosão do crédito e dos aumentos
reais do salário mínimo. Essa conjuntura deixou o terreno aberto para o aumento dos gastos
públicos sem impactar a inflação, apesar da valorização do real ter cobrado seu preço na balança
comercial, que começou a registrar déficits a partir de 2008.
A grande crise, porém, viria em 2008. Na segunda-feira, 15 de setembro de 2008 as
pessoas assistiam incrédulas as notícias da falência de um dos maiores bancos de investimentos dos
EUA, o Lehman Brothers, dando início a uma das maiores crises econômicas da história e afetando
todo o mundo (PIRES e BALIEIRO, 2013). Era o início de uma época difícil para as economias
mundiais, com repercussões que se arrastariam por anos.
O presidente Lula disse à época que a crise era um tsunami nos EUA, mas que
chegaria aqui apenas uma “marolinha”. De fato, no Brasil a crise não teve o mesmo impacto que em
outros lugares do mundo, a Espanha e Grécia, por exemplo, registraram taxas de desemprego na
casa dos 30%. A Inglaterra iniciou um movimento para sair da União Europeia, colocando em risco
todo o bloco, as taxas de juros ao redor do mundo foram zeradas, em alguns casos, inclusive, ficaram
negativas (PIRES e BALIEIRO, 2013). No Brasil, registramos o primeiro e único PIB negativo da era
Lula, em 2009, de -0,1%, contra uma média mundial de -0,6%.
O desempenho brasileiro durante a crise criou uma euforia com a economia
brasileira. Graças aos estímulos para o mercado interno, com o aumento do crédito e as reservas
internacionais, que em 2008 superou os U$ 200 bilhões, o Brasil se recuperou mais rápido que
outras economias e tornou-se um dos principais mercados para os investidores internacionais. O
investimento direto estrangeiro atingiu seu ápice em 2008 com U$ 26 bilhões. Assim, em 2010 o PIB
brasileiro foi o maior de toda era Lula, um aumento de 7,5%, o que mostra a força da nossa
recuperação, quando no ano anterior mostrou uma pequena retração.
A era Lula se encerra num clima de euforia. Em meio ao protagonismo internacional,
crescimento econômico e aumento da classe média, Lula consegue fazer sua sucessora, a ministra
Dilma Rousseff, entusiasta da nova matriz econômica do governo, a partir de 2006. O Brasil
conquistou muitos avanços no período. Entretanto, o aumento dos gastos do governo, que chegam,
em 2010, a 23,34% do PIB, contra as receitas que estão em 21,96%, poderiam se tornar um
problema no futuro.
3 METODOLOGIA
Para realizar o trabalho foi feito uma pesquisa em artigos científicos, livros e reportagens
atuais e da época. O intuito foi aprofundar-se no período, de modo a colher os dados e o contexto
do período, além de diferentes visões sobre o tema. O estudo tentou alcançar, assim, um retrato de
como foi a “Era Lula”.
Para Coletar os dados foram utilizadas várias bases oficiais. No sítio eletrônico do Banco
Central, no portal SGS (Sistema Gerenciador de Séries Temporais), foram coletados a maior parte
dos dados econômicos do trabalho. Além disso, alguns dados foram coletados na base de dados do
FMI (Fundo Monetário Internacional) e através do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos) foram obtidos os dados referentes ao salário mínimo. Buscou-se
coletar os dados de organizações oficiais de modo a atestar a confiabilidade dos dados.
4 RESULTADOS E DISCUSSSÕES
Começando por números mais gerais da economia, segue o PIB brasileiro do período. Dados
do FMI apontam um crescimento médio de 4,09% no período, tendo seu ponto máximo o ano de
2010 com 7,5% e a mínima de -0,10% em 2009. Como informa a Figura 1, a linha horizontal mostra
os anos e a vertical mostra o crescimento percentual.
8,00% 7,50%
7,00%
6,10%
5,80%
6,00%
5,10%
5,00%
4,00%
4,00%
3,00%
3,20%
2,00%
1,00% 1,10%
-0,10%
0,00%
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
-1,00%
A Figura 2 mostra o comportamento dos preços com base no Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE. É importante observar que mesmo com a explosão
do crédito e o crescimento econômico do período os preços se mantiveram estáveis e baixos, um
peso significativo para esse comportamento deve-se a desvalorização da cotação do dólar
americano U$, como mostra a Figura 3.
10,00%
9,30%
9,00%
8,00% 7,60%
7,00%
5,90% 5,91%
6,00% 5,69%
5,00% 4,46%
4,00% 4,31%
3,00%
3,14%
2,00%
1,00%
0,00%
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
3,50
3,00 2,88
2,65
1,00
0,50
0,00
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
A Figura 3 mostra a cotação do real em relação ao dólar ao final de cada ano. O dólar caiu
frente outras moedas durante os anos 2000 devido as guerras e crises. Além disso, o Brasil se tornou
um dos principais destinos para os investimentos, apreciando nossa moeda. Mesmo com a crise de
2008 que aumentou a aversão ao risco dos investidores, incentivando-os à proteger seus capitais
com os títulos norte-americanos, foram atraídos pelas altas taxas de juros e mercado interno
aquecido, então, os investidores voltam para o Brasil com ainda mais força, derrubando a cotação.
Outro ponto de destaque do governo Lula foi a taxa de desemprego. A Figura 4 abaixo mostra
a taxa de desemprego medida pelo FMI que durante todo o período caiu quase pela metade.
15,00%
12,30%
12,00% 11,50%
9,80% 10,00%
9,30%
9,00% 7,90% 8,10%
6,80%
6,00%
3,00%
0,00%
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
R$600,00
R$510,00
R$500,00 R$465,00
R$415,00
R$400,00 R$380,00
R$350,00
R$300,00
R$300,00 R$260,00
R$240,00
R$200,00
R$100,00
R$-
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
explosão do crédito, do primeiro ao último ano as operações mais que triplicaram, em especial a
partir de 2007.
Em R$ milhões
R$20.000.000,00
R$18.000.000,00
R$16.000.000,00
R$14.000.000,00
R$12.000.000,00
R$10.000.000,00
R$8.000.000,00
R$6.000.000,00
R$4.000.000,00
R$2.000.000,00
R$-
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
20,00%
17,74% 18,00%
18,00% 16,32%
16,00%
13,66%
14,00%
8,00% 8,65%
6,00%
4,00%
2,00%
0,00%
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
76,00%
74,00% 73,73%
72,00%
70,00% 70,04%
68,55%
68,00%
65,84%
66,00% 65,04%
63,80%
64,00% 63,03%
62,00%
61,91%
60,00%
58,00%
56,00%
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
A Figura 9 trata das receitas e despesas em relação ao PIB. Os dois indicadores aumentaram
no período, mas vale destacar que as despesas cresceram mais que as receitas, especialmente nos
dois últimos anos, logo após a crise de 2008.
25,00%
24,50%
24,00%
23,50%
23,00%
22,50%
22,00%
21,50%
21,00%
20,50%
20,00%
19,50%
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Figura 9: Relação entre receita e despesa em porcentagem do PIB para o período entre 2003 e 2010.
Fonte: Elaborada pelos autores com base nos dados do Banco Central
A Figura a seguir mostra a relação entre resultado primário e o déficit nominal em relação
ao PIB. Enquanto os superávits se mantiveram estáveis por volta dos 3% do PIB, com exceção do
ano de 2009, que o resultado foi abaixo dos 2%, os déficits nominais caíram pela metade entre o
primeiro e o último ano. Uma vez que as despesas cresceram mais do que as receitas em relação ao
PIB, podemos inferir que o aumento do PIB levou a queda do déficit nominal em relação ao produto
brasileiro.
6,00%
5,00%
4,00%
3,00%
2,00%
1,00%
0,00%
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Figura 10: Relação entre déficit nominal e resultado primário em porcentagem do PIB.
Fonte: Elaborada pelos autores com base nos dados do Banco Central.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar do temor que um governo de esquerda causava na véspera das eleições de 2002, o
então candidato Lula se mostrou bastante hábil em acalmar os mercados. Outro atenuante foi a
formação de uma equipe notadamente ortodoxa para ocupar os principais cargos do Ministério da
Fazenda e do Banco Central. Além da escolha do vice-presidente José Alencar, para compor sua
chapa durante os dois mandatos.
A nova equipe econômica promove um forte ajuste fiscal. Para tanto, ficou decidido manter
o tripé macroeconômico, câmbio flutuante, superávit primário e regime de metas de inflação. No
primeiro ano, a SELIC atingiu a marca de 26%, embora ao final do ano já tenha sido possível diminuir
para 16,5%. Esse choque na política monetária ajuda a trazer a inflação para baixo e acalmar os
mercados quanto ao risco de uma política fiscal inflacionária. O compromisso do governo em atingir
superávits primários contínuos, sendo que logo no primeiro ano foi 4,5% do PIB, superior ao valor
que o governo anterior havia se comprometido com o FMI (4,25%), também contribui para o
aumento da confiança.
No momento mais tenso do primeiro mandato, o escândalo do mensalão derruba o então
ministro Antônio Palocci e a corrente que defendia a contenção do crescimento dos gastos públicos,
abrindo o espaço para o movimento oposto, encabeçado pela nova ministra da casa civil, Dilma
Rousseff. Esse pensamento domina o segundo mandato, ganhando forte respaldo com a crise
financeira de 2008.
Para combater os efeitos da crise, o governo, através dos bancos estatais, especialmente o
BNDES, estimula a expansão do crédito, triplicando entre 2003 e 2010, especialmente, a partir de
2007. O cenário externo já vinha contribuindo para o governo desde o primeiro mandato, mas no
segundo ele se intensifica. Almeida (2013) defende que o crescimento econômico na américa latina
a partir de 2002 deveu-se a três fatores: as reformas liberais da década de 90, a crescente demanda
provocada pelo crescimento chinês e o “boom” das commodities.
Todavia, vale destacar que somente esses fatores não ajudam a explicar todo o crescimento
econômico e estabilidade. Tendo em vista o baixo impacto das exportações no PIB, menos de 12%
(média mundial é de 29,8%), a guerra no Afeganistão e Iraque, as crises das “pontocom” e a dívida
argentina parecem contribuir mais para a queda do dólar e consequente valorização do real, sendo
o câmbio componente preponderante para manter a inflação baixa, mesmo com a explosão do
crédito e os sucessivos aumentos reais do salário mínimo. Essa conjuntura deixou o terreno aberto
para o aumento dos gastos públicos sem aumentar o risco inflacionário, apesar da valorização do
real ter impactado na balança comercial, que começou a registrar déficits a partir de 2008.
6 REFERÊNCIAS
Almeida, C. A. L. (2009). Economia Política no Brasil: o primeiro governo Lula. 215 f. Dissertação
(Mestrado) - Curso de Economia Política, Puc - Sp, São Paulo. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 08
jun. 2016.
Folha Online. (2002). Após três eleições, Lula chega à presidência da república. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 09 jun. 2016.
Loureiro, M. R.; Santos, F. P.; Gomide, A. de Á. (2011). Democracia, arenas decisórias e política
econômica no governo Lula. RBCS, v. 26, n. 76.
Oliveira, G.; Turolla, F. (2003) Política econômica do segundo governo FHC: mudança em condições
adversas. Tempo Social: São Paulo.
Pires, F.; Balieiro, S. (2013). O mundo depois da crise de 2008. Disponível em:
<[Link]
[Link]>. Acesso em: 08 de jun. de 2016.
Roque, L. (2015). O que realmente permitiu o grande crescimento econômico brasileiro da última
década. 2016. Disponível em: <[Link] Acesso em: 09
de jun. de 2016.
SOBRE OS AUTORES
H. N. L. SANTOS
Graduado e Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN
Programa: Programa de Pós-Graduação em Administração – PPGA/UFRN.
Email: [Link]@[Link]. ORCID: [Link]
R. R. FONSECA
Graduado e Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN
Programa: Programa de Pós-Graduação em Administração – PPGA/UFRN.
Email: rodrigo_fonseca4@[Link]. ORCID: [Link]