ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos
Julgado na Sessão Ordinária nº 7.895, de 14 de outubro de 2025.
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conhecido como “albatroz” localizado na cidade de Luís Correia. Conforme as informações
prestadas, o Sr. Tiago, pulou na água alegando que não queria mais seguir viagem e que iria seguir
nadando até a costa por onde partiu, recusando-se a voltar para a embarcação.
Os Peritos consideraram que os fatores humano, operacional e material não contribuíram com o
fato da navegação, e concluíram que sua causa restou indeterminada.
Na fl. 25, consta a Declaração de Compra e Venda da embarcação, datada de 05 de abril de 2018,
com firmas reconhecidas em cartório em 05 de abril de 2018, tendo como vendedor Fernando
Moreira de Carvalho e como compradora Maria Silva Carvalho.
Na fl. 26 consta a autorização para transferência de propriedade na Agência da Capitania dos
Portos em Camocim, datada de 03/09/2024 (cerca de duas semanas depois dos fatos em pauta)
tendo como vendedor Fernando Moreira de Carvalho e como compradora Maria Silva Carvalho
Nas fls. 27 e 28, consta Boletim de Ocorrência n° 00153994/2024.
Na fl. 29, consta Certidão de óbito de Tiago Gomes de Carvalho, 32 anos de idade, indicando como
causa da morte insuficiência respiratória aguda, Asfixia e Inalação de líquido, afogamento.
As testemunhas relataram os fatos como constam do Laudo de Exame Pericial.
Na fl. 72, consta Boletim de Informações Ambientais do Centro de Hidrografia da Marinha,
constando que a região nas proximidades da região de interesse não estava sob influência de
fenômeno meteorológico significativo na tarde do dia 20 de agosto de 2024.
O Encarregado do IAFN, fls. 77 a 81, depois de resumir o Laudo de Exame Pericial e os
depoimentos, concordando com os Peritos, considerou que os fatores humano, material e
operacional não contribuíram com o fato da navegação, e que sua causa é indeterminada.
Apontou, contudo, violação dos seguintes artigos do Decreto nº 2.596/98, por parte da
proprietária de fato da embarcação, Sra. Maria Silva Carvalho: a) art. 11 (conduzir embarcação ou
contratar tripulante sem habilitação para operá-la); art. 19, inciso II, certificados os documentos
equivalentes exigidos com prazo de validade vencido).
A D. Procuradoria Especial da Marinha (Documento 0267421), concordando com Encarregado do
IAFN, requereu o arquivamento dos autos, uma vez o ingresso voluntário na água por parte do
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PROCESSO Nº 38759/2025
Acórdão
B/P “LORYPESCA II”. Ingresso voluntário na água do tripulante Tiago Gomes de Carvalho. Óbito, por
afogamento. Vontade deliberada da própria vítima fatal, mas que teve extinta a sua punibilidade,
em decorrência de seu óbito, nos termos do art. 107, inciso I, do Código Penal, c/c art. 155, da
LOTM. Com pedido de arquivamento da D. Procuradoria Especial da Marinha. Infrações ao RLESTA.
Arquivamento.
Vistos e relatados os presentes autos.
Consta que no dia 20 de agosto de 2024, pela manhã, ocorreu o ingresso voluntário na água do
tripulante Tiago Gomes de Carvalho, resultando em sua morte por afogamento, do B/P
“LORYPESCA II”, conduzido por Luciano Alves de Araújo, quando se encontrava navegando perto da
entrada do litoral da cidade de Luís Correia, PI, com danos pessoais, mas sem registro de danos ao
meio ambiente hídrico.
O B/P “LORYPESCA II”, inscrição nº 1210088223, tem casco de madeira, de 11,70 m de
comprimento, e 3,45 m de boca, 6,10 AB, ano de construção 1988, classificado para navegação de
cabotagem, era de propriedade de Maria Silva Carvalho, mas ainda inscrita como de propriedade
de Fernando Moreira de Carvalho.
No Inquérito instaurado pela Capitania dos Portos do Piauí (Documento 0263437), foram ouvidas
três testemunhas e anexados documentos de praxe.
No Laudo de Exame Pericial, fls. 63 a 70, elaborado no dia 30 de setembro de 2024 (mais de um
mês depois do fato em pauta), com croqui do local do fato da navegação, fl. 65, e imagens da
embarcação e do material de salvatagem, fls. 66 e 67, consta que a embarcação se encontrava
aparentemente sem avarias que impactassem a sua navegação.
Os Peritos apresentaram a seguinte sequência de acontecimentos: segundo relatos colhidos nos
depoimentos, no dia 20 de agosto 2024, a uma milha náutica da costa do município de Luís Correia
- PI, a embarcação “LORYPESCA II” saiu para pesca nas proximidades da Ilha do Caju, quando um
rapaz chamado Tiago, tripulante da embarcação, pulou na água, após a saída do trapiche
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Pernambuquinho, Grossos, RN. De acordo com o Sr. Adley, após a embarcação ter virado, o Sr.
Carlos Alberto da Silva e seu neto, conseguiram nadar até a praia, mas o Sr. Luiz Carlos de Morais,
na tentativa de recuperar a embarcação, desapareceu. Foi acionado o Plano de Apoio Mútuo da
AgABranca, comunidade pesqueira e Corpo de Bombeiros de Mossoró. A Equipe SAR da AgABranca
foi acionada às 191400Z e dirigiu-se para área de buscas SAR definida, Rio Mossoró e
deslocamento nas praias dos municípios de Grossos e Areia Branca-RN. Em 19/12/2024, foi
confirmado pelo Sr. Adley Alberto da Silva, sobrinho do pescador Luiz Carlos de Morais, e
informado pela MSG – P200035Z/DEZ/2024 de AgABranca, que o corpo encontrado na praia de
Pernambuquinho, localizado no município de Grossos-RN, por volta das 19h30 era de seu tio. O
Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) de Mossoró-RN, realizou a remoção do corpo.
Os Peritos consideraram que o fator material não contribuiu, mas os fatores humano e operacional
contribuíram, devido ao ímpeto do Sr. Luiz Carlos de Morais em recuperar a embarcação, não
levando em consideração a fadiga, o cansaço e o desgaste físico, sendo alcançado pela asfixia
mecânica e consequentemente o afogamento, de acordo com o Laudo de Exame Necroscópico NE-
D517-1224, do Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP-RN), e pelo fato de a embarcação não
apresentar dotação regulamentar.
Concluíram que a causa do acidente da navegação foi imprudência e negligência por parte do Sr.
Luiz Carlos de Morais, que deixou de cumprir com as normas e leis da Autoridade Marítima.
Apontaram, ainda, as seguintes violações ao Decreto nº 2596/1998 (RLESTA): a) art. 15, inciso I
(apresentar-se sem a dotação regulamentar); e b) art. 16, inciso I (deixar de inscrever a
embarcação).
Na fl. 09, consta Boletim de Informações Ambientais do Centro de Hidrografia da Marinha,
constatando que a região nas proximidades de Areia Branca não estava sob a influência de
fenômeno meteorológico significativo no dia 19 de dezembro de 2024.
Nas fls. 20 a 22, constam imagens da canoa sem nome.
Na fl. 23, consta croqui do local do acidente da navegação.
Nas fls. 25 a 27, consta Laudo Necroscópico NE-D517-1224, constatando que a causa da morte de
Luis Carlos de Morais foi asfixia por afogamento.
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humano, material e operacional, e concluiu que a causa do desaparecimento dos dois tripulantes
do N/M “BANGLAR JOYJATRA” é indeterminada.
A D. Procuradoria Especial da Marinha após análise minuciosa dos autos, manifestou-se no sentido
do arquivamento, Petição por Arquivamento 0269199, eis que a causa determinante do evento no
N/M “BANGLAR JOYJATRA” não restou devidamente apurada, tendo em vista que as provas
coligidas nos autos se revelaram desprovidas de aptidão para demonstrar de forma irretorquível as
causas e circunstâncias que determinaram o fato da navegação em comento.
Foi publicada Nota para Arquivamento, com pedido da Procuradoria Especial da Marinha, no Diário
Eletrônico do Tribunal Marítimo - E-DTM nº 71 – 04 de junho de 2025, conforme solicitado no
Despacho nº 0270390, ratificado na nota 0271248, tendo decorrido o prazo legal sem que
possíveis interessados se manifestassem, conforme Certidão 0316609.
Por todo o exposto, deve-se concordar com a promoção da Douta Procuradoria Especial da
Marinha e mandar arquivar os presentes autos.
Assim,
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)
quanto à natureza e extensão do fato da navegação: desaparecimento de dois tripulantes, Abdul
Halim e Yasin Arafat, bengaleses, do N/M “BANGLAR JOYJATRA”, enquanto fundeado no
fundeadouro nº 4, do porto de Santos, SP, mas sem registro de danos ambientais; b) quanto à
causa determinante: indeterminada; e c) decisão: julgar o fato da navegação, tipificado no art. 15,
alínea “e” (exposição a risco), da Lei nº 2.180/54, como equiparado aos casos cujas circunstâncias
determinantes não puderam ser apuradas com a devida precisão, mandando arquivar os presentes
autos, conforme manifestação da Douta Procuradoria Especial da Marinha.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Julgado na Sessão Ordinária nº 7.895, de 14 de outubro de 2025.
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Por todo o exposto, deve-se concordar com a promoção da Douta Procuradoria Especial da
Marinha e mandar arquivar os presentes autos.
Assim,
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)
quanto à natureza e extensão do acidente e do fato da navegação: naufrágio de uma canoa sem
nome, lançando na água seus três ocupantes, resultando no óbito, por afogamento, do condutor e
proprietário, Luiz Carlos de Morais, com 64 anos de idade, nas proximidades da praia de
Pernambuquinho, município de Grossos, RN, com registro de danos pessoais e materiais, mas sem
registro de danos ao ambiente hídrico; b) quanto às causas determinantes: quanto ao naufrágio
não apurado com a necessária precisão e quanto a exposição a risco, falta do material de
salvatagem a bordo, em especial dos coletes salva-vidas; e c) decisão: julgar o acidente da
navegação, tipificado no art. 14, alínea “a” (naufrágio), da Lei nº 2.180/54, como decorrente de
causa não apurada com a necessária precisão, e o fato da navegação, tipificado no art. 15, alínea
“e” (exposição a risco), da mesma lei, como decorrente de culpa exclusiva da vítima, condutor e
proprietário da canoa sem nome, entretanto, mandando arquivar os presentes autos, conforme
promoção da Douta Procuradoria Especial da Marinha, uma vez que, com o óbito do infrator, foi
extinta a sua punibilidade, nos termos do art. 107, inciso I, do Código Penal, c/c art. 155, da LOTM,
Lei nº 2.180/54.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Julgado na Sessão Ordinária nº 7.895, de 14 de outubro de 2025.
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tripulante Tiago Gomes de Carvalho configurou um infortúnio exclusivamente imputável à própria
vítima fatal.
Foi publicada Nota para Arquivamento 0268313, com pedido da Procuradoria Especial da Marinha,
no Diário Eletrônico do Tribunal Marítimo - E-DTM nº 68 – 29 de maio de 2025, conforme
solicitado no Despacho nº 0268245, tendo decorrido o prazo sem manifestação de possíveis
interessados, Certidão 0319721.
Por todo o exposto, em virtude de seu óbito, extingue-se a sua punibilidade, nos termos do art.
107, I, do Código Penal, aplicável de forma subsidiária aos acidentes e fatos da navegação, com
amparo no art. 155, da Lei Orgânica dessa Corte Marítima, devendo-se concordar com a promoção
da Douta Procuradoria Especial da Marinha e mandar arquivar os presentes autos.
Assim,
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)
quanto à natureza e extensão do fato da navegação: ingresso voluntário na água do tripulante
Tiago Gomes de Carvalho, que veio a óbito por afogamento, do B/P “LORYPESCA II”, quando a
embarcação se encontrava navegando perto da entrada do litoral da cidade de Luís Correia, PI,
com danos pessoais, mas sem registro de danos ambientais; b) quanto às causas determinantes:
vontade deliberada da própria vítima fatal em pular na água; c) decisão: julgar o fato da navegação
tipificado no art. 15, alínea “e” (exposição a risco), da Lei nº 2.180/54, como decorrente de ato
exclusivo da própria vítima fatal, Sr. Tiago Gomes de Carvalho, entretanto, tendo em vista a
extinção de sua punibilidade, em decorrência de seu óbito, nos termos do art. 107, inciso I, do
Código Penal, aplicável de forma subsidiária aos acidentes e fatos da navegação, com amparo no
art. 155, da Lei Orgânica dessa Corte Marítima, Lei nº 2.180/54; e acolhendo a manifestação da D.
Procuradoria Especial da Marinha, arquivar os presentes autos; e d) outras medidas: com fulcro no
parágrafo único, do art. 33, da LESTA, Lei nº 9.537/97, oficiar à Capitania dos Portos do Piauí as
infrações ao RLESTA, Decreto nº 2.596/98, apontadas nos autos do IAFN, da responsabilidade da
proprietária do B/P “LORYPESCA II”, Maria Silva Carvalho: art. 11 (contratar tripulante sem
habilitação para operá-la); art. 16 (falta de transferência da embarcação na Capitania) e art. 19,
inciso II (certificados ou documentos equivalentes exigidos com prazo de validade vencido).
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
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Nas fls. 28 e 29, consta a Declaração de Óbito 36909027-6, de Luis Carlos de Morais, com a causa
da morte asfixia mecânica, afogamento.
Carlos Alberto da Silva, fls. 37 a 39, Oficial de Náutica e tripulante da embarcação sem nome,
declarou que a embarcação possuía motor de rabeta e estava em bom estado de conservação,
sendo de propriedade do Sr. Luiz Carlos de Morais, pescador profissional, que navegava junto com
o depoente e um menor de 12 anos, totalizando três pessoas a bordo. Não havia coletes salva-
vidas, nem bombas de esgoto e não se sabe se a embarcação era inscrita na Autoridade Marítima.
No dia do acidente, por volta das 8h30, após arriar a rede próximo ao cabeço, atrás da draga, uma
onda alta cobriu o batelão, que afundou e voltou emborcado. A tripulação tentou desvirá-lo, mas,
por estar cheio d’água e preso à âncora, não serviu de apoio. Solto da âncora, o batelão foi levado
pela correnteza. Exausto, o Sr. Luiz Carlos começou a passar mal durante a tentativa de nado até o
pontal e acabou submergindo sem retornar. O depoente e o neto conseguiram se manter à tona
com o auxílio de um remo e de uma garrafa térmica, sendo levados pela corrente até alcançarem a
praia, entre 7h e 11h da manhã. As condições eram de maré cheia, vento de cerca de 20 nós, e o
acidente ocorreu a aproximadamente 300 metros do farolete do pontal. O depoente atribuiu o
acidente à onda alta que cobriu a embarcação.
No Relatório, fls. 46 a 50, o Encarregado do IAFN, depois de resumir o único depoimento e o Laudo
de Exame Pericial, apontou que os fatores humano e operacional contribuíram com o naufrágio
seguido de morte, e apontaram as mesmas infrações aos RLESTA sinalizadas nos Laudo de Exame
Pericial.
Concluiu que a causa do acidente foi imperícia e negligência, do proprietário e condutor da canoa
sem nome, Sr. Luiz Carlos de Morais.
A Douta Procuradoria Especial da Marinha (Documento 0267391), concordando com o
Encarregado do IAFN, requereu o arquivamento dos presentes autos, por considerar que o
acidente da navegação decorreu de culpa exclusiva da vítima, Sr. Luiz Carlos de Morais.
Foi publicada Nota para Arquivamento, no Diário Eletrônico do Tribunal Marítimo - E-DTM nº 68 –
29 de maio de 2025, conforme solicitado no Despacho nº 0267484, tendo decorrido o prazo legal
sem que possíveis interessados se manifestassem, conforme Certidão 0320187.
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interesse em entrar clandestinamente no Brasil, afirmou não saber informar. Acrescentou que,
após o desaparecimento, não recebeu qualquer informação sobre o paradeiro dos tripulantes
desaparecidos e que também não observou aproximação de embarcações ao navio nos dias
anteriores ao fato.
MD Ashraful Islam, fl. 65, Marinheiro de Máquinas, relatou que a última vez que viu o tripulante
Abdul Halim foi em 24/05/2024, às 04h, quando o rendeu na Praça de Máquinas. Conversaram
sobre o serviço, Abdul disse que estava tudo bem, se despediu e saiu. Declarou que Abdul se
comportava normalmente, sem sinais de problemas de saúde. Disse não saber se o tripulante
pretendia entrar no Brasil de forma clandestina, não teve notícias sobre os desaparecidos após o
ocorrido e não presenciou embarcação se aproximando do navio.
MD Al Imran Hasan, fl. 73, Imediato no N/M “BANGLAR JOYJATRA”, declarou que em 24/05/2024,
durante a inspeção semanal de cabines, tomou conhecimento por meio do 2º Oficial Superior de
Máquinas, de que o marinheiro Abdul Halim não havia sido encontrado, estando sua cabine
trancada. Ao abrir, com a chave mestra, constatou a ausência do tripulante e de seus pertences
pessoais, restando apenas os uniformes de trabalho. Em seguida, foi percebida também a ausência
do marinheiro de convés Yasin Arafat, cuja cabine igualmente apresentava ausência de pertences
pessoais. Após informar o Comandante, foi realizada busca geral em todo o navio, inclusive nos
porões, sem êxito. Confirmou a falta dos dois tripulantes e o Comandante comunicou o ocorrido às
autoridades competentes. O depoente mencionou que nos dias anteriores (22 e 23/05) uma
embarcação se aproximou do navio, havendo conversas da tripulação com seus ocupantes sobre
cigarros e chips de celular, situação que ele interveio para dispersar. Afirmou não ter observado
desvio de comportamento dos desaparecidos, tampouco recebeu informações posteriores sobre o
paradeiro deles. Por fim, declarou ter ouvido comentários de que ambos moravam próximos um
do outro.
Nas fls. 83 a 122, consta tradução juramentada da Carta do Comandante do N/M “BANGLAR
JOYJATRA” e das trocas de e-mail entre a empresa Ship Brooker Services e a Capitania dos Portos
de São Paulo.
No Relatório, fls. 123 a 127, o Encarregado do IAFN, depois de resumir o Laudo de Exame Pericial
indireto e os depoimentos, considerou que não foi possível apurar a contribuição dos fatores
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PROCESSO Nº 38762/2025
Acórdão
Canoa sem nome. Naufrágio. Óbito do condutor e proprietário, por asfixia, afogamento. Causa do
naufrágio indeterminada. Exposição a risco, por falta de material de salvatagem, em especial de
coletes salva-vidas. Culpa Exclusiva da vítima. Extinção de punibilidade, em decorrência do óbito
do infrator, art. 107, inciso I, do Código Penal, usado supletivamente com a permissão do art. 155,
da LOTM. Com pedido de arquivamento da D. Procuradoria Especial da Marinha. Arquivamento.
Vistos e relatados os presentes autos.
Consta que no dia 19 de dezembro de 2024, por volta das 08h30, ocorreu o naufrágio de uma
canoa sem nome, conduzida por seu proprietário, Luiz Carlos de Morais, que veio a óbito por
asfixia, afogamento, lançando os três ocupantes na água, o condutor e dois passageiros,
sobreviventes, nas proximidades da praia de Pernambuquinho, município de Grossos, RN, com
registro de danos pessoais e materiais, mas sem registro de danos ao ambiente hídrico.
A canoa sem nome, sem inscrição, tem casco de madeira, de 5,20m de comprimento, utilizada na
atividade de pesca, era de propriedade de Luiz Carlos de Morais.
No Inquérito instaurado pela Capitania dos Portos do Rio Grande no Norte (Documento 0263707),
foi ouvida apenas uma testemunha e não foram anexados documentos de praxe.
No Laudo de Exame Pericial, fls. 15 a 19, realizado no dia 03 de fevereiro de 2025, consta que a
embarcação apresentava bom estado de conservação, mas não portava coletes salva-vidas ou
qualquer material de salvatagem.
Os Peritos apresentaram a seguinte sequência de acontecimentos: no dia 19/12/2024, às 11h, a
Agência da Capitania dos Portos em Areia Branca, recebeu a informação por meio do Sr. Adley
Alberto da Silva, que seu tio, o Sr. Luiz Carlos de Morais, de 64 anos, estava realizando atividade de
pesca em uma embarcação “sem nome”, tipo canoa, com mais duas pessoas a bordo, o Sr. Carlos
Alberto da Silva, 63 anos e seu neto, V. G. M. de 12 anos, (este dispensado da qualidade de
informante pelo encarregado do inquérito), quando uma onda virou a embarcação nas
proximidades da LAT 04º56’30,5”S / LONG 037°09’12,6”W, aproximadamente 1 MN da Praia de
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