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Acórdãos sobre Acidentes Marítimos 2025

TRIBUNAL MARÍTIMO - ACÓRDÃO
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Acórdãos sobre Acidentes Marítimos 2025

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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos

Os Peritos consideraram que o fator material não contribuiu para o ocorrido, mas que não é
possível afirmar a contribuição dos fatores humano e operacional. Concluíram que a causa do fato
da navegação em pauta restou indeterminada, haja vista não haver testemunhas oculares.

Nas fls. 08 a 34, constam troca de e-mail entre a empresa Ship Brooker Services e a Capitania dos
Portos de São Paulo.

Na fl. 36, consta carta do Comandante do N/M “BANGLAR JOYJATRA”, informando o


desaparecimento dos dois tripulantes.

Nas fls. 40 a 44, constam documentos dos tripulantes desaparecidos – Abdul Halim e Yasin Arafat.

MD Zakir Hossain, fl. 49, Comandante do N/M “BANGLAR JOYJATRA”, embarcado desde
22/03/2024, informou que o Imediato é o Oficial de Segurança do navio; tomou ciência do
desaparecimento dos tripulantes Yasin Arafat e Abdul Halim em 24/05/2024, entre 10h30 e 11h,
sendo comunicado pelo Imediato, Chefe de Máquinas e Segundo Oficial de Máquinas. Relatou que
o Marinheiro de Máquinas MD Ashraful Islam foi o último a ver Abdul Halim às 04h, e o Oficial de
Serviço Raju Ahmed foi o último a ver Yasin Arafat, entre 20h e 24h do dia anterior. Informou que
não há sistema de monitoramento por vídeo a bordo e que não foi notada nenhuma anormalidade
na rotina, nem desvio de comportamento dos desaparecidos. Negou acreditar que os tripulantes
tinham intenção de entrar clandestinamente no Brasil. Informou que, quando vistos pela última
vez, o navio estava fundeado no fundeadouro nº 4 do Porto de Santos, SP. Comunicou o
desaparecimento às autoridades por volta das 12h do dia 24/05/2024, após realizar buscas no
navio. Acrescentou que os desaparecidos eram próximos, tinham forte amizade, levaram objetos
pessoais em mochilas, mas deixaram uniformes e malas a bordo. Declarou ainda que nos dias 22 e
23 de maio, uma pequena embarcação se aproximou da proa e Yasin Arafat chegou a conversar
com seus ocupantes sobre cigarros e chip de celular. Por fim, mencionou haver um boato de que
ambos tinham parentes nos Estados Unidos.

Raju Ahmed, fl. 57, 3º Oficial de Náutica a bordo do N/M “BANGLAR JOYJATRA”, informou que a
última vez que viu o tripulante Yasin Arafat foi no dia 23/05/2024, por volta de 00h, durante o
serviço de bordo, ocasião em que o desaparecido realizava ronda de segurança no convés e
reportava a ele. Disse que Yasin não apresentava comportamento estranho nem problemas de
saúde, tendo confirmado que estava tudo bem. Quanto à possibilidade de o tripulante ter

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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos

PROCESSO Nº 38735/2025
Acórdão

Moto aquática “VALENÇA VII”. Colisão com uma banhista não identificada, na área de
desembarque, com a embarcação desligada. A vítima realizava mergulhos curtos e bateu com a
cabeça contra a embarcação quando emergiu. Caso fortuito. Com pedido de arquivamento da D.
Procuradoria Especial da Marinha. Arquivamento.

Vistos e relatados os presentes autos.

Consta que, por volta das 15h, do dia 04 de março de 2025, ocorreu a colisão da moto aquática
“VALENÇA VII”, na área de desembarque, desligada, conduzida pelo ARA Carlos Guilherme dos
Santos Guedes, com uma banhista não identificada, na Praia de Freguesia de Santana, Angra dos
Reis, RJ, com danos pessoais, mas sem registro de danos ao meio ambiente hídrico.

A moto aquática “VALENÇA VII”, inscrição nº 443M2023001103, tem casco de fibra de vidro, de
3,58 m de comprimento, ano de construção 2021, classificada para navegação interior, atividade
de esporte e recreio, era de propriedade de Fábio Julio Costa Valença.

No Inquérito instaurado pela Delegacia da Capitania dos Portos em Angra dos Reis
(Documento 0260717) foram ouvidas duas testemunhas e anexados documentos de praxe.

No Laudo de Exame Pericial, fls. 05 a 09, realizado no dia 13 de março de 2025, com imagens da
embarcação, fl. 06, e croqui do local do acidente em anexo, fl. 07, consta que a embarcação não
apresentava avarias aparentes por conta da colisão com pessoa. Ademais, os Peritos estiveram no
local do acidente, constatando que existe área demarcada para banhista e área destinada para
embarque e desembarque.

Os Peritos apresentaram a seguinte sequência de acontecimentos: a moto aquática “VALENÇA VII”


estava na praia de Freguesia de Santana realizando um passeio com uma pessoa de passageira na
moto aquática e ao se aproximar do cais, já na área de desembarque, um banhista que realizava
mergulhos curtos subiu a margem colidindo com a cabeça contra a moto aquática que se
encontrava desligada. O condutor relatou que a vítima ficou com um pequeno hematoma na
cabeça, porém, ao tentar prestar socorro, foi agredido pelo pai da vítima, tendo neste momento a

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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos

Por todo o exposto, deve-se concordar com a promoção da Douta Procuradoria Especial da
Marinha e mandar arquivar os presentes autos.

Assim,

ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade:


a) quanto à natureza e extensão do acidente da navegação: colisão da moto aquática “VALENÇA
VII”, que estava desligada, na área de desembarque, com uma banhista não identificada, na Praia
de Freguesia de Santana, Angra dos Reis, RJ, com danos pessoais, mas sem registro de danos ao
meio ambiente hídrico; b) quanto à causa determinante: a vítima realizava mergulhos curtos e
bateu com a cabeça contra a embarcação quando emergiu; e c) decisão: julgar o acidente da
navegação, tipificado no art. 14, alínea “a” (colisão), da Lei nº 2.180/54, como decorrente de caso
fortuito, mandando arquivar os presentes autos, conforme promoção da Douta Procuradoria
Especial da Marinha.

Publique-se. Comunique-se. Registre-se.

Julgado na Sessão Ordinária nº 7.895, de 14 de outubro de 2025.

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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos

No Relatório, fls. 140 a 144, o Encarregado do IAFN, depois de resumir o Laudo de Exame Pericial e
o único depoimento, considerou que o fator operacional contribuiu para o incidente, concluindo
que sua causa determinante foi a imprudência da vítima não fatal Sr. Raphael Coutinho da Silva.

A Douta Procuradoria Especial da Marinha (Documento 0268320), concordando em parte com o


entendimento do Encarregado do IAFN, requereu o arquivamento dos presentes autos, pois
entendeu que a causa determinante do fato da navegação capitulado no art. 15, alínea “e”
(exposição a risco) da Lei nº 2.180/54 foi infortúnio da própria vítima, decorrente de uma
fatalidade.

Foi publicada Nota para Arquivamento 0269907, no Diário Eletrônico do Tribunal Marítimo - E-
DTM nº 69 – 30 de maio de 2025, conforme solicitado no Despacho nº 0268814, tendo decorrido o
prazo legal sem que possíveis interessados se manifestassem, conforme Certidão 0320184.

Por todo o exposto, deve-se concordar com a promoção da Douta Procuradoria Especial da
Marinha e mandar arquivar os presentes autos.

Assim,

ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade:


a) quanto à natureza e extensão do fato da navegação: queda a bordo do colaborador Raphael
Coutinho da Silva, Técnico em Eletromecânica, que escorregou no convés, resultando em
deslocamento do seu ombro esquerdo, ao se apoiar para evitar a queda, durante trânsito da
oficina em direção ao ROV de BB, na Bacia de Campos, Campos dos Goytacazes, RJ, com danos
pessoais, mas sem registro de danos ao meio ambiente hídrico; b) quanto à causa determinante:
caso fortuito;e c) decisão: julgar o fato da navegação, tipificado no art. 15, alínea “e” (exposição a
risco) da Lei nº 2.180/54, como decorrente de infortúnio da própria vítima não fatal, caso fortuito,
mandando arquivar os presentes autos, conforme promoção da Douta Procuradoria Especial da
Marinha.

Publique-se. Comunique-se. Registre-se.

Julgado na Sessão Ordinária nº 7.895, de 14 de outubro de 2025.

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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos

intervenção da Sra. Camilla Carla Guedes de Sales, irmã do condutor, que foi agredida pela mãe da
vítima, tendo desmaiado e ficado com um corte no lábio superior e quatro pontos cirúrgicos. Nem
a vítima que colidiu com a embarcação nem outro parente não compareceram à Delegacia para
prestar esclarecimentos e não foram identificadas ou localizadas.

Os Peritos consideraram que os fatores humano, material e operacional não contribuíram com o
acidente da navegação, e concluíram que a causa da colisão foi caso fortuito.

Carlos Henrique dos Santos Guedes, fl. 12, ARA condutor da moto aquática “VALENCA VII”,
declarou que O depoente informou que a moto aquática estava desligada no momento da colisão.
Ao se aproximar da área de embarque e desembarque, não emitiu alerta, pois a banhista surgiu
por baixo da água. Confirmou que o local costuma ter muitos banhistas diariamente e que o clima
era ensolarado, com boa visibilidade. Ele estava no comando da moto aquática, que se encontrava
desligada.

Camilla Carla Guedes de Sales, fl. 16, declarou que estava na praia vendendo passeios de jet ski e
orientando turistas quando viu um homem correndo em direção ao Guilherme; a moto aquática
estava parada e a vítima caminhava na areia. Guilherme já havia sido agredido pelo pai da vítima. A
mãe da vítima também agrediu a depoente, que se defendeu imobilizando-a, resultando em uma
briga generalizada na praia.

No Relatório, fls. 25 a 27, o Encarregado do IAFN, depois de resumir os depoimentos e o Laudo de


Exame Pericial, considerou que os fatores humano, material e operacional não contribuíram para o
acidente e concluiu que a causa determinante da colisão foi caso fortuito.

A D. Procuradoria Especial da Marinha, Documento 0267598, concordando com os Peritos,


requereu o arquivamento dos presentes autos, pois considerou que o acidente se deu por caso
fortuito, visto que não resultou de comportamento culposo, mas de um acontecimento possível,
de efeito imprevisível e inevitável.

Foi publicada Nota para Arquivamento 0268319, com pedido da Procuradoria Especial da Marinha,
no Diário Eletrônico do Tribunal Marítimo - E-DTM nº 68 – 29 de maio de 2025, conforme
solicitado no Despacho nº 0268223, tendo decorrido o prazo legal sem que possíveis interessados
se manifestassem, conforme Certidão 0319727.

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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos

ombro esquerdo. Às 22h45, foi realizada inspeção, não sendo identificado piso escorregadio, e, às
23h, efetuou-se a limpeza preventiva do piso. No dia seguinte, 15/11/2023, o acidentado foi
desembarcado por evacuação médica para atendimento em terra.

Os Peritos consideraram que os fatores humano e material não contribuíram com o incidente, mas
o fator operacional contribuiu, haja vista a falta de percepção de risco, causada pela imprudência
do colaborador, que escorregou na faixa branca que contorna o caminho pintado na cor verde.
Concluíram que a causa do fato da navegação foi a falta de percepção de risco, causada pela
imprudência do colaborador.

Na fl. 04, consta Comunicação Inicial de Incidente (CI).

Raphael Coutinho da Silva, fls. 17 a 19, Técnico em Eletromecânica, operador de ROV no N/M
“CORAL DO ATLÂNTICO”, por volta das 22h30, ao se deslocar da oficina para o deck de BB da
embarcação, sofreu queda em mesmo nível, lesionando o ombro esquerdo ao se apoiar em uma
caixa. Comunicou o acidente à operadora de ROV e seguiu para a enfermaria, onde recebeu
atendimento por telemedicina, sendo posteriormente desembarcado por MEDVAC para hospital
em Macaé, onde o ombro foi recolocado. Informou que usava EPI completo, seguia rota segura e
que não havia corrimão nem sinalização de piso escorregadio no local, embora as condições do
mar fossem boas. Acredita que o acidente poderia ter sido evitado se houvesse antiderrapante
também na faixa branca que contorna o caminho. Teve como consequência o deslocamento do
ombro, sem prejuízo às atividades futuras. Não apontou responsáveis, entendendo tratar-se de
eventualidade. Após o fato, a embarcação implementou melhorias com antiderrapante em todo o
convés próximo ao ROV e emitiu alertas à tripulação.

Nas fls. 31 e 32, consta Programa Médico da Saúde Ocupacional (PCMSO) do colaborador Raphael
Coutinho da Silva, concluindo que o mesmo está apto ao trabalho.

Nas fls. 57 a 81, constam registros de atendimento médico no N/M “CORAL DO ATLÂNTICO”, em
novembro de 2023, sendo registrado nas posições 41 a 48 o atendimento ao acidentado Raphael
Coutinho da Silva.

Nas fls. 115 a 116, consta Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos

PROCESSO Nº 38740/2025
Acórdão

N/M “BANGLAR JOYJATRA”. Desaparecimento de dois tripulantes, Abdul Halim e Yasin Arafat,
bengaleses, enquanto fundeado no fundeadouro nº 4, do Porto de Santos, SP, sem registro de
danos ambientais. Possível abandono do navio. Equiparado aos casos cujas circunstâncias
determinantes não puderam ser apuradas com a necessária precisão. Pedido de arquivamento da
D. Procuradoria Especial da Marinha. Arquivamento.

Vistos e relatados os presentes autos.

Consta que no dia 24 de maio 2024 foi constado o desaparecimento de dois tripulantes,
bengaleses, Yasin Arafat e Abdul Halim, do N/M “BANGLAR JOYJATRA”, sob o comando de Zakir
Hossain, enquanto fundeado no fundeadouro nº 4, do Porto de Santos, SP, mas sem registro de
danos ambientais.

O N/M “BANGLAR JOYJATRA”, IMO nº 9793820, bandeira de Bangladesh, tem casco de aço, de
179,95 m, 25.818 AB, classificado para navegação de longo curso, atividade de transporte a granel,
era de propriedade de Bangladeshn Shipping Corp.

No Inquérito instaurado pela Capitania dos Portos de São Paulo (Documento 0261317), foram
ouvidas quatro testemunhas e anexados documentos praxe.

No Laudo de Exame Pericial, fls. 05 a 07, elaborado no dia 25 de maio de 2024, não consta a
condição em que se encontrava a embarcação.

Os Peritos apresentaram a seguinte sequência de acontecimentos: no dia 24 de maio de 2024, a


Capitania dos Portos de São Paulo recebeu um e-mail de notificação do Comandante do navio
“BANGLAR JOYJATRA”, sobre o desaparecimento de dois tripulantes do navio, Yasin Arafat e Abdul
Halim. O navio se encontrava no fundeadouro nº 4, no porto de Santos, SP, Brasil. O Comandante
do navio e a tripulação não souberam informar o que aconteceu com os dois tripulantes, mas foi
relatado que todos os pertences dos mesmos não estavam mais a bordo.

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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos

interesse em entrar clandestinamente no Brasil, afirmou não saber informar. Acrescentou que,
após o desaparecimento, não recebeu qualquer informação sobre o paradeiro dos tripulantes
desaparecidos e que também não observou aproximação de embarcações ao navio nos dias
anteriores ao fato.

MD Ashraful Islam, fl. 65, Marinheiro de Máquinas, relatou que a última vez que viu o tripulante
Abdul Halim foi em 24/05/2024, às 04h, quando o rendeu na Praça de Máquinas. Conversaram
sobre o serviço, Abdul disse que estava tudo bem, se despediu e saiu. Declarou que Abdul se
comportava normalmente, sem sinais de problemas de saúde. Disse não saber se o tripulante
pretendia entrar no Brasil de forma clandestina, não teve notícias sobre os desaparecidos após o
ocorrido e não presenciou embarcação se aproximando do navio.

MD Al Imran Hasan, fl. 73, Imediato no N/M “BANGLAR JOYJATRA”, declarou que em 24/05/2024,
durante a inspeção semanal de cabines, tomou conhecimento por meio do 2º Oficial Superior de
Máquinas, de que o marinheiro Abdul Halim não havia sido encontrado, estando sua cabine
trancada. Ao abrir, com a chave mestra, constatou a ausência do tripulante e de seus pertences
pessoais, restando apenas os uniformes de trabalho. Em seguida, foi percebida também a ausência
do marinheiro de convés Yasin Arafat, cuja cabine igualmente apresentava ausência de pertences
pessoais. Após informar o Comandante, foi realizada busca geral em todo o navio, inclusive nos
porões, sem êxito. Confirmou a falta dos dois tripulantes e o Comandante comunicou o ocorrido às
autoridades competentes. O depoente mencionou que nos dias anteriores (22 e 23/05) uma
embarcação se aproximou do navio, havendo conversas da tripulação com seus ocupantes sobre
cigarros e chips de celular, situação que ele interveio para dispersar. Afirmou não ter observado
desvio de comportamento dos desaparecidos, tampouco recebeu informações posteriores sobre o
paradeiro deles. Por fim, declarou ter ouvido comentários de que ambos moravam próximos um
do outro.

Nas fls. 83 a 122, consta tradução juramentada da Carta do Comandante do N/M “BANGLAR
JOYJATRA” e das trocas de e-mail entre a empresa Ship Brooker Services e a Capitania dos Portos
de São Paulo.

No Relatório, fls. 123 a 127, o Encarregado do IAFN, depois de resumir o Laudo de Exame Pericial
indireto e os depoimentos, considerou que não foi possível apurar a contribuição dos fatores

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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos

humano, material e operacional, e concluiu que a causa do desaparecimento dos dois tripulantes
do N/M “BANGLAR JOYJATRA” é indeterminada.

A D. Procuradoria Especial da Marinha após análise minuciosa dos autos, manifestou-se no sentido
do arquivamento, Petição por Arquivamento 0269199, eis que a causa determinante do evento no
N/M “BANGLAR JOYJATRA” não restou devidamente apurada, tendo em vista que as provas
coligidas nos autos se revelaram desprovidas de aptidão para demonstrar de forma irretorquível as
causas e circunstâncias que determinaram o fato da navegação em comento.

Foi publicada Nota para Arquivamento, com pedido da Procuradoria Especial da Marinha, no Diário
Eletrônico do Tribunal Marítimo - E-DTM nº 71 – 04 de junho de 2025, conforme solicitado no
Despacho nº 0270390, ratificado na nota 0271248, tendo decorrido o prazo legal sem que
possíveis interessados se manifestassem, conforme Certidão 0316609.

Por todo o exposto, deve-se concordar com a promoção da Douta Procuradoria Especial da
Marinha e mandar arquivar os presentes autos.

Assim,

ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)


quanto à natureza e extensão do fato da navegação: desaparecimento de dois tripulantes, Abdul
Halim e Yasin Arafat, bengaleses, do N/M “BANGLAR JOYJATRA”, enquanto fundeado no
fundeadouro nº 4, do porto de Santos, SP, mas sem registro de danos ambientais; b) quanto à
causa determinante: indeterminada; e c) decisão: julgar o fato da navegação, tipificado no art. 15,
alínea “e” (exposição a risco), da Lei nº 2.180/54, como equiparado aos casos cujas circunstâncias
determinantes não puderam ser apuradas com a devida precisão, mandando arquivar os presentes
autos, conforme manifestação da Douta Procuradoria Especial da Marinha.

Publique-se. Comunique-se. Registre-se.

Julgado na Sessão Ordinária nº 7.895, de 14 de outubro de 2025.

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