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História da TV e Estética das Novelas

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PÓS-GRADUAÇÃO

Estética e arte:
processos de inovação
e criatividade no
audiovisual
PÓS-GRADUAÇÃO

TV no Brasil: história e
a estética das novelas
Bloco 1
Jurema Sampaio
História

• Conheceremos um pouco da história, narrativas e


conteúdo da televisão brasileira, para
compreender o público consumidor dos produtos
e serviços televisivos e, assim, perceber a
transformação da produção com o crescente das
novas tecnologias.

• Voltando algumas décadas do tempo, vamos até a


metade do século XX. O ano era 1950 e, no dia 18
de setembro, era inaugurada em São Paulo a
primeira emissora de televisão do Brasil, a TV Tupi.
História

• Quando, às sete em ponto, segundo Morais


(1994), o radialista Walter Forster:

Esperava a luz vermelha da câmera se acender para


pronunciar uma breve mensagem: está no ar a PRF-3-Tv
Tupi de São Paulo, a primeira estação de televisão da
América Latina, deu-se o início oficial história da TV no
Brasil. (MORAIS, 1994, p.364)
História

• Mas a história não começa exatamente nesse


ponto. A primeira transmissão de TV, que foi
efetivamente um marco histórico, foi possível
como realização de uma mistura de sonho e
teimosia de um homem.
• A primeira emissora de TV brasileira foi montada
com equipamentos trazidos para o país pelo
empresário Francisco de Assis Chateaubriand
Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis
Chateaubriand.
História

• Chatô, como era chamado pelos amigos e colegas


de trabalho, era muito rico e um dos homens mais
poderosos do Brasil, dono e diretor dos Diários
Associados, grupo de comunicação que contava
com sete jornais e a revista O Cruzeiro.
• O poderoso empresário tinha uma espécie de
trânsito livre entre autoridades e celebridades,
fato que dava ao jornalista grande intimidade com
o poder. Isso facilitou, e muito, alguns
procedimentos para realizar o sonho de trazer a
televisão para o Brasil.
História

• Para haver quem assistisse à programação da


televisão imaginada, Morais (1994) conta que
Chateaubriand importou aparelhos de TV, de
forma inusitada e curiosa.
• Numa passagem interessante da biografia do
jornalista, Morais (1994) diz que, ao ser alertado
para o fato de que ninguém no país tinha
aparelhos de TV para receber as transmissões que
ele pretendia realizar, Chatô:
Telefonou ao dono de uma grande empresa de
importação e exportação e pediu-lhe que trouxesse por
avião, dos Estados Unidos, duzentos aparelhos de tv, de
modo que chegassem a São Paulo três dias depois. O
homem explicou que não era tão simples: por causa da
morosa burocracia do Ministério da Fazenda, um
processo de importação (mesmo que fosse agilizado por
ordem do presidente da República, como Chateaubriand
sugeria) iria consumir pelo menos dois meses até que os
televisores fossem postos no aeroporto de Congonhas.
Chateaubriand não se assustou:
- Então traga de contrabando. Eu me responsabilizo. O
primeiro receptor que desembarcar eu mando entregar
no Palácio do Catete, como presente meu para o
presidente Dutra. (MORAIS, 1994, p.363)
História

• Morais (1994) destaca que o jornalista realmente


fez o que havia prometido:

Os dois primeiros televisores que recebeu, dos duzentos


contrabandeados, Chateaubriand deu de presente,
respectivamente, a Vera Faria, sua secretária particular em São
Paulo, e ao presidente Dutra. O de Dutra só serviu, durante um
ano, como insólita peça de decoração de seu gabinete: a TV Tupi
do Rio só seria inaugurada em 1951. (MORAIS, 1994, p.365)
História

• Quatro meses depois da inauguração em São


Paulo, foi a vez do Rio de Janeiro receber a TV Tupi,
com a inauguração acontecida em 20 de janeiro de
1951, dia do padroeiro da cidade, São Sebastião.
• A data foi escolhida justamente por ser feriado
municipal na cidade, com a ideia de conquistar
mais expectadores para a chamada TV Tupi da
Guanabara.
• O nome mudou depois da fusão dos estados do Rio
de Janeiro e Guanabara, em 1975, quando a
emissora passou a se chamar TV Tupi Rio.
História

• 1952: entrava no ar a terceira emissora de


televisão no Brasil e a segunda em São Paulo: a TV
Paulista, no canal 5.
• 1953: foi inaugurada a TV Record, em SP; e em
1955, a TV Rio.
• 1955: no dia 8 de setembro, de 1955, entrou no ar
a TV Itacolomi, canal 4, de Belo Horizonte. Era o
início da operação da televisão em Minas Gerais.
• 1957: dez emissoras estavam em operação no
Brasil.
História

• 1959: surge a TV Continental, canal 9, no Rio de


Janeiro, inaugurando a era do videoteipe, que
acabava de chegar ao Brasil. A concessão da TV
Continental foi cassada em 1972.
• 1960: é inaugurada a TV Excelsior, em São Paulo; e,
em 1963, chega a TV Excelsior Rio de Janeiro. As
duas saíram do ar por decisão do governo militar,
em 1970.
• Em 26 de abril de 1965: é inaugurada a TV Globo
Rio, de propriedade do jornalista Roberto Marinho,
dono do jornal O Globo e de emissoras de rádio de
mesmo nome.
História

• A TV Tupi Rio e TV São Paulo, e mais cinco


emissoras próprias da Rede Tupi, operaram até 18
de julho de 1980, segundo Ramos (1995).
• Em 19 agosto de 1981: Sílvio Santos funda o
Sistema Brasileiro de Televisão - SBT.
• 1983: a TV Manchete inicia suas atividades, que se
encerram com falência em maio de 1999, quando
os empresários paulistas assumem a concessão,
transferem a sede para Barueri, e o nome da
emissora é alterado para RedeTV!.
A cara da TV brasileira

• O início da produção televisiva brasileira se


caracterizou por uma espécie de laboratório de
experimentações.

• Na produção, a falta de referências, que poderia


ser um problema, era, ao mesmo tempo, uma
possibilidade imensa de criação.

• Tudo era feito, de forma interessante, numa


mistura de criatividade, risco calculado e audácia.
A cara da TV brasileira

• Profissionais de diversas áreas, das artes e da


comunicação, como teatro e rádio, se envolveram
na produção e desenvolvimento de propostas de
conteúdo e formatos de atrações para esse novo
suporte.
• 1953: o noticiário Repórter Esso foi trazido do
rádio para a TV, marcando o início de um formato
para telejornais. Virou sinônimo de confiabilidade,
chegando ao ponto das pessoas se referirem ao
noticiário como: se o Repórter Esso não deu, não
aconteceu.
A cara da TV brasileira

• 1956: Manuel da Nóbrega, pai do Carlos Alberto da


Nóbrega, cria o primeiro programa humorístico, Praça
da Alegria, num formato muito simples: um banco de
praça onde os humoristas trazidos do rádio
revezavam seus personagens sob a coordenação do
próprio Nóbrega.
• Em agosto de 1957, uma novidade: uma transmissão
entre Rio e São Paulo, simultaneamente, com um link
entre a TV Rio e a TV Record para a transmissão do
Grande Prêmio Brasil de Turfe.
• 1960: a TV Tupi usou, pela primeira vez, o videoteipe,
numa adaptação de Hamlet, de Shakespeare.
A cara da TV brasileira

• O Golpe Militar de 1964 tem grande impacto na


TV brasileira, que passa a sofrer restrições
governamentais ao conteúdo veiculado.
• A situação vai ficando cada vez mais restritiva até
que, em 13 de dezembro 1968, o Ato Institucional
n. 5 institui de vez a censura prévia de toda a
produção.
• Até a década de 1980, todas as emissoras têm seu
conteúdo e programação aprovados pelo governo
federal para poder ser exibido.
A cara da TV brasileira

• Uma lembrança marcante foi a proibição da


exibição da telenovela Roque Santeiro, de Dias
Gomes, que só foi veiculada pela Rede Globo dez
anos depois.
• Nos anos de 1990, a TV brasileira já havia
conquistado respeito mundial, com diversas
premiações internacionais de reconhecimento de
mérito, como o infanto-juvenil Sítio do Pica-pau
Amarelo, exibido entre 1977 a 1985, que foi
considerado pela UNESCO como o melhor
programa infantil do mundo e o Prêmio Asa de
Ouro do Sucesso, à telenovela Dancin’ Days,
produzida pela TV Globo e transmitida no Brasil.
PÓS-GRADUAÇÃO

TV no Brasil: história e
a Estética das novelas.
Bloco 2
Jurema Sampaio
A atualidade e o futuro

• 1989: começam a ser oferecidos serviços de TV


por assinatura no Brasil.
• Na TV por assinatura, o assinante escolhe a
programação dos canais que exibem conteúdos
exclusivos para assinantes. Esse formato foi criado
pela emissora norte-americana HBO, em 1972, e o
pagamento pela assinatura se justificava na ideia
de não haver intervalos comerciais, como nas TV
abertas, em que os comerciais sustentam as
emissoras, patrocinando as atrações.
A atualidade e o futuro

• Entretanto, hoje em dia, mesmo pagando, não são


raros os comerciais nas emissoras de TV a cabo, o
que torna essa justificativa questionável.
• O que mais caracteriza a TV por assinatura,
atualmente, não é a exclusividade de conteúdo,
embora ainda seja um forte argumento, mas a
segmentação de interesses de assuntos.
• Os serviços de assinatura de TV têm evoluído
bastante nas últimas décadas, em especial pela
concorrência dos serviços de streaming, que
proporcionam ainda mais personalização de
programação.
A atualidade e o futuro

• Streaming deriva do verbo stream, em inglês, que


significa fluxo.
• A ideia principal da TV por streaming é uma
realidade e as possibilidades trazidas pelos serviços
de telefonia mobile.
• A produção de conteúdo original e de qualidade
vai, cada vez mais, enfrentar a questão de produzir
conteúdo para disponibilização em veículos cada
vez menos hegemônicos, trazendo para perto dos
produtores de conteúdos a necessidade e
obrigatoriedade de conhecer, cada vez mais e
melhor, seu telespectador.
PÓS-GRADUAÇÃO

Teoria em prática
Bloco 3
Jurema Sampaio
A TV e a educação

• Um programa de TV pode ser classificado como


educativo, sem que, necessariamente, tenha sido
produzido com esse fim.
• A qualidade educativa de uma produção diz respeito ao
seu conteúdo e forma.
• Uma animação pode ser educativa, assim como um
filme, uma novela, ou qualquer peça da
teledramaturgia.
• Em que aspectos a televisão brasileira contribui para a
educação e para a educação das pessoas? Como a
televisão poderia contribuir de maneira mais efetiva
para elevar o nível educacional e cultural da população?
A TV e a educação

• Vamos pensar em possíveis soluções, mas que


sejam possíveis aos indivíduos e não somente às
políticas públicas de comunicação. De outro
modo, a TV não muda o mundo.

• A TV pode mudar as pessoas, e pessoas mudam o


mundo.

• A TV é um serviço público administrado pelo setor


privado (como acontece em outros setores como a
saúde, educação e transportes) e, como tal, somos
nós, a sociedade, que exigimos como deve ser.
A TV e a educação

• Lembre-se de que a TV comercial faz TV para os


anunciantes.

• Anunciantes querem audiência para seus


comerciais, não importando muito quais são os
programas.

• Se o educativo der audiência, ok.

• Assistimos TV aberta sem pagar por isso, pois é o


modelo de negócio para pagar os custos de
produção da TV.
A TV e a educação

• Como reagir?

• Os instrumentos para isso são vários, desde as


redes sociais até simplesmente não assistir ao
canal (sem audiência, são obrigados a mudar a
programação, certo?) e ver outra coisa, em
outro canal, ou até mesmo ler um livro ou ir ao
cinema.

• Como vê, a resposta não é fácil. Já pensou em


deixar de assistir algo na televisão como forma de
protesto?
PÓS-GRADUAÇÃO

Dica da professora
Bloco 4
Jurema Sampaio
Dica
• O livro Chatô - o rei do Brasil, de Fernando • Assista ao filme, disponível nos
Morais (Cia. das Letras, 1994), foi a base para o canais de streaming, e procure
roteiro do filme de mesmo nome, de 2015. assimilar mais em seu
• Na biografia do empresário, que foi um grande repertório pessoal sobre um
nome da TV no Brasil, podemos conhecer assunto tão interessante!
muito da história desse veículo de
comunicação tão presente em nossas vidas.

Figura 1 – Filme Chatô – o rei do Brasil

Disponível em:
<[Link]
[Link]/filmes/fil
me-210247/fotos/>.
Acesso em: 23 jul.
2019.
Referências Bibliográficas

MORAIS, Fernando. Chatô: o rei do Brasil. Rio de


Janeiro: Cia. das Letras, 1994.

RAMOS, José Mário Otiz. Televisão, publicidade e


cultura de massa. Petrópolis: Vozes, 1995.

TEODORO, Gontijo. Se o Repórter Esso não deu, não


aconteceu. In: depoimento ao Museu da Televisão
Brasileira. 06 set.2003. Disponível em:
<[Link]
reporter-esso-nao-deu-nao-aconteceu-
19955314#ixzz5pdA6Fsxp>. Acesso em: 23 jul. 2019.

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