ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos
PROCESSO Nº 38680/2025
Acórdão
Plataforma “PETROBRAS 56”. Luxação da articulação do ombro esquerdo no colaborador José
Guilherme Alves das Neves Sena. Lesão preexistente. Com pedido de arquivamento da D.
Procuradoria Especial da Marinha. Arquivamento.
Vistos e relatados os presentes autos.
Consta que cerca das 17h20, do dia 01 de outubro de 2023, ocorreu uma luxação na articulação do
ombro esquerdo no colaborador José Guilherme Alves das Neves Sena, a bordo da plataforma
“PETROBRAS 56”, enquanto auxiliava em uma manobra para descida de uma máquina de lava-jato,
utilizando a rede como auxílio para posicionamento da carga com cabo-guia, na Bacia de Campos,
Campos dos Goytacazes, RJ, com danos pessoais, mas sem registro de danos ao meio ambiente
hídrico.
A plataforma “PETROBRAS 56”, IMO nº 8770182, tem casco de aço, de 125,0 m de comprimento,
63.043 AB, classificada para navegação em mar aberto, atividade de produção, era de propriedade
da Petrobras Netherlands B.V.
No Inquérito instaurado pela Capitania dos Portos de Macaé (Documento 0256300), foi ouvida
apenas uma testemunha e anexados documentos de praxe.
Cumpre dizer que foram notificadas duas testemunhas, entretanto, uma delas não compareceu
para depor e não respondeu aos contatos telefônicos.
No Laudo de Exame Pericial, fls. 09 a 15, realizado em 05 de novembro de 2023, consta que a
plataforma e suas instalações estavam em bom estado de conservação.
Os Peritos apresentaram a seguinte sequência de acontecimentos: no dia 01/10/2023, às 07h,
foram iniciadas as atividades com a realização do Diálogo Diário de Segurança (DDS) e da
Permissão de Trabalho (PT). Às 07h15, ocorreu a liberação da PT para o serviço de pintura e, às
11h, a atividade foi interrompida para o almoço. Às 12h, houve o retorno do almoço e o reinício
das atividades do período da tarde. Por volta das 17h, o colaborador José Guilherme Alves das
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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos
Sumário
GABINETE DESEMBARGADOR FERNANDO ALVES LADEIRAS................................................................3
ACÓRDÃOS.......................................................................................................................................3
PROCESSO Nº 38676/2025..........................................................................................................3
PROCESSO Nº 38680/2025..........................................................................................................6
PROCESSO Nº 38684/2025........................................................................................................10
PROCESSO Nº 38703/2025........................................................................................................14
PROCESSO Nº 38713/2025........................................................................................................19
PROCESSO Nº 38720/2025........................................................................................................27
PROCESSO Nº 38726/2025........................................................................................................30
PROCESSO Nº 38735/2025........................................................................................................33
PROCESSO Nº 38740/2025........................................................................................................36
PROCESSO Nº 38759/2025........................................................................................................40
PROCESSO Nº 38762/2025........................................................................................................44
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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos
A Douta Procuradoria Especial da Marinha (Documento 0268119), após análise minuciosa dos
autos, manifestou-se no sentido do arquivamento, já que o naufrágio da moto aquática “AMIZADE
10” foi de natureza fortuita, visto que não resultou de comportamento culposo, mas de um
acontecimento possível, de efeito imprevisível e inevitável.
Foi publicada Nota para Arquivamento 0268322, no Diário Eletrônico do Tribunal Marítimo - E-
DTM nº 68 – 29 de maio de 2025, conforme solicitado no Despacho nº 0268214, tendo decorrido o
prazo legal sem que possíveis interessados se manifestassem, conforme Certidão 0319734.
Por todo o exposto, deve-se concordar com a promoção da Douta Procuradoria Especial da
Marinha e mandar arquivar os presentes autos.
Assim,
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)
quanto à natureza e extensão do acidente da navegação: naufrágio parcial da moto aquática
“AMIZADE 10”, próximo à ilha de Cataguás, Angra dos Reis, RJ, com danos materiais, mas sem
registro de danos pessoais ou ao meio ambiente hídrico; b) quanto à causa determinante: avaria
repentina da máquina, decorrente de falha na vedação da bucha de carbono situada entre a
turbina e o motor; e c) decisão: julgar o acidente da navegação, tipificado no art. 14, alínea “a”
(naufrágio parcial), da Lei nº 2.180/54, como decorrente de caso fortuito, mandando arquivar os
presentes autos, conforme manifestação da Douta Procuradoria Especial da Marinha.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Julgado na Sessão Ordinária nº 7.895, de 14 de outubro de 2025.
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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos
PROCESSO Nº 38684/2025
Acórdão
N/M “MSC QINGDAO”. Mal súbito em Edson Pereira Damázio, trabalhador portuário avulso (TPA),
em faina de desapeação a bordo, que veio a óbito no hospital São Camilo, SC. Edema pulmonar
J81, cardiopatia hipertrófica I42 e doença aterosclerótica I70, conforme consta no Laudo de
Necropsia nº 002448, fl. 33 do IAFN. Caso fortuito. Causas naturais. Com pedido de arquivamento
da D. Procuradoria Especial da Marinha. Arquivamento.
Vistos e relatados os presentes autos.
Consta que cerca das 02h30min, do dia 26 de dezembro de 2024, ocorreu um mal súbito em Edson
Pereira Damázio, trabalhador portuário avulso (TPA), que se sentiu mal durante a faina de
desapeação de container no N/M “MSC QINGDAO”, atracado no berço do cais 2, no Porto de
Imbituba, sendo removido com vida, mas veio a óbito cerca das 4h, no hospital São Camilo, na
cidade de Imbituba, SC, sem registro de danos ao meio ambiente hídrico.
O N/M “MSC QINGDAO”, IMO nº 9256470, bandeira da Libéria, tem casco de aço, de 322,97 m de
comprimento, 89.097 AB, classificado para navegação em mar aberto, atividade de transporte de
carga, era de propriedade de MSC Mediterranean Shipping CO.
No Inquérito instaurado pela Delegacia da Capitania dos Portos em Laguna (Documento 0256433),
não foram ouvidas testemunhas, mas foram anexados os documentos de praxe.
No Laudo de Exame Pericial, fls. 24 a 29, realizado no dia 30 de dezembro de 2024, consta que não
foi possível verificar as condições do navio, uma vez que o IAFN foi instaurado após o suspender do
navio.
Os Peritos apresentaram a seguinte sequência de acontecimentos: de acordo com as informações
prestadas pela empresa Santos Brasil Participações S.A., responsável pela operação, em resposta
ao Ofício nº 1 – IAFN nº 21/2024, durante a operação de contêiner no berço 02, do navio “MSC
QINGDAO”, o TPA Estivador Edson Pereira Damázio sofreu um mal súbito, sendo necessário o
acionamento de apoio para atendimento. Às 02h39, o funcionário Romário (planejamento de
navio) escutou no rádio de operações que havia alguém infartando a bordo do navio de
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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos
Os Peritos apresentaram a seguinte sequência de acontecimentos: a embarcação “AMIZADE 70” no
12 de setembro de 2024, aproximadamente às 16h30, estava navegando próximo a Ilha de
Cataguás, quando a condutora observou que a embarcação estava derrabada, e ao desligar o
motor este não mais funcionou. Foi solicitado socorro a Delegacia da Capitania dos Portos em
Angra dos Reis. Não houve poluição hídrica e nem acidente de pessoal.
Os Peritos consideraram que os fatores humano, material e operacional não contribuíram com o
acidente da navegação, e concluíram que o naufrágio ocorreu por caso fortuito.
Na fl. 14, consta Notificação de Comparecimento nº 0697/2024, enviada pela Delegacia da
Capitania dos Portos em Angra dos Reis para a Sra. Ariane Cristina da Silva, condutora da moto
aquática “AMIZADE 10”.
Em depoimento, fls. 16 e 17, Ariane Cristina da Silva, motonauta, condutora da moto aquática
“AMIZADE 10”, declarou que que o naufrágio ocorreu em 12/09/2024, por volta das 16h30,
próximo à Ilha de Cataguáses, com três ocupantes a bordo. A embarcação, segundo ela, estava em
boas condições e a manutenção era feita pela Marina Canalmar, sendo a preparação para uso
realizada pelo funcionário Alessandro. Apontou como provável causa do naufrágio a falha na
vedação da bucha de carbono, localizada entre a turbina e o motor. Afirmou que as manutenções
estavam em dia, mas não possuía comprovantes, apenas vídeos feitos pelo funcionário da Marina.
Relatou que não houve acidentes pessoais, poluição hídrica nem necessidade de reflutuação, pois
a embarcação não afundou e se encontra na Marina Canalmar disponível para perícia. Quanto às
avarias, mencionou bateria, parte elétrica e bucha de carbono, sendo estas também suas perdas
materiais. Disse que a embarcação não possuía seguro; os tripulantes eram habilitados e
experientes e que saíram da Marina Canalmar com destino à Ilha das Botinas. O socorro foi
prestado por uma embarcação com três pessoas, cujos nomes não recorda. Por fim, descreveu
que, antes do naufrágio, percebeu que a popa estava afundando; ao desligar o motor para
verificar, a moto aquática não funcionou mais, levando os ocupantes a abandonarem a
embarcação para pedir ajuda.
No Relatório, fls. 22 a 24, o Encarregado do IAFN, depois de resumir o Laudo de Exame Pericial e
único depoimento, considerou que os fatores humano, material e operacional não contribuíram
com o acidente e concluiu que a causa do naufrágio foi caso fortuito.
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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos
Neves Sena auxiliava em uma manobra de descida de uma máquina de lava-jato para
posicionamento de carga com auxílio de cabo-guia, momento em que elevou o braço esquerdo e
puxou o cabo para evitar que a carga encostasse em um contêiner, vindo a sentir dor no ombro
esquerdo. Às 17h22, a atividade foi paralisada e o colaborador foi direcionado à enfermaria para
avaliação. Às 17h40, após atendimento médico, foi solicitado seu desembarque para avaliação em
terra e realização de exames, o que ocorreu às 19h22, quando o colaborador foi desembarcado
para atendimento médico em terra.
Os Peritos consideraram que os fatores humano, material e operacional não contribuíram com o
fato da navegação e concluíram que sua causa determinante foi caso fortuito, em virtude de uma
lesão preexistente constatada pela equipe médica da companhia e relatada pelo próprio
colaborador acidentado.
Na fl. 04, consta Comunicação Inicial de Incidente (CI).
Elias Monteiro Barreto, fls. 20 a 23, Supervisor de Movimentação de Carga na plataforma
“PETROBRAS 56”, declarou que trabalhou por 4 anos na empresa JOTE GE Engenharia Ltda. e
atualmente é colaborador da ENGEMAN Engenharia e Manutenção, onde exerce a função de
Supervisor de Movimentação de Cargas há 7 anos, estando há 4 meses na nova empresa. Relatou
que, no dia 10/10/2023, por volta das 17h20, coordenava a movimentação de uma máquina de
lava-jato do piso inferior para o superior, atividade considerada rotineira, realizada com dois
auxiliares (Adailton Andrade da Hora e José Guilherme), todos utilizando EPI. Durante a manobra,
ao segurar o cabo-guia, o auxiliar José Guilherme sentiu dores e informou ter deslocado o ombro.
Foi encaminhado à enfermaria, onde, posteriormente, recolocou o ombro no lugar e revelou já ter
problema preexistente nessa região. O desembarque via AEROVAC foi providenciado no mesmo
dia. O depoente destacou que a atividade seguiu o procedimento padrão (PE00223), com número
mínimo de auxiliares e regras de ouro da Petrobras, sem falhas de segurança, influência climática
ou balanço da unidade. Considera que o ocorrido foi uma fatalidade decorrente de condição
muscular do acidentado, sem culpa da equipe. Informou que não houve relatos prévios de dores,
uso de medicamentos ou histórico semelhante e que o acidentado permanece como colaborador,
exercendo as mesmas funções.
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TRIBUNAL MARÍTIMO
ACÓRDÃOS
Sexta-feira, 31 de outubro de 2025.
ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos
GABINETE DESEMBARGADOR FERNANDO ALVES
LADEIRAS
ACÓRDÃOS
PROCESSO Nº 38676/2025
Acórdão
Moto aquática “AMIZADE 10”. Naufrágio próximo à ilha de Cataguás, Angra dos Reis, RJ, com danos
materiais, mas sem registro de danos pessoais ou ao meio ambiente hídrico. Caso fortuito. Pedido
de arquivamento da D. Procuradoria Especial da Marinha. Arquivamento.
Vistos e relatados os presentes autos.
Consta que no dia 12 de setembro de 2024, cerca das 16h30, ocorreu o naufrágio parcial da moto
aquática “AMIZADE 10”, conduzida pela motonauta Ariane Cristina da Silva, próximo à ilha de
Cataguás, Angra dos Reis, RJ, com danos materiais, mas sem registro de danos pessoais ou ao meio
ambiente hídrico.
A moto aquática “AMIZADE 10”, inscrição nº381M2015000290, tem casco de fibra de vidro, de
3,53 m de comprimento, ano de construção 2014, classificada para navegação interior, atividade
de esporte e recreio, era de propriedade de Matthaeus de Oliveira Gerdes.
No Inquérito instaurado pela Delegacia da Capitania dos Portos em Angra dos Reis (Documento
0255900), foi ouvida apenas uma testemunha e anexados documentos de praxe.
No Laudo de Exame Pericial, fls. 05 a 13, elaborado no dia 24 de setembro de 2024, com imagens
da embarcação “AMIZADE 10”, fls. 07 a 11, consta que a embarcação se encontrava em ótimas
condições de conservação.
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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos
Nas fls. 25 a 31, consta Relatório de Análise de Anomalias (PP-1PBR-00150), constatando que após
o ocorrido, o colaborador foi medicado e imobilizado. Ademais, consta que o colaborador relatou
ter sofrido luxação no mesmo ombro há cerca de três anos.
Na fl. 33, consta Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
Nas fls. 98 e 99, consta Relatório de Atendimento Clínico de José Guilherme Alves das Neves Sena.
O Encarregado do IAFN, fls. 102 a 106, considerou que os fatores humano, material e operacional
não contribuíram com o fato da navegação e concluiu que o mesmo decorreu de caso fortuito,
devido a uma lesão preexistente constatada pela equipe médica da companhia após avaliação e
relatado pelo próprio colaborador.
A Douta Procuradoria Especial da Marinha (Documento 0267480), requereu o arquivamento dos
presentes autos, pois considerou que o fato da navegação decorreu de caso fortuito, já que não
existe uma causa predominante que pudesse contribuir para o acidente, pois as condições
ambientais eram boas, quase não havia balanço e vento na unidade. Ademais, o acidentado
possuía experiência suficiente e fazia o uso de todos EPIs necessários para realização da atividade.
Foi publicada Nota para Arquivamento 0268315, com pedido da Procuradoria Especial da Marinha,
no Diário Eletrônico do Tribunal Marítimo - E-DTM nº 68 – 29 de maio de 2025, conforme
solicitado no Despacho nº 0268242, tendo decorrido o prazo legal sem que possíveis interessados
se manifestassem, conforme Certidão 0319733.
Por todo o exposto, deve-se concordar com a promoção da Douta Procuradoria Especial da
Marinha e mandar arquivar os presentes autos.
Assim,
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)
quanto à natureza e extensão do fato da navegação: luxação da articulação do ombro esquerdo no
colaborador José Guilherme Alves das Neves Sena, a bordo da plataforma “PETROBRAS 56”, na
Bacia de Campos, Campos dos Goytacazes, RJ, com danos pessoais, mas sem registro de danos ao
meio ambiente hídrico; b) quanto à causa determinante: lesão preexistente constatada pela
equipe médica da companhia e relatada pelo próprio colaborador acidentado; e c) decisão: julgar o
fato da navegação, tipificado no art. 15, alínea “e” (exposição a risco), da Lei nº 2.180/54, como
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ANO X - 31 de outubro de 2025 Acórdãos
decorrente de caso fortuito, mandando arquivar os presentes autos, conforme promoção da Douta
Procuradoria Especial da Marinha.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Julgado na Sessão Ordinária nº 7.895, de 14 de outubro de 2025.