ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos
PROCESSO Nº 38.044/2024
ACÓRDÃO
B/M "BARQUINHA DE JESUS". Afogamento de uma pessoa que se atirou voluntariamente na água.
Não caracterização como acidente ou fato da navegação. Arquivamento.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Tratam os autos da queda de uma pessoa na água a partir de um bote, ocorrida no dia 27 de maio
de 2023, por volta de 20h, próximo à praia de Ajuruteua, município de Bragança – PA, tendo como
consequência o óbito do Sr. Agostinho Nascimento dos Santos, por causa indeterminada.
A embarcação envolvida foi a "BARQUINHA DE JESUS", não inscrita, empregada em pesca, cujo
proprietário não foi declarado.
Consta nos autos que que o bote suspendeu com 5 tripulantes a bordo, todos familiares, a fim de
pescar. Durante a noite, enquanto a embarcação se encontrava fundeada, o Sr. Agostinho
Nascimento dos Santos, sem nenhum motivo aparente, pulou na água e desapareceu. As
testemunhas relataram que não foi possível localizar a vítima, pois o local estava escuro, sendo seu
corpo encontrado no dia 29 de maio de 2023.
Foi instaurado Inquérito Policial pela 6ª Delegacia de Polícia Civil de Bragança, que concluiu que a
vítima cometeu suicídio. Juntados aos autos o Boletim de Ocorrência e o Laudo Pericial Cadavérico.
Os peritos e o Encarregado do IAFN concluíram que a causa determinante do fato da navegação foi
indeterminada.
Os autos do IAFN foram encaminhados a este Tribunal que os enviou à PEM, que manifestou pelo
arquivamento do inquérito por entender que o Sr. Agostinho deu fim à própria vida.
Publicada a nota para arquivamento em 24 de abril de 2025, o prazo para manifestações de
possíveis interessados transcorreu em branco no dia 23 de junho de 2025, conforme se comprova
à certidão 247921.
É o relatório.
Decide-se:
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em 2024, não havendo imagens do momento do acidente, apenas declarações por escrito de duas
pessoas que estavam a bordo, que pouco acrescentaram no esclarecimento do incidente. Ademais,
a prova pericial afirmou que a lancha estava em bom estado de conservação, o que afastou, em
tese, a questão relativa a uma possível falha na manutenção da embarcação. Assim, a PEM pediu o
arquivamento do IAFN por entender que o acidente da navegação decorreu de causa
indeterminada.
Publicada a nota para arquivamento em 02 de maio de 2025, o prazo para manifestações de
possíveis interessados transcorreu em branco no dia 01 de julho de 2025, conforme se comprova à
certidão 255980.
É o relatório.
Decide-se:
Defere-se o pedido da D. PEM no sentido de que os autos sejam arquivados, uma vez que a causa
determinante do acidente de navegação não foi apurada com a devida precisão.
Assim,
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)
quanto à natureza e extensão do acidente da navegação: naufrágio de uma lancha, com danos
materiais; b) quanto à causa determinante: não devidamente apurada; e c) decisão: julgar o
acidente da navegação previsto no art. 14, alínea “a” da Lei nº 2.180/54, como decorrente de
causa indeterminada, mandando arquivar os conforme promoção da PEM.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Julgado em, Rio de Janeiro, RJ, 2 de outubro de 2025.
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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos
PROCESSO Nº 37.999/2024
ACÓRDÃO
L/M "BERTINI". Naufrágio, com danos materiais. Causa não devidamente apurada. Causa
indeterminada. Arquivamento.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Tratam os autos do naufrágio de uma lancha ocorrido por volta das 14h do dia 20 de dezembro de
2021, na enseada de Bertioga, município de Bertioga, São Paulo– SP, tendo por consequência
danos materiais.
A embarcação envolvida foi a "BERTINI", casco de alumínio, medindo 5,0m de comprimento,
classificada para esporte/recreio em navegação interior, inscrita da Capitania dos Portos de São
Paulo sob a propriedade do Sr. Claudio Honorato da Cruz, sendo o Sr. Jorge José Gonçalves o
proprietário declarado.
Consta nos autos que o ARA Osmar Coelho Filho conduzia a lancha com três passageiros a bordo,
quando cerca das 10h decidiu fundear atrás do parcel de pedras em frente ao Hotel 27, na praia da
Enseada. Aproximadamente às 14h, a embarcação perdeu o ferro e ficou à deriva, embarcando
água pela popa, momento em que o condutor tentou dar partida no motor, sem sucesso,
culminando no naufrágio. Os ocupantes foram resgatados pelo GBMAR de Bertioga, o local do
sinistro foi sinalizado por duas boias e a "BERTINI" foi removida no dia seguinte.
No Inquérito não foram ouvidas testemunhas, contudo foram juntadas Cartas Explicativas do
condutor e do proprietário declarado, que narraram os fatos conforme acima.
Consoante Laudo de Exame Pericial, foi constatado que a embarcação não apresentava problemas
antes do evento e se encontrava em bom estado de conservação. As condições meteorológicas não
contribuíram para o acidente da navegação.
Os peritos e o Encarregado do IAFN concluíram que o naufrágio foi decorrente de um caso fortuito.
Os autos do IAFN foram encaminhados a este Tribunal que os enviou à PEM, que entendeu que a
causa determinante para o naufrágio não foi devidamente elucidada, ressaltando que se tratava de
um acidente ocorrido em 2021 cujo sucinto IAFN somente foi encaminhado ao Tribunal Marítimo
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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos
Consoante Laudo de Exame Pericial, o condutor era habilitado, a embarcação estava em bom
estado de conservação e possuía material de salvatagem.
Os peritos concluíram que a causa determinante do fato da navegação foi fortuna do mar. O
Encarregado do IAFN concluiu em uniformidade de entendimento com os peritos, apontando o Sr.
Manoel Carlos Filho como responsável indireto pelo evento, pois permitiu que os passageiros não
utilizassem o material de salvatagem.
Os autos do IAFN foram encaminhados a este Tribunal que os enviou à PEM, que manifestou pelo
arquivamento do inquérito por entender que o Sr. Manoel Carlos Filho foi imprudente ao sair com
a embarcação sem consultar as condições climáticas e sem orientar os demais ocupantes para o
devido uso do colete salva-vidas. No entanto, devido as condições climáticas adversas e devido o
óbito do proprietário/condutor, concluiu que o fato se deu por fortuna do mar.
Publicada a nota para arquivamento em 02 de maio de 2025, o prazo para manifestações de
possíveis interessados transcorreu em branco no dia 01 de julho de 2025, conforme se comprova à
certidão 255965.
É o relatório.
Decide-se:
Defere-se o pedido da D. PEM no sentido de que os autos sejam arquivados, uma vez que o
naufrágio decorreu da fortuna do mar.
Assim,
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)
quanto à natureza e extensão do acidente da navegação: naufrágio de um barco de pesca, com o
óbito de dois ocupantes; b) quanto à causa determinante: fortuna do mar; c) decisão: julgar o fato
da navegação previsto no art. 15, alínea “a”, da Lei nº 2.180/54, como decorrente de força maior,
mandando arquivar os autos conforme promoção da PEM.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Julgado em, Rio de Janeiro, RJ, 2 de outubro de 2025.
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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos
PROCESSO Nº 37.788/2024
ACÓRDÃO
Bote "BOM DE PESCA". Naufrágio com o óbito de dois ocupantes. Fortuna do mar. Força maior.
Arquivamento.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Tratam os autos da queda de uma pessoa na água a partir de um barco de pesca, ocorrida no dia
03 de novembro de 2023, por volta de 11h50, no rio Tibagi, município de Primeiro de Maio – PR,
tendo como consequência o óbito dos Srs. Cleiton Luis Tesoto e Manoel Carlos Filho, decorrente de
asfixia por afogamento, além da perda total da embarcação.
A embarcação envolvida foi a "BOM DE PESCA", medindo 5,95m de comprimento, classificada para
esporte/recreio em navegação interior, inscrita na Delegacia Fluvial de Guaíra sob a propriedade
do Sr. Manoel Carlos Filho.
Consta nos autos que o barco navegava na represa Capivara conduzido pelo proprietário,
acompanhado pelos Srs. Cicero Galenio Alves de Carvalho, Cleiton Luis Tesoto, Lucas Raniere Paes
Geraldo e Marcelo Martins, que haviam saído para pescar. Segundo relato dos tripulantes,
enfrentaram vento fortes enquanto regressavam, o que resultou no embarque de água pela popa e
consequente naufrágio da embarcação. Os ocupantes não estavam utilizando coletes salva-vidas, o
Sr. Cicero nadou em direção a terra e pediu ajuda no condomínio Punta Del Leste, cujos
funcionários guarneceram uma embarcação e resgataram com vida os Srs. Lucas e Marcelo. O
corpo do Sr. Cleiton foi encontrado no dia 07 de novembro de 2023, o do Sr. Manoel foi
encontrado no dia 11 de setembro de 2023 e a "BOM DE PESCA" permaneceu desaparecida.
No Inquérito foram ouvidas duas testemunhas, que narraram os fatos conforme acima.
Conforme Boletim de Informações Ambientais (BIA), expedido pelo Centro de Hidrografia da
Marinha (CHM), a região estava sob a influência da aproximação e passagem de uma frente fria no
dia do acidente, com céu meio a quase encoberto e ventos de 12 a 21 nós, com rajadas de 33 nós,
além de chuva fraca a moderada.
Foram acostados aos autos as cópias das Certidões de Óbito das vítimas.
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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos
no valor de 500 UFIR e o pagamento das custas do processo, com fulcro nos artigos 121, incs. I e
VII e 124, inc. IX, todos artigos da lei 2.180/54.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Julgado em, Rio de Janeiro, RJ, 2 de outubro de 2025.
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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos
A representação foi recebida em 13 de março de 2025, o representado foi citado por edital nos
moldes do Art. 55, da Lei 2.180/54, c/c Art. 75, inciso II, do Regimento Interno Processual desta
Corte, por ser estrangeiro residente fora do Brasil, não contestou e foi declarado revel. Nessa
condição, de revel citado por edital, a ele foi indicado um curador, múnus cumprido pela DPU-RJ,
que contestou por negativa geral.
Aberta a instrução nenhuma prova foi produzida e em alegações finais a PEM e a DPU reportaram-
se às suas peças.
É o relatório.
Decide-se:
A PEM acusou o comandante Taiai Zhang de ter sido negligente no seu dever de zelar pela
segurança da tripulação por deixar de providenciar o imediato transporte do tripulante acidentado
para que recebesse o adequado tratamento médico em terra, tendo o feito somente quatro dias
após o acidente de trabalho por pressão da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes
Aquaviários, que o denunciou à Capitania dos Portos.
Sua contestação por negativa geral apenas devolveu para a acusação o dever de provar os fatos
que embasam a inicial, mas tais fatos encontram-se bem provados pelo inquérito. O próprio
representado confirmou em seu depoimento que somente pedira a remoção do acidentado quatro
dias depois do incidente.
Assim, por sua conduta a um só tempo negligente e imprudente, deve ser condenado.
Assim,
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)
Quanto à natureza e extensão do fato da navegação: acidente de trabalho com tripulante a bordo
de navio estrangeiro, com lesões corporais de natureza grave e posterior agravamento de sua
saúde em razão da demora na sua remoção para terra; b) Quanto à causa determinante: falta de
ação do comandante do navio para acionamento da remoção do tripulante acidentado; c) Decisão:
julgar o fato da navegação constante do art. 15, alínea "e", como decorrente da negligência e da
imprudência do Comandante Taiai Zhang, aplicando-lhe penas cumuladas de repreensão e multa
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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos
Consoante Laudo de Exame Pericial, o navio sofreu uma inspeção do Port State Control em
paralelo à perícia, onde foi constatado que todos os equipamentos estavam em bom estado de
funcionamento, inclusive a máquina de lavagem de alta pressão. Foi apurado que os Oficiais que
assistiram o acidentado possuíam curso de primeiros socorros, entretanto, o ferimento foi
profundo e o tripulante perdeu muito sangue, além dos riscos de infecção e necrose.
A perícia constatou que o estado do mar, entre os dias 08 e 11 de outubro de 2022 não oferecia
segurança para o tripulante ser desembarcado por lancha. No entanto, poderia ter sido acionado
resgate pelo serviço de Busca e Salvamento Marítimo, uma vez que a embarcação possui
helideque homologado, ou solicitada uma entrada em emergência para a área de fundeio interno,
o que só ocorreu 4 dias após o fato.
Os peritos e o Encarregado do IAFN concluíram que as causas determinantes do fato da navegação
foram a imprudência por parte do próprio acidentado, que acionou o gatilho da lavadora sem
atentar que o seu difusor estava apontando para uma parte de seu corpo, bem como a negligência
do navio pela demora em providenciar a devida assistência hospitalar ao tripulante.
O indiciado foi devidamente notificado por meio de seu representante legal no Brasil, entretanto,
não apresentou defesa prévia.
Os autos foram remetidos ao Tribunal Marítimo que os encaminhou à PEM, que acusou o Sr. Taiai
Zhang, Comandante do N/M “AGRI OCEAN”, com fulcro no artigo 15, alínea “e” (exposição ao
risco), da Lei nº 2.180/1954.
Depois de resumir os fatos, a PEM entendeu que o Comandante foi negligente em seu dever de
zelar pela segurança da tripulação, pois no dia do acidente não providenciou transporte e
tratamento médico adequado ao Mestre, tendo o feito somente quatro dias após o ocorrido. Por
outro giro, a PEM considerou que o Sr. Vyacheslav Dramaretsk também agiu com imprudência na
execução da faina, por desatenção, apelando para o artigo143 da Lei 2180/54 C/C com a Resolução
50/2020 do TM, uma vez que as consequências do presente incidente o atingiram de forma tão
grave que se torna dispensável qualquer outra sanção.
Pediu a condenação do representado nas penas da lei e ao pagamento das custas processuais.
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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos
Por fim, o Sr. Vyacheslav Dramaretsky permaneceu a bordo, sendo monitorado, com a mesma
bandagem durante os quatro dias subsequentes, sendo medicado.
No dia 11 de outubro de 2022, foi oferecida uma denúncia do Diretor e Delegado Regional da
Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Afins (FNTTAA), Sr. Renialdo
Salustiano de Freitas, à Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul (CPRS) acerca da conduta do
Comandante que se recusou a solicitar transporte no fundeadouro para evacuação do tripulante a
fim de que recebesse atendimento médico adequado, cuja falta poderia agravar seu estado de
saúde (fl.17).
O tripulante foi removido no dia 12 de outubro de 2012 e atendido no hospital da Unimed,
recebendo afastamento das funções laborais por 10 dias e retornando ao navio, tendo, contudo,
desembarcado e solicitado repatriação uma vez que não estaria em condições de desempenhar
plenamente suas funções a bordo e gostaria de tempo para se recuperar plenamente em terra.
No Inquérito foram ouvidas três testemunhas. O Sr. Taiai Zhang, Comandante do "AGRI OCEAN",
relatou que após se dirigir à enfermaria entrou em contato com os armadores e pediu instruções
para um médico chinês, que enviou um e-mail para o agente marítimo no dia 11 de outubro de
2022, alegando tê-lo feito somente neste dia porque foi quando o Mestre reportou estar com dor,
que o mesmo permaneceu a bordo por 4 dias após o fato até ser conduzido para atendimento
médico e que avaliava a lesão como leve.
O mestre do "AGRI OCEAN", Sr. Vyacheslav Dramaretsky, declarou que após se dirigir à enfermaria
permaneceu por 4 horas sangrando, até que conseguiram fazer uma contenção e bandagem,
informando que embora o Imediato e outros Oficiais tivessem assessorado o Comandante quanto
à gravidade da lesão e necessidade de evacuação, o mesmo ignorou e não comunicou o acidente
ao Agente, afirmando que a bandagem não foi trocada por três dias por receio de que o
sangramento voltasse e que nada o estancasse. O depoente declarou que entrou em contato com
seu filho, o qual fez uma denúncia para a Federação Internacional dos Trabalhadores de
Transportes (ITF), que tramitou até o representante do Ministério do Trabalho e Previdência em
Rio Grande, que notificou a Agência Marítima FERTIMPORT (representante do Armador na cidade)
para tomar providências e removê-lo.
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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos
PROCESSO Nº 37.415/2023
ACÓRDÃO
N/M "AGRI OCEAN". Acidente de trabalho com tripulante. Demora no atendimento médico por
decisão deliberada do comandante de não chamar socorro por quatro dias que caracterizam, a um
só tempo, atitude negligente e imprudente. Condenação.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Tratam os autos de um acidente ocorrido a bordo de um navio mercante estrangeiro com
tripulante, por volta de 14h50 do dia 08 de outubro de 2022, a 19 milhas náuticas do farol de
Mostardas – RS, tendo por consequência uma queimadura de 2º grau profunda no punho direito
associada a uma contusão de musculatura do antebraço direito do Sr. Vyacheslav Dramaretsky.
A embarcação envolvida foi a "AGRI OCEAN", bandeira do Panamá, medindo 228,99m de
comprimento, 32,26m de boca e com 43.066AB, classificada para transporte de carga a granel em
longo curso, registrada no porto do Panamá sob a propriedade de Oldendorff Carries GMBH [Link]
e comandada pelo Sr. Taiai Zhang.
Consta nos autos que o navio se encontrava demandando o porto de Rio Grande quando o Mestre,
Sr. Vyacheslav Dramaretsky, ucraniano, feriu o braço direito ao operar uma máquina de lavagem de
alta pressão durante uma faina de limpeza da "escada australiana" (escada espiralada que dá
acesso ao fundo do compartimento) no porão número 3, que estava vazio. Segundo relatado, o
gatilho da mangueira conectado ao difusor da máquina estava sendo segurado pela mão esquerda
do Mestre e, com a mão direita, o mesmo foi desengatar o difusor. Nesse momento ele disparou
acidentalmente o gatilho e o jato de alta pressão atingiu seu antebraço direito.
O tripulante observou sangue esguichando de seu braço e se dirigiu à enfermaria, recebendo os
primeiros socorros pelo 2º Oficial e pelo Comandante, apresentando sangramento por 4 horas,
tendo sido feito um torniquete, aplicada uma medicação em pó e feita uma bandagem de gaze
sobre o ferimento. O navio fundeou às 21h52 na área externa de acesso ao porto do Rio Grande
(mar aberto), momento em que surgiu um impasse por parte do Comandante sobre solicitar ou
não a remoção do ferido para terra para ser examinado e medicado por um profissional de saúde.
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