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Acidente Marítimo: Imprudência e Decisão Judicial

O Tribunal Marítimo decidiu que Elio Moreira Junior foi imprudente ao permitir que passageiros navegassem sem coletes salva-vidas, resultando na morte de dois deles após um acidente. Apesar da imprudência, a decisão foi de não aplicar pena, considerando a tragédia e o sofrimento do representado. O caso foi julgado com base na Lei 2.180/54, que regula a navegação e a segurança no mar.
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Acidente Marítimo: Imprudência e Decisão Judicial

O Tribunal Marítimo decidiu que Elio Moreira Junior foi imprudente ao permitir que passageiros navegassem sem coletes salva-vidas, resultando na morte de dois deles após um acidente. Apesar da imprudência, a decisão foi de não aplicar pena, considerando a tragédia e o sofrimento do representado. O caso foi julgado com base na Lei 2.180/54, que regula a navegação e a segurança no mar.
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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos

Assim, o fato da navegação que nesses autos se caracterizou pela queda dos ocupantes de um
bote na água sem que estivessem vestidos com coletes salva vidas e que teve por consequência a
morte de um deles por afogamento e do outro pelo choque com o hélice do barco, teve por causa
determinante a permissão dada pelo representado de que eles permanecerem a bordo sem portar
o equipamento de salvatagem obrigatório. Deve, assim, a representação proposta pela PEM em
face do Sr. Elio Moreira Junior ser julgada procedente, porém, o fato de o representado ter perdido
dois de seus amigos em um acidente assim tão trágico e ter ele mesmo passado por momentos de
terror ao quase perder a vida também, deve-se aplicar, nesse caso, o perdão constante do art. 143,
da Lei 2.180/54, uma vez que nenhuma sanção administrativa por ele não ter obrigado que todos a
bordo estivessem vestidos com colete salva vidas poderá ser mais educativa.

Assim,

ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)


Quanto à natureza e extensão do fato da navegação: queda dos ocupantes de um bote na água
sem que estivessem vestidos com coletes salva vidas, com a morte de um deles por afogamento e
do outro por ter sido atingido pelo hélice do barco; b) Quanto à causa determinante: permissão
dada pelo representado de que todos permanecessem à bordo sem utilizar coletes salva vidas; c)
Decisão: julgar o fato da navegação constante do art. 15, alínea "e", como decorrente da
imprudência de Elio Moreira Júnior, deixando, porém, de aplicar-lhe qualquer pena com fulcro no
art. 143, todos artigos da Lei 2.180/54, dispensando-o também do pagamento das custas do
processo.

Publique-se. Comunique-se. Registre-se.

Julgado em, Rio de Janeiro, RJ, 2 de outubro de 2025.

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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos

Não houve recurso contra tal decisão interlocutória do Desembargador Relator.

Intimado o representado para dizer se produziria provas afirmou que não as produziria (0265792).

Em alegações finais as partes reportaram-se às suas peças.

É o relatório.

Decide-se:

A PEM acusou o representado de ser imprudente ao se aventurar sem coletes salva vidas a bordo e
ao entregar a condução de sua embarcação para um passageiro não habilitado. Afirmou a PEM,
ademais, que o passageiro José Roberto teria também culpa pelo acidente, porém, ante seu óbito,
estaria extinta sua punibilidade.

O representado afirmou que ao tentar religar a embarcação teria passado mal e que o Sr. José
Roberto, na tentativa de salvá-lo, teria acabado por morrer em decorrência de sua queda na água.

A sequência de acontecimentos que levou a óbito dois passageiros foi trágica. Nenhum dos que
estava à bordo vestia seu obrigatório colete salva vidas. Ao tentarem acionar o motor de popa a
embarcação saiu em disparada jogando todos dentro da água. O Sr. José Roberto do Nascimento
Filho faleceu em decorrência de afogamento e o Sr. Reinaldo Vilalva da Silva, teve choque
hipovolêmico em decorrência de lesões vasculares diversas, certamente atingido pelo hélice do
bote.

O Sr. José Roberto não estava, propriamente, conduzindo a embarcação, mas apenas tentando
fazê-la funcionar. Não se pode, assim, culpá-lo pelo incidente, que tem características de um caso
fortuito.

A exposição das vidas embarcadas a risco se caracterizou, porém, pela falta de uso dos coletes
salva vidas e caberia ao representado, dono do bote, ter obrigado que todos a bordo os vestissem
durante todo o passeio. Esse equipamento tinha o poder de salvar a vida do Sr. José Roberto, que
morreu afogado depois de cair de bordo. Talvez não salvasse o Sr. Reinaldo, vítima dos cortes
profundos que recebeu, mas, se ele não estivesse tentando nadar e ao mesmo tempo se safar do
bote que permaneceu girando descontrolado a seu redor, poderia também se salvar. Portanto, o
representado foi imprudente ao permitir que seguissem viagem sem o uso dos coletes e sua
atitude se caracteriza como o fato da navegação constante do art. 15, alínea "e", da Lei 2.180/54.

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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos

"A acusação o colocou no polo passivo por ter se envolvido no acidente da navegação e, assim, na
forma do art. 10, "l", da Lei 2.180/54, a ele foi dada a oportunidade de se defender e terá sua
contestação apreciada oportunamente quando do julgamento do mérito do processo. Tem,
portanto, legitimidade para responder à representação e o fez em mui bem apresentada peça de
resposta produzida por advogado devidamente constituído.

"No mesmo sentido devem ser superadas as demais preliminares:

"Aquela que afirma ter havido cerceamento de defesa, por supostamente o representado não ter
tido acesso ao inquérito, quando o mesmo consta na íntegra como o primeiro documento que
compõe a árvore de documentos deste processo eletrônico e serviu de base para produção de sua
contestação.

"E também aquelas que afirmam estar prescrita a possibilidade punitiva do estado com base em
uma leitura equivocada do art. 20 da Lei 2.180/54 ou de ter havido excesso de prazo, pois o
acidente se deu em 19 de novembro de 2022 e o inquérito foi aberto logo em seguida, já no dia 22
de novembro de 2022. No dia 06 de dezembro de 2022 o próprio Sr. Elio Moreira Jr. foi ouvido pela
Capitania Fluvial do Pantanal, tendo o inquérito se encerrado em 04 de maio de 2023, depois de o
Encarregado ter conseguido juntar todas as provas que o instruem. O resultado do inquérito foi
entregue aos cuidados do Sr. Elio no dia 18 de maio de 2023 e em 26 de maio de 2023 o IAFN foi
remetido para o Tribunal Marítimo em autos físicos, que, depois de escaneados e transformados
em autos eletrônicos, foi distribuído em 17 de agosto. A ordem de citação do Sr. Elio se deu em 20
de maio de 2024, ordem essa cumprida, finalmente, em 17 de fevereiro de 2025 e juntada aos
autos em 14 de março de 2025, iniciando a contagem do prazo de contestação, tendo a defesa sido
protocolada tempestivamente em 02 de abril de 2025. Portanto, o processo não teve em seu
curso nenhuma paralisação longa o suficiente que induzisse a prescrição da esfera administrativa.
Ademais, o art. 20 da Lei 2.180/54 trata da suspensão da contagem do prazo prescricional das
eventuais ações de reparação a serem buscadas perante o Poder Judiciário baseadas nas decisões
tomadas pelo Tribunal Marítimo, suspensão essa que o legislador ratificou ao impor a suspensão
dos processos judiciais na forma do art. 313, VII, do CPC.

"Por tais razões, devem as preliminares ser superadas e o processo seguir seu curso para a análise
do mérito."

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Os autos foram remetidos ao Tribunal Marítimo que os encaminhou à PEM, que representou em
face de Elio Moreira Junior com fulcro no artigo 15, alíneas “a” (deficiência de equipagem) e “e”
(exposição a risco), da Lei nº 2.180/1954. Depois de resumir os fatos narrados no IAFN a PEM
afirmou que o Sr. Elio teria sido imprudente por se aventurar sem coletes salva vidas a bordo e
entregar a condução de sua embarcação para um passageiro não habilitado. Quanto ao Sr. José
Roberto, apesar de ter culpa pelo acidente, mas com a sua morte estaria extinta sua punibilidade.
Pediu a condenação do único representado nas penas da Lei e ao pagamento das custas
processuais.

A representação foi recebida na Sessão Ordinária do dia 13 de maio de 2024, o representado foi
citado regularmente e apresentou defesa tempestiva, por meio de advogado próprio devidamente
constituído (0238169 e 0238171).

De plano afirmou-se ilegítimo para figurar no polo passivo, sendo, na verdade, vítima do acidente,
uma vez que estaria inconsciente quando tudo aconteceu. Afirmou também que todo o processo
seria nulo, uma vez que ele não teria sido intimado para nenhum de seus atos. Afirmou, ainda em
sede de preliminar, que o processo estaria prescrito, pois a PEM teria proposto a representação
além do prazo previsto no art. 33 da LOTM.

No mérito o representado afirma que teria tido um mal súbito e ficado desacordado, tendo sido o
ato heroico do Sr. José que o salvou, ao assumir a condução. Afirma que o presente processo seria
para ele uma espécie de tortura que já duraria muitos anos, ante a perda de dois amigos que
considerava como irmãos, consequência que o teria atingido de forma tão forte, que nenhuma
punição que possa receber do Tribunal Marítimo seria mais gravosa. Pediu para ser exculpado e,
ademais, que a atitude do Sr. José seja reconhecida como heroica.

Aberta a instrução a PEM afirmou que não produziria novas e manifestou-se contra o deferimento
das preliminares constantes da defesa (0247060).

Em despacho saneador (0257719) as preliminares foram superadas sob os seguintes argumentos:

"Nenhuma das preliminares suscitadas pela defesa do representado Elio Moreira Junior deve ser
acatada.

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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos

e do Sr. José Roberto, não tendo visto o Sr. Reinaldo. Ele teria mergulhado depois que a
embarcação girou próximo a eles pela segunda vez e nadou até uma prainha, não vendo mais o Sr.
José Roberto depois disso. Disse que consumiram cerca de 5 latas de bebida alcóolica, que
conduziu o bote até a prainha, mas no momento da queda o condutor era o Sr. José Roberto.
Afirmou também ser habilitado, embora sua habilitação estivesse vencida, que os ocupantes da
“SONHO MEU” não portavam coletes salva-vidas, que não foi utilizado o dispositivo de segurança
atrelado ao pulso e que realizaram buscas até a chegada do Corpo de Bombeiros,
aproximadamente às 22h30.

A segunda testemunha, Sr. Jose Antonio Gutierrez Pinto, caseiro do rancho de onde partiram para
a aventura, de relevante disse apenas que teria sido ele quem colocara a embarcação na água dera
partida no motor antes dos três suspenderam, dada a dificuldade do Sr. Elio nessa operação e
relatou também que teria ficado preocupado com a demora deles e resolveu ir até a prainha com a
embarcação de um vizinho quando ouviu o Sr. Elio gritando da margem que os outros dois ainda
estavam na água. Quando deu início às buscas logo encontrou o bote parado na margem já com o
motor desligado, retirou água do mesmo e o rebocou, tendo ficado com os bombeiros até cerca
das 22h tentando encontrar os outros dois.

Foram acostadas aos autos cópia do Inquérito Policial e dos Laudos Necroscópicos das vítimas.

Consoante Laudo de Exame Pericial, o Sr. Elio Moreira Junior era o único habilitado, no entanto o
Sr. José Roberto Nascimento Filho teria assumido a condução, colocou o motor em funcionamento
acelerando bruscamente provocando a queda de todos na água. Ninguém à bordo vestia colete
salva-vidas e não era utilizado o dispositivo de segurança que pararia o motor em caso de queda
do condutor.

Os peritos e o encarregado do IAFN concluíram que a causa determinante do fato da navegação foi
a negligência e a imprudência do Sr. Elio Moreira Junior ao entregar a condução de sua
embarcação a pessoa não habilitada e por não utilizar colete salva-vidas, nem exigir que os
passageiros os utilizassem, bem como a imperícia do Sr. José Roberto Nascimento Filho, por
assumir a função de condutor sem ser habilitado.

O indiciado foi devidamente notificado do resultado do IAFN, entretanto, não apresentou defesa
prévia.

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PROCESSO Nº 37.080/2023
ACÓRDÃO

Bote "SONHO MEU". Queda das pessoas embarcadas na água quando colocaram o motor de popa
para funcionar com a morte de dois passageiros. Falta de uso dos obrigatórios coletes salva vidas
que caracteriza o fato da navegação constante do art. 15, alínea "e", da Lei 2.180/54. Aplicação in
caso do perdão previsto no art. 143 da Lei 2.180/54, ante a perda trágica de dois amigos em
virtude da atitude imprudente do representado. Condenação porém sem aplicação de pena
alguma.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

Tratam os autos da queda de uma pessoa na água e da deficiência de equipagem que expôs a risco
as vidas e fazendas embarcadas, fatos ocorridos no dia 19 de novembro de 2022, por volta de
17h40, no rio Paraguai, município de Corumbá / MS, tendo por consequência o óbito do Sr. José
Roberto do Nascimento Filho, decorrente de asfixia mecânica por afogamento e do Sr. Reinaldo
Vilalva da Silva, decorrente de choque hipovolêmico em decorrência de lesões vasculares.

A embarcação envolvida foi o bote “SONHO MEU”, com 6,0m de comprimento e 0,50 AB,
classificado para esporte/recreio em navegação interior, inscrito na Capitania Fluvial do Pantanal
sob a propriedade de Elio Moreira Junior.

Consta nos autos que os Srs. Elio Moreira Junior, José Roberto do Nascimento Filho e Reinaldo
Vilalva da Silva estavam em um rancho no Porto da Manga e foram conduzidos pelo Sr. Elio até
uma prainha próxima ao local para se banharem. Quando resolveram retornar, por volta das
17h30, o condutor não conseguiu dar partida no motor. Ele trocou de lugar com o Sr. José Roberto
para que ele também tentasse dar partida e quando conseguiu a embarcação acelerou
bruscamente e partiu desgovernada, lançando todos os ocupantes na água. A embarcação teria
ficado girando em volta dos náufragos, tendo apenas um deles conseguido nadar até uma ilha
enquanto os outros dois desapareceram, tendo seus corpos sido encontrados pela equipe da
Capitania Fluvial do Pantanal no dia 21 de novembro de 2022.

No Inquérito foram ouvidas duas testemunhas. O Sr. Elio Moreira Junior relatou que quando o bote
partiu em disparada caiu de costas na água e viu que a embarcação estava rodando em torno dele

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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos

pagamento das custas processuais. Exculpar o Município de Santarém da acusação contra ele
proposta.

Publique-se. Comunique-se. Registre-se.

Julgado em, Rio de Janeiro, RJ, 14 de outubro de 2025.

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Capitania Fluvial havia restringido o atendimento ao público, inscrevendo-a logo em seguida.


Afirmou também que não faltavam à bordo instrumentos de navegação, que seu condutor era
habilitado e que ele prestou socorro às pessoas que estavam na bajara atingida, mesmo havendo
doentes à bordo, tendo o abalroamento sido provocado pela falta de luzes de navegação da bajara,
que estava fundeada no canal de navegação.

A defesa do município deve ser acatada e a representação ofertada contra ele deve ser julgada
improcedente.

A embarcação de sua propriedade era uma ambulancha, que vinha sendo conduzida por um
fluviário devidamente habilitado, que abalroou uma bajara que estava fundeada sem luzes no
meio de um canal estreito. O fato de a embarcação do município estar à época sem inscrição na
Capitania não induziu a nenhum risco para a navegação, não tendo nenhuma relação com o
abalroamento. E é bastante plausível o argumento trazido pelo município à guiza de contestação,
de que não teve meios de fazer a regularização dos documentos da ambulancha durante a
pandemia, fazendo-a em seguida, de modo que nenhuma irregularidade ainda persiste.

Desse modo, devem as representações propostas pela PEM ser julgadas parcialmente procedentes,
condenando Josinaldo Figueira Nogueira tanto pelo abalroamento, como pelo mau aparelhamento
e pela deficiência da equipagem de sua embarcação e exculpar o Município de Santarém pelo fato
da navegação a ela apontado.

Assim,

ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)


quanto à natureza e extensão do acidente e do fato da navegação: abalroamento entre uma
ambulancha e uma bajara que era conduzida por pessoa sem habilitação e que não possuía luzes
de navegação, com danos materiais na bajara; b) quanto à causa determinante: bajara fundeada à
noite no meio de um canal navegável, sem luzes acesas; c) decisão: julgar o acidente e o fato da
navegação constantes dos artigos 14, alínea "a" e 15, alínea "a", como decorrentes da
imprudência, imperícia e negligência do Sr. Josinaldo Figueira Nogueira, aplicando-lhe penas
cumuladas de repreensão e multa no valor de 300 UFIR (trezentas unidades fiscais de referência),
com fulcro no art. 121, incs. I e VII, c/c art. 124, incs. I, II, VII e IX, todos artigos da Lei 2.180/54 e ao

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quadrados, sendo o meio de transporte hidroviário o mais importante da região, não havendo
outros meios de transportar doentes. Destacou que o equipamento fez mais de 500 traslados de
pacientes e que foi adquirido com todos os equipamentos de navegação, não oferecendo nenhum
risco para a navegação. Por outro lado teria sido a bajara quem provocara o acidente, ao ficar
fundeada à noite, no meio do canal de navegação, apenas com um pisca pisca ligado. Destacou
que seu comandante era habilitado, e prestou socorro às pessoas que estavam na bajara e caíram
no rio, ainda que estivesse transportando cinco pacientes naquela ocasião. Destacou, por fim, que
a "AMBULANCHA VIII" teria sido finalmente inscrita na CFS em 20 de julho de 2022. Com base em
tais argumentos, pede para ser exculpada.

Aberta a instrução nenhuma prova foi produzida e em alegações finais a PEM reportou-se à inicial.

É o relatório.

Decide-se:

A PEM representou em face do Sr. Josinaldo Figueira Nogueira pelo abalroamento e pela
deficiência de equipagem, afirmando que ele fora imprudente ao colocar sua embarcação para
navegar à revelia da Autoridade Marítima, sem equipá-la com luzes de navegação, bem como
imperito ao assumir o comando da bajara sem ser habilitado e por fundeá-la no meio de um canal
estreito, na saída de um atalho, em período noturno e sem luzes de navegação apropriadas.

Ele foi devidamente citado e não contestou, tornando incontroversos os fatos narrados na inicial e
que dão base à representação. Tais fatos encontram respaldo na prova colhida, inclusive no
depoimento pessoal do próprio representado, de forma que a representação contra ele deve ser
julgada procedente.

A PEM representou também em face do Município de Santarém, proprietário da lancha


“AMBULANCHA VIII”, em razão de um afirmado mal aparelhamento e pela exposição a risco das
vidas e fazendas embarcadas. Disse a acusação que o município teria sido negligente ao permitir
que sua embarcação navegasse sem ser inscrita, sem equipamentos de navegação e sem as
devidas vistorias que visam garantir a segurança da navegação.

Em sua defesa o município afirmou que a embarcação fora adquirida durante a pandemia de
COVID-19 para atender às emergências médicas e que não a inscreveu de plano pois a própria

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ANO X - 27 de outubro de 2025 Acórdãos

(abalroamento) e 15, alínea “a” (deficiência de equipagem), ambos da Lei nº 2.180/1954,


afirmando que teria sido imprudente ao permitir que embarcação de sua propriedade fosse
colocada para navegar à revelia da Autoridade Marítima e sem luzes de navegação apropriadas,
bem como foi imperito ao assumir o comando da bajara sem ser habilitado, assim como por
fundeá-la no meio de um canal estreito, na saída de um atalho, em período noturno e sem luzes de
navegação apropriadas.

Representou também em face do Município de Santarém, na qualidade de proprietário da lancha


“AMBULANCHA VIII” com fulcro no artigo 15, alíneas “a” (mal aparelhamento) e “e” (exposição ao
risco) da Lei nº 2.180/1954, afirmando que o município teria sido negligente ao permitir que sua
embarcação navegasse sem ser inscrita, sem equipamentos de navegação e sem as devidas
vistorias que visam garantir a segurança da navegação.

Pediu a condenação de ambos nas penas da Lei e ao pagamento das custas processuais.

Por fim, pediu também que a Capitania Fluvial de Santarém seja oficiada para apurar as infrações
ao artigo 11, artigo 16, inciso I e artigo 20, inciso I do RLESTA, cometidas pelo Sr. Josinaldo Figueira
Nogueira por conduzir embarcação sem possuir habilitação, deixar de inscrever sua embarcação e
por deixar de dotá-la com luzes de navegação; bem como em razão da infração ao artigo 16, inciso
I do RLESTA, cometida pelo Município de Santarém por também ter deixado de inscrever sua
embarcação.

A representação foi recebida no Plenário Virtual de 19 de fevereiro de 2024, o representado


Josinaldo Figueira Nogueira foi citado pessoalmente (0241260) mas não apresentou contestação,
sendo declarado revel (0259959).

O Município de Santarém defendeu-se tempestivamente (0154780), por meio de procuradora


devidamente habilitada (0154781), afirmando que teria adquirido a embarcação para servir de
ambulancha padrão SAMU para ser utilizada no combate à COVID-19 em 17 de junho de 2020,
período em que a Capitania Fluvial de Santarém estaria com seus serviços de atendimento ao
público restrito devido à pandemia, citando as portarias da Capitania e da DPC. Desse modo,
diante da emergência que se apresentava, permitiu a navegação da ambulancha antes da
regularização da mesma. Cita o fato de ser um município populoso, o terceiro mais populoso do
estado do Pará e que conta com um território muito grande, quase 18 milhões de quilômetros

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