As Aventuras de ALICE
Alice
Coelho branco Tweedledee
Gato sorridente Tweedledum
Absolém Valete
Lebre maluca Rainha Branca
Chapeleiro maluco Rainha Vermelha
(Blackout)
(voz em off) – Deslizando em doce vagar. Sob um tempo ameno. Numa tarde
dourada, a implorar. Uma história de tão leve alento. e um ror de palpites oferece.
Mais brandamente encarece: “que não tenha pé nem cabeça”. Depois, por súbito
silêncio tomada, vai em fantasia seguindo a criança-sonho em sua jornada, por uma
terra nova e encantada, a tagarelar com bichos pela estrada. O sol declina, vai já se
retirar. As Aventuras de Alice irão começar!!!
CENA 1
Entra Alice pela platéia.
Alice - Vocês viram aquilo? Eu acho que era um coelho. Viram dessa vez? O
coelho.
Abrem-se as cortinas
No palco coelho entra pela coxia e se esconde atrás da grande mesa que está em
cena. Alice corre atrás do coelho e sobe no palco, onde há uma mesa cumprida e
uma cadeira em cada cabeceira. Alice sobre na mesa onde os gêmeos estão em pé
como estátuas segurando um tecido branco bem no centro. Atrás do tecido branco
através de sombras Alice aumenta e diminui de tamanho ate atravessar a porta.
Alice sai na outra ponta da mesa e desce para o palco.
CENA 2
Alice – que estranho parece que tudo está diferente hoje! E ontem as coisas
aconteciam exatamente como de costume. Será que fui trocada durante a noite?
Deixe-me pensar: será que eu era a mesma quando acordei esta manhã? Tenho
uma ligeira lembrança de que me senti um bocado diferente. Mas, se já não sou a
mesma, afinal quem sou eu?
Aparecem os gêmeos tweedle e o coelho branco.
Gêmeo 1 – eu disse que era a verdadeira Alice.
Gêmeo 2 – ainda não me convenceu.
Coelho – Eu fiquei lá em cima semanas procurando uma Alice atrás da outra, e
quase fui comido por outros animais, imaginem só, eles nem usam roupas e fazem
suas ticacas na frente de todos... eu tive de olhar pro outro lado.
Gêmeo 2 – não se parece em nada com ela.
Gêmeo 1 – é porque essa é a Alice errada
Gêmeo 2 - se não fosse ela, poderia seria ser
Gêmeo 1 - Mas se não é ela, então não será.
Gêmeo 2 – Se fosse mesmo ela, ela seria.
Gêmeo 1 – mas ela não é, de jeito nenhum.
Alice – como posso ser a Alice errada se esse sonho é meu? Posso saber quem
são vocês?
Gêmeo 1 – eu sou tweedledum e ele o twedledee.
Gêmeo 2 – pelo contrario eu sou tweedledee e ele o tweedledum
Coelho – temos que consultar absolém, ele saberá quem ela é de verdade.
Gêmeo 1 – Vamos, eu acompanho você.
Gêmeo 2 – não seria essa a minha vez?
Gêmeo 1 – não, não seria não!
Gêmeo 2 – Vamos, eu te acompanho.
Gêmeo 1 – não, eu acompanho.
Alice – eles são sempre assim?
Coelho – é coisa de família.
Alice – quem é esse tal Absolem?
Coelho – ele é sábio, é absoluto, ele é Absolem.
CENA 3
(Alice está fora do palco em baixo)
Absolem – Quem é você?
Alice – Absolem?
Absolem – você não é Absolém, Absolém sou eu, a pergunta é, quem é você?
Alice – Alice.
Absolem – é o que veremos.
Alice – o que quer dizer com isso? Eu sei muito bem quem eu sou.
Absolem - sim você sabe menina burra.
Alice – bem... Pelo menos eu sei quem eu era quando me levantei esta manhã,
mas acho que já passei por várias mudanças desde então.
Absolem – o que quer dizer com isso?
Alice – receio não poder explicar, porque já não sou a mesma, entende?
Absolem – não, não entendo!
Alice – receio não poder ser mais clara, nem eu mesma consigo entender... Pra
começar ser de tantos tamanhos diferentes num só dia é muito perturbador.
Absolem – não, não é!
Alice – bem, talvez seus sentimentos sejam diferentes. O que sei, é que para mim
tudo isso aqui parece muito esquisito.
Absolém – Você! Quem é você?
Alice – Acho que você é quem deveria me dizer primeiro!
Absolém – Porquê deveria?
Alice – já chega de tantas perguntas, eu vou embora!
Absolém – Volte! Tenho uma coisa importante para dizer.
Alice – O quê?
Absolém – Controle-se!
Alice (controlando a raiva) – Só isso?
Absolém – Não! (pausa) – então você acha que está mudando não é?
Alice – Receio que sim, não consigo me lembrar das coisas como antes, e não fico
do mesmo tamanho nem por dez minutos seguidos!
Absolém – Mas, de que tamanho você quer ser?
Alice – não faço questão de um tamanho certo, só que ninguém gosta de ficar
mudando toda hora, sabe.
Absolem – não, eu não sei... Mas está satisfeita agora?
Alice – bem, gostaria de ser um pouco maior. Oito centímetros é uma altura muito
insignificante para se ter.
Absolem – pois eu acho uma altura muito boa.
Alice – mas é que eu não estou acostumada.
Coelho – desvende isso pra nós absolem, ela é a verdadeira Alice?
Absolem – nem de longe!
Absolem desaparece
CENA 4
Alice volta a subir no palco
Gemeo 1 – Bem que eu disse!
Gemeo 2 – não, eu disse.
Gemeo 1 – pelo contrario você disse que ela seria, se ela fosse.
Coelho – eu acreditava que era você.
Alice – sinto muito, eu não tenho a intenção de ser a Alice errada. Espera aí, esse
sonho é meu. Eu vou acordar agora e vocês desaparecerão. (ela belisca o próprio
braço, mas nada acontece) – estranho um beliscão sempre resolve.
Sons de Soldados da rainha vermelha marchando, se aproximando. Coelho pega
Alice pela mão e começa a correr, os gêmeos se escondem.
Gêmeos – SOLDAAADOS!!!
Coelho – Vamos, temos que fugir!
Alice (parando de correr) – espera... se isso tudo é um sonho, nada vai me
acontecer.
Coelho – foge logo, sua grande tola!
Coelho empurra Alice, que cai fora do palco e se entrega chamando atenção dos
soldados saindo de cena
Coelho – Ei!!! eu tô aqui, me levem, me levem, eu me rendo!!!
Alice e os gêmeos que estavam escondidos reaparecem.
Gêmeo 1 – por aqui, a leste para queste.
Gêmeo 2 – não, ao sul pra esnul.
Gêmeo 1 – por aqui.
Gêmeo 2 – não, por aqui.
Novamente sons de soldados se aproximando, Alice se abaixa, e os gêmeos saem
correndo gritando com medo.
CENA 5
Entra a rainha branca falando com o público. Alice levanta-se e começa a andar em
direção ao publico, observando a Rainha branca.
Rainha branca – Ah!... Tenho achado minhas flores tão tristes ultimamente
(pergunta a alguém da platéia) você tem conversado com as flores esses dias? E
você? Costuma conversar com as plantas? Você pode contar o que quiser para
elas, mas só conte seus maiores segredos para as menores plantinhas, elas são
todas mudinhas (sorrisos).
Alice – Como é possível que as flores possam falar com a gente? Estive em muitos
jardins antes, mas nenhuma flor podia falar.
Rainha branca – Olá criança! ponha a mão na terra e sinta.
Alice – É muito dura, mas o que uma coisa tem a ver com outra?
Rainha Branca – Ora, não percebe criança, na maioria dos jardins, fazem os
canteiros muito fofos... Por isso as flores estão sempre dormindo.
Alice – eu nunca tinha pensado nisso antes!
Rainha Branca – O que a traz por aqui?
Alice – Eu estava seguindo um coelho branco, mas acabei perdendo meu caminho.
Rainha Branca – Não sei o que você quer dizer com “seu” caminho. Todos os
caminhos por aqui agora pertencem a Rainha Vermelha. Mas o que pretende fazer
afinal? Ah! Enquanto você pensa, faça reverências, isso economiza tempo.
Alice faz reverências
Rainha Branca– Esta bem, agora já pode responder, abra um pouco mais a boca
quando fala e diga sempre, vossa majestade.
Alice – seu jardim é realmente muito bonito, vossa majestade.
Rainha Branca – Sim criança, se bem que quando você diz “jardim”... já vi jardins
que fariam este parecer um matagal.
Alice – Ah! também gostaria de subir no alto daquele morro.
Rainha Branca – quando você diz “morro”... eu poderia lhe mostrar morros que
fariam você chamar esse de vale.
Alice – Não, não fariam! Um morro não poderia ser um vale, isso seria um absurdo.
Rainha Branca – Pode chamar de absurdo se quiser, mas já ouvi absurdos que
fariam este parecer tão sensato quanto um dicionário.
Enquanto a rainha fala, as duas voltam para o palco.
Alice – Veja só, lá em baixo até parece um grande tabuleiro de xadrez!
Rainha branca – imagine só, uma partida de xadrez fabulosa sendo jogada... por
todos neste mundo?
Alice – Como seria divertido! Não me importaria de ser um peão, contanto que
pudesse jogar.
Rainha branca – É fácil arranjar isso, criança! Você pode ser o peão da Rainha
Branca, se quiser. Agora, você está na segunda casa, quando chegar a oitava
casa, teremos nossa vitória! Iupi! Vamos, venha!
As duas começam a correr sem sair do lugar.
Rainha Branca – Mais rápido! Mais rápido!
Alice – Mas...
Rainha Branca – não tente falar. Mais rápido! Mais rápido!
Alice – estamos chegando?
Rainha Branca – Chegando! Ora, já passamos faz uns dez minutos! Vamos,
vamos... Mais rápido! Mais rápido!
Elas param ofegantes, Alice senta no chão para descansar.
Rainha Branca – Aqui está bom! Pode descansar um pouco agora.
Alice – Eu diria que estivemos neste lugar o tempo todo! Tudo está exatamente
como era.
Rainha Branca – Mas é claro que está, esperava outra coisa?
Alice – Bem, de onde venho... Geralmente você chegaria a algum outro lugar... Se
corresse muito rápido por um longo tempo, como nós fizemos.
Rainha Branca – Que terra mais estranha a sua! Pois aqui, como vê, você tem que
correr o Maximo que puder para continuar no mesmo lugar, se quiser ir a alguma
outra parte tem de correr no mínimo duas vezes mais rápido! Quer tentar?
Alice – Eu prefiro não, obrigada! Estou com muita sede!
Rainha Branca – Já sei do que você precisa... Aceita um biscoito?
Alice – Obrigada! Alice disfarça, mas não come o biscoito.
Rainha branca – Enquanto você se revigora, eu lhe darei suas instruções... Aceita
mais um biscoito?
Alice – Não, obrigada!
A rainha vai saltando e falando
Rainha Branca – um peão avança duas casas no seu primeiro movimento. Assim
você vai avançar muito rápido para a terceira casa, e num instante já vai se ver na
quarta casa. Bem, essa casa pertence a Rainha de copas. A quinta casa é só água
e chá. A sexta é toda no bosque... contudo um dos cavalheiros lhe mostrará o
caminho... na sétima casa nos veremos novamente. E na oitava casa nós, as
rainhas estaremos finalmente juntas e tudo será festa e diversão... Alice saiba
andar com seus próprios pés e lembre-se sempre de quem você é!
Rainha Branca sai de cena.
CENA 6
Entra a Rainha vermelha pela platéia gritando, com as pessoas do público.
Rainha Vermelha – quem comeu as minhas tortas? foi você? Você roubou as
minhas tortas? E você? foi você quem comeu as minhas tortas? (A rainha passa o
dedo na boca da pessoa e prova dizendo) – hum! suco de amoralesca. CORTEM-
LHE A CABEÇA!!! Vou mandar os soldados até a casa dele(a) para que e me
tragam também os seus filhotinhos, eu adoro filhotinhos no café da manhã. É
melhor que caviar.
Rainha Vermelha se empoleira no trono. Entra valete.
Valete – Majestade?
Rainha Vermelha – Espere... Não vê que eu estou pensando?
Valete – Mas majestade...
Rainha Vermelha – Silêncio, idiota! - PAGEM!!!!
Entra o coelho branco correndo
Rainha Vermelha – Eu sou a Rainha Vermelha não sou?
Coelho Branco – Acredito que sim, majestade?
Rainha Vermelha – então porque há rosas brancas em meu jardim? Resolva isso!
Coelho Branco – mas como majestade?
Rainha Vermelha – Faça uma poda, arranque, destrua, pinte-as se quiser, mas
resolva isso... AGORAAAA!!!
Coelho branco sai correndo e recolhe as flores distribuídas pela Rainha Branca
Rainha Vermelha – Fale Valete.
Valete – há boatos que Alice está de volta ao vosso reino
Rainha Vermelha – E o que eu tenho a ver com isso?
Valete – Não se lembra da ultima vez?
Rainha – O quê? Alice está de volta? Então ache a Alice. Ache! Eu quero que a
encontre e traga a minha presença. O que está esperando?
Rainha sai de cena.
CENA 7
Alice anda pelo meio da floresta quando aparece o gato sorridente
Gato – perdeu alguma coisa????...
Alice – eu ainda estou sonhando!
Gato – como você se chama?
Alice – Alice!
Gato – Ah! Alice?
Alice – é, já teve um certo debate sobre isso.
Gato – eu nunca me envolvi em política. Então, é melhor seguir o seu caminho.
Alice – que caminho? Tudo que eu mais quero é acordar logo desse sonho maluco.
Gato – é você quem sabe... (desparece)
Alice – espere!!! Por favor, Que caminho devo tomar para ir embora daqui?
Gato – isso depende... de onde você está!... e aonde você quer chegar!
Alice – onde eu estou!?! ... não importa pra onde. Desde que eu...
Gato – não importa? ... então não importa que caminho tome?
Alice – contanto que eu chegue a algum lugar.
Gato – Esta bem, mas me diga. Que caminho você pretende tomar?
Alice – mas foi exatamente isso que eu perguntei a você.
Gato – você não deveria querer que o outros tomassem decisões no seu lugar...
mas, se quer a minha opinião, ele foi por ali. (aponta para uma direção)
Alice – ele quem?
Gato – você não estava seguindo o coelho branco?
Alice – sim estava, mas... ele foi mesmo por alí?
Gato – foi o quê?
Alice – por ali (aponta na mesma direção que o gato havia apontado antes)
Gato – quem foi?
Alice – o coelho!
Gato – que coelho?
Alice – mas você disse que...
Gato - você parece nervosa, acho que na verdade deveria tomar uma xícara de chá
para se acalmar.
Alice – tudo bem, não seria nada mal!
Gato – ótimo! Eu levarei você até a lebre e o chapeleiro, isso e nada mais.
Gato desaparece. Alice fica parada. Somente a cabeça do gato reaparece
novamente.
Gato – você vem?
Alice sai de cena.
CENA 8
Chapeleiro maluco e a lebre entram em cena e arrumam a mesa do chá, estão
sentados e começam a cochilar quando entra o gato seguido por Alice. Chapeleiro
sobe na mesa para falar com Alice.
Chapeleiro – é você!!!.
Lebre – não, não é. O coelho branco trouxe a Alice errada. Hã é a Alice errada?
Chapeleiro – é Alice de fato, você é mesmo Alice. Eu reconheceria você em
qualquer lugar. Eu reconheceria ela em qualquer lugar. Bem, como pode ver ainda
estamos tomando chá, e tudo porque eu fui obrigado a matar o tempo esperando
você chegar. Você está muito atrasada sabia? Levadinha. Bem, enfim ... O tempo
se sentiu ofendido e parou de vez, não fez mais nem tic nem tac. E agora são
sempre seis horas, é sempre hora do chá e não temos tempo de lavar a louça nos
intervalos.
Lebre – xícara!
Alice - o tempo é engraçado nos sonhos.
Chapeleiro – sim, claro, mas agora que está de volta precisamos continuar com o
chá. Eu estive analisando coisas que começa com a letra M. Você sabe qual é a
semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?
Lebre – fora cabeçuda!
Alice – o quê?
Gato – fora cabeçuda! Sendo que a cabeçuda é a rainha vermelha.
Chapeleiro – vamos! Simplesmente temos que começar uma dança e coisa e tal.
No entanto é tempo de perdoar e esquecer ou esquecer e perdoar, seja qual for a
ordem, em todo caso, o que for mais conveniente. Estou esperando!
(Lebre tira um relógio do bolso)
Lebre –(risos) tá fazendo tic-tac de novo!
Gato – toda essa conversa sobre matança e sangue me fez perder a vontade de
tomar chá.
Chapeleiro – ora! O mundo desmorona e o pobre gatinho perdeu a vontade de
tomar chá.
Gato – o que aconteceu não foi minha culpa.
Chapeleiro – você simplesmente desapareceu para salvar a sua pele. Lambedor de
pelos, sem vergonha, ladrãozinho, ovo podre, malabarista de ticaca,...
Lebre – chapeleiro!
Chapeleiro – Estou calmo!
Gato – você era o maior dançarino de passo maluco de todo o reino.
Alice – passo o quê?
Lebre – passo maluco!
Gato – é uma dança!
Chapeleiro – pois é, quando a rainha branca colocar novamente a coroa, somente
nesse dia eu dançarei o passo maluco... vigorosamente.
Ouvem-se passos se aproximando.
Gato – Soldados... Adeus! (gato desaparece)
Chapeleiro enfiando uma garrafa na boca de Alice – beba isso, rápido!
Alice bebe e começa a encolher, o chapeleiro a coloca dentro de um bule.
Chapeleiro – cuidado com a cabeça.
Entre valete em cena.
Valete – Ora! Se não é minha dupla favorita de malucos.
Chapeleiro – porque não se junta a nós?
Lebre – está atrasado para o chá!
Valete - procuramos a garota chamada Alice. Você sabe onde ela está?
Chapeleiro – Por falar na Rainha Vermelha, tínhamos uma canção que
preparávamos para homenageá-la.
“Pisca, pisca morceguinho lá está meu amiguinho”
Valete (sufocando chapeleiro) – se estiverem escondendo a garota, perderão suas
cabeças
Chapeleiro - já perdemos! – todos juntos.
“Pisca, pisca morceguinho lá está meu amiguinho
Lebre – Espere! aceita um pouco de creme?
Valete - São mesmo um bando de malucos! (sai de sena)
Chapeleiro – ele já foi, coma isso. (tira Alice do bule e dá algo pra ela comer e
crescer novamente)
Alice – o que eles querem comigo?
Lebre – espera aí, é melhor levar ela pro castelo da rainha branca, la ela estará
segura. – Hãn! Que colher!!! ( ultima fala olhando pra uma colher na mão)
Chapeleiro – Tem razão! Alice... Vamos!
Lebre sai de cena. Chapeleiro e Alice começam a andar
Alice – o que a rainha vermelha fez?
Chapeleiro – não é uma estória agradável.
Alice – me conta mesmo assim.
Chapeleiro – foi há muito tempo, eu ainda era o chapeleiro da rainha branca, era
ela quem governava sabe... A rainha branca sempre foi muito justa e bondosa,
governava com sabedoria, mas a Rainha Vermelha possuída pela inveja roubou a
coroa e agora todos devem obediência a ela ou perdem as cabeças. (começa a
lembrar do ataque da rainha vermelha contra rainha branca) tudo feito em
marionetes.
Alice – chapeleiro! Chapeleiro!
Chapeleiro – O quê? Soldados... Rápido, Alice fuja!.... Eu vou tentar despistá-los,
siga sempre esta trilha e irá encontrar o castelo da rainha branca, vá.
Alice se esconde. Chapeleiro é preso. Aparece o gato.
CENA 9
(novamente luz negra para o boneco parecer que flutua)
Gato – por acaso você ainda se chama Alice?
Alice – é, mas eu não sou a Alice de quem vocês falam tanto.
Gato – o chapeleiro não teria se rendido por uma Alice qualquer.
Alice – pra onde levaram o chapeleiro?
Gato – para o castelo da Rainha Vermelha.
Alice – então nós vamos até lá solta-lo
Gato – isso não está previsto.
Alice – não importa, ele não estaria lá se não fosse por mim. Desde que eu caí
naquela toca de coelho, só escuto me dizerem o que devo fazer e quem eu devo
ser, eu fui encolhida, esticada, esfolada e escondida num bule de chá, eu fui
acusada de ser a Alice de não ser Alice, mas esse sonho é meu, eu vou decidir
para onde ir a partir de agora.
Gato – se você se desviar do destino...
Alice – eu faço meu destino. Me leve ao castelo da Rainha Vermelha.
Gato – tudo bem, eu lhe mostrarei o caminho, mas para chegar lá, você terá que
passar pelo bosque do esquecimento.
Alice – Você não vem!!???
Gato – nem sonhando!
Alice e o gato saem de cena, muda o cenário novamente para o castelo da rainha
vermelha.
CENA 10
Alice está na frente do palco no canto esquerdo, lebre sai de trás da coxia e
permanece em cima do palco, toda a cena acontece neste lado do palco
Alice – Este deve ser o bosque...
Lebre -... Em que as coisas não tem nome! Isso mesmo! Tem razão!
Alice – o que será que vai acontecer com meu nome por eu ter entrado nele? Não
gostaria nada de perdê-lo porque teriam de me dar outro, e é quase certo que seria
um nome bem feio.
Lebre – Neste caso o engraçado seria tentar encontrar a criatura que ficou com seu
antigo nome. Hã!
Alice – imagine só ficar chamando todas as coisas que encontrasse, pelo meu
nome até que uma delas respondesse.
Lebre – só que elas não responderiam nada, isto é... se fossem espertas.
Alice – Bem... de todo modo é um grande alivio entrar aqui no... quero dizer... entrar
aqui no... como é mesmo o nome? Entrar aqui entende?
Lebre – Hã!?!Mas como é que isto aqui se chama afinal?
Alice – Acredito que não tem nome...
Lebre - Ora, isso mesmo com certeza não tem nome!
Alice – Então no final das contas a coisa realmente aconteceu! E não lembro mais
qual é o meu nome. E agora, quem sou eu?
Lebre – Está claro, você é alguém, com certeza. Alguém que não faz idéia de onde
está. Há, há, há, há !!!!
Alice - Vou lembrar se puder... estou decidida, vou sim.
Lebre – Mas estar decidida parece que não vai ajudar muito!!! ha há há!
Alice – “L” tenho certeza que começa com “L”, me ajude, por favor.
Lebre – Sim, claro... vejamos... Como você se chama?
Alice – “NADA”, por enquanto.
Lebre – pense bem... esse nome não serve.
Alice – já sei.. poderia me dizer como você se chama, talvez isso possa ajudar.
Lebre – Sim, vou lhe dizer se vier um pouco adiante comigo, porque aqui eu não
consigo me lembrar.
Os dois saem andando em silêncio até o outro lado do palco, a lebre dá um salto e
diz.
Lebre – Já sei! Eu sou a lebre de março e oh! Estou atrasado, estou muito atrasado
para o chá!
Alice – Até mais, obrigada! Agora eu consigo me lembrar.
Lebre sai de cena correndo
CENA 11
Rainha vermelha grita fora de cena.
Rainha vermelha – PAJEM!!! Onde está minha bola? Como posso jogar sem uma
bola?
Entra o coelho branco de um lado e Alice do outro os dois se encontram. Alice
continua fora do palco, em baixo.
Coelho – Ora vejam só, se não é a Alice errada. O que faz aqui?
Alice – Eu vim salvar o chapeleiro.
Coelho – não vai salvar ninguém estando deste tamanho.
Alice – Você tem mais do bolo que me fez crescer antes?
Coelho – Deixe-me ver... ainda tenho um pouco, tome.
(Alice come e começa a crescer).
Coelho – não coma tanto!
(Rainha Vermelha grita novamente fora de cena)
Rainha Vermelha – PAGEM, CADÊ A MINHA BOLAAAAA!!!
Coelho – Óh, céus!!!
(Entra rainha vermelha em cena. Encontra Alice, mas não a reconhece)
Rainha vermelha – mas o que é isso?
Coelho branco – não é o quê, mas quem, majestade!
Rainha vermelha – quem é ela?
Coelho branco – Ham!
Rainha vermelha – Ham!?
Alice – sim rainha meu nome é Ham.
Rainha vermelha – E o que faz aqui?
Alice – é que tenho crescido muito ultimamente, por isso vim, pensei que poderia
ficar um pouco.
Rainha vermelha – Querida, alguém tão grande quanto a minha cabeça será
sempre bem vinda em meu reino. Você será minha nova preferida, venha, sente-se
ao meu lado. Onde estão os meus gorduchinhos (ou magrelinhos)? QUERO MEUS
GORDUCHINHOS(magrelilhos) AQUI!
Coelho sai gritando – Twidles!!!
(entram os gêmeos twidle)
Rainha Vermelha – Ah! Apareceram, eles falam de um jeito estranho, mas eu
adoro, falem meninos, vamos, falem.
Gêmeo 1 – fala você
Gêmeo 2 – não, fala você
Gêmeo 1 – fala você
Gêmeo 2 – não, fala você
Gêmeo 1 – fala você
Gêmeo 2 – eu não!
Rainha vermelha – FALEM!!!
(um deles reconhece Alice, mas esta faz sinal para que não falem seu nome)
Gêmeo 1 – seria essa....?
Gêmeo 2 – (interrompendo o outro) – não, não seria, não! Nem um pouco.
Gêmeo 1 – pelo contrario, acredito que sim.
Gêmeo 2 – Não, não é não.
Gêmeo 1 – Mas eu tenho certeza que sim
Gêmeo 2 – Não, eu já disse que não
Gêmeo 1 – Mas eu tenho certeza que sim
Gêmeo 2 – (Pisando no pé do outro) mas eu já disse que não é, de jeito nenhum!!!
Rainha vermelha – (gargalhando) – HI! HI! HI! HI! Adoro meus magrelinhos. Agora
retirem-se.
(Os gêmeos saem um empurrando o outro, entra valete fazendo reverencia a
rainha)
Valete – majestade! Quem seria esta criatura?
Rainha vermelha – Ham! Minha nova favorita.
Valete – ela tem um nome?
Rainha vermelha – Ham!
Valete – parece que a rainha esqueceu seu nome!
Rainha vermelha – o nome dela é Ham! (gritando) IDIOTA!!!!
Alice – oi!
Rainha vermelha – o que conseguiu com o prisioneiro?
Valete – ele é muito teimoso, não quer falar.
Rainha vermelha – você é bonzinho. TRAGAM O PRISIONEIRO!!!
(entra o chapeleiro com as mãos amarradas)
Rainha – sabemos que Alice voltou ao mundo subterrâneo, você sabe onde ela
está?
Chapeleiro – eu estive analisando coisas que começam com a letra M, mala,
molóide, motim, maldade, morte...
Rainha vermelha – procuramos uma que começa com a letra A, você sabe onde
está Alice?
Chapeleiro – (risos) eu não sei dizer
Rainha vermelha – se eu cortar sua cabeça será que assim saberá?
(Chapeleiro começa a rir)
Rainha vermelha – pare de rir!
(Ele para na mesma hora)
Chapeleiro – que cabeça lamentavelmente grande a senhora tem majestade, eu
adoraria lhe fazer um chapéu.
Rainha vermelha – chapéu? Pra mim?
Chapeleiro – sim, eu costumava fazer chapéus para a rainha branca, mas ela não
me dava muito trabalho, pobrezinha, tem uma cabeça tão pequena.
Rainha vermelha – Mínima! Miniatura de cabeça.
Chapeleiro – mas a sua, ah! O que eu poderia fazer com esse monumento, essa
booola, aliás cabeça tão magnífica e redonda que mais parece um globo.
Rainha vermelha – o que poderia fazer?
(Chapeleiro mostra as mãos amarradas).
Rainha Vermelha - Liberte-o valete, como ele pode trabalhar com as mãos
amarradas?
Chapeleiro – pois bem, seria um chapéu de palha ou um gorro? Ou algo para usar
em seus aposentos, crochê, chapéu de pluma, cogumelo, capacete, capús, boina,
cartola, bandana, abas largas, carapuça, touca, sombreiro...
Alice – Chapeleiro!
Chapeleiro - é isso!
Rainha vermelha – sorridente – o que estamos esperando, VAMOS!!!
CENA 12
Entra Rainha Branca na mesma hora que sai a Rainha Vermelha.
Aparece o gato sorridente.
Gato – majestade!!!!
Rainha branca – Boas notícias???
Gato – Alice está de volta ao mudo subterrâneo.
Rainha branca – Eu sei, mas onde ela está agora?
Gato – ela está no castelo da rainha vermelha, me perdoe eu a deixei se desviar de
seu destino.
Rainha branca – não se preocupe meu caro, ela está onde deveria estar, para
poder finalmente se encontrar. Agora descanse, você trabalhou muito bem.
(Do outro lado do palco ... no castelo da rainha vermelha)
Rainha vermelha – minha irmãzinha feia... porque todos adoram ela e me odeiam?
Valete – eu não compreendo, majestade, a senhora é superior em todos os
sentidos.
Rainha vermelha – Eu sei, mas ela consegue que todos se encantem por ela,
homens, mulheres... e até mesmo a mobília.
Valete – até o rei.... (faz um gesto com a mão no pescoço)
Rainha vermelha – tive que fazer.... ele teria me deixado.
Valete – esta certa majestade é muito melhor ser temida do que ser amada.
Rainha vermelha – eu não tenho mais tanta certeza valete... mas deixemos minha
irmã com a ralé, não preciso deles... eu tenho você!!!
CENA 13
O chapeleiro entra no palco fazendo um chapéu para Rainha Vermelha. Alice entra
pela platéia perguntando ao publico.
Alice – você viu um chapéu por aqui? Alguém viu o chapéu do chapeleiro?
Alice encontra o chapéu e leva até o chapeleiro.
Alice – é maravilhoso! Você me deixa experimentar quando ficar pronto?
Chapeleiro – é ótimo trabalhar no meu oficio novamente sabe.
Alice – pena que tenha que fazer os chapéus pra ela.
Chapeleiro – Hãn... Qual é mesmo o meu chape-lema? Qual é? Qual?
Chapeleiro começa a rasgar o chapéu que estava fazendo.
Alice (segurando-o) – chapeleiro!!!
Chapeleiro - Qual a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha? Eu não gosto
daqui, a minha cabeça não para. Será que estou ficando louco?
Alice põe a mão em sua testa pra sentir sua temperatura e responde
Alice – Acho que sim, você está completamente pirado, mas quer saber de um
segredo? Meu pai dizia que as melhores pessoas são assim. Alice devolve o
chapéu do chapeleiro – pronto, assim volta a ser o chapeleiro maluco de sempre.
Chapeleiro – Você ainda acredita que está sonhando Alice?
Alice – é claro, tudo isso vem da minha mente.
Chapeleiro – Então, isso significa que eu não existo
Alice – infelizmente sim, você é só um fruto da minha imaginação, eu sempre
sonhava com alguém meio maluco.
Chapeleiro – sim, mas você teria que ser meio louca pra sonhar comigo, não é
mesmo?
Alice – então, eu devo ser (risos)... Eu vou sentir sua falta quando acordar.
Rainha vermelha (grita fora de sena) – HOMEM DOS CHAPÉUS, onde estão meus
chapéus, se não tiver um bem bonito na minha cabeça agora, você é que vai ficar
sem ter onde colocar o seu chapéu.
Chapeleiro – Você tem que sair daqui Alice, seu destino não é ficar presa neste
castelo, você deve procurar a Rainha Branca.
Alice – não se preocupe chapeleiro nós vamos sair daqui juntos.
Chapeleiro – Alice porque você é sempre pequena demais ou grande demais.
Rainha vermelha – CHAPELEEEEEEEIRO!!!!
Chapeleiro sai de cena.
CENA 14
Aparecem os gêmeos tweedle.
Gêmeos – Alice!!!
Gêmeo 1 – como se sente sendo assim tão grande?
Gêmeo 2 – ela não é tão grande, esse é o tamanho normal dela.
Gêmeo 1 – Ela era muito menor quando a conhecemos.
Gêmeo 2 – é que ela bebeu o suco minimizador pra atravessar a porta, lembra?
Gêmeo 1 – Ah, é!
Alice – onde está o coelho?
Gêmeos – foi por ali. (cada um aponta para um lado)
Alice – Nós temos que sair daqui, encontrem o coelho e digam que vamos fugir, eu
vou soltar o chapeleiro.
Os gêmeos saem de cena, entra o chapeleiro com as mãos amarradas novamente.
Alice – chapeleiro!!!
Chapeleiro – Alice !!!
Alice – vamos, arruma suas coisas nós temos que fugir. (ela começa a tentar
desamarrar o chapeleiro quando aparece o valete)
Valete – Você estava ajudando o prisioneiro a fugir? Soldados prendam essa garota
por alta traição a rainha vermelha!
(Chapeleiro e Valete começam a lutar)
Chapeleiro – vá para o castelo da rainha branca
Alice – eu não saio daqui sem você
Chapeleiro – vai logo!
Alice – Mas chapeleiro!
Chapeleiro – Fuja Alice!
Valete – Alice...
Chapeleiro – CORRE! (borrifa água na cara do valete, que derruba-o)
Valete – Mas é claro! como eu não percebi isso antes, a rainha ficará deveras
contente , ela terá um enorme prazer em cortar-lhe a cabeça. TODOS atrás dela!!!!
Entra rainha vermelha em cena
Rainha vermelha - O que está acontecendo aqui?
Valete – Majestade, eu tenho noticias desagradáveis para lhe dar.
Rainha Vermelha – o que foi Valete, desembucha!
Valete – Ham, na verdade era Alice.
Rainha Vermelha (dando um tapa no Valete) – O quê? Seu burro! Como você não
percebeu isso antes???
Valete – Tem mais, ela estava tentando ajudar o chapeleiro a fugir.
Rainha Vermelha (dando outro tapa no Valete) – O quê? Como você permitiu isso?
Valete – e por ultimo: ela conseguiu escapar.
Rainha Vermelha (dando mais um tapa no Valete) – Seu incompetente!!!!
Valete – mas, majestade conseguimos prender o chapeleiro novamente!!!
Rainha Vermelha – CORTEM-LHE A CABEÇA!!!
CENA 15
Alice chega ao castelo da Rainha Branca
Rainha Branca – Seja bem vinda, criança!
Alice (fazendo reverencia) – majestade!!!
Rainha branca – você me parece um pouco maior desde que nos encontramos!
Alice – é que eu comi do bolo que faz crescer e acho que exagerei.
Rainha branca – podemos resolver isso criança, faremos um pouco de suco
minimizador, venha comigo.
Ela começa a colocar coisas num pequeno caldeirão.
Rainha branca – suco minimizador me deixe pensar... Muito bem, vejamos: uma
pitada de gordura de minhoca, urina de formiga mordedeira, ah, dedos
amanteigados de pezinhos de centopéia, três gotas de orvalho amanhecido, duas
colheres de chá de desejo. Pronto, isso vai dar. - Fica mexendo no caldeirão. - me
diga que impressão teve da minha irmã?
Alice – a pior possível.
Rainha branca – e a... cabeça?
Alice – enorme.
Rainha branca – sabe... Acho que alguma coisa cresceu ali dentro que pressionou
o cérebro dela.
Alice – não imagina as coisas absurdas que acontecem naquele castelo.
Rainha branca – ah! imagino sim, mas quando você estiver pronta, será capaz de
enfrentar seus medos. E poderá decidir fazer algo para mudar as coisas ou se
conformar com a sorte que nos foi imposta. Alice, não podemos fugir dos nossos
deveres. E seu maior teste será enfrentar a Maldade da Rainha Vermelha, e
encarar seu pior pesadelo, mas a decisão tem que ser sua.
Alice – porque a senhora mesma não a enfrenta?
Rainha Branca – Porque é contra meus princípios machucar qualquer criatura viva,
por pior que ela seja, eu não mataria nem uma mosca.
(entra sonoplastia de zumbido de mosquito, Rainha mata o mosquito com as mãos)
Rainha branca (sem graça) - Pronto, agora já deve estar bom. Sopre.
Ao beber Alice recupera o tamanho normal.
Rainha branca – agora, sim, no tamanho ideal. Se sente melhor?
Alice – muito melhor, obrigada.
Rainha branca – venha tem alguém que gostaria de falar com você.
CENA 16
Alice – Absolem?
Absolem- quem é você?
Alice – a gente já debateu sobre isso! Sou Alice, mas não a Alice certa.
Absolem – como sabe?
Alice – você mesmo disse isso.
Absolem – eu disse que nem de longe seria Alice, mas está bem perto de ser a
Alice agora, aliás, está bem perto de ser... a Alice.
Alice – você é tão real, às vezes eu até esqueço que isso tudo é um sonho.
Absolem – Alice... você aprendeu tudo que precisava neste mundo, agora poderá
enfrentar seus medos, tenha coragem, e lembre-se a escolha sempre tem que ser
sua.
Alice – Absolém, porque você está de cabeça pra baixo?
Absolém – eu cheguei ao fim desta vida
Alice – você vai morrer?
Absolém – Transformar, a vida é sempre cheia de transformações, Alice, você terá
que reconhecê-las quando for necessário.
Alice – não me deixa, não, eu preciso da sua ajuda.
Absolém – como posso te ajudar se você nem sabem quem você é menina burra.
Alice – eu não sou burra. Meu nome é Alice, eu tenho uma mãe e uma irmã, meu
pai tinha o sonho de viajar ao redor do mundo e nada jamais o impediu, eu sou a
filha dele e assim como ele, eu vou seguir meus próprios passos, eu sou Alice!
Absolém – Alice!!! Finalmente... bem vinda ao país das maravilhas
Absolém sorri até desaparecer.
Alice – Enfrentar meus medos... A decisão tem que ser minha... Já sei o que devo
fazer!
CENA 17
No castelo da rainha vermelha acontece o julgamento do chapeleiro
Rainha vermelha está sentada em seu trono, ao lado estão valete, os gêmeos, e o
coelho branco.
Rainha vermelha – TRAGAM O PRISIONEIRO!
Entra o chapeleiro maluco de mãos amarradas.
Rainha vermelha - adoro uma execução matinal, vocês não?
Todos respondem – sim majestade (balançando a cabeça negativamente)
Valete – O tribunal da corte de copas, considera o réu culpado por alta traição a
soberana Rainha Vermelha e sua sentença para os crimes cometidos contra a
coroa vermelha é a morte.
Rainha vermelha – CORTEM-LHE A CABEÇA!!!
Entra Alice junto com a rainha branca
Alice – NÃO!!! Já chega de tanta injustiça. Todos vocês, maltratados e escravizados
pela tirana corte da rainha vermelha, não aceitem mais se submeter aos caprichos
dessa rainha tão vaidosa, ela só quer se aproveitar de todos, querendo que façam
coisas erradas. Vamos todos nos unir contra a maldade dessa Tirana. Rainha
vermelha eu sei muito bem o que é certo e não acredito mais no seu poder.
Rainha Branca – Pelo visto nós já temos uma campeã!
Chapeleiro – Muito bem, Alice!
Alice – chapeleiro, que bom ver você... eu achei que eles iam...
Chapeleiro – É Eu também achei... Mas agora que eu estou aqui vivinho e inteiro,
eu estou feliz em vê-la novamente, ainda mais agora que você é o que você é, e
está do tamanho apropriado, aliás é um bom tamanho, é um ótimo tamanho, é um
tamanho digno da Alice.
Todos – Chapeleiro!!!
Chapeleiro – (rsrs) Opa!
Rainha branca – minha irmã, não precisamos brigar.
Rainha vermelha – eu sei muito bem o que está querendo... pensa que pode piscar
esses lindos olhinhos e eu vou me derreter toda como o papai e a mamãe faziam?
Rainha branca – por favor, sabe que a coroa é minha por direito.
Rainha vermelha percebe que haviam lhe tirado a coroa e agora o gato está
coroando a rainha branca.
Rainha vermelha – NÃO, esta coroa é minha!!! CORTEM-LHE AS CABEÇAS!!!
Coelho branco - NÃO, não obedecemos mais você, Fora Cabeçuda!
Todos – FORA CABEÇUDA!!!
Rainha branca – seus crimes contra este mundo seriam punidos com a morte,
porém isso vai contra os meus votos, sendo assim será banida para sempre,
ninguém lhe mostrará gentileza, nem dirá uma palavra a você, não terá um amigo
no mundo.
Valete – majestade, espero que não me puna tão severamente.
Rainha branca – será punido sim valete, se juntará a minha irmã em seu exílio a
partir de hoje e para sempre.
Rainha vermelha – pelo menos ficaremos juntos!
Valete – NÃO, não majestade, por favor corte a minha cabeça
Rainha branca – não tenho porque ser gentil com você valete.
Valete tenta estrangular a rainha vermelha, e eles saem brigando
Rainha vermelha – ele tentou me matar... vocês viram isso? ele esta tentando me
matar...
Eles saem de cena e chapeleiro começa a dançar o passo maluco.
Rainha branca – em retribuição ao que fez por nós, poderá voltar pra casa, se essa
for a sua escolha. (Entrega uma poção a Alice).
Chapeleiro – você poderia ficar...
Alice – que idéia... uma idéia maluca e maravilhosa, mas eu não posso, existem
perguntas que eu tenho que responder, coisas que devo fazer, e o mundo inteiro
para descobrir, mas eu voltarei antes do que você pensa. (bebe a poção)
Chapeleiro – mas você não se lembrará de nós.
Alice – claro que me lembrarei. Como poderia esquecer... Chapeleiro?... Qual a
semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?
Chapeleiro pega Alice no colo. Alice já está sonolenta.
Chapeleiro – quer saber de um segredo Alice? Eu não faço a menor idéia. Mas eu
desejo que você tenha sempre bons sonhos ALICE!!!!
Chapeleiro coloca Alice deitada no centro do palco, em cima da mesa e
desaparece. Alice desperta aparece uma borboleta (Absolém) e Alice sai correndo
atrás dela.
Fim
Adaptação: Wellington Callaça(wellingtoncallaca@[Link])