FACULDADE DE EXCELÊNCIA – UNEX – ITABUNA
Gisely Costa Lins
Hugo Kawã Santana Macedo
Maria Eduarda Rocha Santos
AUTOMEDICAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS E RESISTÊNCIA BACTERIANA:
CONHECIMENTO DA POPULAÇÃO E IMPACTOS NA SAÚDE PÚBLICA.
ITABUNA – BA
2025
Gisely Costa Lins
Hugo Kawã Santana Macedo
Maria Eduarda Rocha Santos
AUTOMEDICAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS E RESISTÊNCIA BACTERIANA:
CONHECIMENTO DA POPULAÇÃO E IMPACTOS NA SAÚDE PÚBLICA.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado à Unex Faculdade de
Excelência Itabuna, como exigência para
obtenção do grau de bacharel.
Orientador: Prof. Ms. Ana Carolina
Moraes de Santana
Itabuna – BA
2025
Gisely Costa Lins
Hugo Kawã Santana Macedo
Maria Eduarda Rocha Santos
AUTOMEDICAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS E RESISTÊNCIA BACTERIANA:
CONHECIMENTO DA POPULAÇÃO E IMPACTOS NA SAÚDE PÚBLICA.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado à Unex Faculdade de
Excelência Itabuna, como exigência para
obtenção do grau de bacharel.
Orientador: Prof. Ms. Ana Carolina
Moraes de Santana
Aprovado em:
________________________________________ ______________
Orientador Data da defesa
________________________________________ ______________
Avaliador Data da defesa
________________________________________ ______________
Avaliador Data da defesa
Itabuna – BA
2025
UNEX FACULDADE DE EXCELÊNCIA DE ITABUNA
CURSO: Farmácia e Biomedicina.
AUTOMEDICAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS E RESISTÊNCIA BACTERIANA:
CONHECIMENTO DA POPULAÇÃO E IMPACTOS NA SAÚDE PÚBLICA.
INDISCRIMINATE USE ANTIBIOTICS SELF-MEDICATION AND BACTERIAL
RESISTANCE: POPULATION KNOWLEDGE AND IMPACTS ON PUBLIC HEALTH.
Gisely Costa Lins¹
Hugo Kawã Santana Macedo2
Maria Eduarda Rocha Santos3
1. RESUMO (250 PALAVRAS)
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Palavras – chave:
2. ABSTRACT (resumo em IngLês)
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Keywords:
3. INTRODUÇÃO
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2023), a resistência antimicrobiana
(RAM) está associada a cerca de 5 milhões de mortes anuais no mundo, estando entre
as dez maiores ameaças à saúde pública. A OMS alerta que o tratamento de infecções
se torna cada vez mais difícil e que a RAM eleva os riscos de cirurgias e quimioterapia
(OMS, 2024). No Brasil, o Ministério da Saúde aponta aproximadamente 34 mil mortes
diretas e 138 mil indiretas anuais relacionadas à resistência, além de 221 mil óbitos por
infecção bacteriana, evidenciando a gravidade do problema. Em 2022, a Secretaria da
Saúde da Bahia notificou a presença de Enterococcus spp. resistentes à vancomicina
(VRE) em hospitais de Salvador, patógeno associado a infecções hospitalares, maior
tempo de internação, custos elevados e maior mortalidade.
A descoberta da penicilina em 1928 por Alexander Fleming revolucionou o tratamento
de infecções, mas o próprio cientista alertou, em 1945, que o uso inadequado poderia
gerar resistência, e atualmente quase um século depois o mundo sofre com as
consequências do uso indiscriminado não apenas da penicilina, mas de diversos
antibióticos.
A automedicação, caracterizada pelo uso de antibióticos sem orientação profissional,
favorece tratamentos incompletos e seleção de bactérias resistentes. Esses fármacos
agem de diferentes formas, como inibição da parede celular ou interferência no
metabolismo de ácidos nucleico, porém mutações ou seleção natural tornam as
bactérias resistentes (SOUZA; DIAS; ALVIM, 2022). Para conter o problema, a RDC
471/2021 da ANVISA exige prescrição válida e sem rasuras para a dispensação, mas o
uso irracional de antibióticos e o avanço da resistência bacteriana permanecem um
desafio de saúde pública. Seria a automedicação de antibióticos, associada ao
desconhecimento da população sobre seus riscos, um fator determinante para o avanço
da resistência bacteriana configurando, assim, um problema de saúde pública?
Dado o impacto social, econômico e na saúde devido à automedicação por antibióticos
e à resistência bacteriana, torna-se essencial avaliar a relação entre essa prática e seus
efeitos. Essa análise pode servir de base para o desenvolvimento de novas políticas
públicas, orientação e conscientização da população sobre o tema. Neste contexto, o
presente estudo visa primariamente analisar a relação entre a automedicação de
antibióticos e o avanço da resistência bacteriana, discutindo seus impactos na saúde
pública. De forma secundária, procura-se: (I) Avaliar a relação entre a automedicação,
resistência bacteriana e o conhecimento da população; (II) Identificar a prática da
automedicação pela população; (III) Identificar o papel de profissionais de saúde como
biomédicos e farmacêuticos na redução da resistência bacteriana e uso indiscriminados
de antibióticos (IV) Descrever os impactos da resistência bacteriana na saúde pública.
4. METODOLOGIA
A automedicação de antibióticos, aliada ao desconhecimento da população sobre
seus riscos, configura-se como um dos principais fatores que contribuem para o avanço
da resistência bacteriana, caracterizando um relevante problema de saúde pública.
Diante dessa realidade, esta pesquisa foi desenvolvida por meio de uma revisão
bibliográfica descritiva, qualiquantitativa e com análise documental, utilizando bases de
dados científicas como SciELO e PubMed, além da plataforma Google Acadêmico, que
reúne artigos de acesso público. A busca pelos estudos foi realizada entre fevereiro e
outubro de 2025. No desenvolvimento desta revisão bibliográfica, foram adotados
princípios éticos fundamentais que asseguram a integridade e a credibilidade científica
do estudo. Todos os materiais utilizados foram devidamente referenciados, respeitando
os direitos autorais e evitando qualquer forma de plágio. Os dados e informações
obtidos foram interpretados com fidelidade, sem distorções que pudessem comprometer
a veracidade das conclusões. Os critérios de inclusão para a seleção dos artigos foram
publicações entre 2020 e outubro de 2025 que abordassem o uso indiscriminado de
antibióticos, a resistência bacteriana e papel dos biomédicos e farmacêuticos para
controle ou prevensão desses fatores, que estivessem disponíveis gratuitamente em
inglês, português ou espanhol. Um artigo de 2015 foi selecionado excepcionalmente, a
fim de contemplar resoluções anteriores, consideradas importantes para o
desenvolvimento da discussão deste estudo. A seleção dos artigos ocorreu a partir de
uma leitura preliminar realizada por três pesquisadores, com o objetivo de identificar o
conteúdo principal discutido. Foram incluídos apenas aqueles que abordassem a
temática de maneira relevante e que contribuíssem de fato para a análise proposta. Os
critérios de exclusão abrangeram estudos que não tratassem do tema, que não
estivessem dentro do período delimitado ou que não estivessem disponíveis
gratuitamente. Ao final desse processo foram selecionados 18 artigos. A análise dos
resultados foi realizada de modo a aproveitar ao máximo os diversos dados obtidos nos
artigos selecionados, garantindo uma apresentação clara e organizada das
informações. Para isso, o estudo foi estruturado em seções temáticas: Prática da
automedicação na população; Gênero mais prevalente no consumo de antibióticos;
Conhecimento sobre resistência bacteriana; Principais antibióticos utilizados; Condições
clínicas associadas à automedicação e Prática da automedicação entre estudantes
universitários. Os dados obtidos foram confrontados com a legislação vigente por meio
da análise documental.
5. RESULTADOS
Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foi possível elaborar a tabela a
seguir, que contém as principais informações dos 18 artigos selecionados. A tabela 1
apresenta a autoria, o ano de publicação, o título e o objetivo primário de cada artigo.
Tabela 1 Elaborada pelos autores como demonstração dos artigos selecionados para a pesquisa.
Autor/Ano Título Objetivo
GAMA, Abel Práticas de automedicação em Analisar a prática de automedicação
Santiago Muri et comunidades ribeirinhas na Amazônia e os fatores associados na
al., (2020). brasileira. população ribeirinha da região do
Médio Solimões - Amazonas.
DOS SANTOS Fatores associados à automedicação em Identificar os fatores associados à
PORTO, Tatiana estudantes de enfermagem e prática da automedicação por
Naiana Rodrigues enfermeiros: revisão integrativa de estudantes de enfermagem e
et al., (2020). literatura profissionais enfermeiros.
RODRIGUES, Ana Análise do perfil de usuários de Investigar como a população tem
Luísa Andrade., antimicrobianos em uma drogaria do essa concepção do uso de
(2020). Município de Bonito-PE. antibióticos por meio de
questionário.
SHARMA et al., Self-medication practices with antibiotics Avaliar a prevalência e as práticas
(2020). among nursing students: A cross- de automedicação com antibiótico
sectional descriptive survey at tertiary entre estudantes de graduação em
care teaching hospital in Uttarakhand enfermagem.
Berdnikova; Antibiotic self-medication and knowledge Comparar a prática de uso de
Lykina & about antimicrobial resistance among antibióticos e a conscientização
Bochkaeva., medical and nonmedical students of the sobre a RAM entre estudantes de
(2020). University of Dodoma, Tanzania graduação da maior universidade da
Tanzânia.
SOUZA, Maria Ocorrência de Automedicação na Identificar a automedicação por
Nathalya Costa et população Brasileira como estratégia populares com a finalidade de
al., (2021). preventiva ao SARS-CoV-2 prevenção ao SARS-CoV-2 e
analisar os potenciais agravamentos
deste uso ao organismo humano.
DOS SANTOS Uso de antibióticos e a resistência Realizar análise do perfil de
VASCONCELOS bacteriana: análise do perfil de conhecimento do corpo discente de
et al., (2022). conhecimento de estudantes do ensino uma faculdade privada do município
superior de Belém/PA, a respeito do uso
indiscriminado de antibióticos e a
resistência bacteriana.
MALCHER, Automedicação e uso de antibióticos: Avaliar o conhecimento sobre os
Claudia Marques análise qualitativa em uma comunidade antibióticos e a automedicação em
Santa Rosa et al., virtual. uma comunidade virtual residente
(2022). do Pará.
MÜLLER, Cláudia Conhecimentos dos frequentadores de Fazer um levantamento sobre os
Janaina Torres, et uma praça em Serra-ES sobre o uso dados sócio demográficas dos
al., (2022). irracional de antibióticos e resistência participantes, informações sobre as
bacteriana. infecções bacterianas, uso de
antibióticos e conhecimentos sobre
o uso de antibióticos no município
de Serra – ES.
OLIVEIRA, Automedicação entre pacientes dos Conhecer os hábitos de
Herculano Lins et ambulatórios de especialidades de uma automedicação e fatores que
al., (2022). universidade pública do estado do Rio influenciam essa prática
Grande do Norte
ZEB et al.,( 2022). Self-Medication as an Important Risk Avaliar o uso de antibióticos por
Factor for Antibiotic Resistance: A Multi- automedicação e os fatores que
Institutional Survey among Students levam a essa prática entre
estudantes de diferentes
universidades na região Hazara de
Khyber Pakhtunkhwa (KPK),
Paquistão.
RAMOS, Nayara Análise da automedicação entre os Analisar os fatores que influenciam
Reis et al., (2023). estudantes de medicina de uma faculdade o uso de medicamentos sem
privada do Sul da Bahia prescrição médica pelos
acadêmicos de medicina de uma
faculdade privada do Sul da Bahia
TRINDADE, Paulo Consumo doméstico de antibióticos entre Analisar o consumo doméstico de
Ricardo 2014 e 2020 na cidade de Aracaju-se. antibióticos pela população da
Conceição cidade de Aracaju - SE entre 2014 e
Marques et al., 2020
(2023).
WAHAB et al., Exploring the knowledge, practices & Avaliar o conhecimento, atitude e
(2023). determinants of antibiotic self-medication prática de estudantes de medicina,
among bangladeshi university students in odontologia e medicina veterinária.
the era of COVID-19: A cross-sectional
study
WILLMANN, Sara Automedicação entre universitários da Analisar a prevalência de
Christina et al., área de saúde. automedicação entre acadêmicos
(2023). da área de saúde em uma
instituição de ensino superior.
DUARTE, Ana; Resistência aos Antibióticos e o Avaliar o conhecimento da
SILVA, Gabriela., Conhecimento da População. população de
(2024). uma região do interior centro sobre
a antibioterapia e a resistência aos
antibióticos.
ARRAIS, Paulo Características do uso de antibióticos na Analisar a prevalência do uso de
Sérgio Dourado et pós-pandemia do COVID-19 no Brasil antibióticos no Brasil, e sua
al., (2025). distribuição segundo aspectos
sociodemográficos.
BARBOSA, Perfil de venda de antimicrobianos no Analisar o perfil de dispensação de
Jakeline Ribeiro Brasil de 2014 a 2021: análise dos antimicrobianos no Brasil durante o
et al., (2025). registros do Sistema Nacional de período de 2014 a 2021.
Gerenciamento de
Produtos Controlados
Para a sessão 1, Prática da automedicação na população, foram analisados seis
artigos que evidenciam a automedicação por antibióticos pela população. Os resultados
obtidos estão sintetizados na Tabela 2.
Tabela 2- Identificação da automedicação por antibióticos pela população.
Autor (ano) Quantidade de Automedicação Antibióticos (%)
participantes.
Gama et al. (2020) 492 76,3% (13,0% antibióticos).
Rodrigues et al. (2020) 50 78%
Souza et al. (2021) 509 30,8%
Malcher et al. (2022) 50 66%
Müller et al. (2022) 48 46%
Arrais et al. (2025) 1.319 25,6%
Segundo Gama et al., (2020), a prevalência de automedicação entre 492
ribeirinhos entrevistados foi de 76,3 sendo destes 13.0% de antibacterianos.
Um Estudo realizado com 50 clientes de uma drogaria em Bonito-PE revelou que
78% dos entrevistados já utilizaram antibióticos sem prescrição (RODRIGUES, et al.,
2020).
Outro estudo realizado por Souza et al., (2021), que contou com 509
participantes de diferentes estados brasileiros durante a pandemia de COVID-19,
mostrou que 30,8% da população estudada relataram essa prática.
Segundo Malcher et al., (2022), de 50 participantes da pesquisa realizada em
uma comunidade virtual de residentes do Pará, 66% praticaram a automedicação de
antibióticos.
Müller et al., (2022), em sua pesquisa em uma praça de Serra-ES relataram que
46% dos 48 entrevistados já utilizaram antibióticos sem prescrição médica.
Arrais et al., (2025), analisaram a prevalência e as características do uso de
antibióticos no Brasil no período pós-pandemia de COVID-19, com respondentes de
todas as regiões do país, e relataram que de 1319 respondentes 25,6% recorreram a
automedicação por antibióticos no período pós-pandemia de COVID-19.
Para a segunda seção, Gênero mais prevalente no consumo de antibióticos,
foram analisados quatro artigos que apresentaram dados relacionados ao perfil
sociodemográfico dos consumidores de antibióticos, com destaque para a variável
gênero. De maneira geral, os estudos evidenciam a predominância do uso entre
mulheres, em sua maioria destacando faixas etárias específicas. Esses resultados
encontram-se sistematizados na Tabela 3.
Tabela 3 - Predominância do consumo de antibióticos segundo gênero e faixa etária.
Autor (ano) Consumo do gênero Automedicação Antibióticos (%)
feminino.
Oliveira et al. (2022) 82,08% -
Wahab et al. (2023) 72,2% 22-25 anos.
Arrais et al. (2025) 76,0% 20-39 anos.
Barbosa et al. (2025) 55% 30-44,9 anos.
Em pesquisa realizada por Oliveira et al. (2022), o perfil sociodemográfico dos
participantes revelou predominância de mulheres entre os consumidores de antibióticos,
correspondendo a 82,08%. O estudo destacou ainda a situação conjugal como variável
relevante, indicando que 52,23% dessas mulheres eram casadas.
Segundo Wahab et al. (2023) identificou prevalência do consumo de antibióticos
entre mulheres, correspondendo a 77,2% do total. Sendo a maior concentração na faixa
etária de 22 a 25 anos, a qual representou 63,5% da amostra.
O estudo de Arrais et al., (2025), também identificou predominância feminina
nesse consumo, correspondendo a 76,0% dos casos analisados. Além disso, observou-
se que a maior frequência de utilização ocorreu na faixa etária de 20 a 39 anos.
Por sua vez, Barbosa et al., (2025), realizou uma análise das vendas de
antibióticos, demonstrando que o consumo foi majoritariamente atribuído às mulheres,
aproximadamente 55% do total. Sendo maior concentração na faixa etária de 30 a 44,9
anos.
Para a Seção 3, Conhecimento sobre resistência bacteriana, foram selecionados,
entre os artigos analisados, dados referentes ao conhecimento da população sobre a
resistência bacteriana. A Tabela 4 apresenta, em ordem de publicação, o percentual de
participantes que declararam conhecer o tema e aqueles que afirmaram não possuir
esse conhecimento.
Tabela 4 – Conhecimento da população sobre resistência bacteriana
Autor (ano) Conhece Não conhece / Não sabe População
(%) (%)
Souza et al. (2021) 72,9 27,1 509 participantes.
Müller et al. (2022) 71 29 48 participantes.
Dos Santos Vasconcelos 78 22 207 estudantes
(2022) universitários.
Zeb et al. (2022) 62,5 37,5 População não
especificada.
Ramos et al. (2023) 62,8 37,2 População não
especificada.
Duarte e Silva (2024) 41,9 58,1 401 participantes.
Conhece (%) = percentual que demonstrou conhecimento ou reconheceu os riscos. Não conhece / Não
sabe (%) = percentual que declarou não saber ou apresentou dúvida
O estudo de Souza et al., (2021), realizado com 509 participantes distribuídos por
diferentes estados brasileiros durante a pandemia de COVID-19, identificou que 72,9%
dos entrevistados afirmaram ter conhecimento sobre os efeitos nocivos da
automedicação, enquanto o restante 27,1% declarou não possuir esse entendimento.
O trabalho de Müller et al., (2022), envolvendo 48 participantes da cidade de
Serra-ES, apontou que 71% dos entrevistados souberam definir corretamente
resistência bacteriana.
A pesquisa de Dos Santos Vasconcelos et al., (2022), que analisou o
conhecimento de 207 estudantes universitários de Belém/PA sobre o uso de antibióticos
e a resistência bacteriana, revelou que 78% dos respondentes afirmaram estar cientes
da relação entre o uso inadequado de antibióticos e o avanço da resistência, incluindo o
entendimento do termo “superbactérias”.
No estudo de Ramos et al. (2023), os autores observaram que 62,8% dos
participantes declararam reconhecer os riscos da automedicação. Ademais, a
investigação de Zeb et al. (2022) mostrou que 62,5% dos entrevistados relataram ter
conhecimento sobre o conceito de resistência bacteriana, enquanto a parcela restante
indicou não possuir ou não soube expressar esse entendimento.
Na pesquisa de Duarte e Silva (2024), conduzida com 401 participantes,
verificou-se que 41,9% afirmaram saber o que significa resistência bacteriana, ao passo
que 58,1% relataram não saber ou apresentaram dúvida em relação ao conceito.
Na quarta seção, Principais antibióticos utilizados, foram compilados os dados
dos artigos que identificaram os antimicrobianos mais utilizados pela população. O
Gráfico 1 apresenta, os antibióticos que foram mencionados pelo menos mais de uma
vez pelos autores.
Gráfico 1- Antibióticos mais utilizados pela população.
Antibióticos mais utilizados pela população
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Amoxicilina Azitromicina Cefalexina Ciprofloxacino
Arrais et al. Barbosa et al. Berdinikova et al. Porto et al. Rodrigues et al.
Sharma et al. Souza et al. Trindade et al. Gama et al.
No gráfico, cada cor corresponde a um autor que identificou o uso de determinado antibiótico em seu
estudo. O eixo horizontal apresenta os nomes dos antibióticos mais citados, enquanto o eixo vertical
indica o número de menções. As barras empilhadas mostram a contribuição de cada pesquisa para o total
de citações.
O estudo de Gama et al., (2020), identificou como principais fármacos utilizados a
amoxicilina, a tetraciclina e a sulfadiazina, demonstrando que esses antibióticos
estavam entre os mais presentes nas práticas de automedicação da população
investigada.
Rodrigues et al., (2020), constataram que os medicamentos mais adquiridos em
uma drogaria de Bonito-PE foram a azitromicina, citada por 52% dos participantes, a
amoxicilina, com 20%, e a cefalexina, com 14%.
Ainda em 2020, Porto et al. verificaram que, entre os antibióticos
comercializados, a cefalexina foi a mais frequente, representando 55,6% do total,
seguida da amoxicilina com 22,2%, da ampicilina com 11,1% e da azitromicina
Sharma et al. (2020) relataram que a azitromicina e a amoxicilina se destacaram,
correspondendo a 37,5% e 30,1% do uso, respectivamente.
Berdnikova, Lykina & Bochkaeva (2020), mostraram que a amoxicilina foi o
antibiótico mais utilizado, alcançando expressivos 53,9% do total de consumo avaliado.
Avançando para 2021, Souza et al., identificaram que, durante a pandemia de
COVID-19, os medicamentos mais empregados pela população foram a ivermectina,
presente em 52,8% das respostas, e a azitromicina, com 14,2%.
No levantamento de Trindade et al. (2023), entre os 53 antibióticos dispensados,
seis corresponderam a 61% de todo o consumo. Os destaques foram: amoxicilina
(18%), cefalexina (11%), azitromicina (11%), ácido clavulânico (9%), ciprofloxacino (8%)
e levofloxacino (4%), revelando variedade maior, mas com manutenção dos mesmos
líderes de demanda.
Posteriormente, Arrais et al. (2025) verificaram que os antibióticos mais
consumidos foram a amoxicilina (23,6%), a azitromicina (21,7%) e o ciprofloxacino
(7,9%), com destaque para as classes de penicilinas (34,0%), macrolídeos (23,1%) e
quinolonas (10,8%). Barbosa et al. (2025) também relataram que os antimicrobianos
mais vendidos foram a amoxicilina, responsável por 24,1% do total, seguida da
azitromicina, com 12,2%, além do ciprofloxacino e da cefalexina, que, junto com outros
seis princípios ativos, representaram 76,5% de todas as vendas de antibióticos no
período avaliado.
Para a quinta seção, Condições clínicas associadas à automedicação, foram
compilados os dados dos artigos que investigaram as situações clínicas mais
frequentemente associadas à utilização de antimicrobianos pela população. O Gráfico 2
apresenta os sintomas ou condições relatadas nos estudos, por ordem decrescente de
citações.
Gráfico 2- Condições clínicas associadas à automedicação.
Condições clínicas associadas a automedicação
6
5
4
3
2
1
0
do e ia ite s le s s
a br le al õe pe ai ár
ia
s fri Fe fa gd aç de tin ir n
re ce i m es
e le am In
fla õe
s
i nt su
ip
e ra e cç tro õe
e ta e s cç
Gr m
g
an In
f
Ga f e
rg In
re
Do Ga
Arrais et al. Berdnikova et al. Gama et al. Oliveira et al. Porto et al.
Rodrigues et al. Sharma et al. Wahab et al. Willmann et al.
As cores representam cada autor que identificou a presença de determinada condição clínica em seus
estudos. No eixo horizontal estão listadas as condições associadas à automedicação, enquanto no eixo
vertical aparecem as barras empilhadas que indicam a quantidade de vezes em que cada condição foi
mencionada. Assim, a sobreposição de cores em cada barra mostra quais pesquisadores relataram
aquela condição e evidencia visualmente quais motivos para o uso de antibióticos foram mais recorrentes
entre os trabalhos analisados.
Gama et al. (2020) relataram que os principais motivos que levaram ao uso de
antibióticos incluíram dores em geral, que corresponderam a 58,1% das situações,
sintomas gripais (17,2%) e inflamações (7,2%).
Rodrigues et al. (2020) observaram que os antibióticos foram empregados
majoritariamente para o tratamento de inflamações, representando 72% das situações
relatadas. Além disso, doenças pulmonares responderam por 16% e outras infecções
por 12% do uso.
Porto et al. (2020) registraram que os sintomas mais frequentemente associados
ao uso de antibióticos foram febres (46,8%) e dor de garganta (34,2%). Sharma et al.
(2020) também indicaram que os antibióticos foram utilizados principalmente para dor
de garganta e febre.
Berdnikova, Lykina e Bochkaeva (2020) relataram que distúrbios respiratórios
foram responsáveis por 57,1% do uso de antibióticos, enquanto distúrbios
gastrointestinais, incluindo diarreia e gastrite, responderam por 26,2%.
Oliveira et al. (2022) destacaram que as queixas que motivaram a utilização de
medicamentos incluíam dor em geral (53,73%) e cefaleia (32,83%).
Willmann et al. (2023) apontaram que os principais problemas de saúde que
motivaram o consumo de antibióticos foram gripe ou resfriado (88,0%), dor em geral
(85,4%) e febre (58,0%).
Segundo Wahab et al. (2023), as doenças mais citadas como motivadoras da
utilização de antibióticos foram febre (72,5%), diarreia (41,9%), resfriado comum
(27,8%) e infecções de pele (15,7%).
Arrais et al. (2025) identificaram que as principais razões para o uso de
antibióticos pela população estavam relacionadas principalmente a infecções das vias
aéreas superiores. Entre essas condições, destacam-se dor de garganta, amigdalite,
sinusite e sintomas gripais, que juntas representaram 45,6% dos casos analisados.
Além dessas, o estudo também apontou que infecções de pele foram responsáveis por
12,5% do uso de antibióticos, enquanto as infecções urinárias responderam por 10,6%.
Para a sexta e última seção, Prática da automedicação entre estudantes
universitários, foram reunidos os dados dos artigos que analisaram essa prática nessa
população. O Gráfico 3 apresenta, as porcentagens de estudantes que relataram o
consumo de medicamentos por automedicação em cada estudo.
Gráfico 3 – Prevalência da automedicação por estudantes universitários.
Prevalência de automedicação em estudantes
Wahab et al. (2023) 61.00%
Ramos et al. (2023) 25.10%
Willman et al. (2023) 92.80%
Zeb et al. (2022) 80.40%
Dos Santos Vasconcelos et al. (2022) 71.00%
Berdnikova et al. (2020) 63.70%
Porto et al. (2020) 52.70%
Sharma et al. (2020) 78.70%
0.00% 10.00% 20.00% 30.00% 40.00% 50.00% 60.00% 70.00% 80.00% 90.00% 100.00%
Prevalência da automedicação (%)
Sharma et al. (2020) identificaram prevalência de 78,7% de automedicação com
antibióticos entre estudantes de enfermagem.
PORTO et al. (2020) também relataram que 52,7% dos estudantes de
enfermagem entrevistados já utilizaram antibióticos por conta própria.
Berdnikova, Lykina & Bochkaeva (2020) encontraram que a prevalência da
automedicação com antibióticos entre os estudantes de medicina foi de 191 (63,7%).
Dos Santos Vasconcelos et al. (2022) analisaram o conhecimento de 207
estudantes universitários de Belém/PA sobre o uso de antibióticos e a resistência
bacteriana. Os autores observaram que 71% dos participantes já haviam adquirido
antibióticos sem prescrição médica.
Segundo Zeb et al. (2022), a automedicação com antibióticos foi praticada por
80,4% dos estudantes universitários entrevistados.
Willmann, et al., (2023), em um estudo transversal realizado com 585
acadêmicos da área da saúde de uma universidade em Minas Gerais revelou que
92,8% dos participantes já haviam praticado automedicação, sendo antibióticos uma
das classes mais utilizadas.
Outro estudo, de Ramos et al. (2023) evidenciou que 100% dos estudantes de
medicina avaliados relataram praticar a automedicação, o uso de antibióticos sem
prescrição foi referido por 25,1% dos participantes
Por fim, segundo Wahab et al. (2023), 61% dos estudantes universitários de
Bangladesh relataram automedicação com antibióticos nos últimos seis meses
anteriores ao início do estudo.
6. DISCUSSÃO
Os resultados desta revisão evidenciam um aumento expressivo da prática de
automedicação, com ênfase no uso indiscriminado de antibióticos sem prescrição. Um
estudo realizado por Rodrigues et al., (2020), revelou que 78% dos entrevistados já
utilizaram antibióticos sem prescrição. Com destaque para o período da pandemia de
COVID-19 e o contexto pós-pandêmico. Muitos indivíduos recorreram a esses fármacos
na tentativa de tratar sintomas relacionados à doença, apesar da ausência de
comprovação científica de eficácia contra o vírus. De acordo com Silva et al., (2025),
cerca de 72 % dos pacientes infectados receberam antibióticos de forma desnecessária,
quando apenas 8 % a 10 % apresentavam coinfecção bacteriana que justificaria o uso.
Essa prática contribui para um grave problema de saúde pública, a resistência
bacteriana. O mesmo estudo relata que aproximadamente 50 % dos pacientes que de
fato apresentaram coinfecção bacteriana evoluíram para óbito, evidenciando a
gravidade do quadro e a necessidade de maior conscientização sobre o uso racional de
antibióticos.
Nos estudos analisados foi identificado uma predominância de consumo de
antibióticos pelo gênero feminino. Como no estudo de Oliveira et al., (2022), que revelou
predominância de mulheres entre os consumidores de antibióticos, correspondendo a
82,08%. A maior representação feminina em vários estudos pode também refletir
diferenças de comportamento em relação à saúde, mulheres tendem a procurar
serviços de do que homens (COBO et al., 2021). O que gera maior adesão a inquéritos
e pesquisas de saúde. Desse modo, fatores biológicos e condições clínicas específicas
do sexo feminino explicam parte do excesso de consumo. Infecções do trato urinário
(ITU) mais frequentes entre mulheres por razões anatômicas e funcionais são uma
causa importante de prescrição e automedicação com antibióticos. О estudo de Vinha et
al., (2020), destaca que condições como a incontinência urinária e outras que afetam a
saúde urogenital feminina configuram sofrimentos de gênero e podem aumentar
episódios recorrentes de ITU, o que favorece exposições repetidas a antibióticos. Ortiz
et al., (2025), também ressalta que as infecções do trato urinário figuram entre as
principais causas de prescrição de antibióticos na atenção primária à saúde,
evidenciando sua relevância clínica e o impacto na utilização de [Link]
dados apoiam a argumentação de que a alta frequência de ITU entre mulheres contribui
para a predominância feminina no consumo de antibióticos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023), a resistência
antimicrobiana já é responsável por aproximadamente cinco milhões de óbitos por ano
em todo o planeta, ocupando lugar de destaque entre as dez maiores ameaças globais
à saúde pública. Em 2024, a OMS reforçou o alerta, destacando que as infecções estão
se tornando cada vez mais difíceis de tratar e que esse fenômeno aumenta os riscos de
complicações em procedimentos como cirurgias e tratamentos quimioterápicos. Esses
números alarmantes evidenciam não apenas a dimensão clínica do problema, mas
também seu impacto econômico e social, reforçando o caráter de saúde pública global
dessa questão. As infecções multirresistentes, além de dificultarem o tratamento,
prolongam o tempo de internação hospitalar, aumentam os custos relacionados à
assistência à saúde e estão associadas a taxas mais elevadas de mortalidade,
especialmente em ambientes críticos, como as unidades de terapia intensiva (DE
OLIVEIRA et al., 2025). Tais fatores contribuem para sobrecarregar os sistemas de
saúde, agravando as desigualdades no acesso a terapias eficazes e representando um
obstáculo importante para a segurança do paciente.
A maioria das pesquisas analisadas aponta que grande parte da população
afirma conhecer sobre a resistência bacteriana e os riscos a ela relacionados. Contudo,
a realidade observada revela divergências importantes, ainda que os participantes
tenham relatado possuir esse conhecimento, suas práticas não condizem com o relato.
Como na pesquisa realizada por Müller et al., (2022), em que 71% dos entrevistados
souberam definir resistência bacteriana, porém a prática da automedicação por
antibióticos permaneceu frequente entre os mesmos. O que demonstra uma lacuna no
conhecimento sobre os riscos que esse fenômeno pode causar. Em consonância com
essa pesquisa o estudo Dos Santos Vasconcelos et al., (2022), revela que 78% dos
entrevistados relataram conhecer sobre a resistência bacteriana e “superbactérias”,
porém a maior parte dessa população afirmou adquirir antibióticos sem prescrição. Além
disso, 19% relataram ter interrompido o tratamento antes do tempo prescrito. A
insuficiência de conhecimento, somada ao hábito da automedicação por antibióticos, é
um fator de risco para a expansão da resistência bacteriana (DUARTE E SILVA., 2024).
Na análise dos resultados desse trabalho, observou-se que as condições clínicas
mais frequentemente associadas ao uso de antibióticos foram sintomas gripais e
resfriados. Berdnikova, Lykina e Bochkaeva., (2020), relataram que distúrbios
respiratórios foram responsáveis por 57,1% do uso de antibióticos. Entretanto, a
escolha inicial de antibióticos para essas manifestações não é recomendada, uma vez
que, na maioria dos casos, tratam-se de infecções de origem viral e não bacteriana.
Para o manejo adequado, podem ser indicadas outras classes de fármacos, como
analgésicos, antipiréticos, anti-histamínicos e antitussígenos, conforme descrito por
Bonatto., (2023). Esse achado reforça a relevância da realização do antibiograma,
exame que consiste em realizar culturas microbiológicas, identificar o agente etiológico
e testar a sensibilidade aos antimicrobianos por métodos como disco-difusão, E-test e
determinação da concentração inibitória mínima (GOMES, et al., 2025). O que evidencia
a atuação do biomédico é o domínio de técnicas diagnósticas sensíveis e precisas,
essenciais para a identificação correta dos agentes infecciosos, inclusive em pacientes
assintomáticos. O conhecimento especializado desse profissional garante resultados
confiáveis, possibilitando a escolha terapêutica mais adequada e favorecendo melhores
desfechos clínicos. Além disso, permite a detecção precoce de cepas multirresistentes,
contribuindo de forma direta para o controle e a prevenção da resistência
antimicrobiana. (BARBOZA et al., 2025).
Os antibióticos mais utilizados pela população foram a amoxicilina, azitromicina,
cefalexina e Ciprofloxacino. Com destaque para a amoxicilina e azitromicina. Ainda
Berdnikova, Lykina & Bochkaeva., (2020), mostraram que a amoxicilina foi o antibiótico
mais utilizado, alcançando expressivos 53,9% do total de consumo avaliado. Ademais
Rodrigues et al., (2020), constataram que o medicamento mais adquirido em uma
drogaria de Bonito-PE foi a azitromicina, citada por 52% dos participantes. A amoxicilina
é uma penicilina, cujo seu mecanismo de ação é inibir a síntese da parede celular
bacteriana, levando a morte celular, o que confere eficácia no tratamento de várias
infecções bacterianas. A utilização da amoxicilina pode-se dever ao seu amplo
espectro, que abrange bactérias gram-positivas e gram-negativas, e por ser um
medicamento com alta eficácia e segurança. (PONTELLO ANDRESSA et al., 2025). Já
sobre uso da azitromicina, Silva et al., (2025), relataram que a procura por esse
macrolídeo subiu 683%. Esse fato pode ser explicado pelo período pandêmico em que
sua utilização se baseou na tentativa de inibir a replicação viral. (FREIRES et al., 2022).
Porém o uso exacerbado desses medicamentos pode ocasionar no desenvolvimento de
cepas bacterianas multirresistentes, diminuindo a eficácia terapêutica.
A literatura revisada também mostra a prática da automedicação em evidência
pelos estudantes universitários, com destaque para os da área a saúde. Porto et al.,
(2020), relataram que 52,7% dos estudantes de enfermagem já se automedicaram com
antibióticos. Essa atitude também foi identificada por Sharma et al., (2020), em que
78,7% dos estudantes da mesma área consumiram antibióticos sem prescrição médica.
Berdnikova, Lykina & Bochkaeva., (2020), e Ramos et al., (2023), relataram que dos
alunos de medicina entrevistados respectivamente 63,7% e 100% praticavam a
automedicação. A maioria dos estudantes da área da saúde justifica o uso irracional de
antibióticos por se considerarem aptos a prescrever para si mesmos, baseando-se em
seu conhecimento sobre doenças e medicamentos. (SHARMA ET AL., 2020). Essa
confiança indevida é preocupante, pois não se restringe apenas ao uso individual.
Existe o risco de que os estudantes se sintam capacitados a recomendar antibióticos a
amigos e familiares, sem possuir a formação necessária para tal prática. Esse
comportamento amplia o problema da automedicação e, consequentemente, contribui
para o avanço da resistência bacteriana.
A prática da automedicação pode se justificar pela facilidade na compra de
antimicrobianos sem prescrição, principalmente, em farmácias privadas. (MALCHER et
al., 2022). Um estudo realizado em Serra-ES por Müller et al., (2022), demonstrou que
36% da população entrevistada conseguiu adquirir antibióticos sem prescrição, em
farmácias. Além disso, a prática da automedicação também pode ser influenciada por
fatores como a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e influência de amigos ou
familiares (OLIVEIRA et al., 2022). Esses dados evidenciam que, apesar da legislação
em vigor, a prática inadequada do uso de antimicrobianos persiste, revelando
fragilidades na fiscalização e no controle da comercialização desses medicamentos.
Esse cenário reforça a necessidade de o farmacêutico cumprir integralmente os deveres
estabelecidos no Código de Ética da profissão, conforme a Resolução nº 724, de 29 de
abril de 2022, a qual determina, em seu artigo 15, inciso III, o dever de exercer a
profissão em conformidade com os atos, diretrizes, normas técnicas e legislação
vigentes. O farmacêutico desempenha papel fundamental na promoção do uso racional
de medicamentos, incluindo os antibióticos, atuando como agente direto no combate à
automedicação e à resistência bacteriana por meio da orientação qualificada aos
pacientes durante a dispensação, sendo fonte de promoção de conhecimento para a
população (DA CRUZ BRITTO et al., 2025). Com base nos dados já apresentados
nesta discussão, verifica-se que ainda existem profissionais que não seguem
integralmente as determinações éticas que regem a prática farmacêutica.
Em 26 de outubro de 2010, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)
publicou a RDC nº 44 de 2010, que passou a exigir receita de controle especial para a
dispensação de medicamentos à base de antimicrobianos e a retenção da prescrição
pelas farmácias e drogarias, além de determinar o registro das movimentações de
compra e venda no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados
(SNGPC) em até sete dias (ANVISA, 2010). A RDC nº 20, de 5 de maio de 2021,
substituiu e aperfeiçoou a anterior, estendendo a obrigatoriedade de prescrição médica
a todos os estabelecimentos, públicos e privados, e fixando prazo de 180 dias para a
inclusão dos dados de aquisição e dispensação no SNGPC (ANVISA, 2011). Apesar
dessas medidas, um estudo realizado por Novaretti et al., (2015), relatou que muitos
consumidores continuaram a obter antibióticos em farmácias independentes sem
apresentar receita. Atualmente, vigora a RDC nº 471/2021, que mantém critérios para
prescrição, dispensação, controle, embalagem e rotulagem de antimicrobianos e
reafirma o uso do SNGPC para o registro das movimentações (BRASIL, 2021). Barbosa
et al., (2025), observaram um crescimento contínuo das vendas até 2019, queda em
2020 e novo aumento em 2021, declarando que a suspensão do registro obrigatório no
SNGPC comprometeu o monitoramento nacional, prejudicando as estratégias de
enfrentamento da resistência antimicrobiana e fragilizando a farmacovigilância. Os
dados discutidos neste estudo, que apontam a persistência da automedicação com
antibióticos, demonstram a necessidade urgente de intensificar a fiscalização das
vendas de antimicrobianos e de ampliar ações de educação em saúde, de modo a
promover o uso racional desses medicamentos e conter o avanço da resistência
bacteriana.
Os resultados obtidos neste estudo reforçam a compreensão de que a
automedicação com antibióticos constitui um fenômeno multifatorial, influenciado por
fatores socioculturais e econômicos, e que permanece sendo um importante
determinante da resistência bacteriana, que constitui um problema de saúde pública
global.
Entretanto, este trabalho apresenta limitações inerentes ao desenho de revisão
bibliográfica, como a diversidade metodológica dos estudos incluídos, a falta de dados
nacionais recentes e a dificuldade de estabelecer relações de causalidade. Ainda assim,
os achados obtidos oferecem fundamento relevantes para futuras pesquisas de campo
e para o fortalecimento de ações voltadas ao uso racional de antibióticos.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante dos fatos expostos, torna-se evidente que a automedicação com
antibióticos permanece uma prática recorrente na população, especialmente durante o
período pandêmico, quando a busca por soluções imediatas intensificou esse
comportamento. Os achados confirmam que o uso indiscriminado de antibióticos é um
dos principais fatores responsáveis pelo avanço da resistência bacteriana,
configurando-se como um desafio crescente à saúde pública, com impactos clínicos,
econômicos e sociais. Embora muitos afirmem ter conhecimento sobre os riscos da
resistência bacteriana, a prática ainda contraria essa percepção, evidenciando a
persistência na aquisição de antimicrobianos sem prescrição, em descumprimento à
RDC nº 471/2021. Esse achado reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa
nos estabelecimentos farmacêuticos.
Observou-se também maior consumo de antibióticos entre mulheres,
possivelmente pela maior procura por serviços de saúde e por fatores anatômicos e
fisiológicos que favorecem infecções urinárias. Tal constatação evidencia a importância
de estratégias educativas voltadas a esse público, com foco no uso racional desses
medicamentos. Destacou-se ainda a prática de automedicação entre universitários,
inclusive estudantes da área da saúde, o que é preocupante, visto que sua formação
inclui disciplinas como farmacologia, que abordam justamente o uso racional de
medicamentos e suas consequências.
Assim, as evidências deste estudo reforçam a urgência de políticas públicas mais
eficazes, fiscalização intensificada e ações educativas voltadas tanto à população geral
quanto a grupos específicos, como estudantes e mulheres, com participação ativa de
farmacêuticos e biomédicos. Tais medidas são fundamentais para promover o uso
racional de antimicrobianos e reduzir os impactos da resistência bacteriana sobre a
saúde pública. Por fim, recomenda-se que pesquisas futuras aprofundem a análise por
meio de estudos de campo multicêntricos, avaliando a efetividade de estratégias
educativas na redução da automedicação por antibióticos.
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