BATERIA DE QUESTÕES
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO
QUESTÃO: A Convenção de Montevidéu de 1933 estabelece os quatro elementos
constitutivos essenciais para a existência de um Estado. São eles:
a) População, território, governo e reconhecimento internacional.
b) Território, governo, moeda própria e forças armadas.
c) População permanente, território definido, governo e soberania (capacidade de se
relacionar com outros Estados).
d) Governo democrático, constituição escrita, território definido e participação na ONU.
QUESTÃO: O Parecer Consultivo da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre a
"Reparação de Danos a Serviço das Nações Unidas" (Caso Bernadotte, 1949) é um
marco no Direito Internacional por ter estabelecido que:
a) Apenas os Estados possuem personalidade jurídica internacional plena e originária.
b) As Organizações Internacionais possuem personalidade jurídica, mas esta deve estar
expressamente prevista em seu tratado constitutivo.
c) As Organizações Internacionais possuem personalidade jurídica funcional e implícita,
derivada das funções que lhes são atribuídas para que possam atingir seus objetivos.
d) O indivíduo, como o Conde Bernadotte, pode ser considerado sujeito de direito
internacional e buscar reparação diretamente na CIJ.
QUESTÃO: Sobre a Responsabilidade Internacional do Estado, a violação de uma
obrigação internacional por si só não é suficiente para configurar o ato ilícito. É
necessário também o chamado "elemento subjetivo", que consiste na:
a) Comprovação de que o agente estatal agiu com dolo ou culpa.
b) Existência de um dano material significativo para o Estado vítima.
c) Atribuição ou nexo causal, ou seja, a demonstração de que a conduta pode ser
imputada ao Estado.
d) Ausência de uma causa excludente de ilicitude, como a legítima defesa.
QUESTÃO: A respeito da Responsabilidade Internacional do Estado, para que um ato
ilícito internacional seja configurado, são necessários dois elementos essenciais.
São eles:
a) Dano material e culpa (dolo ou negligência) do agente estatal.
b) Violação de uma norma de jus cogens e a intenção de causar prejuízo a outro Estado.
c) Atribuição (nexo causal entre a conduta e o Estado) e a violação de uma obrigação
internacional.
d) A existência de um tratado violado e a ausência de uma causa excludente de ilicitude.
QUESTÃO: As Organizações Internacionais (OIs) possuem funções e naturezas
distintas, dependendo dos objetivos para os quais foram criadas. Considerando a
OEA, o MERCOSUL e a OMC, assinale a alternativa que descreve corretamente a
principal característica de uma delas.
a) A OEA (Organização dos Estados Americanos) tem como principal objetivo a integração
econômica do continente, buscando criar uma zona de livre comércio entre todos os seus
membros.
b) A OMC (Organização Mundial do Comércio) é a organização global responsável por
regular as regras do comércio entre as nações, possuindo um robusto e vinculante
sistema de solução de controvérsias.
c) O MERCOSUL é o principal fórum político das Américas para a promoção da
democracia e a supervisão dos direitos humanos através de sua Comissão e Corte.
d) A OEA é uma organização especializada que se dedica exclusivamente a resolver
disputas comerciais entre os países do continente americano.
QUESTÃO: O instituto da Proteção Diplomática permite que um Estado proteja seu
nacional que sofreu um ilícito em outro país. Conforme a jurisprudência da CIJ, um
dos requisitos essenciais para o exercício da Proteção Diplomática é:
a) A comprovação de que o indivíduo possui dupla nacionalidade.
b) A existência de um vínculo efetivo de nacionalidade entre o indivíduo e o Estado que
pretende protegê-lo.
c) A solicitação formal do indivíduo à Corte Internacional de Justiça para que seu Estado
o proteja.
d) A demonstração de que o dano sofrido pelo indivíduo foi de natureza exclusivamente
moral.
QUESTÃO: Os institutos do asilo e do refúgio visam proteger indivíduos de
perseguições, mas possuem naturezas jurídicas distintas. A principal diferença entre
eles é que:
a) O asilo é um ato político e discricionário do Estado, enquanto o refúgio é uma obrigação
jurídica estabelecida pela Convenção de 1951, baseada no fundado temor de
perseguição.
b) O refúgio é concedido apenas por crimes políticos, enquanto o asilo é para
perseguições de raça, religião ou nacionalidade.
c) Apenas o asilo garante o princípio do non-refoulement (não devolução).
d) O refúgio só pode ser solicitado em embaixadas, enquanto o asilo é concedido a quem
já está no território do país.
QUESTÃO: No Direito Internacional, o asilo e o refúgio são institutos que visam
proteger indivíduos de perseguições. A principal diferença entre eles é que:
a) O asilo é um direito do indivíduo, enquanto o refúgio é um ato de soberania do Estado.
b) O refúgio é regulado por convenções internacionais que criam obrigações para os
Estados, baseando-se no fundado temor de perseguição, enquanto o asilo é um ato
discricionário e de natureza política.
c) O asilo só pode ser concedido em embaixadas (asilo diplomático), enquanto o refúgio
ocorre quando o indivíduo já está no território do Estado (asilo territorial).
d) O refúgio se aplica apenas a perseguições por motivos de raça e religião, enquanto o
asilo se aplica a perseguições por crimes políticos.
QUESTÃO: A extradição é um mecanismo de cooperação jurídica internacional em
matéria penal. No Brasil, sua análise e concessão são de competência do Supremo
Tribunal Federal (STF). Uma característica fundamental do processo de extradição
no Brasil é:
a) A possibilidade de extraditar brasileiro nato que tenha cometido crime no exterior.
b) A obrigatoriedade de entregar um indivíduo mesmo que ele possa ser condenado à
pena de morte no país requerente.
c) A proibição absoluta de extradição por crimes de natureza política ou de opinião.
d) A desnecessidade de que o fato seja considerado crime tanto no Brasil quanto no país
requerente (princípio da dupla incriminação).
QUESTÃO: A chamada "Carta Internacional dos Direitos Humanos", que forma a base
do Sistema Global de proteção da ONU, é composta por três documentos principais.
São eles:
a) A Carta da ONU, o Estatuto da CIJ e a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados.
b) A Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional sobre Direitos
Civis e Políticos (PIDCP) e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais (PIDESC).
c) O Pacto de San José da Costa Rica, a Convenção contra a Tortura e a Convenção sobre
os Direitos da Criança.
d) A Declaração Americana, a Carta Democrática Interamericana e o Protocolo de San
Salvador.
QUESTÃO: No Sistema Interamericano de Direitos Humanos, um indivíduo que se
sinta vítima de uma violação da Convenção Americana por um Estado deve,
primeiramente, apresentar sua petição à:
a) Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), que julgará o caso diretamente.
b) Organização dos Estados Americanos (OEA), que tomará uma decisão política.
c) Corte Internacional de Justiça (CIJ), pois é o principal órgão judicial da ONU.
d) Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que atua como órgão de
admissibilidade e mediação antes de o caso poder chegar à Corte.
QUESTÃO: O Sistema Interamericano de Direitos Humanos é composto
principalmente pela Comissão Interamericana (CIDH) e pela Corte Interamericana
(Corte IDH). Sobre o funcionamento desse sistema, é correto afirmar que:
a) Um indivíduo pode apresentar uma petição diretamente à Corte Interamericana se seus
direitos previstos no Pacto de San José da Costa Rica forem violados.
b) As decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos têm caráter de
recomendação e não são juridicamente vinculantes para os Estados.
c) A Comissão Interamericana atua como um primeiro filtro, recebendo e analisando as
petições individuais, podendo, inclusive, submeter um caso à Corte IDH se o Estado não
cumprir suas recomendações.
d) Apenas os Estados podem iniciar um processo no Sistema Interamericano, não sendo
permitidas petições individuais.
QUESTÃO: O Tribunal Penal Internacional (TPI), criado pelo Estatuto de Roma, possui
uma característica fundamental que o distingue de outros tribunais internacionais,
como a Corte Internacional de Justiça (CIJ). Qual é essa característica distintiva?
a) Sua jurisdição é focada em julgar indivíduos (pessoas físicas) por crimes internacionais
graves, e não os Estados.
b) Sua competência se limita exclusivamente ao crime de genocídio, sendo o crime mais
grave previsto no Direito Internacional.
c) É o principal órgão judicial da Organização das Nações Unidas (ONU), e suas decisões
são vinculantes para todos os países-membros.
d) Possui uma força policial própria para prender acusados em qualquer lugar do mundo,
garantindo a aplicação de suas sentenças.
QUESTÃO: O Tribunal Penal Internacional (TPI) foi criado pelo Estatuto de Roma e
tem competência para julgar indivíduos por crimes de maior gravidade. Sua jurisdição
é regida pelo princípio da complementaridade, o que significa que:
a) O TPI pode julgar qualquer crime internacional, complementando a jurisdição dos
tribunais nacionais para todos os delitos.
b) O TPI só pode exercer sua jurisdição se o Estado que normalmente seria competente
não tiver a capacidade ou a vontade de investigar e processar o crime adequadamente.
c) A jurisdição do TPI é primária e prevalece sobre a de qualquer tribunal nacional.
d) O TPI complementa a atuação do Conselho de Segurança da ONU, julgando apenas os
casos que lhe são enviados por este órgão.
QUESTÃO: A Doutrina Tobar, também conhecida como doutrina da legitimidade,
estabelece um critério específico para o reconhecimento de governos que ascendem
ao poder por meios não constitucionais. Qual das seguintes alternativas descreve
corretamente o princípio central desta doutrina?
a) Basear o reconhecimento de um governo exclusivamente em seu controle efetivo do
território, independentemente de como chegou ao poder, a fim de respeitar o princípio da
não intervenção.
b) Condicionar o reconhecimento de um novo governo à sua legitimidade democrática e
constitucional, defendendo que governos surgidos de golpes de Estado ou revoluções não
devem ser reconhecidos pela comunidade internacional.
c) Aplicar-se exclusivamente ao reconhecimento de novos Estados, exigindo que eles
possuam uma população permanente e um território definido para serem aceitos.
d) Propor que a decisão sobre o reconhecimento de um governo seja sempre tomada por
uma organização internacional, como a ONU, e nunca por um ato unilateral de um Estado.
QUESTÃO: A diplomacia moderna diferencia o reconhecimento de Estado do
reconhecimento de Governo. Sobre o tema, a Doutrina Estrada, tradicionalmente
seguida pelo Brasil, preconiza que:
a) O reconhecimento de um novo governo deve ser condicionado à sua legitimidade
democrática e ao apoio popular, como forma de promover a democracia.
b) O ato de reconhecer ou não um governo é uma prática intervencionista e, portanto, o
Estado deve se limitar a manter ou retirar suas missões diplomáticas, sem fazer juízo de
valor sobre o governo de fato.
c) Um governo que ascende ao poder por meios não constitucionais (golpe de Estado)
jamais poderá ser reconhecido pela comunidade internacional.
d) O reconhecimento de governo é um ato constitutivo, ou seja, um governo só passa a
existir juridicamente após ser reconhecido por outros Estados.