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Preposições e Conjunções em Português

O documento aborda as preposições e conjunções, destacando sua importância na análise sintática e em provas de concursos do CESPE/CEBRASPE. As preposições são classificadas em essenciais e acidentais, além de relacionais/gramaticais e nocionais, com exemplos práticos. O texto enfatiza a necessidade de compreender o contexto para a correta interpretação e uso dessas classes gramaticais.

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Preposições e Conjunções em Português

O documento aborda as preposições e conjunções, destacando sua importância na análise sintática e em provas de concursos do CESPE/CEBRASPE. As preposições são classificadas em essenciais e acidentais, além de relacionais/gramaticais e nocionais, com exemplos práticos. O texto enfatiza a necessidade de compreender o contexto para a correta interpretação e uso dessas classes gramaticais.

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Português – CESPE/CEBRASPE ______________ Aula 01 – Morfologia – Classes Gramaticais – Parte II

Índice

APRESENTAÇÃO 2
1. PREPOSIÇÕES 4
2. CONJUNÇÕES 12
2.1. Conjunções Coordenativas 13
2.2. Conjunções Subordinativas 17
3. Resumo de véspera de prova 27
4. Questões de concursos anteriores 32
5. Gabarito 74
6. Questões comentadas 75

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Português – CESPE/CEBRASPE ______________ Aula 01 – Morfologia – Classes Gramaticais – Parte II

Apresentação

Olá! Vamos agora tratar CONECTIVOS, duas classes de palavras vitais para a compreensão da
estrutura e das relações sintáticas em uma frase: as preposições e as conjunções. Esses elementos
são recorrentemente cobrados em provas de concursos públicos organizados pelo
CESPE/CEBRASPE, o que reforça a importância de seu entendimento.

Com simplicidade e objetividade, iniciaremos pela análise das preposições, com foco na
distinção entre as preposições relacionais e as nocionais. Essa compreensão é fundamental para o
estudo futuro da análise sintática, nos moldes do CESPE.

Em se tratando das conjunções, o conhecimento será ainda mais simplificado. Grande parte
delas apresenta sentidos fixos e bem conhecidos, facilitando a assimilação. Portanto, dominando o
significado e a aplicação das mais usuais, será possível acertar a maioria das questões que envolvem
essa classe gramatical. Há, é claro, algumas exceções, com conjunções menos comuns ou com
sentidos variáveis, notadamente em função do contexto em que se inserem.
Esta aula é uma base para a compreensão das diferentes orações subordinadas e
coordenadas, conteúdo essencial que será mais adiante abordado no curso, uma vez que as
conjunções frequentemente atuam como elementos de ligação que iniciam tais estruturas.
E desde já vale reiterar um alerta para o estudo deste conteúdo: sempre analise o contexto
para decifrar a função morfológica de uma palavra ou termo. Em geral as palavras da língua não
possuem uma classificação morfológica única e definitiva, pois dependem do contexto e do sentido
que assumem numa frase ou oração. Entender isso é fundamental para fazer a prova de Português
do CESPE!

Então, vamos lá! Conte sempre conosco!

Prof. Fabiano Pereira

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 2

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Caso você ainda tenha alguma dúvida sobre a organização ou funcionamento do curso, fique à
vontade para esclarecê-las por meio das minhas redes sociais:

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1. PREPOSIÇÕES

Preposições são palavras invariáveis que estabelecem relações de sentido entre duas
palavras ou termos de uma oração. Essas relações podem ser de lugar, tempo, modo, causa,
finalidade, entre outras.

Vamos analisar um exemplo:

O livro de Doquinha está sobre a mesa.


Perceba que há duas preposições nessa oração.

A preposição de estabelece uma relação semântica de posse entre o livro e Doquinha.

Já a preposição sobre relaciona o livro com a mesa, indicando uma relação de lugar.

 Classificação

Tradicionalmente as preposições são classificadas em como essenciais e acidentais.

As preposições essenciais são as que atuam genuinamente como preposição: a, ante, até,
após, com, contra, de, desde (dês), em, para, perante, por (per), sem, sob, sobre.

Veja alguns exemplos:

 Doquinha estuda com ânimo.


 Coxinha está em casa.
 O suspeito foi intimado a comparecer perante a delegada para ser inquirido.
 Desde a juventude Doquinha fuma cigarro após cigarro.
 Coxinha chegou até a margem do rio, nadando contra a correnteza.
 O sucesso depende de esforço.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 4

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A palavra “após” pode ser classificada acidentalmente como


advérbio quando tiver o sentido de “depois” ou “atrás”, conforme
nos ensina Domingos Paschoal Cegalla no exemplo:

Terminou a festa à meia noite e as visitas saíram logo após.

As preposições acidentais são as palavras pertencentes a outras classes gramaticais que,


acidentalmente, desempenham a função de preposição em alguns contextos. Exemplos: consoante,
conforme, segundo (sentido de “conforme”, “de acordo com”), como, que, mesmo, durante,
mediante, visto (devido a), afora, malgrado (apesar de), mesmo, senão (a não ser) etc.

Veja algumas delas em orações:

 Fora o incidente, a tarefa se desenvolveu muito bem.


 Doquinha não faz outra coisa, senão enganar Coxinha.
 Visto o mau tempo, Coxinha não saiu de casa.
 Malgrado o mau tempo, Doquinha saiu de casa.

As preposições podem ser ainda relacionais/gramaticais ou nocionais.

As preposições relacionais ou gramaticais são aquelas que são regidas, ou seja, que são
exigidas por determinados verbos e nomes (adjetivos ou substantivos). Elas desempenham uma
função gramatical e introduzem complementos, como objetos diretos, objetos indiretos e
complementos nominais. Em outras palavras, são preposições que aparecem obrigatoriamente
devido à regência de um termo anterior.

Veja alguns exemplos:

 Doquinha desconfia de um amigo. (regência verbal)


 Coxinha tem receio de caminhar com Doquinha. (regência nominal)
 Maria tem medo de cobra. (regência nominal)

As preposições nocionais, por outro lado, não são exigidas obrigatoriamente por um termo
anterior. Elas estabelecem relações de sentido na frase e, por isso, carregam uma noção semântica.
Elas costumam introduzir adjuntos adnominais e adverbiais.

Exemplos:

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 O livro de Doquinha é caro. (relação semântica de posse)


 Coxinha quase morreu de fome. (relação semântica de causa)
 Doquinha trabalha de noite. (relação semântica de tempo)

Agora veja este exemplo:

Doquinha concorda com argumentos de esquerda.

Perceba que o verbo concordar exige a preposição “com” para conectar-se com seu
complemento verbal “argumentos” (objeto indireto). Como é exigida obrigatoriamente pelo verbo,
a preposição “com” tem valor relacional/gramatical.

Por outro lado, a expressão “de esquerda” é uma locução adjetiva, pois corresponde ao
adjetivo esquerdistas (argumentos esquerdistas). A preposição “de”, então, não é exigida por
nenhum termo anterior e estabelece uma relação de sentido ao especificar ou qualificar os
argumentos com os quais Doquinha concorda. Assim, essa preposição é considerada, ali, uma
preposição nocional.

Tendo em conta uma tendência atual de cobrança por bancas renomadas, essa distinção
entre preposições relacionais/gramaticais e nocionais é de extrema importância para a análise
sintática e para a compreensão mais profunda do papel e do significado das preposições na língua
portuguesa. É bom ficarmos atentos!

Nesse sentido, as preposições têm sido cobradas em conformidade com o termo que se liga
ao nome ou ao verbo. Em outras palavras, conforme a função sintática do termo que introduzem.
Guarde a dica:

Preposições relacionais/gramaticais -> complemento nominal e objeto indireto.

Preposições nocionais -> adjunto adnominal e adjunto adverbial

Essas funções sintáticas serão abordadas mais profundamente em aula específica.

 Contrações e combinações das preposições

Algumas preposições essenciais podem ser contraídas ou combinadas com palavras


pertencentes a outras classes gramaticais.

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A combinação é caracterizada quando a preposição, ao associar-se a outra palavra, conserva


todos os seus fonemas. Um exemplo notório ocorre entre a preposição "a" e o artigo masculino "o",
"os", resultando em "ao", "aos".

A contração, por sua vez, ocorre quando a preposição, ao associar-se a outra palavra, sofre
alterações em sua estrutura fonológica. As preposições "de" e "em", por exemplo, formam
contrações com os artigos e com uma variedade de pronomes, dando origem a formas como: "do",
"dos", "da", "das", "num", "numa", "numas", "disto", "disso", "daquilo", "naquele", "naqueles",
"naquela", "naquelas", "pelo", "pelos", "pela", "pelas".

Destaca-se também a contração da preposição "a" com artigos ou pronomes demonstrativos


"a", "as" ou com o "a" inicial dos pronomes "aquele", "aqueles", "aquela", "aquelas", "aquilo". Esse
fenômeno é conhecido como crase (conteúdo que será abordado mais adiante no curso), resultando
em: "à", "às", "àquele", "àqueles", "àquela", "àquelas", "àquilo".

É importante ter em mente que se deve evitar a contração de preposição que inicia orações
preposicionadas com o próprio sujeito, em estruturas como “Está na hora do Presidente falar”. A
separação dos termos é adequada, como em: "Está na hora de o Presidente falar". Perceba que, em
tal situação, a preposição “de” é demandada pelo substantivo “hora” para dar início à oração “de o
Presidente falar”, e o sujeito do verbo “falar” é apenas “o Presidente”, sem a preposição “de”. Por
tal motivo, a contração deve ser evitada.

Vamos detalhar algumas combinações e contrações:

a) A preposição A pode ser combinada com o artigo masculino o(s) e com o advérbio ONDE:
AO, AOS, AONDE;

b) As preposições A, DE, EM e POR (PER) podem ser contraídas com os artigos e, algumas
delas, com pronomes e advérbios:
 A + A(s) (artigo) = À(s);
 A + aquele, aquela ou aquilo = àquele, àquela ou àquilo;
 DE + o(s), a(s) (artigos) = do, da, dos ou das;
 DE + este(s), esta(s) ou isto = deste, desta ou disto;
 DE + aqui = daqui;
 EM + o(s), a(s) (artigos) = no(s), na(s);
 EM um(a) = num, numa;
 EM + esse(s), essa(s) ou isso = nesse(s), nessa(s), nisso;
 EM + aquele(s), aquela(s), aquilo = naquele(s), naquela(s), naquilo;
 POR + o(s), a(s) = pelo(s), pela(s);

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 Relações semânticas estabelecidas por preposições

A semântica das preposições nocionais é ampla e variada, não se atendo a requisitos


gramaticais, mas desempenhando papel vital na adição de nuances, circunstâncias e valores
semânticos à comunicação. Sua interpretação é dependente do contexto, não sendo passível de
previsão ou memorização de todas as possibilidades. O CESPE/CEBRASPE cobra muito aspectos
semânticos em suas provas. Um recurso valioso para a compreensão dessas preposições é observar
o termo que as segue, analisando a função que este desempenha. Seguem abaixo as relações
semânticas mais recorrentes em provas:

 Doquinha escreve a caneta. (indica instrumento utilizado);


 O professor tem um violoncelo de madeira. (expressa material de confecção);
 Coxinha foi ao estádio com Doquinha. (expressa companhia);
 Paulo ficou espantado com a aprovação. (indica causa);
 O cachorro quase morreu de fome. (indica causa);
 Coxinha não fala de política. (refere-se ao assunto);
 Doquinha fala sobre futebol. (refere-se ao assunto);
 Ele foi para um lugar diferente. (indica direção com caráter definitivo);
 Ele vai a um lugar diferente. (indica direção com caráter provisório);
 Doquinha treina musculação para ficar forte. (expressa finalidade);
 Para Sêneca, é parte da cura o desejo de ser curado. (indica conformidade ,opinião,
referência);
 O carro do professor é importado. (expressa posse);
 A costureira machucou-se com a tesoura. (indica instrumento utilizado);
 O investidor vive de dividendos. (indica meio de sustento);
 Doquinha vive com a renda oriunda de benefícios sociais. (indica meio de sustento);
 Coxinha treina com determinação. (indica o modo como a ação é realizada);
 O professor é contra a procrastinação. (expressa oposição);
 O prazo para se vacinar é de 30 dias. (indica tempo);
 Doquinha é de Fabianópolis, famoso município. (expressa origem);
 Com mais um dia, não perderia o prazo de inscrição. (indica tempo);
 Doquinha quer trabalhar até os 100 anos. (indica tempo);

Veja como o CESPE/CEBRASPE já cobrou esse conteúdo:

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(CESPE/CEBRASPE/TJ-ES/Analista Judiciário - Adpatada)

“Em uma linha de estudos, um dos fatores apontados


frequentemente como possível solução para a diminuição da
demanda nos tribunais diz respeito aos mecanismos de resolução
alternativa de conflitos. O relatório Fazendo com que a justiça
conte: medindo e aprimorando o desempenho do Judiciário no
Brasil, produzido pelo Banco Mundial, já apontava em 2004 a maior
difusão do instituto da conciliação como uma possível solução para
a excessiva sobrecarga de processos na justiça estadual. Segundo
o relatório, tal medida poderia ser um importante mecanismo de
diminuição das demandas hoje paralisadas no Poder Judiciário
estadual.

Com relação à pontuação e às categorias semânticas em uso no


fragmento de texto precedente, julgue o item subsecutivo.

No texto, a expressão “solução para” assume significados


ligeiramente diferentes nos segmentos “solução para a diminuição
da demanda nos tribunais” e “solução para a excessiva sobrecarga
de processos”, ambos no primeiro parágrafo, uma vez que apenas
na primeira ocorrência a preposição “para” tem valor efetivo de
finalidade.

Gabarito: Certo (Dica: substitua o “para” por “a fim de” para


verificação da relação de finalidade).

 Locuções prepositivas

As locuções prepositivas são estruturas compostas por duas ou mais palavras que funcionam
como uma única preposição. A expressão "argumentou acerca do caso", por exemplo, possui o
mesmo sentido de "argumentou sobre o caso", evidenciando como a locução prepositiva pode
substituir uma única preposição. Vale destacar que, em sua maioria, as locuções prepositivas
terminam em uma preposição, com exceção de expressões com sentido concessivo ou adversativo,
como "não obstante".

Abaixo, veja alguns exemplos de locuções prepositivas e as respectivas preposições que


podem ser utilizadas de maneira intercambiável, conforme o contexto:

✔ "Embaixo de" é equivalente a "sob" (indicando lugar);


✔ "A fim de" corresponde a "para" (expressando finalidade);
✔ "Dentro de" pode ser substituído por "em" (indicando lugar);
✔ "De encontro a" tem o mesmo sentido de "contra" (mostrando posição);

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✔ "Acerca de" é igual a "sobre" (referindo-se a um assunto);


✔ "Devido a" equivale a "com" (expressando causa);
✔ "Em virtude de" tem o mesmo sentido que "por" (indicando causa);
✔ "A respeito de" pode ser substituído por "sobre" (referindo-se a um assunto);
✔ "Por meio de" é semelhante a "através" (indicando meio);

1- Do ponto de vista estrito da gramática, o uso da preposição


"através" para indicar "meio" (Ex: "Fui aprovado através de muita
dedicação nos estudos") é considerado inadequado. “Através”
indica ideia de atravessamento (Ex: "A areia passa através da
peneira").

2- As locuções prepositivas “de encontro a” e “ao encontro de”


possuem significados antagônicos.

“De encontro a” demonstra ideia contrária, oposição, choque a


alguma coisa:

O carro foi de encontro ao poste. (chocou-se);

As ideias de esquerda vão de encontro às ideias de direita.


(contrárias).

“Ao encontro de” indica concordância, aproximação de algo,


significando ser favorável:

O presidente indicou propostas de governo que vão ao encontro dos


anseios do povo. (no mesmo sentido, favorável);

Aquilo vai realmente ao encontro de nossos ideais. (concordância,


consonância).

 Junto a e junto de

As locuções junto a e junto de estão corretas. Elas são sinônimas de “perto de” ou “ao lado
de”. Vejamos alguns exemplos:

 A casa de Doquinha fica junto ao rio.


 A casa de Doquinha fica junto do rio.
 O prédio novo junto à torre norte.
 O prédio novo fica junto da torre norte.

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Atenção! Não use a em se tratando da expressão “junto com”, pois é uma expressão
redundante. Recomenda-se usar somente a preposição “com”. Vamos analisar as frases abaixo:

 Doquinha foi ao teatro junto com Coxinha. (redundante)


 Doquinha foi ao teatro com Coxinha. (correta)

Mais atenção! As expressões “junto a” e “junto de” não devem ser usadas no lugar de “com”,
“a”, “de”, “em”, “entre” e “perante”. Vejamos alguns exemplos desses mau usos:

 O problema será resolvido junto à diretoria. (errado)


 O problema será resolvido com a diretoria. (certo)

 Doquinha pediu um financiamento junto à instituição bancária. (errado)


 Doquinha pediu um financiamento à instituição bancária. (certo)

 Coxinha interpôs o recurso junto ao TRE-MG. (errado)


 Coxinha interpôs o recurso no TRE-MG. (certo)
 Coxinha interpôs o recurso perante o TRE-MG. (certo)

 Paulo comprou o produto junto ao vendedor. (errado)


 Paulo comprou o produto do vendedor. (certo)

 A iniciativa do governo repercutiu mal junto aos brasileiros. (errado)


 A iniciativa do governo repercutiu mal entre os brasileiros. (certo)

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2. CONJUNÇÕES

As conjunções, assim como as preposições, atuam como conectivos na estrutura linguística.


Elas estabelecem relações entre orações distintas, termos dentro de uma mesma oração e até
mesmo entre parágrafos, criando uma conexão lógica que pode envolver adição, oposição,
reafirmação, ressalva, entre outros.

As conjunções são classificadas em dois tipos principais: coordenativas e subordinativas.

As conjunções coordenativas ligam orações que possuem sentido completo e são


sintaticamente independentes. Veja alguns exemplos:

 Doquinha e Coxinha são personagens divertidos.


 O professor acordou cedo e foi treinar.
 O Atlético jogou bem, mas perdeu o jogo.

Por outro lado, as conjunções subordinativas estabelecem uma ligação entre orações que
são sintaticamente dependentes. Nesse caso, um termo ou oração desempenha uma função
sintática (como sujeito, complemento ou adjunto) em relação a outro termo ou oração. Vejamos
exemplos de orações subordinadas:

 Quando Coxinha chegar, Doquinha ficará contente.


 É preciso que haja mais empenho nos estudos.
 Doquinha, que é professor, tem muitos alunos.

Dessa forma, as conjunções são ferramentas linguísticas utilizadas para estabelecer relações
semânticas entre orações. Essa temática é abordada de maneira mais aprofundada no estudo do
período composto, dentro do conteúdo de Sintaxe. No entanto, para aqueles que apreciam um
resumo simplificado, apresentamos aqui uma breve explicação. Recomendamos, para um estudo
mais direcionado, que essa matéria seja explorada dentro do contexto do "período composto",
proporcionando uma compreensão mais clara e contextualizada.

Assim como as preposições, em se tratando de relações semânticas, as conjunções devem ser


interpretadas conforme o contexto em que se insere. Uma mesma conjunção, que tradicionalmente
estabelece uma certa relação de sentido, pode estabelecer outras ideias entre termos e orações. O

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CESPE, ciente do “decoreba” regularmente imposto no ensino regular, não hesita em cobrar essas
relações de sentido das conjunções.

2.1 Conjunções Coordenativas

As conjunções coordenativas servem para conectar orações que são independentes entre si,
mas que estabelecem uma relação semântica mútua. Essa relação pode ser de adição, oposição,
alternância, explicação ou conclusão. Por exemplo:

Cheguei tarde, mas saí novamente.


No exemplo, temos duas orações independentes:

a) Cheguei tarde.
b) Saí novamente.

A relação estabelecida entre elas é de oposição, expressa pela conjunção coordenativa "mas".
As orações são denominadas independentes porque, mesmo que a conjunção seja removida, cada
uma delas ainda conserva um sentido completo por si só. Portanto, mesmo se eliminássemos a
conjunção "mas" no exemplo, ainda assim restariam duas orações com sentido completo: "Cheguei
tarde. Saí novamente.

 Conjunções Coordenativas Aditivas

As conjunções aditivas têm a função de unir orações ou termos, estabelecendo uma conexão
de adição entre eles. Entre as conjunções aditivas mais comuns encontramos: "e", "nem" (que
significa "e não"), "bem como", e as correlativas "não só... como também", "não só... mas também"
e "não só... mas ainda". Vejamos alguns exemplos:

 Doquinha estudou Eleitoral e Português.


 Hoje não trabalhei nem estudei.
 Não só estudo como também faço as revisões devidas.

Os pares "não só... como também", "não só... mas também" e "não só... mas ainda" são
formas enfáticas de adição, conhecidas como correlações aditivas enfáticas.

Atente-se também para a palavra "senão", que pode ter um sentido aditivo quando usada
após "não só", "não apenas" ou "não somente", sendo equivalente a "mas também". Por exemplo:

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 O Cruzeiro é o time favorito, não só do pai, senão de toda a família.

A palavra "tampouco", embora seja um advérbio, pode substituir uma conjunção aditiva
quando equivale a "nem":

Não fumo, tampouco bebo.

Também tem sido comum em provas a utilização da palavra "ainda" com sentido aditivo:

Sou músico, dou aulas de português e ainda (além disso) cuido de três filhos adolescentes.

Entender o contexto também é fundamental para revelar o sentido das conjunções. Veja a
parte final da oração cristã do “Pai Nosso”, em que a conjunção “mas”, tradicionalmente condutora
da ideia de oposição/adversivade, exerce papel aditivo (pode ser substituída por “e”)!

“(...) não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.”

Vejamos um exemplo de questão do CESPE sobre isso:

(CESPE/CEBRASPE/TRF1/Técnico - Adaptada)

“Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos,


mas alguém que desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates,
admitir a reciprocidade ao exercer sua função iluminadora,
permitindo que os alunos contestem seus argumentos da mesma
forma que contesta os argumentos dos alunos.”

Com relação às propriedades linguísticas do fragmento de texto


acima, julgue o item a seguir.

Na linha 13, o termo oracional “alguém que desperta os espíritos”


define o perfil do indivíduo que se distingue do verdadeiro mestre
e do provedor de conhecimentos e, por isso, está introduzido pela
conjunção “mas”, que expressa oposição.

Gabarito: Errado (O “mas” ali possui valor aditivo – sentido de “e


sim”).

Veremos na abordagem das conjunções adversativas que o contrário também pode ocorrer:
o “e” pode ser adversativo num dado contexto.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 14

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 Conjunções Coordenativas Adversativas

As conjunções adversativas têm o papel de unir orações ou termos, instaurando um sentido


de contraste, oposição, compensação, ressalva, quebra de expectativa ou retificação entre eles. As
conjunções adversativas mais comumente usadas são: "mas", "porém", "contudo", "todavia",
"entretanto", "não obstante", “no entanto”, e "senão" (quando possui o significado de "mas").
Vejamos alguns exemplos:

 Doquinha não é bonito, mas cativa pela simpatia. (relação de compensação)


 Coxinha quer dinheiro, porém não trabalha. (oposição)
 O Atlético parecia invencível, não obstante foi duramente derrotado. (quebra de expectativa)
 O Cruzeiro não tem uma conquista da Taça Libertadores, mas duas. (retificação)
 A culpa não foi do árbitro da partida, senão da torcida presente. (senão = mas sim)

Vale a pena destacar que a conjunção "não obstante" também pode ter valor concessivo
(conjução subordinativa adverbial), equivalendo a "embora", como veremos adiante.

É importante estar atento(a) ao fato de que a conjunção "e" pode assumir um valor
adversativo, como já anunciamos no tópico anterior. As bancas costumam explorar essa
característica. Veja o exemplo:

Doquinha estava querendo estudar, e o cansaço não deixava.

Note que, no exemplo, o "e" estabelece um sentido de adversidade. Uma das formas de
identificar o uso adversativo da conjunção "e" é observar a presença de vírgula antes dela. A regra
de pontuação sugere (sem obrigatoriedade) que se insira uma vírgula antes do "e" quando este
estabelece uma relação adversativa entre as orações ou termos. É uma indicação útil para distinguir
o sentido comum de adição, normalmente associado à conjunção "e", de seu uso menos comum
como articulador de contraste ou oposição.

 Conjunções Coordenativas Alternativas

As conjunções alternativas conectam orações ou palavras em uma estrutura que sinaliza


alternância ou escolha, frequentemente expressando exclusão. Entre elas, encontramos "ou",
"ou...ou", "quer...quer", "ora...ora", "já...já" e "seja...seja". Para ilustrar, temos os seguintes
exemplos:

 Os sequestradores deviam reder-se ou seriam mortos. Nesse exemplo do Cegalla, existe uma
escolha entre opções que se excluem mutuamente.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 15

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 A minha motivação oscila ora pelo salário, ora pela realização profissional. Aqui, há uma
alternância entre fatores de motivação.

 Conseguirei convencê-lo da minha razão, seja por meios amigáveis, seja por estratégias mais
duras. Nesse exemplo, a conjunção alternativa expressa exclusão.

 Açúcar ou bebidas alcoólicas em excesso são prejudiciais à saúde. Nesse exemplo, perceba
que os dois itens são prejudiciais, razão pela qual o verbo está no plural, para se referir a
ambos.

 Ronaldo Luís Nazário de Lima, ou Ronaldo Fenômento, foi um dos maiores centroavantes do
futebol brasileiro. Aqui, "ou" é utilizado para indicar sinonímia, ou seja, que os dois nomes
se referem à mesma pessoa.

 Já chora, já se ri, já se enfurece. Nesse exemplo de Camões, há alternância de manifestações


emotivas.

 Conjunções Coordenativas Conclusivas

As conjunções conclusivas estabelecem uma relação de conclusão ou consequência entre


orações ou palavras. Entre elas, destacam-se: "logo", "portanto", "então", "por isso", "assim", "por
conseguinte", "destarte" e "pois" (quando utilizado depois do verbo, deslocado). Para exemplificar,
observe as sentenças a seguir:

 Doquinha estava confiante, portanto não se apavorou.


 Doquinha e Coxinha vão mudar de cidade, por isso terão de sair do colégio.
 Doquinha estava desinteressado e pouco produtivo no trabalho, não foi, pois,
promovido na empresa.

1- É importante salientar que, se a conjunção estiver deslocada, ou


seja, fora de sua posição habitual na frase, ela deve estar entre
vírgulas:

Doquinha quer passar no concurso; deve, portanto, estudar muito.

2- Quando a conjunção "pois" se encontra no início da oração, isto


é, não deslocada entre vírgulas, ela assume um valor explicativo ou
causal, e não um valor conclusivo.

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 Conjunções Coordenativas Explicativas

As conjunções explicativas têm a função de estabelecer uma relação de justificativa ou


explicação entre orações ou palavras. Alguns exemplos dessas conjunções incluem "que", "porque",
"pois" (quando situado no início da oração) e "porquanto".

A presença de um verbo no modo imperativo anterior a essas conjunções é um forte


indicativo de sua função explicativa. Vejamos alguns exemplos:

 Corram, que já vem chuva.


 Não solte balões, porque podem causar incêndios.
 Não esperem por Doquinha, porquanto ainda está trabalhando.

1- O “pois” na função explicativa dá início a uma oração justificando


a outra:

Fala mais alto, pois não te ouço.

2. O “pois” na função conclusiva fica após o verbo, deslocado entre


vírgulas:

O mercado se aqueceu hoje; a bolsa terá, pois, grande movimento.

2.2 Conjunções Subordinativas

As conjunções subordinativas desempenham um papel fundamental na construção de


relações sintáticas entre orações, especificamente entre orações principais e orações subordinadas
ou dependentes. Uma oração subordinada, conforme sugerido pelo nome, é uma que depende de
outra para obter seu significado completo, sendo essa outra oração conhecida como oração
principal.

A oração subordinada é tipicamente introduzida ou iniciada por uma conjunção


subordinativa. O conhecimento e a compreensão dessas estruturas são essenciais, pois as
conjunções subordinativas formam a base para a compreensão das orações subordinadas. Este
tópico é relevante não só para a compreensão da estrutura das orações, mas também para a
preparação para o conteúdo sobre pontuação.

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Com exceção da conjunção integrante, as outras conjunções subordinativas iniciam orações


que expressam circunstâncias (conjunções subordinativas adverbiais) de causa, comparação,
concessão, condição (ou hipótese), conformidade, consequência, finalidade, proporção e tempo.

 Conjunções Subordinativas Integrantes

As conjunções integrantes são responsáveis pela introdução de orações subordinadas que


complementam ou completam o sentido da oração principal. Elas iniciam o que chamamos de
orações substantivas, ou seja, orações que exercem funções sintáticas comumente desempenhadas
por substantivos. Essas funções podem incluir o papel de sujeito, objeto direto, objeto indireto,
complemento nominal, aposto ou predicativo.

As conjunções integrantes não possuem um valor semântico intrínseco, ou seja, não


acrescentam um sentido específico à oração. Em vez disso, servem principalmente como
ferramentas gramaticais para conectar orações de maneira coesa e lógica. Existem apenas duas
conjunções integrantes: "que" e "se".

Para identificar a função sintática da oração iniciada pela conjunção integrante, basta
substituí-la por isso (se necessário, com adaptações impostas pela regência: disso, nisso).

Vale salientar que o estudo completo sobre período composto e funções sintáticas será
feito mais adiante em nosso curso. Portanto, não se desespere! O objetivo é já lhe proporcionar
uma familiarização com o tema.

Veja alguns exemplos:

 Espero que Doquinha chegue rápido.


 Coxinha quer muito que a aprovação chegue logo!
 Não sei se o professor já começou a aula.
Fazendo a substituição sugerida: Espero isso; Coxinha quer muito isso; Não sei isso.
A função sintática da palavra que substituiu a oração iniciada pela conjunção é típica
de um substantivo.
Nos exemplos acima, isso exerce a função de objeto direto. Assim, as orações recebem
a classificação de oração subordinada substantiva objetiva direta.

 É importante que você participe de nossa equipe.


 É necessário que você se esforce mais.
Fazendo a substituição sugerida: É importante isso; É necessário isso.

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A função sintática da palavra que substituiu a oração iniciada pela conjunção é típica
de um substantivo.
Nos exemplos acima, isso exerce a função de sujeito. Assim, as orações recebem a
classificação de oração subordinada substantiva subjetiva.

 Tenho expectativa de que seremos aprovados.


 Sinto necessidade de que você acredite mais em mim.
Fazendo a substituição sugerida e adaptação necessária: Tenho expectativa disso;
Sinto necessidade disso.
A função sintática da palavra que substituiu a oração iniciada pela conjunção é típica
de um substantivo.
Nos exemplos acima, disso exerce a função de complemento nominal. Assim, as
orações recebem a classificação de oração subordinada substantiva completiva
nominal.

Seguindo esse padrão analítico, tenha em mente que as conjunções integrantes iniciam
orações que exercem sintaticamente funções atribuídas a substantivos. Justamente a função
desempenhada é que dará nome à respectiva oração substantiva.

Veja mais exemplos com a indicação mais objetiva da função sintática:

 Doquinha necessita de que todos o compreendam. (objeto indireto)


 O melhor é que o edital sairá em breve. (predicativo do sujeito)
 Coxinha só desejava uma coisa: que fosse reconhecido por seu desempenho. (aposto)

 Conjunções Subordinativas Adverbiais Causais

As conjunções causais introduzem uma oração subordinada que fornece a razão ou a causa
para o que acontece na oração principal. Algumas dessas conjunções incluem "porque", "que",
"como" (quando usado com o sentido de "porque"), "já que", "uma vez que", "visto que", "na
medida em que" e "porquanto".

Vamos a alguns exemplos:

 Não almocei porque não estava com fome.


 Como não era estudioso, nunca passou em um concurso.

Para compreender a relação entre causa e efeito no texto, pode ser útil pensar assim: "o fato
X provocou a ocorrência de Y". A causa ocorre antes do evento em si.

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Além disso, vale a pena notar que as bancas examinadoras podem solicitar a substituição de
conjunções causais por preposições com sentido de causa, como "por". No entanto, ao fazer isso,
pode ser necessário ajustar a forma verbal, veja:

 Não almocei porque não estava com fome.


 Não almocei por não estar com fome. (preposição com valor causal)

A causa origina um evento. Portanto, mesmo que a causa seja expressa depois da
consequência na ordem da sentença, a oração iniciada pela conjunção causal será sempre a causa.
Este é um ponto importante a se ter em mente, especialmente ao estudar conjunções consecutivas,
que também seguem a lógica de causa e efeito, mas introduzem a oração em que a consequência é
encontrada.

O “se” com sentido de “já que” ou “como” é considerado uma


conjunção causal:

Se não tinha competência para o cargo, não poderia ter aceitado a


proposta. (se = já que, como)

Se seu comportamento foi o motivo do divórcio, você deveria


repensar seus atos. (se = já que, como)

 Conjunções Subordinativas Adverbiais Comparativas

As conjunções comparativas são usadas para introduzir uma oração subordinada que
estabelece uma comparação ou contraste com a oração principal. Alguns exemplos dessas
conjunções incluem "como", "assim como", "tal qual", "tal como", "mais... do que" (ou mais... que),
"menos... do que" (ou menos... que), "tanto quanto".

Vamos observar em alguns exemplos:

 Esse vinho é mais seco do que o que bebemos anteontem.


 Os políticos eleitos fazem menos do que prometem.
 Doquinha estuda tanto quanto seu professor (estuda).

Note que, no terceiro exemplo, o verbo está implícito na segunda parte da sentença. Isso é
bastante comum em estruturas comparativas, em que o verbo da segunda parte muitas vezes é o
mesmo verbo utilizado na primeira parte, sendo assim subentendido e não expresso explicitamente.

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 Conjunções Subordinativas Adverbiais Condicionais

As conjunções condicionais iniciam uma oração subordinada condicional, introduzindo uma


hipótese ou condição para que o evento descrito na oração principal ocorra. Essas conjunções
geralmente estão associadas a verbos em modo subjuntivo, que, por natureza, expressam ideias
hipotéticas, potenciais ou incertas. As conjunções condicionais incluem: "se", "caso", "desde que",
"contanto que", "quando", "salvo se", "a menos que", "a não ser que", "sem que".

Considere os seguintes exemplos para ilustrar o uso dessas conjunções:

 Se eu estudar com afinco, serei aprovado. (Caso eu estude com afinco, serei aprovado.)
 Comprarei o carro, desde que não seja caro.
 A não ser que haja chuva, não me atrasarei.
 Não sairá daqui sem que antes me confesse tudo.
 Decida amar, mesmo quando for difícil. (quando = se)

O “quando” com valor condicional já foi reconhecido em prova


dentro do contexto do período abaixo:

Dessa forma, um governo é representativo quando os seus


funcionários, durante a ocupação do poder, refletem a vontade do
eleitorado e são responsáveis para com este.

Perceba que a substituição do “quando” por “se” mantém a


correção gramatical e o sentido do texto.

 Conjunções Subordinativas Adverbiais Temporais

As conjunções temporais dão início uma oração subordinada que insere uma noção temporal
à ação descrita na oração principal. Tais conjunções podem indicar um momento específico, uma
duração ou uma sequência temporal. As conjunções temporais mais comuns são: "quando",
"enquanto", "desde que", "sempre que", "toda vez que", "assim que", "logo que", "mal" (com
sentido de assim que), “ao mesmo tempo que”, “logo que”.

Para exemplificar, observe:

 Mal acordei e já fui lambido pelo cachorro.


 Ao mesmo tempo que gritavam, jogavam pedras.
 Desde que o mundo existe, sempre houve guerras.
 Vá quando quiser.

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1- Em alguns contextos, o “quando” pode assumir um valor causal.


Expressa uma razão ou justificativa, podendo ser substituído por “já
que”:

“Por que ficar amontoado na cidade, sob a poluição, quando existe


um mundo de terra fértil no campo para se trabalhar?”

2- Em alguns contextos, “desde que” pode estabelecer uma


condição para a oração principal, podendo ser feita a substituição
por “se” ou “caso”:

Desde que estude com método, você será aprovado.

3- A forma correta da locução conjuntiva é “ao mesmo tempo que”.


A construção “ao mesmo tempo em que” é rejeitada pela
gramática.

 Conjunções Subordinativas Adverbiais Conformativas

As conjunções conformativas estabelecem uma relação de conformidade ou acordo entre


duas orações. Elas indicam que uma ação ou evento se desenrola de acordo com outra ação ou
evento. As conjunções conformativas incluem: "como", "conforme", "consoante" e "segundo".

Consideremos os seguintes exemplos:

 As coisas não são como (ou conforme) dizem.


 Já fiz a tarefa, conforme havia planejado.
 Conforme afirmam os estudos, vacina salva vidas.

Note que as conjunções conformativas vinculam a ação ou evento da oração subordinada à


ação ou evento da oração principal, indicando que o primeiro ocorre em conformidade com o
segundo.

No entanto, é importante ressaltar que, quando não introduzem uma oração, essas palavras
não são classificadas como conjunções, mas como preposições acidentais. Por exemplo:

 Conforme estudos, vacina salva vidas.

Para ser uma oração, o enunciado deve obrigatoriamente conter ao menos uma forma verbal.
Ali, no exemplo, “estudos” não é uma oração.

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 Conjunções Subordinativas Adverbiais Finais

As conjunções finais são utilizadas para introduzir uma oração subordinada que indica o
propósito, objetivo ou finalidade de uma ação. As conjunções que expressam esse sentido incluem:
"para que", "a fim de que", "de modo que", "porque" (quando equivale a "para que"), e "que".

Vamos examinar alguns exemplos:

 Fiz-lhe sinal que se calasse.


 Doquinha apertou o ferimento a fim de que parasse de sangrar.
 O professor dá exemplos para que o aluno compreenda a explicação.

A conjunção “porque” pode ter valor final, embora seja pouco usual:

 Estudo muito porque (para que) eu seja aprovado. (forma arcaica)


 É preciso rezar porque (para que) não surja uma nova pandemia.

 “E, se uma pouca vida, estando ausente,


Me deixa Amor, é porque o pensamento
Sinta a perda do bem de estar presente.” (Camões)

 Conjunções Subordinativas Adverbiais Proporcionais

As conjunções proporcionais estabelecem uma relação de proporcionalidade entre as


orações que elas ligam, indicando que uma situação ocorre na mesma proporção que outra. Essas
conjunções são fundamentais para transmitir uma ideia de simultaneidade em que as circunstâncias
de uma oração se relacionam com as da outra de forma diretamente proporcional. Elas incluem: "à
medida que", "à proporção que", "ao passo que", e também os pares correlativos "quanto
mais/menos...mais/menos..."

Vejamos alguns exemplos:

 Quanto mais Doquinha faz dieta, mais fome ele tem!


 Ao passo que estudava, aprendia mais.
 À medida que se vive, mais se aprende.

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A forma da locução conjuntiva correta para a ideia de proporção é


“à medida que” (à proporção que).

A forma “na medida em que” expressa um valor causal (já que,


porque, visto que).

Portanto, não as misture, combinado?

Vale salientar que são formas incorretas de locuções as construções


“à medida em que” e “na medida que”. Não servem nem para valor
causal, nem para proporcional.

 Conjunções Subordinativas Adverbiais Consecutivas

As conjunções consecutivas iniciam uma oração subordinada que indica uma consequência
ou resultado proveniente da oração principal. Geralmente, são acompanhadas de palavras ou
expressões que intensificam o sentido, tais como advérbios de modo.

As principais conjunções consecutivas são: de modo que, de sorte que, de forma que, de
maneira que, sem que (que não), que (quando aparece ligada a tal, tão, tanto, tamanho).

Exemplos:

 Implorou tanto que a esposa aceitou o pedido de desculpas.


 Doquinha afirmou com tal veemência que eu acreditei.
 Nosso time foi o melhor, de sorte que foi o campeão. (de modo que, de forma que)
 Coxinha não ia ao estádio, sem que voltasse de lá sem voz.

 Meu quarto é (tão) silencioso que é uma beleza para estudar.


(expressão intensificadora – “tão” - pode vir implícita)

Como já vimos, a causa acontece cronologicamente antes da consequência. Portanto, mesmo


que a oração indicando a causa esteja colocada depois da conjunção na frase, o evento que a
conjunção introduz ocorreu antes. Ou seja, se o evento introduzido pela conjunção ocorre antes,
trata-se de uma causa; se ocorre depois, trata-se de uma consequência.

Além disso, a relação de causa e efeito nem sempre é explicitada por uma conjunção. Muitas
vezes, é necessário interpretar a relação de decorrência e implicação entre as partes, mesmo que
não exista um conector causal ou consecutivo.

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 Conjunções Subordinativas Adverbiais Concessivas

As conjunções concessivas iniciam uma oração subordinada que expressa uma ideia contrária
à da oração principal, mas sem impedir a realização desta. Elas indicam uma concessão, uma
adversidade que, embora inesperada, não evita que a ação principal ocorra.

As principais conjunções concessivas são: “mesmo que”, “ainda que”, “embora”, “apesar de
que”, “conquanto”, “por mais que”, “posto que”, “se bem que”, “não obstante”.

Veja alguns exemplos:

 Doquinha resolveu estudar, embora estivesse desanimado.


 “Ainda que eu falasse a língua dos anjos, eu nada seria.”
 Coxinha teve que aceitar a advertência do chefe, conquanto não tivesse gostado.
 Por mais que fosse bonito, Doquinha não conseguia arranjar uma namorada.

Nas orações iniciadas por conjunções concessivas, o verbo geralmente é conjugado no modo
subjuntivo, como mostram os exemplos: estivesse, falasse, tivesse, fosse.

Cabe destacar que "posto que" tem valor concessivo, equivalente a "embora", e não deve ser
usado com sentido de causa, embora isso ocorra com certa frequência no discurso jurídico. Há quem
diga que esse sentido dado a “posto que” no discurso jurídico se deve ao “Soneto da Felicidade”, de
Vinícius de Moraes. Veja a última estrofe:

“Eu possa me dizer do amor (que tive):


Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

Sim! O CESPE/CEBRASPE já cobrou isso:

(CESPE/CEBRASPE/DPE-DF/Analista - Adaptada)

O porteiro percebe que o homem já está no fim e, para ainda alcançar sua
audição em declínio, ele berra: “Aqui ninguém mais podia ser admitido,
pois esta entrada estava destinada só a você. Agora eu vou embora e
fecho-a”.

Com referência às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do


fragmento de texto precedente, julgue o item a seguir.

Seria mantida a correção gramatical e os sentidos originais do texto caso,


no trecho ‘Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada
estava destinada só a você’, a conjunção 'pois' fosse substituída por posto
que.

Gabarito: Errado.

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Também vale a pena prestar atenção na locução prepositiva "apesar de", que possui valor
concessivo. Às vezes, pode ser solicitada sua substituição por uma conjunção concessiva
equivalente.

A oração concessiva (subordinada) e a oração adversativa


(coordenada) trazem um sentido de oposição ou contraste, mas a
forma como esse contraste é apresentado e o foco da ênfase
variam.

Uma oração concessiva admite um fato contrário à ação expressa


na oração principal, mas essa oposição não impede a realização da
ação, ou seja, há uma concessão. O uso de conjunções concessivas
como "embora", "apesar de" e "mesmo que" enfatiza essa
concessão.

Por outro lado, a oração adversativa, marcada por conjunções como


"mas", "porém", "contudo", "todavia", entre outras, também
estabelece um contraste, mas a ênfase está na ação que ocorre
apesar da oposição.

Veja os exemplos:

Furtou, mas em estado de necessidade. (oração adversativa)

Furtou, embora em estado de necessidade. (oração concessiva)

No primeiro caso, o foco está na justificativa (em estado de


necessidade) situada na oração adversativa. No segundo, o foco
está no fato (ato de furtar), situado na oração principal.

Essa distinção semântica é bastante cobrada em provas do CESPE,


sobretudo em questões que pedem a reescritura de orações com
ou sem mudanças de sentido.

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3. Resumo de véspera de prova

1. Sempre analise o contexto para decifrar a função morfológica de uma palavra ou termo. Em
geral as palavras da língua não possuem uma classificação morfológica única e definitiva, pois
dependem do contexto e do sentido que assumem numa frase ou oração. Entender isso é
fundamental!
2. Preposições são palavras invariáveis que estabelecem relações de sentido entre duas palavras
ou termos de uma oração. Essas relações podem ser de lugar, tempo, modo, causa, finalidade, entre
outras.

3. Tradicionalmente as preposições são classificadas em como essenciais e acidentais. As


preposições essenciais são as que atuam genuinamente como preposição: a, ante, até, após, com,
contra, de, desde (dês), em, para, perante, por (per), sem, sob, sobre.

4. As preposições acidentais são as palavras pertencentes a outras classes gramaticais que,


acidentalmente, desempenham a função de preposição em alguns contextos. Exemplos: consoante,
conforme, segundo (sentido de “conforme”, “de acordo com”), como, que, mesmo, durante,
mediante, visto (devido a), afora, malgrado (apesar de), mesmo, senão (a não ser) etc.

5. As preposições podem ser ainda relacionais ou nocionais. As preposições relacionais são aquelas
que são regidas, ou seja, que são exigidas por determinados verbos e nomes (adjetivos ou
substantivos). Elas desempenham uma função gramatical e introduzem complementos, como

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objetos diretos, objetos indiretos e complementos nominais. Em outras palavras, são preposições
que aparecem obrigatoriamente devido à regência de um termo anterior.

6. As preposições nocionais, por outro lado, não são exigidas obrigatoriamente por um termo
anterior. Elas estabelecem relações de sentido na frase e, por isso, carregam uma noção semântica.
Elas costumam introduzir adjuntos adnominais e adverbiais.

7. Algumas preposições essenciais podem ser contraídas ou combinadas com palavras pertencentes
a outras classes gramaticais. A combinação é caracterizada quando a preposição, ao associar-se a
outra palavra, conserva todos os seus fonemas. Um exemplo notório ocorre entre a preposição "a"
e o artigo masculino "o", "os", resultando em "ao", "aos".

8. A contração, por sua vez, ocorre quando a preposição, ao associar-se a outra palavra, sofre
alterações em sua estrutura fonológica. As preposições "de" e "em", por exemplo, formam
contrações com os artigos e com uma variedade de pronomes, dando origem a formas como: "do",
"dos", "da", "das", "num", "numa", "numas", "disto", "disso", "daquilo", "naquele", "naqueles",
"naquela", "naquelas", "pelo", "pelos", "pela", "pelas".

9. É importante ter em mente que se deve evitar a contração de preposição que inicia orações
preposicionadas com o próprio sujeito, em estruturas como “Está na hora do Presidente falar”. A
separação dos termos é adequada, como em: "Está na hora de o Presidente falar". Perceba que, em
tal situação, a preposição “de” é demandada pelo substantivo “hora” para dar início à oração “de o
Presidente falar”, e o sujeito do verbo “falar” é apenas “o Presidente”, sem a preposição “de”. Por
tal motivo, a contração deve ser evitada.

10. A semântica das preposições nocionais é ampla e variada, não se atendo a requisitos gramaticais,
mas desempenhando papel vital na adição de nuances, circunstâncias e valores semânticos à
comunicação. Sua interpretação é dependente do contexto, não sendo passível de previsão ou
memorização de todas as possibilidades. Um recurso valioso para a compreensão dessas
preposições é observar o termo que as segue, analisando a função que este desempenha.

11. As locuções prepositivas são estruturas compostas por duas ou mais palavras que funcionam
como uma única preposição. A expressão "argumentou acerca do caso", por exemplo, possui o
mesmo sentido de "argumentou sobre o caso", evidenciando como a locução prepositiva pode
substituir uma única preposição.

12. As conjunções, assim como as preposições, atuam como conectivos na estrutura linguística. Elas
estabelecem relações entre orações distintas, termos dentro de uma mesma oração e até mesmo
entre parágrafos, criando uma conexão lógica que pode envolver adição, oposição, reafirmação,
ressalva, entre outros.

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13. As conjunções são classificadas em dois tipos principais: coordenativas e subordinativas. As


conjunções coordenativas ligam orações que possuem sentido completo e são sintaticamente
independentes.

14. Por outro lado, as conjunções subordinativas estabelecem uma ligação entre orações que são
sintaticamente dependentes. Nesse caso, um termo ou oração desempenha uma função sintática
(como sujeito, complemento ou adjunto) em relação a outro termo ou oração.

15. As conjunções coordenativas servem para conectar orações que são independentes entre si,
mas que estabelecem uma relação semântica mútua. Essa relação pode ser de adição, oposição,
alternância, explicação ou conclusão.

16. As conjunções aditivas têm a função de unir orações ou termos, estabelecendo uma conexão de
adição entre eles. Entre as conjunções aditivas mais comuns encontramos: "e", "nem" (que significa
"e não"), "bem como", e as correlativas "não só... como também", "não só... mas também" e "não
só... mas ainda".

17. As conjunções adversativas têm o papel de unir orações ou termos, instaurando um sentido de
contraste, oposição, compensação, ressalva, quebra de expectativa ou retificação entre eles. As
conjunções adversativas mais comumente usadas são: "mas", "porém", "contudo", "todavia",
"entretanto", "não obstante", “no entanto”, e "senão" (quando possui o significado de "mas").

18. As conjunções alternativas conectam orações ou palavras em uma estrutura que sinaliza
alternância ou escolha, frequentemente expressando exclusão. Entre elas, encontramos "ou",
"ou...ou", "quer...quer", "ora...ora", "já...já" e "seja...seja".

19. As conjunções conclusivas estabelecem uma relação de conclusão ou consequência entre


orações ou palavras. Entre elas, destacam-se: "logo", "portanto", "então", "por isso", "assim", "por
conseguinte", "destarte" e "pois" (quando utilizado depois do verbo, deslocado).

20. As conjunções explicativas têm a função de estabelecer uma relação de justificativa ou


explicação entre orações ou palavras. Alguns exemplos dessas conjunções incluem "que", "porque",
"pois" (quando situado no início da oração) e "porquanto". A presença de um verbo no modo
imperativo anterior a essas conjunções é um forte indicativo de sua função explicativa.

21. As conjunções subordinativas desempenham um papel fundamental na construção de relações


sintáticas entre orações, especificamente entre orações principais e orações subordinadas ou
dependentes. Uma oração subordinada, conforme sugerido pelo nome, é uma que depende de
outra para obter seu significado completo, sendo essa outra oração conhecida como oração
principal.

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22. Com exceção da conjunção integrante, as outras conjunções subordinativas iniciam orações que
expressam circunstâncias (conjunções subordinativas adverbiais) de causa, comparação,
concessão, condição (ou hipótese), conformidade, consequência, finalidade, proporção e tempo.

23. As conjunções integrantes são responsáveis pela introdução de orações subordinadas que
complementam ou completam o sentido da oração principal. Elas iniciam o que chamamos de
orações substantivas, ou seja, orações que exercem funções sintáticas comumente desempenhadas
por substantivos. Essas funções podem incluir o papel de sujeito, objeto direto, objeto indireto,
complemento nominal, aposto ou predicativo. Existem apenas duas conjunções integrantes: "que"
e "se".

24. As conjunções causais introduzem uma oração subordinada que fornece a razão ou a causa para
o que acontece na oração principal. Algumas dessas conjunções incluem "porque", "que", "como"
(quando usado com o sentido de "porque"), "já que", "uma vez que", "visto que", "na medida em
que" e "porquanto".

25. As conjunções comparativas são usadas para introduzir uma oração subordinada que estabelece
uma comparação ou contraste com a oração principal. Alguns exemplos dessas conjunções incluem
"como", "assim como", "tal qual", "tal como", "mais... do que" (ou mais... que), "menos... do que"
(ou menos... que), "tanto quanto".

26. As conjunções condicionais iniciam uma oração subordinada condicional, introduzindo uma
hipótese ou condição para que o evento descrito na oração principal ocorra. Essas conjunções
geralmente estão associadas a verbos em modo subjuntivo, que, por natureza, expressam ideias
hipotéticas, potenciais ou incertas. As conjunções condicionais incluem: "se", "caso", "desde que",
"contanto que", "quando", "salvo se", "a menos que", "a não ser que", "sem que".

27. As conjunções temporais dão início uma oração subordinada que insere uma noção temporal à
ação descrita na oração principal. Tais conjunções podem indicar um momento específico, uma
duração ou uma sequência temporal. As conjunções temporais mais comuns são: "quando",
"enquanto", "desde que", "sempre que", "toda vez que", "assim que", "logo que", "mal" (com
sentido de assim que), “ao mesmo tempo que”, “logo que”.

28. As conjunções conformativas estabelecem uma relação de conformidade ou acordo entre duas
orações. Elas indicam que uma ação ou evento se desenrola de acordo com outra ação ou evento.
As conjunções conformativas incluem: "como", "conforme", "consoante" e "segundo".

29. As conjunções finais são utilizadas para introduzir uma oração subordinada que indica o
propósito, objetivo ou finalidade de uma ação. As conjunções que expressam esse sentido incluem:
"para que", "a fim de que", "de modo que", "porque" (quando equivale a "para que"), e "que".

30. As conjunções proporcionais estabelecem uma relação de proporcionalidade entre as orações


que elas ligam, indicando que uma situação ocorre na mesma proporção que outra. Essas conjunções

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são fundamentais para transmitir uma ideia de simultaneidade em que as circunstâncias de uma
oração se relacionam com as da outra de forma diretamente proporcional. Elas incluem: "à medida
que", "à proporção que", "ao passo que", e também os pares correlativos "quanto
mais/menos...mais/menos..."

31. As conjunções consecutivas iniciam uma oração subordinada que indica uma consequência ou
resultado proveniente da oração principal. Geralmente, são acompanhadas de palavras ou
expressões que intensificam o sentido, tais como advérbios de modo. As principais conjunções
consecutivas são: de modo que, de sorte que, de forma que, de maneira que, sem que (que não),
que (quando aparece ligada a tal, tão, tanto, tamanho).

32. As conjunções concessivas iniciam uma oração subordinada que expressa uma ideia contrária à
da oração principal, mas sem impedir a realização desta. Elas indicam uma concessão, uma
adversidade que, embora inesperada, não evita que a ação principal ocorra. As principais conjunções
concessivas são: “mesmo que”, “ainda que”, “embora”, “apesar de que”, “conquanto”, “por mais
que”, “posto que”, “se bem que”, “não obstante”.

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4. Questões de concursos anteriores

1. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: FUB | Provas: Técnico de Tecnologia da Informação

Texto CB2A1-I

Ser mais humano em meio a um mundo cada vez mais digital — esse é o grande desafio das organizações
para o ano de 2022 no Brasil e em todo o mundo. O equilíbrio entre home office e escritório, em um modelo
híbrido de trabalho, deve ser a tendência para os próximos anos. E, no contexto da vida pós-pandemia, há
desafios que os departamentos de recursos humanos (RH) vão enfrentar para manter uma relação saudável
e positiva entre empresas e colaboradores e garantir, ainda, a produtividade do negócio. E no meio de tudo
isso, a tecnologia mais uma vez surge como a viabilizadora de bons resultados.

O primeiro desafio do RH é demonstrar segurança em um mundo de incertezas. É fundamental que toda a


comunicação da companhia com seus colaboradores seja feita de maneira clara, precisa e sem hesitação,
para evitar dúvidas e ansiedades, transmitindo-se segurança às equipes de trabalho. Nesse sentido, uma
plataforma digital workplace, a famosa intranet, é uma ferramenta indispensável para sustentar uma
comunicação de fato eficiente.

Não há mais espaço para um modelo de trabalho independente e não colaborativo nas organizações, depois
de quase dois anos de mudanças profundas nas relações de trabalho. Se o RH não dá as respostas certas no
tempo certo, os gestores tendem a agir sozinhos em busca de soluções para seus desafios de atração e
retenção de talentos. O resultado é uma desvalorização da área de recursos humanos, que é um dos pilares
para a produtividade e sustentabilidade de qualquer empresa.

O suporte da tecnologia ganha um papel cada vez mais estratégico para apoiar a tomada de decisão, que
precisa ser cada vez mais humanizada. Não se trata de usar a tecnologia para automatizar e otimizar
processos em uma estrutura “robotizada”, mas de ampliar o uso de ferramentas que humanizem as relações
a partir de dados mais ricos e informações mais completas e valiosas, para buscar o melhor tanto para os
colaboradores quanto para a própria empresa.

Em 2022, o foco deve ser encontrar soluções que possam resolver os desafios da gestão de capital humano
das organizações. Mesmo com toda a tecnologia existente, a ideia não é substituir pessoas, mas conferir-
lhes poder para que suas tomadas de decisões sejam ainda melhores. É a tecnologia viabilizando relações
mais humanas, precisas, por meio de dados reais, confiáveis. Esse é o caminho para o futuro. Robson
Campos.

Internet: <[Link]> (com adaptações).

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Em relação a aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue o seguinte item.

No segundo período do quarto parágrafo, o trecho introduzido pela conjunção “mas” tem sentido aditivo, o
que se confirma pelo emprego do advérbio de negação no início do período

2. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de Boa Vista - RR | Prova: Guarda Municipal

Texto CG1A1-II

A violência urbana é, ao mesmo tempo, um fenômeno social e um problema de ordem estrutural que podem
ser observados em cidades de todo o mundo, sejam elas metrópoles globais, cidades médias ou cidades
pequenas.

Por essa razão, muitas das causas da violência urbana estão enraizadas no processo histórico de formação
de um país. Também figura como causa a maneira como a urbanização e, consequentemente, a segregação
do espaço urbano contribuiu para o aprofundamento das desigualdades socioeconômicas e para a exclusão
de uma parcela da população, exclusão essa que é refletida no modo de organização do tecido urbano.

A principal causa da violência urbana é a desigualdade socioeconômica que caracteriza diversas sociedades,
inclusive a brasileira, e se expressa principalmente por meio da má distribuição de renda entre a população,
que acarreta outros problemas mais graves, como a fome, a miséria e a falta de acesso a serviços e direitos
básicos do cidadão que assegurariam a ele uma vida digna, com moradia, saneamento, saúde e educação.

Tais desigualdades foram ainda reforçadas com o processo de urbanização, em especial nos países
subdesenvolvidos e nos países emergentes, nos quais o crescimento das cidades aconteceu em um período
mais recente, a partir de meados do século XX, e se deu de forma rápida e sem planejamento, causando a
chamada macrocefalia urbana.

Internet: <[Link] (com adaptações).

A correção gramatical e o sentido do texto CG1A1-II seriam mantidos caso a expressão “Por essa razão”, no
início do segundo parágrafo, fosse substituída por

a) Porisso.

b) Diante isso.

c) Devido a isso.

d) Apesar disso.

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3. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TJ-CE | Provas: Técnico Judiciário

Texto CGIAI-I

Nem mais como tema literário serve ainda esse assunto de seca. Já cansou quem escreve, cansou quem lê e
cansou principalmente quem o sofre. Parece mesmo que cansou o próprio Deus Nosso Senhor, pois que
afinal, repetindo um gesto sucedido há exatamente um século (o último diz a tradição que foi em 1851),
contra todos os cálculos, contra todas as experiências, ultrapassando os otimismos mais alucinados, fez
começar um inverno no Nordeste durante a primeira quinzena de abril.

Eu estava lá. Assisti mais uma vez à mágica transformação do deserto em jardim do paraíso. E vendo o céu
escurecer bonito, depois de tantos meses de desesperança, os compadres diziam que eu lhes levara o
inverno nas malas. O fato é que, durante a viagem de ida, enquanto o "Constellation" da Panair voava por
cima do colchão compacto de nuvens carregadas de água, me dava uma vontade desesperada de rebocá-las
todas, lá para onde tanta falta faziam, levá-las como rebanho de golfinhos prisioneiros e despejá-las em cheio
sobre os serrotes do Quixadá.

Pois choveu. Encheram-se os açudes, as várzeas deram nado, os rios subiram de barreira a barreira.

Mas ninguém espere muito de um inverno assim tardio. Já se agradece de joelhos o pasto aparentemente
garantido, o gado salvo. Mas não se espera que haja milho. Talvez feijão, desse precoce que dá em dois
meses. E o algodão aguenta, provavelmente. Nada mais.

Rachel de Queiroz. Choveu! (com adaptações).

Entende-se do penúltimo parágrafo do texto CG1A1-I que o segundo período expressa, em relação ao
primeiro, uma ideia de

a) consequência.

b) finalidade.

c) causa.

d) conclusão.

e) explicação.

4. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEE-PE | Provas: Professor Braillista

Texto CB1A1-I

Com altos índices de evasão escolar, baixo engajamento e conteúdos pouco conectados à realidade dos
alunos, o ensino médio já era, antes da pandemia de covid-19, a etapa mais desafiadora da educação básica.
Com o fechamento das escolas e o distanciamento dos estudantes do convívio educacional, os últimos anos

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escolares passaram a trazer ainda mais dificuldades a serem enfrentadas — reforçadas pelas desigualdades
raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet.

Nenhuma avaliação diagnóstica precisou os prejuízos totais da pandemia para a aprendizagem dos alunos,
mas há alguns estudos que ajudam a entender melhor o cenário. Uma pesquisa realizada pelo Centro de
Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apontou que houve
piora em todas as séries avaliadas. Segundo a pesquisa amostral, em matemática, o desempenho alcançado
no 3.º ano do ensino médio foi de 255,3 pontos na escala de proficiência, inferior aos 261,7 obtidos pelos
estudantes ao final do 9.º ano do ensino fundamental no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de
2019. Em língua portuguesa, os estudantes do 9.º ano apresentaram uma queda de 12 pontos, e os do 3.º
ano do ensino médio, de 11 pontos.

Após o retorno presencial, estados e municípios ainda têm muito trabalho para identificar os reais prejuízos,
dimensioná-los e encontrar caminhos e soluções para que professores e estudantes possam retomar a
aprendizagem.

Para Suelaine Carneiro, coordenadora de educação na Geledés, organização da sociedade civil que se
posiciona em defesa de mulheres e homens negros, “há um consenso de que não foi possível atender todos
os alunos” na educação pública. “Os dados indicam um baixo número de participação dos estudantes,
somado à impossibilidade de os familiares acompanharem a resolução das tarefas”, afirma. Mas não fica
apenas nisso. “Em termos de aprendizagem, os dados também mostram dificuldades no que diz respeito à
compreensão e à resolução das tarefas.”

De acordo com ela, a situação de alunos negros requer ainda mais atenção. “É preciso prestar atenção nessa
condição: a pessoa já estava vulnerável socialmente, sem a possibilidade de realizar um isolamento dentro
de casa, pois vive em uma casa pequena ou onde não há cômodos suficientes”, contextualiza Suelaine.

Agravada pela pandemia, que engrossou o número de trabalhadores desempregados, a questão econômica
foi um dos grandes fatores que impactou a vida dos estudantes do ensino médio. “Temos alunos que estão
trabalhando no horário de aula, dizendo que precisam ajudar a família, e aos fins de semana assistem às
atividades”, relata a professora Lucenir Ferreira, da Escola Estadual Mário Davi Andreazza, em Boa Vista (RR).
Lucenir conta que muitos alunos chegam a falar que não conseguem aprender nada e desabafam por sentir
que a aprendizagem foi prejudicada, principalmente os que estão em processo de preparação para o
vestibular.

Apesar dos desafios, Suelaine acredita que os impactos não são irreversíveis, como outros especialistas têm
apontado. “Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas, compromisso público com a
educação, de forma a desenvolver diferentes ações”, diz ela.

Internet: <[Link]> (com adaptações).

Em relação aos aspectos gramaticais do texto CB1A1-I, julgue o seguinte item:

No segundo período do quinto parágrafo, a conjunção “pois” introduz uma conclusão.

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5. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-SC | Prova: Promotor de Justiça Substituto

Texto 2A2-I

O justo se desvela no decorrer das lutas de libertação na história. O justo é um saber que se vai constituindo
à medida que nossa consciência da história se aguça. Mas não basta a consciência da história, pois procurar
a justiça é uma atitude ética — é uma escolha. Não podemos cair em uma visão automática da história, na
qual nossa simples posição em dado estrato social nos leva necessariamente a pensar de certa forma, a
valorizar em certa medida. Se aceitássemos essa visão, bastaria ficarmos quietos esperando que a história
se fizesse de acordo com seus mecanismos. Mas o real é outro. A justiça está se fazendo pela organização
popular, pelo aguçamento dos conflitos. E cada um de nós vislumbra o norte da justiça, por via da busca de
uma visão coerente da história, aliada a uma prática e a uma análise rigorosa das circunstâncias
presentemente vividas.

A busca da justiça como virtude não é equidistante, não é neutra, não é equilibrada. Ela nos força, a cada
momento, a tomar partido, a ser parcial, tendo a parcela maior dos seres humanos como fundamento. Ser
justo é viver a virtude de tomar partido em busca do melhor, fundado na visão mais lúcida possível da história
e na análise das circunstâncias maiores e menores que isso envolve. A justiça é uma virtude agente que se
explicita na prática social comprometida.

Roberto Aguiar. O que é justiça: uma abordagem dialética. Brasília: Senado Federal. Conselho Editorial,
2020, p. 319-20 (com adaptações).

Em relação a aspectos linguísticos do texto 2A2-I, julgue o item a seguir.

No segundo período do primeiro parágrafo, a locução conjuntiva “à medida que” denota proporcionalidade
entre duas situações.

6. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Telebras | Provas: Especialista em Gestão de
Telecomunicações – Auditoria

No mundo de hoje, as telecomunicações representam muito mais do que um serviço básico; são um meio
de promover o desenvolvimento, melhorar a sociedade e salvar vidas. Isso será ainda mais verdade no
mundo de amanhã.

A importância das telecomunicações ficou evidente nos dias que se seguiram ao terremoto que devastou o
Haiti, em janeiro de 2010. As tecnologias da comunicação foram utilizadas para coordenar a ajuda, otimizar
os recursos e fornecer informações sobre as vítimas, das quais se precisava desesperadamente. A União
Internacional das Telecomunicações (UIT) e os seus parceiros comerciais forneceram inúmeros terminais
satélites e colaboraram no fornecimento de sistemas de comunicação sem fio, facilitando as operações de
socorro e limpeza.

Saúdo essas iniciativas e, de um modo geral, o trabalho da UIT e de outras entidades que promoveram o
acesso à banda larga em zonas rurais e remotas de todo o mundo.

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Um maior acesso pode significar mais progressos no domínio da realização dos Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio. A Internet impulsiona a atividade econômica, o comércio e até a educação. A
telemedicina está melhorando os cuidados com a saúde, os satélites de observação terrestre são usados
para combater as alterações climáticas e as tecnologias ecológicas contribuem para a existência de cidades
mais limpas.

Ao passo que essas inovações se tornam mais importantes, a necessidade de atenuar o fosso tecnológico é
mais urgente.

Ban Ki-moon (secretário-geral das Nações Unidas). Pronunciamento acerca do Dia Mundial das
Telecomunicações e da Sociedade de Informação. 17 de maio de 2010. Internet: <[Link]> (com
adaptações).

Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.

No trecho “os satélites de observação terrestre são usados para combater as alterações climáticas e as
tecnologias ecológicas contribuem para a existência de cidades mais limpas”, a substituição da conjunção
“e” por uma vírgula manteria a correção gramatical e a coerência do texto.

7. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Telebras | Provas: Especialista em Gestão de
Telecomunicações – Auditoria

“Ao passo que essas inovações se tornam mais importantes, a necessidade de atenuar o fosso tecnológico é
mais urgente.”

No último parágrafo, a expressão “Ao passo que” estabelece uma relação de proporcionalidade entre as
orações que formam o período.

8. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PGE-PE | Provas: Analista Judiciário de Procuradoria

Texto CB2A1-I

Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza, o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando
isso ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam época, pedras miliares no caminho da
humanidade. A invenção das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do pastoreio na
Mesopotâmia, a organização da democracia na Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre
os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no século XIX, tudo isso representa saltos de época,
que desorientaram gerações inteiras.

Se observarmos bem, essas ondas longas da história, como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais
curtas. Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura pela indústria, ocorrida no século XX, e,
em menos de um século, um novo salto de época nos tomou de surpresa, lançando-nos na confusão. Dessa
vez o salto coincidiu com a rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada pelos

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proprietários das fábricas manufatureiras para uma sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos
proprietários dos meios de informação.

O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial
anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico, pela globalização, pelas guerras mundiais,
pelas revoluções proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de comunicação de massa. Agindo
simultaneamente, esses fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a mais irresistível de toda
a história humana — na qual nós, contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar envolvidos
em primeira pessoa.

Ninguém poderia ficar impassível diante de uma mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais
difundida é a desorientação.

A nossa desorientação afeta as esferas econômica, familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de
crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque quem está desorientado sente-se em crise, e
quem se sente em crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de projetar nosso futuro, alguém o
projetará para nós, não em função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para entender o nosso tempo. Trad. Silvana
Cobucci e Federico Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações)

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue o item que se segue:

“Se observarmos bem, essas ondas longas da história, como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais
curtas. Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura pela indústria, ocorrida no século XX, e,
em menos de um século, um novo salto de época nos tomou de surpresa, lançando-nos na confusão.”

O sentido original e a correção gramatical do texto seriam mantidos se a palavra “como” fosse substituída
por conforme.

9. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDUC-AL | Prova: Professor – Português

O estado de São Paulo realiza o chamado “dia D” da vacinação contra a febre amarela em cidades da Grande
São Paulo, do Vale do Paraíba e da Baixada Santista. O governo do estado pretende imunizar 9,2 milhões de
pessoas. Para se vacinar, as pessoas devem apresentar documento de identidade e carteiras do SUS e de
vacinação.

A campanha será feita com a dose fracionada da vacina. Segundo o Ministério da Saúde, a vacina fracionada
tem eficácia de oito anos, e quem já tomou uma dose não precisará se vacinar novamente.

Também serão disponibilizadas doses convencionais para crianças com idade entre nove meses e dois anos,
pessoas que viajarão para países que exigem imunização, grávidas que moram em área de risco,
transplantados e portadores de doenças crônicas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a
dose padrão tem validade para a vida toda.

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São Paulo faz mutirão para vacinação contra a febre amarela. Internet: <[Link]> (com
adaptações).

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir:

Em “Para se vacinar, as pessoas precisam de documento de identidade e carteiras do SUS e de vacinação”, a


preposição “Para” exerce o papel de conectivo e introduz uma oração que expressa finalidade.

10. Ano: 2020 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-CE | Prova: Técnico Ministerial

Em qualquer tempo ou lugar, a vida social é sempre marcada por rituais. Essa afirmação pode ser inesperada
para muitos, porque tendemos a negar tanto a existência quanto a importância dos rituais na nossa vida
cotidiana.

Em geral, consideramos que rituais seriam eventos de sociedades históricas, da vida na corte europeia, por
exemplo, ou, em outro extremo, de sociedades indígenas. Entre nós, a inclinação inicial é diminuir sua
relevância. Muitas vezes comentamos “Ah, foi apenas um ritual”, querendo enfatizar exatamente que o
evento em questão não teve maior significado e conteúdo. Por exemplo, um discurso pode receber esse
comentário se for considerado superficial em relação à expectativa de um importante comunicado. Ritual,
nesse caso, é a dimensão menos importante de um evento, sinal de uma forma vazia, algo pouco sério — e,
portanto, “apenas um ritual”. Agimos como se desconhecêssemos que forma e conteúdo estão sempre
combinados e associamos o ritual apenas à forma, isto é, à convencionalidade, à rigidez, ao tradicionalismo.
Tudo se passa como se nós, modernos, guiados pela livre vontade, estivéssemos liberados desse fenômeno
do passado. Em suma, usamos o termo ritual no dia a dia com uma conotação de fenômeno formal e arcaico.

Mariza Peirano. Rituais ontem e hoje. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003, p. 7-8 (com adaptações)

Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos lingüísticos do texto anterior, julgue o item a seguir:

“Em geral, consideramos que rituais seriam eventos de sociedades históricas, da vida na corte europeia, por
exemplo, ou, em outro extremo, de sociedades indígenas. Entre nós, a inclinação inicial é diminuir sua
relevância. Muitas vezes comentamos ‘Ah, foi apenas um ritual. ’ querendo enfatizar exatamente que o
evento em questão não teve maior significado e conteúdo. Por exemplo, um discurso pode receber esse
comentário se for considerado superficial em relação à expectativa de um importante comunicado. Ritual,
nesse caso, é a dimensão menos importante de um evento, sinal de uma forma vazia, algo pouco sério — e,
portanto, ‘apenas um ritual. ‘“

A substituição do trecho “se for considerado” por quando considerado preservaria a coerência e a correção
gramatical do texto.

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11. Ano: 2020 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-CE | Prova: Técnico Ministerial

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava
ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer
por um momento. E então parecia tão livre.

Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que
fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela
própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que
morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.

Clarice Lispector. Uma galinha. In: Laços de família: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos lingüísticos do texto precedente, julgue o item que se
segue:

No trecho “Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista”, existe uma relação de oposição
entre as orações que compõem o período.

12. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-PI | Provas: Conhecimentos Básicos - Cargos de
Nível Superior

Texto CB1A1-I

Escrita, secreta e submetida, para construir as suas provas, a regras rigorosas, a investigação penal é uma
máquina que pode produzir a verdade na ausência do réu. E, por isso mesmo, esse procedimento tende
necessariamente para a confissão, embora em direito estrito não a exija. Por duas razões: em primeiro lugar,
porque constitui uma prova tão forte que não há necessidade de acrescentar outras, nem de entrar na
difícil e duvidosa combinatória dos indícios; a confissão, desde que seja devidamente feita, quase exime o
acusador de fornecer outras provas (em todo o caso, as mais difíceis); em segundo, a única maneira para que
esse procedimento perca toda a sua autoridade unívoca e para que se torne uma vitória efetivamente obtida
sobre o acusado, a única maneira para que a verdade exerça todo o seu poder, é que o criminoso assuma o
seu próprio crime e assine aquilo que foi sábia e obscuramente construído pela investigação.

No interior do crime reconstituído por escrito, o criminoso confesso desempenha o papel de verdade viva.
Ato do sujeito criminoso, responsável e falante, a confissão é a peça complementar de uma investigação
escrita e secreta. Daí a importância que todo processo de tipo inquisitorial atribui à confissão.

Por um lado, tenta-se fazê-la entrar no cálculo geral das provas, como se fosse apenas mais uma: não é a
evidentia rei; tal como a mais forte das provas, não pode por si só implicar a condenação e tem de ser
acompanhada por indícios anexos e presunções, pois já houve acusados que se declararam culpados de
crimes que não cometeram; se não tiver em sua posse mais do que a confissão regular do culpado, o juiz
deverá então fazer investigações complementares. Mas, por outro lado, a confissão triunfa sobre quaisquer
outras provas. Até certo ponto, transcende-as; elemento no cálculo da verdade, a confissão é também o ato

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pelo qual o réu aceita a acusação e reconhece os seus bons fundamentos; transforma uma investigação feita
sem a sua participação em uma afirmação voluntária.

Michel Foucault. Vigiar e punir – nascimento da prisão. Trad. Pedro Elói Duarte. Ed. 70: 2013 (com
adaptações)

Com relação às ideias e aos sentidos do texto CB1A1-I, julgue o próximo item:

O trecho “que não há (...) indícios” exprime uma noção de consequência.

13. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-PB | Prova: Agente de Documentação

O medo do esquecimento obcecou as sociedades europeias da primeira fase da modernidade. Para dominar
sua inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços do passado, a lembrança dos mortos ou a glória
dos vivos e todos os textos que não deveriam desaparecer. A pedra, a madeira, o tecido, o pergaminho e o
papel forneceram os suportes nos quais podia ser inscrita a memória dos tempos e dos homens.

No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca, na magnitude do livro e na humildade dos objetos mais
simples, a escrita teve como missão conjurar contra a fatalidade da perda. Em um mundo no qual as escritas
podiam ser apagadas, os manuscritos podiam ser perdidos e os livros estavam sempre ameaçados de
destruição, a tarefa não era fácil. Paradoxalmente, seu sucesso poderia criar, talvez, outro perigo: o de uma
incontrolável proliferação textual de um discurso sem ordem nem limites.

O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis e abafa o pensamento sob o acúmulo de discursos, foi
considerado um perigo tão grande quanto seu contrário. Embora fosse temido, o apagamento era
necessário, assim como o esquecimento também o é para a memória. Nem todos os escritos foram
destinados a se tornar arquivos cuja proteção os defenderia da imprevisibilidade da história. Alguns foram
traçados sobre suportes que permitiam escrever, apagar e depois escrever de novo.

Roger Chartier. Inscrever e apagar: cultura escrita e literatura (séculos XI-XVIII). Trad.: Luzmara Curcino
Ferreira. São Paulo: UNESP, 2007, p. 9-10 (com adaptações).

No texto as relações sintático-semânticas do período “Embora fosse temido, o apagamento era necessário,
assim como o esquecimento também o é para a memória” seriam preservadas caso a conjunção “Embora”
fosse substituída por

a) Por conseguinte.

b) Ainda que.

c) Consoante.

d) Desde que.

e) Uma vez que.

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14. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEFAZ-RS | Prova: Auditor Fiscal da Receita Estadual

A política tributária não se restringe ao objetivo de abastecer os cofres públicos, mas tem também objetivos
econômicos e sociais. Se fosse aumentada a tributação sobre um produto considerado nocivo para o
consumidor ou para a sociedade, o seu consumo poderia ser desestimulado. Caso a intenção fosse promover
uma melhor distribuição de renda, o Estado poderia reduzir tributos incidentes sobre os produtos mais
consumidos pela população de renda mais baixa e elevar os tributos sobre a renda da classe mais alta.

Por outro lado, se o Estado reduzisse a tributação de determinado setor da economia, os custos desse setor
diminuiriam, o que possibilitaria a queda dos preços de seus produtos e poderia gerar um crescimento das
vendas. Outro efeito viável dessa política seria o aumento do lucro das empresas, favorecendo-se, assim, a
elevação dos seus investimentos — e, consequentemente, da produção — e o surgimento de novas
empresas, o que provavelmente resultaria no crescimento da produção, bem como no acirramento da
concorrência, com possíveis reflexos sobre os preços. Em qualquer um desses cenários, o setor seria
estimulado.

Internet: <[Link] (com adaptações)

No texto, a oração “se o Estado reduzisse a tributação de determinado setor da economia” apresenta, no
período em que se insere, noção de

A) concessão, uma vez que representa uma exceção às regras de tributação do país.

B) explicação, uma vez que esclarece uma ação que diminuiria os custos do referido setor.

C) proporcionalidade, uma vez que os custos do referido setor diminuiriam à medida que se diminuísse a
tributação.

D) tempo, uma vez que a diminuição dos custos do referido setor ocorreria somente após a redução da
tributação sobre ele.

E) condição, uma vez que a diminuição dos custos do referido setor dependeria da redução da tributação
sobre ele.

15. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-SC | Prova: Promotor de Justiça Substituto

Texto 2A1-I

Quando falamos em direito, estamos falando inicialmente de um enorme conjunto de regras obrigatórias, o
chamado direito positivo. Mas o vocábulo direito é usado também para o curso de Direito, a assim chamada
“ciência do Direito”. Numa terceira acepção, a palavra designa os direitos de cada um de nós, chamados de
direitos subjetivos, pois somos os sujeitos, os titulares, desses direitos.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 42

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Ninguém ignora que paira sobre nossas cabeças uma gigantesca teia de normas, que atinge praticamente
todas as nossas atividades. A vida de cada um de nós é regulada de dia e de noite, desde antes do nascimento
e, por incrível que pareça, até depois da morte.

Muitos pensadores têm destacado que o direito atual parece ter invadido tudo: há direito em toda parte,
para todos, para tudo. A contrapartida é que, assim como temos que seguir as normas, os outros também
têm de cumpri-las e, desse modo, respeitar os direitos de cada um de nós, os ditos direitos subjetivos.

Eduardo Muylaert. Direito no cotidiano: guia de sobrevivência na selva das leis. São Paulo: Editora
Contexto, 2020, p.11-12 (com adaptações).

Com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente.

A grafia “Numa” (primeiro parágrafo) é correta e corresponde à contração da preposição em com o artigo
uma.

16. Ano: 2020 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEFAZ-AL | Provas: Auditor de Finanças e Controle de
Arrecadação da Fazenda Estadual

É uma loja grande e escura no centro da cidade, uma quadra distante da estação de trem. Quando visito a
família, entre um churrasco e outro, vou até lá para olhar as gôndolas atulhadas de baldes, bacias, chaves de
fenda, garfos, colheres, facas, afiadores de vários modelos, pedras de amolar, parafusos, porcas, pregos,
anzóis e varas de pescar.

É uma loja grande e escura, eu dizia, no centro da cidade onde nasci, e dentro dela me sinto protegido,
distante da neurose e dos problemas, sonhando com uma das vidas que não tive e me esquecendo da vida
real em que me perco enquanto a atravesso e sou por ela atravessado.

Tem meia dúzia de atendentes, conheço dois ou três pelo nome, e o dono do lugar é sempre simpático
comigo. Sabe que gosto do seu negócio, que, se me mudasse de novo para lá, seria seu freguês. Mas também
sei que me vê como um tipo que há vinte anos vive na capital, que a essa altura é mais metropolitano que
interiorano, um cara talvez meio esquisito, ou apenas ridículo, que se interessa por coisas de que não precisa,
coisas das quais não entende.

Da última vez gastei uma eternidade olhando uma caneca de alumínio. Não a coloquei na cesta de compras.
Para ser sincero, mal consegui tocá-la. De repente minha existência pareceu absurda, e eu teria que trocar
de roupa e de pele antes de usar aquela caneca industrial. Ou pelo menos pintar de outra cor as paredes da
sala. Era trabalho demais, desisti. Agora tenho uma caneca imaginária — que brilha na sombra quando bebo
água.

Fabrício Corsaletti. Escura. In: Perambule. São Paulo: Editora 34, 2018 (com adaptações).

No que concerne às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.

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Português – CESPE/CEBRASPE ______________ Aula 01 – Morfologia – Classes Gramaticais – Parte II

Sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos do texto, a expressão “uma quadra distante da estação
de trem” poderia ser substituída por a uma quadra de distância da estação de trem.

17. Ano: 2020 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEFAZ-DF | Prova: Auditor Fiscal

Grandes companhias globais falam muito em sustentabilidade ambiental e descarbonização de sua


produção, mas o que fazem na prática é insuficiente. A implementação de programas de sustentabilidade
corporativa tem sido lenta, conforme estudo de dois professores do International Institute for Management
Development (IMD), instituto de administração sediado na cidade suíça de Lausanne.

Dos executivos consultados em outra pesquisa realizada pelo IMD, 62% consideram estratégias de
sustentabilidade necessárias para serem competitivos atualmente, e outros 22% dizem que isso será
importante no futuro. Sustentabilidade é vista como uma abordagem de negócios para criar valor a longo
prazo, levando-se em conta como uma companhia opera nos ambientes ecológico, social e econômico.

Em pesquisa com dez setores industriais ao longo de três anos, os dois professores do IMD concluíram que,
ao contrário do otimismo gerado pelo Acordo de Paris para combater a mudança climática e pelos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, as iniciativas nas empresas deixam a desejar. Na
pesquisa, eles constataram que menos de um terço das companhias desenvolveram casos de negócios claros
ou proposições de valor apoiadas em sustentabilidade. Além disso, apenas 10% das empresas estão
conseguindo captar o valor total da sustentabilidade, enquanto muitas companhias restam presas na
“divulgação”. Alguns setores têm melhores resultados na implementação de programas de sustentabilidade,
como o setor de material de construção, em comparação ao de telecomunicações.

Os professores alertam que o tempo está esgotando. Estudos mostram que a poluição de carbono precisa
ser cortada quase pela metade até 2030 para evitar 1,5 grau de aquecimento do planeta. Isso requer revisões
ainda mais drásticas das indústrias globais e dos governos.

Os dois professores destacam que os investidores reconhecem cada vez mais o impacto, para a sociedade,
das empresas nas quais investem. Eles notam que a necessidade de desenvolver modelos de negócios mais
sustentáveis está aumentando tão rapidamente quanto os níveis de dióxido de carbono na atmosfera. E
sugerem um forte senso de foco que chamam de “vetorização”, que inclui programas de sustentabilidade
corporativa mais acelerados.

Os pesquisadores alertam que companhias que trabalham em boas causas sem relação com seus negócios
centrais tendem a ser menos efetivas.

Assis Moreira. Valor econômico, 18/3/2019. Internet: <[Link]> (com adaptações).

Considerando os aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.

No trecho “os investidores reconhecem cada vez mais o impacto, para a sociedade, das empresas nas quais
investem”, a substituição de “nas quais” por aonde prejudicaria a correção gramatical do texto.

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18. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PGE-PE | Provas: Analista Judiciário de Procuradoria

Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza, o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando
isso ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam época, pedras miliares no caminho da
humanidade. A invenção das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do pastoreio na
Mesopotâmia, a organização da democracia na Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre
os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no século XIX, tudo isso representa saltos de época,
que desorientaram gerações inteiras.

Se observarmos bem, essas ondas longas da história, como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais
curtas. Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura pela indústria, ocorrida no século XX, e,
em menos de um século, um novo salto de época nos tomou de surpresa, lançando-nos na confusão. Dessa
vez o salto coincidiu com a rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada pelos
proprietários das fábricas manufatureiras para uma sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos
proprietários dos meios de informação.

O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial
anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico, pela globalização, pelas guerras mundiais,
pelas revoluções proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de comunicação de massa. Agindo
simultaneamente, esses fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a mais irresistível de toda
a história humana — na qual nós, contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar envolvidos
em primeira pessoa.

Ninguém poderia ficar impassível diante de uma mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais
difundida é a desorientação.

A nossa desorientação afeta as esferas econômica, familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de
crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque quem está desorientado sente-se em crise, e
quem se sente em crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de projetar nosso futuro, alguém o
projetará para nós, não em função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para entender o nosso tempo. Trad. Silvana
Cobucci e Federico Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações).

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto, julgue o item que se segue.

Seria mantida a correção gramatical do texto se o trecho “diante de uma mudança” fosse alterado para ante
a uma mudança.

19. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PGE-PE | Prova: Analista Judiciário de Procuradoria

A própria palavra “crise” é bem mais a expressão de um movimento do espírito que de um juízo fundado em
argumentos extraídos da razão ou da experiência. Não há período histórico que não tenha sido julgado, de
uma parte ou de outra, como um período em crise. Ouvi falar de crise em todas as fases da minha vida:

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depois da Primeira Guerra Mundial, durante o fascismo e o nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial, no
pós-guerra, bem como naqueles que foram chamados de anos de chumbo. Sempre duvidei que o conceito
de crise tivesse qualquer utilidade para definir uma sociedade ou uma época.

Que fique claro: não tenho nenhuma intenção de difamar ou condenar o passado para absolver o presente,
nem de deplorar o presente para louvar os bons tempos antigos. Desejo apenas ajudar a que se compreenda
que todo juízo excessivamente resoluto nesse campo corre o risco de parecer leviano. Certamente, existem
épocas mais turbulentas e outras menos. Mas é difícil dizer se a maior turbulência depende de uma crise
moral (de uma diminuição da crença em princípios fundamentais) ou de outras causas, econômicas, sociais,
políticas, culturais ou até mesmo biológicas.

Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais. Trad. Marco Aurélio Nogueira. São Paulo:
Editora UNESP, 2002, p. 160-1 (com adaptações).

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.

No período em que se inserem, os trechos “para absolver o presente” e “para louvar os bons tempos antigos”
exprimem finalidades.

20. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Polícia Federal | Provas: Perito Criminal Federal

Não há dúvida de que a televisão apresenta ao público uma visão distorcida de como a ciência forense é
conduzida e sobre o que ela é capaz, ou não, de realizar. Os atores que interpretam a equipe de investigação,
por exemplo, são uma mistura de policial, detetive e cientista forense — esse perfil profissional não existe
na vida real. Toda profissão, individualmente, já é complexa o bastante e demanda educação, treinamento
e métodos próprios. A especialização dentro dos laboratórios tornou-se uma norma desde o final da década
de 80 do século passado. O cientista forense precisa conhecer os recursos das outras subdisciplinas, mas
ninguém é especialista em todas as áreas da investigação criminal. Além disso, os laboratórios
frequentemente não realizam todos os tipos de análise devido ao custo, à insuficiência de recursos ou à
pouca procura.

As séries da TV retratam incorretamente os cientistas forenses, mostrando-os como se tivessem tempo de


sobra para todos os casos. Os programas mostram diversos detetives, técnicos e cientistas dedicando toda
sua atenção a uma investigação. Na realidade, cada cientista recebe vários casos ao mesmo tempo. A maioria
dos laboratórios acredita que o acúmulo de trabalho é o maior problema que enfrentam, e boa parte dos
pedidos de aumento no orçamento baseia-se na dificuldade de dar conta de tanto serviço.

Os programas de investigação criminal de ficção não reproduzem corretamente o que ocorre na vida real
quando o assunto são as técnicas científicas: um cientista forense da Universidade de Maryland estima que
cerca de 40% do que é mostrado no CSI não existe. Os investigadores verdadeiros não conseguem ser tão
precisos quanto suas contrapartes televisivas. Ao analisar uma amostra desconhecida em um aparelho com
telas brilhantes e luzes piscantes, o investigador de um desses seriados pode conseguir uma resposta do tipo
“batom da marca X, cor 42, lote A-439”. O mesmo personagem talvez interrogue um suspeito e declare
“sabemos que a vítima estava com você, pois identificamos o batom dela no seu colarinho”. No mundo real,

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os resultados quase nunca são tão exatos, e o investigador forense provavelmente não confrontaria
diretamente um suspeito. Esse desencontro entre ficção e realidade pode acarretar consequências bizarras.
Em Knoxville, Tennessee, um policial relatou: “Estou com um homem cujo carro foi roubado. Ele viu uma
fibra vermelha no banco traseiro e quer que eu descubra de onde ela veio, em que loja foi comprada e qual
cartão de crédito foi usado”.

A realidade do CSI. In: Scientific American Brazil. Segmento. Internet: <[Link] (com
adaptações)

Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto, julgue o item que segue.

A preposição “de” empregada logo após “dificuldade” poderia ser corretamente substituída por em.

21. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-AL | Provas: Escrivão de Polícia

O século XIX constituiu-se em marco fundamental para o desenvolvimento das instituições de segurança
pública, com as polícias buscando maior legitimidade e profissionalização. Como referência ocidental, a
Polícia Metropolitana da Inglaterra, fundada em 1829, mudou paradigmas, dando preponderância ao papel
preventivo de suas ações e foco à proteção da comunidade.

O consenso, em detrimento do poder de coerção, e a prevenção, em detrimento da repressão, reforçaram a


proximidade da polícia com a sociedade, com atenção integral ao cidadão. O modelo inglês retirou as polícias
do isolamento, apresentando-as à comunidade como importante parceira da segurança pública e elemento
fundamental para a redução da violência. Com isso, surgiu o conceito de uma organização policial moderna,
estatal e pública, em oposição ao controle e à subordinação política da polícia.

No Brasil, as primeiras iniciativas de implantação da polícia comunitária ocorreram com a Constituição


Federal de 1988 e a necessidade de uma nova concepção para as atividades policiais. Foram adotadas
estratégias de fortalecimento das relações das forças policiais com a comunidade, com destaque para a
conscientização sobre a importância do trabalho policial e sobre o valor da participação do cidadão para a
construção de um sistema que busca a melhoria da qualidade de vida de todos.

Brasil. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).
Diretriz Nacional de Polícia Comunitária. Brasília – DF, 2019. p. 11-12 (com adaptações)

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item que se segue.

Sem prejuízo da correção gramatical do texto e das informações nele veiculadas, o trecho “relações das
forças policiais com a comunidade” (terceiro parágrafo) poderia ser substituído por relações entre as forças
policiais e a comunidade.

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22. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-DF | Prova: Escrivão de Polícia da Carreira de Polícia
Civil do Distrito Federal

Nova Iorque já foi vista como uma das metrópoles mais perigosas do mundo. Em 1990, alcançou seu pico de
homicídios: 2.262 em um ano, média de 188 por mês. Mas esse cenário mudou, e a cidade apresentou uma
das maiores reduções de crimes registradas nos EUA.

Uma das medidas adotadas pela prefeitura de Nova Iorque ficou conhecida como “janelas quebradas” e
previa o combate a crimes pequenos e a prevenção do vandalismo, para impedir uma espiral de violência
que levasse a crimes mais graves.

Para alguns observadores, entretanto, o modelo da “janela quebrada” foi superestimado. O mais importante,
dizem, foi identificar focos de criminalidade para concentrar, ali, ação preventiva. Foi possível assinalar áreas
pequenas onde criminosos mais atuavam, onde se sabia que crimes iam ocorrer.

O ex-policial Tom Reppetto sugere que essas áreas tenham presença visível e constante da polícia. As
patrulhas preventivas — e em grande número — em focos de crime foi essencial para reduzir a violência. “O
crime é mais situacional do que se pensa, inclusive homicídios. Com a patrulha policial, pessoas que iam
cometer crimes simplesmente foram fazer outra coisa”, afirma outro especialista, Frank Zimring.

Outra medida que teve papel importantíssimo foi a implementação de cortes (tribunais), nos anos 90, para
tratar de crimes menores, mediar conflitos comunitários e casos de violência doméstica e para lidar com
usuários de drogas. A ideia é evitar que esses conflitos evoluam e aumentar a confiança dos cidadãos no
sistema judiciário e político.

Internet: <[Link] > (com adaptações)

No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o próximo item.

No trecho “e previa o combate a crimes pequenos e a prevenção do vandalismo”, o “a”, em ambas as


ocorrências, classifica-se como preposição e seu emprego deve-se à presença da palavra “combate”.

23. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de São Cristóvão - SE | Prova: Professor de
Educação Básica – Português

Catar feijão

Catar feijão se limita com escrever:

joga-se os grãos na água do alguidar

e as palavras na folha de papel;

e depois, joga-se fora o que boiar.

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Certo, toda palavra boiará no papel,

água congelada, por chumbo seu verbo:

pois para catar esse feijão, soprar nele,

jogar fora o leve e oco, palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:

o de que entre os grãos pesados entre

um grão qualquer, pedra ou indigesto,

um grão imastigável, de quebrar dente.

Certo não, quando ao catar palavras:

a pedra dá à frase seu grão mais vivo:

obstrui a leitura fluviante, flutual,

açula a atenção, isca-a como o risco.

João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

Considerando as propriedades linguísticas e os sentidos do poema precedente, julgue o próximo item.

No verso “o de que entre os grãos pesados entre”, o vocábulo “entre”, em suas duas ocorrências, classifica-
se como preposição.

24. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: ABIN | Prova: Agente de Inteligência

A atividade de inteligência é o exercício de ações especializadas para a obtenção e análise de dados,


produção de conhecimentos e proteção de conhecimentos para o país. Inteligência e contrainteligência são
os dois ramos dessa atividade. A inteligência compreende ações de obtenção de dados associadas à análise
para a compreensão desses dados. A análise transforma os dados em cenário compreensível para o
entendimento do passado, do presente e para a perspectiva de como tende a se configurar o futuro. Cabe à
inteligência tratar fundamentalmente da produção de conhecimentos com o objetivo específico de auxiliar
o usuário a tomar decisões de maneira mais fundamentada. A contrainteligência tem como atribuições a
produção de conhecimentos e a realização de ações voltadas à proteção de dados, conhecimentos,
infraestruturas críticas — comunicações, transportes, tecnologias de informação — e outros ativos sensíveis
e sigilosos de interesse do Estado e da sociedade. O trabalho desenvolvido pela contrainteligência tem foco

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na defesa contra ameaças como a espionagem, a sabotagem, o vazamento de informações e o terrorismo,


patrocinadas por instituições, grupos ou governos estrangeiros.

Internet: <[Link]> (com adaptações).

Julgue o item seguinte, relativo à ideia e ao aspecto linguístico do texto.

O sentido do texto seria prejudicado, embora sua correção gramatical fosse preservada, caso a preposição
presente na expressão “contra ameaças” fosse substituída pela preposição de.

25. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de São Cristóvão - SE | Prova: Professor de
Educação Básica - Português

Em tempos pré-modernos, os humanos experimentaram uma espantosa variedade de modelos econômicos.


Boiardos russos, marajás indianos, mandarins chineses e caciques de tribos ameríndias tinham ideias muito
diferentes sobre dinheiro, comércio, impostos e emprego. Hoje em dia, em contraste, quase todo mundo
acredita em pequenas variações sobre o mesmo tema capitalista, e somos engrenagens de uma única linha
de produção global. Se os ministros da Fazenda de Israel e do Irã se encontrassem num almoço, eles teriam
uma linguagem econômica comum e poderiam facilmente compartilhar agruras.

Porém a homogeneidade contemporânea é mais evidente quando se trata de nossa maneira de ver o nosso
corpo. Se você ficasse doente mil anos atrás, importaria muito o lugar onde vivesse. Médicos europeus ou
chineses, xamãs siberianos, médicos feiticeiros africanos, curandeiros ameríndios — todo império, reino e
tribo tinha suas próprias tradições e seus especialistas, cada um adotando uma visão diferente do corpo
humano e da natureza da doença, cada um oferecendo seu próprio manancial de rituais, preparados e curas.
A única coisa que unia todas essas práticas médicas era que, em toda parte, no mínimo um terço das crianças
morriam antes de se tornarem adultas, e a expectativa de vida média era bem abaixo de cinquenta anos de
idade. Hoje, se você adoecer, faz muito menos diferença o lugar onde vive. Em Toronto, Tóquio, Teerã ou
Tel Aviv, será levado a hospitais parecidos, onde médicos com aventais brancos seguirão protocolos idênticos
e farão exames idênticos para chegar a diagnósticos muito semelhantes. Ao que tudo indica, todos acreditam
que o corpo é formado por células, que doenças são causadas por patógenos e que antibióticos matam
bactérias.

Yuval Noah Harari. 21 lições para o século 21. Trad. Paulo Geiger. 1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras,
2018, p. 138-41 (com adaptações).

A respeito das propriedades linguísticas do texto 9A2-I, julgue o item subsecutivo.

O vocábulo “num” é formado pela contração da preposição em com o numeral um.

26. Ano: 2017 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TRF - 1ª REGIÃO | Prova: Técnico Judiciário

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O Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1) determinou a imediata paralisação das atividades de
mineração do empreendimento Onça Puma, subsidiária da Vale S.A., até que seja comprovada a implantação
do plano de gestão econômica e ambiental e das demais medidas compensatórias em favor das comunidades
indígenas afetadas.

Os representantes das comunidades Xikrins e Kayapós defenderam a paralisação imediata das atividades de
mineração do empreendimento Onça Puma sob o fundamento de que a exploração de minério em áreas
próximas às terras indígenas localizadas na sub-bacia do rio Catete e do igarapé Carapanã está trazendo
impactos negativos aos índios da região. Sustentaram os índios que a responsabilidade do TRF1 no
julgamento da questão é muito importante.

A Vale S.A. e o estado do Pará, por intermédio de seus representantes, buscaram a rejeição dos argumentos
das comunidades indígenas, a fim de permitir a continuidade das atividades. A defesa da empresa se ateve
a questões processuais, enquanto o procurador do estado do Pará afirmou que a paralisação das atividades
ocasionará prejuízos irreversíveis ao estado, tais como aumento do índice de desemprego e queda na
arrecadação de impostos.

Internet: <[Link]> (com adaptações)

Julgue o item subsequente, a respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto.

O vocábulo “até”, no contexto em que foi empregado, é sinônimo de inclusive.

27. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: AL-CE | Prova: Técnico Legislativo

Texto CG5A1-I

E de repente aquela dor intolerável no olho esquerdo, este lacrimejando, e o mundo se tornando turvo. E
torto: pois fechando um olho, o outro automaticamente se entrefecha. Quatro vezes no decorrer de menos
de um ano um objeto estranho entrou no meu olho esquerdo: duas vezes ciscos, uma vez um grão de areia,
outra um cílio. Das quatro vezes tive que procurar um oftalmologista de plantão. Da última vez, perguntei
ao doutor Murilo Carvalho, cirurgião dos Oculistas Associados, e também um artista em potencial que realiza
sua vocação através de cuidar por assim dizer de nossa visão de mundo:

— Por que sempre o olho esquerdo? É simples coincidência?

Ele respondeu não; que, por mais normal que seja uma vista, um dos olhos vê mais que o outro e por isso é
mais sensível. Chamou-o de “olho diretor”. E, por ser mais sensível, disse ele, prende o corpo estranho, não
o expulsa.

Quer dizer que o melhor olho é aquele que mais sofre. É a um só tempo mais poderoso e mais frágil, atrai
problemas que, longe de serem imaginários, não poderiam ser mais reais que a dor insuportável de um cisco
ferindo e arranhando uma das partes mais delicadas do corpo.

Fiquei pensativa.

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Será que é só com os olhos que isso acontece? Será que a pessoa que mais vê, portanto a mais potente, é a
que mais sente e sofre. E a que mais se estraçalha com dores tão reais quanto um cisco no olho.

Fiquei pensativa.

Clarice Lispector. Todas as crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2018, p. 36 (com adaptações).

No primeiro parágrafo do texto CG5A1-I, seria gramaticalmente correto substituir a forma verbal
“perguntei”, em “perguntei ao doutor Murilo Carvalho”, por interroguei, desde que o segmento “ao doutor”
fosse substituído por

a) pelo doutor.

b) do doutor.

c) contra o doutor.

d) o doutor.

e) para o doutor.

28. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: APEX Brasil | Prova: Assistente I

Texto CB2A1-I

A rapidez da difusão do comércio eletrônico tem trazido novas oportunidades para o pequeno negócio, o
varejo e as micro e pequenas empresas (MPE), que se veem na contingência de mudança na gestão do
comércio, visando um aumento de lucratividade e novas oportunidades, com uma fatia maior do comércio
eletrônico.

Com a utilização do sistema B2C, sistema de comércio eletrônico, várias vantagens podem ser apresentadas,
como a facilidade de estabelecer compras online 24 horas por dia, sete dias da semana. Verifica-se, ainda, a
otimização dos fatores da atividade empresarial, como quadro pessoal, loja física e mobilidade urbana, a
diminuição de tempo gasto com as operações e a sustentabilidade com a teoria de utilização racional de
papéis (em inglês, less paper).

Este guia é direcionado aos pequenos empresários, aos varejistas e a todo tipo de comerciante que vise
ampliar suas atividades pelo uso de novas tecnologias. Os produtos englobados por este guia resumem-se
em mercadorias, software, hardware e serviço. Os consumidores protegidos pela norma conceituam-se
como membro individual do público geral, que compra ou usa produtos para fins pessoais ou finalidades
domésticas.

Todavia, para que esse sistema de transações de comércio eletrônico seja eficaz, o comerciante deve
planejar, implantar e desenvolver o sistema de comércio eletrônico e mantê-lo atualizado e transparente,
de modo a auxiliar os consumidores na efetivação da credibilidade desse tipo de negociação online.

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Para tanto, a capacidade, a adequação, a conformidade, a pluralidade e a diversidade na rede devem gerar
um maior suporte ao consumidor, em relação às suas reclamações e dúvidas na transação eletrônica.

Utilize o passo a passo sugerido neste guia e seja bem-sucedido em seu comércio eletrônico!

ABNT/ SEBRAE. Guia de implementação ABNT NBR ISO 10008: gestão da qualidade – satisfação do cliente
– diretrizes para transações de comércio eletrônico de negócio a consumidor. Rio de Janeiro: 2014, p. 31
(com adaptações).

Com relação aos aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue os seguintes itens, de acordo com as
disposições do Manual de Redação da Apex-Brasil.

I. O acréscimo do termo a logo após a palavra “visando” (primeiro parágrafo) — visando a um aumento
— manteria a correção gramatical do texto.
II. Caso o termo “na”, no trecho “de modo a auxiliar os consumidores na efetivação da credibilidade”
(quarto parágrafo), fosse substituído por junto à, seria mantida a correção gramatical do texto.

Assinale a opção correta.

a) Apenas o item I está correto.

b) Apenas o item II está correto.

c) Os itens I e II estão corretos.

d) Todos os itens estão errados.

29. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEFAZ-RS | Provas: Auditor do Estado

Texto 1A10AAA

A justiça tributária está em debate. O Brasil possui um sistema tributário altamente regressivo: quem ganha
até dois salários mínimos paga 49% dos seus rendimentos em tributos, enquanto quem ganha acima de trinta
salários mínimos paga apenas 26%. Isso ocorre porque, na comparação internacional, se tributa
excessivamente o consumo, e não o patrimônio e a renda.

A má distribuição tributária e de renda restringe o potencial econômico e social do país. Cabe ao Estado
induzir uma política distributiva conforme a qual quem ganha mais pague proporcionalmente mais do que
quem ganha menos e a maior parcela do orçamento seja destinada para as necessidades básicas da
população.

A justiça tributária ocorre com a redução da carga tributária e da regressividade dos tributos e com sua
eliminação da cesta básica. A redução da carga tributária permite maior competitividade para as empresas,
geração de empregos, diminuição da inflação e indução do crescimento econômico.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 53

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Com a redução da carga tributária sobre o consumo, todos ganham: a população de baixa e média renda,
pela melhora no seu poder aquisitivo; a de maior renda, pelo desenvolvimento econômico e social, que gera
ganhos econômicos e financeiros, novas oportunidades e expansão da oferta de empregos.

Por outro lado, a substituição dos tributos indiretos, que atingem o fluxo econômico, por tributos que
incidam sobre o estoque da riqueza tem o mérito de criar maior desenvolvimento econômico, pois gera mais
consumo, produção e lucros que compensam a tributação sobre a riqueza.

O desenvolvimento econômico amplia a arrecadação pública, proporcionando maiores recursos para


investimentos em políticas sociais e em infraestrutura, além de gerar maior atratividade para os
investimentos nas empresas.

Amir Kjair. Le monde diplomatique Brasil. 12.ª ed. Internet: <[Link] (com
adaptações)

No texto 1A10AAA, no trecho “a população de baixa e média renda, pela melhora no seu poder aquisitivo”
(quarto parágrafo), a preposição por, em “pela”, introduz uma ideia de

a) causa

b) finalidade.

c) consequência.

d) condição.

e) conclusão.

30. Ano: 2016 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TRE-PI | Provas: Conhecimentos Gerais para os Cargos
1, 2 e 4

A discussão sobre a participação dos analfabetos na vida política nacional remonta aos tempos do Brasil
colônia e se mantém durante a formação da sociedade brasileira e os processos de reconhecimento de
direitos e de visibilidade social das diferentes parcelas sociais anteriormente excluídas do processo
democrático.

Durante o período colonial, os analfabetos tinham direito ao voto, ainda que mitigado e suprimido, por meio
do processo chamado voto “cochichado”. Nesse caso, as intenções de voto de um analfabeto eram ouvidas
por terceiros letrados. Ainda que restringidos em algumas oportunidades, entre os séculos XVI e XIX, os
analfabetos exerciam de alguma maneira o direito ao voto. Contudo, foi somente ao final do Império que
esse direito foi totalmente retirado dos brasileiros analfabetos por meio do Decreto n.º 3.029/1881, a
chamada Lei Saraiva, que instituiu um censo literário nos termos propostos por Rui Barbosa à época.

Desde então, durante cento e quatro anos, os analfabetos tiveram limitações drásticas ao direito de
participação política pelo exercício do direito ao voto no país. Essa situação foi alterada apenas com a

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 54

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Emenda Constitucional 22 n.º 25/1985, que concedeu, embora em caráter facultativo, o direito de voto ao
analfabeto. Durante todo o referido período, por diversas vezes o tema voltou à pauta das definições
políticas nacionais, sem, contudo, obter sucesso na efetivação de tal direito básico de cidadania.

Por sua vez, a elegibilidade, que constitui o direito de ser votado, em nenhuma oportunidade foi reconhecida
aos analfabetos na história breve de nosso país. Pelo contrário, pouco se discute e pouco se discutiu sobre
tal direito, e, reiteradamente, o tema vem sendo esquecido no processo de consumação de uma cidadania
plena, com acesso a todos os direitos de participação política.

Guilherme de Abreu e Silva. Elegibilidade dos analfabetos: por uma reconfiguração à luz da plenitude da
cidadania. In: Revista Paraná Eleitoral, v. 3, n.º 2, p. 39-66. Internet: <[Link]> (com
adaptações).

Assinale a opção correta com relação a aspectos linguísticos do texto Elegibilidade dos analfabetos:

a) No trecho “o direito de voto ao analfabeto" (3º parágrafo), a substituição da preposição “de" por ao
manteria a correção, mas acarretaria ambiguidade a esse trecho.

b) O sentido original e a correção do texto seriam mantidos caso a expressão “Por sua vez" (4º parágrafo)
fosse substituída por De forma análoga.

c) O termo “reiteradamente" (4º parágrafo) modifica as formas verbais das orações “pouco se discute e
pouco se discutiu sobre tal direito" (4º parágrafo).

d) A expressão “sobre a" (1º parágrafo) poderia ser substituída, mantendo-se a correção e o sentido do texto,
por a cerca da.

e) Caso a conjunção “Contudo" (2º parágrafo) fosse substituída por Porquanto, a correção e o sentido
original do texto seriam preservados.

31. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: EMPREL | Prova: Analista de Sistemas

Texto CG2A1-I

É perigoso nos distrairmos com uma fantasia utópica ou apocalíptica possibilitada pela inteligência artificial
(IA), que promete ou um futuro “florescente” ou um futuro “potencialmente catastrófico”. Essa ilusão, que
infla as capacidades dos sistemas automatizados e os antropomorfiza, induz as pessoas a pensar que existe
um ser senciente por trás das mídias sintéticas. Isso seduz as pessoas a não apenas confiarem acriticamente
em sistemas como o ChatGPT, mas também a lhes atribuírem erroneamente a capacidade de agir. A
responsabilização propriamente dita não cabe aos artefatos tecnológicos, mas a seus construtores.

O que precisamos é de regulamentação que imponha transparência a essa tecnologia digital. Isso deve ficar
sempre claro quando nos deparamos com mídias sintéticas, e as organizações que constroem esses sistemas
também deveriam ser obrigadas a documentar e a divulgar os dados de treinamento e as arquiteturas de
modelo. Além disso, o ônus de criar instrumentos seguros de uso dessas tecnologias deveria recair sobre as

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 55

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empresas que constroem e implantam sistemas generativos, o que significa que os construtores desses
sistemas deveriam ser responsabilizados pelos resultados produzidos por seus produtos.

A corrida atual rumo a “experimentos de IA” cada vez maiores não é um caminho predeterminado no qual a
nossa única escolha é o quão rápido devemos correr, mas uma série de decisões impulsionadas pelo lucro.
As ações e as escolhas das corporações devem ser moldadas por regulamentação que proteja os direitos e
os interesses das pessoas. O foco da nossa preocupação não deveriam ser as “poderosas mentes digitais”
imaginárias. Em vez disso, deveríamos focar nas práticas de exploração muito reais e muito presentes das
empresas que afirmam construí-las.

Timnit Gebru et [Link] estocásticos: o pedido de moratória para a IA e os riscos em jogo. Internet:
(com adaptações).

Assinale a opção em que a proposta de reescrita do trecho “mas também a lhes atribuírem” (terceiro período
do primeiro parágrafo) é gramaticalmente correta e coerente com as ideias do texto CG2A1-I.

a) entretanto a atribuírem àquelas

b) embora a atribuam aqueles

c) como também a atribuírem a eles

d) quanto à atribuírem a estes

e) contudo a atribuírem àqueles

32. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de Maringá - PR | Prova: Médico

Texto CG1A1

Por muitos séculos, pessoas surdas ao redor do mundo eram consideradas incapazes de aprender
simplesmente por possuírem uma deficiência. No Brasil, infelizmente, isso não era diferente. Essa visão
capacitista só começou a mudar a partir do século XVI, com transformações que ocorreram, num primeiro
momento, na Europa, quando educadores, por conta própria, começaram a se preocupar com esse grupo.

Um dos educadores mais marcantes na luta pela educação dos surdos foi Ernest Huet, ou Eduard Huet, como
também era conhecido. Huet, acometido por uma doença, perdeu a audição ainda aos 12 anos; contudo,
como era membro de uma família nobre da França, teve, desde cedo, acesso à melhor educação possível de
sua época e, assim, aprendeu a língua de sinais francesa no Instituto Nacional de Surdos-Mudos de Paris. No
Brasil, tomando-se como inspiração a iniciativa de Huet, fundouse, em 26 de setembro de 1856, o Imperial
Instituto de SurdosMudos, instituição de caráter privado. No seu percurso, o instituto recebeu diversos
nomes, mas a mudança mais significativa se deu em 1957, quando foi denominado Instituto Nacional de
Educação dos Surdos – INES, que está em funcionamento até hoje! Essa mudança refletia o princípio de
modernização da década de 1950, pelo qual se guiava o instituto, com suas discussões sobre educação de
surdos.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 56

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Dessa forma, Huet e a língua de sinais francesa tiveram grande influência na língua brasileira de sinais, a
Libras, que foi ganhando espaço aos poucos e logo passou a ser utilizada pelos surdos brasileiros. Contudo,
nesse mesmo período, muitos educadores ainda defendiam a ideia de que a melhor maneira de ensinar era
pelo método oralizado, ou seja, pessoas surdas seriam educadas por meio de línguas orais. Nesse caso, a
comunicação acontecia nas modalidades de escrita, leitura, leitura labial e também oral. No Congresso de
Milão, em 11 de setembro de 1880, muitos educadores votaram pela proibição da utilização da língua de
sinais por não acreditarem na efetividade desse método na educação das pessoas surdas.

Essa decisão prejudicou consideravelmente o ensino da Língua Brasileira de Sinais, mas, mesmo diante dessa
proibição, a Libras continuou sendo utilizada devido à persistência dos surdos. Posteriormente, buscou-se a
legitimidade da Língua Brasileira de Sinais, e os surdos continuaram lutando pelo seu reconhecimento e
regulamentação por meio de um projeto de lei escrito em 1993. Porém, apenas em 2002, foi aprovada a Lei
10.436/2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e
expressão no país.

Internet: <[Link]>(com adaptações)

A conjunção "contudo", no segundo período do segundo parágrafo do texto CG1A1, poderia ser substituída,
mantidas a coesão e a coerência textuais, por

a) destarte.

b) entretanto.

c) ademais.

d) embora.

e) portanto.

33. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-ES | Prova: Delegado de Polícia

Texto CG1A1-I

Em 2020, a pandemia de covid-19 fez com que mulheres em situação de violência ficassem ainda mais
vulneráveis. O início da pandemia foi marcado por uma crescente preocupação a respeito da violência contra
meninas e mulheres, as quais passaram a conviver mais tempo em suas residências com seus agressores,
muitas vezes impossibilitadas de acessar serviços públicos e redes de apoio.

O cenário retratado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020 evidencia a queda de crimes letais
contra a mulher, mas não a diminuição da violência: houve um sensível aumento das denúncias de lesão
corporal dolosa e das chamadas de emergência para o número das polícias militares, o 190, todas no
contexto de violência doméstica, assim como o aumento dos casos notificados de ameaça contra mulheres.
A quantidade de medidas protetivas de urgência solicitadas e concedidas também aumentou
consideravelmente.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 57

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O ano de 2021 foi caracterizado por parte da retomada das atividades rotineiras em meio à redução dos
índices de transmissão da covid-19 e da queda das mortes decorrentes da doença, em consequência da
vacinação. Compreender as estatísticas criminais de violência contra as mulheres nos anos de 2020 e 2021
nos ajuda a pensar nas políticas públicas a serem implementadas no contexto da pandemia de covid-19 e da
consequente intensificação da crise econômica vivenciada no Brasil. A pesquisa Visível e Invisível, realizada
pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou que, no ano de 2020, a perda de emprego e a
diminuição da renda familiar foram sentidas de forma mais intensa pelas mulheres que sofreram violência,
o que tornou mais difícil para essas mulheres romper com parceiros abusivos ou relações violentas.

A exemplo do que vimos em outros países, embora tenha ocorrido queda nos registros, sabia-se que a
violência contra a mulher estava aumentando de forma silenciosa e era preciso agir rápido. Algumas ações
foram realizadas pelas instituições policiais a fim de enfrentar o desafio que estava posto: a ampliação do rol
de tipos penais que podem ser denunciados via boletim de ocorrência online, por exemplo, foi uma das
iniciativas tomadas por praticamente todas as unidades da Federação, o que possibilitou que, em alguns
estados, pela primeira vez, o registro de violência doméstica fosse feito sem que se precisasse ir até uma
delegacia, bastando, para isso, o acesso à Internet e a um dispositivo como tablet, smartphone ou
computador. Nesse sentido, campanhas de denúncia da violência doméstica divulgadas em farmácias e
supermercados, dentro da lógica da Campanha Sinal Vermelho, idealizada pela Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB) e pelo Conselho Nacional da Justiça (CNJ), consistiram em importante ação de repercussão
nacional.

Internet: <[Link] (com adaptações).

No primeiro período do quarto parágrafo, a oração “embora tenha ocorrido queda nos registros” expressa
circunstância de

a) causa.

b) conformidade.

c) condição.

d) concessão.

e) consequência.

34. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-ES | Prova: Delegado de Polícia

Texto CG1A1-I

Em 2020, a pandemia de covid-19 fez com que mulheres em situação de violência ficassem ainda mais
vulneráveis. O início da pandemia foi marcado por uma crescente preocupação a respeito da violência contra
meninas e mulheres, as quais passaram a conviver mais tempo em suas residências com seus agressores,
muitas vezes impossibilitadas de acessar serviços públicos e redes de apoio.

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O cenário retratado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020 evidencia a queda de crimes letais
contra a mulher, mas não a diminuição da violência: houve um sensível aumento das denúncias de lesão
corporal dolosa e das chamadas de emergência para o número das polícias militares, o 190, todas no
contexto de violência doméstica, assim como o aumento dos casos notificados de ameaça contra mulheres.
A quantidade de medidas protetivas de urgência solicitadas e concedidas também aumentou
consideravelmente.

O ano de 2021 foi caracterizado por parte da retomada das atividades rotineiras em meio à redução dos
índices de transmissão da covid-19 e da queda das mortes decorrentes da doença, em consequência da
vacinação. Compreender as estatísticas criminais de violência contra as mulheres nos anos de 2020 e 2021
nos ajuda a pensar nas políticas públicas a serem implementadas no contexto da pandemia de covid-19 e da
consequente intensificação da crise econômica vivenciada no Brasil. A pesquisa Visível e Invisível, realizada
pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou que, no ano de 2020, a perda de emprego e a
diminuição da renda familiar foram sentidas de forma mais intensa pelas mulheres que sofreram violência,
o que tornou mais difícil para essas mulheres romper com parceiros abusivos ou relações violentas.

A exemplo do que vimos em outros países, embora tenha ocorrido queda nos registros, sabia-se que a
violência contra a mulher estava aumentando de forma silenciosa e era preciso agir rápido. Algumas ações
foram realizadas pelas instituições policiais a fim de enfrentar o desafio que estava posto: a ampliação do rol
de tipos penais que podem ser denunciados via boletim de ocorrência online, por exemplo, foi uma das
iniciativas tomadas por praticamente todas as unidades da Federação, o que possibilitou que, em alguns
estados, pela primeira vez, o registro de violência doméstica fosse feito sem que se precisasse ir até uma
delegacia, bastando, para isso, o acesso à Internet e a um dispositivo como tablet, smartphone ou
computador. Nesse sentido, campanhas de denúncia da violência doméstica divulgadas em farmácias e
supermercados, dentro da lógica da Campanha Sinal Vermelho, idealizada pela Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB) e pelo Conselho Nacional da Justiça (CNJ), consistiram em importante ação de repercussão
nacional.

Internet: <[Link] (com adaptações).

No primeiro período do segundo parágrafo do texto CG1A1-I, a expressão “assim como” estabelece uma
noção de

a) conclusão.

b) proporcionalidade.

c) contraste.

d) adição.

e) explicação.

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35. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-PB | Prova: Escrivão de Polícia

Texto CG1A1-I

Três características básicas nos distinguem dos outros animais: o andar ereto, que deixou nossas mãos livres
para pegar e fabricar coisas; um cérebro superdesenvolvido, que permitiu o domínio da natureza; e a
linguagem articulada, que possibilitou não só uma comunicação eficiente como também o pensamento
lógico e abstrato. Das três características, a última representou nosso maior salto evolutivo, afinal nossos
antepassados tiveram habilidade manual e inteligência por milhares de anos, mas somente a partir do
momento em que despontou a aptidão simbólica, primeiramente nas pinturas e inscrições rupestres e depois
com a invenção da escrita, a espécie humana alçou-se de uma organização social tribal para a civilização.

Como aprendemos a falar na mais tenra infância e sem maior esforço, além de usarmos a linguagem no dia
a dia da forma mais corriqueira, não nos damos conta do grande prodígio que é falar. A língua é não só um
sofisticadíssimo sistema de comunicação de nossos pensamentos e sentimentos, mas sobretudo o
instrumento que nos possibilita ter consciência de nós mesmos e da realidade à nossa volta.

Apesar da importância crucial da linguagem em nossa vida, o estudo da língua ficou durante séculos relegado
a segundo plano, resumindo-se a descrições pouco científicas deste ou daquele idioma de maior prestígio.

Aldo Bizzocchi. O universo da linguagem: sobre a língua e as línguas. São Paulo: Editora Contexto, 2021, p.
11-12 (com adaptações)

Estariam preservadas as ideias e a correção gramatical do texto CG1A1-I caso se substituísse, no segmento
“Como aprendemos a falar na mais tenra infância e sem maior esforço” (início do segundo parágrafo), a
conjunção “Como” por

a) Visto que.

b) Ao passo que.

c) Logo que.

d) Não obstante.

e) Tal qual.

36. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: COREN-CE | Prova: Técnico Administrativo

Texto CG2A1-II

Você pode adorar morango e lhe ser alérgico. Se comer, já sabe, é um desastre. Outro pode ter horror a
cebola e não lhe ser alérgico. Não come porque detesta. Assim como não se discutem, gostos também não
se explicam. São tabus. A alergia é uma descoberta do princípio do século passado. O sujeito nasce com uma

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 60

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hipersensibilidade para isto ou aquilo. Os alérgenos. Há, por exemplo, quem não suporte perfume. Um
determinado tipo de perfume.

No caso de alimento, você evita. Se a alergia é a pluma, estofado de pluma sempre se pode evitar. Já perfume
é mais difícil. Causa a ruptura de uma amizade, ou até de um amor. Se o outro insiste, é porque não há amor
nem amizade. Nada mais prosaico do que um namorado ou uma namorada que se põe a espirrar à simples
aproximação do parceiro ou da parceira. Uma tempestade alérgica pode liquidar com um amor. Sábia é a
natureza ao impor as suas repulsas e as suas afinidades.

Otto Lara Resende. Sufoco hipersensível. Internet:<[Link]> (com adaptações).

No período “Assim como não se discutem, gostos também não se explicam”, do primeiro parágrafo do texto
CG2A1-II, a locução “Assim como” introduz uma oração

a) comparativa.

b) aditiva.

c) explicativa.

d) conclusiva.

37. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: APEX Brasil | Prova: Assistente I

Texto CB2A1-I

A rapidez da difusão do comércio eletrônico tem trazido novas oportunidades para o pequeno negócio, o
varejo e as micro e pequenas empresas (MPE), que se veem na contingência de mudança na gestão do
comércio, visando um aumento de lucratividade e novas oportunidades, com uma fatia maior do comércio
eletrônico.

Com a utilização do sistema B2C, sistema de comércio eletrônico, várias vantagens podem ser apresentadas,
como a facilidade de estabelecer compras online 24 horas por dia, sete dias da semana. Verifica-se, ainda, a
otimização dos fatores da atividade empresarial, como quadro pessoal, loja física e mobilidade urbana, a
diminuição de tempo gasto com as operações e a sustentabilidade com a teoria de utilização racional de
papéis (em inglês, less paper).

Este guia é direcionado aos pequenos empresários, aos varejistas e a todo tipo de comerciante que vise
ampliar suas atividades pelo uso de novas tecnologias. Os produtos englobados por este guia resumem-se
em mercadorias, software, hardware e serviço. Os consumidores protegidos pela norma conceituam-se
como membro individual do público geral, que compra ou usa produtos para fins pessoais ou finalidades
domésticas.

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Todavia, para que esse sistema de transações de comércio eletrônico seja eficaz, o comerciante deve
planejar, implantar e desenvolver o sistema de comércio eletrônico e mantê-lo atualizado e transparente,
de modo a auxiliar os consumidores na efetivação da credibilidade desse tipo de negociação online.

Para tanto, a capacidade, a adequação, a conformidade, a pluralidade e a diversidade na rede devem gerar
um maior suporte ao consumidor, em relação às suas reclamações e dúvidas na transação eletrônica.

Utilize o passo a passo sugerido neste guia e seja bem-sucedido em seu comércio eletrônico!

ABNT/ SEBRAE. Guia de implementação ABNT NBR ISO 10008: gestão da qualidade – satisfação do cliente
– diretrizes para transações de comércio eletrônico de negócio a consumidor. Rio de Janeiro: 2014, p. 31
(com adaptações).

No trecho “Com a utilização do sistema B2C”, no segundo parágrafo do texto CB2A1-I, o termo “Com”
expressa

a) causa.

b) consequência.

c) companhia.

d) modo.

38. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: APEX Brasil | Provas: Analista - Processos Jurídicos

Texto CB1A1-I

Durante um seminário sobre a antropologia do dinheiro ministrado na Escola de Economia e Ciência Política
de Londres, Jock Stirratt descreveu em um gráfico os usos a que alguns pescadores do Sri Lanka que
prosperaram nos últimos anos submetiam sua riqueza recém-adquirida. A renda desses pescadores, antes
muito baixa, deu um grande salto desde que o gelo se tornou disponível, o que possibilitou que seus peixes
alcançassem, em boas condições, os mercados distantes da costa, onde atingiram preços altos. No entanto,
as aldeias de pescadores ainda permanecem isoladas e, à época do estudo, não tinham eletricidade, estradas
nem água encanada. Apesar desses desincentivos aparentes, os pescadores mais ricos gastavam os
excedentes de seus lucros na compra de aparelhos de televisão inutilizáveis, na construção de garagens em
casas a que automóveis sequer tinham acesso e na instalação de caixas-d’água jamais abastecidas. De acordo
com Stirratt, isso tudo ocorre por uma imitação entusiasmada da alta classe média das zonas urbanas do Sri
Lanka.

É fácil rir de despesas tão grosseiramente excêntricas, cuja aparente falta de propósito utilitário dá a
impressão de que, por comparação, pelo menos parte de nosso próprio consumo tem um caráter racional.
Como os objetos adquiridos por esses pescadores parecem não ter função em seu meio, não conseguimos
entender por que eles deveriam desejá-los. Por outro lado, se eles colecionassem peças antigas de porcelana
chinesa e as enterrassem, como fazem os Ibans, seriam considerados sensatos, senão encantados, tal como

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os temas antropológicos normais. Não pretendo negar as explicações óbvias para esse tipo de
comportamento ― ou seja, busca de status, competição entre vizinhos, e assim por diante. Mas penso que
também dever-se-ia reconhecer a presença de uma certa vitalidade cultural nessas atrevidas incursões a
campos ainda não inexplorados do consumo: a habilidade de transcender o aspecto meramente utilitário
dos bens de consumo, de modo que se tornem mais parecidos com obras de arte, carregados de expressão
pessoal.

Alfred Gell. Recém-chegados ao mundo dos bens: o consumo entre os Gonde Muria. In: Arjun Appadurai
(org). A vida social das coisas: mercadorias sob uma perspectiva cultural. Niterói: Eduff, 2008, p. 147-48
(com adaptações).

No segundo parágrafo do texto CB1A1-I, com o emprego da conjunção “Mas” (último período), o autor
introduz

a) uma retificação à informação apresentada no período imediatamente anterior.

b) uma discordância com relação à informação apresentada no período imediatamente anterior.

c) uma razão para ele não negar as explicações apresentadas no período imediatamente anterior.

d) uma ressalva à informação apresentada no período imediatamente anterior.

39. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: APEX Brasil | Provas: Analista - Processos Jurídicos

Texto CB1A1-I

Durante um seminário sobre a antropologia do dinheiro ministrado na Escola de Economia e Ciência Política
de Londres, Jock Stirratt descreveu em um gráfico os usos a que alguns pescadores do Sri Lanka que
prosperaram nos últimos anos submetiam sua riqueza recém-adquirida. A renda desses pescadores, antes
muito baixa, deu um grande salto desde que o gelo se tornou disponível, o que possibilitou que seus peixes
alcançassem, em boas condições, os mercados distantes da costa, onde atingiram preços altos. No entanto,
as aldeias de pescadores ainda permanecem isoladas e, à época do estudo, não tinham eletricidade, estradas
nem água encanada. Apesar desses desincentivos aparentes, os pescadores mais ricos gastavam os
excedentes de seus lucros na compra de aparelhos de televisão inutilizáveis, na construção de garagens em
casas a que automóveis sequer tinham acesso e na instalação de caixas-d’água jamais abastecidas. De acordo
com Stirratt, isso tudo ocorre por uma imitação entusiasmada da alta classe média das zonas urbanas do Sri
Lanka.

É fácil rir de despesas tão grosseiramente excêntricas, cuja aparente falta de propósito utilitário dá a
impressão de que, por comparação, pelo menos parte de nosso próprio consumo tem um caráter racional.
Como os objetos adquiridos por esses pescadores parecem não ter função em seu meio, não conseguimos
entender por que eles deveriam desejá-los. Por outro lado, se eles colecionassem peças antigas de porcelana
chinesa e as enterrassem, como fazem os Ibans, seriam considerados sensatos, senão encantados, tal como
os temas antropológicos normais. Não pretendo negar as explicações óbvias para esse tipo de

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comportamento ― ou seja, busca de status, competição entre vizinhos, e assim por diante. Mas penso que
também dever-se-ia reconhecer a presença de uma certa vitalidade cultural nessas atrevidas incursões a
campos ainda não inexplorados do consumo: a habilidade de transcender o aspecto meramente utilitário
dos bens de consumo, de modo que se tornem mais parecidos com obras de arte, carregados de expressão
pessoal.

Alfred Gell. Recém-chegados ao mundo dos bens: o consumo entre os Gonde Muria. In: Arjun Appadurai
(org). A vida social das coisas: mercadorias sob uma perspectiva cultural. Niterói: Eduff, 2008, p. 147-48
(com adaptações).

No segundo período do segundo parágrafo do texto CB1A1-I, a conjunção “Como” introduz um segmento
com sentido

a) causal.

b) comparativo.

c) conformativo.

d) temporal.

40. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: IBGE | Prova: Agente de Pesquisas por Telefone

Texto 1A1-I

Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar nosso antepassado mais remoto
riscando na parede da caverna, à luz de uma tocha, signos que indicavam quanto de alimento havia sido
estocado para o inverno que se aproximava ou, como somos competitivos, a relação entre nomes de
integrantes da tribo e o número de caças abatidas por cada um deles.

Se formos propor uma hermenêutica acerca do tema, talvez possamos afirmar que existem dois tipos de
listas: as necessárias e as inúteis. Em muitos casos, dialeticamente, as necessárias tornam-se inúteis e as
inúteis, necessárias. Tomemos dois exemplos. Todo mês, enumero as coisas que faltam na despensa de
minha casa antes de me dirigir ao supermercado; essa lista arrolo na categoria das necessárias. Por outro
lado, há pessoas que anotam suas metas para o ano que se inicia: começar a fazer ginástica, parar de fumar,
cortar em definitivo o açúcar, ser mais solidário, menos intolerante... Essa elenco na categoria das inúteis.

Feitas as compras, a lista do supermercado, necessária, torna-se então inútil. A lista contendo nossos desejos
de sermos melhores para nós mesmos e para os outros, embora inútil, pois dificilmente a cumprimos,
converte-se em necessária, porque estabelece um vínculo com o futuro, e nos projetar é uma forma de
vencer a morte.

Tudo isso para justificar o que se segue. Ninguém me perguntou, mas resolvi organizar uma lista dos
melhores romances que li em minha vida — escolhi o número vinte, não por motivos místicos, mas porque
talvez, pela amplitude, alinhave, mais que preferências intelectuais, uma história afetiva das minhas leituras.

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Enquadro-a na categoria das listas inúteis, mas, quem sabe, se consultada, municie discussões, já que toda
escolha é subjetiva e aleatória, ou, na melhor das hipóteses, suscite curiosidade a respeito de um título ou
de um autor. Ocorresse isso, me daria por satisfeito.

Luiz Ruffato. Meus romances preferidos. Internet: <[Link]> (com adaptações).

No trecho “como somos competitivos” (primeiro parágrafo do texto 1A1-I), a conjunção “como” expressa o
mesmo que

a) conforme.

b) tanto quanto.

c) apesar de.

d) porque.

e) embora.

41. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TJ-PR | Prova: Técnico Judiciário

Texto 1A1-I

O astrônomo lê o céu, lê a epopeia das estrelas. Ora, direis, ouvir e ler estrelas. Que histórias sublimes,
suculentas, na Via Láctea. O físico lê o caos. Que epopeias o geógrafo lê nas camadas acumuladas em um
simples terreno. Um desfile de Carnaval, por exemplo, é um texto. Por isso se fala de “samba-enredo”: a
disposição das alas, as fantasias, a bateria, a comissão de frente são formas narrativas.

Uma partida de futebol é uma forma narrativa. Saber ler uma partida — esse é o mérito do locutor esportivo,
na verdade, um leitor esportivo. Ele, como o técnico, vê coisas no texto em jogo que, só depois de lidas por
ele, por nós são percebidas. Ler, então, é um jogo, uma disputa, uma conquista de significados.

Estamos com vários problemas de leitura hoje. Construímos aparelhos aprimoradíssimos que sabem ler.
Leem-nos, às vezes, melhor que nós mesmos. Vi na fazenda de um amigo aparelhos eletrônicos que, ao
tirarem leite da vaca, são capazes de ler tudo sobre a qualidade do leite, da vaca, e até (imagino) ler o
pensamento de quem está assistindo à cena. Aparelhos complexos leem o mundo e nos dão recados. A
natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando. Lemos a notícia e postergamos a
tragédia para nossos netos. É preciso ler, interpretar e fazer alguma coisa com a interpretação.

Affonso Romano de Sant’Anna. Ler o mundo. São Paulo: Global, 2011, p. 8-9 (com adaptações).

Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita do seguinte trecho do texto 1A1-I: “A
natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando. Lemos a notícia e postergamos a tragédia
para nossos netos.” (l. 14 a 16). Assinale a opção em que a proposta apresentada preserva os sentidos do
texto.

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a) A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, mas lemos a notícia e postergamos
a tragédia para nossos netos.

b) A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, porque lemos a notícia e postergamos
a tragédia para nossos netos.

c) A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, se lemos a notícia e postergamos a
tragédia para nossos netos.

d) A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, logo lemos a notícia e postergamos
a tragédia para nossos netos.

e) A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, ou lemos a notícia e postergamos a
tragédia para nossos netos.

42. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Telebras | Provas: Técnico em Gestão de
Telecomunicações - Assistente Administrativo

Texto CB4A1-I

A comunicação tem-se transformado em um setor estratégico da economia, da política e da cultura. Da


guerra, ela sempre o foi. A inclusão da informação e da comunicação nas estratégias bélicas tem aumentado
no correr de milênios.

No século VII a.C., o chinês Sun Tzu, em A arte da guerra, dizia que “toda guerra é embasada em
dissimulação”, referindo-se à distribuição de informações falsas. Contudo, quem mais desenvolveu esse
conceito foi o general prussiano Carl von Clausewitz, em seu amplo tratado Da guerra (Vom Kriege),
publicado em 1832. No capítulo VI, Clausewitz afirma: “Grande parte das notícias recebidas na guerra é
contraditória, uma parte ainda maior é falsa e a maior parte de todas é incerta. Em suma, a maioria das
notícias é falsa, e o medo do ser humano reforça a mentira e a inverdade. As pessoas conscientes que seguem
as insinuações alheias tendem a permanecer indecisas no lugar; acreditam ter encontrado as circunstâncias
distintas do que imaginavam. Na guerra, tudo é incerto, e os cálculos devem ser feitos com meras grandezas
variáveis. Eles direcionam a observação apenas para magnitudes materiais, enquanto todo o ato de guerra
está imbuído de forças e efeitos espirituais”.

Trata-se de desinformar, e não de informar. A desinformação é a informação falsa, incompleta,


desorientadora. É propagada para enganar um público determinado. Seu fim último é o isolamento do
inimigo em um conflito concreto, é o de mantê-lo em um cerco informativo. Os nazistas levaram essa
estratégia do engano quase à perfeição.

Atualmente, pratica-se tanto o cerco econômico, militar e diplomático quanto o informativo. Já não se trata
apenas de isolar o inimigo. As novas tecnologias permitem aos militares intervir nos conflitos bélicos a
distância, direcionando até mesmo os foguetes com a ajuda de GPS, a partir de um satélite. A
telecomunicação militar apoiada em satélites e a eletrônica determinarão as guerras do futuro imediato.

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Fala-se já de bombas eletrônicas (E) que podem paralisar estabelecimentos neurais da sociedade moderna,
como hospitais, centrais elétricas, oleodutos etc., destruindo os seus circuitos eletrônicos. Parece que hoje
já se pode fazer a guerra sem bombas atômicas. As bombas E do tipo FCG (flux compression generator —
gerador de compressão de fluxo), cujo emprego não está limitado às grandes potências bélicas, têm o mesmo
efeito e fazem parte dos arsenais de alguns exércitos, e consistem em comprimir, mediante uma explosão,
um campo eletromagnético, como um raio, sem os custos, os efeitos colaterais ou o enorme alcance de um
dispositivo de pulso eletromagnético nuclear.

Vicente Romano. Presente e futuro imediato das telecomunicações. São Paulo em Perspectiva. Internet:
<[Link] (com adaptações)

Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB4A1-I, julgue o próximo item.

No segundo período do segundo parágrafo do texto, o vocábulo “Contudo” introduz uma ressalva.

43. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: FUB | Provas: Conhecimentos Básicos - Cargos de Nível
Superior

Esta é uma declaração de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi
profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes
com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de
sentimento e de “alerteza”. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve.
Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.

Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de
uma frase. Eu gosto de manejá-la — como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às
vezes lentamente, às vezes a galope.

Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E esse desejo todos os que
escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua
já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê
vida.

Essas dificuldades nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi
aprofundada. O que recebi de herança não me chega.

Clarice Lispector. Declaração de amor. In: Crônicas para jovens: de escrita e vida. Rio de Janeiro: Rocco
Digital, p. 11 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

No primeiro período do terceiro parágrafo, há uma ambiguidade que poderia ser corretamente eliminada
com a substituição da preposição a, presente na contração “ao”, pela preposição em — no —, sem alteração
dos sentidos originais do texto.

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44. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: EMAP | Provas: Conhecimentos Básicos - Cargos de
Nível Médio

A crescente internacionalização da economia, decorrente, principalmente, da redução de barreiras ao


comércio mundial, da maior velocidade das inovações tecnológicas e dos grandes avanços nas
comunicações, tem exigido mudanças efetivas na atuação do comércio internacional.

A abordagem desse tipo de comércio, inevitavelmente, passa pela concorrência, visto que é por meio da
garantia e da possibilidade de entrar no mercado internacional, de estabelecer permanência ou de engendrar
saída, que se consubstancia a plena expansão das atividades comerciais e se alcança o resultado último dessa
interatuação: o preço eficiente dos bens e serviços.

Defesa da concorrência e defesa comercial são instrumentos à disposição dos Estados para lidar com
distintos cenários que afetem a economia. Destaca-se como a principal diferença o efeito que cada
instrumento busca neutralizar.

A política de defesa da concorrência busca preservar o ambiente competitivo e coibir condutas desleais
advindas do exercício de poder de mercado. A política de defesa comercial busca proteger a indústria
nacional de práticas desleais de comércio internacional.

Elaine Maria Octaviano Martins Curso de direito marítimo Barueri: Manoele, v 1, 2013, p 65 (com
adaptações)

Acerca de aspectos linguísticos do texto precedente e das ideias nele contidas, julgue o item a seguir.

O emprego da preposição de introduzindo “das inovações” (l.2) é exigido pela presença de “decorrente” (l.1),
sendo as inovações uma das quatro causas da crescente internacionalização mencionadas no texto.

45. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: EBSERH | Prova: Conhecimentos Básicos - Cargos de
Nível Superior - Área Médica

Texto CB1A1BBB

São José do Rio Preto, centro urbano de tamanho médio, com cerca de 408 mil habitantes em 2010,
localizada na região noroeste do estado de São Paulo, em área de clima tropical, é uma cidade reconhecida
pelo seu calor intenso. Em 1985, a Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo
detectou a presença de focos do Aedes aegypti em doze cidades paulistas, entre elas, São José do Rio Preto,
e confirmou sua reintrodução no estado. Os focos foram encontrados em locais com concentração de
recipientes, denominados pontos estratégicos (PEs). Foi então estruturado Programa de Controle de Aedes
aegypti em São Paulo, que previa a visitação sistemática e periódica aos PEs dos municípios e a realização de
delimitações de foco, quando do encontro de sítios positivos. Considerava-se que o vetor estava presente
em um município quando continuava presente nos imóveis após a realização das medidas de controle que
vinham associadas à delimitação de foco.

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Logo após a detecção de focos positivos do mosquito em São José do Rio Preto, realizaram-se as delimitações
e a aplicação de controle, as quais não foram suficientes para eliminar o vetor. Diante da situação, em 1985,
o município foi definido como área de infestação domiciliar e risco de dengue. Os primeiros casos autóctones
da dengue no município foram registrados em 1991, atribuídos ao sorotipo DENV1. A primeira grande
epidemia ocorreu em 1995, com 1.462 casos autóctones. Posteriormente, com a introdução dos demais
sorotipos, as incidências (casos/100 mil habitantes/ano) apresentaram comportamento cíclico: em 1999,
1.351,1; em 2006, 2.935,7; em 2010, ano da maior incidência, 6.173,8; e, em 2015, até outubro, a segunda
maior incidência, 5.070,8.

Apesar de não se descartar a hipótese de que o aumento progressivo das incidências da dengue no município
já seria um efeito do aumento das temperaturas, parece que esse fenômeno estaria mais relacionado com a
circulação dos múltiplos sorotipos do vírus da dengue. De modo geral, a persistência e a intensidade da
dengue em São José do Rio Preto são esperadas por se tratar de cidade de clima tropical e com condições
ideais para o desenvolvimento do vetor e de sua relação com o patógeno.

Internet: <[Link]> (com adaptações)

A respeito de aspectos linguísticos do texto CB1A1BBB, julgue o item a seguir.

A correção gramatical do texto seria preservada caso a preposição que inicia o trecho “em área de clima
tropical” (l. 2 e 3) fosse eliminada.

46. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: ABIN | Provas: Oficial Técnico de Inteligência -
Conhecimentos Gerais

Texto CB1A1BBB

No começo dos anos 40, os submarinos alemães estavam dizimando os cargueiros dos aliados no Atlântico
Norte. O jogo virou apenas em 1943, quando Alan Turing desenvolveu a Bomba, um aparelho capaz de
desvendar os segredos da máquina de criptografia nazista chamada de Enigma. A complexidade da Enigma
— uma máquina eletromagnética que substituía letras por palavras aleatórias escolhidas de acordo com uma
série de rotores — estava no fato de que seus elementos internos eram configurados em bilhões de
combinações diferentes, sendo impossível decodificar o texto sem saber as configurações originais. Após
espiões poloneses terem roubado uma cópia da máquina, Turing e o campeão de xadrez Gordon Welchman
construíram uma réplica da Enigma na base militar de Bletchey Park. A máquina replicava os rotores do
sistema alemão e tentava reproduzir diferentes combinações de posições dos rotores para testar possíveis
soluções. Após quatro anos de trabalho, Turing conseguiu quebrar a Enigma, ao perceber que as mensagens
alemãs criptografadas continham palavras previsíveis, como nomes e títulos dos militares. Turing usava esses
termos como ponto de partida, procurando outras mensagens em que a mesma letra aparecia no mesmo
espaço em seu equivalente criptografado.

Gabriel Garcia. 5 descobertas de Alan Turing que mudaram o rumo da história. In: Exame, 2/fev./2015.
Internet: <[Link] (com adaptações)

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Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1BBB, julgue o item subsequente.

No trecho “para testar possíveis soluções” (l.12), o emprego da preposição “para”, além de contribuir para a
coesão sequencial do texto, introduz, no período, uma ideia de finalidade.

47. Ano: 2017 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Instituto Rio Branco | Prova: Diplomata

Texto IV

A classe dedicada ao comércio, marcada pela compra e venda de mercadorias ou na colocação de dinheiro,
não representava, no Império, o padrão social dominante. Os comerciantes eram, em grande parte,
estrangeiros; o ramo mais saliente do comércio, o ligado ao escravo, sujava as mãos dos que com ele
enriqueciam. Um título de comendador ou de barão dourava o busto do empresário, mas não o nobilitava,
visto que o nobre pertencia a uma camada diversa, composta, sob o ponto de vista profissional ou
econômico, de letrados ou senhores de rendas. O homem que traficava — membro da classe lucrativa ou
aquisitiva —, para se qualificar socialmente, embriagou-se, perdidamente, na imitação do estilo ou nos
traços secundários da classe proprietária e do estamento. Elevava-se, se enriquecido — elevava-se é o termo
certo — a uma categoria superior no desfrute ostentatório de rendas, transformando a natureza de seu
patrimônio, ou ingressava na política e no governo, preocupado em amortecer a cintilação equívoca da
origem. Era quase uma situação colonial, com a ascensão, nem sempre possível no espaço de uma geração,
do albardeiro ao círculo dos fidalgos. Em meados do século XIX o velho equilíbrio se rompe, fio a fio,
imperceptivelmente, na quebra de secular estrutura econômica e social. Consequência da nova dinâmica,
que agita e move a sociedade, será a emancipação de uma classe inteira, até aí pejada, impedida e
entorpecida em seus passos. Dentro da consciência do homem que enriqueceu no trato de mercadorias e de
valores, haverá agora uma crise. O Dr. Félix (Ressurreição) ou Rubião (Quincas Borba), aquinhoados pela
inesperada herança, trataram de aplicar os bens para que eles lhes proporcionassem renda segura e estável.

Outra é a conduta de Mauá, como será a de Palha (Quincas Borba), Cotrim (Memórias Póstumas) ou de
Santos (Esaú e Jacó). Homens do comércio, não convertem o patrimônio em prestações de renda, mas
continuam presos aos seus negócios, perseguindo o infinito, imantados por outros desígnios, alimentados
por uma nova sociedade. Mas há a crise. Rubião a vive, já, no último quartel do século, em sentido contrário,
atraído pelos lucros do comércio e não pelo comércio. Mauá a sentirá, no sentido autêntico: dos doze aos
trinta e dois anos, vergado no balcão e sócio de comerciante, torna-se dono de respeitável fortuna. Fiel à
ordem dominante, não a calcula em bons e vistosos contos de réis, mas por sua renda, que seria superior a
50 contos anuais. A renda e não o capital dava a nota de grandeza, de opulência, para encher os olhos e
provocar a admiração. “Já se vê que, — confessava, aludindo ao ano de 1846 — ao engolfar-me em outra
esfera de atividade, possuía eu uma fortuna satisfatória, que me convidava a desfrutá-la. Travou-se em meu
espírito, nesse momento, uma luta vivaz entre o egoísmo, que em maior ou menor dose habita o coração
humano, e as ideias generosas que em grau elevado me arrastavam a outros destinos...”. O egoísmo seria a
fruição do capital, sem suor e angústias; o impulso contrário, a expansão da economia, que se identificaria,
para a classe lucrativa, com o progresso do país. Certo de seu papel dinâmico na sociedade, criando
atividades novas e aprimorando as existentes; esse estrato ganha relevo e autonomia, sem que se esconda
atrás do biombo, dourado de tradição e respeitabilidade, da classe proprietária. É hostil, como conjunto, ao
ócio dos homens de renda e ao prestígio do estamento político, que maneja o poder do alto e de cima, sem

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consultar-lhe as preferências nem lhe pedir orientação e conselho. Atente-se: a classe lucrativa tem conduta
adversa ao estilo de vida da camada dirigente, não obstante a explore, e viva, em grande parte, de seus
favores, numa espécie de capitalismo político, dependente e subordinado ao Estado.

Raymundo Faoro. Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio. São Paulo: Companhia Editora Nacional,
1974, p. 225-7 (com adaptações).

Com referência ao texto IV, julgue (C ou E) o próximo item.

Tanto em “do albardeiro ao círculo dos fidalgos” (l. 14 e 15) quanto em “dos doze aos trinta e dois anos” (l.
29), a preposição de foi empregada no sentido de desde.

48. Ano: 2017 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDF | Provas: Conhecimentos Básicos - Cargos 36 e 37

Texto CB2A6AAA

Não têm conta entre nós os pedagogos da prosperidade que, apegando-se a certas soluções onde, na melhor
hipótese, se abrigam verdades parciais, transformam-nas em requisito obrigatório e único de todo
progresso. É bem característico, para citar um exemplo, o que ocorre com a miragem da alfabetização.
Quanta inútil retórica se tem desperdiçado para provar que todos os nossos males ficariam resolvidos de um
momento para o outro se estivessem amplamente difundidas as escolas primárias e o conhecimento do abc.

A muitos desses pregoeiros do progresso seria difícil convencer de que a alfabetização em massa não é
condição obrigatória nem sequer para o tipo de cultura técnica e capitalista que admiram. Desacompanhada
de outros elementos fundamentais da educação, que a completem, é comparável, em certos casos, a uma
arma de fogo posta nas mãos de um cego.

Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. 27.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2015 (com
adaptações).

No que se refere às ideias e aos sentidos do texto CB2A6AAA e à sua classificação quanto ao tipo e ao gênero
textual, julgue o próximo item.

A preposição “para” (l.5) introduz, no período em que ocorre, uma ideia de finalidade.

49. Ano: 2016 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-PA | Prova: Conhecimentos Básicos- Cargos 4, 5 e
de 8 a 17

Texto CB5A1BBB

A partir do momento em que o Estado passa a cobrar tributos de seus cidadãos, amealhando para si parte
da riqueza nacional, surge a necessidade de destinação de tais quantias à realização das necessidades
públicas, pois, não visando ao lucro, o Estado não pode cobrar mais do que os dispêndios que lhe são

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imputados. Na chamada atividade financeira do Estado, sua principal ferramenta é o orçamento público, pois
nele constam as decisões políticas tomadas pelo administrador com o objetivo de satisfação dos interesses
coletivos.

Muito mais do que um mero documento de estimação e fixação das receitas e despesas, o orçamento,
conforme o texto constitucional vigente, constitui um verdadeiro sistema integrado de planejamento, de
sorte que, constituindo um verdadeiro orçamento-programa, o orçamento público passa a constituir etapas
do planejamento de desenvolvimento econômico e social, isto é, passa a ser conteúdo dos planos e
programas nacionais, regionais e setoriais, que devem ser compatibilizados com o plano plurianual.

Extrapolando-se os limites da simples teoria clássica do orçamento, pode-se dizer que o orçamento, em sua
feição atual, não deve ser compreendido unicamente como a simples autorização de gastos do Poder
Executivo pelo Poder Legislativo. Não se pode olvidar que, a partir do momento em que houve a limitação
das antigas monarquias absolutistas, o rei passou a necessitar de autorização de seus vassalos para a
realização dos gastos da coroa — como preceituado, por exemplo, na Magna Charta Libertatum, de 1215, e
na Petition 28 of Rights, de 1628. Também não se deve desconsiderar que a revolução orçamentária deveu-
se, em grande parte, à idealização do Estado liberal burguês, que emana, segundo especialistas da área, de
razões políticas, e não financeiras.

Conquanto esses fatos tenham contribuído para a formação do orçamento em sua tessitura tradicional, é
preciso, hoje, refletir sobre a real natureza da lei orçamentária atual, se autorizativa ou impositiva.

César Augusto Carra. O orçamento impositivo aos estados e aos municípios. Internet:
<[Link]> (com adaptações).

Julgue o item seguinte, com relação aos aspectos linguísticos do texto CB5A1BBB.

A supressão da preposição “em” (l.1) prejudicaria a correção gramatical do texto.

50. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: DPE-DF | Provas: Analista de Apoio à Assistência
Judiciária - Redes

Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo dirige-se a este porteiro e pede para entrar na lei. Mas
o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada. O homem do campo reflete e depois pergunta se
então não pode entrar mais tarde. “É possível”, diz o porteiro, “mas agora não”. Uma vez que a porta da lei
continua como sempre aberta, e o porteiro se põe de lado, o homem se inclina para o interior através da
porta. Quando nota isso, o porteiro ri e diz: “Se o atrai tanto, tente entrar apesar da minha proibição. Mas
veja bem: eu sou poderoso. E sou apenas o último dos porteiros. De sala para sala, porém, existem mais
porteiros, cada um mais poderoso que o outro. O camponês não esperava tais dificuldades: a lei deve ser
acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele. Ele faz muitas tentativas para ser admitido, e cansa o porteiro
com os seus pedidos. O homem, que se havia equipado para a viagem com muitas coisas, lança mão de tudo,
por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Este aceita tudo. Durante todos esses anos, o homem
observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único
obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos, amaldiçoa em voz alta o acaso infeliz. Antes de morrer,

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todas as experiências daquele tempo convergem na sua cabeça para uma pergunta que até então não havia
feito ao porteiro. Faz-lhe um aceno para que se aproxime. “O que é que você ainda quer saber?”, pergunta
o porteiro. “Você é insaciável.” “Todos aspiram à lei”, diz o homem. “Como se explica que, em tantos anos,
ninguém além de mim pediu para entrar?” O porteiro percebe que o homem já está no fim e, para ainda
alcançar sua audição em declínio, ele berra: “Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada estava
destinada só a você. Agora eu vou embora e fecho-a”.

Franz Kafka. O processo. Tradução de Modesto Carone. Companhia das Letras, 1997 (com adaptações).

Com referência às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

Seria mantida a correção gramatical e os sentidos originais do texto caso, no trecho “Aqui ninguém mais
podia ser admitido, pois esta entrada estava destinada só a você”, a conjunção “pois” fosse substituída por
posto que.

COMENTÁRIOS:

A substituição indicada não manteria a correção gramatical e os sentidos originais do texto, porque “posto
que” é uma conjunção concessiva, enquanto que, “pois” na frase em tela, tem valor explicativo.

Conjunções Concessivas

São as conjunções que indicam uma oração em que se admite um fato contrário à ação principal, mas incapaz
de impedi-la: Embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, bem que, se bem que, apesar de que,
nem que, que.

Observação:

 O “pois” após o verbo tem sentido conclusivo: Ela reconheceu seus erros, será, pois, aceita de volta
pela família.
 O “pois” antes do verbo tem sentido explicativo: Não deixe de memorizar essas regras, pois podem
cair na prova.

Gabarito: Errado.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 73

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5. Gabarito

1. ERRADO 27. D
2. C 28. A
3. A 29. A
4. ERRADO 30. A
5. CERTO 31. C
6. CERTO 32. B
7. CERTO 33. D
8. CERTO 34. D
9. CERTO 35. A
10. CERTO 36. B
11. ERRADO 37. A
12. CERTO 38. D
13. B 39. A
14. E 40. D
15. CERTO 41. A
16. CERTO 42. CERTO
17. CERTO 43. ERRADO
18. ERRADO 44. ERRADO
19. CERTO 45. CERTO
20. CERTO 46. CERTO
21. CERTO 47. ERRADO
22. ERRADO 48. CERTO
23. ERRADO 49. CERTO
24. CERTO 50. ERRADO
25. ERRADO
26. ERRADO

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6. Questões comentadas

1. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: FUB | Provas: Técnico de Tecnologia da Informação

Texto CB2A1-I

Ser mais humano em meio a um mundo cada vez mais digital — esse é o grande desafio das organizações
para o ano de 2022 no Brasil e em todo o mundo. O equilíbrio entre home office e escritório, em um modelo
híbrido de trabalho, deve ser a tendência para os próximos anos. E, no contexto da vida pós-pandemia, há
desafios que os departamentos de recursos humanos (RH) vão enfrentar para manter uma relação saudável
e positiva entre empresas e colaboradores e garantir, ainda, a produtividade do negócio. E no meio de tudo
isso, a tecnologia mais uma vez surge como a viabilizadora de bons resultados.

O primeiro desafio do RH é demonstrar segurança em um mundo de incertezas. É fundamental que toda a


comunicação da companhia com seus colaboradores seja feita de maneira clara, precisa e sem hesitação,
para evitar dúvidas e ansiedades, transmitindo-se segurança às equipes de trabalho. Nesse sentido, uma
plataforma digital workplace, a famosa intranet, é uma ferramenta indispensável para sustentar uma
comunicação de fato eficiente.

Não há mais espaço para um modelo de trabalho independente e não colaborativo nas organizações, depois
de quase dois anos de mudanças profundas nas relações de trabalho. Se o RH não dá as respostas certas no
tempo certo, os gestores tendem a agir sozinhos em busca de soluções para seus desafios de atração e
retenção de talentos. O resultado é uma desvalorização da área de recursos humanos, que é um dos pilares
para a produtividade e sustentabilidade de qualquer empresa.

O suporte da tecnologia ganha um papel cada vez mais estratégico para apoiar a tomada de decisão, que
precisa ser cada vez mais humanizada. Não se trata de usar a tecnologia para automatizar e otimizar
processos em uma estrutura “robotizada”, mas de ampliar o uso de ferramentas que humanizem as relações
a partir de dados mais ricos e informações mais completas e valiosas, para buscar o melhor tanto para os
colaboradores quanto para a própria empresa.

Em 2022, o foco deve ser encontrar soluções que possam resolver os desafios da gestão de capital humano
das organizações. Mesmo com toda a tecnologia existente, a ideia não é substituir pessoas, mas conferir-
lhes poder para que suas tomadas de decisões sejam ainda melhores. É a tecnologia viabilizando relações
mais humanas, precisas, por meio de dados reais, confiáveis. Esse é o caminho para o futuro. Robson
Campos.

Internet: <[Link]> (com adaptações).

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Em relação a aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue o seguinte item.

No segundo período do quarto parágrafo, o trecho introduzido pela conjunção “mas” tem sentido aditivo, o
que se confirma pelo emprego do advérbio de negação no início do período

COMENTÁRIOS:

Vamos analisar o trecho:

“Não se trata de usar a tecnologia para automatizar e otimizar processos em uma estrutura “robotizada”,
mas de ampliar o uso de ferramentas que humanizem as relações a partir de dados mais ricos e informações
mais completas e valiosas (...)”

A partir do contexto do parágrafo, podemos deduzir que a utilização da conjunção "mas" não implica uma
ideia aditiva, mas sim confere um sentido de oposição. Em outras palavras, o "mas" nessa situação atua como
uma conjunção coordenativa adversativa Portanto, a afirmativa está incorreta.

Gabarito: Errado.

2. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de Boa Vista - RR | Prova: Guarda Municipal

Texto CG1A1-II

A violência urbana é, ao mesmo tempo, um fenômeno social e um problema de ordem estrutural que podem
ser observados em cidades de todo o mundo, sejam elas metrópoles globais, cidades médias ou cidades
pequenas.

Por essa razão, muitas das causas da violência urbana estão enraizadas no processo histórico de formação
de um país. Também figura como causa a maneira como a urbanização e, consequentemente, a segregação
do espaço urbano contribuiu para o aprofundamento das desigualdades socioeconômicas e para a exclusão
de uma parcela da população, exclusão essa que é refletida no modo de organização do tecido urbano.

A principal causa da violência urbana é a desigualdade socioeconômica que caracteriza diversas sociedades,
inclusive a brasileira, e se expressa principalmente por meio da má distribuição de renda entre a população,
que acarreta outros problemas mais graves, como a fome, a miséria e a falta de acesso a serviços e direitos
básicos do cidadão que assegurariam a ele uma vida digna, com moradia, saneamento, saúde e educação.

Tais desigualdades foram ainda reforçadas com o processo de urbanização, em especial nos países
subdesenvolvidos e nos países emergentes, nos quais o crescimento das cidades aconteceu em um período
mais recente, a partir de meados do século XX, e se deu de forma rápida e sem planejamento, causando a
chamada macrocefalia urbana.

Internet: <[Link] (com adaptações).

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A correção gramatical e o sentido do texto CG1A1-II seriam mantidos caso a expressão “Por essa razão”, no
início do segundo parágrafo, fosse substituída por

a) Porisso.

b) Diante isso.

c) Devido a isso.

d) Apesar disso.

COMENTÁRIOS:

A questão procura uma alternativa que possa substituir a expressão "Por essa razão" no texto, mantendo a
correção gramatical e o sentido. Vejamos o trecho:

“Por essa razão, muitas das causas da violência urbana estão enraizadas no processo histórico de formação
de um país".

a) A alternativa estaria correta se estivesse escrita separadamente “por isso”, e não “porisso” tudo junto.

b) A alternativa estaria correta se estivesse escrita "diante disso", ou seja, diante de algo, e não "diante isso".

c) A alternativa está correta em seu inteiro teor, pois tanto "por isso" quanto "devido a isso" expressam a
ideia de motivo ou causa.

d) "Apesar disso" expressa a ideia de concessão, não de causa.

Após análise individual de cada alternativa, podemos concluir que o gabarito correto da questão é a letra C.

Gabarito: C

3. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TJ-CE | Provas: Técnico Judiciário

Texto CGIAI-I

Nem mais como tema literário serve ainda esse assunto de seca. Já cansou quem escreve, cansou quem lê e
cansou principalmente quem o sofre. Parece mesmo que cansou o próprio Deus Nosso Senhor, pois que
afinal, repetindo um gesto sucedido há exatamente um século (o último diz a tradição que foi em 1851),
contra todos os cálculos, contra todas as experiências, ultrapassando os otimismos mais alucinados, fez
começar um inverno no Nordeste durante a primeira quinzena de abril.

Eu estava lá. Assisti mais uma vez à mágica transformação do deserto em jardim do paraíso. E vendo o céu
escurecer bonito, depois de tantos meses de desesperança, os compadres diziam que eu lhes levara o
inverno nas malas. O fato é que, durante a viagem de ida, enquanto o "Constellation" da Panair voava por

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cima do colchão compacto de nuvens carregadas de água, me dava uma vontade desesperada de rebocá-las
todas, lá para onde tanta falta faziam, levá-las como rebanho de golfinhos prisioneiros e despejá-las em cheio
sobre os serrotes do Quixadá.

Pois choveu. Encheram-se os açudes, as várzeas deram nado, os rios subiram de barreira a barreira.

Mas ninguém espere muito de um inverno assim tardio. Já se agradece de joelhos o pasto aparentemente
garantido, o gado salvo. Mas não se espera que haja milho. Talvez feijão, desse precoce que dá em dois
meses. E o algodão aguenta, provavelmente. Nada mais.

Rachel de Queiroz. Choveu! (com adaptações).

Entende-se do penúltimo parágrafo do texto CG1A1-I que o segundo período expressa, em relação ao
primeiro, uma ideia de

a) consequência.

b) finalidade.

c) causa.

d) conclusão.

e) explicação.

COMENTÁRIOS:

A questão busca determinar qual é a ideia transmitida pelo segundo período em relação ao primeiro período
do penúltimo parágrafo. Vamos examinar o trecho:

“Pois choveu. Encheram-se os açudes, as várzeas deram nado, os rios subiram de barreira a barreira".

a) A alternativa está correta, pois existe uma relação de causa e consequência no trecho supracitado, isto é,
a ocorrência da chuva resultou no enchimento dos açudes. Portanto, podemos concluir que o segundo
período: "encheram-se os açudes, as várzeas deram nado, os rios subiram de barreira a barreira" é uma
consequência direta da ação de chover mencionada no primeiro período.

As conjunções subordinativas consecutivas têm valor semântico de consequência, resultado, produto. São
elas: que (precedido de tão, tal, tanto, tamanho), sem que, de sorte que, de modo que, de forma que, de
maneira que.

Exemplo: Bebeu tanto que vomitou na prova.

b) O trecho não tem sentido de finalidade. As conjunções subordinativas finais têm valor semântico de
objetivo, intenção, intuito. São elas: a fim de que, para que, que e porque (para que).

Exemplo: Pintamos a sala, a fim de que embeleze o ambiente.

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c) O trecho em tela não sugere intenção de causa e sim consequência. As conjunções subordinativas causais
têm valor semântico de motivo, razão. São elas: porque, porquanto, como, uma vez que, visto que, já que,
posto que, por isso que, na medida em que, dado que.

Exemplo: Já que você está estudando bastante, suas chances de passar em concurso são enormes.

d) O trecho em tela não apresenta a percepção de conclusão. As conjunções coordenativas conclusivas têm
valor semântico de conclusão, fechamento, finalização. São elas: logo, portanto, por isso, por conseguinte,
pois (depois do verbo), então, assim, destarte, dessarte.

Exemplo: Comemos muito no almoço, portanto não estamos com fome.

e) O trecho não traz o sentido de explicação e sim consequência. As conjunções coordenativas explicativas
têm valor semântico de justificativa, motivo, razão. São elas: porque, pois (antes do verbo), porquanto, que.

Exemplo: Vamos indo, porque já é tarde.

Assim sendo, podemos atestar que a alternativa correta é a letra A.

Gabarito: A

4. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEE-PE | Provas: Professor Braillista

Texto CB1A1-I

Com altos índices de evasão escolar, baixo engajamento e conteúdos pouco conectados à realidade dos
alunos, o ensino médio já era, antes da pandemia de covid-19, a etapa mais desafiadora da educação básica.
Com o fechamento das escolas e o distanciamento dos estudantes do convívio educacional, os últimos anos
escolares passaram a trazer ainda mais dificuldades a serem enfrentadas — reforçadas pelas desigualdades
raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet.

Nenhuma avaliação diagnóstica precisou os prejuízos totais da pandemia para a aprendizagem dos alunos,
mas há alguns estudos que ajudam a entender melhor o cenário. Uma pesquisa realizada pelo Centro de
Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apontou que houve
piora em todas as séries avaliadas. Segundo a pesquisa amostral, em matemática, o desempenho alcançado
no 3.º ano do ensino médio foi de 255,3 pontos na escala de proficiência, inferior aos 261,7 obtidos pelos
estudantes ao final do 9.º ano do ensino fundamental no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de
2019. Em língua portuguesa, os estudantes do 9.º ano apresentaram uma queda de 12 pontos, e os do 3.º
ano do ensino médio, de 11 pontos.

Após o retorno presencial, estados e municípios ainda têm muito trabalho para identificar os reais prejuízos,
dimensioná-los e encontrar caminhos e soluções para que professores e estudantes possam retomar a
aprendizagem.

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Para Suelaine Carneiro, coordenadora de educação na Geledés, organização da sociedade civil que se
posiciona em defesa de mulheres e homens negros, “há um consenso de que não foi possível atender todos
os alunos” na educação pública. “Os dados indicam um baixo número de participação dos estudantes,
somado à impossibilidade de os familiares acompanharem a resolução das tarefas”, afirma. Mas não fica
apenas nisso. “Em termos de aprendizagem, os dados também mostram dificuldades no que diz respeito à
compreensão e à resolução das tarefas.”

De acordo com ela, a situação de alunos negros requer ainda mais atenção. “É preciso prestar atenção nessa
condição: a pessoa já estava vulnerável socialmente, sem a possibilidade de realizar um isolamento dentro
de casa, pois vive em uma casa pequena ou onde não há cômodos suficientes”, contextualiza Suelaine.

Agravada pela pandemia, que engrossou o número de trabalhadores desempregados, a questão econômica
foi um dos grandes fatores que impactou a vida dos estudantes do ensino médio. “Temos alunos que estão
trabalhando no horário de aula, dizendo que precisam ajudar a família, e aos fins de semana assistem às
atividades”, relata a professora Lucenir Ferreira, da Escola Estadual Mário Davi Andreazza, em Boa Vista (RR).
Lucenir conta que muitos alunos chegam a falar que não conseguem aprender nada e desabafam por sentir
que a aprendizagem foi prejudicada, principalmente os que estão em processo de preparação para o
vestibular.

Apesar dos desafios, Suelaine acredita que os impactos não são irreversíveis, como outros especialistas têm
apontado. “Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas, compromisso público com a
educação, de forma a desenvolver diferentes ações”, diz ela.

Internet: <[Link]> (com adaptações).

Em relação aos aspectos gramaticais do texto CB1A1-I, julgue o seguinte item:

No segundo período do quinto parágrafo, a conjunção “pois” introduz uma conclusão.

COMENTÁRIOS:

É comum haver confusões entre as conjunções coordenativas explicativas e as conjunções coordenativas


conclusivas. Abaixo, encontra-se a explicação de cada uma delas para compreender suas peculiaridades:

As conjunções coordenativas explicativas têm valor semântico de explicação, justificativa, motivo, razão.
São elas: porque, pois (antes do verbo), porquanto, que.

Ex.: Vamos indo, pois já é tarde.

Por outro lado, as conjunções coordenativas conclusivas têm valor semântico de conclusão, fechamento,
finalização. São elas: logo, portanto, por isso, por conseguinte, pois (depois do verbo), então, assim, destarte,
dessarte.

Exemplo: Estudamos muito; passaremos, pois, no concurso.

Agora que você entendeu a diferença entre as duas conjunções coordenativas, vamos analisar o trecho:

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“É preciso prestar atenção nessa condição: a pessoa já estava vulnerável socialmente, sem a possibilidade
de realizar um isolamento dentro de casa, pois vive em uma casa pequena ou onde não há cômodos
suficientes, contextualiza Suelaine.”

Perceba que a conjunção “pois” precede o verbo “vive”, isso fornece um indicativo de que seja uma
conjunção explicativa. Ademais, se analisarmos o contexto do trecho, podemos concluir que, nesse caso, a
conjunção “pois” traz o sentido de explicação, isto é, uma justificativa para esclarecer o motivo da
vulnerabilidade social da pessoa. Note também que, se substituirmos o “pois” por qualquer conjunção
coordenativa conclusiva a frase fica sem sentido algum. Portanto, fica claro que a afirmativa está incorreta.

Gabarito: Errado.

5. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-SC | Prova: Promotor de Justiça Substituto

Texto 2A2-I

O justo se desvela no decorrer das lutas de libertação na história. O justo é um saber que se vai constituindo
à medida que nossa consciência da história se aguça. Mas não basta a consciência da história, pois procurar
a justiça é uma atitude ética — é uma escolha. Não podemos cair em uma visão automática da história, na
qual nossa simples posição em dado estrato social nos leva necessariamente a pensar de certa forma, a
valorizar em certa medida. Se aceitássemos essa visão, bastaria ficarmos quietos esperando que a história
se fizesse de acordo com seus mecanismos. Mas o real é outro. A justiça está se fazendo pela organização
popular, pelo aguçamento dos conflitos. E cada um de nós vislumbra o norte da justiça, por via da busca de
uma visão coerente da história, aliada a uma prática e a uma análise rigorosa das circunstâncias
presentemente vividas.

A busca da justiça como virtude não é equidistante, não é neutra, não é equilibrada. Ela nos força, a cada
momento, a tomar partido, a ser parcial, tendo a parcela maior dos seres humanos como fundamento. Ser
justo é viver a virtude de tomar partido em busca do melhor, fundado na visão mais lúcida possível da história
e na análise das circunstâncias maiores e menores que isso envolve. A justiça é uma virtude agente que se
explicita na prática social comprometida.

Roberto Aguiar. O que é justiça: uma abordagem dialética. Brasília: Senado Federal. Conselho Editorial,
2020, p. 319-20 (com adaptações).

Em relação a aspectos linguísticos do texto 2A2-I, julgue o item a seguir.

No segundo período do primeiro parágrafo, a locução conjuntiva “à medida que” denota proporcionalidade
entre duas situações.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“O justo é um saber que se vai constituindo à medida que nossa consciência da história se aguça."

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O termo em questão pode ser substituído por "à proporção que". As bancas examinadoras têm o hábito de
confundir os candidatos com o uso de "à medida que" e "na medida que". O primeiro expressa proporção,
enquanto o segundo indica causa. Portanto, podemos concluir que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

6. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Telebras | Provas: Especialista em Gestão de
Telecomunicações – Auditoria

No mundo de hoje, as telecomunicações representam muito mais do que um serviço básico; são um meio
de promover o desenvolvimento, melhorar a sociedade e salvar vidas. Isso será ainda mais verdade no
mundo de amanhã.

A importância das telecomunicações ficou evidente nos dias que se seguiram ao terremoto que devastou o
Haiti, em janeiro de 2010. As tecnologias da comunicação foram utilizadas para coordenar a ajuda, otimizar
os recursos e fornecer informações sobre as vítimas, das quais se precisava desesperadamente. A União
Internacional das Telecomunicações (UIT) e os seus parceiros comerciais forneceram inúmeros terminais
satélites e colaboraram no fornecimento de sistemas de comunicação sem fio, facilitando as operações de
socorro e limpeza.

Saúdo essas iniciativas e, de um modo geral, o trabalho da UIT e de outras entidades que promoveram o
acesso à banda larga em zonas rurais e remotas de todo o mundo.

Um maior acesso pode significar mais progressos no domínio da realização dos Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio. A Internet impulsiona a atividade econômica, o comércio e até a educação. A
telemedicina está melhorando os cuidados com a saúde, os satélites de observação terrestre são usados
para combater as alterações climáticas e as tecnologias ecológicas contribuem para a existência de cidades
mais limpas.

Ao passo que essas inovações se tornam mais importantes, a necessidade de atenuar o fosso tecnológico é
mais urgente.

Ban Ki-moon (secretário-geral das Nações Unidas). Pronunciamento acerca do Dia Mundial das
Telecomunicações e da Sociedade de Informação. 17 de maio de 2010. Internet: <[Link]> (com
adaptações).

Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.

No trecho “os satélites de observação terrestre são usados para combater as alterações climáticas e as
tecnologias ecológicas contribuem para a existência de cidades mais limpas”, a substituição da conjunção
“e” por uma vírgula manteria a correção gramatical e a coerência do texto.

COMENTÁRIOS:

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A conjunção coordenativa "e" e a presença da vírgula têm a função de coordenar orações independentes,
portanto, podem ser utilizadas nesta situação:

"os satélites de observação terrestre são usados para combater as alterações climáticas e as tecnologias
ecológicas contribuem para a existência de cidades mais limpas."

"os satélites de observação terrestre são usados para combater as alterações climáticas, as tecnologias
ecológicas contribuem para a existência de cidades mais limpas."

Ao remover o valor aditivo, a expressão é alterada, mas a questão não requer uma análise de sentido, apenas
avaliação de correção e coerência. Portanto, podemos concluir que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

7. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Telebras | Provas: Especialista em Gestão de
Telecomunicações – Auditoria

“Ao passo que essas inovações se tornam mais importantes, a necessidade de atenuar o fosso tecnológico é
mais urgente.”

No último parágrafo, a expressão “Ao passo que” estabelece uma relação de proporcionalidade entre as
orações que formam o período.

COMENTÁRIOS:

A expressão infere uma relação de aumento proporcional, que pode ser reescrita usando outra locução
conjuntiva proporcional, da seguinte maneira:

“À medida que as inovações se tornam mais significativas, a urgência de diminuir a lacuna tecnológica se
intensifica.”

Assim sendo, podemos atestar que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

8. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PGE-PE | Provas: Analista Judiciário de Procuradoria

Texto CB2A1-I

Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza, o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando
isso ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam época, pedras miliares no caminho da
humanidade. A invenção das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do pastoreio na
Mesopotâmia, a organização da democracia na Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre

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os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no século XIX, tudo isso representa saltos de época,
que desorientaram gerações inteiras.

Se observarmos bem, essas ondas longas da história, como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais
curtas. Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura pela indústria, ocorrida no século XX, e,
em menos de um século, um novo salto de época nos tomou de surpresa, lançando-nos na confusão. Dessa
vez o salto coincidiu com a rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada pelos
proprietários das fábricas manufatureiras para uma sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos
proprietários dos meios de informação.

O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial
anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico, pela globalização, pelas guerras mundiais,
pelas revoluções proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de comunicação de massa. Agindo
simultaneamente, esses fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a mais irresistível de toda
a história humana — na qual nós, contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar envolvidos
em primeira pessoa.

Ninguém poderia ficar impassível diante de uma mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais
difundida é a desorientação.

A nossa desorientação afeta as esferas econômica, familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de
crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque quem está desorientado sente-se em crise, e
quem se sente em crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de projetar nosso futuro, alguém o
projetará para nós, não em função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para entender o nosso tempo. Trad. Silvana
Cobucci e Federico Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações)

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue o item que se segue:

“Se observarmos bem, essas ondas longas da história, como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais
curtas. Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura pela indústria, ocorrida no século XX, e,
em menos de um século, um novo salto de época nos tomou de surpresa, lançando-nos na confusão.”

O sentido original e a correção gramatical do texto seriam mantidos se a palavra “como” fosse substituída
por conforme.

COMENTÁRIOS:

Sim, é verdade. "Conforme" é igualmente uma conjunção subordinativa conformativa. Veja a seguir a frase
reescrita usando outras conjunções de mesma classificação:

“Se observarmos bem, essas ondas longas da história, conforme/consoante/segundo as chamava Braudel,
tornaram-se cada vez mais curtas.”

Portanto, podemos atestar que a afirmativa está correta.

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Gabarito: Certo.

9. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDUC-AL | Prova: Professor – Português

O estado de São Paulo realiza o chamado “dia D” da vacinação contra a febre amarela em cidades da Grande
São Paulo, do Vale do Paraíba e da Baixada Santista. O governo do estado pretende imunizar 9,2 milhões de
pessoas. Para se vacinar, as pessoas devem apresentar documento de identidade e carteiras do SUS e de
vacinação.

A campanha será feita com a dose fracionada da vacina. Segundo o Ministério da Saúde, a vacina fracionada
tem eficácia de oito anos, e quem já tomou uma dose não precisará se vacinar novamente.

Também serão disponibilizadas doses convencionais para crianças com idade entre nove meses e dois anos,
pessoas que viajarão para países que exigem imunização, grávidas que moram em área de risco,
transplantados e portadores de doenças crônicas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a
dose padrão tem validade para a vida toda.

São Paulo faz mutirão para vacinação contra a febre amarela. Internet: <[Link]> (com
adaptações).

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir:

Em “Para se vacinar, as pessoas precisam de documento de identidade e carteiras do SUS e de vacinação”, a


preposição “Para” exerce o papel de conectivo e introduz uma oração que expressa finalidade.

Comentários:

"Para" desempenha um papel de conectivo, uma vez que é uma preposição que serve como um elemento
de ligação. Além disso, tem um significado de finalidade, indicando que as pessoas carregam os documentos
com o objetivo específico de apresentá-los durante o processo de vacinação. Assim sendo, podemos concluir
que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

10. Ano: 2020 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-CE | Prova: Técnico Ministerial

Em qualquer tempo ou lugar, a vida social é sempre marcada por rituais. Essa afirmação pode ser inesperada
para muitos, porque tendemos a negar tanto a existência quanto a importância dos rituais na nossa vida
cotidiana.

Em geral, consideramos que rituais seriam eventos de sociedades históricas, da vida na corte europeia, por
exemplo, ou, em outro extremo, de sociedades indígenas. Entre nós, a inclinação inicial é diminuir sua
relevância. Muitas vezes comentamos “Ah, foi apenas um ritual”, querendo enfatizar exatamente que o

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evento em questão não teve maior significado e conteúdo. Por exemplo, um discurso pode receber esse
comentário se for considerado superficial em relação à expectativa de um importante comunicado. Ritual,
nesse caso, é a dimensão menos importante de um evento, sinal de uma forma vazia, algo pouco sério — e,
portanto, “apenas um ritual”. Agimos como se desconhecêssemos que forma e conteúdo estão sempre
combinados e associamos o ritual apenas à forma, isto é, à convencionalidade, à rigidez, ao tradicionalismo.
Tudo se passa como se nós, modernos, guiados pela livre vontade, estivéssemos liberados desse fenômeno
do passado. Em suma, usamos o termo ritual no dia a dia com uma conotação de fenômeno formal e arcaico.

Mariza Peirano. Rituais ontem e hoje. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003, p. 7-8 (com adaptações)

Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos lingüísticos do texto anterior, julgue o item a seguir:

“Em geral, consideramos que rituais seriam eventos de sociedades históricas, da vida na corte europeia, por
exemplo, ou, em outro extremo, de sociedades indígenas. Entre nós, a inclinação inicial é diminuir sua
relevância. Muitas vezes comentamos ‘Ah, foi apenas um ritual. ’ querendo enfatizar exatamente que o
evento em questão não teve maior significado e conteúdo. Por exemplo, um discurso pode receber esse
comentário se for considerado superficial em relação à expectativa de um importante comunicado. Ritual,
nesse caso, é a dimensão menos importante de um evento, sinal de uma forma vazia, algo pouco sério — e,
portanto, ‘apenas um ritual. ‘“

A substituição do trecho “se for considerado” por quando considerado preservaria a coerência e a correção
gramatical do texto.

COMENTÁRIOS:

Não haveria nenhuma incorreção ou falta de coerência (absurdo, ilógico) no texto. A oração ficaria reduzida,
uma vez que o verbo "for" seria omitido:

"um discurso pode receber esse comentário se/quando considerado superficial em relação à expectativa."

Quanto ao significado, podemos argumentar que o uso da conjunção temporal "quando" torna o texto
menos hipotético do que o uso da conjunção condicional "se", mas isso é uma sutileza que não foi abordada
na questão. Dessa maneira, podemos atestar que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

11. Ano: 2020 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-CE | Prova: Técnico Ministerial

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava
ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer
por um momento. E então parecia tão livre.

Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que
fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela

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própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que
morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.

Clarice Lispector. Uma galinha. In: Laços de família: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos lingüísticos do texto precedente, julgue o item que se
segue:

No trecho “Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista”, existe uma relação de oposição
entre as orações que compõem o período.

COMENTÁRIOS:

Na verdade, o termo "como", nesse caso, atua sendo uma conjunção comparativa. Observe a reescrita da
frase usando outra conjunção comparativa:

“A galinha não contava consigo da mesma forma que o galo crê na sua crista.”

Portanto, podemos certificar que a afirmativa está incorreta.

Gabarito: Errado.

12. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-PI | Provas: Conhecimentos Básicos - Cargos de
Nível Superior

Texto CB1A1-I

Escrita, secreta e submetida, para construir as suas provas, a regras rigorosas, a investigação penal é uma
máquina que pode produzir a verdade na ausência do réu. E, por isso mesmo, esse procedimento tende
necessariamente para a confissão, embora em direito estrito não a exija. Por duas razões: em primeiro lugar,
porque constitui uma prova tão forte que não há necessidade de acrescentar outras, nem de entrar na
difícil e duvidosa combinatória dos indícios; a confissão, desde que seja devidamente feita, quase exime o
acusador de fornecer outras provas (em todo o caso, as mais difíceis); em segundo, a única maneira para que
esse procedimento perca toda a sua autoridade unívoca e para que se torne uma vitória efetivamente obtida
sobre o acusado, a única maneira para que a verdade exerça todo o seu poder, é que o criminoso assuma o
seu próprio crime e assine aquilo que foi sábia e obscuramente construído pela investigação.

No interior do crime reconstituído por escrito, o criminoso confesso desempenha o papel de verdade viva.
Ato do sujeito criminoso, responsável e falante, a confissão é a peça complementar de uma investigação
escrita e secreta. Daí a importância que todo processo de tipo inquisitorial atribui à confissão.

Por um lado, tenta-se fazê-la entrar no cálculo geral das provas, como se fosse apenas mais uma: não é a
evidentia rei; tal como a mais forte das provas, não pode por si só implicar a condenação e tem de ser
acompanhada por indícios anexos e presunções, pois já houve acusados que se declararam culpados de
crimes que não cometeram; se não tiver em sua posse mais do que a confissão regular do culpado, o juiz

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deverá então fazer investigações complementares. Mas, por outro lado, a confissão triunfa sobre quaisquer
outras provas. Até certo ponto, transcende-as; elemento no cálculo da verdade, a confissão é também o ato
pelo qual o réu aceita a acusação e reconhece os seus bons fundamentos; transforma uma investigação feita
sem a sua participação em uma afirmação voluntária.

Michel Foucault. Vigiar e punir – nascimento da prisão. Trad. Pedro Elói Duarte. Ed. 70: 2013 (com
adaptações)

Com relação às ideias e aos sentidos do texto CB1A1-I, julgue o próximo item:

O trecho “que não há (...) indícios” exprime uma noção de consequência.

COMENTÁRIOS:

Isso é um exemplo clássico do "que" consecutivo em conjunto com um intensificador (tão, tanto, tamanho,
tal...). Acompanhe a reescrita:

“A confissão do réu é prova tão forte que (como consequência), não é preciso trabalhar com os indícios, que
são mais fracos que a confissão no seu ’poder de prova. ’”

Portanto, podemos atestar que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

13. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-PB | Prova: Agente de Documentação

O medo do esquecimento obcecou as sociedades europeias da primeira fase da modernidade. Para dominar
sua inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços do passado, a lembrança dos mortos ou a glória
dos vivos e todos os textos que não deveriam desaparecer. A pedra, a madeira, o tecido, o pergaminho e o
papel forneceram os suportes nos quais podia ser inscrita a memória dos tempos e dos homens.

No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca, na magnitude do livro e na humildade dos objetos mais
simples, a escrita teve como missão conjurar contra a fatalidade da perda. Em um mundo no qual as escritas
podiam ser apagadas, os manuscritos podiam ser perdidos e os livros estavam sempre ameaçados de
destruição, a tarefa não era fácil. Paradoxalmente, seu sucesso poderia criar, talvez, outro perigo: o de uma
incontrolável proliferação textual de um discurso sem ordem nem limites.

O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis e abafa o pensamento sob o acúmulo de discursos, foi
considerado um perigo tão grande quanto seu contrário. Embora fosse temido, o apagamento era
necessário, assim como o esquecimento também o é para a memória. Nem todos os escritos foram
destinados a se tornar arquivos cuja proteção os defenderia da imprevisibilidade da história. Alguns foram
traçados sobre suportes que permitiam escrever, apagar e depois escrever de novo.

Roger Chartier. Inscrever e apagar: cultura escrita e literatura (séculos XI-XVIII). Trad.: Luzmara Curcino
Ferreira. São Paulo: UNESP, 2007, p. 9-10 (com adaptações).

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 88

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No texto as relações sintático-semânticas do período “Embora fosse temido, o apagamento era necessário,
assim como o esquecimento também o é para a memória” seriam preservadas caso a conjunção “Embora”
fosse substituída por

a) Por conseguinte.

b) Ainda que.

c) Consoante.

d) Desde que.

e) Uma vez que.

COMENTÁRIOS:

"Embora" faz parte das conjunções concessivas, as quais sinalizam uma oração em que se aceita um fato
contrário à ação principal, porém sem a capacidade de impedir essa ação. Deve-se encontrar entre as opções
uma conjunção com o mesmo significado.

a) “Por conseguinte” faz parte das conjunções conclusivas, que exprimem conclusão de pensamento.

b) “Ainda que” faz parte das conjunções concessivas, que iniciam orações subordinadas exprimindo um fato
contrário ao da oração principal.

c) “Consoante” faz parte das conjunções conformativas, que iniciam orações subordinadas exprimindo
acordo, concordância de um fato com outro.

d) “Desde que” faz parte das conjunções condicionais, que iniciam orações subordinadas exprimindo
hipótese ou condição para que o fato da oração principal se realize ou não.

e) “Uma vez que” faz parte das conjunções causais, que introduzem orações subordinadas que dão ideia de
causa.

Portanto, após analisar cada alternativa, chegamos à conclusão de que a assertiva correta é a letra B.

Gabarito: B

14. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEFAZ-RS | Prova: Auditor Fiscal da Receita Estadual

A política tributária não se restringe ao objetivo de abastecer os cofres públicos, mas tem também objetivos
econômicos e sociais. Se fosse aumentada a tributação sobre um produto considerado nocivo para o
consumidor ou para a sociedade, o seu consumo poderia ser desestimulado. Caso a intenção fosse promover
uma melhor distribuição de renda, o Estado poderia reduzir tributos incidentes sobre os produtos mais
consumidos pela população de renda mais baixa e elevar os tributos sobre a renda da classe mais alta.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 89

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Por outro lado, se o Estado reduzisse a tributação de determinado setor da economia, os custos desse setor
diminuiriam, o que possibilitaria a queda dos preços de seus produtos e poderia gerar um crescimento das
vendas. Outro efeito viável dessa política seria o aumento do lucro das empresas, favorecendo-se, assim, a
elevação dos seus investimentos — e, consequentemente, da produção — e o surgimento de novas
empresas, o que provavelmente resultaria no crescimento da produção, bem como no acirramento da
concorrência, com possíveis reflexos sobre os preços. Em qualquer um desses cenários, o setor seria
estimulado.

Internet: <[Link] (com adaptações)

No texto, a oração “se o Estado reduzisse a tributação de determinado setor da economia” apresenta, no
período em que se insere, noção de

A) concessão, uma vez que representa uma exceção às regras de tributação do país.

B) explicação, uma vez que esclarece uma ação que diminuiria os custos do referido setor.

C) proporcionalidade, uma vez que os custos do referido setor diminuiriam à medida que se diminuísse a
tributação.

D) tempo, uma vez que a diminuição dos custos do referido setor ocorreria somente após a redução da
tributação sobre ele.

E) condição, uma vez que a diminuição dos custos do referido setor dependeria da redução da tributação
sobre ele.

COMENTÁRIOS:

"Se" é uma conjunção condicional muito comum, portanto, quando usada em uma oração subordinada
adverbial condicional, estabelece uma condição que precisa ser cumprida para que outra aconteça. Ou seja,
se a tributação diminuir, então, diminuirão os custos. Dessa maneira, podemos atestar que a alternativa
correta é a letra E.

Gabarito: E

15. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-SC | Prova: Promotor de Justiça Substituto

Texto 2A1-I

Quando falamos em direito, estamos falando inicialmente de um enorme conjunto de regras obrigatórias, o
chamado direito positivo. Mas o vocábulo direito é usado também para o curso de Direito, a assim chamada
“ciência do Direito”. Numa terceira acepção, a palavra designa os direitos de cada um de nós, chamados de
direitos subjetivos, pois somos os sujeitos, os titulares, desses direitos.

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Ninguém ignora que paira sobre nossas cabeças uma gigantesca teia de normas, que atinge praticamente
todas as nossas atividades. A vida de cada um de nós é regulada de dia e de noite, desde antes do nascimento
e, por incrível que pareça, até depois da morte.

Muitos pensadores têm destacado que o direito atual parece ter invadido tudo: há direito em toda parte,
para todos, para tudo. A contrapartida é que, assim como temos que seguir as normas, os outros também
têm de cumpri-las e, desse modo, respeitar os direitos de cada um de nós, os ditos direitos subjetivos.

Eduardo Muylaert. Direito no cotidiano: guia de sobrevivência na selva das leis. São Paulo: Editora
Contexto, 2020, p.11-12 (com adaptações).

Com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente.

A grafia “Numa” (primeiro parágrafo) é correta e corresponde à contração da preposição em com o artigo
uma.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“Quando falamos em direito, estamos falando inicialmente de um enorme conjunto de regras obrigatórias,
o chamado direito positivo. Mas o vocábulo direito é usado também para o curso de Direito, a assim chamada
“ciência do Direito”. Numa terceira acepção, a palavra designa os direitos de cada um de nós (...)”

A preposição é uma classe de palavras invariável que liga dois elementos da oração, subordinando o segundo
ao primeiro. Isto é, no caso em tela a palavra “numa” é a junção da preposição “em” + “uma”, que é artigo
feminino singular. Portanto, podemos concluir que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

16. Ano: 2020 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEFAZ-AL | Provas: Auditor de Finanças e Controle de
Arrecadação da Fazenda Estadual

É uma loja grande e escura no centro da cidade, uma quadra distante da estação de trem. Quando visito a
família, entre um churrasco e outro, vou até lá para olhar as gôndolas atulhadas de baldes, bacias, chaves de
fenda, garfos, colheres, facas, afiadores de vários modelos, pedras de amolar, parafusos, porcas, pregos,
anzóis e varas de pescar.

É uma loja grande e escura, eu dizia, no centro da cidade onde nasci, e dentro dela me sinto protegido,
distante da neurose e dos problemas, sonhando com uma das vidas que não tive e me esquecendo da vida
real em que me perco enquanto a atravesso e sou por ela atravessado.

Tem meia dúzia de atendentes, conheço dois ou três pelo nome, e o dono do lugar é sempre simpático
comigo. Sabe que gosto do seu negócio, que, se me mudasse de novo para lá, seria seu freguês. Mas também
sei que me vê como um tipo que há vinte anos vive na capital, que a essa altura é mais metropolitano que

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interiorano, um cara talvez meio esquisito, ou apenas ridículo, que se interessa por coisas de que não precisa,
coisas das quais não entende.

Da última vez gastei uma eternidade olhando uma caneca de alumínio. Não a coloquei na cesta de compras.
Para ser sincero, mal consegui tocá-la. De repente minha existência pareceu absurda, e eu teria que trocar
de roupa e de pele antes de usar aquela caneca industrial. Ou pelo menos pintar de outra cor as paredes da
sala. Era trabalho demais, desisti. Agora tenho uma caneca imaginária — que brilha na sombra quando bebo
água.

Fabrício Corsaletti. Escura. In: Perambule. São Paulo: Editora 34, 2018 (com adaptações).

No que concerne às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.

Sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos do texto, a expressão “uma quadra distante da estação
de trem” poderia ser substituída por a uma quadra de distância da estação de trem.

COMENTÁRIOS:

A preposição “a” sugere noção de limite. Estar a uma quadra, ou seja, estar à distância de uma quadra, em
outras palavras, estar uma quadra distante. Portanto, podemos atestar que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

17. Ano: 2020 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEFAZ-DF | Prova: Auditor Fiscal

Grandes companhias globais falam muito em sustentabilidade ambiental e descarbonização de sua


produção, mas o que fazem na prática é insuficiente. A implementação de programas de sustentabilidade
corporativa tem sido lenta, conforme estudo de dois professores do International Institute for Management
Development (IMD), instituto de administração sediado na cidade suíça de Lausanne.

Dos executivos consultados em outra pesquisa realizada pelo IMD, 62% consideram estratégias de
sustentabilidade necessárias para serem competitivos atualmente, e outros 22% dizem que isso será
importante no futuro. Sustentabilidade é vista como uma abordagem de negócios para criar valor a longo
prazo, levando-se em conta como uma companhia opera nos ambientes ecológico, social e econômico.

Em pesquisa com dez setores industriais ao longo de três anos, os dois professores do IMD concluíram que,
ao contrário do otimismo gerado pelo Acordo de Paris para combater a mudança climática e pelos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, as iniciativas nas empresas deixam a desejar. Na
pesquisa, eles constataram que menos de um terço das companhias desenvolveram casos de negócios claros
ou proposições de valor apoiadas em sustentabilidade. Além disso, apenas 10% das empresas estão
conseguindo captar o valor total da sustentabilidade, enquanto muitas companhias restam presas na
“divulgação”. Alguns setores têm melhores resultados na implementação de programas de sustentabilidade,
como o setor de material de construção, em comparação ao de telecomunicações.

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Os professores alertam que o tempo está esgotando. Estudos mostram que a poluição de carbono precisa
ser cortada quase pela metade até 2030 para evitar 1,5 grau de aquecimento do planeta. Isso requer revisões
ainda mais drásticas das indústrias globais e dos governos.

Os dois professores destacam que os investidores reconhecem cada vez mais o impacto, para a sociedade,
das empresas nas quais investem. Eles notam que a necessidade de desenvolver modelos de negócios mais
sustentáveis está aumentando tão rapidamente quanto os níveis de dióxido de carbono na atmosfera. E
sugerem um forte senso de foco que chamam de “vetorização”, que inclui programas de sustentabilidade
corporativa mais acelerados.

Os pesquisadores alertam que companhias que trabalham em boas causas sem relação com seus negócios
centrais tendem a ser menos efetivas.

Assis Moreira. Valor econômico, 18/3/2019. Internet: <[Link]> (com adaptações).

Considerando os aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.

No trecho “os investidores reconhecem cada vez mais o impacto, para a sociedade, das empresas nas quais
investem”, a substituição de “nas quais” por aonde prejudicaria a correção gramatical do texto.

COMENTÁRIOS:

Investir pede preposição “em”, ou seja, quem investe, investe em alguma coisa.

Exemplo: Os investidores investem “nas empresas” (em + as empresas).

Substituindo “as empresas” por um pronome relativo, obtemos “as quais”.

Exemplo: As empresas “nas quais investem” (em + as quais)

Portanto, não se deve utilizar o termo “aonde”, uma vez que o verbo não pede preposição “a”. Até mesmo
o pronome “onde” é inadequado, pois não temos lugar físico. Em outras palavras, com a substituição haveria
erro de regência verbal em razão do uso da preposição “a” no termo regido pela forma verbal “investem”,
que exige a preposição “em”. Assim sendo, podemos chegar à conclusão de que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

18. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PGE-PE | Provas: Analista Judiciário de Procuradoria

Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza, o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando
isso ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam época, pedras miliares no caminho da
humanidade. A invenção das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do pastoreio na
Mesopotâmia, a organização da democracia na Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre
os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no século XIX, tudo isso representa saltos de época,
que desorientaram gerações inteiras.

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Se observarmos bem, essas ondas longas da história, como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais
curtas. Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura pela indústria, ocorrida no século XX, e,
em menos de um século, um novo salto de época nos tomou de surpresa, lançando-nos na confusão. Dessa
vez o salto coincidiu com a rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada pelos
proprietários das fábricas manufatureiras para uma sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos
proprietários dos meios de informação.

O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial
anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico, pela globalização, pelas guerras mundiais,
pelas revoluções proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de comunicação de massa. Agindo
simultaneamente, esses fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a mais irresistível de toda
a história humana — na qual nós, contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar envolvidos
em primeira pessoa.

Ninguém poderia ficar impassível diante de uma mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais
difundida é a desorientação.

A nossa desorientação afeta as esferas econômica, familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de
crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque quem está desorientado sente-se em crise, e
quem se sente em crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de projetar nosso futuro, alguém o
projetará para nós, não em função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para entender o nosso tempo. Trad. Silvana
Cobucci e Federico Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações).

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto, julgue o item que se segue.

Seria mantida a correção gramatical do texto se o trecho “diante de uma mudança” fosse alterado para ante
a uma mudança.

COMENTÁRIOS:

Depois das preposições "ante" e "perante", que indicam lugar, não é necessário usar a preposição "a". A
redação seria simplesmente: ante/perante uma mudança dessa envergadura. Assim sendo, podemos atestar
que a afirmativa está incorreta.

Gabarito: Errado.

19. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PGE-PE | Prova: Analista Judiciário de Procuradoria

A própria palavra “crise” é bem mais a expressão de um movimento do espírito que de um juízo fundado em
argumentos extraídos da razão ou da experiência. Não há período histórico que não tenha sido julgado, de
uma parte ou de outra, como um período em crise. Ouvi falar de crise em todas as fases da minha vida:
depois da Primeira Guerra Mundial, durante o fascismo e o nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial, no

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pós-guerra, bem como naqueles que foram chamados de anos de chumbo. Sempre duvidei que o conceito
de crise tivesse qualquer utilidade para definir uma sociedade ou uma época.

Que fique claro: não tenho nenhuma intenção de difamar ou condenar o passado para absolver o presente,
nem de deplorar o presente para louvar os bons tempos antigos. Desejo apenas ajudar a que se compreenda
que todo juízo excessivamente resoluto nesse campo corre o risco de parecer leviano. Certamente, existem
épocas mais turbulentas e outras menos. Mas é difícil dizer se a maior turbulência depende de uma crise
moral (de uma diminuição da crença em princípios fundamentais) ou de outras causas, econômicas, sociais,
políticas, culturais ou até mesmo biológicas.

Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais. Trad. Marco Aurélio Nogueira. São Paulo:
Editora UNESP, 2002, p. 160-1 (com adaptações).

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.

No período em que se inserem, os trechos “para absolver o presente” e “para louvar os bons tempos antigos”
exprimem finalidades.

COMENTÁRIOS:

A preposição "para" antes de uma ação tem, tradicionalmente, o significado de intenção ou objetivo, quando
expressada em uma oração subordinada adverbial final. Portanto, podemos concluir que afirmativa está
correta.

Gabarito: Certo.

20. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Polícia Federal | Provas: Perito Criminal Federal

Não há dúvida de que a televisão apresenta ao público uma visão distorcida de como a ciência forense é
conduzida e sobre o que ela é capaz, ou não, de realizar. Os atores que interpretam a equipe de investigação,
por exemplo, são uma mistura de policial, detetive e cientista forense — esse perfil profissional não existe
na vida real. Toda profissão, individualmente, já é complexa o bastante e demanda educação, treinamento
e métodos próprios. A especialização dentro dos laboratórios tornou-se uma norma desde o final da década
de 80 do século passado. O cientista forense precisa conhecer os recursos das outras subdisciplinas, mas
ninguém é especialista em todas as áreas da investigação criminal. Além disso, os laboratórios
frequentemente não realizam todos os tipos de análise devido ao custo, à insuficiência de recursos ou à
pouca procura.

As séries da TV retratam incorretamente os cientistas forenses, mostrando-os como se tivessem tempo de


sobra para todos os casos. Os programas mostram diversos detetives, técnicos e cientistas dedicando toda
sua atenção a uma investigação. Na realidade, cada cientista recebe vários casos ao mesmo tempo. A maioria
dos laboratórios acredita que o acúmulo de trabalho é o maior problema que enfrentam, e boa parte dos
pedidos de aumento no orçamento baseia-se na dificuldade de dar conta de tanto serviço.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 95

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Os programas de investigação criminal de ficção não reproduzem corretamente o que ocorre na vida real
quando o assunto são as técnicas científicas: um cientista forense da Universidade de Maryland estima que
cerca de 40% do que é mostrado no CSI não existe. Os investigadores verdadeiros não conseguem ser tão
precisos quanto suas contrapartes televisivas. Ao analisar uma amostra desconhecida em um aparelho com
telas brilhantes e luzes piscantes, o investigador de um desses seriados pode conseguir uma resposta do tipo
“batom da marca X, cor 42, lote A-439”. O mesmo personagem talvez interrogue um suspeito e declare
“sabemos que a vítima estava com você, pois identificamos o batom dela no seu colarinho”. No mundo real,
os resultados quase nunca são tão exatos, e o investigador forense provavelmente não confrontaria
diretamente um suspeito. Esse desencontro entre ficção e realidade pode acarretar consequências bizarras.
Em Knoxville, Tennessee, um policial relatou: “Estou com um homem cujo carro foi roubado. Ele viu uma
fibra vermelha no banco traseiro e quer que eu descubra de onde ela veio, em que loja foi comprada e qual
cartão de crédito foi usado”.

A realidade do CSI. In: Scientific American Brazil. Segmento. Internet: <[Link] (com
adaptações)

Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto, julgue o item que segue.

A preposição “de” empregada logo após “dificuldade” poderia ser corretamente substituída por em.

COMENTÁRIOS:

Considerando que: "quem tem dificuldade, tem dificuldade em alguma coisa ou de alguma coisa", tanto a
preposição "de" quanto a preposição "em" podem associar "dificuldade" ao seu complemento. A única
norma aplicável à preposição "em" é que ela deve ser obrigatoriamente contraída com o artigo que
acompanha o substantivo com o qual forma uma construção (a ausência do artigo resulta em uma construção
gramaticalmente incorreta, como exemplificado na frase abaixo com um asterisco); com “de”, dispensa-se o
artigo:

Exemplos:

Dificuldade em/de aprender

Dificuldade na (em + a)/de aprendizagem

Dificuldade em aprendizagem

Portanto, podemos nos certificar que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

21. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-AL | Provas: Escrivão de Polícia

O século XIX constituiu-se em marco fundamental para o desenvolvimento das instituições de segurança
pública, com as polícias buscando maior legitimidade e profissionalização. Como referência ocidental, a

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Polícia Metropolitana da Inglaterra, fundada em 1829, mudou paradigmas, dando preponderância ao papel
preventivo de suas ações e foco à proteção da comunidade.

O consenso, em detrimento do poder de coerção, e a prevenção, em detrimento da repressão, reforçaram a


proximidade da polícia com a sociedade, com atenção integral ao cidadão. O modelo inglês retirou as polícias
do isolamento, apresentando-as à comunidade como importante parceira da segurança pública e elemento
fundamental para a redução da violência. Com isso, surgiu o conceito de uma organização policial moderna,
estatal e pública, em oposição ao controle e à subordinação política da polícia.

No Brasil, as primeiras iniciativas de implantação da polícia comunitária ocorreram com a Constituição


Federal de 1988 e a necessidade de uma nova concepção para as atividades policiais. Foram adotadas
estratégias de fortalecimento das relações das forças policiais com a comunidade, com destaque para a
conscientização sobre a importância do trabalho policial e sobre o valor da participação do cidadão para a
construção de um sistema que busca a melhoria da qualidade de vida de todos.

Brasil. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).
Diretriz Nacional de Polícia Comunitária. Brasília – DF, 2019. p. 11-12 (com adaptações)

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item que se segue.

Sem prejuízo da correção gramatical do texto e das informações nele veiculadas, o trecho “relações das
forças policiais com a comunidade” (terceiro parágrafo) poderia ser substituído por relações entre as forças
policiais e a comunidade.

COMENTÁRIOS:

A preposição "das" estabelece uma conexão entre "relações" e "forças policiais e comunidade". Essa mesma
relação poderia ser estabelecida pela preposição "entre", sem que houvesse qualquer mudança no sentido
do texto. Assim sendo, podemos atestar que a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

22. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-DF | Prova: Escrivão de Polícia da Carreira de Polícia
Civil do Distrito Federal

Nova Iorque já foi vista como uma das metrópoles mais perigosas do mundo. Em 1990, alcançou seu pico de
homicídios: 2.262 em um ano, média de 188 por mês. Mas esse cenário mudou, e a cidade apresentou uma
das maiores reduções de crimes registradas nos EUA.

Uma das medidas adotadas pela prefeitura de Nova Iorque ficou conhecida como “janelas quebradas” e
previa o combate a crimes pequenos e a prevenção do vandalismo, para impedir uma espiral de violência
que levasse a crimes mais graves.

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Para alguns observadores, entretanto, o modelo da “janela quebrada” foi superestimado. O mais importante,
dizem, foi identificar focos de criminalidade para concentrar, ali, ação preventiva. Foi possível assinalar áreas
pequenas onde criminosos mais atuavam, onde se sabia que crimes iam ocorrer.

O ex-policial Tom Reppetto sugere que essas áreas tenham presença visível e constante da polícia. As
patrulhas preventivas — e em grande número — em focos de crime foi essencial para reduzir a violência. “O
crime é mais situacional do que se pensa, inclusive homicídios. Com a patrulha policial, pessoas que iam
cometer crimes simplesmente foram fazer outra coisa”, afirma outro especialista, Frank Zimring.

Outra medida que teve papel importantíssimo foi a implementação de cortes (tribunais), nos anos 90, para
tratar de crimes menores, mediar conflitos comunitários e casos de violência doméstica e para lidar com
usuários de drogas. A ideia é evitar que esses conflitos evoluam e aumentar a confiança dos cidadãos no
sistema judiciário e político.

Internet: <[Link] > (com adaptações)

No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o próximo item.

No trecho “e previa o combate a crimes pequenos e a prevenção do vandalismo”, o “a”, em ambas as


ocorrências, classifica-se como preposição e seu emprego deve-se à presença da palavra “combate”.

COMENTÁRIOS:

O termo "combate" é regido pela preposição "a". Quem combate, combate a alguma coisa. Na parte
destacada, encontramos a presença da preposição "a" após a palavra "combate": "e previa o combate a
crimes pequenos e a prevenção do vandalismo".

No entanto, é evidente que as expressões "crimes pequenos" e "prevenção do vandalismo" estão em


paralelo e complementam o sentido do verbo "prever".

O segundo "a" é o artigo definido que precede a palavra feminina "prevenção". É perceptível o paralelismo
presente, inclusive com a inclusão do artigo definido "o" antes do termo "combate".

Em suma: a afirmativa está incorreta, pois apenas em sua primeira ocorrência o “a” classifica-se como
preposição e decorre do emprego de “combate”. Na segunda ocorrência, classifica-se como artigo e introduz
o segundo membro da coordenação que complementa o verbo prever.

Gabarito: Errado.

23. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de São Cristóvão - SE | Prova: Professor de
Educação Básica – Português

Catar feijão

Catar feijão se limita com escrever:

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joga-se os grãos na água do alguidar

e as palavras na folha de papel;

e depois, joga-se fora o que boiar.

Certo, toda palavra boiará no papel,

água congelada, por chumbo seu verbo:

pois para catar esse feijão, soprar nele,

jogar fora o leve e oco, palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:

o de que entre os grãos pesados entre

um grão qualquer, pedra ou indigesto,

um grão imastigável, de quebrar dente.

Certo não, quando ao catar palavras:

a pedra dá à frase seu grão mais vivo:

obstrui a leitura fluviante, flutual,

açula a atenção, isca-a como o risco.

João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

Considerando as propriedades linguísticas e os sentidos do poema precedente, julgue o próximo item.

No verso “o de que entre os grãos pesados entre”, o vocábulo “entre”, em suas duas ocorrências, classifica-
se como preposição.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

Ora, nesse catar feijão entra um risco:

o de que entre os grãos pesados entre

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um grão qualquer, pedra ou indigesto,

O primeiro “entre” traz a ideia de no meio de, ou seja, pelo meio dos grãos pesados, ou, no interior dos grãos
pesados. Em seguida, o segundo “entre” dá sentido de entrar, adentrar, penetrar, isto é: nesse catar feijão
entra um risco: de que pelo meio dos grãos pesados adentre um grão qualquer.

Em suma: o termo “entre” não se classifica como preposição nas duas ocorrências, e sim apenas na primeira,
sendo a segunda como verbo. Portanto, podemos atestar que a afirmativa está incorreta.

Gabarito: Errado.

24. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: ABIN | Prova: Agente de Inteligência

A atividade de inteligência é o exercício de ações especializadas para a obtenção e análise de dados,


produção de conhecimentos e proteção de conhecimentos para o país. Inteligência e contrainteligência são
os dois ramos dessa atividade. A inteligência compreende ações de obtenção de dados associadas à análise
para a compreensão desses dados. A análise transforma os dados em cenário compreensível para o
entendimento do passado, do presente e para a perspectiva de como tende a se configurar o futuro. Cabe à
inteligência tratar fundamentalmente da produção de conhecimentos com o objetivo específico de auxiliar
o usuário a tomar decisões de maneira mais fundamentada. A contrainteligência tem como atribuições a
produção de conhecimentos e a realização de ações voltadas à proteção de dados, conhecimentos,
infraestruturas críticas — comunicações, transportes, tecnologias de informação — e outros ativos sensíveis
e sigilosos de interesse do Estado e da sociedade. O trabalho desenvolvido pela contrainteligência tem foco
na defesa contra ameaças como a espionagem, a sabotagem, o vazamento de informações e o terrorismo,
patrocinadas por instituições, grupos ou governos estrangeiros.

Internet: <[Link]> (com adaptações).

Julgue o item seguinte, relativo à ideia e ao aspecto linguístico do texto.

O sentido do texto seria prejudicado, embora sua correção gramatical fosse preservada, caso a preposição
presente na expressão “contra ameaças” fosse substituída pela preposição de.

COMENTÁRIOS:

Há de fato uma mudança no sentido, uma vez que a frase "tem foco na defesa contra ameaças" indica uma
postura de confronto, combate e oposição às ameaças. Por outro lado, a frase com a preposição "de" (tem
foco na defesa de ameaças) tem uma mudança total de sentido, significando estar a favor, defender e
proteger as ameaças.

A correção gramatical permanece intacta, sem qualquer alteração, pois a palavra "defesa" pode ser regida
pelas preposições "contra", "a" e "de", resultando na forma correta: "tem foco na defesa de ameaças".

Gabarito: Certo.

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25. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de São Cristóvão - SE | Prova: Professor de
Educação Básica - Português

Em tempos pré-modernos, os humanos experimentaram uma espantosa variedade de modelos econômicos.


Boiardos russos, marajás indianos, mandarins chineses e caciques de tribos ameríndias tinham ideias muito
diferentes sobre dinheiro, comércio, impostos e emprego. Hoje em dia, em contraste, quase todo mundo
acredita em pequenas variações sobre o mesmo tema capitalista, e somos engrenagens de uma única linha
de produção global. Se os ministros da Fazenda de Israel e do Irã se encontrassem num almoço, eles teriam
uma linguagem econômica comum e poderiam facilmente compartilhar agruras.

Porém a homogeneidade contemporânea é mais evidente quando se trata de nossa maneira de ver o nosso
corpo. Se você ficasse doente mil anos atrás, importaria muito o lugar onde vivesse. Médicos europeus ou
chineses, xamãs siberianos, médicos feiticeiros africanos, curandeiros ameríndios — todo império, reino e
tribo tinha suas próprias tradições e seus especialistas, cada um adotando uma visão diferente do corpo
humano e da natureza da doença, cada um oferecendo seu próprio manancial de rituais, preparados e curas.
A única coisa que unia todas essas práticas médicas era que, em toda parte, no mínimo um terço das crianças
morriam antes de se tornarem adultas, e a expectativa de vida média era bem abaixo de cinquenta anos de
idade. Hoje, se você adoecer, faz muito menos diferença o lugar onde vive. Em Toronto, Tóquio, Teerã ou
Tel Aviv, será levado a hospitais parecidos, onde médicos com aventais brancos seguirão protocolos idênticos
e farão exames idênticos para chegar a diagnósticos muito semelhantes. Ao que tudo indica, todos acreditam
que o corpo é formado por células, que doenças são causadas por patógenos e que antibióticos matam
bactérias.

Yuval Noah Harari. 21 lições para o século 21. Trad. Paulo Geiger. 1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras,
2018, p. 138-41 (com adaptações).

A respeito das propriedades linguísticas do texto 9A2-I, julgue o item subsecutivo.

O vocábulo “num” é formado pela contração da preposição em com o numeral um.

COMENTÁRIOS:

O termo “um” dá uma ideia indefinida ao texto e não o valor preciso de um numeral como, por exemplo, um
kilo, um pacote, um livro. Assim sendo, não traz sentido de número, ou seja, o termo “um” se classifica como
artigo indefinido. Portanto, podemos atestar que a afirmativa está incorreta.

Gabarito: Errado.

26. Ano: 2017 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TRF - 1ª REGIÃO | Prova: Técnico Judiciário

O Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1) determinou a imediata paralisação das atividades de
mineração do empreendimento Onça Puma, subsidiária da Vale S.A., até que seja comprovada a implantação

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do plano de gestão econômica e ambiental e das demais medidas compensatórias em favor das comunidades
indígenas afetadas.

Os representantes das comunidades Xikrins e Kayapós defenderam a paralisação imediata das atividades de
mineração do empreendimento Onça Puma sob o fundamento de que a exploração de minério em áreas
próximas às terras indígenas localizadas na sub-bacia do rio Catete e do igarapé Carapanã está trazendo
impactos negativos aos índios da região. Sustentaram os índios que a responsabilidade do TRF1 no
julgamento da questão é muito importante.

A Vale S.A. e o estado do Pará, por intermédio de seus representantes, buscaram a rejeição dos argumentos
das comunidades indígenas, a fim de permitir a continuidade das atividades. A defesa da empresa se ateve
a questões processuais, enquanto o procurador do estado do Pará afirmou que a paralisação das atividades
ocasionará prejuízos irreversíveis ao estado, tais como aumento do índice de desemprego e queda na
arrecadação de impostos.

Internet: <[Link]> (com adaptações)

Julgue o item subsequente, a respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto.

O vocábulo “até”, no contexto em que foi empregado, é sinônimo de inclusive.

COMENTÁRIOS:

O termo “até” pode ter duas classificações: preposição ou advérbio.

Ele será considerado preposição quando tivermos uma marcação de limite, por exemplo:

Do início até o fim da fila.

Quando o termo “até” significar também ou inclusive (ligado ao verbo), ele será considerado um advérbio
de inclusão. Vamos analisar o trecho:

O Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1) determinou a imediata paralisação das atividades de
mineração do empreendimento Onça Puma, subsidiária da Vale S.A., até que seja comprovada a implantação
do plano de gestão econômica e ambiental e das demais medidas compensatórias em favor das comunidades
indígenas afetadas.

Perceba que, no contexto em tela, o termo “até” está sendo utilizado no sentido de limite, ou seja, o Tribunal
Regional Federal determinou a paralisação até que seja comprovado o plano de gestão. Portanto, o vocábulo
“até” não pode ser empregado como sinônimo de inclusive. Afirmativa incorreta.

Gabarito: Errado.

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27. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: AL-CE | Prova: Técnico Legislativo

Texto CG5A1-I

E de repente aquela dor intolerável no olho esquerdo, este lacrimejando, e o mundo se tornando turvo. E
torto: pois fechando um olho, o outro automaticamente se entrefecha. Quatro vezes no decorrer de menos
de um ano um objeto estranho entrou no meu olho esquerdo: duas vezes ciscos, uma vez um grão de areia,
outra um cílio. Das quatro vezes tive que procurar um oftalmologista de plantão. Da última vez, perguntei
ao doutor Murilo Carvalho, cirurgião dos Oculistas Associados, e também um artista em potencial que realiza
sua vocação através de cuidar por assim dizer de nossa visão de mundo:

— Por que sempre o olho esquerdo? É simples coincidência?

Ele respondeu não; que, por mais normal que seja uma vista, um dos olhos vê mais que o outro e por isso é
mais sensível. Chamou-o de “olho diretor”. E, por ser mais sensível, disse ele, prende o corpo estranho, não
o expulsa.

Quer dizer que o melhor olho é aquele que mais sofre. É a um só tempo mais poderoso e mais frágil, atrai
problemas que, longe de serem imaginários, não poderiam ser mais reais que a dor insuportável de um cisco
ferindo e arranhando uma das partes mais delicadas do corpo.

Fiquei pensativa.

Será que é só com os olhos que isso acontece? Será que a pessoa que mais vê, portanto a mais potente, é a
que mais sente e sofre. E a que mais se estraçalha com dores tão reais quanto um cisco no olho.

Fiquei pensativa.

Clarice Lispector. Todas as crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2018, p. 36 (com adaptações).

No primeiro parágrafo do texto CG5A1-I, seria gramaticalmente correto substituir a forma verbal
“perguntei”, em “perguntei ao doutor Murilo Carvalho”, por interroguei, desde que o segmento “ao doutor”
fosse substituído por

a) pelo doutor.

b) do doutor.

c) contra o doutor.

d) o doutor.

e) para o doutor.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

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“Da última vez, perguntei ao doutor Murilo Carvalho, cirurgião dos Oculistas Associados, e também um
artista em potencial que realiza sua vocação através de cuidar por assim dizer de nossa visão de mundo:”

Observamos que o verbo “perguntei” é transitivo indireto. Quem pergunta, pergunta (a) alguém. A forma
verbal solicitou a preposição “a”. Por outro lado, o verbo “interroguei” não seria transitivo indireto na mesma
frase; seria transitivo direto. Quem interroga, interroga alguém. Portanto, não haveria a necessidade da
preposição “a”. Assim, a frase seria: "interroguei o doutor Murilo Carvalho".

Dessa forma, a única alternativa que remete corretamente à explicação é a Letra D.

Gabarito: D

28. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: APEX Brasil | Prova: Assistente I

Texto CB2A1-I

A rapidez da difusão do comércio eletrônico tem trazido novas oportunidades para o pequeno negócio, o
varejo e as micro e pequenas empresas (MPE), que se veem na contingência de mudança na gestão do
comércio, visando um aumento de lucratividade e novas oportunidades, com uma fatia maior do comércio
eletrônico.

Com a utilização do sistema B2C, sistema de comércio eletrônico, várias vantagens podem ser apresentadas,
como a facilidade de estabelecer compras online 24 horas por dia, sete dias da semana. Verifica-se, ainda, a
otimização dos fatores da atividade empresarial, como quadro pessoal, loja física e mobilidade urbana, a
diminuição de tempo gasto com as operações e a sustentabilidade com a teoria de utilização racional de
papéis (em inglês, less paper).

Este guia é direcionado aos pequenos empresários, aos varejistas e a todo tipo de comerciante que vise
ampliar suas atividades pelo uso de novas tecnologias. Os produtos englobados por este guia resumem-se
em mercadorias, software, hardware e serviço. Os consumidores protegidos pela norma conceituam-se
como membro individual do público geral, que compra ou usa produtos para fins pessoais ou finalidades
domésticas.

Todavia, para que esse sistema de transações de comércio eletrônico seja eficaz, o comerciante deve
planejar, implantar e desenvolver o sistema de comércio eletrônico e mantê-lo atualizado e transparente,
de modo a auxiliar os consumidores na efetivação da credibilidade desse tipo de negociação online.

Para tanto, a capacidade, a adequação, a conformidade, a pluralidade e a diversidade na rede devem gerar
um maior suporte ao consumidor, em relação às suas reclamações e dúvidas na transação eletrônica.

Utilize o passo a passo sugerido neste guia e seja bem-sucedido em seu comércio eletrônico!

ABNT/ SEBRAE. Guia de implementação ABNT NBR ISO 10008: gestão da qualidade – satisfação do cliente
– diretrizes para transações de comércio eletrônico de negócio a consumidor. Rio de Janeiro: 2014, p. 31
(com adaptações).

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Com relação aos aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue os seguintes itens, de acordo com as
disposições do Manual de Redação da Apex-Brasil.

III. O acréscimo do termo a logo após a palavra “visando” (primeiro parágrafo) — visando a um aumento
— manteria a correção gramatical do texto.
IV. Caso o termo “na”, no trecho “de modo a auxiliar os consumidores na efetivação da credibilidade”
(quarto parágrafo), fosse substituído por junto à, seria mantida a correção gramatical do texto.

Assinale a opção correta.

a) Apenas o item I está correto.

b) Apenas o item II está correto.

c) Os itens I e II estão corretos.

d) Todos os itens estão errados.

COMENTÁRIOS:

Vamos analisar os itens individualmente:

“(...) que se veem na contingência de mudança na gestão do comércio, visando um aumento de lucratividade
e novas oportunidades, com uma fatia maior do comércio eletrônico.”

Substituição proposta:

“(...) que se veem na contingência de mudança na gestão do comércio, visando a um aumento de


lucratividade e novas oportunidades, com uma fatia maior do comércio eletrônico.”

Quando o verbo "visar" tiver a conotação de almejar, pretender ou alcançar, ele será sempre transitivo
indireto, e, nesse contexto, será necessária a preposição "a" para a complementação. Portanto, o item I está
correto.

Trecho:

“(...) implantar e desenvolver o sistema de comércio eletrônico e mantê-lo atualizado e transparente, de


modo a auxiliar os consumidores na efetivação da credibilidade desse tipo de negociação online.”

Substituição proposta:

“(...) implantar e desenvolver o sistema de comércio eletrônico e mantê-lo atualizado e transparente, de


modo a auxiliar os consumidores junto à efetivação da credibilidade desse tipo de negociação online.”

O verbo "auxiliar" pode assumir a transitividade direta: quem auxilia, auxilia alguém, ou ainda, a
transitividade direta e indireta em relação à sua regência: quem auxilia, auxilia alguém em algo. Nesse caso,

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a preposição utilizada para o complemento indireto é "em". Não consideramos a locução "junto à" como
uma opção para introduzir o complemento indireto do verbo "auxiliar" quando este é bitransitivo ou
transitivo direto e indireto. Portanto, o item II está errado.

Gabarito: A

29. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEFAZ-RS | Provas: Auditor do Estado

Texto 1A10AAA

A justiça tributária está em debate. O Brasil possui um sistema tributário altamente regressivo: quem ganha
até dois salários mínimos paga 49% dos seus rendimentos em tributos, enquanto quem ganha acima de trinta
salários mínimos paga apenas 26%. Isso ocorre porque, na comparação internacional, se tributa
excessivamente o consumo, e não o patrimônio e a renda.

A má distribuição tributária e de renda restringe o potencial econômico e social do país. Cabe ao Estado
induzir uma política distributiva conforme a qual quem ganha mais pague proporcionalmente mais do que
quem ganha menos e a maior parcela do orçamento seja destinada para as necessidades básicas da
população.

A justiça tributária ocorre com a redução da carga tributária e da regressividade dos tributos e com sua
eliminação da cesta básica. A redução da carga tributária permite maior competitividade para as empresas,
geração de empregos, diminuição da inflação e indução do crescimento econômico.

Com a redução da carga tributária sobre o consumo, todos ganham: a população de baixa e média renda,
pela melhora no seu poder aquisitivo; a de maior renda, pelo desenvolvimento econômico e social, que gera
ganhos econômicos e financeiros, novas oportunidades e expansão da oferta de empregos.

Por outro lado, a substituição dos tributos indiretos, que atingem o fluxo econômico, por tributos que
incidam sobre o estoque da riqueza tem o mérito de criar maior desenvolvimento econômico, pois gera mais
consumo, produção e lucros que compensam a tributação sobre a riqueza.

O desenvolvimento econômico amplia a arrecadação pública, proporcionando maiores recursos para


investimentos em políticas sociais e em infraestrutura, além de gerar maior atratividade para os
investimentos nas empresas.

Amir Kjair. Le monde diplomatique Brasil. 12.ª ed. Internet: <[Link] (com
adaptações)

No texto 1A10AAA, no trecho “a população de baixa e média renda, pela melhora no seu poder aquisitivo”
(quarto parágrafo), a preposição por, em “pela”, introduz uma ideia de

a) causa

b) finalidade.

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c) consequência.

d) condição.

e) conclusão.

COMENTÁRIOS:

Trecho em análise:

“Com a redução da carga tributária sobre o consumo, todos ganham: a população de baixa e média renda,
pela melhora no seu poder aquisitivo;”

A população de baixa e média renda ganha por quê? Por causa da melhora no seu poder aquisitivo, ou seja,
a preposição “pela”, na frase em tela, introduz uma ideia de causa.

Gabarito: A

30. Ano: 2016 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TRE-PI | Provas: Conhecimentos Gerais para os Cargos
1, 2 e 4

A discussão sobre a participação dos analfabetos na vida política nacional remonta aos tempos do Brasil
colônia e se mantém durante a formação da sociedade brasileira e os processos de reconhecimento de
direitos e de visibilidade social das diferentes parcelas sociais anteriormente excluídas do processo
democrático.

Durante o período colonial, os analfabetos tinham direito ao voto, ainda que mitigado e suprimido, por meio
do processo chamado voto “cochichado”. Nesse caso, as intenções de voto de um analfabeto eram ouvidas
por terceiros letrados. Ainda que restringidos em algumas oportunidades, entre os séculos XVI e XIX, os
analfabetos exerciam de alguma maneira o direito ao voto. Contudo, foi somente ao final do Império que
esse direito foi totalmente retirado dos brasileiros analfabetos por meio do Decreto n.º 3.029/1881, a
chamada Lei Saraiva, que instituiu um censo literário nos termos propostos por Rui Barbosa à época.

Desde então, durante cento e quatro anos, os analfabetos tiveram limitações drásticas ao direito de
participação política pelo exercício do direito ao voto no país. Essa situação foi alterada apenas com a
Emenda Constitucional 22 n.º 25/1985, que concedeu, embora em caráter facultativo, o direito de voto ao
analfabeto. Durante todo o referido período, por diversas vezes o tema voltou à pauta das definições
políticas nacionais, sem, contudo, obter sucesso na efetivação de tal direito básico de cidadania.

Por sua vez, a elegibilidade, que constitui o direito de ser votado, em nenhuma oportunidade foi reconhecida
aos analfabetos na história breve de nosso país. Pelo contrário, pouco se discute e pouco se discutiu sobre
tal direito, e, reiteradamente, o tema vem sendo esquecido no processo de consumação de uma cidadania
plena, com acesso a todos os direitos de participação política.

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Guilherme de Abreu e Silva. Elegibilidade dos analfabetos: por uma reconfiguração à luz da plenitude da
cidadania. In: Revista Paraná Eleitoral, v. 3, n.º 2, p. 39-66. Internet: <[Link]> (com
adaptações).

Assinale a opção correta com relação a aspectos linguísticos do texto Elegibilidade dos analfabetos:

a) No trecho “o direito de voto ao analfabeto" (3º parágrafo), a substituição da preposição “de" por ao
manteria a correção, mas acarretaria ambiguidade a esse trecho.

b) O sentido original e a correção do texto seriam mantidos caso a expressão “Por sua vez" (4º parágrafo)
fosse substituída por De forma análoga.

c) O termo “reiteradamente" (4º parágrafo) modifica as formas verbais das orações “pouco se discute e
pouco se discutiu sobre tal direito" (4º parágrafo).

d) A expressão “sobre a" (1º parágrafo) poderia ser substituída, mantendo-se a correção e o sentido do texto,
por a cerca da.

e) Caso a conjunção “Contudo" (2º parágrafo) fosse substituída por Porquanto, a correção e o sentido
original do texto seriam preservados.

COMENTÁRIOS:

a) Essa situação foi alterada apenas com a Emenda Constitucional 22 n.º 25/1985, que concedeu, embora
em caráter facultativo, o direito de voto ao analfabeto.

Substituição proposta:

“Essa situação foi alterada apenas com a Emenda Constitucional 22 n.º 25/1985, que concedeu, embora em
caráter facultativo, o direito ao voto ao analfabeto.”

Perceba que, embora a substituição proposta mantenha a correção gramatical, ocorre uma ambiguidade: O
direito ao voto ao analfabeto é o direito do analfabeto de votar ou de ser votado?

Portanto, a alternativa está correta.

b) “De forma análoga” tem sentido de semelhante, parecido, comparável. Entretanto, “por sua vez” é usada
nas orações que exprimem situações contrárias, exata oposição.

c) Trecho em questão: Pelo contrário, pouco se discute e pouco se discutiu sobre tal direito, e,
reiteradamente, o tema vem sendo esquecido no processo de consumação de uma cidadania plena, com
acesso a todos os direitos de participação política.

O termo “reiteradamente” diz respeito ao tema que vem sendo esquecido no processo de consumação de
uma cidadania plena, e nada tem haver com a pouca discussão sobre o direito.

@fabianopereiraprof_________________________________________________________ Página 108

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d) A expressão “acerca de” significa “a respeito de”, e é usada para indicar o assunto do qual se fala. A
expressão “a cerca de” significa “por volta de”, e é usada para indicar valor aproximado de uma distância.

e) A “conjunção” porquanto é usada para introduzir uma justificativa, ou seja, uma explicação para algo que
foi dito anteriormente. Ela é sinônima de “porque”, uma vez que, visto que, já que. Contudo é uma conjunção
adversativa, de contraste com o que foi expresso anteriormente.

Gabarito: A

31. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: EMPREL | Prova: Analista de Sistemas

Texto CG2A1-I

É perigoso nos distrairmos com uma fantasia utópica ou apocalíptica possibilitada pela inteligência artificial
(IA), que promete ou um futuro “florescente” ou um futuro “potencialmente catastrófico”. Essa ilusão, que
infla as capacidades dos sistemas automatizados e os antropomorfiza, induz as pessoas a pensar que existe
um ser senciente por trás das mídias sintéticas. Isso seduz as pessoas a não apenas confiarem acriticamente
em sistemas como o ChatGPT, mas também a lhes atribuírem erroneamente a capacidade de agir. A
responsabilização propriamente dita não cabe aos artefatos tecnológicos, mas a seus construtores.

O que precisamos é de regulamentação que imponha transparência a essa tecnologia digital. Isso deve ficar
sempre claro quando nos deparamos com mídias sintéticas, e as organizações que constroem esses sistemas
também deveriam ser obrigadas a documentar e a divulgar os dados de treinamento e as arquiteturas de
modelo. Além disso, o ônus de criar instrumentos seguros de uso dessas tecnologias deveria recair sobre as
empresas que constroem e implantam sistemas generativos, o que significa que os construtores desses
sistemas deveriam ser responsabilizados pelos resultados produzidos por seus produtos.

A corrida atual rumo a “experimentos de IA” cada vez maiores não é um caminho predeterminado no qual a
nossa única escolha é o quão rápido devemos correr, mas uma série de decisões impulsionadas pelo lucro.
As ações e as escolhas das corporações devem ser moldadas por regulamentação que proteja os direitos e
os interesses das pessoas. O foco da nossa preocupação não deveriam ser as “poderosas mentes digitais”
imaginárias. Em vez disso, deveríamos focar nas práticas de exploração muito reais e muito presentes das
empresas que afirmam construí-las.

Timnit Gebru et [Link] estocásticos: o pedido de moratória para a IA e os riscos em jogo. Internet:
(com adaptações).

Assinale a opção em que a proposta de reescrita do trecho “mas também a lhes atribuírem” (terceiro período
do primeiro parágrafo) é gramaticalmente correta e coerente com as ideias do texto CG2A1-I.

a) entretanto a atribuírem àquelas

b) embora a atribuam aqueles

c) como também a atribuírem a eles

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d) quanto à atribuírem a estes

e) contudo a atribuírem àqueles

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“Isso seduz as pessoas a não apenas confiarem acriticamente em sistemas como o ChatGPT, mas também a
lhes atribuírem erroneamente a capacidade de agir.”

Observe que o valor é aditivo, portanto é necessário garantir a manutenção do mesmo sentido. Dessa forma,
a única alternativa que se enquadra nessa situação é a Letra C.

“Isso seduz as pessoas a não apenas confiarem acriticamente em sistemas como o ChatGPT, como também
a atribuírem a eles erroneamente a capacidade de agir.”

a) “Entretanto” trata-se de uma conjunção adversativa, desempenhando a função de contrastar com o


contexto anterior.

b) “Embora” é uma conjunção concessiva, que indica uma oração em que se admite um fato contrário à ação
principal, mas incapaz de impedi-la.

d) “Quanto à” tem sentido de relação.

e) “Contudo” trata-se de uma conjunção adversativa, desempenhando a função de contrastar com o


contexto anterior.

Gabarito: C

32. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de Maringá - PR | Prova: Médico

Texto CG1A1

Por muitos séculos, pessoas surdas ao redor do mundo eram consideradas incapazes de aprender
simplesmente por possuírem uma deficiência. No Brasil, infelizmente, isso não era diferente. Essa visão
capacitista só começou a mudar a partir do século XVI, com transformações que ocorreram, num primeiro
momento, na Europa, quando educadores, por conta própria, começaram a se preocupar com esse grupo.

Um dos educadores mais marcantes na luta pela educação dos surdos foi Ernest Huet, ou Eduard Huet, como
também era conhecido. Huet, acometido por uma doença, perdeu a audição ainda aos 12 anos; contudo,
como era membro de uma família nobre da França, teve, desde cedo, acesso à melhor educação possível de
sua época e, assim, aprendeu a língua de sinais francesa no Instituto Nacional de Surdos-Mudos de Paris. No
Brasil, tomando-se como inspiração a iniciativa de Huet, fundouse, em 26 de setembro de 1856, o Imperial
Instituto de SurdosMudos, instituição de caráter privado. No seu percurso, o instituto recebeu diversos

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nomes, mas a mudança mais significativa se deu em 1957, quando foi denominado Instituto Nacional de
Educação dos Surdos – INES, que está em funcionamento até hoje! Essa mudança refletia o princípio de
modernização da década de 1950, pelo qual se guiava o instituto, com suas discussões sobre educação de
surdos.

Dessa forma, Huet e a língua de sinais francesa tiveram grande influência na língua brasileira de sinais, a
Libras, que foi ganhando espaço aos poucos e logo passou a ser utilizada pelos surdos brasileiros. Contudo,
nesse mesmo período, muitos educadores ainda defendiam a ideia de que a melhor maneira de ensinar era
pelo método oralizado, ou seja, pessoas surdas seriam educadas por meio de línguas orais. Nesse caso, a
comunicação acontecia nas modalidades de escrita, leitura, leitura labial e também oral. No Congresso de
Milão, em 11 de setembro de 1880, muitos educadores votaram pela proibição da utilização da língua de
sinais por não acreditarem na efetividade desse método na educação das pessoas surdas.

Essa decisão prejudicou consideravelmente o ensino da Língua Brasileira de Sinais, mas, mesmo diante dessa
proibição, a Libras continuou sendo utilizada devido à persistência dos surdos. Posteriormente, buscou-se a
legitimidade da Língua Brasileira de Sinais, e os surdos continuaram lutando pelo seu reconhecimento e
regulamentação por meio de um projeto de lei escrito em 1993. Porém, apenas em 2002, foi aprovada a Lei
10.436/2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e
expressão no país.

Internet: <[Link]>(com adaptações)

A conjunção "contudo", no segundo período do segundo parágrafo do texto CG1A1, poderia ser substituída,
mantidas a coesão e a coerência textuais, por

a) destarte.

b) entretanto.

c) ademais.

d) embora.

e) portanto.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“Um dos educadores mais marcantes na luta pela educação dos surdos foi Ernest Huet, ou Eduard Huet,
como também era conhecido. Huet, acometido por uma doença, perdeu a audição ainda aos 12 anos;
contudo, como era membro de uma família nobre da França, teve, desde cedo, acesso à melhor educação
possível de sua época e...”

Perceba que a conjunção “contudo” está exprimindo no texto sentido de oposição, contraste. Portanto,
classifica-se como uma conjunção adversativa. A única alternativa que demonstra uma conjunção da mesma
espécie é a Letra B.

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a) “Destarte” é uma conjunção coordenativa conclusiva, tendo em conta que liga duas orações expressando
uma relação semântica de conclusão ou consequência.

c) “Ademais” é classificado como um advérbio, representando a ideia do acrescento de uma outra


informação sobre algo que já foi mencionado anteriormente.

d) “Embora” é uma conjunção concessiva, que indica uma oração em que se admite um fato contrário à ação
principal, mas incapaz de impedi-la.

e) “Portanto” é uma conjunção coordenativa conclusiva com significado de por conseguinte e por isso.

Gabarito: B

33. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-ES | Prova: Delegado de Polícia

Texto CG1A1-I

Em 2020, a pandemia de covid-19 fez com que mulheres em situação de violência ficassem ainda mais
vulneráveis. O início da pandemia foi marcado por uma crescente preocupação a respeito da violência contra
meninas e mulheres, as quais passaram a conviver mais tempo em suas residências com seus agressores,
muitas vezes impossibilitadas de acessar serviços públicos e redes de apoio.

O cenário retratado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020 evidencia a queda de crimes letais
contra a mulher, mas não a diminuição da violência: houve um sensível aumento das denúncias de lesão
corporal dolosa e das chamadas de emergência para o número das polícias militares, o 190, todas no
contexto de violência doméstica, assim como o aumento dos casos notificados de ameaça contra mulheres.
A quantidade de medidas protetivas de urgência solicitadas e concedidas também aumentou
consideravelmente.

O ano de 2021 foi caracterizado por parte da retomada das atividades rotineiras em meio à redução dos
índices de transmissão da covid-19 e da queda das mortes decorrentes da doença, em consequência da
vacinação. Compreender as estatísticas criminais de violência contra as mulheres nos anos de 2020 e 2021
nos ajuda a pensar nas políticas públicas a serem implementadas no contexto da pandemia de covid-19 e da
consequente intensificação da crise econômica vivenciada no Brasil. A pesquisa Visível e Invisível, realizada
pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou que, no ano de 2020, a perda de emprego e a
diminuição da renda familiar foram sentidas de forma mais intensa pelas mulheres que sofreram violência,
o que tornou mais difícil para essas mulheres romper com parceiros abusivos ou relações violentas.

A exemplo do que vimos em outros países, embora tenha ocorrido queda nos registros, sabia-se que a
violência contra a mulher estava aumentando de forma silenciosa e era preciso agir rápido. Algumas ações
foram realizadas pelas instituições policiais a fim de enfrentar o desafio que estava posto: a ampliação do rol
de tipos penais que podem ser denunciados via boletim de ocorrência online, por exemplo, foi uma das
iniciativas tomadas por praticamente todas as unidades da Federação, o que possibilitou que, em alguns
estados, pela primeira vez, o registro de violência doméstica fosse feito sem que se precisasse ir até uma

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delegacia, bastando, para isso, o acesso à Internet e a um dispositivo como tablet, smartphone ou
computador. Nesse sentido, campanhas de denúncia da violência doméstica divulgadas em farmácias e
supermercados, dentro da lógica da Campanha Sinal Vermelho, idealizada pela Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB) e pelo Conselho Nacional da Justiça (CNJ), consistiram em importante ação de repercussão
nacional.

Internet: <[Link] (com adaptações).

No primeiro período do quarto parágrafo, a oração “embora tenha ocorrido queda nos registros” expressa
circunstância de

a) causa.

b) conformidade.

c) condição.

d) concessão.

e) consequência.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“A exemplo do que vimos em outros países, embora tenha ocorrido queda nos registros, sabia-se que a
violência contra a mulher estava aumentando de forma silenciosa e era preciso agir rápido.”

“Embora” faz parte das conjunções concessivas, que iniciam orações subordinadas exprimindo um fato
contrário ao da oração principal. Outros exemplos de conjunções concessivas: ainda que, mesmo que, se
bem que, posto que, apesar de que, por mais que, por melhor que, nem que.

Portanto, a única alternativa que reflete a circunstância expressa na frase em tela é a Letra D.

Gabarito: D

34. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-ES | Prova: Delegado de Polícia

Texto CG1A1-I

Em 2020, a pandemia de covid-19 fez com que mulheres em situação de violência ficassem ainda mais
vulneráveis. O início da pandemia foi marcado por uma crescente preocupação a respeito da violência contra
meninas e mulheres, as quais passaram a conviver mais tempo em suas residências com seus agressores,
muitas vezes impossibilitadas de acessar serviços públicos e redes de apoio.

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O cenário retratado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020 evidencia a queda de crimes letais
contra a mulher, mas não a diminuição da violência: houve um sensível aumento das denúncias de lesão
corporal dolosa e das chamadas de emergência para o número das polícias militares, o 190, todas no
contexto de violência doméstica, assim como o aumento dos casos notificados de ameaça contra mulheres.
A quantidade de medidas protetivas de urgência solicitadas e concedidas também aumentou
consideravelmente.

O ano de 2021 foi caracterizado por parte da retomada das atividades rotineiras em meio à redução dos
índices de transmissão da covid-19 e da queda das mortes decorrentes da doença, em consequência da
vacinação. Compreender as estatísticas criminais de violência contra as mulheres nos anos de 2020 e 2021
nos ajuda a pensar nas políticas públicas a serem implementadas no contexto da pandemia de covid-19 e da
consequente intensificação da crise econômica vivenciada no Brasil. A pesquisa Visível e Invisível, realizada
pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou que, no ano de 2020, a perda de emprego e a
diminuição da renda familiar foram sentidas de forma mais intensa pelas mulheres que sofreram violência,
o que tornou mais difícil para essas mulheres romper com parceiros abusivos ou relações violentas.

A exemplo do que vimos em outros países, embora tenha ocorrido queda nos registros, sabia-se que a
violência contra a mulher estava aumentando de forma silenciosa e era preciso agir rápido. Algumas ações
foram realizadas pelas instituições policiais a fim de enfrentar o desafio que estava posto: a ampliação do rol
de tipos penais que podem ser denunciados via boletim de ocorrência online, por exemplo, foi uma das
iniciativas tomadas por praticamente todas as unidades da Federação, o que possibilitou que, em alguns
estados, pela primeira vez, o registro de violência doméstica fosse feito sem que se precisasse ir até uma
delegacia, bastando, para isso, o acesso à Internet e a um dispositivo como tablet, smartphone ou
computador. Nesse sentido, campanhas de denúncia da violência doméstica divulgadas em farmácias e
supermercados, dentro da lógica da Campanha Sinal Vermelho, idealizada pela Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB) e pelo Conselho Nacional da Justiça (CNJ), consistiram em importante ação de repercussão
nacional.

Internet: <[Link] (com adaptações).

No primeiro período do segundo parágrafo do texto CG1A1-I, a expressão “assim como” estabelece uma
noção de

a) conclusão.

b) proporcionalidade.

c) contraste.

d) adição.

e) explicação.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

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“(...) houve um sensível aumento das denúncias de lesão corporal dolosa e das chamadas de emergência
para o número das polícias militares, o 190, todas no contexto de violência doméstica, assim como o
aumento dos casos notificados de ameaça contra mulheres.”

A expressão "assim como" é uma locução conjuntiva que pode indicar tanto uma relação de adição quanto
de comparação. Neste contexto, ela carrega a ideia de adição, ou seja, de soma:

“(...) houve um sensível aumento das denúncias de lesão corporal dolosa e das chamadas de emergência
para o número das polícias militares, o 190, todas no contexto de violência doméstica, como também o
aumento dos casos notificados de ameaça contra mulheres.”

Portanto, o gabarito da questão é a Letra D.

Gabarito: D

35. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-PB | Prova: Escrivão de Polícia

Texto CG1A1-I

Três características básicas nos distinguem dos outros animais: o andar ereto, que deixou nossas mãos livres
para pegar e fabricar coisas; um cérebro superdesenvolvido, que permitiu o domínio da natureza; e a
linguagem articulada, que possibilitou não só uma comunicação eficiente como também o pensamento
lógico e abstrato. Das três características, a última representou nosso maior salto evolutivo, afinal nossos
antepassados tiveram habilidade manual e inteligência por milhares de anos, mas somente a partir do
momento em que despontou a aptidão simbólica, primeiramente nas pinturas e inscrições rupestres e depois
com a invenção da escrita, a espécie humana alçou-se de uma organização social tribal para a civilização.

Como aprendemos a falar na mais tenra infância e sem maior esforço, além de usarmos a linguagem no dia
a dia da forma mais corriqueira, não nos damos conta do grande prodígio que é falar. A língua é não só um
sofisticadíssimo sistema de comunicação de nossos pensamentos e sentimentos, mas sobretudo o
instrumento que nos possibilita ter consciência de nós mesmos e da realidade à nossa volta.

Apesar da importância crucial da linguagem em nossa vida, o estudo da língua ficou durante séculos relegado
a segundo plano, resumindo-se a descrições pouco científicas deste ou daquele idioma de maior prestígio.

Aldo Bizzocchi. O universo da linguagem: sobre a língua e as línguas. São Paulo: Editora Contexto, 2021, p.
11-12 (com adaptações)

Estariam preservadas as ideias e a correção gramatical do texto CG1A1-I caso se substituísse, no segmento
“Como aprendemos a falar na mais tenra infância e sem maior esforço” (início do segundo parágrafo), a
conjunção “Como” por

a) Visto que.

b) Ao passo que.

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c) Logo que.

d) Não obstante.

e) Tal qual.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“(...) mas somente a partir do momento em que despontou a aptidão simbólica, primeiramente nas pinturas
e inscrições rupestres e depois com a invenção da escrita, a espécie humana alçou-se de uma organização
social tribal para a civilização.

Como aprendemos a falar na mais tenra infância e sem maior esforço, além de usarmos a linguagem no dia
a dia da forma mais corriqueira, não nos damos conta do grande prodígio que é falar.”

No caso em tela, a palavra “como” estabelece uma ideia de causa, significando “porque”, acompanhe a seguir
ao inverter a frase:

“Não nos damos conta do grande prodígio que é falar porque aprendemos a falar na mais tenra infância e
sem maior esforço.”

Dentre as alternativas, a única que representa uma das conjunções causais, é a Letra A.

As conjunções causais introduzem orações subordinadas que dão ideia de causa, entre elas: Que, porque,
como, pois, visto que, já que, uma vez que.

b) “Ao passo que” tem o mesmo significado de "enquanto" ou "durante o tempo em que". É classificada
como uma locução conjuntiva subordinativa proporcional.

c) “Logo que” traz sentido de tempo.

d) “Não obstante” traz sentido concessivo.

e) “Tal qual” traz sentido de comparação.

Gabarito: A

36. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: COREN-CE | Prova: Técnico Administrativo

Texto CG2A1-II

Você pode adorar morango e lhe ser alérgico. Se comer, já sabe, é um desastre. Outro pode ter horror a
cebola e não lhe ser alérgico. Não come porque detesta. Assim como não se discutem, gostos também não

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se explicam. São tabus. A alergia é uma descoberta do princípio do século passado. O sujeito nasce com uma
hipersensibilidade para isto ou aquilo. Os alérgenos. Há, por exemplo, quem não suporte perfume. Um
determinado tipo de perfume.

No caso de alimento, você evita. Se a alergia é a pluma, estofado de pluma sempre se pode evitar. Já perfume
é mais difícil. Causa a ruptura de uma amizade, ou até de um amor. Se o outro insiste, é porque não há amor
nem amizade. Nada mais prosaico do que um namorado ou uma namorada que se põe a espirrar à simples
aproximação do parceiro ou da parceira. Uma tempestade alérgica pode liquidar com um amor. Sábia é a
natureza ao impor as suas repulsas e as suas afinidades.

Otto Lara Resende. Sufoco hipersensível. Internet:<[Link]> (com adaptações).

No período “Assim como não se discutem, gostos também não se explicam”, do primeiro parágrafo do texto
CG2A1-II, a locução “Assim como” introduz uma oração

a) comparativa.

b) aditiva.

c) explicativa.

d) conclusiva.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“Você pode adorar morango e lhe ser alérgico. Se comer, já sabe, é um desastre. Outro pode ter horror a
cebola e não lhe ser alérgico. Não come porque detesta. Assim como não se discutem, gostos também não
se explicam.”

No caso em tela, a expressão destacada desempenha uma função aditiva, conectando ações relacionadas a
um mesmo sujeito e correspondendo à construção: "gostos não se explicam e não se discutem".

Contudo, é crucial manter em mente a possibilidade de a estrutura proporcionar um valor comparativo,


especialmente ao indicar sujeitos diferentes que realizam uma mesma ação verbal. A distinção entre os
sentidos deve ser sempre analisada dentro do contexto.

Portanto, a alternativa que reflete corretamente o contexto é a Letra B.

Gabarito: B

37. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: APEX Brasil | Prova: Assistente I

Texto CB2A1-I

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A rapidez da difusão do comércio eletrônico tem trazido novas oportunidades para o pequeno negócio, o
varejo e as micro e pequenas empresas (MPE), que se veem na contingência de mudança na gestão do
comércio, visando um aumento de lucratividade e novas oportunidades, com uma fatia maior do comércio
eletrônico.

Com a utilização do sistema B2C, sistema de comércio eletrônico, várias vantagens podem ser apresentadas,
como a facilidade de estabelecer compras online 24 horas por dia, sete dias da semana. Verifica-se, ainda, a
otimização dos fatores da atividade empresarial, como quadro pessoal, loja física e mobilidade urbana, a
diminuição de tempo gasto com as operações e a sustentabilidade com a teoria de utilização racional de
papéis (em inglês, less paper).

Este guia é direcionado aos pequenos empresários, aos varejistas e a todo tipo de comerciante que vise
ampliar suas atividades pelo uso de novas tecnologias. Os produtos englobados por este guia resumem-se
em mercadorias, software, hardware e serviço. Os consumidores protegidos pela norma conceituam-se
como membro individual do público geral, que compra ou usa produtos para fins pessoais ou finalidades
domésticas.

Todavia, para que esse sistema de transações de comércio eletrônico seja eficaz, o comerciante deve
planejar, implantar e desenvolver o sistema de comércio eletrônico e mantê-lo atualizado e transparente,
de modo a auxiliar os consumidores na efetivação da credibilidade desse tipo de negociação online.

Para tanto, a capacidade, a adequação, a conformidade, a pluralidade e a diversidade na rede devem gerar
um maior suporte ao consumidor, em relação às suas reclamações e dúvidas na transação eletrônica.

Utilize o passo a passo sugerido neste guia e seja bem-sucedido em seu comércio eletrônico!

ABNT/ SEBRAE. Guia de implementação ABNT NBR ISO 10008: gestão da qualidade – satisfação do cliente
– diretrizes para transações de comércio eletrônico de negócio a consumidor. Rio de Janeiro: 2014, p. 31
(com adaptações).

No trecho “Com a utilização do sistema B2C”, no segundo parágrafo do texto CB2A1-I, o termo “Com”
expressa

a) causa.

b) consequência.

c) companhia.

d) modo.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“A rapidez da difusão do comércio eletrônico tem trazido novas oportunidades para o pequeno negócio, o
varejo e as micro e pequenas empresas (MPE), que se veem na contingência de mudança na gestão do

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comércio, visando um aumento de lucratividade e novas oportunidades, com uma fatia maior do comércio
eletrônico.

Com a utilização do sistema B2C, sistema de comércio eletrônico, várias vantagens podem ser apresentadas,
como a facilidade de estabelecer compras online 24 horas por dia, sete dias da semana.”

A preposição "com", integrante da locução adverbial, denota uma circunstância de causa. Para confirmar tal
afirmação, é suficiente substituir a preposição "com" pelas locuções prepositivas "devido a", "por causa de",
"em decorrência de".

Além disso, ao formular a seguinte pergunta: "Por que várias vantagens, como a facilidade de realizar
compras online 24 horas por dia, sete dias por semana, podem ser apresentadas?" A resposta será: "Por
causa da utilização do sistema B2C."

Portanto, somente a alternativa A reflete o correto.

Gabarito: A

38. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: APEX Brasil | Provas: Analista - Processos Jurídicos

Texto CB1A1-I

Durante um seminário sobre a antropologia do dinheiro ministrado na Escola de Economia e Ciência Política
de Londres, Jock Stirratt descreveu em um gráfico os usos a que alguns pescadores do Sri Lanka que
prosperaram nos últimos anos submetiam sua riqueza recém-adquirida. A renda desses pescadores, antes
muito baixa, deu um grande salto desde que o gelo se tornou disponível, o que possibilitou que seus peixes
alcançassem, em boas condições, os mercados distantes da costa, onde atingiram preços altos. No entanto,
as aldeias de pescadores ainda permanecem isoladas e, à época do estudo, não tinham eletricidade, estradas
nem água encanada. Apesar desses desincentivos aparentes, os pescadores mais ricos gastavam os
excedentes de seus lucros na compra de aparelhos de televisão inutilizáveis, na construção de garagens em
casas a que automóveis sequer tinham acesso e na instalação de caixas-d’água jamais abastecidas. De acordo
com Stirratt, isso tudo ocorre por uma imitação entusiasmada da alta classe média das zonas urbanas do Sri
Lanka.

É fácil rir de despesas tão grosseiramente excêntricas, cuja aparente falta de propósito utilitário dá a
impressão de que, por comparação, pelo menos parte de nosso próprio consumo tem um caráter racional.
Como os objetos adquiridos por esses pescadores parecem não ter função em seu meio, não conseguimos
entender por que eles deveriam desejá-los. Por outro lado, se eles colecionassem peças antigas de porcelana
chinesa e as enterrassem, como fazem os Ibans, seriam considerados sensatos, senão encantados, tal como
os temas antropológicos normais. Não pretendo negar as explicações óbvias para esse tipo de
comportamento ― ou seja, busca de status, competição entre vizinhos, e assim por diante. Mas penso que
também dever-se-ia reconhecer a presença de uma certa vitalidade cultural nessas atrevidas incursões a
campos ainda não inexplorados do consumo: a habilidade de transcender o aspecto meramente utilitário

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dos bens de consumo, de modo que se tornem mais parecidos com obras de arte, carregados de expressão
pessoal.

Alfred Gell. Recém-chegados ao mundo dos bens: o consumo entre os Gonde Muria. In: Arjun Appadurai
(org). A vida social das coisas: mercadorias sob uma perspectiva cultural. Niterói: Eduff, 2008, p. 147-48
(com adaptações).

No segundo parágrafo do texto CB1A1-I, com o emprego da conjunção “Mas” (último período), o autor
introduz

a) uma retificação à informação apresentada no período imediatamente anterior.

b) uma discordância com relação à informação apresentada no período imediatamente anterior.

c) uma razão para ele não negar as explicações apresentadas no período imediatamente anterior.

d) uma ressalva à informação apresentada no período imediatamente anterior.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“Não pretendo negar as explicações óbvias para esse tipo de comportamento ― ou seja, busca de status,
competição entre vizinhos, e assim por diante. Mas penso que também dever-se-ia reconhecer a presença
de uma certa vitalidade cultural nessas atrevidas incursões a campos ainda não inexplorados do consumo:”

Observe que a conjunção adversativa “mas” está exprimindo, em relação ao período anterior, a ideia de
contraste, oposição ou ressalva. Ou seja, no caso em tela, o autor introduz uma ressalva à informação
apresentada no período imediatamente anterior. Não pode ser discordância, visto que o autor não se opõe
diretamente ao que disse, ele apenas faz um adendo.

Gabarito: D

39. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: APEX Brasil | Provas: Analista - Processos Jurídicos

Texto CB1A1-I

Durante um seminário sobre a antropologia do dinheiro ministrado na Escola de Economia e Ciência Política
de Londres, Jock Stirratt descreveu em um gráfico os usos a que alguns pescadores do Sri Lanka que
prosperaram nos últimos anos submetiam sua riqueza recém-adquirida. A renda desses pescadores, antes
muito baixa, deu um grande salto desde que o gelo se tornou disponível, o que possibilitou que seus peixes
alcançassem, em boas condições, os mercados distantes da costa, onde atingiram preços altos. No entanto,
as aldeias de pescadores ainda permanecem isoladas e, à época do estudo, não tinham eletricidade, estradas
nem água encanada. Apesar desses desincentivos aparentes, os pescadores mais ricos gastavam os
excedentes de seus lucros na compra de aparelhos de televisão inutilizáveis, na construção de garagens em

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casas a que automóveis sequer tinham acesso e na instalação de caixas-d’água jamais abastecidas. De acordo
com Stirratt, isso tudo ocorre por uma imitação entusiasmada da alta classe média das zonas urbanas do Sri
Lanka.

É fácil rir de despesas tão grosseiramente excêntricas, cuja aparente falta de propósito utilitário dá a
impressão de que, por comparação, pelo menos parte de nosso próprio consumo tem um caráter racional.
Como os objetos adquiridos por esses pescadores parecem não ter função em seu meio, não conseguimos
entender por que eles deveriam desejá-los. Por outro lado, se eles colecionassem peças antigas de porcelana
chinesa e as enterrassem, como fazem os Ibans, seriam considerados sensatos, senão encantados, tal como
os temas antropológicos normais. Não pretendo negar as explicações óbvias para esse tipo de
comportamento ― ou seja, busca de status, competição entre vizinhos, e assim por diante. Mas penso que
também dever-se-ia reconhecer a presença de uma certa vitalidade cultural nessas atrevidas incursões a
campos ainda não inexplorados do consumo: a habilidade de transcender o aspecto meramente utilitário
dos bens de consumo, de modo que se tornem mais parecidos com obras de arte, carregados de expressão
pessoal.

Alfred Gell. Recém-chegados ao mundo dos bens: o consumo entre os Gonde Muria. In: Arjun Appadurai
(org). A vida social das coisas: mercadorias sob uma perspectiva cultural. Niterói: Eduff, 2008, p. 147-48
(com adaptações).

No segundo período do segundo parágrafo do texto CB1A1-I, a conjunção “Como” introduz um segmento
com sentido

a) causal.

b) comparativo.

c) conformativo.

d) temporal.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“É fácil rir de despesas tão grosseiramente excêntricas, cuja aparente falta de propósito utilitário dá a
impressão de que, por comparação, pelo menos parte de nosso próprio consumo tem um caráter racional.
Como os objetos adquiridos por esses pescadores parecem não ter função em seu meio, não conseguimos
entender por que eles deveriam desejá-los.”

Sempre que a palavra "como" iniciar uma oração e puder ser trocada pela locução conjuntiva "já que", ela
terá a função de conjunção causal:

"Já que os objetos adquiridos por esses pescadores parecem não ter função em seu meio, não conseguimos
entender por que eles deveriam desejá-los."

Portanto, podemos concluir que o gabarito da questão é a Letra A.

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b) A conjunção "como" poderia ser considerada comparativa se fosse possível substituí-la pela palavra
"igual". Além disso, não está havendo comparação entre dois seres ou fatos.

c) A conjunção "como" seria interpretada como conformativa caso pudesse ser substituída pela conjunção
"conforme". Além disso, as orações não transmitem a ideia de acordo ou conformidade.

d) A conjunção "como" jamais possui caráter temporal.

Gabarito: A

40. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: IBGE | Prova: Agente de Pesquisas por Telefone

Texto 1A1-I

Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar nosso antepassado mais remoto
riscando na parede da caverna, à luz de uma tocha, signos que indicavam quanto de alimento havia sido
estocado para o inverno que se aproximava ou, como somos competitivos, a relação entre nomes de
integrantes da tribo e o número de caças abatidas por cada um deles.

Se formos propor uma hermenêutica acerca do tema, talvez possamos afirmar que existem dois tipos de
listas: as necessárias e as inúteis. Em muitos casos, dialeticamente, as necessárias tornam-se inúteis e as
inúteis, necessárias. Tomemos dois exemplos. Todo mês, enumero as coisas que faltam na despensa de
minha casa antes de me dirigir ao supermercado; essa lista arrolo na categoria das necessárias. Por outro
lado, há pessoas que anotam suas metas para o ano que se inicia: começar a fazer ginástica, parar de fumar,
cortar em definitivo o açúcar, ser mais solidário, menos intolerante... Essa elenco na categoria das inúteis.

Feitas as compras, a lista do supermercado, necessária, torna-se então inútil. A lista contendo nossos desejos
de sermos melhores para nós mesmos e para os outros, embora inútil, pois dificilmente a cumprimos,
converte-se em necessária, porque estabelece um vínculo com o futuro, e nos projetar é uma forma de
vencer a morte.

Tudo isso para justificar o que se segue. Ninguém me perguntou, mas resolvi organizar uma lista dos
melhores romances que li em minha vida — escolhi o número vinte, não por motivos místicos, mas porque
talvez, pela amplitude, alinhave, mais que preferências intelectuais, uma história afetiva das minhas leituras.
Enquadro-a na categoria das listas inúteis, mas, quem sabe, se consultada, municie discussões, já que toda
escolha é subjetiva e aleatória, ou, na melhor das hipóteses, suscite curiosidade a respeito de um título ou
de um autor. Ocorresse isso, me daria por satisfeito.

Luiz Ruffato. Meus romances preferidos. Internet: <[Link]> (com adaptações).

No trecho “como somos competitivos” (primeiro parágrafo do texto 1A1-I), a conjunção “como” expressa o
mesmo que

a) conforme.

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b) tanto quanto.

c) apesar de.

d) porque.

e) embora.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar nosso antepassado mais remoto
riscando na parede da caverna, à luz de uma tocha, signos que indicavam quanto de alimento havia sido
estocado para o inverno que se aproximava ou, como somos competitivos, a relação entre nomes de
integrantes da tribo e o número de caças abatidas por cada um deles.”

"Como" será considerada conjunção causal apenas quando estiver no início da oração e puder ser substituída
pela locução conjuntiva causal "já que" ou, ao inverter as orações, ser substituída pela conjunção causal
"porque". Exemplos:

“Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar nosso antepassado mais remoto
riscando na parede da caverna, à luz de uma tocha, signos que indicavam quanto de alimento havia sido
estocado para o inverno que se aproximava ou, já que somos competitivos, a relação entre nomes de
integrantes da tribo e o número de caças abatidas por cada um deles".

ou

“Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar nosso antepassado mais remoto
riscando na parede da caverna, à luz de uma tocha, signos que indicavam quanto de alimento havia sido
estocado para o inverno que se aproximava ou, a relação entre nomes de integrantes da tribo e o número
de caças abatidas por cada um deles porque somos competitivos".

Portanto, podemos atestar que o gabarito da questão é a Letra D.

a) "Conforme" é uma conjunção conformativa. A relação entre as orações não é conformativa, ou seja, não
há concordância entre as ideias.

b) "Tanto quanto" é uma locução conjuntiva comparativa. Não está sendo feita nenhuma comparação.

c) "Apesar de" é uma locução prepositiva concessiva. Não existe um fato contrário à outra oração.

e) "Embora" é uma conjunção concessiva, com o mesmo valor da locução "apesar de".

Gabarito: D

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41. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TJ-PR | Prova: Técnico Judiciário

Texto 1A1-I

O astrônomo lê o céu, lê a epopeia das estrelas. Ora, direis, ouvir e ler estrelas. Que histórias sublimes,
suculentas, na Via Láctea. O físico lê o caos. Que epopeias o geógrafo lê nas camadas acumuladas em um
simples terreno. Um desfile de Carnaval, por exemplo, é um texto. Por isso se fala de “samba-enredo”: a
disposição das alas, as fantasias, a bateria, a comissão de frente são formas narrativas.

Uma partida de futebol é uma forma narrativa. Saber ler uma partida — esse é o mérito do locutor esportivo,
na verdade, um leitor esportivo. Ele, como o técnico, vê coisas no texto em jogo que, só depois de lidas por
ele, por nós são percebidas. Ler, então, é um jogo, uma disputa, uma conquista de significados.

Estamos com vários problemas de leitura hoje. Construímos aparelhos aprimoradíssimos que sabem ler.
Leem-nos, às vezes, melhor que nós mesmos. Vi na fazenda de um amigo aparelhos eletrônicos que, ao
tirarem leite da vaca, são capazes de ler tudo sobre a qualidade do leite, da vaca, e até (imagino) ler o
pensamento de quem está assistindo à cena. Aparelhos complexos leem o mundo e nos dão recados. A
natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando. Lemos a notícia e postergamos a
tragédia para nossos netos. É preciso ler, interpretar e fazer alguma coisa com a interpretação.

Affonso Romano de Sant’Anna. Ler o mundo. São Paulo: Global, 2011, p. 8-9 (com adaptações).

Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita do seguinte trecho do texto 1A1-I: “A
natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando. Lemos a notícia e postergamos a tragédia
para nossos netos.” (l. 14 a 16). Assinale a opção em que a proposta apresentada preserva os sentidos do
texto.

a) A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, mas lemos a notícia e postergamos
a tragédia para nossos netos.

b) A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, porque lemos a notícia e postergamos
a tragédia para nossos netos.

c) A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, se lemos a notícia e postergamos a
tragédia para nossos netos.

d) A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, logo lemos a notícia e postergamos
a tragédia para nossos netos.

e) A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, ou lemos a notícia e postergamos a
tragédia para nossos netos.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

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“A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando. Lemos a notícia e postergamos a
tragédia para nossos netos.”

Ao analisar a estrutura, percebe-se que a relação entre os períodos é de contrariedade, adversidade e


contraposição, como se observa:

Ao constatarmos que a água não apenas está contaminada, mas também está se esgotando, adiamos (ou
seja, negligenciamos) a tragédia e a transmitimos para as gerações futuras, nesse ponto é que se revela um
sinal de oposição: isso ocorre, pois partimos do pressuposto de que, ao tomar conhecimento da iminência
de uma possível tragédia, deveríamos agir de alguma forma.

Assim sendo, a opção que mantém os sentidos do texto original é a Letra A.

“A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, mas lemos a notícia e postergamos a
tragédia para nossos netos.”.

Gabarito: A

42. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Telebras | Provas: Técnico em Gestão de
Telecomunicações - Assistente Administrativo

Texto CB4A1-I

A comunicação tem-se transformado em um setor estratégico da economia, da política e da cultura. Da


guerra, ela sempre o foi. A inclusão da informação e da comunicação nas estratégias bélicas tem aumentado
no correr de milênios.

No século VII a.C., o chinês Sun Tzu, em A arte da guerra, dizia que “toda guerra é embasada em
dissimulação”, referindo-se à distribuição de informações falsas. Contudo, quem mais desenvolveu esse
conceito foi o general prussiano Carl von Clausewitz, em seu amplo tratado Da guerra (Vom Kriege),
publicado em 1832. No capítulo VI, Clausewitz afirma: “Grande parte das notícias recebidas na guerra é
contraditória, uma parte ainda maior é falsa e a maior parte de todas é incerta. Em suma, a maioria das
notícias é falsa, e o medo do ser humano reforça a mentira e a inverdade. As pessoas conscientes que seguem
as insinuações alheias tendem a permanecer indecisas no lugar; acreditam ter encontrado as circunstâncias
distintas do que imaginavam. Na guerra, tudo é incerto, e os cálculos devem ser feitos com meras grandezas
variáveis. Eles direcionam a observação apenas para magnitudes materiais, enquanto todo o ato de guerra
está imbuído de forças e efeitos espirituais”.

Trata-se de desinformar, e não de informar. A desinformação é a informação falsa, incompleta,


desorientadora. É propagada para enganar um público determinado. Seu fim último é o isolamento do
inimigo em um conflito concreto, é o de mantê-lo em um cerco informativo. Os nazistas levaram essa
estratégia do engano quase à perfeição.

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Atualmente, pratica-se tanto o cerco econômico, militar e diplomático quanto o informativo. Já não se trata
apenas de isolar o inimigo. As novas tecnologias permitem aos militares intervir nos conflitos bélicos a
distância, direcionando até mesmo os foguetes com a ajuda de GPS, a partir de um satélite. A
telecomunicação militar apoiada em satélites e a eletrônica determinarão as guerras do futuro imediato.
Fala-se já de bombas eletrônicas (E) que podem paralisar estabelecimentos neurais da sociedade moderna,
como hospitais, centrais elétricas, oleodutos etc., destruindo os seus circuitos eletrônicos. Parece que hoje
já se pode fazer a guerra sem bombas atômicas. As bombas E do tipo FCG (flux compression generator —
gerador de compressão de fluxo), cujo emprego não está limitado às grandes potências bélicas, têm o mesmo
efeito e fazem parte dos arsenais de alguns exércitos, e consistem em comprimir, mediante uma explosão,
um campo eletromagnético, como um raio, sem os custos, os efeitos colaterais ou o enorme alcance de um
dispositivo de pulso eletromagnético nuclear.

Vicente Romano. Presente e futuro imediato das telecomunicações. São Paulo em Perspectiva. Internet:
<[Link] (com adaptações)

Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB4A1-I, julgue o próximo item.

No segundo período do segundo parágrafo do texto, o vocábulo “Contudo” introduz uma ressalva.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“No século VII a.C., o chinês Sun Tzu, em A arte da guerra, dizia que “toda guerra é embasada em
dissimulação”, referindo-se à distribuição de informações falsas. Contudo, quem mais desenvolveu esse
conceito foi o general prussiano Carl von Clausewitz, em seu amplo tratado Da guerra (Vom Kriege),
publicado em 1832.”

"Contudo", pertencente às conjunções adversativas, no trecho em questão, estabelece oposição e contraste


em relação ao fragmento anterior. Portanto, a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

43. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: FUB | Provas: Conhecimentos Básicos - Cargos de Nível
Superior

Esta é uma declaração de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi
profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes
com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de
sentimento e de “alerteza”. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve.
Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.

Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de
uma frase. Eu gosto de manejá-la — como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às
vezes lentamente, às vezes a galope.

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Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E esse desejo todos os que
escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua
já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê
vida.

Essas dificuldades nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi
aprofundada. O que recebi de herança não me chega.

Clarice Lispector. Declaração de amor. In: Crônicas para jovens: de escrita e vida. Rio de Janeiro: Rocco
Digital, p. 11 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

No primeiro período do terceiro parágrafo, há uma ambiguidade que poderia ser corretamente eliminada
com a substituição da preposição a, presente na contração “ao”, pela preposição em — no —, sem alteração
dos sentidos originais do texto.

COMENTÁRIOS:

Trecho original:

“Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos.”

Trecho reescrito:

“Eu queria que a língua portuguesa chegasse no máximo nas minhas mãos.”

Observe que no fragmento original, a preposição "ao" tem o sentido de atingir um valor específico. Contudo,
na versão reescrita, ocorre uma mudança de significado ao substituir por "no", resultando em uma frase que
indica atingir um lugar determinado. Portanto, a afirmativa está incorreta.

Gabarito: Errado.

44. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: EMAP | Provas: Conhecimentos Básicos - Cargos de
Nível Médio

A crescente internacionalização da economia, decorrente, principalmente, da redução de barreiras ao


comércio mundial, da maior velocidade das inovações tecnológicas e dos grandes avanços nas
comunicações, tem exigido mudanças efetivas na atuação do comércio internacional.

A abordagem desse tipo de comércio, inevitavelmente, passa pela concorrência, visto que é por meio da
garantia e da possibilidade de entrar no mercado internacional, de estabelecer permanência ou de engendrar
saída, que se consubstancia a plena expansão das atividades comerciais e se alcança o resultado último dessa
interatuação: o preço eficiente dos bens e serviços.

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Defesa da concorrência e defesa comercial são instrumentos à disposição dos Estados para lidar com
distintos cenários que afetem a economia. Destaca-se como a principal diferença o efeito que cada
instrumento busca neutralizar.

A política de defesa da concorrência busca preservar o ambiente competitivo e coibir condutas desleais
advindas do exercício de poder de mercado. A política de defesa comercial busca proteger a indústria
nacional de práticas desleais de comércio internacional.

Elaine Maria Octaviano Martins Curso de direito marítimo Barueri: Manoele, v 1, 2013, p 65 (com
adaptações)

Acerca de aspectos linguísticos do texto precedente e das ideias nele contidas, julgue o item a seguir.

O emprego da preposição de introduzindo “das inovações” (l.2) é exigido pela presença de “decorrente” (l.1),
sendo as inovações uma das quatro causas da crescente internacionalização mencionadas no texto.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“A crescente internacionalização da economia, decorrente, principalmente, da redução de barreiras ao


comércio mundial, da maior velocidade das inovações tecnológicas e dos grandes avanços nas
comunicações, tem exigido mudanças efetivas na atuação do comércio internacional.”

Observe que a preposição "das" está associada à palavra "velocidade", indicando uma noção de posse entre
"velocidade" e "inovações tecnológicas", sem estabelecer qualquer relação com a palavra "decorrente".
Portanto, a afirmativa está equivocada.

Gabarito: Errado.

45. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: EBSERH | Prova: Conhecimentos Básicos - Cargos de
Nível Superior - Área Médica

Texto CB1A1BBB

São José do Rio Preto, centro urbano de tamanho médio, com cerca de 408 mil habitantes em 2010,
localizada na região noroeste do estado de São Paulo, em área de clima tropical, é uma cidade reconhecida
pelo seu calor intenso. Em 1985, a Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo
detectou a presença de focos do Aedes aegypti em doze cidades paulistas, entre elas, São José do Rio Preto,
e confirmou sua reintrodução no estado. Os focos foram encontrados em locais com concentração de
recipientes, denominados pontos estratégicos (PEs). Foi então estruturado Programa de Controle de Aedes
aegypti em São Paulo, que previa a visitação sistemática e periódica aos PEs dos municípios e a realização de
delimitações de foco, quando do encontro de sítios positivos. Considerava-se que o vetor estava presente
em um município quando continuava presente nos imóveis após a realização das medidas de controle que
vinham associadas à delimitação de foco.

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Logo após a detecção de focos positivos do mosquito em São José do Rio Preto, realizaram-se as delimitações
e a aplicação de controle, as quais não foram suficientes para eliminar o vetor. Diante da situação, em 1985,
o município foi definido como área de infestação domiciliar e risco de dengue. Os primeiros casos autóctones
da dengue no município foram registrados em 1991, atribuídos ao sorotipo DENV1. A primeira grande
epidemia ocorreu em 1995, com 1.462 casos autóctones. Posteriormente, com a introdução dos demais
sorotipos, as incidências (casos/100 mil habitantes/ano) apresentaram comportamento cíclico: em 1999,
1.351,1; em 2006, 2.935,7; em 2010, ano da maior incidência, 6.173,8; e, em 2015, até outubro, a segunda
maior incidência, 5.070,8.

Apesar de não se descartar a hipótese de que o aumento progressivo das incidências da dengue no município
já seria um efeito do aumento das temperaturas, parece que esse fenômeno estaria mais relacionado com a
circulação dos múltiplos sorotipos do vírus da dengue. De modo geral, a persistência e a intensidade da
dengue em São José do Rio Preto são esperadas por se tratar de cidade de clima tropical e com condições
ideais para o desenvolvimento do vetor e de sua relação com o patógeno.

Internet: <[Link]> (com adaptações)

A respeito de aspectos linguísticos do texto CB1A1BBB, julgue o item a seguir.

A correção gramatical do texto seria preservada caso a preposição que inicia o trecho “em área de clima
tropical” (l. 2 e 3) fosse eliminada.

COMENTÁRIOS:

Trecho original:

“São José do Rio Preto, centro urbano de tamanho médio, com cerca de 408 mil habitantes em 2010,
localizada na região noroeste do estado de São Paulo, em área de clima tropical, é uma cidade reconhecida
pelo seu calor intenso.”

Trecho reescrito:

“São José do Rio Preto, centro urbano de tamanho médio, com cerca de 408 mil habitantes em 2010,
localizada na região noroeste do estado de São Paulo, área de clima tropical, é uma cidade reconhecida pelo
seu calor intenso.”

Se retirarmos a preposição "em", a expressão "área de clima tropical" se tornará um aposto explicativo
referente ao trecho "região noroeste do estado de São Paulo", mesmo assim, a correção gramatical do texto
seria mantida. Portanto, a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

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46. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: ABIN | Provas: Oficial Técnico de Inteligência -
Conhecimentos Gerais

Texto CB1A1BBB

No começo dos anos 40, os submarinos alemães estavam dizimando os cargueiros dos aliados no Atlântico
Norte. O jogo virou apenas em 1943, quando Alan Turing desenvolveu a Bomba, um aparelho capaz de
desvendar os segredos da máquina de criptografia nazista chamada de Enigma. A complexidade da Enigma
— uma máquina eletromagnética que substituía letras por palavras aleatórias escolhidas de acordo com uma
série de rotores — estava no fato de que seus elementos internos eram configurados em bilhões de
combinações diferentes, sendo impossível decodificar o texto sem saber as configurações originais. Após
espiões poloneses terem roubado uma cópia da máquina, Turing e o campeão de xadrez Gordon Welchman
construíram uma réplica da Enigma na base militar de Bletchey Park. A máquina replicava os rotores do
sistema alemão e tentava reproduzir diferentes combinações de posições dos rotores para testar possíveis
soluções. Após quatro anos de trabalho, Turing conseguiu quebrar a Enigma, ao perceber que as mensagens
alemãs criptografadas continham palavras previsíveis, como nomes e títulos dos militares. Turing usava esses
termos como ponto de partida, procurando outras mensagens em que a mesma letra aparecia no mesmo
espaço em seu equivalente criptografado.

Gabriel Garcia. 5 descobertas de Alan Turing que mudaram o rumo da história. In: Exame, 2/fev./2015.
Internet: <[Link] (com adaptações)

Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1BBB, julgue o item subsequente.

No trecho “para testar possíveis soluções” (l.12), o emprego da preposição “para”, além de contribuir para a
coesão sequencial do texto, introduz, no período, uma ideia de finalidade.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“A máquina replicava os rotores do sistema alemão e tentava reproduzir diferentes combinações de posições
dos rotores para testar possíveis soluções.”

A utilização da preposição "para" na passagem "para testar possíveis soluções" colabora com a coesão
sequencial e confere, entre os termos que conecta, uma ideia de finalidade (a fim de). Portanto, a afirmação
está correta.

Gabarito: Certo.

47. Ano: 2017 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Instituto Rio Branco | Prova: Diplomata

Texto IV

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A classe dedicada ao comércio, marcada pela compra e venda de mercadorias ou na colocação de dinheiro,
não representava, no Império, o padrão social dominante. Os comerciantes eram, em grande parte,
estrangeiros; o ramo mais saliente do comércio, o ligado ao escravo, sujava as mãos dos que com ele
enriqueciam. Um título de comendador ou de barão dourava o busto do empresário, mas não o nobilitava,
visto que o nobre pertencia a uma camada diversa, composta, sob o ponto de vista profissional ou
econômico, de letrados ou senhores de rendas. O homem que traficava — membro da classe lucrativa ou
aquisitiva —, para se qualificar socialmente, embriagou-se, perdidamente, na imitação do estilo ou nos
traços secundários da classe proprietária e do estamento. Elevava-se, se enriquecido — elevava-se é o termo
certo — a uma categoria superior no desfrute ostentatório de rendas, transformando a natureza de seu
patrimônio, ou ingressava na política e no governo, preocupado em amortecer a cintilação equívoca da
origem. Era quase uma situação colonial, com a ascensão, nem sempre possível no espaço de uma geração,
do albardeiro ao círculo dos fidalgos. Em meados do século XIX o velho equilíbrio se rompe, fio a fio,
imperceptivelmente, na quebra de secular estrutura econômica e social. Consequência da nova dinâmica,
que agita e move a sociedade, será a emancipação de uma classe inteira, até aí pejada, impedida e
entorpecida em seus passos. Dentro da consciência do homem que enriqueceu no trato de mercadorias e de
valores, haverá agora uma crise. O Dr. Félix (Ressurreição) ou Rubião (Quincas Borba), aquinhoados pela
inesperada herança, trataram de aplicar os bens para que eles lhes proporcionassem renda segura e estável.

Outra é a conduta de Mauá, como será a de Palha (Quincas Borba), Cotrim (Memórias Póstumas) ou de
Santos (Esaú e Jacó). Homens do comércio, não convertem o patrimônio em prestações de renda, mas
continuam presos aos seus negócios, perseguindo o infinito, imantados por outros desígnios, alimentados
por uma nova sociedade. Mas há a crise. Rubião a vive, já, no último quartel do século, em sentido contrário,
atraído pelos lucros do comércio e não pelo comércio. Mauá a sentirá, no sentido autêntico: dos doze aos
trinta e dois anos, vergado no balcão e sócio de comerciante, torna-se dono de respeitável fortuna. Fiel à
ordem dominante, não a calcula em bons e vistosos contos de réis, mas por sua renda, que seria superior a
50 contos anuais. A renda e não o capital dava a nota de grandeza, de opulência, para encher os olhos e
provocar a admiração. “Já se vê que, — confessava, aludindo ao ano de 1846 — ao engolfar-me em outra
esfera de atividade, possuía eu uma fortuna satisfatória, que me convidava a desfrutá-la. Travou-se em meu
espírito, nesse momento, uma luta vivaz entre o egoísmo, que em maior ou menor dose habita o coração
humano, e as ideias generosas que em grau elevado me arrastavam a outros destinos...”. O egoísmo seria a
fruição do capital, sem suor e angústias; o impulso contrário, a expansão da economia, que se identificaria,
para a classe lucrativa, com o progresso do país. Certo de seu papel dinâmico na sociedade, criando
atividades novas e aprimorando as existentes; esse estrato ganha relevo e autonomia, sem que se esconda
atrás do biombo, dourado de tradição e respeitabilidade, da classe proprietária. É hostil, como conjunto, ao
ócio dos homens de renda e ao prestígio do estamento político, que maneja o poder do alto e de cima, sem
consultar-lhe as preferências nem lhe pedir orientação e conselho. Atente-se: a classe lucrativa tem conduta
adversa ao estilo de vida da camada dirigente, não obstante a explore, e viva, em grande parte, de seus
favores, numa espécie de capitalismo político, dependente e subordinado ao Estado.

Raymundo Faoro. Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio. São Paulo: Companhia Editora Nacional,
1974, p. 225-7 (com adaptações).

Com referência ao texto IV, julgue (C ou E) o próximo item.

Tanto em “do albardeiro ao círculo dos fidalgos” (l. 14 e 15) quanto em “dos doze aos trinta e dois anos” (l.
29), a preposição de foi empregada no sentido de desde.

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COMENTÁRIOS:

Primeiro trecho:

“Era quase uma situação colonial, com a ascensão, nem sempre possível no espaço de uma geração, do
albardeiro ao círculo dos fidalgos.”

No inicial fragmento, não é possível substituir a preposição "do" por "desde", uma vez que a palavra
"ascensão", ligada ao trecho “do albardeiro ao círculo dos fidalgos”, sugere a noção de elevação e subida,
não remetendo a tempo ou continuidade.

Segundo trecho:

“Mauá a sentirá, no sentido autêntico: dos doze aos trinta e dois anos, vergado no balcão e sócio de
comerciante, torna-se dono de respeitável fortuna.”

Nesse trecho a preposição “dos” foi empregada no sentido de desde (tempo/continuidade), note a
substituição:

“Mauá a sentirá, no sentido autêntico: desde os doze aos trinta e dois anos...”

Assim sendo, a afirmativa está equivocada.

Gabarito: Errado.

48. Ano: 2017 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDF | Provas: Conhecimentos Básicos - Cargos 36 e 37

Texto CB2A6AAA

Não têm conta entre nós os pedagogos da prosperidade que, apegando-se a certas soluções onde, na melhor
hipótese, se abrigam verdades parciais, transformam-nas em requisito obrigatório e único de todo
progresso. É bem característico, para citar um exemplo, o que ocorre com a miragem da alfabetização.
Quanta inútil retórica se tem desperdiçado para provar que todos os nossos males ficariam resolvidos de um
momento para o outro se estivessem amplamente difundidas as escolas primárias e o conhecimento do abc.

A muitos desses pregoeiros do progresso seria difícil convencer de que a alfabetização em massa não é
condição obrigatória nem sequer para o tipo de cultura técnica e capitalista que admiram. Desacompanhada
de outros elementos fundamentais da educação, que a completem, é comparável, em certos casos, a uma
arma de fogo posta nas mãos de um cego.

Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. 27.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2015 (com
adaptações).

No que se refere às ideias e aos sentidos do texto CB2A6AAA e à sua classificação quanto ao tipo e ao gênero
textual, julgue o próximo item.

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A preposição “para” (l.5) introduz, no período em que ocorre, uma ideia de finalidade.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“Quanta inútil retórica se tem desperdiçado para provar que todos os nossos males ficariam resolvidos de
um momento para o outro se estivessem amplamente difundidas as escolas primárias e o conhecimento do
abc.”

A preposição "para", utilizada no período em questão, introduz uma noção de finalidade. Para atestar, basta
substituí-la pela conjunção “a fim de”:

Quanta inútil retórica se tem desperdiçado a fim de (com a finalidade de) provar que todos os nossos males...

Portanto, a afirmativa está correta.

Gabarito: Certo.

49. Ano: 2016 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-PA | Prova: Conhecimentos Básicos- Cargos 4, 5 e
de 8 a 17

Texto CB5A1BBB

A partir do momento em que o Estado passa a cobrar tributos de seus cidadãos, amealhando para si parte
da riqueza nacional, surge a necessidade de destinação de tais quantias à realização das necessidades
públicas, pois, não visando ao lucro, o Estado não pode cobrar mais do que os dispêndios que lhe são
imputados. Na chamada atividade financeira do Estado, sua principal ferramenta é o orçamento público, pois
nele constam as decisões políticas tomadas pelo administrador com o objetivo de satisfação dos interesses
coletivos.

Muito mais do que um mero documento de estimação e fixação das receitas e despesas, o orçamento,
conforme o texto constitucional vigente, constitui um verdadeiro sistema integrado de planejamento, de
sorte que, constituindo um verdadeiro orçamento-programa, o orçamento público passa a constituir etapas
do planejamento de desenvolvimento econômico e social, isto é, passa a ser conteúdo dos planos e
programas nacionais, regionais e setoriais, que devem ser compatibilizados com o plano plurianual.

Extrapolando-se os limites da simples teoria clássica do orçamento, pode-se dizer que o orçamento, em sua
feição atual, não deve ser compreendido unicamente como a simples autorização de gastos do Poder
Executivo pelo Poder Legislativo. Não se pode olvidar que, a partir do momento em que houve a limitação
das antigas monarquias absolutistas, o rei passou a necessitar de autorização de seus vassalos para a
realização dos gastos da coroa — como preceituado, por exemplo, na Magna Charta Libertatum, de 1215, e
na Petition 28 of Rights, de 1628. Também não se deve desconsiderar que a revolução orçamentária deveu-
se, em grande parte, à idealização do Estado liberal burguês, que emana, segundo especialistas da área, de
razões políticas, e não financeiras.

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Conquanto esses fatos tenham contribuído para a formação do orçamento em sua tessitura tradicional, é
preciso, hoje, refletir sobre a real natureza da lei orçamentária atual, se autorizativa ou impositiva.

César Augusto Carra. O orçamento impositivo aos estados e aos municípios. Internet:
<[Link]> (com adaptações).

Julgue o item seguinte, com relação aos aspectos linguísticos do texto CB5A1BBB.

A supressão da preposição “em” (l.1) prejudicaria a correção gramatical do texto.

COMENTÁRIOS:

Trecho:

“A partir do momento em que o Estado passa a cobrar tributos de seus cidadãos...”

O trecho "em que", devido à sua estrutura que retoma um termo de natureza temporal (a partir do
momento), também faz parte e possui a mesma característica (temporal). Sua presença é indispensável para
manter a correção gramatical do texto devido à exigência da expressão adverbial correlacionada à
temporalidade. Portanto, a assertiva está correta.

Gabarito: Certo.

50. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: DPE-DF | Provas: Analista de Apoio à Assistência
Judiciária - Redes

Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo dirige-se a este porteiro e pede para entrar na lei. Mas
o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada. O homem do campo reflete e depois pergunta se
então não pode entrar mais tarde. “É possível”, diz o porteiro, “mas agora não”. Uma vez que a porta da lei
continua como sempre aberta, e o porteiro se põe de lado, o homem se inclina para o interior através da
porta. Quando nota isso, o porteiro ri e diz: “Se o atrai tanto, tente entrar apesar da minha proibição. Mas
veja bem: eu sou poderoso. E sou apenas o último dos porteiros. De sala para sala, porém, existem mais
porteiros, cada um mais poderoso que o outro. O camponês não esperava tais dificuldades: a lei deve ser
acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele. Ele faz muitas tentativas para ser admitido, e cansa o porteiro
com os seus pedidos. O homem, que se havia equipado para a viagem com muitas coisas, lança mão de tudo,
por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Este aceita tudo. Durante todos esses anos, o homem
observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único
obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos, amaldiçoa em voz alta o acaso infeliz. Antes de morrer,
todas as experiências daquele tempo convergem na sua cabeça para uma pergunta que até então não havia
feito ao porteiro. Faz-lhe um aceno para que se aproxime. “O que é que você ainda quer saber?”, pergunta
o porteiro. “Você é insaciável.” “Todos aspiram à lei”, diz o homem. “Como se explica que, em tantos anos,
ninguém além de mim pediu para entrar?” O porteiro percebe que o homem já está no fim e, para ainda
alcançar sua audição em declínio, ele berra: “Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada estava
destinada só a você. Agora eu vou embora e fecho-a”.

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Franz Kafka. O processo. Tradução de Modesto Carone. Companhia das Letras, 1997 (com adaptações).

Com referência às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

Seria mantida a correção gramatical e os sentidos originais do texto caso, no trecho “Aqui ninguém mais
podia ser admitido, pois esta entrada estava destinada só a você”, a conjunção “pois” fosse substituída por
posto que.

COMENTÁRIOS:

A substituição indicada não manteria a correção gramatical e os sentidos originais do texto, porque “posto
que” é uma conjunção concessiva, enquanto que, “pois” na frase em tela, tem valor explicativo.

Conjunções Concessivas

São as conjunções que indicam uma oração em que se admite um fato contrário à ação principal, mas incapaz
de impedi-la: Embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, bem que, se bem que, apesar de que,
nem que, que.

Observação:

 O “pois” após o verbo tem sentido conclusivo: Ela reconheceu seus erros, será, pois, aceita de volta
pela família.
 O “pois” antes do verbo tem sentido explicativo: Não deixe de memorizar essas regras, pois podem
cair na prova.

Gabarito: Errado.

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