Termos da Oração em Sintaxe Portuguesa
Termos da Oração em Sintaxe Portuguesa
Índice
APRESENTAÇÃO 2
1. APRESENTAÇÃO 4
2. TERMOS DA ORAÇÃO 6
2.1. Termos Essenciais da Oração 6
2.1.1 Sujeito 6
2.1.2 Predicado 13
2.4. Vocativo 29
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Apresentação
Olá!
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Caso você ainda tenha alguma dúvida sobre a organização ou funcionamento do curso, fique à
vontade para esclarecê-las por meio das minhas redes sociais:
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1. INTRODUÇÃO
A Sintaxe é o ramo da gramática que se ocupa do estudo das relações entre os elementos
que formam frases e orações. Ela se concentra em como as palavras se relacionam e se organizam
para transmitir significado de forma clara e consistente.
Começando pela frase, entenda que ela é uma unidade de comunicação completa, que pode
transmitir pensamentos, emoções, comandos e apelos de forma compreensível. Exemplos disso
seriam: “Cuidado!”, “Deus te abençoe!" ou "Doquinha está feliz".
Observe que uma frase pode ou não incluir um verbo. Se ela não contém um verbo,
chamamos isso de frase nominal. Exemplos: “Que noite maravilhosa!” ou “Socorro!”. Já se a frase
contiver um verbo, ela se torna uma oração, como em "Doquinha estudou bastante ontem”.
Neste ponto, é importante esclarecer que a oração é essencialmente uma frase verbal. A
presença do verbo é uma característica que a define.
Avançando para o conceito de período, trata-se de uma visão mais ampla da frase, que pode
abrigar uma ou várias orações. Um período que contém apenas uma oração é denominado período
simples, e essa única oração é chamada de oração absoluta, pois tem sentido completo e não está
ligada a outra. Por outro lado, se o período contém mais de uma oração, é classificado como período
composto. Essas orações podem estar interligadas por meio de coordenação ou subordinação.
Entender esses conceitos básicos é crucial para analisar questões de prova com precisão e
competência. Não se esqueça disso!
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Outra compreensão que reputamos como fundamental para afastar eventuais erros em
análise sintática é a da chamada ordem direta da oração. A ordem direta de uma sentença na língua
portuguesa é:
Em muitas ocasiões, essa ordem é alterada. Para não errar a análise sintática, é essencial
antes de tudo achar o verbo e colocar a oração na ordem direta. Assim, ficará mais fácil a
identificação do tipo de sujeito, a predicação, o uso de vírgulas etc...
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2. TERMOS DA ORAÇÃO
2.1.1 Sujeito
Vamos alguns exemplos para ilustrar, com destaque em negrito dos núcleos dos sujeitos nas
orações:
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Vamos a um exemplo bastante providencial, que são os dois versos iniciais do Hino Nacional
Brasileiro:
Achou o verbo? Excelente! O verbo está ali: “ouviram”. Agora vamos ver se há algum
elemento (sujeito) que concorda com esse verbo e colocar a frase na ordem direta:
Com essa compreensão inicial, vamos agora os tipos de sujeito e algumas situações especiais.
Sujeito Simples
O Sujeito simples é um sujeito determinado e possui apenas um núcleo, que normalmente
é um substantivo, pronome ou uma palavra que exerce função substantiva. Exemplos:
Sujeito Composto
O Sujeito Composto também é determinado, mas possui dois ou mais núcleos. Exemplos:
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Nesse terceiro exemplo, o sujeito está implícito na segunda oração, mas é facilmente
“recuperável” na primeira oração. Ou seja, pelo contexto, é possível identificar o sujeito. Ainda no
exemplo, perceba que o sujeito oculto da segunda oração tem seu referente na primeira. As bancas
adoram fazer pegadinhas com essa situação, notadamente para confundir candidatos com o sujeito
indeterminado, que será visto adiante.
Sujeito Indeterminado
O Sujeito Indeterminado ocorre quando o sujeito da oração é desconhecido, indefinido. Essa
indeterminação do sujeito é verificada em três situações:
ATENÇÃO! Você não deve confundir esse “se”, índice de indeterminação do sujeito, com o
“se”, partícula apassivadora (ou pronome apassivador). Como vimos acima, o “se” será índice de
indeterminação do sujeito quando estiver agregado a um verbo que não seja transitivo direto: VL,
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VTI e VI. Note que o verbo não se flexiona nos exemplos dados, pois não há sujeito para a
concordância verbal.
Já o “se”, como partícula apassivadora, aparece junto com verbos transitivos diretos.
Lembre-se de que, após a estrutura da voz passiva sintética (VTD+SE), vem o sujeito. Neste caso, um
“sujeito paciente”, alvo da ação verbal. N ote que o verbo se flexiona em tal situação para concordar
com o sujeito. Exemplos:
Perceba que não há um "agente" fazendo a ação, é a natureza em curso. Todavia, cuidado!
Há situações em que verbos que denotam fenômeno da natureza são usados em sentido figurado
(conotativo). Exemplo:
b) Verbos impessoais (ser, estar, parecer, haver e fazer) que indicam fenômenos naturais,
tempo ou estado:
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Essa situação de inexistência de sujeito, fundada no uso do verbo haver em sua forma
impessoal, é bastante cobrada em provas.
1) Em locuções verbais, o verbo impessoal mantém sua impessoalidade se for o verbo principal.
Isso faz com que toda a locução fique invariável. Por exemplo, dizemos "Deve fazer anos que
Doquinha se formou”, e não "Devem fazer anos que Doquinha se formou. Dominar esse ponto
é crucial para acertar questões sobre concordância verbal em exames e concursos.
2) Quando o verbo haver atua como auxiliar, equivalente ao verbo ter, ele perde sua
impessoalidade e sofre flexão normalmente. Exemplo: "Doquinha e Coxinha haviam (tinham)
estudado todo o material”.
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São exemplos:
“Basta de preguiça!”
“Chega de impostos!”
Sujeito Oracional
Sujeito oracional nada mais é do que um sujeito que se apresenta em forma de oração (frase
que contém verbo ou locução verbal). Exemplo:
O que é fundamental? Sim! Estudar com método. Essa oração inteira exerce a função de
sujeito do verbo ser flexionado. Portanto, um sujeito oracional.
Uma boa dica para facilitar a identificação das funções sintáticas exercidas por orações é
substituí-las estrategicamente por “isso”. Veja:
É fundamental isso.
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Essa dica vai ajudar bastante na identificação de complementos verbais (objetos direto e
indireto) em forma de oração.
Ter isso em mente vai ajudar muito! Viu? Mais um exemplo de sujeito oracional!
Sujeito Acusativo
Como já sinalizado na aula sobre pronomes, em alguns contextos, os pronomes oblíquos
átonos têm um papel um pouco diferente do usual, com exceção feita ao "lhe". Isso acontece em
períodos compostos onde a oração primeira tem um verbo causativo, como "fazer", "mandar",
"deixar", ou um verbo sensitivo, como "ver", "ouvir", "sentir". Na segunda oração, encontramos um
verbo no infinitivo ou gerúndio.
Por exemplo, na frase "Doquinha deixou-me falar", o pronome "me" atua como sujeito do
verbo "falar" na segunda oração. Esse tipo de sujeito é conhecido como sujeito acusativo. Ele
sempre será representado por um dos pronomes oblíquos átonos (o, a, me, te, se, nos, vos) em
construções com verbos causativos e sensitivos.
É importante esclarecer que, no exemplo citado, "me" não é o objeto direto de "deixou". Na
realidade, a oração inteira "me falar" (reduzida de infinitivo) funciona como objeto direto:
"Doquinha deixou que eu falasse."
Não se preocupe com termos técnicos como "oração reduzida" agora, pois trataremos disso
em detalhes mais adiante no curso. Vejamos mais exemplos para consolidar o entendimento:
Vi-o cantar.
Vi-a entrando.
Deixem-no estudar.
Deixem-na esperando.
Fi-las esperar.
Vi Doquinha estudar.
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Mandei-os estudar.
2.1.2 Predicado
Predicado Verbal
O predicado verbal tem como elemento central (núcleo) um verbo significativo ou uma
locução verbal com um verbo principal também significativo, que indica ações, fenômenos, fatos,
desejos etc. Os verbos deste tipo de predicado são organizados em:
Predicado Nominal
No predicado nominal, o verbo é de ligação e o foco está em especificar uma característica
ou estado do sujeito. Essa característica ou estado do sujeito (predicativo do sujeito) é o núcleo do
predicado nominal. Veja:
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Nessa frase, o verbo “está” liga o sujeito “Doquinha” ao predicativo “muito ansioso”, que
atribui um estado ao sujeito.
Os principais verbos de ligação são ser, estar, ficar, permanecer, continuar, tornar-se,
parecer, cair, virar, andar, viver e acabar.
Como já abordado na aula sobre verbos de ligação, é fundamental analisar o contexto para
identificar corretamente um verbo como verbo de ligação. Basicamente, o verbo de ligação liga o
sujeito a um estado ou característica. Há situações em que o verbo, embora esteja ali na lista acima,
é um verbo nocional (expressa ação; possui significação), logo, não faz a citada ligação. Exemplos:
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Predicado verbo-nominal
O predicado verbo-nominal possui dois núcleos, quais sejam, um verbal e outro nominal.
Assim, podemos concluir que será formado por um verbo nocional e por um predicativo, que pode
ser do sujeito ou do objeto (complemento verbal).
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Os complementos verbais são os chamados objetos que se unem a verbos que apresentam
transitividade no contexto em que se encontram.
Há verbos que não necessitam de um complemento para fazer sentido. São conhecidos como
verbos intransitivos. Por exemplo, nas frases "Doquinha corre todos os dias" ou "Tudo passa", os
verbos "treina" e "passa" já têm um significado completo.
Objeto Direto
O complemento de um verbo transitivo direto é chamado de objeto direto e não é precedido
por preposição. Exemplos
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No exemplo, o verbo “comer” continua como transitivo direto. Todavia, com a inserção da
preposição, deu a ideia de que Coxinha comeu parte do bolo, e não o bolo inteiro.
Então, tenha em mente que, mesmo que o verbo não exija uma preposição, em certas
situações ela aparece para acrescentar claramente, ênfase ou por razões de eufonia. Vejamos os
casos mais comuns, especialmente aqueles que são frequentemente envolvidos em concursos:
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Outros exemplos de expressões com implicações semânticas com o ODP: “fazer com que ele
trabalhe”, “puxar da faca”, “arrancar da espada”, “sacar da arma”, “pegar pelo braço” etc.
Observação: O exemplo “do bolo” acima é conhecido como objeto direto preposicionado
partitivo. São também exemplos as expressões “beber do vinho”, “comer do pão”, “dar do leite”
etc.
Esse uso particular de objeto direto com preposição adiciona nuances de significado ou
enfatiza certos aspectos da ação verbal. Por isso, é um ponto importante ser compreendido tanto
para o uso cotidiano do idioma quanto para provas de concursos.
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Perceba que, nos exemplos, os objetos diretos intrínsecos ou cognatos reforçam o sentido do
verbo e, em outros contextos, esses mesmos verbos poderiam muito bem ser intransitivos, ou seja,
sem exigir um objeto.
Objeto Indireto
O objeto indireto é o complemento verbal de um verbo transitivo indireto. Nesse caso, o
verbo e o objeto estão ligados de forma indireta, por meio de uma preposição. Veja:
O objeto indireto não se restringe apenas a uma palavra ou a um termo. Ele também pode
ser representado por uma oração inteira. Veja:
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semelhante ao objeto indireto em termos de estrutura – pois ambos são introduzidos por preposição
– o Complemento Nominal difere essencialmente por completar não verbos, mas nomes.
A palavra “medo” um substantivo abstrato que pede um complemento. Quem tem medo,
tem medo de algo ou de alguém. Então “de cobra” é o complemento nominal de “medo”.
O Complemento Nominal também pode ser representado por uma oração, seja desenvolvida
ou reduzida. Veja alguns exemplos:
ATENÇÃO! Logo após o estudo do Adjunto Adnominal (termo acessório da oração), serão
feitas importantes distinções entre esse termo e o Complemento Nominal. Esse assunto é um dos
preferidos das bancas de concurso!
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O agente da passiva é o termo que, em uma oração na voz passiva, realiza a ação sofrida pelo
sujeito. Este termo está sempre acompanhado de preposições como "por" ou "de", indicando quem
executa a ação. A mudança de voz ativa para passiva altera a posição gramatical dos termos da
oração: o sujeito da voz ativa se transforma em agente da passiva, enquanto o objeto direto
assume o papel de sujeito paciente.
Voz Ativa
O agente da passiva também pode ser antecedido pela preposição “de”. Exemplo:
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Adjuntos Adnominais: “As”, “últimas”, “três”, “de vinho”, “do meu avô”.
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1. Complemento Nominal:
Associado a substantivos abstratos, adjetivos e advérbios.
Sempre introduzido por preposição.
Indica uma relação de dependência necessária para a plenitude de sentido do termo
ao qual se associa.
2. Adjunto Adnominal:
Acompanhamento de substantivos concretos e abstratos.
Pode ou não ser preposicionado.
Adiciona características ou especificações ao nome, sem serem necessárias para a
compreensão do termo.
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Exemplos Analisados:
“Os” e “três” acompanham o substantivo concreto “turistas” sem preposição: são AA;
“da capital” se liga ao substantivo concreto “turistas” com preposição: é AA;
“medo” é um substantivo abstrato que exige complementação para fazer sentido
completo (medo de quê?), logo "de cobra" é complemento nominal.
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Alvo Posse
Paciente Agente
Modifica/determina/caracteriza o substantivo a
que se refere. Quando preposicionado, é sempre
Completa o termo a que se refere. A
uma locução adjetiva, que pode ter um adjetivo
preposição que o introduz é
correspondente.
proveniente da regência do nome.
Costuma se ligar a substantivos
Obs.: A preposição "de", se aparece ligada a
deverbais.
elementos numéricos, partitivos, fracionários,
introduz adjunto adnominal.
Nas duas orações acima, já compreendemos, a partir da visão tradicional, que os termos
preposicionados em destaques são adjuntos adnominais, pois transmitem a ideia de agente/posse
diante do substantivo abstrato.
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“Dentre os problemas sociais urbanos, merece destaque a questão da segregação urbana, fruto da concentração
de renda no espaço das cidades e da falta de planejamento público que vise à promoção de políticas de controle
ao crescimento desordenado das cidades”.
Nesse primeiro período do texto 1, o termo que se liga sintaticamente a um termo anterior, de forma diferente
dos demais, é:
A) concentração de renda;
C) falta de planejamento;
D) promoção de políticas;
A questão se refere à classificação sintática de termos iniciados por preposição e que se ligam a nomes.
Na letra A, temos um complemento nominal que se refere a um substantivo abstrato com valor de alvo/paciente:
a renda concentra é ou é concentrada? É concentrada! Portanto, temos mesmo um CN.
Já na letra B, temos o termo “das cidades” que determina o substantivo concreto “espaço”. Portanto, temos aqui
um AA e a resposta correta para a questão.
Na C, temos “de planejamento”, que se refere ao substantivo abstrato “falta” (proveniente do verbo “faltar”). O
planejamento falta ou alguém sente falta dele? Alguém sente falta dele! Portanto, há noção de passividade, o
que faz com que classifiquemos o segmento como CN.
Na alternativa D, temos o termo “de políticas” que completa o sentido do substantivo abstrato “promoção”,
expressando valor de paciente em relação a ele: as políticas promovem ou são promovidas? São promovidas!
Portanto, há aí CN.
Na alternativa E, temos a expressão “das cidades” que se relaciona com o substantivo abstrato “crescimento”.
Embora haja noção de posse/agente, a FGV, provavelmente seguindo a lógica do gramático Bechara, considerou
que a alternativa apresenta CN, possivelmente pelo fato de o substantivo abstrato ser um substantivo deverbal
(crescimento vem de “crescer”).
Portanto, o termo que se liga sintaticamente a um termo anterior, de forma diferente dos demais, é o AA
presente na letra B.
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Agora vejamos como o CESPE já cobrou esse conteúdo, que despenca em provas:
“O relato, como o filme, dá conta do trágico percurso de Uirá, da tribo Urubu-Kaapor, no Maranhão deste século,
o qual um dia fica iñaron quando, após muitas desgraças comuns ao destino dos índios brasileiros, como fome,
espoliação, epidemias, perseguições, perde também um dos filhos.”
Os termos negritados no fragmento de texto (“trágico”, “de Uirá” e “deste século”) exercem a mesma função
sintática, na oração em que ocorrem.
( ) CERTO
( ) ERRADO
Por fim, “deste século” especifica “Maranhão”. Lembre-se de que “Maranhão” é substantivo, logo, o
determinante “deste século” não pode ser adjunto adverbial.
Gabarito: CERTO.
A função sintática de adjunto adverbial é atribuída ao termo que acrescenta uma informação
circunstancial ao verbo, exprimindo condições como tempo, modo, causa, motivo, meio, lugar,
instrumento, entre outras.
Exemplos:
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É bom ter em mente os adjuntos adverbiais modificam não apenas verbos, mas também
adjetivos, advérbios e até orações inteiras. Veja:
Vale lembrar que os adjuntos adverbiais também podem vir em forma de orações que
estabelecem uma relação de circunstância com outras orações em um período composto. Veja:
2.3.3 Aposto
O aposto é um termo que tem a função de explicar, esclarecer, especificar ou resumir outro
termo da oração, geralmente apresentando uma equivalência de significado com o termo que
complementa.
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Convém registrar que alguns gramáticos preferem distribuir aquele rol de ações ali vinculadas
ao aposto explicativo para nomear/especificar outros tipos: aposto resumidor ou recapitulativo,
aposto comparativo, aposto enumerativo, aposto distributivo e aposto oracional.
De todo modo, tenha sempre em mente que o aposto não descreve uma característica (como
o adjetivo faz), mas oferece uma nova forma de se referir ao termo anterior. Tenha em mente que
aposto não se confunde com adjetivo! Veja o contraste dos exemplos abaixo:
Doquinha, o estudioso, será aprovado em breve. ("o estudioso” > substantivo > aposto)
Doquinha, estudioso, será aprovado em breve. ("estudioso” > adjetivo > predicativo do sujeito)
2.4 Vocativo
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Exemplos de Vocativo:
Doquinha, vá estudar!
"Pai, afasta de mim este cálice.”
"Pela ordem, Excelência, o réu não foi citado pessoalmente.
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1. A Sintaxe é o ramo da gramática que se ocupa do estudo das relações entre os elementos que
formam frases e orações. Ela se concentra em como as palavras se relacionam e se organizam para
transmitir significado de forma clara e consistente.
2. A frase é uma unidade de comunicação completa, que pode transmitir pensamentos, emoções,
comandos e apelos de forma compreensível. Observe que uma frase pode ou não incluir um verbo.
Se ela não contém um verbo, chamamos isso de frase nominal. Já se a frase contiver um verbo, ela
se torna uma oração, como em "Doquinha estudou bastante ontem”. Neste ponto, é
importante esclarecer que a oração é essencialmente uma frase verbal. A presença do verbo é uma
característica que a define.
3. O período pode abrigar uma ou várias orações. Um período que contém apenas uma oração é
denominado período simples, e essa única oração é chamada de oração absoluta, pois tem sentido
completo e não está ligada a outra. Por outro lado, se o período contém mais de uma oração, é
classificado como período composto. Essas orações podem estar interligadas por meio de
coordenação ou subordinação.
[Link] compreensão que reputamos como fundamental para afastar eventuais erros em análise
sintática é a da chamada ordem direta da oração. A ordem direta de uma sentença na língua
portuguesa é: SUJEITO -> VERBO -> COMPLEMENTO(S) -> CIRCUNSTÂNCIA(S)
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5. Em muitas ocasiões, essa ordem é alterada. Para não errar a análise sintática, é essencial antes
de tudo achar o verbo e colocar a oração na ordem direta. Assim, ficará mais fácil a identificação
do tipo de sujeito, a predicação, o uso de vírgulas etc...
6. Os termos da oração se referem a elementos que a compõem e podem ser: termos essenciais,
termos integrantes e termos acessórios.
9. É importante observar que, especialmente em provas, você pode encontrar períodos muito
extensos e cheios de intercalações e detalhes. A estratégia é focar no núcleo do sujeito para verificar
a concordância com o verbo. Basicamente é achar o verbo e aplicar a nossa “dica de ouro” da ordem
direta da sentença (SVCC).
10. O sujeito simples é um sujeito determinado e possui apenas um núcleo, que normalmente é
um substantivo, pronome ou uma palavra que exerce função substantiva.
11. O sujeito composto também é determinado, mas possui dois ou mais núcleos.
12. O sujeito oculto fica implícito na frase, mas também é um sujeito determinado. A desinência
verbal revela a pessoa, o sujeito da oração.
13. O sujeito indeterminado ocorre quando o sujeito da oração é desconhecido, indefinido. Essa
indeterminação do sujeito é verificada em três situações: a) Verbo na terceira pessoa do plural, sem
referência a um termo anterior; b) Verbos de ligação, transitivos indiretos ou intransitivos na
terceira pessoa do singular com a partícula “se” (índice de indeterminação do sujeito); c) Verbo no
infinitivo impessoal, que denota um agente genérico, indefinido.
14. Sujeito inexistente (oração sem sujeito): entender a oração sem sujeito é fundamental, e há
diversas formas de identificá-la: a) verbos que indicam fenômeno da natureza; b) verbos
impessoais (ser, estar, parecer, haver e fazer) que indicam fenômenos naturais, tempo ou estado;
c) verbo HAVER no sentido de “acontecer” ou de “existir”:
15. Sujeito oracional nada mais é do que um sujeito que se apresenta em forma de oração (frase que
contém verbo ou locução verbal).
16. Sujeito acusativo: em alguns contextos, os pronomes oblíquos átonos têm um papel um pouco
diferente do usual, com exceção feita ao "lhe". Isso acontece em períodos compostos onde a oração
primeira tem um verbo causativo, como "fazer", "mandar", "deixar", ou um verbo sensitivo, como
"ver", "ouvir", "sentir". Na segunda oração, encontramos um verbo no infinitivo ou gerúndio.
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17. Em regra, predicado é aquilo que se declara a respeito do sujeito. Compõe-se do verbo e do
resto da frase. Pode ser predicado verbal, nominal ou verbo-nominal.
18. O predicado verbal tem como elemento central (núcleo) um verbo significativo ou uma locução
verbal com um verbo principal também significativo, que indica ações, fenômenos, fatos, desejos
etc. Os verbos deste tipo de predicado são organizados em Intransitivos, Transitivos Diretos (VTD),
Transitivos Indiretos (VTI), Transitivos Diretos e Indiretos (VTDI).
19. No predicado nominal, o verbo é de ligação e o foco está em especificar uma característica ou
estado do sujeito. Essa característica ou estado do sujeito (predicativo do sujeito) é o núcleo do
predicado nominal. Os principais verbos de ligação são ser, estar, ficar, permanecer, continuar,
tornar-se, parecer, cair, virar, andar, viver e acabar.
20. O predicado verbo-nominal possui dois núcleos, quais sejam, um verbal e outro nominal. Assim,
podemos concluir que será formado por um verbo nocional e por um predicativo, que pode ser do
sujeito ou do objeto (complemento verbal).
22. Os complementos verbais são os chamados objetos que se unem a verbos que apresentam
transitividade no contexto em que se encontram. Há verbos que não necessitam de um
complemento para fazer sentido. São conhecidos como verbos intransitivos. Em
contrapartida, existem verbos transitivos, que exigem um complemento para completar seu
sentido. Quando esse complemento não é precedido por uma preposição, estamos diante de um
verbo transitivo direto. Se o complemento for acompanhado de uma preposição, o verbo é
transitivo indireto.
23. O complemento de um verbo transitivo direto é chamado de objeto direto e não é precedido
por preposição. Em algumas situações pode aparecer o objeto direto preposicionado. Esse tipo de
construção, em que se coloca uma preposição diante de um verbo transitivo direto (que não exige
preposição, objetiva dar clareza, ênfase ou realce ao sentido.
24. Objeto direto pleonástico: o termo "pleonástico" está relacionado à ideia de redundância ou
repetição. O objeto direto pleonástico aparece como um pronome átono que repete um objeto
direto já mencionado na frase, com a intenção de dar ênfase.
25. Objeto direto interno, intrínseco ou cognato são objetos próprios que possuem uma relação
semântica estreita com o verbo da oração. Geralmente, o núcleo do objeto compartilha o mesmo
campo semântico do verbo e vem acompanhado de um determinante.
26. O objeto indireto é o complemento verbal de um verbo transitivo indireto. Nesse caso, o verbo
e o objeto estão ligados de forma indireta, por meio de uma preposição. Também existe a forma
pleonástica para o objeto indireto. Isso é verificado quando um pronome átono repete o objeto
indireto já presente na sentença.
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27. O complemento nominal é um termo que serve para complementar o sentido de um nome, ou
seja, um substantivo (abstrato), adjetivo ou advérbio que apresenta caráter transitivo,
necessitando de uma preposição para estabelecer relação com o seu complemento. Embora
semelhante ao objeto indireto em termos de estrutura – pois ambos são introduzidos por preposição
– o Complemento Nominal difere essencialmente por completar não verbos, mas nomes.
28. O agente da passiva é o termo que, em uma oração na voz passiva, realiza a ação sofrida pelo
sujeito. Este termo está sempre acompanhado de preposições como "por" ou "de", indicando quem
executa a ação. A mudança de voz ativa para passiva altera a posição gramatical dos termos da
oração: o sujeito da voz ativa se transforma em agente da passiva, enquanto o objeto direto
assume o papel de sujeito paciente.
29. Os termos acessórios da oração são os adjuntos adnominais, adjuntos adverbiais e o aposto.
31. Para distinguir adjunto adnominal (AA) de complemento nominal (CN), é crucial compreender
suas propriedades e aplicações específicas dentro da estrutura da oração. Ambos agregam
informações a substantivos.
Complemento Nominal:
Adjunto Adnominal:
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34. Quando ambos se confundem: A confusão entre CN e AA geralmente ocorre com substantivos
abstratos acompanhados por termos preposicionados com "de". Nesse ponto, outros critérios
devem ser observados:
35. A função sintática de adjunto adverbial é atribuída ao termo que acrescenta uma informação
circunstancial ao verbo, exprimindo condições como tempo, modo, causa, motivo, meio, lugar,
instrumento, entre outras. Não é exequível enumerar ou memorizar todas as situações possíveis. É
preciso verificar o contexto.
37. O aposto é um termo que tem a função de explicar, esclarecer, especificar ou resumir outro
termo da oração, geralmente apresentando uma equivalência de significado com o termo que
complementa.
39. Convém registrar que alguns gramáticos preferem distribuir aquele rol de ações ali vinculadas
ao aposto explicativo para nomear/especificar outros tipos: aposto resumidor ou recapitulativo,
aposto comparativo, aposto enumerativo, aposto distributivo e aposto oracional. A forma mais
cobrada em provas é a do aposto explicativo.
40. De todo modo, tenha sempre em mente que o aposto não descreve uma característica (como o
adjetivo faz), mas oferece uma nova forma de se referir ao termo anterior. Tenha em mente que
aposto não se confunde com adjetivo!
41. O vocativo é termo externo, isolado da oração. Trata-se de um chamamento, usado para invocar,
interpelar ou chamar alguém, situando-se fora da estrutura sintática da oração. Caracteriza-se por
ser destacado do restante da oração por vírgulas ou pausas equivalentes na fala, direcionando-se
diretamente ao interlocutor.
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1. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TJ-CE | Prova: Técnico Judiciário - Área: Judiciária
Texto CGIAI-I
Nem mais como tema literário serve ainda esse assunto de seca. Já cansou quem escreve, cansou quem lê e
cansou principalmente quem o sofre. Parece mesmo que cansou o próprio Deus Nosso Senhor, pois que
afinal, repetindo um gesto sucedido há exatamente um século (o último diz a tradição que foi em 1851),
contra todos os cálculos, contra todas as experiências, ultrapassando os otimismos mais alucinados, fez
começar um inverno no Nordeste durante a primeira quinzena de abril.
Eu estava lá. Assisti mais uma vez à mágica transformação do deserto em jardim do paraíso. E vendo o céu
escurecer bonito, depois de tantos meses de desesperança, os compadres diziam que eu lhes levara o
inverno nas malas. O fato é que, durante a viagem de ida, enquanto o "Constellation" da Panair voava por
cima do colchão compacto de nuvens carregadas de água, me dava uma vontade desesperada de rebocá-las
todas, lá para onde tanta falta faziam, levá-las como rebanho de golfinhos prisioneiros e despejá-las em cheio
sobre os serrotes do Quixadá.
Pois choveu. Encheram-se os açudes, as várzeas deram nado, os rios subiram de barreira a barreira.
Mas ninguém espere muito de um inverno assim tardio. Já se agradece de joelhos o pasto aparentemente
garantido, o gado salvo. Mas não se espera que haja milho. Talvez feijão, desse precoce que dá em dois
meses. E o algodão aguenta, provavelmente. Nada mais.
Assinale a opção em que o segmento apresentado exerce a função sintática de adjunto adverbial de tempo
no texto CGIAl-I.
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2. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TJ-RJ | Prova: TJ-RJ - Técnico Judiciário
Texto CG1A1
Na casa vazia, sozinha com a empregada, já não andava como um soldado, já não precisava tomar cuidado.
Mas sentia falta da batalha das ruas. Melancolia da liberdade, com o horizonte ainda tão longe. Dera-se ao
horizonte. Mas a nostalgia do presente. O aprendizado da paciência, o juramento da espera. Do qual talvez
não soubesse jamais se livrar. A tarde transformando-se em interminável e, até todos voltarem para o jantar
e ela poder se tornar com alívio uma filha, era o calor, o livro aberto e depois fechado, uma intuição, o calor:
sentava-se com a cabeça entre as mãos, desesperada. Quando tinha dez anos, relembrou, um menino que a
amava jogara-lhe um rato morto. Porcaria! berrara branca com a ofensa. Fora uma experiência. Jamais
contara a ninguém. Com a cabeça entre as mãos, sentada. Dizia quinze vezes: sou vigorosa, sou vigorosa, sou
vigorosa — depois percebia que apenas prestara atenção à contagem. Suprindo com a quantidade, disse
mais uma vez: sou vigorosa, dezesseis. E já não estava mais à mercê de ninguém. Desesperada porque,
vigorosa, livre, não estava mais à mercê. Perdera a fé. Foi conversar com a empregada, antiga sacerdotisa.
Elas se reconheciam. As duas descalças, de pé na cozinha, a fumaça do fogão. Perdera a fé, mas, à beira da
graça, procurava na empregada apenas o que esta já perdera, não o que ganhara. Fazia-se pois distraída e,
conversando, evitava a conversa. “Ela imagina que na minha idade devo saber mais do que sei e é capaz de
me ensinar alguma coisa”, pensou, a cabeça entre as mãos, defendendo a ignorância como a um corpo.
Faltavam-lhe elementos, mas não os queria de quem já os esquecera. A grande espera fazia parte. Dentro
da vastidão, maquinando.
Clarice Lispector. Preciosidade. In: Laços de Família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 86-87 (com
adaptações).
No trecho “Foi conversar com a empregada, antiga sacerdotisa”, do texto CG1A1, a expressão “antiga
sacerdotisa”
a) exerce a função de complemento indireto de “conversar”, introduzindo uma nova personagem que
participa da conversa na cozinha.
c) constitui uma oração coordenada, embora não seja introduzida pela conjunção “e”.
d) funciona sintaticamente como predicativo, uma vez que se refere ao sujeito de “Foi”.
3. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TRT - 8ª Região | Prova: Analista Judiciário - Área
Administrativa
Texto CG1A1
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O capitalismo de vigilância é uma mutação do capitalismo da informação, o que nos coloca diante de um
desafio civilizacional. As Big Techs — seguidas por outras firmas, laboratórios e governos — usam tecnologias
da informação e comunicação (TIC) para expropriar a experiência humana, que se torna matéria-prima
processada e mercantilizada como dados comportamentais. O usuário cede gratuitamente as suas
informações ao concordar com termos de uso, utilizar serviços gratuitos ou, simplesmente, circular em
espaços onde as máquinas estão presentes.
A condição para a emergência do capitalismo de vigilância foi a expansão das tecnologias digitais na vida
cotidiana, dado o sucesso do modelo de personalização de alguns produtos no início dos anos 2000. No terço
final do século XX, estavam criadas as condições para uma terceira modernidade, voltada a valores e
expectativas dos indivíduos.
Outras circunstâncias foram ocasionais: o estouro da bolha da internet em 2000 e os ataques terroristas do
11 de setembro. A primeira provocou a retração dos investimentos nas startups, o que levou a Google a
explorar comercialmente os dados dos usuários de seus serviços. Para se prevenir contra novos ataques, as
autoridades norte-americanas tornaram-se ávidas de programas de monitoramento dos usuários da Internet
e se associaram às empresas de tecnologia. Por sua vez, a Google passou a vender dados a empresas de
outros setores, criando um mercado de comportamentos futuros. Assim, instaurou-se uma nova divisão do
aprendizado entre os que controlam os meios de extração da mais-valia comportamental e os seus
destinatários.
a) objeto direto.
b) objeto indireto.
c) sujeito.
d) complemento nominal.
e) aposto.
4. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-PB | Prova: Técnico em Perícia - Área Geral
Texto CG2A1
A cultura dominante, hoje mundializada, se estrutura ao redor da vontade de poder que se traduz por
vontade de dominação da natureza, do outro, dos povos e dos mercados. Os meios de comunicação levam
ao paroxismo a magnificação de todo tipo de violência. Nessa cultura, o militar, o banqueiro e o especulador
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valem mais que o poeta, o filósofo e o santo. Nos processos de socialização formal e informal, ela não cria
mediações para uma cultura da paz. Sem detalhar a questão, diríamos que por detrás da violência funcionam
poderosas estruturas. A primeira delas é o caos sempre presente no processo cosmogênico. Viemos de uma
imensa explosão, o big bang. E a evolução comporta violência em todas as suas fases. Em segundo lugar,
somos herdeiros da cultura patriarcal que instaurou a dominação do homem sobre a mulher e criou as
instituições do patriarcado assentadas sobre mecanismos de violência como o Estado, as classes, o projeto
da tecnociência, os processos de produção como objetivação da natureza e sua sistemática depredação. Em
terceiro lugar, essa cultura patriarcal gestou a guerra como forma de resolução dos conflitos. Sobre essa
vasta base se formou a cultura do capital, hoje globalizada; sua lógica é a competição, e não a cooperação;
por isso, gera guerras econômicas e políticas e, com isso, desigualdades, injustiças e violências. Todas essas
forças se articulam estruturalmente para consolidar a cultura da violência que nos desumaniza a todos. A
essa cultura da violência há que se opor a cultura da paz. Hoje ela é imperativa. É imperativa, porque as
forças de destruição estão ameaçando, por todas as partes, o pacto social mínimo sem o qual regredimos a
níveis de barbárie. Onde buscar as inspirações para a cultura da paz? A singularidade do 1% de carga genética
que nos separa dos primatas superiores reside no fato de que nós, à distinção deles, somos seres sociais e
cooperativos. Ao lado de estruturas de agressividade, temos capacidades de afetividade, compaixão,
solidariedade e amorização. O ser humano é o único ser que pode intervir nos processos da natureza e
copilotar a marcha da evolução. Ele foi criado criador. Dispõe de recursos de reengenharia da violência
mediante processos civilizatórios de contenção e uso de racionalidade. Há muito que filósofos veem no
cuidado a essência do ser humano. Tudo precisa de cuidado para continuar a existir. Onde vige cuidado de
uns para com os outros desaparece o medo, origem secreta de toda violência, como analisou Freud.
No trecho “Viemos de uma imensa explosão, o big bang”, do texto CG2A1, na expressão “big bang” a vírgula
foi empregada com a finalidade de
e) introduzir um aposto.
5. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-RO | Prova: Escrivão de Polícia
Texto CG2A1-I
Direito e justiça são conceitos que se entrelaçam, a tal ponto de serem considerados uma só coisa pela
consciência social. Fala-se no direito com o sentido de justiça, e vice-versa. Sabe-se, entretanto, que nem
sempre eles andam juntos. Nem tudo o que é direito é justo e nem tudo o que é justo é direito. Isso acontece
porque a ideia de justiça engloba valores inerentes ao ser humano, transcendentais, como a liberdade, a
igualdade, a fraternidade, a dignidade, a equidade, a honestidade, a moralidade, a segurança, enfim, tudo
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aquilo que vem sendo chamado de direito natural desde a Antiguidade. O direito, por seu turno, é uma
invenção humana, um fenômeno histórico e cultural concebido como técnica para a pacificação social e a
realização da justiça.
Em suma, enquanto a justiça é um sistema aberto de valores, em constante mutação, o direito é um conjunto
de princípios e regras destinado a realizá-la. E nem sempre o direito alcança esse desiderato, quer por não
ter acompanhado as transformações sociais, quer pela incapacidade daqueles que o conceberam, quer,
ainda, por falta de disposição política para implementá-lo, tornando-se, por isso, um direito injusto.
É possível dizer que a justiça está para o direito como o horizonte está para cada um de nós. Quanto mais
caminhamos em direção ao horizonte — dez passos, cem passos, mil passos —, mais ele se afasta de nós, na
mesma proporção. Nem por isso o horizonte deixa de ser importante, porque é ele que nos permite
caminhar. De maneira análoga, o direito, na permanente busca da justiça, está sempre caminhando, em
constante evolução.
Nesse compasso, a finalidade da justiça é a transformação social, a construção de uma sociedade justa, livre,
solidária e fraterna, sem preconceitos, sem pobreza e sem desigualdades sociais. A criação de um direito
justo, com efetivo poder transformador da sociedade, entretanto, não é obra apenas do legislador, mas
também, e principalmente, de todos os operadores do direito, de sorte que, se ainda não temos uma
sociedade justa, é porque temos falhado nessa sagrada missão de bem interpretar e aplicar o direito.
Sergio Cavalieri Filho. Direito, justiça e sociedade. In: Revista da EMERJ, v. 5, n.º 8, 2002, p. 58-60 (com
adaptações).
Assinale a opção em que o segmento apresentado funciona como sujeito de uma oração no último parágrafo
do texto CG2A1-I.
a) “a finalidade da justiça”
c) “transformação social”
6. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: COREN-CE | Prova: Enfermeiro Fiscal
Texto CG1A1-I
Era o jogo da decisão final do Campeonato Mineiro: Atlético contra América. Torcíamos apaixonadamente
pelo América, não só por ser o time de nossa predileção, mas porque meu irmão Gérson ia jogar de goleiro,
em substituição ao famoso Princesa, que estava contundido.
Gérson me reservou a primeira surpresa: tinha me arranjado um uniforme completo do time do América,
para que eu entrasse no campo como mascote.
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Só o fato de sair do vestiário em meio aos jogadores de verdade já me enchia de emoção. Gérson me
conduzia pela mão, quando nos alinhamos para fazer o cumprimento de praxe à assistência. Depois os
jogadores se espalharam, fazendo exercícios de aquecimento. Fiquei por ali, ciscando entre um e outro, a
viver a minha grande emoção.
Aos cinco minutos do término da partida, Jico Leite se choca violentamente com Nariz e rola no chão,
contundido.
Pânico nas hostes americanas: todos os reservas já haviam entrado em campo, não sobrara ninguém para
substituições. Que fazer? Segundo as regras daquele tempo, time nenhum podia jogar desfalcado.
Gérson vem correndo até o banco dos reservas, fala qualquer coisa ao ouvido do treinador, me apontando,
e este se volta para mim, com ar grave:
E aconteceu. Jorivê deu a saída do meio de campo, atrasou para Pimentão, que adiantou para Jacy. Caieira
rouba-lhe a bola, passando para Chafir. Chico Preto aliviou, pondo para fora num chutão.
Chafir fez a cobrança da lateral, dando de presente para Negrão, que, sem perda de tempo, acionou Bezerra.
Quando eu, estrategicamente colocado no setor direito, já pensava que não daria tempo sequer de intervir
numa só jogada, eis que Bezerra faz com que a bola venha rolando até mim.
Depois de dominá-la, driblei Nariz e tabelei com meu companheiro. Este passou ao Jorivê, enquanto eu me
deslocava para recebê-la de volta. Então disparei num pique, sob o delírio da assistência, e lá fui eu com
minhas perninhas curtas, driblei um, outro, deixei para trás a defesa adversária. Kafunga abria os braços
gigantescos, achei que queria me pegar, e não a bola. Fiz que chutava, como se fosse encobri-lo, ele pulou.
Então passei com bola e tudo por entre as pernas dele e marquei o gol da vitória.
Foi aquela ovação, a torcida delirava. Logo em seguida soou o apito final, e meus companheiros de equipe
correram para me abraçar e carregar em triunfo.
Fernando Sabino. O menino no espelho. Rio de Janeiro: Record, 1991 (com adaptações).
No trecho “Jorivê deu a saída do meio de campo, atrasou para Pimentão, que adiantou para Jacy. Caieira
rouba-lhe a bola, passando para Chafir”, do décimo parágrafo do texto CG1A1-I, os sujeitos das formas
verbais “atrasou” e “adiantou” e a forma pronominal “lhe” têm como referentes, respectivamente,
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7. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-AP | Prova: Analista Ministerial
Texto CG1A1-II
À área da linguística que se ocupa em contribuir para a solução de problemas judiciais e que auxilia também
na compreensão de discursos e interações produzidos em ambiente jurídico chamamos de linguística
forense. Pouco ainda se fala e se conhece sobre a aplicação da linguística à esfera forense, apesar de muitos
crimes serem cometidos unicamente ou parcialmente por meio da língua, como a calúnia, a injúria, a
difamação, a ameaça, o estelionato e a extorsão.
Ao produzir um texto, oral ou escrito, o sujeito lança mão de um vasto repertório lexical e regras de
ordenação sintática pertencentes à gramática de seu idioma. Entretanto, esse arranjo não é feito da mesma
forma por diferentes pessoas. Ao falarmos ou ao escrevermos, organizamos o material linguístico que está
disponível em nosso acervo mental de uma forma única, afinal cada indivíduo constituiu seu vocabulário a
partir de experiências também únicas. Isso significa que imprimimos nosso estilo em nossos textos, deixando
nele nossa “assinatura”. Esse uso individual do idioma é chamado de idioleto, ou seja, é como se fosse um
dialeto pessoal, uma marca identitária daquele indivíduo. Embasada nisso, a linguística forense procura
desenvolver metodologias que auxiliem no processo de atribuição de autoria de um determinado texto.
Welton Pereira e Silva. Linguística forense: como o linguista pode contribuir em uma demanda judicial? In:
Roseta, v. 2, n.º 2, 2019 (com adaptações).
e) é composto.
8. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-MG | Prova: Conhecimentos Gerais e Específicos -
Cargos: 1, 2, 4, 5 e 7
Texto CG1A1-I
No meio científico, é insuficiente — aliás, é perigoso — produzir apenas um grupo de profissionais pequeno,
altamente competente e bem remunerado. Um esforço combinado que vise transmitir a todos os cidadãos
a ciência — por meio de rádio, TV, cinema, jornais, livros, programas de computadores, parques temáticos,
salas de aula — deve pautar-se em quatro razões principais.
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Mesmo que nem sempre possibilite ao cientista um bom emprego, a ciência pode ser o caminho propício
para vencer a pobreza nas nações emergentes. Ela faz funcionar a economia e a civilização global.
A ciência nos alerta contra os perigos introduzidos por tecnologias que alteram o mundo, especialmente o
meio ambiente de que nossas vidas dependem. Assim, a ciência providencia um sistema essencial de alerta
antecipado.
A ciência nos esclarece sobre as questões mais profundas das origens, das naturezas e dos destinos — de
nossa espécie, da vida, de nosso planeta, do Universo. A longo prazo, a maior dádiva da ciência talvez seja
nos ensinar, de um modo ainda não superado por nenhum outro empenho humano, alguma coisa sobre
nosso contexto cósmico, sobre o ponto do espaço e do tempo em que estamos, e sobre quem nós somos.
Descobrir a gota ocasional da verdade no meio de um grande oceano de confusão e mistificação requer
vigilância, dedicação e coragem. Mas, se não praticarmos esses hábitos rigorosos de pensar, não poderemos
ter esperança de solucionar os problemas verdadeiramente sérios que enfrentamos.
Carl Sagan. Ciência e esperança. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela
no escuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 58-9 (com adaptações).
No texto CG1A1-I, em “não poderemos ter esperança de solucionar os problemas verdadeiramente sérios”
(último parágrafo), o trecho “de solucionar os problemas verdadeiramente sérios”
9. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MRE | Prova: Oficial de Chancelaria
Texto 1A1-I
Machado de Assis viria a sofrer, no governo do presidente Prudente de Morais, o que considerou uma grave
injustiça. Julgando lhe ser agradável e querendo deixar-lhe mais tempo livre para seus trabalhos literários, o
novo ministro, Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda — pai do grande tribuno parlamentar Maurício de
Lacerda e avô de Carlos Lacerda — resolveu substituir Machado de Assis na Diretoria de Viação, que então
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ocupava, deixando-o como simples adido à Secretaria de Estado, percebendo os vencimentos que lhe
competissem. Machado ficou muito magoado, achando que o ministro o julgara um inútil. Queixou-se muito,
em cartas aos amigos, não se conformando em ficar de braços cruzados, ganhando o dinheiro da nação sem
trabalhar. Foi durante esse período que escreveu uma de suas obras-primas, Dom Casmurro; sempre
demonstrara, em seus romances, contos e crônicas, profunda aversão aos parasitas. E era sincero. Não
queria ser um deles. E não sossegou enquanto não voltou à atividade, embora diminuído funcionalmente:
de diretor de um departamento, passou a ser simples secretário do ministro Severino Vieira. Quando este se
demitiu, no governo de Campos Sales, para candidatar-se ao governo da Bahia, o ministro da justiça, Epitácio
Pessoa, nomeado para substituir interinamente Severino Vieira, não se deu bem com Machado de Assis.
Jovem, irrequieto, Epitácio estava então veraneando em Petrópolis. Pela manhã, atendia ao expediente da
pasta da justiça. À tarde, ia para o outro ministério, onde Machado de Assis lhe fazia minuciosas exposições
sobre cada assunto, apresentando-lhe em seguida as minutas dos despachos. Epitácio queria sempre
abreviar as exposições, a fim de não perder a barca que saía da Prainha para Mauá, no fundo da baía, de
onde, nos fins do século XIX, partia o trem para Petrópolis. Algumas vezes perdeu a barca, só tomando a
segunda e chegando à casa já em plena noite. Por isso, um dia disse a respeito de Machado: “Grande escritor,
mas péssimo secretário!”. Talvez Machado, sem o dizer, pensasse a mesma coisa de Epitácio: “Moço
inteligente, mas muito afobado para ser um bom ministro!”.
Machado passou vários anos constrangido e humilhado até encontrar, em Lauro Müller — o grande ministro
da viação que iniciou as obras do Porto do Rio de Janeiro e fez construir a Avenida Central, hoje Avenida Rio
Branco — quem lhe fizesse justiça. Lauro Müller fez Machado voltar a ser diretor.
Raymundo Magalhães Jr. Machado de Assis funcionário público. In: Revista do Serviço Público, Brasília,
56(2), abr. – jun./2005, p. 237-248 (com adaptações).
A forma pronominal “lhe”, em “Julgando lhe ser agradável” (segundo período do primeiro parágrafo do texto
1A1-I), exerce a função de
a) complemento indireto da forma verbal “Julgando”, referindo-se ao ministro Sebastião Eurico Gonçalves
de Lacerda.
10. Ano: 2017 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TRE-PE | Prova: Conhecimentos Gerais
Texto CG1A1AAA
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os casos, o cidadão é titular de direitos e liberdades em relação ao Estado e a outros particulares — mas
permanece situado fora do campo estatal, não assumindo qualquer titularidade quanto a funções públicas.
Preserva-se, assim, a perspectiva do constitucionalismo clássico: direitos do homem e do cidadão são
exercidos frente ao Estado, mas não dentro do aparelho estatal.
Na teoria constitucional moderna, cidadão é o indivíduo que tem um vínculo jurídico com o Estado, sendo
portador de direitos e deveres fixados por determinada estrutura legal (Constituição, leis), que lhe confere,
ainda, a nacionalidade. Cidadãos, em tese, são livres e iguais perante a lei, porém súditos do Estado.
Como lembra Marilena Chaui, a cidadania se define pelos princípios da democracia, significando
necessariamente conquista e consolidação social e política. A cidadania requer instituições, mediações e
comportamentos próprios, constituindo-se na criação de espaços sociais de lutas (movimentos sociais,
sindicais e populares) e na definição de instituições permanentes para a expressão política, como partidos,
legislação e órgãos do poder público. Distingue-se, portanto, a cidadania passiva, aquela que é outorgada
pelo Estado, com a ideia moral do favor e da tutela, da cidadania ativa, aquela que institui o cidadão como
portador de direitos e deveres, mas essencialmente criador de direitos para abrir novos espaços de
participação política.
11. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-RJ | Prova: Analista de Controle Externo -
Especialidade: Ciências Contábeis
A ideia de cultura foi cunhada e batizada no terceiro quartel do século XVIII como termo sintético para
designar a administração do pensamento e do comportamento humanos. A palavra “cultura” não nasceu
como um termo descritivo, uma forma reduzida para as já alcançadas, observadas e registradas regras de
conduta de toda uma população. Só cerca de um século mais tarde, quando os gerentes da cultura olharam
em retrospecto para aquilo que tinham passado a ver como criação sua e, seguindo o exemplo de Deus na
criação do mundo, com carga positiva, é que “cultura” passou a significar a forma como um tipo regular e
“normativamente regulado” de conduta humana diferia de outro, sob outro gerenciamento. A ideia de
cultura nasceu com uma declaração de intenções.
O termo “cultura” entrou no vocabulário como o nome de uma atividade intencional. No limiar da Era
Moderna, homens e mulheres, não mais aceitos como “um dado não problematizado”, como elos
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preordenados na cadeia da criação divina (“divina” como algo inegociável e com o qual não devemos nos
imiscuir), indispensáveis, ainda que sórdidos, torpes e deixando muito a desejar, passaram a ser vistos ao
mesmo tempo como maleáveis e terrivelmente carentes de ajustes e melhoras. O termo “cultura” foi
concebido no interior de uma família de conceitos que incluía expressões como “cultivo”, “lavoura”,
“criação” — todos significando aperfeiçoamento, seja na prevenção de um prejuízo, seja na interrupção e
reversão da deterioração. O que o agricultor fazia com a semente por meio de atenção cuidadosa, desde a
semeadura até a colheita, podia e devia ser feito com os incipientes seres humanos pela educação e pelo
treinamento. As pessoas não nasciam, eram feitas. Precisavam tornar-se humanas — e, nesse processo de
se tornar humanas (uma trajetória cheia de obstáculos e armadilhas que elas não seriam capazes de evitar
nem poderiam negociar, caso fossem deixadas por sua própria conta), teriam de ser guiadas por outros
seres humanos, educados e treinados na arte de educar e treinar seres humanos.
O termo “cultura” apareceu no vocabulário menos de cem anos depois de outro conceito moderno crucial,
o de “gerenciar”, que significa, segundo o Oxford English Dictionary: “forçar (pessoas, animais etc.) a se
submeter ao controle de alguém”, “exercer efeito sobre”, “ter sucesso em realizar”. E mais de cem anos
antes de outro sintético, de “gerenciamento”, o de “obter sucesso ou sair-se bem”. Gerenciar, em suma,
significava conseguir que as coisas fossem feitas de uma forma que as pessoas não fariam por conta própria
e sem ajuda. Significava redirecionar eventos segundo motivos e desejo próprios. Em outras palavras,
“gerenciar” (controlar o fluxo de eventos) veio a significar a manipulação de probabilidades: fazer a
ocorrência de certas condutas (iniciais ou reativas) de “pessoas, animais etc.” mais provável, ou, de
preferência, totalmente improvável a ocorrência de outros movimentos. Em última instância, “gerenciar”
significa limitar a liberdade do gerenciado.
Zygmunt Bauman. Vida líquida. Carlos Alberto Medeiros (Trad.). Rio de Janeiro: Zahar, 2009 (com
adaptações)
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item subsequente.
O sujeito da oração “teriam de ser guiadas por outros seres humanos” está oculto e se refere ao termo “As
pessoas”.
12. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDUC-AL | Prova: Professor - Português
Texto 14A1-I
As línguas são, de certo ponto de vista, totalmente equivalentes quanto ao que podem expressar, e o fazem
com igual facilidade (embora lançando mão de recursos bem diferentes). Entretanto, dois fatores dificultam
a aplicação de algumas línguas a certos assuntos: um, objetivo, a deficiência de vocabulário; outro, subjetivo,
a existência de preconceitos.
É preciso saber distinguir claramente os méritos de uma língua dos méritos (culturais, científicos ou literários)
daquilo que ela serve para expressar. Por exemplo, se a literatura francesa é particularmente importante,
isso não quer dizer que a língua francesa seja superior às outras línguas para a expressão literária. O
desenvolvimento de uma literatura é decorrência de fatores históricos independentes da estrutura da língua;
a qualidade da literatura francesa diz algo dos méritos da cultura dos povos de língua francesa, não de uma
imaginária vantagem literária de se utilizar o francês como veículo de expressão. Victor Hugo poderia ter
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sido tão importante quanto foi mesmo se falasse outra língua — desde que pertencesse a uma cultura
equivalente, em grau de adiantamento, riqueza de tradição intelectual etc., à cultura francesa de seu tempo.
Igualmente, sabe-se que a maior fonte de trabalhos científicos da contemporaneidade são as instituições e
os pesquisadores norte-americanos; isso fez do inglês a língua científica internacional. Todavia, se os fatores
históricos que produziram a supremacia científica norte-americana se tivessem verificado, por exemplo, na
Holanda, o holandês nos estaria servindo exatamente tão bem quanto o inglês o faz agora. Não há no inglês
traços estruturais intrínsecos que o façam superior ao holandês como língua adequada à expressão de
conceitos científicos.
Não se conhece caso em que o desenvolvimento da superioridade literária ou científica de um povo possa
ser claramente atribuído à qualidade da língua desse povo. Ao contrário, as grandes literaturas e os grandes
movimentos científicos surgem nas grandes nações (as mais ricas, as mais livres de restrições ao pensamento
e também — ai de nós! — as mais poderosas política e militarmente). O desenvolvimento dos diversos
aspectos materiais e culturais de uma nação se dá mais ou menos harmoniosamente; a ciência e a arte são
também produtos da riqueza e da estabilidade de uma sociedade.
O maior perigo que correm as línguas, hoje em dia, é o de não desenvolverem vocabulário técnico e científico
suficiente para acompanhar a corrida tecnológica. Se a defasagem chegar a ser muito grande, os próprios
falantes acabarão optando por utilizar uma língua estrangeira ao tratarem de assuntos científicos e técnicos.
Mário A. Perini. O rock português (a melhor língua para fazer ciência). In: Ciência Hoje, 1994 (com
adaptações).
No trecho “dois fatores dificultam a aplicação de algumas línguas a certos assuntos” (segundo período do
primeiro parágrafo), a expressão “dois fatores” funciona como sujeito simples.
13. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPC-SC | Prova: Analista de Contas Públicas - Direito
Texto CB1A1-II
A palavra “corrupção” tem origem nas palavras latinas corruptio e corrumpere, que indicam algo que foi
corrompido, deturpado. Por ela ser um termo polissêmico, entendemos que a sua história conceitual é
incerta. É usual o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista, como algo resultante da falta de
caráter dos indivíduos. Contudo, tal abordagem não apresenta validade científica, já que moral é um atributo
individual, dotado de subjetividade e culturalmente circunscrito.
A manifestação de práticas corruptas pode-se dar em ambientes públicos ou privados, a partir de numerosos
tipos de ação e em variada magnitude. Em todos os casos, a corrupção sempre se materializa a partir de
trocas entre os agentes. Em relação a quem participa da troca corrupta, em situações nas quais há
participação de agentes públicos, distinguem-se três tipos de corrupção: a grande corrupção, a corrupção
burocrática (a pequena corrupção) e a corrupção legislativa. A primeira normalmente se refere a atos da
elite política que cria políticas econômicas que a beneficiem. A segunda tem a ver com atos da burocracia
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em relação aos superiores hierárquicos ou ao público. A terceira se relaciona à compra de votos dos
legisladores.
Nas três formas, encontramos algum tipo de pagamento. Isso nos leva a concluir que a corrupção tem uma
natureza essencialmente econômica: ela é uma troca socialmente indesejada. Com isso, queremos dizer que,
apesar de não se configurar necessariamente como ilegal em todos os seus tipos, ela se configura como um
jogo de soma zero entre a sociedade e os participantes do ato corrupto.
Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda. Corrupção: debate conceitual. In: Cláudio André de Souza (org).
Dicionário das eleições. Curitiba: Juruá, 2020, p. 209-210 (com adaptações).
No terceiro período do primeiro parágrafo, o termo “o tratamento da corrupção sob uma perspectiva
moralista” desempenha a função de sujeito.
14. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PG-DF | Prova: Analista Jurídico - Administração
Texto CB1A1
A palavra sonho significa muitas coisas diferentes: “o sonho da minha vida” e “meu sonho de consumo” são
expressões usadas pelas pessoas para dizer que pretendem ou conseguiram alcançar algo. Todo mundo tem
um sonho, no sentido de plano futuro. Todo mundo deseja algo que não tem. Por que será que o sonho,
fenômeno normalmente noturno que tanto pode evocar o prazer quanto o medo, é justamente a palavra
usada para designar tudo aquilo que se quer ter?
O repertório publicitário contemporâneo não tem dúvidas de que o sonho é a força motriz de nossos
comportamentos, a motivação íntima de nossa ação exterior. Desejo é o sinônimo mais preciso da palavra
“sonho”. Na área de desembarque de um aeroporto nos Estados Unidos, uma foto enorme de um casal belo
e sorridente, velejando num mar caribenho em dia ensolarado, sob a frase enigmática: “Aonde seus sonhos
o levarão?”, embaixo o logotipo da empresa de cartão de crédito. Deduz-se do anúncio que os sonhos são
como veleiros, capazes de levar-nos a lugares idílicos, perfeitos, altamente… desejáveis. As equações “sonho
é igual a desejo, que é igual a dinheiro” têm como variável oculta a liberdade de ir, ser e principalmente ter,
liberdade que até os mais miseráveis podem experimentar no mundo de regras frouxas do sonho noturno,
mas que no sonho diurno é privilégio apenas dos detentores de um mágico cartão plástico.
Entretanto, a rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria
dos trabalhadores, são cruciais para o mal-estar da civilização contemporânea. É gritante o contraste entre
a relevância motivacional do sonho e sua banalização no mundo industrial globalizado. No século XXI, a busca
pelo sono perdido envolve rastreadores de sono, colchões high-tech, máquinas de estimulação sonora,
pijamas com biossensores, robôs para ajudar a dormir e uma cornucópia de remédios. A indústria da saúde
do sono, um setor que cresce aceleradamente, tem valor estimado entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares.
Mesmo assim impera a insônia. Se o tempo é sempre escasso, se despertamos diariamente com o toque
insistente do despertador, ainda sonolentos e já atrasados para cumprir compromissos que se renovam ao
infinito, se tão poucos se lembram de que sonham pela simples falta de oportunidade de contemplar a vida
interior, quando a insônia grassa e o bocejo se impõe, chega-se a duvidar da sobrevivência do sonho.
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E, no entanto, sonha-se. Sonha-se muito e a granel, sonha-se sofregamente apesar das luzes e dos ruídos da
cidade, da incessante faina da vida e da tristeza das perspectivas.
Sidarta Ribeiro. O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho. São Paulo: Companhia das Letras, 2019,
p. 19-20 (com adaptações)
No trecho “a rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria dos
trabalhadores, são cruciais para o mal-estar da civilização contemporânea”, o pronome “que” exerce a
função de sujeito das formas verbais “acometem” e “são”, as quais estão empregadas no plural porque
concordam com o antecedente desse pronome: o sujeito composto “a rotina do trabalho diário e a falta de
tempo”.
15. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-SC | Prova: Promotor de Justiça Substituto
Texto 2A2-II
A origem da instituição Ministério Público (MP) não é facilmente situada na história, não sendo possível
precisar ou afirmar com certeza a data e o local nos quais se tenha originado.
No Brasil, a figura do promotor de justiça só surge em 1609, quando é regulamentado o Tribunal de Relação
na Bahia. No Império, tratava-se a instituição no Código de Processo Criminal, sem nenhuma referência
constitucional. Somente na Constituição de 1824, foram criados o Supremo Tribunal de Justiça e os tribunais
de relação, nomeando-se desembargadores, procuradores da Coroa, conhecidos como “chefe do parquet”.
No entanto, a expressão “Ministério Público” só seria utilizada no Decreto n.º 5.618, de 2 de maio de 1874.
Foi na Constituição de 1891 que, pela primeira vez, o MP mereceu uma referência no texto fundamental. Já
a Constituição Federal de 16 de julho de 1934 dispensou um tratamento mais alentador ao MP, definindo-
lhe algumas atribuições básicas. As Constituições de 1946 a 1967 pouco disseram acerca do MP. A grande
fase do MP foi inaugurada com a Constituição Federal de 1988 (CF), cujos termos são absolutamente
inovadores, mesmo no nível internacional. A Constituição de 1988 é dotada de um capítulo próprio sobre o
MP. Atendendo às características federais do Estado brasileiro, a CF trata do Ministério Público da União e
daquele dos diversos estados-membros da Federação. A CF declara o MP como instituição permanente e
essencial à função jurídica, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos
interesses sociais e individuais indisponíveis.
No último período do texto, o segmento “como instituição permanente e essencial à função jurídica”
funciona, sintaticamente, como predicativo do termo “o MP”.
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16. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Telebras | Prova: Especialista em Gestão de
Telecomunicações – Advogado
É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se
entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?
“Pois não?”
“Sim?”
“Pomba! Um... um... Que cabeça a minha! A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples,
conhecidíssima.”
“Sim, senhor.”
“Sim, senhor.”
“O quê, cavalheiro?”
“Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto
de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é
mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra
ponta; a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha.
Entende?”
“Infelizmente, cavalheiro...”
“Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?”
Acerca das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.
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Assim como o termo ‘cavalheiro’ em ‘Posso ajudá-lo, cavalheiro?’ (segundo parágrafo), o termo ‘senhor’, em
‘O senhor vai dar risada quando souber’ (nono parágrafo), exerce função de vocativo no texto, dado que é
empregado para chamar, de forma cordial, o interlocutor.
17. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEE-PE | Prova: Analista em Gestão Educacional - Direito
Texto CG101-I
Alguns idiomas fictícios foram criados especialmente para a série Game of Thrones. Daí surgiram palavras e
expressões bem conhecidas pelos fãs, como “dracarys” – palavra que a personagem Daenerys Targ Aryen
(Emilia Clarke) usa para mandar seus dragões cuspirem fogo. A palavra faz parte do alto valiriano, uma língua
muito presente no decorrer da trama dos Targaryen e que apareceu de novo em House of the Dragon, spin-
off de Game of Thrones.
A Antiga Valíria era um antigo império localizado em Essos, continente a leste de Westeros. Ela é pouco
mencionada na série, pois não existe mais, mas sua língua (o alto valiriano) ainda é usada por uma elite
seleta. Seria como falar latim clássico na Europa medieval.
Segundo As Crônicas de Gelo e Fogo, livros escritos por George R. R. Martin que inspiraram a série, o alto
valiriano não seria uma linguagem de comunicação cotidiana, mas utilizada pela nobreza na literatura e na
música. Ao longo do tempo, o idioma originou dialetos simplificados, falados em várias regiões, como o baixo
valiriano, sendo possível traçar um paralelo com o latim clássico e o latim vulgar. Daenerys, inclusive, domina
e usa estrategicamente ambas as variações.
No alto valiriano, idioma do mundo de GOT, diferentemente do português, há quatro gêneros gramaticais,
divididos entre lunares, solares, terrestres ou aquáticos. Nomes que se referem a humanos são geralmente
lunares; profissões e partes do corpo, solares; alimentos e plantas são terrestres; e os líquidos são aquáticos.
Acerca dos sentidos e aspectos linguísticos do texto CG101-I, julgue o item que se segue.
No primeiro parágrafo, o trecho “uma língua ... House of the Dragon” (terceiro período) está entre vírgulas
porque funciona como aposto explicativo do termo “alto valiriano”.
18. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: BNB | Prova: Analista de Sistemas - Desenvolvimento
de Sistemas
Texto CG1A1-II
A crescente adoção do conceito de tecnologias sociais ocorre concomitantemente com o avanço de dois
conceitos que lhe são complementares: economia solidária e capital social. As graves consequências do
capitalismo e da globalização, refletidas em altos índices de desemprego, aumento de índices de violência e
criminalidade, aprofundamento da pobreza e da degradação ambiental, não podem ser abordadas por
projetos paternalistas e compensatórios. Ao contrário, requerem estudos aprofundados sobre um novo tipo
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de desenvolvimento. O professor Henrique Rattner pontua que, entre os cientistas sociais que se debruçam
sobre os fracassos do desenvolvimento e suas causas, em todos os debates travados nos últimos anos, o
conceito de capital social tem ocupado espaço crescente. O capital social, segundo Rattner, procura trabalhar
com a necessidade gregária, o espírito de cooperação e os valores de apoio mútuo e solidariedade, com base
na “eficiência social coletiva”.
Capital social, segundo o estudioso John Durston, é o conjunto de normas, instituições e organizações que
promovem a confiança, a ajuda recíproca e a cooperação e que incorporam benefícios como redução dos
custos de transação, produção de bens públicos e facilitação da constituição de organizações de gestão de
bases efetivas, de atores sociais e de sociedades civis saudáveis. Sua importância está na busca de estratégias
de superação da pobreza e de integração de setores sociais excluídos.
No Brasil, nas últimas décadas, tem havido uma multiplicação de experiências baseadas no conceito de
economia solidária. Diferentemente de iniciativas meramente paliativas, como respostas emergenciais a
situações de pobreza e miséria, há agora uma interpretação de que essas experiências devam ser uma base
para a reconstrução do tecido social. Como diz o pesquisador Luis Inácio Gaiger, elas “constituiriam uma ação
geradora de embriões de novas formas de produção e estimuladora de alternativas de vida econômica e
social”.
Ivete Rodrigues e José Carlos Barbieri. A emergência da tecnologia social: revisitando o movimento da
tecnologia apropriada como estratégia de desenvolvimento sustentável. In: Revista de Administração
Pública – FGV, Rio de Janeiro, 42(6):1069-94, nov./dez. 2008 (com alterações).
A respeito dos aspectos linguísticos e estruturais do texto CG1A1-II, julgue o item subsecutivo.
No quarto período do primeiro parágrafo, o trecho “em todos os debates travados nos últimos anos”
encontra-se isolado por vírgulas por constituir uma expressão adverbial deslocada.
19. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDUC-AL | Prova: Professor - Português
Teoria do medalhão
(diálogo)
— Saiu o último conviva do nosso modesto jantar. Com que, meu peralta, chegaste aos teus vinte e um anos.
Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de 1854, vinhas tu à luz, um pirralho de nada, e estás homem, longos
bigodes, alguns namoros...
— Papai...
— Não te ponhas com denguices, e falemos como dois amigos sérios. Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas
importantes. Senta-te e conversemos. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma, podes entrar no
parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Há
infinitas carreiras diante de ti. Vinte e um anos, meu rapaz, formam apenas a primeira sílaba do nosso
destino. (...) Mas qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre,
ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum. (...)
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— Sim, senhor.
— Entretanto, assim como é de boa economia guardar um pão para a velhice, assim também é de boa prática
social acautelar um ofício para a hipótese de que os outros falhem, ou não indenizem suficientemente o
esforço da nossa ambição. É isto o que te aconselho hoje, dia da tua maioridade.
— Nenhum me parece mais útil e cabido que o de medalhão. Ser medalhão foi o sonho da minha mocidade;
faltaram-me, porém, as instruções de um pai, e acabo como vês, sem outra consolação e relevo moral, além
das esperanças que deposito em ti. Ouve-me bem, meu querido filho, ouve-me e entende. (...)
— Entendo.
— Venhamos ao principal. Uma vez entrado na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres
de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente (...).
— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste
nobre ofício. Não me refiro tanto à fidelidade com que repetes numa sala as opiniões ouvidas numa esquina,
e vice-versa, porque esse fato, posto indique certa carência de ideias, ainda assim pode não passar de uma
traição da memória. Não; refiro-me ao gesto correto e perfilado com que usas expender francamente as tuas
simpatias ou antipatias acerca do corte de um colete, das dimensões de um chapéu, do ranger ou calar das
botas novas. Eis aí um sintoma eloquente, eis aí uma esperança. No entanto, podendo acontecer que, com
a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias, urge aparelhar fortemente o espírito. As ideias são
de sua natureza espontâneas e súbitas; por mais que as soframos, elas irrompem e precipitam-se. Daí a
certeza com que o vulgo, cujo faro é extremamente delicado, distingue o medalhão completo do medalhão
incompleto.
Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: 50 contos escolhidos de Machado de Assis. Seleção, introdução
e notas de John Gledson. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 82-83 (com adaptações).
No último período do texto, o termo “do medalhão incompleto” exerce a função sintática de adjunto
adnominal.
20. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TJ-ES | Prova: Analista Judiciário - Área Administrativa
Texto CG1A1-I
A apropriação colonial das terras indígenas muitas vezes se iniciava com alguma alegação genérica de que
os povos forrageadores viviam em um estado de natureza — o que significava que eram considerados parte
da terra, mas sem nenhum direito a sua propriedade. A base para o desalojamento, por sua vez, tinha como
premissa a ideia de que os habitantes daquelas terras não trabalhavam. Esse argumento remonta ao
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Segundo tratado sobre o governo (1690), de John Locke, em que o autor defendia que os direitos de
propriedade decorrem necessariamente do trabalho. Ao trabalhar a terra, o indivíduo “mistura seu trabalho”
a ela; nesse sentido, a terra se torna, de certo modo, uma extensão do indivíduo. Os nativos preguiçosos,
segundo os discípulos de Locke, não faziam isso. Não eram, segundo os lockianos, “proprietários de terras
que faziam melhorias”; apenas as usavam para atender às suas necessidades básicas com o mínimo de
esforço.
James Tully, uma autoridade em direitos indígenas, aponta as implicações históricas desse pensamento:
considera-se vaga a terra usada para a caça e a coleta e, “se os povos aborígenes tentam submeter os
europeus a suas leis e costumes ou defender os territórios que durante milhares de anos tinham
erroneamente pensado serem seus, então são eles que violam o direito natural e podem ser punidos ou
‘destruídos’ como animais selvagens”. Da mesma forma, o estereótipo do nativo indolente e despreocupado,
levando uma vida sem ambições materiais, foi utilizado por milhares de conquistadores, administradores de
latifúndios e funcionários coloniais europeus na Ásia, na África, na América Latina e na Oceania como
pretexto para obrigar os povos nativos ao trabalho, com meios que iam desde a escravização pura e simples
ao pagamento de taxas punitivas, corveias e servidão por dívida.
David Graeber e David Wengrow. O despertar de tudo: uma nova história da humanidade. São Paulo: Cia
das Letras, 2022, p. 169-170 (com adaptações).
No último período do segundo parágrafo, a oração “para obrigar os povos nativos ao trabalho” funciona
como complemento do termo “pretexto”.
21. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPC-SC | Prova: Técnico em Atividades Administrativas
Texto CB2A1-I
A astrônoma Jocelyn Bell Burnell disse sobre Ron Drever: “Ele realmente curtia ser tão engenhoso”. Ela tinha
ido da Irlanda do Norte para Glasgow para estudar física e Drever foi arbitrariamente designado para ser seu
supervisor. Ele contava ao grupo de seus poucos orientandos as ideias mais interessantes que surgiam em
sua mente, inclusive as que levaram ao experimento de Hughes-Drever (embora ela não tivesse se dado
conta de que ele o realizara no quintal da propriedade rural de sua família), mas nenhuma que os ajudasse
a passar nos exames. Após a frustração inicial, ao ver que ele não ia ajudá-la em seu dever de casa de física
de estado sólido, ela acabou admirando seu profundo entendimento de física fundamental e seu notável
talento como pesquisador.
Drever, por sua vez, seria influenciado pelas iminentes e vitais descobertas de sua ex-aluna de graduação. A
respeito de Bell Burnell, disse: “Ela também era obviamente melhor do que a maioria deles… então cheguei
a conhecê-la muito bem”. Drever escreveu uma carta de recomendação para apoiar o pedido de emprego
dela à principal instalação de radioastronomia na Inglaterra, em meados da década de 60, Jodrell Bank. Mas,
ele continua, “não a admitiram, e a história conta que foi porque era mulher. Mas isso não é oficial, você
sabe. Ela ficou muito desapontada”. Drever acrescenta, esperando que se reconheça a obviedade daquele
absurdo: “Sua segunda opção era ir para Cambridge. Vê como são as coisas?”. Ele considerou isso uma
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reviravolta muito feliz. “Então ela foi para Cambridge e descobriu pulsares. Vê como são as coisas?”, ele diz,
rindo.
Janna Levin. A música do universo: ondas gravitacionais e a maior descoberta científica dos últimos cem
anos. São Paulo, Cia. das Letras, 2016, p. 103-104 (com adaptações).
No trecho “Drever acrescenta, esperando que se reconheça a obviedade daquele absurdo” (segundo
parágrafo), o segmento “esperando que se reconheça a obviedade daquele absurdo” é o complemento
verbal de “acrescenta”.
22. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PGE-RJ | Prova: PGE-RJ - Analista Contábil
Texto CG1A1-I
Em 721, um concílio romano presidido pelo papa Gregório II proibiu o casamento com uma commater, isto
é, a madrinha de um filho, ou a mãe de um filho de quem se fosse padrinho. Isso levou o papado a se alinhar
com a legislação promulgada, algumas décadas antes, em Bizâncio. A adoção marcadamente rápida desses
princípios sugere que o clero franco já sustentava concepções similares. Isso é ilustrado por um caso curioso
contado por um clérigo franco anônimo, em 727. Ele censurava a maneira traiçoeira pela qual a infame
concubina Fredegunda havia conseguido se tornar a esposa legal do rei Quilpérico. Durante uma longa
ausência do rei, ela persuadira sua rival, a rainha Audovera, a tornar-se madrinha da própria filha recém-
nascida. Assim, a ingênua Audovera foi subitamente transformada na commater de seu próprio marido,
impossibilitando qualquer relação conjugal posterior e deixando o caminho livre para Fredegunda.
Essa artimanha mostra que, poucos anos após o concílio romano de 721, o autor anônimo e seu público
estavam bem familiarizados com os impedimentos derivados do parentesco espiritual. Não fosse o caso,
seria impossível acusar Fredegunda de seu ardiloso truque. As cartas do missionário Bonifácio conferem
testemunho adicional a esse fato. Em 735, ele perguntou ao bispo escocês Pethlem se era permitido que
alguém se casasse com uma viúva que era mãe de seu afilhado. “Todos os padres da Gália e na terra dos
francos afirmavam que isso era um pecado grave”, escreveu ele. Soava-lhe estranho, já que ele nunca ouvira
falar nisso antes. A questão devia preocupá-lo porque, no mesmo ano, escreveu a respeito para dois outros
clérigos anglo-saxões. Evidentemente, o missionário até então não estava familiarizado com esse
impedimento ao casamento, embora o clero continental, a quem ele se dirigia, considerasse a questão muito
grave.
Mayke De Jong, Nos limites do parentesco: legislação anti-incesto na Alta Idade Média ocidental (500-
900). In: Jan Bremmer (Org.). De Safo a Sade. Momentos na história da sexualidade. Campinas: Papirus,
1995, p. 56-7 (com adaptações).
No terceiro período do segundo parágrafo, a expressão “a esse fato” complementa o termo “adicional”.
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23. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-RJ | Prova: Analista de Controle Externo
Texto CB1A2-I
O uso da palavra está, necessariamente, ligado à questão da eficácia. Visando a uma multidão indistinta, a
um grupo definido ou a um auditório privilegiado, o discurso procura sempre produzir um impacto sobre seu
público. Esforça-se, frequentemente, para fazê-lo aderir a uma tese: ele tem, então, uma visada
argumentativa. Mas o discurso também pode, mais modestamente, procurar modificar a orientação dos
modos de ver e de sentir: nesse caso, ele tem uma dimensão argumentativa. Como o uso da palavra se dota
do poder de influenciar seu auditório? Por quais meios verbais, por quais estratégias programadas ou
espontâneas ele assegura a sua força?
Essas questões, das quais se percebe facilmente a importância na prática social, estão no centro de uma
disciplina cujas raízes remontam à Antiguidade: a retórica. Para os antigos, a retórica era uma teoria da fala
eficaz e também uma aprendizagem ao longo da qual os homens da cidade se iniciavam na arte de persuadir.
Com o passar do tempo, entretanto, ela tornou-se, progressivamente, uma arte do bem dizer, reduzindo-se
a um arsenal de figuras. Voltada para os ornamentos do discurso, a retórica chegou a se esquecer de sua
vocação primeira: imprimir ao verbo a capacidade de provocar a convicção. É a esse objetivo que retornam,
atualmente, as reflexões que se desenvolvem na era da democracia e da comunicação.
Ruth Amosy. A argumentação no discurso. São Paulo: Editora Contexto, 2018, p. 7 (com adaptações).
No primeiro período do texto, o termo “da palavra” complementa o sentido do substantivo “uso”.
24. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SME do Recife - PE | Prova: Professor II
Texto 8A1-I
O Brasil é um dos países com maior proporção de alunos matriculados em cursos de formação de
professores, mas com um dos mais baixos índices de interesse na profissão. Para especialistas, isso mostra
que a docência se torna opção pela facilidade em ingressar no ensino superior, pelas baixas mensalidades e
pela alternativa de cursos a distância — não pela vocação.
Estudos internacionais mostram que um bom professor é um dos fatores que mais influenciam na
aprendizagem. Os dados são de pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que
traçou o perfil de quem estuda para ser professor na América Latina e no Caribe. Enquanto, no Brasil, 20%
dos universitários estão em cursos como licenciatura e pedagogia, na América Latina são 10% e, em países
desenvolvidos, 8%.
Em compensação, só 5% dos jovens brasileiros dizem querer ser professores quando estão no ensino médio.
E, apesar da grande quantidade de alunos matriculada em cursos de licenciatura e pedagogia no Brasil,
faltam docentes para lecionar disciplinas específicas em áreas de ciências exatas e da natureza.
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Na Coreia do Sul, por exemplo, 21% se interessam pela profissão e só 7% ingressam, de fato, na universidade,
porque há muita concorrência e maior seleção. No Chile e no México, os dois índices são mais próximos:
cerca de 7% se interessam pelo magistério e menos de 15% cursam pedagogia ou licenciatura.
“Muitos alunos concluintes do ensino médio entram em programas de formação de professores para
conseguir um título”, diz o economista chefe da divisão de educação no BID, Gregory Elacqua. Ele afirma que
isso não é bom para a educação.
“A gente atrai as pessoas mais vulneráveis e que lá na frente vão enfrentar o desafio de educar crianças
vulneráveis também”, diz a diretora de políticas públicas do Instituto Península, que atua na área de
formação de professores, Mariana Breim. “Se é este público que está procurando a docência, temos de
abraçá-lo e fazê-lo se apaixonar por ela”, completa. Os dados mostram que 71% dos estudantes de pedagogia
e licenciatura no Brasil são mulheres, índice semelhante ao verificado em outros países latinos.
O emprego de vírgula logo após ‘médio’ (primeiro período do quinto parágrafo) prejudicaria a correção
gramatical do texto, visto que, em regra, sujeito e predicado não devem ser separados por vírgula.
25. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEE-PE | Prova: Professor - Língua Portuguesa
Texto 10A1-I
A discussão sobre um gênero neutro na linguagem deriva do uso do gênero gramatical masculino para
denotar homens e mulheres (Todos nessa sala de aula devem entregar o trabalho.) e do feminino específico
(Clarice Lispector é incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século 20.).
Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como gênero não marcado, ou seja, usá-lo não dá a
entender que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres — ele é inespecífico. Por ser algo cotidiano, é
difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico, mas o tema foi amplamente
discutido por especialistas como uma forma de marcar a hierarquização de gêneros na sociedade,
priorizando o homem e invisibilizando a mulher. O masculino genérico é chamado, inclusive, de falso neutro.
Entretanto, essa abordagem não é unânime no campo da linguística. Para muitos estudiosos, a interpretação
sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua portuguesa.
No latim havia três designações: feminina, masculina e neutra. As formas neutras de adjetivos e substantivos
no latim acabaram absorvidas por palavras de gênero masculino. A única marcação de gênero no português
é o feminino. O neutro estaria, portanto, junto ao masculino.
O Brasil não é o único país onde a linguagem neutra é discutida. Alguns setores acadêmicos, instituições de
ensino e ativistas estadunidenses já consideram usar pronome neutro para se referir a todos, em vez de
recorrer à demarcação de gênero binário.
Especialistas avaliam que a modificação gramatical em línguas latinas pode ser muito mais complexa e
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custosa do que no inglês ou no alemão, em que já está em uso o gênero neutro, porque as línguas anglo-
saxônicas em si já oferecem essa opção.
Segundo especialistas, esse tipo de inovação é mais fácil de ocorrer no inglês, em que, com exceção daquelas
palavras herdadas do latim, como actor (ator) e actress (atriz), a flexão de gênero não altera os substantivos
e adjetivos. No caso do português, essa transformação não depende apenas da alteração de um pronome,
porque a flexão de gênero afeta todo o sintagma nominal. Assim, a flexão de gênero é demarcada pela vogal
temática a ou o (como em pesquisadoras brasileiras) e(ou) por meio do artigo a ou o (como em a intérprete).
Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais
inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português.
Segundo explicam esses especialistas, a história de uma língua sempre conta muito sobre a história de seus
falantes, de modo que as coisas que falamos hoje em dia não brotaram da terra nem vieram prontas, mas
dependem da nossa história como humanidade. Nesse sentido, as propostas já existentes seriam os
primeiros passos nesse movimento, e não uma forma final a ser imposta a todos os falantes.
No que se refere à concordância e à morfossintaxe de períodos simples e compostos no texto 10A1-I, julgue
o item subsequente.
26. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de São Cristóvão - SE | Prova: Professor de
Educação Básica
Delicioso e nutritivo, o bacalhau pode ser saboreado assado, grelhado, ensopado, na brasa ou em forma de
bolinhos... São muitas as opções para que você possa consumi-lo o ano todo! Venha experimentar essa
iguaria! Vindo de fornecedores selecionados de Portugal e da Noruega, salgado ou dessalgado, o bacalhau
pode ser encontrado em nossas lojas pelos menores preços.
O trecho “assado, grelhado, ensopado, na brasa ou em forma de bolinhos” (l. 1 e 2) funciona como aposto
de “bacalhau” (l.1).
27. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-SC | Prova: Promotor de Justiça Substituto
É o discurso que nos liberta e é o discurso que estabelece os limites da nossa liberdade e nos impulsiona a
transgredir e transcender os limites — já estabelecidos ou ainda a ser estabelecidos no futuro. Discurso é
aquilo que nos faz enquanto nós o fazemos. E é graças ao discurso, e seu ímpeto endêmico de espreitar além
das fronteiras que ele estabelece para a sua própria liberdade, que nosso estar no mundo é um processo de
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vir a ser perpétuo — incessante e infinito: nosso vir a ser e o vir a ser do nosso “mundo da vida” — juntar-
se, misturar-se, embora sem solidificar, estreita e inseparavelmente, entrançados e entrelaçados, e
compartilhando nossos respectivos sucessos e infortúnios, ligados um ao outro para o melhor e para o pior,
desde o momento de nossa concepção simultânea até que a morte nos separe.
O que nós chamamos de “realidade”, quando entramos em um ânimofilosófico, ou “os fatos da questão”
quando seguimos obedientemente as instâncias da doxa, é tecido de palavras. Nenhuma outra realidade nos
é acessível: não acessamos o passado “como ele realmente aconteceu”, o qual Leopold von Ranke
celebremente conclamou (instruiu) seus colegas historiadores do século XIX a recuperar. Comentando sobre
a história de Juan Goytisolo a respeito de um velho, Milan Kundera salienta que a biografia — qualquer
biografia que tente ser o que seu nome sugere — é, e não poderia deixar de ser, uma lógica artificial
inventada, imposta retrospectivamente a uma sucessão incoerente de imagens, reunida pela memória de
partículas e fragmentos. Ele conclui que, em total oposição às presunções do senso comum, o passado
compartilha com o futuro a ruína incurável da irrealidade — esquivando-se/evadindo-se obstinadamente,
como ambos o fazem, das redes tecidas de palavras movidas pela lógica. Não obstante, essa irrealidade é a
única realidade a ser captada e possuída por nós, que “vivemos em discurso como o peixe na água”.
Zygmunt Bauman e Riccardo Mazzeo. O elogio da literatura. Zahar. Edição do Kindle (com adaptações).
Julgue o item que se segue, com relação a aspectos linguísticos do texto precedente.
No terceiro período do segundo parágrafo, o termo “Milan Kundera” funciona como aposto, uma vez que
especifica o termo “um velho”.
28. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDUC-AL | Prova: Professor - Português
Teoria do medalhão
(diálogo)
— Saiu o último conviva do nosso modesto jantar. Com que, meu peralta, chegaste aos teus vinte e um anos.
Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de 1854, vinhas tu à luz, um pirralho de nada, e estás homem, longos
bigodes, alguns namoros...
— Papai...
— Não te ponhas com denguices, e falemos como dois amigos sérios. Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas
importantes. Senta-te e conversemos. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma, podes entrar no
parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Há
infinitas carreiras diante de ti. Vinte e um anos, meu rapaz, formam apenas a primeira sílaba do nosso
destino. (...) Mas qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre,
ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum. (...)
— Sim, senhor.
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— Entretanto, assim como é de boa economia guardar um pão para a velhice, assim também é de boa prática
social acautelar um ofício para a hipótese de que os outros falhem, ou não indenizem suficientemente o
esforço da nossa ambição. É isto o que te aconselho hoje, dia da tua maioridade.
— Nenhum me parece mais útil e cabido que o de medalhão. Ser medalhão foi o sonho da minha mocidade;
faltaram-me, porém, as instruções de um pai, e acabo como vês, sem outra consolação e relevo moral, além
das esperanças que deposito em ti. Ouve-me bem, meu querido filho, ouve-me e entende. (...)
— Entendo.
— Venhamos ao principal. Uma vez entrado na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres
de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente (...).
— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste
nobre ofício. Não me refiro tanto à fidelidade com que repetes numa sala as opiniões ouvidas numa esquina,
e vice-versa, porque esse fato, posto indique certa carência de ideias, ainda assim pode não passar de uma
traição da memória. Não; refiro-me ao gesto correto e perfilado com que usas expender francamente as tuas
simpatias ou antipatias acerca do corte de um colete, das dimensões de um chapéu, do ranger ou calar das
botas novas. Eis aí um sintoma eloquente, eis aí uma esperança. No entanto, podendo acontecer que, com
a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias, urge aparelhar fortemente o espírito. As ideias são
de sua natureza espontâneas e súbitas; por mais que as soframos, elas irrompem e precipitam-se. Daí a
certeza com que o vulgo, cujo faro é extremamente delicado, distingue o medalhão completo do medalhão
incompleto.
Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: 50 contos escolhidos de Machado de Assis. Seleção, introdução
e notas de John Gledson. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 82-83 (com adaptações).
Na narrativa, o pai usa diferentes vocativos para se referir ao filho, tais como “meu peralta” e “um pirralho
de nada”, no primeiro parágrafo.
29. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SME do Recife - PE | Prova: Professor II
Texto 8A1-I
O Brasil é um dos países com maior proporção de alunos matriculados em cursos de formação de
professores, mas com um dos mais baixos índices de interesse na profissão. Para especialistas, isso mostra
que a docência se torna opção pela facilidade em ingressar no ensino superior, pelas baixas mensalidades e
pela alternativa de cursos a distância — não pela vocação.
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Estudos internacionais mostram que um bom professor é um dos fatores que mais influenciam na
aprendizagem. Os dados são de pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que
traçou o perfil de quem estuda para ser professor na América Latina e no Caribe. Enquanto, no Brasil, 20%
dos universitários estão em cursos como licenciatura e pedagogia, na América Latina são 10% e, em países
desenvolvidos, 8%.
Em compensação, só 5% dos jovens brasileiros dizem querer ser professores quando estão no ensino médio.
E, apesar da grande quantidade de alunos matriculada em cursos de licenciatura e pedagogia no Brasil,
faltam docentes para lecionar disciplinas específicas em áreas de ciências exatas e da natureza.
Na Coreia do Sul, por exemplo, 21% se interessam pela profissão e só 7% ingressam, de fato, na universidade,
porque há muita concorrência e maior seleção. No Chile e no México, os dois índices são mais próximos:
cerca de 7% se interessam pelo magistério e menos de 15% cursam pedagogia ou licenciatura.
“Muitos alunos concluintes do ensino médio entram em programas de formação de professores para
conseguir um título”, diz o economista chefe da divisão de educação no BID, Gregory Elacqua. Ele afirma que
isso não é bom para a educação.
“A gente atrai as pessoas mais vulneráveis e que lá na frente vão enfrentar o desafio de educar crianças
vulneráveis também”, diz a diretora de políticas públicas do Instituto Península, que atua na área de
formação de professores, Mariana Breim. “Se é este público que está procurando a docência, temos de
abraçá-lo e fazê-lo se apaixonar por ela”, completa. Os dados mostram que 71% dos estudantes de pedagogia
e licenciatura no Brasil são mulheres, índice semelhante ao verificado em outros países latinos.
Julgue o item a seguir, no que diz respeito à sintaxe de orações e períodos no texto 8A1-I.
No segundo período do terceiro parágrafo, o termo “docentes” exerce a função sintática de objeto direto.
30. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: BANRISUL | Provas: Analista de Segurança da
Tecnologia da Informação
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O termo “o novo cartão do Banrisul” exerce a função de complemento da forma verbal “Chegou”.
31. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SECONT-ES | Provas: Auditor do Estado - Administração
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca
e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à
frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam
para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas,
às vezes eles se tocavam, e ao toque — a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras — e ao
toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles
admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria
deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela
não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a
grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque
tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e
duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que
eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para
que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo
por não estarem mais distraídos.
Clarice Lispector. Por não estarem distraídos. In: Todas as crônicas. São Paulo: Rocco, 2018, p. 344
No que se refere às ideias e a aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.
No terceiro período do primeiro parágrafo, o termo “brilho” funciona sintaticamente como complemento da
forma verbal “brilhava”.
32. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-RJ | Prova: Analista de Controle Externo
Texto CB1A2-II
A pseudociência difere da ciência errônea. A ciência prospera com seus erros, eliminando-os um a um.
Conclusões falsas são tiradas todo o tempo, mas elas constituem tentativas. As hipóteses são formuladas de
modo a poderem ser refutadas. Uma sequência de hipóteses alternativas é confrontada com os
experimentos e a observação. A ciência tateia e cambaleia em busca de melhor compreensão. Alguns
sentimentos de propriedade individual são certamente ofendidos quando uma hipótese científica não é
aprovada, mas essas refutações são reconhecidas como centrais para o empreendimento científico.
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Talvez a distinção mais clara entre a ciência e a pseudociência seja o fato de que a primeira sabe avaliar com
mais perspicácia as imperfeições e a falibilidade humanas do que a segunda. Se nos recusamos radicalmente
a reconhecer em que pontos somos propensos a cair em erro, podemos ter quase certeza de que o erro nos
acompanhará para sempre. Mas, se somos capazes de uma pequena autoavaliação corajosa, quaisquer que
sejam as reflexões tristes que isso possa provocar, as nossas chances melhoram muito.
Carl Sagan. O mundo assombrado pelos demô[Link]ção de Rosaura Eichemberg. São Paulo:
Companhia das Letras, 2016, p. 39-40 (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB1A2-II, julgue o item que se segue.
No trecho “podemos ter quase certeza de que o erro nos acompanhará para sempre” (terceiro parágrafo), o
pronome “nos” funciona como complemento da forma verbal “acompanhará”.
33. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: IBAMA | Prova: Técnico Ambiental
Texto CB1A1-I
Dentro de casa, aumentou a percepção quanto à importância de modelos de consumo mais conscientes e
responsáveis, como a escolha de produtos mais duráveis e menos geradores de resíduos. No entanto, a
transformação mais significativa, que deveria vir das empresas, ainda é relativamente tímida.
A especialista aponta que todos nós, indivíduos, sociedade e empresas, precisamos entender os impactos
desta pandemia no meio ambiente e na sustentabilidade bem como refletir sobre eles e, principalmente,
sobre a sua relação inversa: o impacto da (in)sustentabilidade dos nossos modelos de produção e consumo
como causador desta pandemia. “Toda escolha que fazemos pode ser para apoiar ou não a sustentabilidade”,
diz Mariana. Por outro lado, para que possamos fazer melhores escolhas e praticar o verdadeiro consumo
consciente, é necessário que, em primeiro lugar, as empresas realizem a produção consciente, assumindo
sua verdadeira responsabilidade pelos impactos que causam.
Com relação aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item que se segue.
No segundo período do terceiro parágrafo, a forma pronominal ‘nos’ funciona como complemento das
formas verbais ‘atinjam’ e ‘alcancem’.
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34. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDUC-AL | Prova: Professor - Português
Texto 14A1-I
As línguas são, de certo ponto de vista, totalmente equivalentes quanto ao que podem expressar, e o fazem
com igual facilidade (embora lançando mão de recursos bem diferentes). Entretanto, dois fatores dificultam
a aplicação de algumas línguas a certos assuntos: um, objetivo, a deficiência de vocabulário; outro, subjetivo,
a existência de preconceitos.
É preciso saber distinguir claramente os méritos de uma língua dos méritos (culturais, científicos ou literários)
daquilo que ela serve para expressar. Por exemplo, se a literatura francesa é particularmente importante,
isso não quer dizer que a língua francesa seja superior às outras línguas para a expressão literária. O
desenvolvimento de uma literatura é decorrência de fatores históricos independentes da estrutura da língua;
a qualidade da literatura francesa diz algo dos méritos da cultura dos povos de língua francesa, não de uma
imaginária vantagem literária de se utilizar o francês como veículo de expressão. Victor Hugo poderia ter
sido tão importante quanto foi mesmo se falasse outra língua — desde que pertencesse a uma cultura
equivalente, em grau de adiantamento, riqueza de tradição intelectual etc., à cultura francesa de seu tempo.
Igualmente, sabe-se que a maior fonte de trabalhos científicos da contemporaneidade são as instituições e
os pesquisadores norte-americanos; isso fez do inglês a língua científica internacional. Todavia, se os fatores
históricos que produziram a supremacia científica norte-americana se tivessem verificado, por exemplo, na
Holanda, o holandês nos estaria servindo exatamente tão bem quanto o inglês o faz agora. Não há no inglês
traços estruturais intrínsecos que o façam superior ao holandês como língua adequada à expressão de
conceitos científicos.
Não se conhece caso em que o desenvolvimento da superioridade literária ou científica de um povo possa
ser claramente atribuído à qualidade da língua desse povo. Ao contrário, as grandes literaturas e os grandes
movimentos científicos surgem nas grandes nações (as mais ricas, as mais livres de restrições ao pensamento
e também — ai de nós! — as mais poderosas política e militarmente). O desenvolvimento dos diversos
aspectos materiais e culturais de uma nação se dá mais ou menos harmoniosamente; a ciência e a arte são
também produtos da riqueza e da estabilidade de uma sociedade.
O maior perigo que correm as línguas, hoje em dia, é o de não desenvolverem vocabulário técnico e científico
suficiente para acompanhar a corrida tecnológica. Se a defasagem chegar a ser muito grande, os próprios
falantes acabarão optando por utilizar uma língua estrangeira ao tratarem de assuntos científicos e técnicos.
Mário A. Perini. O rock português (a melhor língua para fazer ciência). In: Ciência Hoje, 1994 (com
adaptações).
No último período do segundo parágrafo, o trecho “em grau de adiantamento, riqueza de tradição intelectual
etc.” está entre vírgulas porque se encontra intercalado entre o termo “equivalente” e seu complemento
nominal.
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35. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-AL | Provas: Escrivão de Polícia
Tudo o que vem do povo tem uma lógica, uma razão, uma função. Ele nada faz sem motivo, e o que produz
está geralmente ligado ao comportamento do grupo ou a uma norma social ou de cunho psíquico e religioso,
um traço que vem de tempos longínquos, lá do fundo de nossas raízes, perdidas na noite dos tempos, quando
estávamos em formação. Pastoril, Quilombo, Reisado, Coco-de-Roda, literatura de cordel, festas, tradições,
superstições, contos, mitos, lendas não aparecem por acaso. São elementos da memória popular, que
engloba sentimentos e reações diante da história e das transformações.
Quais as origens do folclore alagoano, quais os componentes culturais que o forjaram? Théo Brandão, com
a autoridade de quem estudou a vida inteira e deixou uma obra irrepreensível sobre o assunto, diz que são
muitas as contribuições na formatação do nosso folclore. E que não é fácil nem simples demarcar a que grupo
pertence uma de suas variantes ou estabelecer com precisão a fronteira de determinada manifestação
folclórica. Afirma que há dúvidas em alguns casos e em outros é inteiramente impossível chegar a uma
conclusão única e definitiva. Cita como exemplo concreto dessas incertezas o caso da dança existente em
várias unidades nordestinas, que aparece ora como Coco, ora como Pagode, ora como Samba.
Instituto Arnon de Mello. Alagoas popular: folguedos e danças de nossa gente. Maceió: IAM, 2013, p. 24
(com adaptações).
Julgue o item seguinte, referentes às ideias, aos sentidos e às construções linguísticas do texto apresentado.
Em “Ele nada faz sem motivo”, o termo “sem motivo” exerce a função de complemento da forma verbal
“faz”.
36. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Polícia Federal | Provas: Escrivão de Polícia Federal
Texto 2A1-I
Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Era uma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que
nunca passou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para o edifício ao lado. E só via as cozinhas.
Quando anoitecia, toda aquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e o ar ficava cheirando
a cebola e alho. Ia-se embora, com alegria até, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde era
possível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia, talvez lhe mostrasse um navio passando.
Claro, arejado.
Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duas camisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios,
uma lavanda, quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha a gaveta. Tinha de desocupar
aquela gaveta. Cinco ou seis cartas guardadas ali.
Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as em ordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e
contava que andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que a parenta já andava desconfiada
de sua tristeza. No fundo de um envelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo, mas era um
pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, um pouco de presença a querer bem.
Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).
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Ainda com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente.
No sétimo período do primeiro parágrafo, a forma “lhe” desempenha a função de complemento indireto da
forma verbal “mostrasse” e funciona como elemento de coesão ao retomar o personagem da narrativa.
37. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de São Cristóvão - SE | Prova: Professor de
Educação Básica – Português
A leitura feita pelo aluno talvez seja a modalidade que atualmente mais precise de investimento na escola.
É comum ouvirmos dizer que o computador, a televisão e o video game são os maiores concorrentes da
leitura, e que estão ganhando a disputa. Há uma queixa recorrente dos professores de que os alunos leem
pouco, não leem bem, não entendem o que leem, ou seja, não são leitores fluentes. Mas o que é ler bem? O
que significa fluência leitora?
Ler fluentemente não significa compreender o que se lê, pois é possível ler rapidamente sem entender o
assunto de que trata o texto. A leitura de um texto requer conhecimento de seu propósito pelos alunos, já
que fluência também tem a ver com a intenção da leitura: para que ler, quais estratégias poderão ser
utilizadas e o que se espera ao final. E é importante expor aos alunos esses propósitos em cada atividade.
Costumamos “tomar” um texto sempre com uma intenção, e esta não necessariamente está vinculada ao
gênero. Dessa forma, nem sempre vou ler obras literárias apenas para apreciá-las. Também posso ler para
fazer um estudo sobre a época em que se passa um romance, ou para analisar o estilo empregado pelo autor,
ou ainda para traçar um perfil das personagens. Lemos notícias com intuitos variados, além de nos
informarmos. Podemos ler para conhecer mais sobre outro país, para ampliar nosso conhecimento sobre um
assunto específico, para estudar para uma prova etc. Essa intenção irá determinar minha leitura e a
compreensão que tenho do assunto abordado por aquele texto.
Falamos, portanto, da fluência leitora para alunos que já conquistaram a base alfabética do sistema de
escrita, aqueles que já dominam a escrita e estabelecem relações entre grafemas e fonemas. O leitor que
ainda está preso à decifração dificilmente consegue entender o que aborda o texto lido, pois não utiliza as
estratégias mais adequadas para a compreensão. É necessário um trabalho que o ajude a ir além da leitura
palavra a palavra ou sílaba a sílaba, para buscar outros meios de identificação que permitam tornar a leitura
mais fluente, utilizando paralelamente os processos de decifração e compreensão.
Valquiria Pereira. O que significa fluência leitora? In: Revista Nova Escola. jul./2013 (com adaptações).
38. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de São Cristóvão - SE | Prova: Professor de
Educação Básica - Português
Catar feijão
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Português - CESPE _______________________ Aula 04 – Português S90 – Sintaxe I - Termos da Oração
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
39. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: CGM de João Pessoa - PB | Prova: Técnico Municipal
de Controle Interno
Texto CB2A1AAA
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa prejuízo, temos o
“jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega uma pessoa precisando pagar sua conta
que vence naquele dia e pede para passar na frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
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A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação ruim com a lei
geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto de que essa regra universal produz
legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários
públicos do meu país. Agora, se eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é
meu amigo ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho” se
confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser obrigatoriamente tratado com
igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a existência do jeitinho como ponte negativa entre a
lei e a pessoa especial que dela se livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente
aristocrático, que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o presidente a
passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses casos de amortecimento,
esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho hábito que insiste em situar certos cargos e
as pessoas que os empossam como acima da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que
colocam certas pessoas (negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.
Em “temos o ‘jeitinho’ virando corrupção” (l. 10 - 11), os termos ‘jeitinho’ e “corrupção” funcionam como
complementos diretos da forma verbal “temos”.
40. Ano: 2017 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-PE | Provas: Conhecimentos Básicos - Cargos 1 e 2
Texto CB1A1AAA
O debate sobre direitos civis e regime democrático é um importante tema na agenda de construção da
cidadania. Embora certas nações possuam um governo e instituições representativas, parece haver nelas um
óbice na constituição de uma cidadania integral, especialmente na efetividade dos direitos civis.
A evolução dos direitos da cidadania se amparou na liberdade individual para reivindicar participação na
comunidade política com o surgimento dos governos representativos. Mesmo assim, há problemas, pois, de
acordo com T. H. Marshall, “os direitos civis deram poderes legais cujo uso foi drasticamente prejudicado
por preconceito de classe e falta de oportunidade econômica”. A estrutura social e econômica não favoreceu
o exercício efetivo da igualdade formal atribuída ao cidadão. Marshall aborda essa questão enfatizando que
o status de cidadão confere igualdade formal aos indivíduos, ainda que o sistema de classes sociais gere
desigualdade real.
Em linhas gerais, pode-se afirmar que os direitos civis igualam os indivíduos pela possibilidade legal de terem
liberdades comuns. Os direitos políticos garantem aos indivíduos igualdade de participação na escolha do
governo. Os direitos sociais definem um mínimo de igualdade, considerando-se a desigualdade econômica e
de oportunidades. Responder a esse modelo de forma integrada e aproximar as expectativas do cidadão da
realidade social parece ser o desafio das democracias de massa para obter legitimidade.
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A democracia deve gerar uma cidadania integral (civil, política e social), em que o regime eleitoral é condição
fundamental, embora insuficiente. A democracia eleitoral se revela restrita ao não englobar temas como
direitos sociais e econômicos.
Eduardo José Grin. Democracia e direitos civis: um debate necessário. In: Revista Videre, Dourados, MS,
ano 1, n.º 1, jan. – jun./2009. Internet: <[Link]> (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, julgue o próximo item.
O trecho “um patamar mínimo de igualdade entre os membros da sociedade” (l. 26 e 27) exerce a função de
complemento do verbo “existir” (l.25).
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Conforme recomendação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), deveria ‘existir
um patamar mínimo de igualdade entre os membros da sociedade que outorgue a todos um leque razoável
de opções para exercer sua capacidade de escolha e sua autonomia’.”
Os termos “deveria existir” é uma locução verbal em que o verbo principal “existir” é intransitivo. Se
reorganizarmos a frase na ordem correta do sujeito que pratica a ação verbal, obteremos: "um patamar
mínimo de igualdade (...) deveria existir".
Assim, "um patamar mínimo de igualdade entre os membros da sociedade" funciona como sujeito e não
como complemento. Assim sendo, a afirmativa encontra-se incorreta.
Gabarito: Errado.
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5. Gabarito
1. D
2. B
3. E
4. E
5. A
6. C
7. D
8. C
9. C
10. E
11. CERTO
12. CERTO
13. CERTO
14. ERRADO
15. CERTO
16. ERRADO
17. CERTO
18. CERTO
19. ERRADO
20. CERTO
21. ERRADO
22. ERRADO
23. CERTO
24. CERTO
25. CERTO
26. ERRADO
27. ERRADO
28. ERRADO
29. ERRADO
30. ERRADO
31. ERRADO
32. CERTO
33. ERRADO
34. CERTO
35. ERRADO
36. CERTO
37. ERRADO
38. ERRADO
39. ERRADO
40. ERRADO
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6. Questões comentadas
1. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TJ-CE | Prova: Técnico Judiciário - Área: Judiciária
Texto CGIAI-I
Nem mais como tema literário serve ainda esse assunto de seca. Já cansou quem escreve, cansou quem lê e
cansou principalmente quem o sofre. Parece mesmo que cansou o próprio Deus Nosso Senhor, pois que
afinal, repetindo um gesto sucedido há exatamente um século (o último diz a tradição que foi em 1851),
contra todos os cálculos, contra todas as experiências, ultrapassando os otimismos mais alucinados, fez
começar um inverno no Nordeste durante a primeira quinzena de abril.
Eu estava lá. Assisti mais uma vez à mágica transformação do deserto em jardim do paraíso. E vendo o céu
escurecer bonito, depois de tantos meses de desesperança, os compadres diziam que eu lhes levara o
inverno nas malas. O fato é que, durante a viagem de ida, enquanto o "Constellation" da Panair voava por
cima do colchão compacto de nuvens carregadas de água, me dava uma vontade desesperada de rebocá-las
todas, lá para onde tanta falta faziam, levá-las como rebanho de golfinhos prisioneiros e despejá-las em cheio
sobre os serrotes do Quixadá.
Pois choveu. Encheram-se os açudes, as várzeas deram nado, os rios subiram de barreira a barreira.
Mas ninguém espere muito de um inverno assim tardio. Já se agradece de joelhos o pasto aparentemente
garantido, o gado salvo. Mas não se espera que haja milho. Talvez feijão, desse precoce que dá em dois
meses. E o algodão aguenta, provavelmente. Nada mais.
Assinale a opção em que o segmento apresentado exerce a função sintática de adjunto adverbial de tempo
no texto CGIAl-I.
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COMENTÁRIOS:
b) “(...) Parece mesmo que cansou o próprio Deus Nosso Senhor, pois que afinal, repetindo um gesto
sucedido há exatamente um século (o último diz a tradição que foi em 1851), contra todos os cálculos, (...)”
Os verbos haver ou fazer, no sentido de tempo decorrido, são transitivos diretos sem sujeito. Ou seja, após
o verbo “há”, o termo não preposicionado que virá a seguir é o seu objeto direto (um século).
d) “(...) E vendo o céu escurecer bonito, depois de tantos meses de desesperança, os compadres (...)”
Aqui temos uma locução adverbial de tempo cumprindo a função de adjunto adverbial de tempo.
e) “(...) os compadres diziam que eu lhes levara o inverno nas malas. (...)”
O verbo “levara” é transitivo direto e indireto, o termo “o inverno” se classifica como objeto direto, e “nas
malas” é adjunto adverbial de lugar.
Gabarito: D
2. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TJ-RJ | Prova: TJ-RJ - Técnico Judiciário
Texto CG1A1
Na casa vazia, sozinha com a empregada, já não andava como um soldado, já não precisava tomar cuidado.
Mas sentia falta da batalha das ruas. Melancolia da liberdade, com o horizonte ainda tão longe. Dera-se ao
horizonte. Mas a nostalgia do presente. O aprendizado da paciência, o juramento da espera. Do qual talvez
não soubesse jamais se livrar. A tarde transformando-se em interminável e, até todos voltarem para o jantar
e ela poder se tornar com alívio uma filha, era o calor, o livro aberto e depois fechado, uma intuição, o calor:
sentava-se com a cabeça entre as mãos, desesperada. Quando tinha dez anos, relembrou, um menino que a
amava jogara-lhe um rato morto. Porcaria! berrara branca com a ofensa. Fora uma experiência. Jamais
contara a ninguém. Com a cabeça entre as mãos, sentada. Dizia quinze vezes: sou vigorosa, sou vigorosa, sou
vigorosa — depois percebia que apenas prestara atenção à contagem. Suprindo com a quantidade, disse
mais uma vez: sou vigorosa, dezesseis. E já não estava mais à mercê de ninguém. Desesperada porque,
vigorosa, livre, não estava mais à mercê. Perdera a fé. Foi conversar com a empregada, antiga sacerdotisa.
Elas se reconheciam. As duas descalças, de pé na cozinha, a fumaça do fogão. Perdera a fé, mas, à beira da
graça, procurava na empregada apenas o que esta já perdera, não o que ganhara. Fazia-se pois distraída e,
conversando, evitava a conversa. “Ela imagina que na minha idade devo saber mais do que sei e é capaz de
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me ensinar alguma coisa”, pensou, a cabeça entre as mãos, defendendo a ignorância como a um corpo.
Faltavam-lhe elementos, mas não os queria de quem já os esquecera. A grande espera fazia parte. Dentro
da vastidão, maquinando.
Clarice Lispector. Preciosidade. In: Laços de Família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 86-87 (com
adaptações).
No trecho “Foi conversar com a empregada, antiga sacerdotisa”, do texto CG1A1, a expressão “antiga
sacerdotisa”
a) exerce a função de complemento indireto de “conversar”, introduzindo uma nova personagem que
participa da conversa na cozinha.
c) constitui uma oração coordenada, embora não seja introduzida pela conjunção “e”.
d) funciona sintaticamente como predicativo, uma vez que se refere ao sujeito de “Foi”.
COMENTÁRIOS:
a) De fato, o verbo “conversar” projeta na sentença um complemento indireto, só que não à antiga
sacerdotisa e sim à empregada, que é o núcleo do objeto indireto de “conversar”. O termo nominal “antiga
sacerdotisa” está se juntando ao substantivo (empregada) para ampliar o seu significado, logo, a sua
classificação é de aposto.
b) A alternativa está correta em seu inteiro teor. Aposto é um termo acessório utilizado para elucidar ou
exemplificar uma expressão anterior a ele. Em outras palavras, é um acréscimo, em que a sentença continua
fazendo sentido mesmo sem a informação fornecida pelo aposto. Esse termo pode ser separado com
vírgulas, travessão, dois pontos ou não.
c) Para ser uma oração precisa-se de verbo e o próprio enunciado pergunta explicitamente sobre o termo
“antiga sacerdotisa”, que não é um verbo e sim um aposto.
d) Não funciona como predicativo, uma vez que o termo “antiga sacerdotisa” não se refere ao sujeito oculto
“foi” e sim à empregada.
e) O termo vocativo é utilizado para expressar o ato de "chamar", "invocar" ou "interpelar" uma pessoa real
ou fictícia (interlocutor). O que não ocorre no caso em tela. Normalmente, o vocativo é separado por vírgulas
quando a pausa é breve, ou com ponto de exclamação, interrogação ou reticências, quando a pausa é
prolongada.
Assim sendo, após examinar cada alternativa individualmente, podemos concluir que a assertiva correta é a
letra B.
Gabarito: B
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3. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TRT - 8ª Região | Prova: Analista Judiciário - Área
Administrativa
Texto CG1A1
O capitalismo de vigilância é uma mutação do capitalismo da informação, o que nos coloca diante de um
desafio civilizacional. As Big Techs — seguidas por outras firmas, laboratórios e governos — usam tecnologias
da informação e comunicação (TIC) para expropriar a experiência humana, que se torna matéria-prima
processada e mercantilizada como dados comportamentais. O usuário cede gratuitamente as suas
informações ao concordar com termos de uso, utilizar serviços gratuitos ou, simplesmente, circular em
espaços onde as máquinas estão presentes.
A condição para a emergência do capitalismo de vigilância foi a expansão das tecnologias digitais na vida
cotidiana, dado o sucesso do modelo de personalização de alguns produtos no início dos anos 2000. No terço
final do século XX, estavam criadas as condições para uma terceira modernidade, voltada a valores e
expectativas dos indivíduos.
Outras circunstâncias foram ocasionais: o estouro da bolha da internet em 2000 e os ataques terroristas do
11 de setembro. A primeira provocou a retração dos investimentos nas startups, o que levou a Google a
explorar comercialmente os dados dos usuários de seus serviços. Para se prevenir contra novos ataques, as
autoridades norte-americanas tornaram-se ávidas de programas de monitoramento dos usuários da Internet
e se associaram às empresas de tecnologia. Por sua vez, a Google passou a vender dados a empresas de
outros setores, criando um mercado de comportamentos futuros. Assim, instaurou-se uma nova divisão do
aprendizado entre os que controlam os meios de extração da mais-valia comportamental e os seus
destinatários.
a) objeto direto.
b) objeto indireto.
c) sujeito.
d) complemento nominal.
e) aposto.
COMENTÁRIOS:
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“Outras circunstâncias foram ocasionais: o estouro da bolha da internet em 2000 e os ataques terroristas do
11 de setembro.”
Aposto é um termo acessório utilizado para elucidar, explicar, especificar, comentar, identificar ou
exemplificar uma expressão anterior a ele. O aposto acompanha um substantivo, um pronome ou um verbo
de uma oração. Esse termo pode ser separado com vírgulas, travessão, dois pontos ou não.
Perceba que a após a inserção dos dois pontos, o trecho a seguir aparece no sentido de explicar quais foram
as outras circunstâncias ocasionais, ou seja, o estouro da bolha da internet e os ataques terroristas. Portanto,
podemos concluir que o trecho classifica-se como um aposto. A alternativa correta é a letra E.
Gabarito: E
4. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-PB | Prova: Técnico em Perícia - Área Geral
Texto CG2A1
A cultura dominante, hoje mundializada, se estrutura ao redor da vontade de poder que se traduz por
vontade de dominação da natureza, do outro, dos povos e dos mercados. Os meios de comunicação levam
ao paroxismo a magnificação de todo tipo de violência. Nessa cultura, o militar, o banqueiro e o especulador
valem mais que o poeta, o filósofo e o santo. Nos processos de socialização formal e informal, ela não cria
mediações para uma cultura da paz. Sem detalhar a questão, diríamos que por detrás da violência funcionam
poderosas estruturas. A primeira delas é o caos sempre presente no processo cosmogênico. Viemos de uma
imensa explosão, o big bang. E a evolução comporta violência em todas as suas fases. Em segundo lugar,
somos herdeiros da cultura patriarcal que instaurou a dominação do homem sobre a mulher e criou as
instituições do patriarcado assentadas sobre mecanismos de violência como o Estado, as classes, o projeto
da tecnociência, os processos de produção como objetivação da natureza e sua sistemática depredação. Em
terceiro lugar, essa cultura patriarcal gestou a guerra como forma de resolução dos conflitos. Sobre essa
vasta base se formou a cultura do capital, hoje globalizada; sua lógica é a competição, e não a cooperação;
por isso, gera guerras econômicas e políticas e, com isso, desigualdades, injustiças e violências. Todas essas
forças se articulam estruturalmente para consolidar a cultura da violência que nos desumaniza a todos. A
essa cultura da violência há que se opor a cultura da paz. Hoje ela é imperativa. É imperativa, porque as
forças de destruição estão ameaçando, por todas as partes, o pacto social mínimo sem o qual regredimos a
níveis de barbárie. Onde buscar as inspirações para a cultura da paz? A singularidade do 1% de carga genética
que nos separa dos primatas superiores reside no fato de que nós, à distinção deles, somos seres sociais e
cooperativos. Ao lado de estruturas de agressividade, temos capacidades de afetividade, compaixão,
solidariedade e amorização. O ser humano é o único ser que pode intervir nos processos da natureza e
copilotar a marcha da evolução. Ele foi criado criador. Dispõe de recursos de reengenharia da violência
mediante processos civilizatórios de contenção e uso de racionalidade. Há muito que filósofos veem no
cuidado a essência do ser humano. Tudo precisa de cuidado para continuar a existir. Onde vige cuidado de
uns para com os outros desaparece o medo, origem secreta de toda violência, como analisou Freud.
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No trecho “Viemos de uma imensa explosão, o big bang”, do texto CG2A1, na expressão “big bang” a vírgula
foi empregada com a finalidade de
e) introduzir um aposto.
COMENTÁRIOS:
Aposto é um termo acessório utilizado para elucidar, explicar, especificar, comentar, identificar ou
exemplificar uma expressão anterior a ele. O aposto acompanha um substantivo, um pronome ou um verbo
de uma oração. Esse termo pode ser separado com vírgulas, travessão, dois pontos ou não.
Observe que a finalidade da vírgula, no trecho em tela, foi isolar o nome big bang, que faz referência ao
termo anterior “uma imensa explosão”. Ou seja, big bag é nome da imensa explosão que viemos. Dessa
forma, podemos concluir que se trata de um aposto. A alternativa correta é a letra E.
Gabarito: E
5. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-RO | Prova: Escrivão de Polícia
Texto CG2A1-I
Direito e justiça são conceitos que se entrelaçam, a tal ponto de serem considerados uma só coisa pela
consciência social. Fala-se no direito com o sentido de justiça, e vice-versa. Sabe-se, entretanto, que nem
sempre eles andam juntos. Nem tudo o que é direito é justo e nem tudo o que é justo é direito. Isso acontece
porque a ideia de justiça engloba valores inerentes ao ser humano, transcendentais, como a liberdade, a
igualdade, a fraternidade, a dignidade, a equidade, a honestidade, a moralidade, a segurança, enfim, tudo
aquilo que vem sendo chamado de direito natural desde a Antiguidade. O direito, por seu turno, é uma
invenção humana, um fenômeno histórico e cultural concebido como técnica para a pacificação social e a
realização da justiça.
Em suma, enquanto a justiça é um sistema aberto de valores, em constante mutação, o direito é um conjunto
de princípios e regras destinado a realizá-la. E nem sempre o direito alcança esse desiderato, quer por não
ter acompanhado as transformações sociais, quer pela incapacidade daqueles que o conceberam, quer,
ainda, por falta de disposição política para implementá-lo, tornando-se, por isso, um direito injusto.
É possível dizer que a justiça está para o direito como o horizonte está para cada um de nós. Quanto mais
caminhamos em direção ao horizonte — dez passos, cem passos, mil passos —, mais ele se afasta de nós, na
mesma proporção. Nem por isso o horizonte deixa de ser importante, porque é ele que nos permite
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caminhar. De maneira análoga, o direito, na permanente busca da justiça, está sempre caminhando, em
constante evolução.
Nesse compasso, a finalidade da justiça é a transformação social, a construção de uma sociedade justa, livre,
solidária e fraterna, sem preconceitos, sem pobreza e sem desigualdades sociais. A criação de um direito
justo, com efetivo poder transformador da sociedade, entretanto, não é obra apenas do legislador, mas
também, e principalmente, de todos os operadores do direito, de sorte que, se ainda não temos uma
sociedade justa, é porque temos falhado nessa sagrada missão de bem interpretar e aplicar o direito.
Sergio Cavalieri Filho. Direito, justiça e sociedade. In: Revista da EMERJ, v. 5, n.º 8, 2002, p. 58-60 (com
adaptações).
Assinale a opção em que o segmento apresentado funciona como sujeito de uma oração no último parágrafo
do texto CG2A1-I.
a) “a finalidade da justiça”
c) “transformação social”
COMENTÁRIOS:
Cada termo que está sublinhado representa o sujeito do verbo "é", ou seja, é o sujeito dessa ação verbal.
b) “A criação de um direito justo, com efetivo poder transformador da sociedade, entretanto, não é obra
apenas do legislador (...)”.
A criação de um direito justo é o sujeito do verbo "é", e o termo mencionado na alternativa está sendo
conectado ao sujeito por um verbo de ligação, sendo assim, é um predicativo do sujeito.
A finalidade da justiça é o sujeito do verbo "é", e o termo mencionado na alternativa está sendo conectado
ao sujeito por um verbo de ligação, portanto, é um predicativo do sujeito.
d) “(...) a finalidade da justiça é a transformação social, a construção de uma sociedade justa, livre, solidária
e fraterna, sem preconceitos, sem pobreza e sem desigualdades sociais.”
O sujeito do verbo "é" é a finalidade da justiça, o termo indicado pela assertiva está sendo ligado ao sujeito
por um verbo de ligação, assim, é um predicativo do sujeito; todos os termos sublinhados são predicativos
do sujeito.
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e) “A criação de um direito justo, com efetivo poder transformador da sociedade, entretanto, não é obra
apenas do legislador, mas também, e principalmente, de todos os operadores do direito, de sorte que, se
ainda não temos uma sociedade justa, é porque temos falhado nessa sagrada missão de bem interpretar e
aplicar o direito.”
A expressão sublinhada é uma explicação do direito justo, ou seja, trata-se de um aposto explicativo desse
termo.
Portanto, após examinar cada alternativa, atestamos que o gabarito da questão é a letra A.
Gabarito: A
6. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: COREN-CE | Prova: Enfermeiro Fiscal
Texto CG1A1-I
Era o jogo da decisão final do Campeonato Mineiro: Atlético contra América. Torcíamos apaixonadamente
pelo América, não só por ser o time de nossa predileção, mas porque meu irmão Gérson ia jogar de goleiro,
em substituição ao famoso Princesa, que estava contundido.
Gérson me reservou a primeira surpresa: tinha me arranjado um uniforme completo do time do América,
para que eu entrasse no campo como mascote.
Só o fato de sair do vestiário em meio aos jogadores de verdade já me enchia de emoção. Gérson me
conduzia pela mão, quando nos alinhamos para fazer o cumprimento de praxe à assistência. Depois os
jogadores se espalharam, fazendo exercícios de aquecimento. Fiquei por ali, ciscando entre um e outro, a
viver a minha grande emoção.
Aos cinco minutos do término da partida, Jico Leite se choca violentamente com Nariz e rola no chão,
contundido.
Pânico nas hostes americanas: todos os reservas já haviam entrado em campo, não sobrara ninguém para
substituições. Que fazer? Segundo as regras daquele tempo, time nenhum podia jogar desfalcado.
Gérson vem correndo até o banco dos reservas, fala qualquer coisa ao ouvido do treinador, me apontando,
e este se volta para mim, com ar grave:
E aconteceu. Jorivê deu a saída do meio de campo, atrasou para Pimentão, que adiantou para Jacy. Caieira
rouba-lhe a bola, passando para Chafir. Chico Preto aliviou, pondo para fora num chutão.
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Chafir fez a cobrança da lateral, dando de presente para Negrão, que, sem perda de tempo, acionou Bezerra.
Quando eu, estrategicamente colocado no setor direito, já pensava que não daria tempo sequer de intervir
numa só jogada, eis que Bezerra faz com que a bola venha rolando até mim.
Depois de dominá-la, driblei Nariz e tabelei com meu companheiro. Este passou ao Jorivê, enquanto eu me
deslocava para recebê-la de volta. Então disparei num pique, sob o delírio da assistência, e lá fui eu com
minhas perninhas curtas, driblei um, outro, deixei para trás a defesa adversária. Kafunga abria os braços
gigantescos, achei que queria me pegar, e não a bola. Fiz que chutava, como se fosse encobri-lo, ele pulou.
Então passei com bola e tudo por entre as pernas dele e marquei o gol da vitória.
Foi aquela ovação, a torcida delirava. Logo em seguida soou o apito final, e meus companheiros de equipe
correram para me abraçar e carregar em triunfo.
Fernando Sabino. O menino no espelho. Rio de Janeiro: Record, 1991 (com adaptações).
No trecho “Jorivê deu a saída do meio de campo, atrasou para Pimentão, que adiantou para Jacy. Caieira
rouba-lhe a bola, passando para Chafir”, do décimo parágrafo do texto CG1A1-I, os sujeitos das formas
verbais “atrasou” e “adiantou” e a forma pronominal “lhe” têm como referentes, respectivamente,
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“E aconteceu. Jorivê deu a saída do meio de campo, atrasou para Pimentão, que adiantou para Jacy. Caieira
rouba-lhe a bola, passando para Chafir. Chico Preto aliviou, pondo para fora num chutão.”
Para identificar os sujeitos das formas verbais mencionadas, é suficiente questionar o verbo da seguinte
maneira:
Quem adiantou a bola para Jacy? Pimentão, que já havia recebido de Jorivê.
Portanto, os sujeitos das formas verbais “atrasou” e “adiantou” e a forma pronominal “lhe” têm como
referentes, respectivamente: Jorivê, Pimentão e Jacy.
Gabarito: C
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7. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-AP | Prova: Analista Ministerial
Texto CG1A1-II
À área da linguística que se ocupa em contribuir para a solução de problemas judiciais e que auxilia também
na compreensão de discursos e interações produzidos em ambiente jurídico chamamos de linguística
forense. Pouco ainda se fala e se conhece sobre a aplicação da linguística à esfera forense, apesar de muitos
crimes serem cometidos unicamente ou parcialmente por meio da língua, como a calúnia, a injúria, a
difamação, a ameaça, o estelionato e a extorsão.
Ao produzir um texto, oral ou escrito, o sujeito lança mão de um vasto repertório lexical e regras de
ordenação sintática pertencentes à gramática de seu idioma. Entretanto, esse arranjo não é feito da mesma
forma por diferentes pessoas. Ao falarmos ou ao escrevermos, organizamos o material linguístico que está
disponível em nosso acervo mental de uma forma única, afinal cada indivíduo constituiu seu vocabulário a
partir de experiências também únicas. Isso significa que imprimimos nosso estilo em nossos textos, deixando
nele nossa “assinatura”. Esse uso individual do idioma é chamado de idioleto, ou seja, é como se fosse um
dialeto pessoal, uma marca identitária daquele indivíduo. Embasada nisso, a linguística forense procura
desenvolver metodologias que auxiliem no processo de atribuição de autoria de um determinado texto.
Welton Pereira e Silva. Linguística forense: como o linguista pode contribuir em uma demanda judicial? In:
Roseta, v. 2, n.º 2, 2019 (com adaptações).
e) é composto.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“À área da linguística que se ocupa em contribuir para a solução de problemas judiciais e que auxilia também
na compreensão de discursos e interações produzidos em ambiente jurídico chamamos (nós) de linguística
forense.”
Observe que a oração principal é aquela que está sublinhada. Além disso, note que a letra "à" que precede
a palavra "área" está acentuada (com crase), indicando a presença de uma preposição. Portanto, devemos
reestruturar a oração principal na forma direta, que fica assim:
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Portanto, o sujeito da oração principal está elíptico e corresponde à primeira pessoa do plural, sendo o
gabarito da questão a letra D.
a) A partícula "se" não torna o sujeito indeterminado, pois ela é uma parte essencial do verbo: ela se ocupa,
ou seja, a área da linguística que se ocupa.
b) “À área da linguística" está preposicionado. Dessa forma, não pode ser sujeito.
Gabarito: D
8. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-MG | Prova: Conhecimentos Gerais e Específicos -
Cargos: 1, 2, 4, 5 e 7
Texto CG1A1-I
No meio científico, é insuficiente — aliás, é perigoso — produzir apenas um grupo de profissionais pequeno,
altamente competente e bem remunerado. Um esforço combinado que vise transmitir a todos os cidadãos
a ciência — por meio de rádio, TV, cinema, jornais, livros, programas de computadores, parques temáticos,
salas de aula — deve pautar-se em quatro razões principais.
Mesmo que nem sempre possibilite ao cientista um bom emprego, a ciência pode ser o caminho propício
para vencer a pobreza nas nações emergentes. Ela faz funcionar a economia e a civilização global.
A ciência nos alerta contra os perigos introduzidos por tecnologias que alteram o mundo, especialmente o
meio ambiente de que nossas vidas dependem. Assim, a ciência providencia um sistema essencial de alerta
antecipado.
A ciência nos esclarece sobre as questões mais profundas das origens, das naturezas e dos destinos — de
nossa espécie, da vida, de nosso planeta, do Universo. A longo prazo, a maior dádiva da ciência talvez seja
nos ensinar, de um modo ainda não superado por nenhum outro empenho humano, alguma coisa sobre
nosso contexto cósmico, sobre o ponto do espaço e do tempo em que estamos, e sobre quem nós somos.
Descobrir a gota ocasional da verdade no meio de um grande oceano de confusão e mistificação requer
vigilância, dedicação e coragem. Mas, se não praticarmos esses hábitos rigorosos de pensar, não poderemos
ter esperança de solucionar os problemas verdadeiramente sérios que enfrentamos.
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Carl Sagan. Ciência e esperança. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela
no escuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 58-9 (com adaptações).
No texto CG1A1-I, em “não poderemos ter esperança de solucionar os problemas verdadeiramente sérios”
(último parágrafo), o trecho “de solucionar os problemas verdadeiramente sérios”
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Descobrir a gota ocasional da verdade no meio de um grande oceano de confusão e mistificação requer
vigilância, dedicação e coragem. Mas, se não praticarmos esses hábitos rigorosos de pensar, não poderemos
ter esperança de solucionar os problemas verdadeiramente sérios que enfrentamos.”
"Esperança" é um substantivo abstrato, sem existência própria. O acréscimo "de solucionar os problemas
verdadeiramente sérios" é um complemento nominal, pois complementa o sentido de um substantivo.
O complemento nominal é o elemento que complementa o significado de uma palavra que não seja um
verbo. Dessa forma, ele pode se referir a substantivos, adjetivos ou advérbios, sempre mediante o uso de
uma preposição. O complemento nominal representa aquele que recebe, o paciente, o alvo da declaração
expressa por um nome.
Gabarito: C
9. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MRE | Prova: Oficial de Chancelaria
Texto 1A1-I
Machado de Assis viria a sofrer, no governo do presidente Prudente de Morais, o que considerou uma grave
injustiça. Julgando lhe ser agradável e querendo deixar-lhe mais tempo livre para seus trabalhos literários, o
novo ministro, Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda — pai do grande tribuno parlamentar Maurício de
Lacerda e avô de Carlos Lacerda — resolveu substituir Machado de Assis na Diretoria de Viação, que então
ocupava, deixando-o como simples adido à Secretaria de Estado, percebendo os vencimentos que lhe
competissem. Machado ficou muito magoado, achando que o ministro o julgara um inútil. Queixou-se muito,
em cartas aos amigos, não se conformando em ficar de braços cruzados, ganhando o dinheiro da nação sem
trabalhar. Foi durante esse período que escreveu uma de suas obras-primas, Dom Casmurro; sempre
demonstrara, em seus romances, contos e crônicas, profunda aversão aos parasitas. E era sincero. Não
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queria ser um deles. E não sossegou enquanto não voltou à atividade, embora diminuído funcionalmente:
de diretor de um departamento, passou a ser simples secretário do ministro Severino Vieira. Quando este se
demitiu, no governo de Campos Sales, para candidatar-se ao governo da Bahia, o ministro da justiça, Epitácio
Pessoa, nomeado para substituir interinamente Severino Vieira, não se deu bem com Machado de Assis.
Jovem, irrequieto, Epitácio estava então veraneando em Petrópolis. Pela manhã, atendia ao expediente da
pasta da justiça. À tarde, ia para o outro ministério, onde Machado de Assis lhe fazia minuciosas exposições
sobre cada assunto, apresentando-lhe em seguida as minutas dos despachos. Epitácio queria sempre
abreviar as exposições, a fim de não perder a barca que saía da Prainha para Mauá, no fundo da baía, de
onde, nos fins do século XIX, partia o trem para Petrópolis. Algumas vezes perdeu a barca, só tomando a
segunda e chegando à casa já em plena noite. Por isso, um dia disse a respeito de Machado: “Grande escritor,
mas péssimo secretário!”. Talvez Machado, sem o dizer, pensasse a mesma coisa de Epitácio: “Moço
inteligente, mas muito afobado para ser um bom ministro!”.
Machado passou vários anos constrangido e humilhado até encontrar, em Lauro Müller — o grande ministro
da viação que iniciou as obras do Porto do Rio de Janeiro e fez construir a Avenida Central, hoje Avenida Rio
Branco — quem lhe fizesse justiça. Lauro Müller fez Machado voltar a ser diretor.
Raymundo Magalhães Jr. Machado de Assis funcionário público. In: Revista do Serviço Público, Brasília,
56(2), abr. – jun./2005, p. 237-248 (com adaptações).
A forma pronominal “lhe”, em “Julgando lhe ser agradável” (segundo período do primeiro parágrafo do texto
1A1-I), exerce a função de
a) complemento indireto da forma verbal “Julgando”, referindo-se ao ministro Sebastião Eurico Gonçalves
de Lacerda.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Julgando lhe ser agradável e querendo deixar-lhe mais tempo livre para seus trabalhos literários, o novo
ministro, Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda — pai do grande tribuno parlamentar Maurício de Lacerda
e avô de Carlos Lacerda — resolveu substituir Machado de Assis na Diretoria de Viação.”
“Julgando lhe ser agradável, Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda resolveu substituir Machado de Assis na
Diretoria de Viação”.
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No trecho destacado, "Agradável" necessita de um complemento nominal para ter seu sentido completo,
indicando a quem seria agradável. Nesse contexto, "lhe" atua como complemento nominal de "agradável",
fornecendo a informação de "a quem";
Para identificar a quem “lhe” faz referência: “Julgando ser agradável a quem?” A Machado de Assis.
a) "Julgar" é um verbo transitivo direto e tem como complemento direto a expressão "ser agradável".
"Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda" é o sujeito da oração.
b) "Julgar" é um verbo transitivo direto e tem como complemento direto a expressão "ser agradável".
"Prudente de Morais" funciona como aposto especificativo do termo "Presidente", que foi mencionado
anteriormente em um trecho com valor adverbial.
e) "Lhe" está relacionado a Machado de Assis, mas funciona como complemento nominal de "agradável".
"Julgar" é um verbo transitivo direto e tem como complemento direto a expressão "ser agradável".
Gabarito: C
10. Ano: 2017 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TRE-PE | Prova: Conhecimentos Gerais
Texto CG1A1AAA
Na teoria constitucional moderna, cidadão é o indivíduo que tem um vínculo jurídico com o Estado, sendo
portador de direitos e deveres fixados por determinada estrutura legal (Constituição, leis), que lhe confere,
ainda, a nacionalidade. Cidadãos, em tese, são livres e iguais perante a lei, porém súditos do Estado.
Como lembra Marilena Chaui, a cidadania se define pelos princípios da democracia, significando
necessariamente conquista e consolidação social e política. A cidadania requer instituições, mediações e
comportamentos próprios, constituindo-se na criação de espaços sociais de lutas (movimentos sociais,
sindicais e populares) e na definição de instituições permanentes para a expressão política, como partidos,
legislação e órgãos do poder público. Distingue-se, portanto, a cidadania passiva, aquela que é outorgada
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pelo Estado, com a ideia moral do favor e da tutela, da cidadania ativa, aquela que institui o cidadão como
portador de direitos e deveres, mas essencialmente criador de direitos para abrir novos espaços de
participação política.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“O advento da democracia social (sujeito) acrescentou (verbo transitivo direto e indireto), àqueles direitos
do indivíduo (objeto indireto), os direitos trabalhistas (objeto direto) ou direitos a prestações de natureza
social reclamadas ao Estado (educação, saúde, seguridade e previdência).”
a) A expressão "os direitos trabalhistas" não tem a finalidade de restringir, mas sim de acrescentar à ideia de
"direitos do indivíduo".
b) O sujeito da forma verbal "acrescentou" pode ser identificado ao questionarmos quem realiza a ação. A
resposta correta seria "democracia social", e não "os direitos trabalhistas".
c) A expressão "os direitos trabalhistas" não funciona como um exemplo dos "direitos do indivíduo", mas sim
como um complemento a esses direitos.
d) A expressão em discussão não se encontra na posição de aposto, o qual é um termo que explica, resume
ou identifica outro termo.
e) A expressão "os direitos trabalhistas" completa o significado da forma verbal "acrescentou"; é o objeto
direto do verbo, respondendo à pergunta "acrescentou o quê?".
Gabarito: E
11. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-RJ | Prova: Analista de Controle Externo -
Especialidade: Ciências Contábeis
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A ideia de cultura foi cunhada e batizada no terceiro quartel do século XVIII como termo sintético para
designar a administração do pensamento e do comportamento humanos. A palavra “cultura” não nasceu
como um termo descritivo, uma forma reduzida para as já alcançadas, observadas e registradas regras de
conduta de toda uma população. Só cerca de um século mais tarde, quando os gerentes da cultura olharam
em retrospecto para aquilo que tinham passado a ver como criação sua e, seguindo o exemplo de Deus na
criação do mundo, com carga positiva, é que “cultura” passou a significar a forma como um tipo regular e
“normativamente regulado” de conduta humana diferia de outro, sob outro gerenciamento. A ideia de
cultura nasceu com uma declaração de intenções.
O termo “cultura” entrou no vocabulário como o nome de uma atividade intencional. No limiar da Era
Moderna, homens e mulheres, não mais aceitos como “um dado não problematizado”, como elos
preordenados na cadeia da criação divina (“divina” como algo inegociável e com o qual não devemos nos
imiscuir), indispensáveis, ainda que sórdidos, torpes e deixando muito a desejar, passaram a ser vistos ao
mesmo tempo como maleáveis e terrivelmente carentes de ajustes e melhoras. O termo “cultura” foi
concebido no interior de uma família de conceitos que incluía expressões como “cultivo”, “lavoura”,
“criação” — todos significando aperfeiçoamento, seja na prevenção de um prejuízo, seja na interrupção e
reversão da deterioração. O que o agricultor fazia com a semente por meio de atenção cuidadosa, desde a
semeadura até a colheita, podia e devia ser feito com os incipientes seres humanos pela educação e pelo
treinamento. As pessoas não nasciam, eram feitas. Precisavam tornar-se humanas — e, nesse processo de
se tornar humanas (uma trajetória cheia de obstáculos e armadilhas que elas não seriam capazes de evitar
nem poderiam negociar, caso fossem deixadas por sua própria conta), teriam de ser guiadas por outros
seres humanos, educados e treinados na arte de educar e treinar seres humanos.
O termo “cultura” apareceu no vocabulário menos de cem anos depois de outro conceito moderno crucial,
o de “gerenciar”, que significa, segundo o Oxford English Dictionary: “forçar (pessoas, animais etc.) a se
submeter ao controle de alguém”, “exercer efeito sobre”, “ter sucesso em realizar”. E mais de cem anos
antes de outro sintético, de “gerenciamento”, o de “obter sucesso ou sair-se bem”. Gerenciar, em suma,
significava conseguir que as coisas fossem feitas de uma forma que as pessoas não fariam por conta própria
e sem ajuda. Significava redirecionar eventos segundo motivos e desejo próprios. Em outras palavras,
“gerenciar” (controlar o fluxo de eventos) veio a significar a manipulação de probabilidades: fazer a
ocorrência de certas condutas (iniciais ou reativas) de “pessoas, animais etc.” mais provável, ou, de
preferência, totalmente improvável a ocorrência de outros movimentos. Em última instância, “gerenciar”
significa limitar a liberdade do gerenciado.
Zygmunt Bauman. Vida líquida. Carlos Alberto Medeiros (Trad.). Rio de Janeiro: Zahar, 2009 (com
adaptações)
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item subsequente.
O sujeito da oração “teriam de ser guiadas por outros seres humanos” está oculto e se refere ao termo “As
pessoas”.
COMENTÁRIOS:
A questão em tela exige que o candidato empregue dois saberes simultaneamente, a saber, o
reconhecimento dos tipos de sujeito e o funcionamento dos mecanismos de coerência. Vamos analisar
primeiro o trecho:
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“As pessoas não nasciam, eram feitas. Precisavam tornar-se humanas — e, nesse processo de se tornar
humanas (uma trajetória cheia de obstáculos e armadilhas que elas não seriam capazes de evitar nem
poderiam negociar, caso fossem deixadas por sua própria conta), teriam de ser guiadas por outros seres
humanos, (...)”
O sujeito da oração “teriam de ser guiadas por outros seres humanos” está oculto e se refere ao termo “As
pessoas”.
De fato, a afirmação está correta, pois o sujeito da frase sublinhada acima é o termo “As pessoas”. Isso ocorre
porque temos, na frase sublinhada, um sujeito implícito, que é representado pela desinência verbal ou pelo
contexto.
Agora, passemos ao funcionamento dos mecanismos de coerência, mais especificamente à coerência por
elipse. A coerência por elipse acontece quando uma ou mais palavras são omitidas em determinada frase ou
período, sem comprometer o sentido. Observe que, para evitar a repetição do termo “As pessoas”, o texto
o omite, porém deixa claro para o leitor que se refere ao sujeito da frase destacada no enunciado. Portanto,
podemos concluir que a afirmativa está correta.
Gabarito: CERTO
12. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDUC-AL | Prova: Professor - Português
Texto 14A1-I
As línguas são, de certo ponto de vista, totalmente equivalentes quanto ao que podem expressar, e o fazem
com igual facilidade (embora lançando mão de recursos bem diferentes). Entretanto, dois fatores dificultam
a aplicação de algumas línguas a certos assuntos: um, objetivo, a deficiência de vocabulário; outro, subjetivo,
a existência de preconceitos.
É preciso saber distinguir claramente os méritos de uma língua dos méritos (culturais, científicos ou literários)
daquilo que ela serve para expressar. Por exemplo, se a literatura francesa é particularmente importante,
isso não quer dizer que a língua francesa seja superior às outras línguas para a expressão literária. O
desenvolvimento de uma literatura é decorrência de fatores históricos independentes da estrutura da língua;
a qualidade da literatura francesa diz algo dos méritos da cultura dos povos de língua francesa, não de uma
imaginária vantagem literária de se utilizar o francês como veículo de expressão. Victor Hugo poderia ter
sido tão importante quanto foi mesmo se falasse outra língua — desde que pertencesse a uma cultura
equivalente, em grau de adiantamento, riqueza de tradição intelectual etc., à cultura francesa de seu tempo.
Igualmente, sabe-se que a maior fonte de trabalhos científicos da contemporaneidade são as instituições e
os pesquisadores norte-americanos; isso fez do inglês a língua científica internacional. Todavia, se os fatores
históricos que produziram a supremacia científica norte-americana se tivessem verificado, por exemplo, na
Holanda, o holandês nos estaria servindo exatamente tão bem quanto o inglês o faz agora. Não há no inglês
traços estruturais intrínsecos que o façam superior ao holandês como língua adequada à expressão de
conceitos científicos.
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Não se conhece caso em que o desenvolvimento da superioridade literária ou científica de um povo possa
ser claramente atribuído à qualidade da língua desse povo. Ao contrário, as grandes literaturas e os grandes
movimentos científicos surgem nas grandes nações (as mais ricas, as mais livres de restrições ao pensamento
e também — ai de nós! — as mais poderosas política e militarmente). O desenvolvimento dos diversos
aspectos materiais e culturais de uma nação se dá mais ou menos harmoniosamente; a ciência e a arte são
também produtos da riqueza e da estabilidade de uma sociedade.
O maior perigo que correm as línguas, hoje em dia, é o de não desenvolverem vocabulário técnico e científico
suficiente para acompanhar a corrida tecnológica. Se a defasagem chegar a ser muito grande, os próprios
falantes acabarão optando por utilizar uma língua estrangeira ao tratarem de assuntos científicos e técnicos.
Mário A. Perini. O rock português (a melhor língua para fazer ciência). In: Ciência Hoje, 1994 (com
adaptações).
No trecho “dois fatores dificultam a aplicação de algumas línguas a certos assuntos” (segundo período do
primeiro parágrafo), a expressão “dois fatores” funciona como sujeito simples.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Entretanto, dois fatores dificultam a aplicação de algumas línguas a certos assuntos: um, objetivo, a
deficiência de vocabulário; outro, subjetivo, a existência de preconceitos.”
O sujeito é o termo essencial da oração que estabelece concordância com o verbo, dessa forma, percebemos
que o termo “dois fatores” exerce, no contexto da oração, a função de sujeito simples, pois estabelece
concordância com o verbo “dificultam”. Ademais, o sujeito simples é aquele que apresenta apenas um
núcleo, isto é, no caso em tela, o termo “fatores” é o núcleo que concorda com o verbo “dificultam”, sendo
o termo “dois” o numeral que acompanha o sujeito. Assim sendo, podemos atestar que a afirmativa está
correta.
Gabarito: CERTO
13. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPC-SC | Prova: Analista de Contas Públicas - Direito
Texto CB1A1-II
A palavra “corrupção” tem origem nas palavras latinas corruptio e corrumpere, que indicam algo que foi
corrompido, deturpado. Por ela ser um termo polissêmico, entendemos que a sua história conceitual é
incerta. É usual o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista, como algo resultante da falta de
caráter dos indivíduos. Contudo, tal abordagem não apresenta validade científica, já que moral é um atributo
individual, dotado de subjetividade e culturalmente circunscrito.
A manifestação de práticas corruptas pode-se dar em ambientes públicos ou privados, a partir de numerosos
tipos de ação e em variada magnitude. Em todos os casos, a corrupção sempre se materializa a partir de
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trocas entre os agentes. Em relação a quem participa da troca corrupta, em situações nas quais há
participação de agentes públicos, distinguem-se três tipos de corrupção: a grande corrupção, a corrupção
burocrática (a pequena corrupção) e a corrupção legislativa. A primeira normalmente se refere a atos da
elite política que cria políticas econômicas que a beneficiem. A segunda tem a ver com atos da burocracia
em relação aos superiores hierárquicos ou ao público. A terceira se relaciona à compra de votos dos
legisladores.
Nas três formas, encontramos algum tipo de pagamento. Isso nos leva a concluir que a corrupção tem uma
natureza essencialmente econômica: ela é uma troca socialmente indesejada. Com isso, queremos dizer que,
apesar de não se configurar necessariamente como ilegal em todos os seus tipos, ela se configura como um
jogo de soma zero entre a sociedade e os participantes do ato corrupto.
Luiz Fernando Vasconcellos de Miranda. Corrupção: debate conceitual. In: Cláudio André de Souza (org).
Dicionário das eleições. Curitiba: Juruá, 2020, p. 209-210 (com adaptações).
No terceiro período do primeiro parágrafo, o termo “o tratamento da corrupção sob uma perspectiva
moralista” desempenha a função de sujeito.
COMENTÁRIOS:
A afirmação aborda a sintaxe e busca determinar se, no terceiro período do primeiro parágrafo, a expressão
“o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista” desempenha a função de sujeito. Vamos
analisar:
“É usual o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista, como algo resultante da falta de caráter
dos indivíduos."
“O tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista" constitui o sujeito do verbo "é", em ordem
direta, temos: “o tratamento da corrupção sob uma perspectiva moralista é usual". Portanto, podemos
chegar à conclusão de que a afirmativa está correta.
Gabarito: CERTO
14. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PG-DF | Prova: Analista Jurídico - Administração
Texto CB1A1
A palavra sonho significa muitas coisas diferentes: “o sonho da minha vida” e “meu sonho de consumo” são
expressões usadas pelas pessoas para dizer que pretendem ou conseguiram alcançar algo. Todo mundo tem
um sonho, no sentido de plano futuro. Todo mundo deseja algo que não tem. Por que será que o sonho,
fenômeno normalmente noturno que tanto pode evocar o prazer quanto o medo, é justamente a palavra
usada para designar tudo aquilo que se quer ter?
O repertório publicitário contemporâneo não tem dúvidas de que o sonho é a força motriz de nossos
comportamentos, a motivação íntima de nossa ação exterior. Desejo é o sinônimo mais preciso da palavra
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“sonho”. Na área de desembarque de um aeroporto nos Estados Unidos, uma foto enorme de um casal belo
e sorridente, velejando num mar caribenho em dia ensolarado, sob a frase enigmática: “Aonde seus sonhos
o levarão?”, embaixo o logotipo da empresa de cartão de crédito. Deduz-se do anúncio que os sonhos são
como veleiros, capazes de levar-nos a lugares idílicos, perfeitos, altamente… desejáveis. As equações “sonho
é igual a desejo, que é igual a dinheiro” têm como variável oculta a liberdade de ir, ser e principalmente ter,
liberdade que até os mais miseráveis podem experimentar no mundo de regras frouxas do sonho noturno,
mas que no sonho diurno é privilégio apenas dos detentores de um mágico cartão plástico.
Entretanto, a rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria
dos trabalhadores, são cruciais para o mal-estar da civilização contemporânea. É gritante o contraste entre
a relevância motivacional do sonho e sua banalização no mundo industrial globalizado. No século XXI, a busca
pelo sono perdido envolve rastreadores de sono, colchões high-tech, máquinas de estimulação sonora,
pijamas com biossensores, robôs para ajudar a dormir e uma cornucópia de remédios. A indústria da saúde
do sono, um setor que cresce aceleradamente, tem valor estimado entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares.
Mesmo assim impera a insônia. Se o tempo é sempre escasso, se despertamos diariamente com o toque
insistente do despertador, ainda sonolentos e já atrasados para cumprir compromissos que se renovam ao
infinito, se tão poucos se lembram de que sonham pela simples falta de oportunidade de contemplar a vida
interior, quando a insônia grassa e o bocejo se impõe, chega-se a duvidar da sobrevivência do sonho.
E, no entanto, sonha-se. Sonha-se muito e a granel, sonha-se sofregamente apesar das luzes e dos ruídos da
cidade, da incessante faina da vida e da tristeza das perspectivas.
Sidarta Ribeiro. O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho. São Paulo: Companhia das Letras, 2019,
p. 19-20 (com adaptações)
No trecho “a rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria dos
trabalhadores, são cruciais para o mal-estar da civilização contemporânea”, o pronome “que” exerce a
função de sujeito das formas verbais “acometem” e “são”, as quais estão empregadas no plural porque
concordam com o antecedente desse pronome: o sujeito composto “a rotina do trabalho diário e a falta de
tempo”.
COMENTÁRIOS:
“a rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria dos
trabalhadores, são cruciais para o mal-estar da civilização contemporânea.”
1ª - A oração principal:
“a rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, são cruciais para o mal-estar da
civilização contemporânea.”
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A explicação para o plural na flexão das duas formas verbais é diferente. Cada verbo encontra-se em uma
oração, e as relações de concordância se dão dentro dessas orações.
A forma “acometem” encontra-se dentro da oração adjetiva “que acometem a maioria dos trabalhadores”
e, nesse caso, aplica-se a explicação apresentada no item, qual seja, a de que esse verbo concorda com o
pronome relativo “que”, o qual se refere ao sujeito composto “a rotina do trabalho diário e a falta de tempo
para dormir e sonhar”.
Por sua vez, a forma verbal “são”, encontra-se na oração principal “a rotina do trabalho diário e a falta de
tempo para dormir e sonhar... são cruciais para o mal-estar da civilização contemporânea”. Nesse caso, não
existe pronome relativo na oração; a concordância se dá entre o verbo e o próprio sujeito composto “A rotina
do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar”. Portanto, podemos concluir que a afirmativa
está incorreta.
Gabarito: ERRADO
15. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-SC | Prova: Promotor de Justiça Substituto
Texto 2A2-II
A origem da instituição Ministério Público (MP) não é facilmente situada na história, não sendo possível
precisar ou afirmar com certeza a data e o local nos quais se tenha originado.
No Brasil, a figura do promotor de justiça só surge em 1609, quando é regulamentado o Tribunal de Relação
na Bahia. No Império, tratava-se a instituição no Código de Processo Criminal, sem nenhuma referência
constitucional. Somente na Constituição de 1824, foram criados o Supremo Tribunal de Justiça e os tribunais
de relação, nomeando-se desembargadores, procuradores da Coroa, conhecidos como “chefe do parquet”.
No entanto, a expressão “Ministério Público” só seria utilizada no Decreto n.º 5.618, de 2 de maio de 1874.
Foi na Constituição de 1891 que, pela primeira vez, o MP mereceu uma referência no texto fundamental. Já
a Constituição Federal de 16 de julho de 1934 dispensou um tratamento mais alentador ao MP, definindo-
lhe algumas atribuições básicas. As Constituições de 1946 a 1967 pouco disseram acerca do MP. A grande
fase do MP foi inaugurada com a Constituição Federal de 1988 (CF), cujos termos são absolutamente
inovadores, mesmo no nível internacional. A Constituição de 1988 é dotada de um capítulo próprio sobre o
MP. Atendendo às características federais do Estado brasileiro, a CF trata do Ministério Público da União e
daquele dos diversos estados-membros da Federação. A CF declara o MP como instituição permanente e
essencial à função jurídica, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos
interesses sociais e individuais indisponíveis.
No último período do texto, o segmento “como instituição permanente e essencial à função jurídica”
funciona, sintaticamente, como predicativo do termo “o MP”.
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COMENTÁRIOS:
“A CF (sujeito) declara (verbo transitivo direto, ou seja, quem declara, declara algo) o MP (objeto direto)
como instituição permanente e essencial à função jurídica (predicativo do objeto direto), incumbindo-lhe a
defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.”
Em outras palavras, a CF se classifica como o sujeito da oração; “declara” é verbo transitivo direto, isto é,
quem declara, declara algo. Nesse caso CF declara o MP. Ou seja, o MP é objeto direto do verbo declara. Em
seguida, na oração temos um trecho que transmite uma característica, uma qualidade ao MP: A CF declara
o MP como instituição permanente e essencial à função jurídica. Dessa forma, podemos concluir que o trecho
se trata de um predicativo do objeto direto. A afirmativa está correta.
Gabarito: CERTO
16. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Telebras | Prova: Especialista em Gestão de
Telecomunicações – Advogado
É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se
entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?
“Pois não?”
“Sim?”
“Pomba! Um... um... Que cabeça a minha! A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples,
conhecidíssima.”
“Sim, senhor.”
“Sim, senhor.”
“O quê, cavalheiro?”
“Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto
de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é
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mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra
ponta; a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha.
Entende?”
“Infelizmente, cavalheiro...”
“Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?”
Acerca das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.
Assim como o termo ‘cavalheiro’ em ‘Posso ajudá-lo, cavalheiro?’ (segundo parágrafo), o termo ‘senhor’, em
‘O senhor vai dar risada quando souber’ (nono parágrafo), exerce função de vocativo no texto, dado que é
empregado para chamar, de forma cordial, o interlocutor.
COMENTÁRIOS:
O termo vocativo é utilizado para expressar o ato de "chamar", "invocar" ou "interpelar" uma pessoa real ou
fictícia (interlocutor) e não tem função sintática. Normalmente, ele é separado por vírgulas quando a pausa
é breve, ou com ponto de exclamação, interrogação ou reticências, quando a pausa é prolongada. Agora,
vamos analisar o trecho:
Perceba que a sentença em negrito não aparece com as pontuações citadas acima, isto é, vírgula ou pontos
de exclamação, interrogação. Ademais o termo “o senhor” é classificado como o sujeito dessa oração, assim
sendo, não pode ser vocativo, visto que o mesmo não tem função sintática. Portanto, podemos concluir que
a afirmativa está incorreta.
Gabarito: ERRADO
17. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEE-PE | Prova: Analista em Gestão Educacional - Direito
Texto CG101-I
Alguns idiomas fictícios foram criados especialmente para a série Game of Thrones. Daí surgiram palavras e
expressões bem conhecidas pelos fãs, como “dracarys” – palavra que a personagem Daenerys Targ Aryen
(Emilia Clarke) usa para mandar seus dragões cuspirem fogo. A palavra faz parte do alto valiriano, uma língua
muito presente no decorrer da trama dos Targaryen e que apareceu de novo em House of the Dragon, spin-
off de Game of Thrones.
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A Antiga Valíria era um antigo império localizado em Essos, continente a leste de Westeros. Ela é pouco
mencionada na série, pois não existe mais, mas sua língua (o alto valiriano) ainda é usada por uma elite
seleta. Seria como falar latim clássico na Europa medieval.
Segundo As Crônicas de Gelo e Fogo, livros escritos por George R. R. Martin que inspiraram a série, o alto
valiriano não seria uma linguagem de comunicação cotidiana, mas utilizada pela nobreza na literatura e na
música. Ao longo do tempo, o idioma originou dialetos simplificados, falados em várias regiões, como o baixo
valiriano, sendo possível traçar um paralelo com o latim clássico e o latim vulgar. Daenerys, inclusive, domina
e usa estrategicamente ambas as variações.
No alto valiriano, idioma do mundo de GOT, diferentemente do português, há quatro gêneros gramaticais,
divididos entre lunares, solares, terrestres ou aquáticos. Nomes que se referem a humanos são geralmente
lunares; profissões e partes do corpo, solares; alimentos e plantas são terrestres; e os líquidos são aquáticos.
Acerca dos sentidos e aspectos linguísticos do texto CG101-I, julgue o item que se segue.
No primeiro parágrafo, o trecho “uma língua ... House of the Dragon” (terceiro período) está entre vírgulas
porque funciona como aposto explicativo do termo “alto valiriano”.
COMENTÁRIOS:
O fragmento "uma língua muito presente no decorrer da trama dos Targaryen e que apareceu de novo em
House of the Dragon" está isolado por vírgulas devido ao seu papel como aposto oracional explicativo do
termo "alto valiriano". As vírgulas são utilizadas para delimitar informações adicionais ou explicativas que
não são essenciais para a compreensão da frase principal. Nesse caso, o fragmento entre vírgulas fornece
informações sobre o alto valiriano, esclarecendo sua importância na trama e sua reaparição na série derivada
"House of the Dragon". Qual explicação para o alto valiriano? É "Uma língua muito presente no decorrer da
trama dos Targaryen e que apareceu de novo em House of the Dragon". Sendo assim, a afirmativa está
correta.
Gabarito: CERTO
18. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: BNB | Prova: Analista de Sistemas - Desenvolvimento
de Sistemas
Texto CG1A1-II
A crescente adoção do conceito de tecnologias sociais ocorre concomitantemente com o avanço de dois
conceitos que lhe são complementares: economia solidária e capital social. As graves consequências do
capitalismo e da globalização, refletidas em altos índices de desemprego, aumento de índices de violência e
criminalidade, aprofundamento da pobreza e da degradação ambiental, não podem ser abordadas por
projetos paternalistas e compensatórios. Ao contrário, requerem estudos aprofundados sobre um novo tipo
de desenvolvimento. O professor Henrique Rattner pontua que, entre os cientistas sociais que se debruçam
sobre os fracassos do desenvolvimento e suas causas, em todos os debates travados nos últimos anos, o
conceito de capital social tem ocupado espaço crescente. O capital social, segundo Rattner, procura trabalhar
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com a necessidade gregária, o espírito de cooperação e os valores de apoio mútuo e solidariedade, com base
na “eficiência social coletiva”.
Capital social, segundo o estudioso John Durston, é o conjunto de normas, instituições e organizações que
promovem a confiança, a ajuda recíproca e a cooperação e que incorporam benefícios como redução dos
custos de transação, produção de bens públicos e facilitação da constituição de organizações de gestão de
bases efetivas, de atores sociais e de sociedades civis saudáveis. Sua importância está na busca de estratégias
de superação da pobreza e de integração de setores sociais excluídos.
No Brasil, nas últimas décadas, tem havido uma multiplicação de experiências baseadas no conceito de
economia solidária. Diferentemente de iniciativas meramente paliativas, como respostas emergenciais a
situações de pobreza e miséria, há agora uma interpretação de que essas experiências devam ser uma base
para a reconstrução do tecido social. Como diz o pesquisador Luis Inácio Gaiger, elas “constituiriam uma ação
geradora de embriões de novas formas de produção e estimuladora de alternativas de vida econômica e
social”.
Ivete Rodrigues e José Carlos Barbieri. A emergência da tecnologia social: revisitando o movimento da
tecnologia apropriada como estratégia de desenvolvimento sustentável. In: Revista de Administração
Pública – FGV, Rio de Janeiro, 42(6):1069-94, nov./dez. 2008 (com alterações).
A respeito dos aspectos linguísticos e estruturais do texto CG1A1-II, julgue o item subsecutivo.
No quarto período do primeiro parágrafo, o trecho “em todos os debates travados nos últimos anos”
encontra-se isolado por vírgulas por constituir uma expressão adverbial deslocada.
COMENTÁRIOS:
“(...) O professor Henrique Rattner pontua que, entre os cientistas sociais que se debruçam sobre os fracassos
do desenvolvimento e suas causas, em todos os debates travados nos últimos anos, o conceito de capital
social tem ocupado espaço crescente. O capital social, segundo Rattner, procura trabalhar com a necessidade
gregária, o espírito de cooperação e os valores de apoio mútuo e solidariedade, com base na “eficiência
social coletiva"."
O termo delimitado por vírgulas é um adjunto adverbial que expressa simultaneamente lugar e tempo. A
ordem direta correspondente seria a seguinte: o conceito de capital social tem ocupado espaço crescente
em todos os debates travados nos últimos anos. Esse adjunto adverbial está relacionado à expressão "tem
ocupado". Quando um adjunto adverbial está fora de sua posição original e possui mais de duas palavras,
deve ser separado por vírgulas. Portanto, a afirmativa está correta.
Gabarito: CERTO
19. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDUC-AL | Prova: Professor - Português
Teoria do medalhão
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(diálogo)
— Saiu o último conviva do nosso modesto jantar. Com que, meu peralta, chegaste aos teus vinte e um anos.
Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de 1854, vinhas tu à luz, um pirralho de nada, e estás homem, longos
bigodes, alguns namoros...
— Papai...
— Não te ponhas com denguices, e falemos como dois amigos sérios. Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas
importantes. Senta-te e conversemos. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma, podes entrar no
parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Há
infinitas carreiras diante de ti. Vinte e um anos, meu rapaz, formam apenas a primeira sílaba do nosso
destino. (...) Mas qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre,
ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum. (...)
— Sim, senhor.
— Entretanto, assim como é de boa economia guardar um pão para a velhice, assim também é de boa prática
social acautelar um ofício para a hipótese de que os outros falhem, ou não indenizem suficientemente o
esforço da nossa ambição. É isto o que te aconselho hoje, dia da tua maioridade.
— Nenhum me parece mais útil e cabido que o de medalhão. Ser medalhão foi o sonho da minha mocidade;
faltaram-me, porém, as instruções de um pai, e acabo como vês, sem outra consolação e relevo moral, além
das esperanças que deposito em ti. Ouve-me bem, meu querido filho, ouve-me e entende. (...)
— Entendo.
— Venhamos ao principal. Uma vez entrado na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres
de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente (...).
— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste
nobre ofício. Não me refiro tanto à fidelidade com que repetes numa sala as opiniões ouvidas numa esquina,
e vice-versa, porque esse fato, posto indique certa carência de ideias, ainda assim pode não passar de uma
traição da memória. Não; refiro-me ao gesto correto e perfilado com que usas expender francamente as tuas
simpatias ou antipatias acerca do corte de um colete, das dimensões de um chapéu, do ranger ou calar das
botas novas. Eis aí um sintoma eloquente, eis aí uma esperança. No entanto, podendo acontecer que, com
a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias, urge aparelhar fortemente o espírito. As ideias são
de sua natureza espontâneas e súbitas; por mais que as soframos, elas irrompem e precipitam-se. Daí a
certeza com que o vulgo, cujo faro é extremamente delicado, distingue o medalhão completo do medalhão
incompleto.
Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: 50 contos escolhidos de Machado de Assis. Seleção, introdução
e notas de John Gledson. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 82-83 (com adaptações).
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No último período do texto, o termo “do medalhão incompleto” exerce a função sintática de adjunto
adnominal.
COMENTÁRIOS:
“Daí a certeza com que o vulgo, cujo faro é extremamente delicado, distingue o medalhão completo do
medalhão incompleto.”
Quem distingue, distingue algo de alguma coisa. Ou seja, o verbo “distinguir” classifica-se como transitivo
direto e indireto, assim sendo, nesse caso, o termo “o medalhão completo” é o seu objeto direto e o termo
“do medalhão incompleto” o seu objeto indireto. Portanto, podemos atestar que a afirmativa está incorreta.
Gabarito: ERRADO
20. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TJ-ES | Prova: Analista Judiciário - Área Administrativa
Texto CG1A1-I
A apropriação colonial das terras indígenas muitas vezes se iniciava com alguma alegação genérica de que
os povos forrageadores viviam em um estado de natureza — o que significava que eram considerados parte
da terra, mas sem nenhum direito a sua propriedade. A base para o desalojamento, por sua vez, tinha como
premissa a ideia de que os habitantes daquelas terras não trabalhavam. Esse argumento remonta ao
Segundo tratado sobre o governo (1690), de John Locke, em que o autor defendia que os direitos de
propriedade decorrem necessariamente do trabalho. Ao trabalhar a terra, o indivíduo “mistura seu trabalho”
a ela; nesse sentido, a terra se torna, de certo modo, uma extensão do indivíduo. Os nativos preguiçosos,
segundo os discípulos de Locke, não faziam isso. Não eram, segundo os lockianos, “proprietários de terras
que faziam melhorias”; apenas as usavam para atender às suas necessidades básicas com o mínimo de
esforço.
James Tully, uma autoridade em direitos indígenas, aponta as implicações históricas desse pensamento:
considera-se vaga a terra usada para a caça e a coleta e, “se os povos aborígenes tentam submeter os
europeus a suas leis e costumes ou defender os territórios que durante milhares de anos tinham
erroneamente pensado serem seus, então são eles que violam o direito natural e podem ser punidos ou
‘destruídos’ como animais selvagens”. Da mesma forma, o estereótipo do nativo indolente e despreocupado,
levando uma vida sem ambições materiais, foi utilizado por milhares de conquistadores, administradores de
latifúndios e funcionários coloniais europeus na Ásia, na África, na América Latina e na Oceania como
pretexto para obrigar os povos nativos ao trabalho, com meios que iam desde a escravização pura e simples
ao pagamento de taxas punitivas, corveias e servidão por dívida.
David Graeber e David Wengrow. O despertar de tudo: uma nova história da humanidade. São Paulo: Cia
das Letras, 2022, p. 169-170 (com adaptações).
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No último período do segundo parágrafo, a oração “para obrigar os povos nativos ao trabalho” funciona
como complemento do termo “pretexto”.
COMENTÁRIOS:
“(...) foi utilizado por milhares de conquistadores, administradores de latifúndios e funcionários coloniais
europeus na Ásia, na África, na América Latina e na Oceania como pretexto para obrigar os povos nativos
ao trabalho, (...)”
Quando analisamos o texto, a primeira coisa que pensamos é que, a parte sublinhada se trata de uma oração
subordinada adverbial de finalidade, visto que se inicia pelo termo “para”. Todavia, essa classificação de
oração deve se ligar a um verbo, o que não ocorre no caso em tela, pois o termo sublinhado está
completando o sentido de um substantivo (pretexto), ou seja, é um complemento nominal. Portanto,
podemos confirmar que a afirmativa está correta.
Gabarito: CERTO
21. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPC-SC | Prova: Técnico em Atividades Administrativas
Texto CB2A1-I
A astrônoma Jocelyn Bell Burnell disse sobre Ron Drever: “Ele realmente curtia ser tão engenhoso”. Ela tinha
ido da Irlanda do Norte para Glasgow para estudar física e Drever foi arbitrariamente designado para ser seu
supervisor. Ele contava ao grupo de seus poucos orientandos as ideias mais interessantes que surgiam em
sua mente, inclusive as que levaram ao experimento de Hughes-Drever (embora ela não tivesse se dado
conta de que ele o realizara no quintal da propriedade rural de sua família), mas nenhuma que os ajudasse
a passar nos exames. Após a frustração inicial, ao ver que ele não ia ajudá-la em seu dever de casa de física
de estado sólido, ela acabou admirando seu profundo entendimento de física fundamental e seu notável
talento como pesquisador.
Drever, por sua vez, seria influenciado pelas iminentes e vitais descobertas de sua ex-aluna de graduação. A
respeito de Bell Burnell, disse: “Ela também era obviamente melhor do que a maioria deles… então cheguei
a conhecê-la muito bem”. Drever escreveu uma carta de recomendação para apoiar o pedido de emprego
dela à principal instalação de radioastronomia na Inglaterra, em meados da década de 60, Jodrell Bank. Mas,
ele continua, “não a admitiram, e a história conta que foi porque era mulher. Mas isso não é oficial, você
sabe. Ela ficou muito desapontada”. Drever acrescenta, esperando que se reconheça a obviedade daquele
absurdo: “Sua segunda opção era ir para Cambridge. Vê como são as coisas?”. Ele considerou isso uma
reviravolta muito feliz. “Então ela foi para Cambridge e descobriu pulsares. Vê como são as coisas?”, ele diz,
rindo.
Janna Levin. A música do universo: ondas gravitacionais e a maior descoberta científica dos últimos cem
anos. São Paulo, Cia. das Letras, 2016, p. 103-104 (com adaptações).
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No trecho “Drever acrescenta, esperando que se reconheça a obviedade daquele absurdo” (segundo
parágrafo), o segmento “esperando que se reconheça a obviedade daquele absurdo” é o complemento
verbal de “acrescenta”.
COMENTÁRIOS:
Drever acrescenta, esperando que se reconheça a obviedade daquele absurdo: “Sua segunda opção era ir
para Cambridge. Vê como são as coisas?”
O segmento “esperando que se reconheça a obviedade daquele absurdo” tem natureza adverbial que
poderia deslocado, por exemplo:
Se fosse complemento verbal, não seria capaz de existir a vírgula, uma vez que nesta estrutura:
sujeito/verbo/complemento, não se utiliza vírgula para separar informações essenciais da oração. Portanto
podemos concluir que a afirmativa está incorreta.
Gabarito: ERRADO
22. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PGE-RJ | Prova: PGE-RJ - Analista Contábil
Texto CG1A1-I
Em 721, um concílio romano presidido pelo papa Gregório II proibiu o casamento com uma commater, isto
é, a madrinha de um filho, ou a mãe de um filho de quem se fosse padrinho. Isso levou o papado a se alinhar
com a legislação promulgada, algumas décadas antes, em Bizâncio. A adoção marcadamente rápida desses
princípios sugere que o clero franco já sustentava concepções similares. Isso é ilustrado por um caso curioso
contado por um clérigo franco anônimo, em 727. Ele censurava a maneira traiçoeira pela qual a infame
concubina Fredegunda havia conseguido se tornar a esposa legal do rei Quilpérico. Durante uma longa
ausência do rei, ela persuadira sua rival, a rainha Audovera, a tornar-se madrinha da própria filha recém-
nascida. Assim, a ingênua Audovera foi subitamente transformada na commater de seu próprio marido,
impossibilitando qualquer relação conjugal posterior e deixando o caminho livre para Fredegunda.
Essa artimanha mostra que, poucos anos após o concílio romano de 721, o autor anônimo e seu público
estavam bem familiarizados com os impedimentos derivados do parentesco espiritual. Não fosse o caso,
seria impossível acusar Fredegunda de seu ardiloso truque. As cartas do missionário Bonifácio conferem
testemunho adicional a esse fato. Em 735, ele perguntou ao bispo escocês Pethlem se era permitido que
alguém se casasse com uma viúva que era mãe de seu afilhado. “Todos os padres da Gália e na terra dos
francos afirmavam que isso era um pecado grave”, escreveu ele. Soava-lhe estranho, já que ele nunca ouvira
falar nisso antes. A questão devia preocupá-lo porque, no mesmo ano, escreveu a respeito para dois outros
clérigos anglo-saxões. Evidentemente, o missionário até então não estava familiarizado com esse
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impedimento ao casamento, embora o clero continental, a quem ele se dirigia, considerasse a questão muito
grave.
Mayke De Jong, Nos limites do parentesco: legislação anti-incesto na Alta Idade Média ocidental (500-
900). In: Jan Bremmer (Org.). De Safo a Sade. Momentos na história da sexualidade. Campinas: Papirus,
1995, p. 56-7 (com adaptações).
No terceiro período do segundo parágrafo, a expressão “a esse fato” complementa o termo “adicional”.
COMENTÁRIOS:
“As cartas do missionário Bonifácio” é o sujeito da oração; “conferem” é verbo transitivo direto e indireto,
isto é, quem confere, confere algo a alguém, portanto, o termo “testemunho adicional” é o objeto direto,
sendo “a esse fato” o objeto indireto. Dessa forma, podemos concluir que o termo “a esse fato” não
complementa nominalmente o termo “adicional”, trata-se somente de um complemento verbal de
“conferem”. A afirmativa está incorreta.
Gabarito: ERRADO
23. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-RJ | Prova: Analista de Controle Externo
Texto CB1A2-I
O uso da palavra está, necessariamente, ligado à questão da eficácia. Visando a uma multidão indistinta, a
um grupo definido ou a um auditório privilegiado, o discurso procura sempre produzir um impacto sobre seu
público. Esforça-se, frequentemente, para fazê-lo aderir a uma tese: ele tem, então, uma visada
argumentativa. Mas o discurso também pode, mais modestamente, procurar modificar a orientação dos
modos de ver e de sentir: nesse caso, ele tem uma dimensão argumentativa. Como o uso da palavra se dota
do poder de influenciar seu auditório? Por quais meios verbais, por quais estratégias programadas ou
espontâneas ele assegura a sua força?
Essas questões, das quais se percebe facilmente a importância na prática social, estão no centro de uma
disciplina cujas raízes remontam à Antiguidade: a retórica. Para os antigos, a retórica era uma teoria da fala
eficaz e também uma aprendizagem ao longo da qual os homens da cidade se iniciavam na arte de persuadir.
Com o passar do tempo, entretanto, ela tornou-se, progressivamente, uma arte do bem dizer, reduzindo-se
a um arsenal de figuras. Voltada para os ornamentos do discurso, a retórica chegou a se esquecer de sua
vocação primeira: imprimir ao verbo a capacidade de provocar a convicção. É a esse objetivo que retornam,
atualmente, as reflexões que se desenvolvem na era da democracia e da comunicação.
Ruth Amosy. A argumentação no discurso. São Paulo: Editora Contexto, 2018, p. 7 (com adaptações).
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No primeiro período do texto, o termo “da palavra” complementa o sentido do substantivo “uso”.
COMENTÁRIOS:
“O uso da palavra está, necessariamente, ligado à questão da eficácia. Visando a uma multidão indistinta, a
um grupo definido ou a um auditório privilegiado, o discurso procura sempre produzir um impacto sobre seu
público.”
Perceba que no segmento em tela, o termo “da palavra” tem sentido paciente, ou seja, está sofrendo a ação
de ser usada. Em outras palavras: a palavra é usada. Portanto, podemos concluir que se classifica como um
complemento nominal. A afirmativa está correta.
Gabarito: CERTO
24. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SME do Recife - PE | Prova: Professor II
Texto 8A1-I
O Brasil é um dos países com maior proporção de alunos matriculados em cursos de formação de
professores, mas com um dos mais baixos índices de interesse na profissão. Para especialistas, isso mostra
que a docência se torna opção pela facilidade em ingressar no ensino superior, pelas baixas mensalidades e
pela alternativa de cursos a distância — não pela vocação.
Estudos internacionais mostram que um bom professor é um dos fatores que mais influenciam na
aprendizagem. Os dados são de pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que
traçou o perfil de quem estuda para ser professor na América Latina e no Caribe. Enquanto, no Brasil, 20%
dos universitários estão em cursos como licenciatura e pedagogia, na América Latina são 10% e, em países
desenvolvidos, 8%.
Em compensação, só 5% dos jovens brasileiros dizem querer ser professores quando estão no ensino médio.
E, apesar da grande quantidade de alunos matriculada em cursos de licenciatura e pedagogia no Brasil,
faltam docentes para lecionar disciplinas específicas em áreas de ciências exatas e da natureza.
Na Coreia do Sul, por exemplo, 21% se interessam pela profissão e só 7% ingressam, de fato, na universidade,
porque há muita concorrência e maior seleção. No Chile e no México, os dois índices são mais próximos:
cerca de 7% se interessam pelo magistério e menos de 15% cursam pedagogia ou licenciatura.
“Muitos alunos concluintes do ensino médio entram em programas de formação de professores para
conseguir um título”, diz o economista chefe da divisão de educação no BID, Gregory Elacqua. Ele afirma que
isso não é bom para a educação.
“A gente atrai as pessoas mais vulneráveis e que lá na frente vão enfrentar o desafio de educar crianças
vulneráveis também”, diz a diretora de políticas públicas do Instituto Península, que atua na área de
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formação de professores, Mariana Breim. “Se é este público que está procurando a docência, temos de
abraçá-lo e fazê-lo se apaixonar por ela”, completa. Os dados mostram que 71% dos estudantes de pedagogia
e licenciatura no Brasil são mulheres, índice semelhante ao verificado em outros países latinos.
O emprego de vírgula logo após ‘médio’ (primeiro período do quinto parágrafo) prejudicaria a correção
gramatical do texto, visto que, em regra, sujeito e predicado não devem ser separados por vírgula.
COMENTÁRIOS:
Trecho original:
“Muitos alunos concluintes do ensino médio entram em programas de formação de professores para
conseguir um título”, diz o economista chefe da divisão de educação no BID, Gregory Elacqua.
“Muitos alunos concluintes do ensino médio, entram em programas de formação de professores para
conseguir um título”, diz o economista chefe da divisão de educação no BID, Gregory Elacqua.
Jamais teremos uma vírgula separando o sujeito do predicado/complemento, a menos que existam termos
intercalados, como adjunto adverbial ou aposto. Contudo, é importante destacar que esses períodos no
interior das duas vírgulas pertencem a esses próprios termos, não separando o sujeito do verbo. Em outras
palavras, as vírgulas estão abrindo espaço para a inserção desses termos.
Gabarito: Certo.
25. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEE-PE | Prova: Professor - Língua Portuguesa
Texto 10A1-I
A discussão sobre um gênero neutro na linguagem deriva do uso do gênero gramatical masculino para
denotar homens e mulheres (Todos nessa sala de aula devem entregar o trabalho.) e do feminino específico
(Clarice Lispector é incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século 20.).
Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como gênero não marcado, ou seja, usá-lo não dá a
entender que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres — ele é inespecífico. Por ser algo cotidiano, é
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difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico, mas o tema foi amplamente
discutido por especialistas como uma forma de marcar a hierarquização de gêneros na sociedade,
priorizando o homem e invisibilizando a mulher. O masculino genérico é chamado, inclusive, de falso neutro.
Entretanto, essa abordagem não é unânime no campo da linguística. Para muitos estudiosos, a interpretação
sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua portuguesa.
No latim havia três designações: feminina, masculina e neutra. As formas neutras de adjetivos e substantivos
no latim acabaram absorvidas por palavras de gênero masculino. A única marcação de gênero no português
é o feminino. O neutro estaria, portanto, junto ao masculino.
O Brasil não é o único país onde a linguagem neutra é discutida. Alguns setores acadêmicos, instituições de
ensino e ativistas estadunidenses já consideram usar pronome neutro para se referir a todos, em vez de
recorrer à demarcação de gênero binário.
Especialistas avaliam que a modificação gramatical em línguas latinas pode ser muito mais complexa e
custosa do que no inglês ou no alemão, em que já está em uso o gênero neutro, porque as línguas anglo-
saxônicas em si já oferecem essa opção.
Segundo especialistas, esse tipo de inovação é mais fácil de ocorrer no inglês, em que, com exceção daquelas
palavras herdadas do latim, como actor (ator) e actress (atriz), a flexão de gênero não altera os substantivos
e adjetivos. No caso do português, essa transformação não depende apenas da alteração de um pronome,
porque a flexão de gênero afeta todo o sintagma nominal. Assim, a flexão de gênero é demarcada pela vogal
temática a ou o (como em pesquisadoras brasileiras) e(ou) por meio do artigo a ou o (como em a intérprete).
Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais
inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português.
Segundo explicam esses especialistas, a história de uma língua sempre conta muito sobre a história de seus
falantes, de modo que as coisas que falamos hoje em dia não brotaram da terra nem vieram prontas, mas
dependem da nossa história como humanidade. Nesse sentido, as propostas já existentes seriam os
primeiros passos nesse movimento, e não uma forma final a ser imposta a todos os falantes.
No que se refere à concordância e à morfossintaxe de períodos simples e compostos no texto 10A1-I, julgue
o item subsequente.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Para muitos estudiosos, a interpretação sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua
portuguesa.”
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Os termos "a" e "sexista" são morfologicamente um artigo e um adjetivo, respectivamente. Esses termos
geralmente desempenham a função de adjunto adnominal, pois acompanham um substantivo, neste caso,
"interpretação".
Gabarito: Certo.
26. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de São Cristóvão - SE | Prova: Professor de
Educação Básica
Delicioso e nutritivo, o bacalhau pode ser saboreado assado, grelhado, ensopado, na brasa ou em forma de
bolinhos... São muitas as opções para que você possa consumi-lo o ano todo! Venha experimentar essa
iguaria! Vindo de fornecedores selecionados de Portugal e da Noruega, salgado ou dessalgado, o bacalhau
pode ser encontrado em nossas lojas pelos menores preços.
O trecho “assado, grelhado, ensopado, na brasa ou em forma de bolinhos” (l. 1 e 2) funciona como aposto
de “bacalhau” (l.1).
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Delicioso e nutritivo, o bacalhau pode ser saboreado assado, grelhado, ensopado, na brasa ou em forma de
bolinhos...”
As vírgulas são empregadas para listar os termos que descrevem como o bacalhau pode ser apreciado,
indicando assim um predicativo do sujeito. Assim sendo, a afirmativa está incorreta.
Gabarito: Errado.
27. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: MPE-SC | Prova: Promotor de Justiça Substituto
É o discurso que nos liberta e é o discurso que estabelece os limites da nossa liberdade e nos impulsiona a
transgredir e transcender os limites — já estabelecidos ou ainda a ser estabelecidos no futuro. Discurso é
aquilo que nos faz enquanto nós o fazemos. E é graças ao discurso, e seu ímpeto endêmico de espreitar além
das fronteiras que ele estabelece para a sua própria liberdade, que nosso estar no mundo é um processo de
vir a ser perpétuo — incessante e infinito: nosso vir a ser e o vir a ser do nosso “mundo da vida” — juntar-
se, misturar-se, embora sem solidificar, estreita e inseparavelmente, entrançados e entrelaçados, e
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compartilhando nossos respectivos sucessos e infortúnios, ligados um ao outro para o melhor e para o pior,
desde o momento de nossa concepção simultânea até que a morte nos separe.
O que nós chamamos de “realidade”, quando entramos em um ânimofilosófico, ou “os fatos da questão”
quando seguimos obedientemente as instâncias da doxa, é tecido de palavras. Nenhuma outra realidade nos
é acessível: não acessamos o passado “como ele realmente aconteceu”, o qual Leopold von Ranke
celebremente conclamou (instruiu) seus colegas historiadores do século XIX a recuperar. Comentando sobre
a história de Juan Goytisolo a respeito de um velho, Milan Kundera salienta que a biografia — qualquer
biografia que tente ser o que seu nome sugere — é, e não poderia deixar de ser, uma lógica artificial
inventada, imposta retrospectivamente a uma sucessão incoerente de imagens, reunida pela memória de
partículas e fragmentos. Ele conclui que, em total oposição às presunções do senso comum, o passado
compartilha com o futuro a ruína incurável da irrealidade — esquivando-se/evadindo-se obstinadamente,
como ambos o fazem, das redes tecidas de palavras movidas pela lógica. Não obstante, essa irrealidade é a
única realidade a ser captada e possuída por nós, que “vivemos em discurso como o peixe na água”.
Zygmunt Bauman e Riccardo Mazzeo. O elogio da literatura. Zahar. Edição do Kindle (com adaptações).
Julgue o item que se segue, com relação a aspectos linguísticos do texto precedente.
No terceiro período do segundo parágrafo, o termo “Milan Kundera” funciona como aposto, uma vez que
especifica o termo “um velho”.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Comentando sobre a história de Juan Goytisolo a respeito de um velho, Milan Kundera salienta que a
biografia — qualquer biografia que tente ser o que seu nome sugere — é, e não poderia deixar de ser, uma
lógica artificial inventada, imposta retrospectivamente a uma sucessão incoerente de imagens, reunida pela
memória de partículas e fragmentos.”
Note que Juan Goytisolo é um escritor que escreveu uma história sobre um velho e que Milan Kundera está
fazendo um comentário sobre esse mesmo livro de Juan. A vírgula, nesse caso, separa a oração antecipada
da oração principal, assim, Milan Kundera é classificado como o sujeito e não um aposto.
Gabarito: Errado.
28. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDUC-AL | Prova: Professor - Português
Teoria do medalhão
(diálogo)
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— Saiu o último conviva do nosso modesto jantar. Com que, meu peralta, chegaste aos teus vinte e um anos.
Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de 1854, vinhas tu à luz, um pirralho de nada, e estás homem, longos
bigodes, alguns namoros...
— Papai...
— Não te ponhas com denguices, e falemos como dois amigos sérios. Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas
importantes. Senta-te e conversemos. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma, podes entrar no
parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Há
infinitas carreiras diante de ti. Vinte e um anos, meu rapaz, formam apenas a primeira sílaba do nosso
destino. (...) Mas qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre,
ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum. (...)
— Sim, senhor.
— Entretanto, assim como é de boa economia guardar um pão para a velhice, assim também é de boa prática
social acautelar um ofício para a hipótese de que os outros falhem, ou não indenizem suficientemente o
esforço da nossa ambição. É isto o que te aconselho hoje, dia da tua maioridade.
— Nenhum me parece mais útil e cabido que o de medalhão. Ser medalhão foi o sonho da minha mocidade;
faltaram-me, porém, as instruções de um pai, e acabo como vês, sem outra consolação e relevo moral, além
das esperanças que deposito em ti. Ouve-me bem, meu querido filho, ouve-me e entende. (...)
— Entendo.
— Venhamos ao principal. Uma vez entrado na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres
de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente (...).
— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste
nobre ofício. Não me refiro tanto à fidelidade com que repetes numa sala as opiniões ouvidas numa esquina,
e vice-versa, porque esse fato, posto indique certa carência de ideias, ainda assim pode não passar de uma
traição da memória. Não; refiro-me ao gesto correto e perfilado com que usas expender francamente as tuas
simpatias ou antipatias acerca do corte de um colete, das dimensões de um chapéu, do ranger ou calar das
botas novas. Eis aí um sintoma eloquente, eis aí uma esperança. No entanto, podendo acontecer que, com
a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias, urge aparelhar fortemente o espírito. As ideias são
de sua natureza espontâneas e súbitas; por mais que as soframos, elas irrompem e precipitam-se. Daí a
certeza com que o vulgo, cujo faro é extremamente delicado, distingue o medalhão completo do medalhão
incompleto.
Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: 50 contos escolhidos de Machado de Assis. Seleção, introdução
e notas de John Gledson. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 82-83 (com adaptações).
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Na narrativa, o pai usa diferentes vocativos para se referir ao filho, tais como “meu peralta” e “um pirralho
de nada”, no primeiro parágrafo.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“— Saiu o último conviva do nosso modesto jantar. Com que, meu peralta, chegaste aos teus vinte e um
anos. Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de 1854, vinhas tu à luz, um pirralho de nada, e estás homem,
longos bigodes, alguns namoros...”
No primeiro caso (meu peralta), de fato, estamos diante de um vocativo, pois o pai está se dirigindo
diretamente ao filho. No entanto, no segundo caso (um pirralho de nada), é um predicativo do sujeito do
termo "tu". Portanto, a afirmativa está incorreta.
Gabarito: Errado.
29. Ano: 2023 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SME do Recife - PE | Prova: Professor II
Texto 8A1-I
O Brasil é um dos países com maior proporção de alunos matriculados em cursos de formação de
professores, mas com um dos mais baixos índices de interesse na profissão. Para especialistas, isso mostra
que a docência se torna opção pela facilidade em ingressar no ensino superior, pelas baixas mensalidades e
pela alternativa de cursos a distância — não pela vocação.
Estudos internacionais mostram que um bom professor é um dos fatores que mais influenciam na
aprendizagem. Os dados são de pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que
traçou o perfil de quem estuda para ser professor na América Latina e no Caribe. Enquanto, no Brasil, 20%
dos universitários estão em cursos como licenciatura e pedagogia, na América Latina são 10% e, em países
desenvolvidos, 8%.
Em compensação, só 5% dos jovens brasileiros dizem querer ser professores quando estão no ensino médio.
E, apesar da grande quantidade de alunos matriculada em cursos de licenciatura e pedagogia no Brasil,
faltam docentes para lecionar disciplinas específicas em áreas de ciências exatas e da natureza.
Na Coreia do Sul, por exemplo, 21% se interessam pela profissão e só 7% ingressam, de fato, na universidade,
porque há muita concorrência e maior seleção. No Chile e no México, os dois índices são mais próximos:
cerca de 7% se interessam pelo magistério e menos de 15% cursam pedagogia ou licenciatura.
“Muitos alunos concluintes do ensino médio entram em programas de formação de professores para
conseguir um título”, diz o economista chefe da divisão de educação no BID, Gregory Elacqua. Ele afirma que
isso não é bom para a educação.
“A gente atrai as pessoas mais vulneráveis e que lá na frente vão enfrentar o desafio de educar crianças
vulneráveis também”, diz a diretora de políticas públicas do Instituto Península, que atua na área de
formação de professores, Mariana Breim. “Se é este público que está procurando a docência, temos de
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abraçá-lo e fazê-lo se apaixonar por ela”, completa. Os dados mostram que 71% dos estudantes de pedagogia
e licenciatura no Brasil são mulheres, índice semelhante ao verificado em outros países latinos.
Julgue o item a seguir, no que diz respeito à sintaxe de orações e períodos no texto 8A1-I.
No segundo período do terceiro parágrafo, o termo “docentes” exerce a função sintática de objeto direto.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“E, apesar da grande quantidade de alunos matriculada em cursos de licenciatura e pedagogia no Brasil,
faltam docentes para lecionar disciplinas específicas em áreas de ciências exatas e da natureza.”
Na realidade, o termo "docentes" desempenha a função sintática de sujeito simples do verbo "faltar", já que
este é classificado como um verbo transitivo indireto e intransitivo, ou seja, não requer objeto direto.
Portanto, a afirmativa está errada.
Gabarito: Errado.
30. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: BANRISUL | Provas: Analista de Segurança da
Tecnologia da Informação
O termo “o novo cartão do Banrisul” exerce a função de complemento da forma verbal “Chegou”.
COMENTÁRIOS:
Na realidade, os termos "o novo cartão do Banrisul" desempenham a função de sujeito da oração. Expresso
de maneira direta: "o novo cartão do Banrisul chegou". Além disso, o verbo "chegar" é intransitivo e,
portanto, não requer objeto direto. Assim, a afirmativa está equivocada.
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Gabarito: Errado.
31. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SECONT-ES | Provas: Auditor do Estado - Administração
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca
e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à
frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam
para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas,
às vezes eles se tocavam, e ao toque — a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras — e ao
toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles
admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria
deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela
não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a
grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque
tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e
duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que
eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para
que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo
por não estarem mais distraídos.
Clarice Lispector. Por não estarem distraídos. In: Todas as crônicas. São Paulo: Rocco, 2018, p. 344
No que se refere às ideias e a aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.
No terceiro período do primeiro parágrafo, o termo “brilho” funciona sintaticamente como complemento da
forma verbal “brilhava”.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque — a sede é a graça, mas as águas são
uma beleza de escuras — e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de
admiração. Como eles admiravam estarem juntos!”
Na realidade, o termo "brilho" desempenha sintaticamente a função de sujeito da forma verbal "brilhava".
Além disso, o verbo "brilhar" é intransitivo, o que significa que não requer objeto direto. Portanto, a
afirmativa está incorreta.
Gabarito: Errado.
32. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-RJ | Prova: Analista de Controle Externo
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Texto CB1A2-II
A pseudociência difere da ciência errônea. A ciência prospera com seus erros, eliminando-os um a um.
Conclusões falsas são tiradas todo o tempo, mas elas constituem tentativas. As hipóteses são formuladas de
modo a poderem ser refutadas. Uma sequência de hipóteses alternativas é confrontada com os
experimentos e a observação. A ciência tateia e cambaleia em busca de melhor compreensão. Alguns
sentimentos de propriedade individual são certamente ofendidos quando uma hipótese científica não é
aprovada, mas essas refutações são reconhecidas como centrais para o empreendimento científico.
Talvez a distinção mais clara entre a ciência e a pseudociência seja o fato de que a primeira sabe avaliar com
mais perspicácia as imperfeições e a falibilidade humanas do que a segunda. Se nos recusamos radicalmente
a reconhecer em que pontos somos propensos a cair em erro, podemos ter quase certeza de que o erro nos
acompanhará para sempre. Mas, se somos capazes de uma pequena autoavaliação corajosa, quaisquer que
sejam as reflexões tristes que isso possa provocar, as nossas chances melhoram muito.
Carl Sagan. O mundo assombrado pelos demô[Link]ção de Rosaura Eichemberg. São Paulo:
Companhia das Letras, 2016, p. 39-40 (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB1A2-II, julgue o item que se segue.
No trecho “podemos ter quase certeza de que o erro nos acompanhará para sempre” (terceiro parágrafo), o
pronome “nos” funciona como complemento da forma verbal “acompanhará”.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“de que o erro (sujeito) nos (objeto direto) acompanhará (verbo transitivo direto) para sempre.”
O verbo “acompanhar” é transitivo direto, dessa forma, exige complementação, o que no caso em questão
é expresso pelo pronome "nos". Portanto, a afirmativa está correta.
Gabarito: Certo.
33. Ano: 2022 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: IBAMA | Prova: Técnico Ambiental
Texto CB1A1-I
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Dentro de casa, aumentou a percepção quanto à importância de modelos de consumo mais conscientes e
responsáveis, como a escolha de produtos mais duráveis e menos geradores de resíduos. No entanto, a
transformação mais significativa, que deveria vir das empresas, ainda é relativamente tímida.
A especialista aponta que todos nós, indivíduos, sociedade e empresas, precisamos entender os impactos
desta pandemia no meio ambiente e na sustentabilidade bem como refletir sobre eles e, principalmente,
sobre a sua relação inversa: o impacto da (in)sustentabilidade dos nossos modelos de produção e consumo
como causador desta pandemia. “Toda escolha que fazemos pode ser para apoiar ou não a sustentabilidade”,
diz Mariana. Por outro lado, para que possamos fazer melhores escolhas e praticar o verdadeiro consumo
consciente, é necessário que, em primeiro lugar, as empresas realizem a produção consciente, assumindo
sua verdadeira responsabilidade pelos impactos que causam.
Com relação aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item que se segue.
No segundo período do terceiro parágrafo, a forma pronominal ‘nos’ funciona como complemento das
formas verbais ‘atinjam’ e ‘alcancem’.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
No primeiro caso, de fato, "nos" é complemento do verbo "atinjam". Porém, os termos "o patamar de
epidemias e pandemias" são o complemento do verbo "alcancem". Assim sendo, a afirmativa está incorreta.
Gabarito: Errado.
34. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: SEDUC-AL | Prova: Professor - Português
Texto 14A1-I
As línguas são, de certo ponto de vista, totalmente equivalentes quanto ao que podem expressar, e o fazem
com igual facilidade (embora lançando mão de recursos bem diferentes). Entretanto, dois fatores dificultam
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a aplicação de algumas línguas a certos assuntos: um, objetivo, a deficiência de vocabulário; outro, subjetivo,
a existência de preconceitos.
É preciso saber distinguir claramente os méritos de uma língua dos méritos (culturais, científicos ou literários)
daquilo que ela serve para expressar. Por exemplo, se a literatura francesa é particularmente importante,
isso não quer dizer que a língua francesa seja superior às outras línguas para a expressão literária. O
desenvolvimento de uma literatura é decorrência de fatores históricos independentes da estrutura da língua;
a qualidade da literatura francesa diz algo dos méritos da cultura dos povos de língua francesa, não de uma
imaginária vantagem literária de se utilizar o francês como veículo de expressão. Victor Hugo poderia ter
sido tão importante quanto foi mesmo se falasse outra língua — desde que pertencesse a uma cultura
equivalente, em grau de adiantamento, riqueza de tradição intelectual etc., à cultura francesa de seu tempo.
Igualmente, sabe-se que a maior fonte de trabalhos científicos da contemporaneidade são as instituições e
os pesquisadores norte-americanos; isso fez do inglês a língua científica internacional. Todavia, se os fatores
históricos que produziram a supremacia científica norte-americana se tivessem verificado, por exemplo, na
Holanda, o holandês nos estaria servindo exatamente tão bem quanto o inglês o faz agora. Não há no inglês
traços estruturais intrínsecos que o façam superior ao holandês como língua adequada à expressão de
conceitos científicos.
Não se conhece caso em que o desenvolvimento da superioridade literária ou científica de um povo possa
ser claramente atribuído à qualidade da língua desse povo. Ao contrário, as grandes literaturas e os grandes
movimentos científicos surgem nas grandes nações (as mais ricas, as mais livres de restrições ao pensamento
e também — ai de nós! — as mais poderosas política e militarmente). O desenvolvimento dos diversos
aspectos materiais e culturais de uma nação se dá mais ou menos harmoniosamente; a ciência e a arte são
também produtos da riqueza e da estabilidade de uma sociedade.
O maior perigo que correm as línguas, hoje em dia, é o de não desenvolverem vocabulário técnico e científico
suficiente para acompanhar a corrida tecnológica. Se a defasagem chegar a ser muito grande, os próprios
falantes acabarão optando por utilizar uma língua estrangeira ao tratarem de assuntos científicos e técnicos.
Mário A. Perini. O rock português (a melhor língua para fazer ciência). In: Ciência Hoje, 1994 (com
adaptações).
No último período do segundo parágrafo, o trecho “em grau de adiantamento, riqueza de tradição intelectual
etc.” está entre vírgulas porque se encontra intercalado entre o termo “equivalente” e seu complemento
nominal.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Victor Hugo poderia ter sido tão importante quanto foi mesmo se falasse outra língua — desde que
pertencesse a uma cultura equivalente, em grau de adiantamento, riqueza de tradição intelectual etc., à
cultura francesa de seu tempo.”
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Português - CESPE _______________________ Aula 04 – Português S90 – Sintaxe I - Termos da Oração
A passagem encontrada entre vírgulas é um adjunto adverbial que introduz a circunstância de modo ao
adjetivo "equivalente", sendo, para maior clareza, removida de sua posição original. Ao suprimir a passagem
deslocada, percebe-se que o termo preposicionado "à cultura francesa..." é um complemento nominal do
adjetivo "equivalente":
“Victor Hugo poderia ter sido tão importante quanto foi mesmo se falasse outra língua — desde que
pertencesse a uma cultura equivalente à cultura francesa de seu tempo.” Portanto, a afirmativa está
correta.
Gabarito: Certo.
35. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: PC-AL | Provas: Escrivão de Polícia
Tudo o que vem do povo tem uma lógica, uma razão, uma função. Ele nada faz sem motivo, e o que produz
está geralmente ligado ao comportamento do grupo ou a uma norma social ou de cunho psíquico e religioso,
um traço que vem de tempos longínquos, lá do fundo de nossas raízes, perdidas na noite dos tempos, quando
estávamos em formação. Pastoril, Quilombo, Reisado, Coco-de-Roda, literatura de cordel, festas, tradições,
superstições, contos, mitos, lendas não aparecem por acaso. São elementos da memória popular, que
engloba sentimentos e reações diante da história e das transformações.
Quais as origens do folclore alagoano, quais os componentes culturais que o forjaram? Théo Brandão, com
a autoridade de quem estudou a vida inteira e deixou uma obra irrepreensível sobre o assunto, diz que são
muitas as contribuições na formatação do nosso folclore. E que não é fácil nem simples demarcar a que grupo
pertence uma de suas variantes ou estabelecer com precisão a fronteira de determinada manifestação
folclórica. Afirma que há dúvidas em alguns casos e em outros é inteiramente impossível chegar a uma
conclusão única e definitiva. Cita como exemplo concreto dessas incertezas o caso da dança existente em
várias unidades nordestinas, que aparece ora como Coco, ora como Pagode, ora como Samba.
Instituto Arnon de Mello. Alagoas popular: folguedos e danças de nossa gente. Maceió: IAM, 2013, p. 24
(com adaptações).
Julgue o item seguinte, referentes às ideias, aos sentidos e às construções linguísticas do texto apresentado.
Em “Ele nada faz sem motivo”, o termo “sem motivo” exerce a função de complemento da forma verbal
“faz”.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Ele (sujeito) nada (objeto direto) faz (verbo transitivo direto) sem motivo (adjunto adverbial)”.
Observe que o termo "sem motivo" atua como um adjunto adverbial de condição. Ao isolarmos o termo,
essa função fica ainda mais evidente: "Sem motivo, ele nada faz". Portanto, a afirmativa está incorreta.
Gabarito: Errado.
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36. Ano: 2021 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Polícia Federal | Provas: Escrivão de Polícia Federal
Texto 2A1-I
Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Era uma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que
nunca passou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para o edifício ao lado. E só via as cozinhas.
Quando anoitecia, toda aquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e o ar ficava cheirando
a cebola e alho. Ia-se embora, com alegria até, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde era
possível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia, talvez lhe mostrasse um navio passando.
Claro, arejado.
Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duas camisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios,
uma lavanda, quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha a gaveta. Tinha de desocupar
aquela gaveta. Cinco ou seis cartas guardadas ali.
Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as em ordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e
contava que andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que a parenta já andava desconfiada
de sua tristeza. No fundo de um envelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo, mas era um
pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, um pouco de presença a querer bem.
Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).
Ainda com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente.
No sétimo período do primeiro parágrafo, a forma “lhe” desempenha a função de complemento indireto da
forma verbal “mostrasse” e funciona como elemento de coesão ao retomar o personagem da narrativa.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Ia-se embora, com alegria até, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde era possível ver o
mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia, talvez lhe mostrasse um navio passando.”
No texto, o pronome "lhe" tem o significado de “a ele (a)” exercendo a função de complemento indireto, já
que é objeto indireto do verbo "mostrar", que é "bitransitivo".
Gabarito: Certo.
37. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de São Cristóvão - SE | Prova: Professor de
Educação Básica – Português
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Português - CESPE _______________________ Aula 04 – Português S90 – Sintaxe I - Termos da Oração
A leitura feita pelo aluno talvez seja a modalidade que atualmente mais precise de investimento na escola.
É comum ouvirmos dizer que o computador, a televisão e o video game são os maiores concorrentes da
leitura, e que estão ganhando a disputa. Há uma queixa recorrente dos professores de que os alunos leem
pouco, não leem bem, não entendem o que leem, ou seja, não são leitores fluentes. Mas o que é ler bem? O
que significa fluência leitora?
Ler fluentemente não significa compreender o que se lê, pois é possível ler rapidamente sem entender o
assunto de que trata o texto. A leitura de um texto requer conhecimento de seu propósito pelos alunos, já
que fluência também tem a ver com a intenção da leitura: para que ler, quais estratégias poderão ser
utilizadas e o que se espera ao final. E é importante expor aos alunos esses propósitos em cada atividade.
Costumamos “tomar” um texto sempre com uma intenção, e esta não necessariamente está vinculada ao
gênero. Dessa forma, nem sempre vou ler obras literárias apenas para apreciá-las. Também posso ler para
fazer um estudo sobre a época em que se passa um romance, ou para analisar o estilo empregado pelo autor,
ou ainda para traçar um perfil das personagens. Lemos notícias com intuitos variados, além de nos
informarmos. Podemos ler para conhecer mais sobre outro país, para ampliar nosso conhecimento sobre um
assunto específico, para estudar para uma prova etc. Essa intenção irá determinar minha leitura e a
compreensão que tenho do assunto abordado por aquele texto.
Falamos, portanto, da fluência leitora para alunos que já conquistaram a base alfabética do sistema de
escrita, aqueles que já dominam a escrita e estabelecem relações entre grafemas e fonemas. O leitor que
ainda está preso à decifração dificilmente consegue entender o que aborda o texto lido, pois não utiliza as
estratégias mais adequadas para a compreensão. É necessário um trabalho que o ajude a ir além da leitura
palavra a palavra ou sílaba a sílaba, para buscar outros meios de identificação que permitam tornar a leitura
mais fluente, utilizando paralelamente os processos de decifração e compreensão.
Valquiria Pereira. O que significa fluência leitora? In: Revista Nova Escola. jul./2013 (com adaptações).
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Ler fluentemente não significa compreender o que se lê, pois é possível ler rapidamente sem entender o
assunto de que trata o texto.”
O termo “rapidamente" sempre desempenha a função sintática de adjunto adverbial, pois termina com o
sufixo “mente", e todas as palavras com esse sufixo são classificadas sintaticamente como adjunto adverbial.
Assim sendo, a afirmativa está incorreta.
Gabarito: Errado.
38. Ano: 2019 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: Prefeitura de São Cristóvão - SE | Prova: Professor de
Educação Básica - Português
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Catar feijão
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
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O termo destacado é um adjetivo que se relaciona com o substantivo "grão". Ele desempenha a função
sintática de adjunto adnominal e não de complemento. Dessa forma, a afirmativa está equivocada.
Gabarito: Errado.
39. Ano: 2018 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: CGM de João Pessoa - PB | Prova: Técnico Municipal
de Controle Interno
Texto CB2A1AAA
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa prejuízo, temos o
“jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega uma pessoa precisando pagar sua conta
que vence naquele dia e pede para passar na frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação ruim com a lei
geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto de que essa regra universal produz
legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários
públicos do meu país. Agora, se eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é
meu amigo ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho” se
confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser obrigatoriamente tratado com
igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a existência do jeitinho como ponte negativa entre a
lei e a pessoa especial que dela se livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente
aristocrático, que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o presidente a
passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses casos de amortecimento,
esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho hábito que insiste em situar certos cargos e
as pessoas que os empossam como acima da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que
colocam certas pessoas (negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.
Em “temos o ‘jeitinho’ virando corrupção” (l. 10 - 11), os termos ‘jeitinho’ e “corrupção” funcionam como
complementos diretos da forma verbal “temos”.
COMENTÁRIOS:
Trecho:
Observe que há dois verbos, o que significa que temos duas orações para analisar:
Nós (sujeito oculto) temos (verbo transitivo direto) o ‘jeitinho’ (objeto direto)
No primeiro caso, o termo "jeitinho" é objeto direto e efetivamente complementa a forma verbal "temos".
marcoscg.2018@[Link]
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No segundo caso, "virando corrupção" funciona como predicativo do sujeito, observem que está atribuindo
uma característica ao termo "jeitinho". O termo "virando", neste caso, é classificado como um verbo de
ligação, expressando a ideia de "tornando-se".
Gabarito: Errado.
40. Ano: 2017 | Banca: CESPE / CEBRASPE | Órgão: TCE-PE | Provas: Conhecimentos Básicos - Cargos 1 e 2
Texto CB1A1AAA
O debate sobre direitos civis e regime democrático é um importante tema na agenda de construção da
cidadania. Embora certas nações possuam um governo e instituições representativas, parece haver nelas um
óbice na constituição de uma cidadania integral, especialmente na efetividade dos direitos civis.
A evolução dos direitos da cidadania se amparou na liberdade individual para reivindicar participação na
comunidade política com o surgimento dos governos representativos. Mesmo assim, há problemas, pois, de
acordo com T. H. Marshall, “os direitos civis deram poderes legais cujo uso foi drasticamente prejudicado
por preconceito de classe e falta de oportunidade econômica”. A estrutura social e econômica não favoreceu
o exercício efetivo da igualdade formal atribuída ao cidadão. Marshall aborda essa questão enfatizando que
o status de cidadão confere igualdade formal aos indivíduos, ainda que o sistema de classes sociais gere
desigualdade real.
Em linhas gerais, pode-se afirmar que os direitos civis igualam os indivíduos pela possibilidade legal de terem
liberdades comuns. Os direitos políticos garantem aos indivíduos igualdade de participação na escolha do
governo. Os direitos sociais definem um mínimo de igualdade, considerando-se a desigualdade econômica e
de oportunidades. Responder a esse modelo de forma integrada e aproximar as expectativas do cidadão da
realidade social parece ser o desafio das democracias de massa para obter legitimidade.
A democracia deve gerar uma cidadania integral (civil, política e social), em que o regime eleitoral é condição
fundamental, embora insuficiente. A democracia eleitoral se revela restrita ao não englobar temas como
direitos sociais e econômicos.
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Eduardo José Grin. Democracia e direitos civis: um debate necessário. In: Revista Videre, Dourados, MS,
ano 1, n.º 1, jan. – jun./2009. Internet: <[Link]> (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, julgue o próximo item.
O trecho “um patamar mínimo de igualdade entre os membros da sociedade” (l. 26 e 27) exerce a função de
complemento do verbo “existir” (l.25).
COMENTÁRIOS:
Trecho:
“Conforme recomendação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), deveria ‘existir
um patamar mínimo de igualdade entre os membros da sociedade que outorgue a todos um leque razoável
de opções para exercer sua capacidade de escolha e sua autonomia’.”
Os termos “deveria existir” é uma locução verbal em que o verbo principal “existir” é intransitivo. Se
reorganizarmos a frase na ordem correta do sujeito que pratica a ação verbal, obteremos: "um patamar
mínimo de igualdade (...) deveria existir".
Assim, "um patamar mínimo de igualdade entre os membros da sociedade" funciona como sujeito e não
como complemento. Assim sendo, a afirmativa encontra-se incorreta.
Gabarito: Errado.
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