Fontes do Direito na Monarquia Romana
Fontes do Direito na Monarquia Romana
Reforçam os poderes plebeus. A Lex Valeria Horatia de tribunícia potestate garante a inquebrantabilidade (sacrosanctitas) do Tribuno da Plebe. A Lex Valeria Horatia de provocatione
449 a.C. Lex Valeria Horatia
consagra o direito à Provocatio ad Populum, permitindo ao cidadão recorrer ao povo contra a pena capital imposta por um magistrado que detinha o imperium.
445 a.C. Lex Canuleia Permite o ius connubii (direito de casamento) entre patrícios e plebeus. Esta lei remove uma barreira social fundamental que impedia a igualdade política e social entre as classes.
As Leges Liciniae Sextiae, aprovadas em 367 a.C., constituem um conjunto de medidas legislativas decisivas no processo de superação do conflito entre patrícios e plebeus e marcam, do ponto de vista político-jurídico, o fim do período de
transição e a consolidação da República Romana. Propostas pelos tribunos da plebe Caio Licínio Estolão e Lúcio Séxtio Laterano, estas leis responderam às profundas tensões sociais, económicas e institucionais que ameaçavam a
estabilidade do Estado romano.
— Lex Licinia Sextia de Consule Plebeio: um dos dois cônsules deveria ser plebeu. Resultado: acesso da plebe ao cargo mais alto da República.
Terceiro período: O Populos Romanus e a res publica (367 a.c -27 a.c)
A República Romana era um regime de equilíbrio entre magistraturas anuais e colegiais, o Senado e as assembleias, marcado pela luta entre patrícios e plebeus, que abriu o acesso ao poder e consolidou o ius civile, o ius honorarium e a
jurisprudência. Termina quando o poder se concentra em Augusto, iniciando o Principado.
As assembleias do Populus:Os elementos centrais de todo ordenamento constitucional da república romana são as assembleias populares. Os comicitias reuniam todos os cives, os concilia apenas os [Link] principais assembleias romanas foram: Comitia Curiata, os comitia centuriata, os Comitia tributa: os concilia
plebis
Assembleia Tipo de Magistraturas Eleitas Foco e Estrutura
Comitia Centuriata Magistraturas Maiores: Cônsules, Pretores, Ditadores, Organizada por centúrias (unidades militares/censitárias, ponderadas pela riqueza),. Foi a mais importante assembleia popular da República
Censores
Comitia Tributa Magistraturas Menores: Edís Curuis, Questores e Tribuni Organizada por tribos (circunscrição territorial),. Tinha funções restritas e menor importância que a Centuriata,
Militum,,,.
Concilia Plebis Magistrados Plebeus (Especiais): Tribunos da Plebe e Edís Reunia apenas os plebeus
Plebeus
Comitia Curiata Não elegia magistrados ordinários Perdeu importância na República, ficando circunscrita a questões de direito sacro e à confirmação do imperium dos magistrados maiores
através da lex curiata de império
Decadência no PrincipadoCom o início do Principado (27 a.C.), os comitia perderam progressivamente a função de eleger magistraturas e a sua competência legislativa foi transferida para o Senado, transformando-se em meras reuniões de
adoração ao princeps,. Assim, demonstrou-se o caráter monárquico do Principado
As magistraturas:A distinção entre Magistraturas Maiores e Magistraturas Menores na República Romana baseava-se fundamentalmente nos poderes de que os seus titulares estavam investidos, particularmente a posse do Imperium
direção política do Estado e pelo comando militar. Representavam Roma supervisionavam a administração civil e apresentavam propostas legislativas (iudicatio) e exerciam o ius agendi cum populo e cum
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perante outras cidades e convocavam o Senado e os comícios. ao povo. patribus, sendo a mais elevada magistratura anual.
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segundo riqueza e tribo, e supervisionavam os mores maiorum. fiscalizavam moralidade pública e administravam o património público.
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atuando como porta-vozes da plebe e defensores das suas liberdade de outros magistrados e interceder em defesa de cidadãos oprimidos.
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mercados e dos edifícios públicos. manutenção de ruas, praças e arquivos e aplicavam normas de ordem pública. publicar regulamentos para o funcionamento da cidade.
Ed
Geriam o erário público (aerarium), assistiam magistrados em questões Detinham potestas para fiscalizar gastos públicos e executar
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condução plena do Estado para resolver crises militares ou civis. defesa militar ou executar ritos específicos.
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Toda a norma escrita que pode ser lidaDeclaração solene com valor normativo baseado num acordo (expresso ou tácito) entre quem emite a
declaração e o destinatário ou destinatários; A lex vincula quem declara e os seus destinatários.
Sanctio parte final da lei, onde se estabelece os termos da sua eficácia e a relação com outra [Link] à sanctioas legespodem ser:
Perfectae–se declaram nulos os actos contrários às suas disposições
Minusquamperfectae–se apenas impõem multas aos transgressore
Imperfectae–se nem anulam os actos contrários nem impõem sanções.
exemplos
Processo de aprovação da lex rogata(450 a.C. –242 a.C.)
Lex Genucia
a.
A Lex Publilia Philonis transformou o processo legislativo ao determinar que a auctoritas patrum fosse dada previamente, deixando de ter poder de veto após a votação popular. Com isso, as
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assembleias ganharam maior autonomia e os plebiscitos passaram a ter maior eficácia. A lei reduziu a capacidade de bloqueio do Senado e fortaleceu o elemento democrático da República.
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A Lex Hortensia encerrou a luta entre patrícios e plebeus ao atribuir força de lei geral aos plebiscitos, independentemente da aprovação do Senado. A partir dela, as decisões votadas no
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Lex Hortensia
a.
concilium plebis passaram a vincular toda a comunidade, estabelecendo a igualdade legislativa entre as ordens e afirmando definitivamente a autoridade política da plebe.
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367 a.C. Século IV–III a.C. 242 a.C. ANTES de 130 a.C. — Legis Actiones
In Iure
Perante o pretor, que agora
Apud Iudicem
exerce função CRIATIVA: Elaboração do Edictum Perpetuum de Adriano
define a Fórmula (programa de O juiz privado aplica codificou e fixou o texto do Edito do Pretor. Consequência
sentença),concede ações novas exclusivamente o que está na Chave: O Edito tornou-se fixo, e o Pretor perdeu o seu poder
(actiones utiles), Fórmula. O iudex julga, mas de criar novo direito a cada ano, limitando a iurisdictio e
cria exceções não cria direito. consolidando o poder do Princeps
Contexto histórico e crise da República A solução política: o Principado de Augusto Transformação dos órgãos republicanos
O Principado (27 a.C. – 285 d.C.) surge como resposta à Perante este cenário, Otávio César Augusto instituiu o Como consequência desta acumulação de poderes, os órgãos tradicionais da
profunda crise política, social e institucional do final da Principado como uma solução política de compromisso, República foram progressivamente esvaziados da sua autonomia. As
República Romana. A constituição republicana, baseada no apresentando-o como uma restauração da República, mas na magistraturas republicanas, como os cônsules e os pretores, mantiveram-se
equilíbrio entre magistraturas, Senado e comícios, revelou-se realidade promovendo uma centralização progressiva do poder. formalmente, mas passaram a atuar como simples funcionários executivos
incapaz de governar um império territorialmente vasto e Augusto assumiu o título de princeps, o “primeiro entre os subordinados ao Príncipe. Os comícios perderam relevância política e
socialmente complexo. O período foi marcado por guerras iguais”, evitando a designação de rei, socialmente rejeitada. deixaram de exercer funções legislativas efetivas. O Senado, embora
civis, lutas de classes, revoltas de escravos e por uma Através de uma estratégia jurídica e política cuidadosa, conservasse formalmente competências legislativas através dos
acentuada desmoralização do povo romano, desiludido com as concentrou em si poderes fundamentais: o imperium senatusconsulta, transformou-se numa instância subordinada, funcionando
ditaduras de Sila e com a tentativa monárquica de Júlio César. proconsulare maius et infinitum, que lhe conferia o comando como uma “caixa de ressonância” da vontade imperial, expressa nas orationes
Oficialmente, o ius publice respondendi foi apresentado como uma medida de organização, racionalização e segurança jurídica. A multiplicidade de
opiniões divergentes dos juristas republicanos era vista como fonte de incerteza e instabilidade. Ao limitar o poder de resposta a um grupo restrito de
juristas autorizados, o Príncipe afirmava estar a proteger a coerência do sistema jurídico e a assegurar decisões mais uniformes, ainda que, na prática,
estivesse a reforçar o seu controlo sobre o direito.
Os responsa emitidos pelos juristas detentores do ius publice respondendi passaram a ter força vinculativa, aproximando-se do valor das constituições
imperiais. Embora tecnicamente continuassem a ser pareceres jurisprudenciais, na prática produziam efeitos normativos, obrigando juízes e magistrados a
segui-los. Assim, a jurisprudência deixou de ser apenas uma fonte persuasiva do ius e passou a integrar o direito oficial do Estado.
Este instituto funcionou como um instrumento indireto de controlo político da criação jurídica. Ao selecionar quais juristas podiam responder com
autoridade pública, o Príncipe garantia que as soluções jurídicas estariam alinhadas com a sua vontade política. A jurisprudência deixou de ser um espaço
livre de construção do direito e passou a operar sob a vigilância do poder imperial, reforçando a centralização característica do Principado.
Com o ius publice respondendi, o jurista deixa de ser um sábio independente da vida pública republicana e transforma-se progressivamente num
funcionário do Estado. A sua autoridade já não deriva apenas do prestígio social (auctoritas), mas da delegação do poder imperial. Este processo contribui
para a burocratização da atividade jurídica e para a perda da autonomia intelectual da jurisprudência clássica.
O ius publice respondendi simboliza juridicamente a transição do direito justo (ius) para o direito certo (lex). O direito, antes construído de forma casuística, flexível e plural
pelos juristas, passa a ser progressivamente substituído pela vontade do Príncipe, expressa em normas oficiais. A lex — sustentada pelo imperium — passa a prevalecer sobre
o ius, fundado na razão e na equidade, marcando uma mudança estrutural no Direito Romano.
Magistratura maior com Imperium e Iurisdictio (poder de administrar a justiça). O Pretor Urbano (367 a.C.) Subordinado ao Príncipe. Sua função criadora (ius praetorium) foi extinta com o Edito Perpétuo de Adriano (c.
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aplicava o ius civile e o Pretor Peregrino (242 a.C.) aplicava o ius gentium. Criavam o ius praetorium. 130 d.C.), que codificou o direito pretoriano e consolidou o poder do Príncipe.
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Magistratura maior sine Imperium, mas com grande Potestas e Auctoritas moral. Funções: census O cargo foi mantido, mas perdeu a sua força com a centralização dos poderes no Príncipe. O Príncipe passou a
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(recenseamento), lectio senatus (nomear Senadores) e fiscalização dos mores maiorum. controlar indiretamente a nomeação dos Senadores.
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Magistratura extraordinária/especial. Tinha Tribunicia Potestas (poder de veto – ius intercessionis) e Augusto concentrou a Tribunicia Potestas em si, assumindo o direito de veto sobre todos os magistrados. A
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sacrosanctitas (inviolabilidade). Defendia os interesses da plebe. magistratura republicana do Tribuno da Plebe perdeu a sua relevância política e o seu poder.
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Magistratura extraordinária, nomeada em situações de emergência (guerra/crise). Concentrava todo o O poder supremo e ilimitado (Imperium proconsulare maius et infinitum) foi concentrado no Príncipe. A figura
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r Magistratura extraordinária, nomeada em situações de emergência (guerra/crise). Concentrava todo o O poder supremo e ilimitado (Imperium proconsulare maius et infinitum) foi concentrado no Príncipe. A figura
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Magistraturas menores. Detinham apenas Potestas. Exerciam funções administrativas (Edil) e financeiras Mantiveram-se na aparência, mas foram transformados em funcionários executivos do Príncipe, com poder
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Durante o Principado, sobretudo a partir do século II d.C. (com destaque para o reinado de Adriano), desenvolveu-se o mecanismo do oratio principis in senatu habita.
Séc. II d.C. (Início, Oratio Principis in
Formalmente, o Senado conservava a competência legislativa através dos senatusconsulta, mas, na prática, estes passaram a resultar da vontade unilateral do princeps. O
sob Adriano) Senatu Habita imperador apresentava a proposta legislativa sob a forma de um discurso (oratio), que o Senado aprovava sem debate, funcionando como mera instância de ratificação.
O Edictum Perpetuum, elaborado por ordem do imperador Adriano por volta de 130 d.C
O Edictum Perpetuum, elaborado por ordem do imperador Adriano por volta de 130 d.C., consistiu na compilação e fixação definitiva dos éditos pretorianos, tarefa confiada ao jurista Sálvio Juliano. Até então, o édito do pretor (edictum
annuum) era um programa anual de atuação jurisdicional, através do qual o pretor, com base no seu ius edicendi, podia criar, adaptar e renovar soluções jurídicas, dando origem ao chamado ius honorarium ou ius praetorium, destinado a
ajudar, suprir ou corrigir o ius civile em nome da equidade. Com o Edictum Perpetuum, esse conjunto de regras foi uniformizado e cristalizado, passando a vincular todos os pretores, que deixaram de poder inovar ou alterar o conteúdo do
direito [Link] ponto de vista político-jurídico, o Edictum Perpetuum marcou um ponto de viragem decisivo no Principado, pois representou o fim da capacidade criadora dos magistrados e a subordinação definitiva da criação do
direito ao poder imperial. Ao retirar ao pretor a possibilidade de desenvolver autonomamente o ius honorarium, o imperador consolidou a transição do ius (direito criado pela auctoritas de magistrados e juristas) para a lex (direito imposto
pelo imperium do príncipe), reforçando o monopólio imperial das fontes do direito. O pretor passou a atuar como um funcionário executivo, aplicando um direito fixo, enquanto o centro criador do ordenamento jurídico se deslocou
definitivamente para o imperador, por meio das constituições imperiais, encerrando a fase dinâmica e casuística do direito romano republicano.
As Constituições Imperiais (Constitutiones Principum)
As Constituições Imperiais (Constitutiones Principum) representam o culminar do processo de centralização do poder e da transição do ius (direito dos jurisprudentes e magistrados) para a lex (lei imposta pelo soberano) durante o
Principado e o [Link] constituições são decisões de caráter jurídico proferidas diretamente pelo imperador, o que significa que o princeps não necessita de cooperação, nem mesmo mediata ou indireta, do Senado ou do povo para
as emitir
. Evolução do Valor Jurídico das Constituições Imperiais,O estatuto das Constituições Imperiais evoluiu drasticamente ao longo do tempo
Início do Principado (Séc. I d.C.): A vontade do princeps manifestada nestas constituições era seguida, mas o seu valor jurídico era meramente prático, vinculando pela aceitação dos destinatários
Século II d.C.: As Constitutiones Principum passam a ser consideradas fonte mediata de Direito, equiparadas em valor às leges. O povo convenceu-se de que o que o imperador ordenava tinha valor de lei, devido ao seu
prestígio (auctoritas)
Século III d.C.: As Constituições Imperiais tornam-se lei (leges) e adquirem força de lei
Século IV d.C. em diante (Dominado): As Constituições Imperiais passam a ser a única fonte de direito. O imperador era visto como Dominus et Deus (Senhor e Deus), e o seu poder legislativo não necessitava de qualquer
autorização de outros órgãos
esta período no século IV é por vezes chamado o fim do pluralismo jurídico em Roma, pois as fontes tradicionais como ius vetum (direito antigo, jurisprudencial) desaparecem. O Ius Novum (Novo Direito) é o termo usado para designar as
Constituições Imperiais, que são vistas como lei (lex) e não como ius, por não serem consideradas bonum nem aequum
Tipologias das Constituições Imperiais:As constituições imperiais são categorizadas em diferentes espécies, dependendo da sua forma e âmbito de aplicaçã
Edicta (Éditos): Rescripta (Rescritos): Decreta (Decretos): Mandata (Mandados):
São atos normativos de caráter geral e genérico, proferidos Eram respostas dadas por escrito pelo Imperador a consultas Eram decisões judiciais proferidas pelo imperador no contexto Eram ordens ou instruções dadas pelo
pelo imperador no uso do seu Imperium Proconsulare Maius, sobre questões jurídicas a ele dirigidas. de pleitos que lhe fossem submetidos sob o processo da imperador aos governadores das províncias ou
aplicando-se a todo o Império. O Édito de Caracala ◦ As perguntas feitas por magistrados eram chamadas Cognitio Extra Ordinem. O Imperador atuava como juiz, seja outros funcionários, destinadas a vigorar
(Constituição Antoniniana) de 212 d.C., que concedeu a Consultationes, e a resposta imperial era a Epistolae. em primeira instância ou em apelação, uma vez que o processo durante o tempo em que ocupassem o cargo.
cidadania romana a todos os habitantes livres do Império, é um ◦ Os pedidos feitos por particulares (preces) resultavam da Cognitio Extra Ordinem era uma fase única do tribunal Com o tempo, estas instruções transformaram-
Partes de uma Constituição Imperial
1. Inscriptio (Inscrição): Continha o nome dos imperadores (autores) e a pessoa a quem era dirigida
2. Corpus (Corpo): Era a parte dispositiva, onde se encontrava o conteúdo normativo da constituição
[Link] (Subscrição): Continha a data e o local onde a constituição tinha sido escrita
As causas do fim do Principado
O Principado, criado por Augusto como uma solução política de compromisso entre República e Monarquia, continha desde a sua origem contradições estruturais que explicam o seu declínio. Embora se apresentasse como um regime de
equilíbrio entre o princeps e as instituições republicanas, na prática gerou uma tensão permanente entre a aparência republicana e a realidade de um poder cada vez mais concentrado na figura do imperador. Esse modelo híbrido tornou-se
progressivamente insustentá[Link] o tempo, verificou-se uma despersonalização e desritualização do poder: os cargos públicos perderam o seu conteúdo tradicional, os rituais republicanos tornaram-se meramente simbólicos e o papel do
princeps passou a ser central, mas sem a legitimidade clara de uma monarquia assumida. A política imperial afastou-se de Roma e da Itália, deslocando-se para as províncias, enquanto o Senado e as magistraturas perdiam relevância
efetiva, esvaziando o modelo constitucional do [Link] ponto de vista económico e social, o fim das grandes conquistas militares reduziu drasticamente o influxo de riquezas e de escravos, afetando a produtividade agrícola e
provocando o abandono dos campos. A elite romana revelou-se incapaz de reorganizar a economia, e o Estado enfrentou dificuldades crescentes para manter infraestruturas, exército e administração. Ao mesmo tempo, a necessidade de
recrutar soldados nas províncias enfraqueceu o vínculo tradicional entre o exército e [Link] fim, fatores ideológicos e religiosos contribuíram para a crise. O Cristianismo minou a base simbólica do poder imperial ao rejeitar o culto ao
imperador e ao propor valores universais incompatíveis com a lógica política romana. A sacralização do imperador perdeu força como elemento de coesão, fragilizando ainda mais a autoridade imperial. O conjunto desses fatores levou à
ruptura do modelo do Principado, abrindo caminho para o Dominado, regime assumidamente autocrático, centralizado e absolutista.
Quinto Período: O princeps como rex no império único 285-395
Este período marca a rutura definitiva com o Principado e a consolidação de um regime monárquico absoluto, teocrático e burocrático, conhecido como Dominado.
Diocleciano assume o poder num contexto de anarquia política, insegurança militar e fragmentação territorial. O seu objetivo central foi reconstruir o Estado romano, reforçando a autoridade imperial. Para isso, instaurou uma monarquia
absoluta de tipo oriental, não centrada apenas na pessoa do imperador, mas em instituições jurídico-políticas fortes, capazes de garantir estabilidade e governabilidade. O poder imperial passa a ter um fundamento teocrático, com forte
carga simbólica e cerimonial, apresentando o imperador como figura superior e distante. Este modelo visava legitimar a concentração do poder como resposta necessária ao caos anterior.
Imperador Evento / Lei Natureza da Mudança e Significado
Data (Aprox.)
Diocleciano estabelece a Tetrarquia (governo de quatro) e divide o Império em Oriente (sob seu comando) e Ocidente (sob Maximiano), assistido cada um por
286 d.C. Diocleciano Primeira Divisão do Império
um César
Séc. IV d.C. Constituições Imperiais As Constituições Imperiais tornam-se a única fonte de direito, sendo designadas Ius Novum, em oposição ao Ius Vetus (direito antigo)
301 d.C. Diocleciano Édito sobre Preços Edito que fixa os preços máximos de bens e serviços
303 d.C Diocleciano Édito contra os Cristãos Diocleciano ordena uma violenta perseguição contra os cristãos.
305 d.C. Diocleciano Abdição de Diocleciano Diocleciano abdica, seguindo-se Constantino Cloro e Galério
313 d.C. Constantino & Licínio Édito de Milão Constantino promulga o Édito de Milão, que reconhece o Cristianismo como religião
330 d.C. Constantino Inauguração de Constantino inaugura Bizâncio (atual Istambul) como nova capital, fortalecendo a centralização administrativa
Bizâncio/Constantinopla
394 d.C. Teodósio I Divisão Final do Império Teodósio I reúne, pela última vez, Oriente e Ocidente, mas em 395 d.C. divide o Império definitivamente pelos seus filhos (Honório no Ocidente e Arcádio no
Oriente)
Valentiniano III Lei das Citações (Lex Promulgada por Valentiniano III (Império do Ocidente), fixando que apenas cinco juristas (Papiniano, Ulpiano, Paulo, Gaio e Modestino) poderiam ser citados
426 d.C Citações) em tribunal. Este ato cristaliza o iura e marca o fim da iurisprudentia
Evolução da Jurisprudência Romana e a *Auctoritas*
Monopólio Pontifício
A atividade jurídica estava sob monopólio exclusivo do
Colégio dos Pontífices (sacerdotes patrícios)