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Fontes do Direito na Monarquia Romana

A Monarquia Romana (753 a.C. - 509 a.C.) foi a fase inicial da organização política de Roma, caracterizada pela divisão de poderes entre o Rei, o Senado e o Povo. O Rei, embora vitalício, não tinha poder absoluto e sua autoridade dependia da legitimação divina e da colaboração com o Senado. A transição para a República começou em 509 a.C., marcada por lutas sociais e políticas entre patrícios e plebeus, culminando na consolidação do poder plebeu e na codificação do Direito Romano.

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Fontes do Direito na Monarquia Romana

A Monarquia Romana (753 a.C. - 509 a.C.) foi a fase inicial da organização política de Roma, caracterizada pela divisão de poderes entre o Rei, o Senado e o Povo. O Rei, embora vitalício, não tinha poder absoluto e sua autoridade dependia da legitimação divina e da colaboração com o Senado. A transição para a República começou em 509 a.C., marcada por lutas sociais e políticas entre patrícios e plebeus, culminando na consolidação do poder plebeu e na codificação do Direito Romano.

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Faculdade de Direito da universidade de Lisboa- Direito Romao -Pedro Caridade de Freitas (TAN) Aluna: Monallisa Silva

MONARQUIA (753 a.C. – 509 a.C.)


A Monarquia Romana, tradicionalmente situada entre 753 a.C. e 509 a.C., constitui a fase inicial da organização política de Roma. Trata-se de um regime em que o Rei exerce funções diretivas da civitas, mas sem caráter hereditário e sem
poder absoluto. O governo estruturava-se em torno de três centros de autoridade — o Rei, o Senado e o Povo reunido nos comitia — cuja articulação assegurava o funcionamento da ordem política, religiosa e jurídica. Este período é
marcado pela fusão entre direito, religião e moral, sustentado nos mores maiorum, e pela profunda influência etrusca, latina e sabina, que moldaram a identidade institucional de Roma.

Rex O Senado (Senatus): Os Comícios Curiata (Comitia Curiata):


O Rei romano era o dirigente máximo da comunidade, exercendo O Senado, composto pelos patres das famílias fundadoras, desempenhava um
Os Comitia Curiata constituíam a assembleia popular mais antiga de Roma,
simultaneamente funções religiosas, militares e judiciais. Embora vitalício, o papel central como órgão aristocrático de continuidade política. Embora
organizada em trinta cúrias que refletiam a divisão primitiva da comunidade.
cargo não era hereditário: a autoridade do Rei exigia legitimação divina, formalmente consultivo, o seu consilium influenciava decisivamente as
Embora de composição limitada, esta assembleia detinha competências
política e popular. Como interpres divinum, cabia-lhe mediar a relação entre os decisões do Rei, que tradicionalmente se guiava pelo seu parecer. A auctoritas
fundamentais: aprovava o novo Rei, votava as leis atribuídas ao período
homens e os deuses, assegurando a observância do rito e da ordem cósmica. patrum representava o poder de ratificar, validar ou confirmar atos de elevada
monárquico (leges regiae) e, sobretudo, conferia formalmente o imperium ao
No plano militar, detinha o imperium militiae, comandando o exército; no relevância, funcionando como mecanismo de controlo interno da vida política.
soberano por meio da Lex Curiata de Imperio, sem a qual o Rei não podia
âmbito interno, exercia o imperium domi, aplicando justiça e dirigindo a Durante a vacatura do trono, era o Senado que reassumia os auspícios e
exercer legitimamente o poder. A sua atuação reforça a natureza participativa,
administração da cidade. Ainda assim, o Rei não governava sozinho: o seu iniciava o processo de sucessão, preservando a estabilidade institucional.
ainda que restrita, do sistema político romano, onde o povo desempenhava
poder era condicionado pela necessidade de obter a Lex Curiata de Imperio, Assim, mesmo numa monarquia, o Senado era o verdadeiro guardião da
papel simbólico e jurídico relevante.
conferida pelos comícios, e pela colaboração constante com o Senado. tradição e da memória da cidade.

SUCESSÃO DO REI E O INTERREGNUM ORGANIZAÇÃO SOCIAL FONTES DO DIREITO NA MONARQUIA


Quando o Rei morria, os auspícios retornavam ao Senado, que elegia um Patrícios — elite fundadora, detento do poder político/religioso. Os mores maiorum consistem no conjunto de tradições normativas dos
interrex por períodos de cinco dias. Este consultava os deuses e propunha um Plebeus — homens livres, excluídos do governo. antepassados, fundadas na autoridade (auctoritas) dos patres, que regulavam a
candidato ao trono, que era depois eleito pelos Comitia e ratificado pelo Clientes — dependentes de patrícios. vida social romana no período arcaico.
Senado. O interregnum garantia a continuidade e evitava usurpação do poder. Escravos — sem personalidade jurídica. Esses mores integravam simultaneamente o ius (direito humano) e o fas
(direito divino), não havendo, nessa fase, separação entre direito, moral e
509 a.C. Expulsão dos Tarquínios. Início da República. O poder do Imperium (soberania) passa para as Magistraturas (Cônsules).
Segundo Período: transição da Monarquia/República
O segundo período da transição da Monarquia para a República (509 a.C. a 367 a.C.) foi um período de reorganização gradual do Estado e de intensa luta dos plebeus pela paridade jurídica e política, culminando nas Leges Liciniae Sextiae

Data Lei / Evento Importância


A plebe, descontente com a opressão económica e política e a falta de garantias jurídicas, retira-se para o Monte Sagrado. O resultado foi o reconhecimento de um novo órgão e de novos
494 a.C. 1ª Secessão da Plebe magistrados./Criação dos Tribunos da Plebe (Tribuni Plebis), magistratura com funções de auxílio e defesa da plebe, dotados do poder de intercessão (ius intercessionis) contra atos dos
magistrados.
Publicação da primeira codificação escrita do Direito Romano. Resulta da exigência plebeia de que as regras que governavam as relações entre os cidadãos fossem conhecidas por todos (ius
451–450 a.C. Lei das XII Tábuas
certum), quebrando o monopólio da interpretação jurídica detido pelos pontífices patrícios. Representa um marco fundamental na positivação do Direito.

Reforçam os poderes plebeus. A Lex Valeria Horatia de tribunícia potestate garante a inquebrantabilidade (sacrosanctitas) do Tribuno da Plebe. A Lex Valeria Horatia de provocatione
449 a.C. Lex Valeria Horatia
consagra o direito à Provocatio ad Populum, permitindo ao cidadão recorrer ao povo contra a pena capital imposta por um magistrado que detinha o imperium.

445 a.C. Lex Canuleia Permite o ius connubii (direito de casamento) entre patrícios e plebeus. Esta lei remove uma barreira social fundamental que impedia a igualdade política e social entre as classes.
As Leges Liciniae Sextiae, aprovadas em 367 a.C., constituem um conjunto de medidas legislativas decisivas no processo de superação do conflito entre patrícios e plebeus e marcam, do ponto de vista político-jurídico, o fim do período de
transição e a consolidação da República Romana. Propostas pelos tribunos da plebe Caio Licínio Estolão e Lúcio Séxtio Laterano, estas leis responderam às profundas tensões sociais, económicas e institucionais que ameaçavam a
estabilidade do Estado romano.

— Lex Licinia Sextia de Consule Plebeio: um dos dois cônsules deveria ser plebeu. Resultado: acesso da plebe ao cargo mais alto da República.
Terceiro período: O Populos Romanus e a res publica (367 a.c -27 a.c)
A República Romana era um regime de equilíbrio entre magistraturas anuais e colegiais, o Senado e as assembleias, marcado pela luta entre patrícios e plebeus, que abriu o acesso ao poder e consolidou o ius civile, o ius honorarium e a
jurisprudência. Termina quando o poder se concentra em Augusto, iniciando o Principado.
As assembleias do Populus:Os elementos centrais de todo ordenamento constitucional da república romana são as assembleias populares. Os comicitias reuniam todos os cives, os concilia apenas os [Link] principais assembleias romanas foram: Comitia Curiata, os comitia centuriata, os Comitia tributa: os concilia
plebis
Assembleia Tipo de Magistraturas Eleitas Foco e Estrutura
Comitia Centuriata Magistraturas Maiores: Cônsules, Pretores, Ditadores, Organizada por centúrias (unidades militares/censitárias, ponderadas pela riqueza),. Foi a mais importante assembleia popular da República
Censores
Comitia Tributa Magistraturas Menores: Edís Curuis, Questores e Tribuni Organizada por tribos (circunscrição territorial),. Tinha funções restritas e menor importância que a Centuriata,
Militum,,,.
Concilia Plebis Magistrados Plebeus (Especiais): Tribunos da Plebe e Edís Reunia apenas os plebeus
Plebeus
Comitia Curiata Não elegia magistrados ordinários Perdeu importância na República, ficando circunscrita a questões de direito sacro e à confirmação do imperium dos magistrados maiores
através da lex curiata de império
Decadência no PrincipadoCom o início do Principado (27 a.C.), os comitia perderam progressivamente a função de eleger magistraturas e a sua competência legislativa foi transferida para o Senado, transformando-se em meras reuniões de
adoração ao princeps,. Assim, demonstrou-se o caráter monárquico do Principado

As magistraturas:A distinção entre Magistraturas Maiores e Magistraturas Menores na República Romana baseava-se fundamentalmente nos poderes de que os seus titulares estavam investidos, particularmente a posse do Imperium

Magistraturas Maiores Magistraturas menos


As magistraturas maiores caracterizam-se pela detenção do imperium (com exceção do censor).Pretores,
As magistraturas menores detinham apenas potestas, sem imperium.
Consules, Ditador,Censores
As magistraturas romanas eram eletivas, temporárias, colegiais e gratuitas. Isso quer dizer que: Eram escolhidas por voto popular, com mandatos curtos (geralmente de um ano), sempre ocupadas por mais de uma pessoa ao mesmo tempo
(pra evitar abusos de poder), e não eram remuneradas — era um serviço à cidade. As eleições aconteciam nas assembleias chamadas comitia, e o tipo de comício variava conforme a importância da magistratura.

Funçoes Responsabilidades Poderes


Definiam a ação apropriada para cada litígio, publicavam o edito anual que Possuíam iurisdictio e potestas, bem como o ius edicendi, por
Os pretores eram responsáveis pela administração da justiça, dirigindo a fase
orientava a atividade jurisdicional e, no caso do pretor peregrino, regulavam meio do qual criavam o ius honorarium para complementar,
or

in iure do processo civil e organizando os meios de tutela jurídica.


et
Pr

relações entre cidadãos e [Link] Urbano corrigir ou suprir o ius civile.


Os cônsules eram os magistrados supremos da República, responsáveis pela Cumpriam as decisões públicas, conduziam o exército em campanha, Detinham imperium e coercitio, podiam administrar justiça
s
le

direção política do Estado e pelo comando militar. Representavam Roma supervisionavam a administração civil e apresentavam propostas legislativas (iudicatio) e exerciam o ius agendi cum populo e cum
su
ôn

perante outras cidades e convocavam o Senado e os comícios. ao povo. patribus, sendo a mais elevada magistratura anual.
C

Não tinham imperium, mas detinham uma autoridade moral


Os censores realizavam o censo da população, classificando os cidadãos Controlavam o cadastro cívico, elaboravam a lista do Senado (lectio senatus),
s
re

elevada e o poder de censura, capaz de excluir cidadãos do


so

segundo riqueza e tribo, e supervisionavam os mores maiorum. fiscalizavam moralidade pública e administravam o património público.
en

Senado ou retirar direitos cívicos


C

Detinham intercessio e sacrosanctitas, tornando ilícito


Os tribunos protegiam os plebeus contra abusos das magistraturas patrícias, Podiam convocar e presidir ao concilium plebis, propor plebiscitos, vetar atos
os n

qualquer ato violento contra eles. Sua atuação limitava


e
da
u

eb

atuando como porta-vozes da plebe e defensores das suas liberdade de outros magistrados e interceder em defesa de cidadãos oprimidos.
ib

Pl
Tr

diretamente o poder do imperium.


Os édiles cuidavam da administração urbana, do abastecimento da cidade, dos Fiscalizavam feiras e comércio, organizavam jogos públicos, cuidavam da Exerciam coercitio moderada e tinham ius edicendi, podendo
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mercados e dos edifícios públicos. manutenção de ruas, praças e arquivos e aplicavam normas de ordem pública. publicar regulamentos para o funcionamento da cidade.
Ed

Geriam o erário público (aerarium), assistiam magistrados em questões Detinham potestas para fiscalizar gastos públicos e executar
es

Os questores eram responsáveis pela administração financeira da República.


or

financeiras e administravam fundos militares. operações financeiras do Estado.


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Q

Detinha imperium absoluto (optimo iure), sem colegialidade, e


Nomeado em situações de emergência, o ditador assumia temporariamente a Agiu com rapidez e autoridade concentrada para restaurar a ordem, apoiar a
r

seu mandato durava no máximo seis meses, preservando o


do

condução plena do Estado para resolver crises militares ou civis. defesa militar ou executar ritos específicos.
ita

caráter excepcional da função.


D
As Leges em Roma

Toda a norma escrita que pode ser lidaDeclaração solene com valor normativo baseado num acordo (expresso ou tácito) entre quem emite a
declaração e o destinatário ou destinatários; A lex vincula quem declara e os seus destinatários.

Lex privata Lex dicta


Lex publica Lex data
Lexprivata–declaração solene Lex publica –declaração solene com valor normativo (sponsio) Lex data –leis proferidas por um magistrado em virtude de um Lexdicta–são leis proferidas
com valor normativo que tem feita pelo povo (populis) ao aprovar em comum, nos comitia, poder específico que o povo lhe deu para esse efeito. por um magistrado em virtude
por base um negócio privado. com uma autorização responsável (iussum),a proposta (Mommsen) Surgem a partir de 242 a.C. Pra Gianfranco dos seus próprios poderes
A lexprivatacria direito apresentada pelo magistrado. Há um acordo entre o magistrado Tibiletti–duvida que este tipo de lei tenha existido. Poderiam (recebidos do povo, quando
privado, que vincula as partes que propõe a lexe o povo que a aprova. ter sido normas jurídicas dadas pelo governo central para as este o elegeu para determinada
integrantes do contrato ou De entre as lexpublica refiram-se as: comunidades locais (ex. estatutos locais) magistratura).
negócio.

lex rogata Plebiscitum


Plebiscitum–deliberação apresentada pelos tribunos da plebe e
deliberação proposta por um magistrado e votada pelos
votada nos concilia da plebe. Os plebiscitum, no início, tinham
comitia; Regulam, em regra, direito público;
um carácter normativo não jurídico, não vinculando nem os
São identificadas pelo nome dos 2 cônsules do ano em que são
patrícios, nem os plebeus. A partir der 449 a.C., com a
propostas e aprovadas; Podem conter a indicação sumária do
LexValeria Horaciade plebiscitisadquirem força vinculativa
conteúdo.
igual à das leges, mas apenas em relação aos plebeus; São
Partes de uma lex rogata
(prefácio) –contém o nome do magistrado, a assembleia que a votou, o nome do primeiro agrupamento que abriu a votação e o nome do cidadão que foi o
Praescriptio primeiro a votar;

Rogatio parte dispositiva da lei;

Sanctio parte final da lei, onde se estabelece os termos da sua eficácia e a relação com outra [Link] à sanctioas legespodem ser:
Perfectae–se declaram nulos os actos contrários às suas disposições
Minusquamperfectae–se apenas impõem multas aos transgressore
Imperfectae–se nem anulam os actos contrários nem impõem sanções.
exemplos
Processo de aprovação da lex rogata(450 a.C. –242 a.C.)

1ªPromulgatio 2ªConciones 3ªRogatio 4ª Votação 5ªAprovação pelo Senado 6ªAfixação


apresentação pelo magistrado aos comitiade reuniões tidas na praça pública, sem carácter Terminado o prazo da promulgatio, eram o voto era oral e era dado com após a votação favorável pelos a nova lexera afixada no
uma proposta de lei e afixação pública durante oficial ou jurídico, para se discutir a proposta. convocados os comitiae reunidos em palavras sacramentais. O voto comitia, a lei era referendada fórumem tábuas de madeira ou
cerca de 3 semanas. O texto do projecto devia Chama-se a esta fase conciones, porque assembleia. O magistrado que presidia, após podia ser favorável, pelo Senado –autoritas patrum. de bronze.
cerca de 3 semanas. O texto do projecto devia Chama-se a esta fase conciones, porque assembleia. O magistrado que presidia, após podia ser favorável, pelo Senado –autoritas patrum. de bronze.
ser afixado num lugar público para que o povo ninguém podia falar sem lhe ser concedida a cumprimento de formalidades, lia ou mandava desfavorável ou abstenção. O Senado tinha como função
o lesse e tomasse conhecimento. palavra. Os discursos favoráveis ao projecto ler a proposta de lei e após a leitura pedia a sua Após a verificar a conformidade das
denominavam-se suasionese os desfavoráveis aprovação –rogatio. LexPapiriaTabellariade 131 leis com os mores maiorum.
dissuasiones. a.C., o voto passa a ser Após a LexPubliliaPhilonios,
escrito e secreto. de 339 a.C., a autoritaspassa a
ser concedida antresda
Data Lei / Evento Importância
A Lex Genucia reforçou os princípios republicanos de limitação do poder ao proibir a acumulação simultânea de magistraturas e exigir intervalo obrigatório entre cargos. Também confirmou
que pelo menos um dos cônsules deveria ser plebeu, consolidando a abertura das magistraturas supremas e equilibrando o exercício do imperium. Representou um avanço na racionalização do
C

Lex Genucia
a.

governo e no controlo do poder aristocrático.


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34

A Lex Publilia Philonis transformou o processo legislativo ao determinar que a auctoritas patrum fosse dada previamente, deixando de ter poder de veto após a votação popular. Com isso, as
C

Lex Publilia Philonis


a.

assembleias ganharam maior autonomia e os plebiscitos passaram a ter maior eficácia. A lei reduziu a capacidade de bloqueio do Senado e fortaleceu o elemento democrático da República.
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33

A Lex Hortensia encerrou a luta entre patrícios e plebeus ao atribuir força de lei geral aos plebiscitos, independentemente da aprovação do Senado. A partir dela, as decisões votadas no
C

Lex Hortensia
a.

concilium plebis passaram a vincular toda a comunidade, estabelecendo a igualdade legislativa entre as ordens e afirmando definitivamente a autoridade política da plebe.
7
28

Evolução Histórica da Atuação do Pretor e do Ius Praetorium

1ª Momento Direito rígido → forma acima da justiça.


Este foi o sistema mais antigo, característico do Direito
Romano Arcaico, antes da sua grande flexibilização.
O pretor publica o edictum Rígido e Formalista: O processo era dominado por rituais,
Nasce o pretor urbano, encarregado da administração da anual, anunciando as ações palavras solenes e gestos simbólicos prescritos pela lei. A
justiça civil entre cidadãos romanos. Separação entre função que concederá.O edito torna-se mínima falha na pronúncia das palavras ou na realização de
política (cônsules) e função jurisdicional. Início do ius fonte criadora de [Link] Devido ao aumento do um gesto levava à perda imediata do processo.
honorarium. o ius praetorium: direito criado comércio internacional, cria-se Oral: Era totalmente baseado na oralidade.
pelos magistrados. o praetor peregrinus, que Exclusivo do Ius Civile: Só podia ser usado por cidadãos
resolve litígios envolvendo romanos e apenas nas situações expressamente previstas no Ius
estrangeiros (peregrini). Civile (Lei das XII Tábuas).
Criação da Magistratura da Pretura (Leis Licínia Sêxtias) Consolidação do Edicto do Pretor Criação do Pretor Peregrino O Processo das Legis Actiones (Per Legem)

367 a.C. Século IV–III a.C. 242 a.C. ANTES de 130 a.C. — Legis Actiones

Fase In Iure Fase Apud Iudicem


Perante o pretor, mas com
DEPOIS de 130 a.C. — Agere per formulas. 130 d.C./ FIM DO PODER CRIADOR
papel limitado: ele apenas
2ª Momento Lex Aebutia de Formulis (Agere per formulas) Decadência e Consolidação no Principado verificava se as partes Perante um iudex privado, que
recitaram corretamente as decidia os factos e aplicava
Sistema flexível, menos ritualístico, baseado em uma Fórmula Com a ascensão do Princeps (Imperador) e a centralização do palavras sacramentais. Se o estritamente a lei civil.Não
escrita elaborada pelo Pretor. poder , a função do Pretor sofreu grandes transformações. * O ritual fosse cumprido, o havia espaço para criação ou
Aqui nasce o verdadeiro Ius Praetorium. poder do Princeps limitava a liberdade criativa do Pretor processo seguia; caso adaptação do direito.
Aqui nasce o verdadeiro Ius Praetorium. poder do Princeps limitava a liberdade criativa do Pretor

In Iure
Perante o pretor, que agora
Apud Iudicem
exerce função CRIATIVA: Elaboração do Edictum Perpetuum de Adriano
define a Fórmula (programa de O juiz privado aplica codificou e fixou o texto do Edito do Pretor. Consequência
sentença),concede ações novas exclusivamente o que está na Chave: O Edito tornou-se fixo, e o Pretor perdeu o seu poder
(actiones utiles), Fórmula. O iudex julga, mas de criar novo direito a cada ano, limitando a iurisdictio e
cria exceções não cria direito. consolidando o poder do Princeps

O Principado (ou Princeps como primus inter pares)


O Principado nasce em 27 a.C., quando Otaviano Augusto recebe do Senado poderes [Link], afirma-se que a República foi restaurada, mas, na prática, ocorre uma concentração progressiva de poder numa só pessoa.O
Principado não rompe com a República — esvazia-a por dentro. Augusto evita o título de rei (rex) e apresenta-se como princeps, isto é, primus inter pares (o primeiro entre iguais).

Contexto histórico e crise da República A solução política: o Principado de Augusto Transformação dos órgãos republicanos
O Principado (27 a.C. – 285 d.C.) surge como resposta à Perante este cenário, Otávio César Augusto instituiu o Como consequência desta acumulação de poderes, os órgãos tradicionais da
profunda crise política, social e institucional do final da Principado como uma solução política de compromisso, República foram progressivamente esvaziados da sua autonomia. As
República Romana. A constituição republicana, baseada no apresentando-o como uma restauração da República, mas na magistraturas republicanas, como os cônsules e os pretores, mantiveram-se
equilíbrio entre magistraturas, Senado e comícios, revelou-se realidade promovendo uma centralização progressiva do poder. formalmente, mas passaram a atuar como simples funcionários executivos
incapaz de governar um império territorialmente vasto e Augusto assumiu o título de princeps, o “primeiro entre os subordinados ao Príncipe. Os comícios perderam relevância política e
socialmente complexo. O período foi marcado por guerras iguais”, evitando a designação de rei, socialmente rejeitada. deixaram de exercer funções legislativas efetivas. O Senado, embora
civis, lutas de classes, revoltas de escravos e por uma Através de uma estratégia jurídica e política cuidadosa, conservasse formalmente competências legislativas através dos
acentuada desmoralização do povo romano, desiludido com as concentrou em si poderes fundamentais: o imperium senatusconsulta, transformou-se numa instância subordinada, funcionando
ditaduras de Sila e com a tentativa monárquica de Júlio César. proconsulare maius et infinitum, que lhe conferia o comando como uma “caixa de ressonância” da vontade imperial, expressa nas orationes

Consequências jurídicas do Principado


Imperium Proconsulare Maius et Infinitum Tribunicia Potestas Do ponto de vista jurídico, o Principado representa a transição decisiva do ius
para a lex. O direito, antes criado de forma livre e casuística pela auctoritas
dos jurisprudentes, passou a ser progressivamente substituído pela vontade
política do Príncipe, expressa nas Constituições Imperiais (constitutiones
principum), designadas como ius novum. A jurisprudência perdeu a sua
independência com a concessão do ius publice respondendi ex auctoritate
principis, tornando-se uma atividade controlada. Paralelamente, o direito
pretoriano foi cristalizado com a fixação do Edictum Perpetuum por Adriano,
extinguindo o poder criador do pretor. Assim, o Principado converteu o direito
Augusto apresentava-se como
Era o poder militar supremo concedido a Era o poder inspirado no antigo Tribuno da
“o primeiro entre os iguais”,
Augusto. Permitía-lhe comandar todos os Plebe, concedido permanentemente a Augusto.
mantendo formalmente as
exércitos, intervir em todas as províncias e Garantia-lhe inviolabilidade pessoal, o direito
instituições republicanas.
sobrepor-se a qualquer outro magistrado com de veto sobre atos dos magistrados e a
Embora não fosse rei nem
imperium, inclusive governadores provinciais. capacidade de proteger o povo contra abusos.
ditador, concentrava poder
Na prática, concentrava o controle militar do Este poder dava ao príncipe um fundamento
O Ius Publice Respondendi (Ius Respondendi Ex Auctoritates Principis)
O ius publice respondendi ex auctoritate principis consistiu numa concessão formal do Príncipe (Augusto) a determinados juristas, autorizando-os a emitir
responsa em nome da autoridade imperial. Diferentemente da República, em que qualquer jurisconsulto reconhecido podia responder com base apenas na
responsa em nome da autoridade imperial. Diferentemente da República, em que qualquer jurisconsulto reconhecido podia responder com base apenas na
sua auctoritas, no Principado apenas os juristas escolhidos pelo imperador podiam emitir pareceres dotados de valor jurídico reforçado. Esta concessão
marca o início da subordinação institucional da jurisprudência ao poder político.

Oficialmente, o ius publice respondendi foi apresentado como uma medida de organização, racionalização e segurança jurídica. A multiplicidade de
opiniões divergentes dos juristas republicanos era vista como fonte de incerteza e instabilidade. Ao limitar o poder de resposta a um grupo restrito de
juristas autorizados, o Príncipe afirmava estar a proteger a coerência do sistema jurídico e a assegurar decisões mais uniformes, ainda que, na prática,
estivesse a reforçar o seu controlo sobre o direito.

Os responsa emitidos pelos juristas detentores do ius publice respondendi passaram a ter força vinculativa, aproximando-se do valor das constituições
imperiais. Embora tecnicamente continuassem a ser pareceres jurisprudenciais, na prática produziam efeitos normativos, obrigando juízes e magistrados a
segui-los. Assim, a jurisprudência deixou de ser apenas uma fonte persuasiva do ius e passou a integrar o direito oficial do Estado.

Este instituto funcionou como um instrumento indireto de controlo político da criação jurídica. Ao selecionar quais juristas podiam responder com
autoridade pública, o Príncipe garantia que as soluções jurídicas estariam alinhadas com a sua vontade política. A jurisprudência deixou de ser um espaço
livre de construção do direito e passou a operar sob a vigilância do poder imperial, reforçando a centralização característica do Principado.

Com o ius publice respondendi, o jurista deixa de ser um sábio independente da vida pública republicana e transforma-se progressivamente num
funcionário do Estado. A sua autoridade já não deriva apenas do prestígio social (auctoritas), mas da delegação do poder imperial. Este processo contribui
para a burocratização da atividade jurídica e para a perda da autonomia intelectual da jurisprudência clássica.

O ius publice respondendi simboliza juridicamente a transição do direito justo (ius) para o direito certo (lex). O direito, antes construído de forma casuística, flexível e plural
pelos juristas, passa a ser progressivamente substituído pela vontade do Príncipe, expressa em normas oficiais. A lex — sustentada pelo imperium — passa a prevalecer sobre
o ius, fundado na razão e na equidade, marcando uma mudança estrutural no Direito Romano.

Como estavam as Magistraturas nesse contexto


Caraterísticas e Funções na República (509–27 a.C.) Transformação no Principado (27 a.C.–285 d.C.)
Magistratura maior com máximo Imperium (militar e civil) e Potestas. Exerciam o poder supremo e eram Mantiveram-se formalmente, mas o seu poder tornou-se quase irrelevante e foram subordinados ao Príncipe.
l
su
ôn

anuais e colegiados (dois titulares). Transformaram-se em funcionários executivos.


C

Magistratura maior com Imperium e Iurisdictio (poder de administrar a justiça). O Pretor Urbano (367 a.C.) Subordinado ao Príncipe. Sua função criadora (ius praetorium) foi extinta com o Edito Perpétuo de Adriano (c.
or
et

aplicava o ius civile e o Pretor Peregrino (242 a.C.) aplicava o ius gentium. Criavam o ius praetorium. 130 d.C.), que codificou o direito pretoriano e consolidou o poder do Príncipe.
Pr

Magistratura maior sine Imperium, mas com grande Potestas e Auctoritas moral. Funções: census O cargo foi mantido, mas perdeu a sua força com a centralização dos poderes no Príncipe. O Príncipe passou a
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so
en

(recenseamento), lectio senatus (nomear Senadores) e fiscalização dos mores maiorum. controlar indiretamente a nomeação dos Senadores.
C

Magistratura extraordinária/especial. Tinha Tribunicia Potestas (poder de veto – ius intercessionis) e Augusto concentrou a Tribunicia Potestas em si, assumindo o direito de veto sobre todos os magistrados. A
os n

e
da
u

eb
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sacrosanctitas (inviolabilidade). Defendia os interesses da plebe. magistratura republicana do Tribuno da Plebe perdeu a sua relevância política e o seu poder.
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Magistratura extraordinária, nomeada em situações de emergência (guerra/crise). Concentrava todo o O poder supremo e ilimitado (Imperium proconsulare maius et infinitum) foi concentrado no Príncipe. A figura
r
do
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r Magistratura extraordinária, nomeada em situações de emergência (guerra/crise). Concentrava todo o O poder supremo e ilimitado (Imperium proconsulare maius et infinitum) foi concentrado no Príncipe. A figura
do
ita

Imperium por um período máximo de 6 meses. do Ditador tornou-se obsoleta.


D

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Magistraturas menores. Detinham apenas Potestas. Exerciam funções administrativas (Edil) e financeiras Mantiveram-se na aparência, mas foram transformados em funcionários executivos do Príncipe, com poder
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(Questor). quase irrelevante.


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Ed

Durante o Principado, sobretudo a partir do século II d.C. (com destaque para o reinado de Adriano), desenvolveu-se o mecanismo do oratio principis in senatu habita.
Séc. II d.C. (Início, Oratio Principis in
Formalmente, o Senado conservava a competência legislativa através dos senatusconsulta, mas, na prática, estes passaram a resultar da vontade unilateral do princeps. O
sob Adriano) Senatu Habita imperador apresentava a proposta legislativa sob a forma de um discurso (oratio), que o Senado aprovava sem debate, funcionando como mera instância de ratificação.
O Edictum Perpetuum, elaborado por ordem do imperador Adriano por volta de 130 d.C
O Edictum Perpetuum, elaborado por ordem do imperador Adriano por volta de 130 d.C., consistiu na compilação e fixação definitiva dos éditos pretorianos, tarefa confiada ao jurista Sálvio Juliano. Até então, o édito do pretor (edictum
annuum) era um programa anual de atuação jurisdicional, através do qual o pretor, com base no seu ius edicendi, podia criar, adaptar e renovar soluções jurídicas, dando origem ao chamado ius honorarium ou ius praetorium, destinado a
ajudar, suprir ou corrigir o ius civile em nome da equidade. Com o Edictum Perpetuum, esse conjunto de regras foi uniformizado e cristalizado, passando a vincular todos os pretores, que deixaram de poder inovar ou alterar o conteúdo do
direito [Link] ponto de vista político-jurídico, o Edictum Perpetuum marcou um ponto de viragem decisivo no Principado, pois representou o fim da capacidade criadora dos magistrados e a subordinação definitiva da criação do
direito ao poder imperial. Ao retirar ao pretor a possibilidade de desenvolver autonomamente o ius honorarium, o imperador consolidou a transição do ius (direito criado pela auctoritas de magistrados e juristas) para a lex (direito imposto
pelo imperium do príncipe), reforçando o monopólio imperial das fontes do direito. O pretor passou a atuar como um funcionário executivo, aplicando um direito fixo, enquanto o centro criador do ordenamento jurídico se deslocou
definitivamente para o imperador, por meio das constituições imperiais, encerrando a fase dinâmica e casuística do direito romano republicano.
As Constituições Imperiais (Constitutiones Principum)
As Constituições Imperiais (Constitutiones Principum) representam o culminar do processo de centralização do poder e da transição do ius (direito dos jurisprudentes e magistrados) para a lex (lei imposta pelo soberano) durante o
Principado e o [Link] constituições são decisões de caráter jurídico proferidas diretamente pelo imperador, o que significa que o princeps não necessita de cooperação, nem mesmo mediata ou indireta, do Senado ou do povo para
as emitir
. Evolução do Valor Jurídico das Constituições Imperiais,O estatuto das Constituições Imperiais evoluiu drasticamente ao longo do tempo
Início do Principado (Séc. I d.C.): A vontade do princeps manifestada nestas constituições era seguida, mas o seu valor jurídico era meramente prático, vinculando pela aceitação dos destinatários
Século II d.C.: As Constitutiones Principum passam a ser consideradas fonte mediata de Direito, equiparadas em valor às leges. O povo convenceu-se de que o que o imperador ordenava tinha valor de lei, devido ao seu
prestígio (auctoritas)
Século III d.C.: As Constituições Imperiais tornam-se lei (leges) e adquirem força de lei
Século IV d.C. em diante (Dominado): As Constituições Imperiais passam a ser a única fonte de direito. O imperador era visto como Dominus et Deus (Senhor e Deus), e o seu poder legislativo não necessitava de qualquer
autorização de outros órgãos
esta período no século IV é por vezes chamado o fim do pluralismo jurídico em Roma, pois as fontes tradicionais como ius vetum (direito antigo, jurisprudencial) desaparecem. O Ius Novum (Novo Direito) é o termo usado para designar as
Constituições Imperiais, que são vistas como lei (lex) e não como ius, por não serem consideradas bonum nem aequum

Tipologias das Constituições Imperiais:As constituições imperiais são categorizadas em diferentes espécies, dependendo da sua forma e âmbito de aplicaçã
Edicta (Éditos): Rescripta (Rescritos): Decreta (Decretos): Mandata (Mandados):

São atos normativos de caráter geral e genérico, proferidos Eram respostas dadas por escrito pelo Imperador a consultas Eram decisões judiciais proferidas pelo imperador no contexto Eram ordens ou instruções dadas pelo
pelo imperador no uso do seu Imperium Proconsulare Maius, sobre questões jurídicas a ele dirigidas. de pleitos que lhe fossem submetidos sob o processo da imperador aos governadores das províncias ou
aplicando-se a todo o Império. O Édito de Caracala ◦ As perguntas feitas por magistrados eram chamadas Cognitio Extra Ordinem. O Imperador atuava como juiz, seja outros funcionários, destinadas a vigorar
(Constituição Antoniniana) de 212 d.C., que concedeu a Consultationes, e a resposta imperial era a Epistolae. em primeira instância ou em apelação, uma vez que o processo durante o tempo em que ocupassem o cargo.
cidadania romana a todos os habitantes livres do Império, é um ◦ Os pedidos feitos por particulares (preces) resultavam da Cognitio Extra Ordinem era uma fase única do tribunal Com o tempo, estas instruções transformaram-
Partes de uma Constituição Imperial
1. Inscriptio (Inscrição): Continha o nome dos imperadores (autores) e a pessoa a quem era dirigida
2. Corpus (Corpo): Era a parte dispositiva, onde se encontrava o conteúdo normativo da constituição
[Link] (Subscrição): Continha a data e o local onde a constituição tinha sido escrita
As causas do fim do Principado
O Principado, criado por Augusto como uma solução política de compromisso entre República e Monarquia, continha desde a sua origem contradições estruturais que explicam o seu declínio. Embora se apresentasse como um regime de
equilíbrio entre o princeps e as instituições republicanas, na prática gerou uma tensão permanente entre a aparência republicana e a realidade de um poder cada vez mais concentrado na figura do imperador. Esse modelo híbrido tornou-se
progressivamente insustentá[Link] o tempo, verificou-se uma despersonalização e desritualização do poder: os cargos públicos perderam o seu conteúdo tradicional, os rituais republicanos tornaram-se meramente simbólicos e o papel do
princeps passou a ser central, mas sem a legitimidade clara de uma monarquia assumida. A política imperial afastou-se de Roma e da Itália, deslocando-se para as províncias, enquanto o Senado e as magistraturas perdiam relevância
efetiva, esvaziando o modelo constitucional do [Link] ponto de vista económico e social, o fim das grandes conquistas militares reduziu drasticamente o influxo de riquezas e de escravos, afetando a produtividade agrícola e
provocando o abandono dos campos. A elite romana revelou-se incapaz de reorganizar a economia, e o Estado enfrentou dificuldades crescentes para manter infraestruturas, exército e administração. Ao mesmo tempo, a necessidade de
recrutar soldados nas províncias enfraqueceu o vínculo tradicional entre o exército e [Link] fim, fatores ideológicos e religiosos contribuíram para a crise. O Cristianismo minou a base simbólica do poder imperial ao rejeitar o culto ao
imperador e ao propor valores universais incompatíveis com a lógica política romana. A sacralização do imperador perdeu força como elemento de coesão, fragilizando ainda mais a autoridade imperial. O conjunto desses fatores levou à
ruptura do modelo do Principado, abrindo caminho para o Dominado, regime assumidamente autocrático, centralizado e absolutista.
Quinto Período: O princeps como rex no império único 285-395
Este período marca a rutura definitiva com o Principado e a consolidação de um regime monárquico absoluto, teocrático e burocrático, conhecido como Dominado.

🔹 I. DIOCLECIANO (285–305)🔸 1. Recuperação do Império Único

Diocleciano assume o poder num contexto de anarquia política, insegurança militar e fragmentação territorial. O seu objetivo central foi reconstruir o Estado romano, reforçando a autoridade imperial. Para isso, instaurou uma monarquia
absoluta de tipo oriental, não centrada apenas na pessoa do imperador, mas em instituições jurídico-políticas fortes, capazes de garantir estabilidade e governabilidade. O poder imperial passa a ter um fundamento teocrático, com forte
carga simbólica e cerimonial, apresentando o imperador como figura superior e distante. Este modelo visava legitimar a concentração do poder como resposta necessária ao caos anterior.
Imperador Evento / Lei Natureza da Mudança e Significado
Data (Aprox.)

Diocleciano estabelece a Tetrarquia (governo de quatro) e divide o Império em Oriente (sob seu comando) e Ocidente (sob Maximiano), assistido cada um por
286 d.C. Diocleciano Primeira Divisão do Império
um César

Séc. IV d.C. Constituições Imperiais As Constituições Imperiais tornam-se a única fonte de direito, sendo designadas Ius Novum, em oposição ao Ius Vetus (direito antigo)

301 d.C. Diocleciano Édito sobre Preços Edito que fixa os preços máximos de bens e serviços

303 d.C Diocleciano Édito contra os Cristãos Diocleciano ordena uma violenta perseguição contra os cristãos.

305 d.C. Diocleciano Abdição de Diocleciano Diocleciano abdica, seguindo-se Constantino Cloro e Galério

311 d.C. Galério Édito de Tolerância Início da tolerância aos cristãos

313 d.C. Constantino & Licínio Édito de Milão Constantino promulga o Édito de Milão, que reconhece o Cristianismo como religião

330 d.C. Constantino Inauguração de Constantino inaugura Bizâncio (atual Istambul) como nova capital, fortalecendo a centralização administrativa
Bizâncio/Constantinopla
394 d.C. Teodósio I Divisão Final do Império Teodósio I reúne, pela última vez, Oriente e Ocidente, mas em 395 d.C. divide o Império definitivamente pelos seus filhos (Honório no Ocidente e Arcádio no
Oriente)
Valentiniano III Lei das Citações (Lex Promulgada por Valentiniano III (Império do Ocidente), fixando que apenas cinco juristas (Papiniano, Ulpiano, Paulo, Gaio e Modestino) poderiam ser citados
426 d.C Citações) em tribunal. Este ato cristaliza o iura e marca o fim da iurisprudentia
Evolução da Jurisprudência Romana e a *Auctoritas*

Monopólio Pontifício
A atividade jurídica estava sob monopólio exclusivo do
Colégio dos Pontífices (sacerdotes patrícios)

Monarquia (753 – 509 a.C.)

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