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Causas Comuns de Gestorragia na Gravidez

O documento aborda as causas da gestorragia na primeira metade da gestação, destacando o aborto espontâneo, gravidez ectópica, gravidez molar e sangramento de implantação. O aborto espontâneo pode ser classificado em precoce ou tardio e é influenciado por fatores genéticos e hormonais, enquanto a gravidez ectópica é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre. O sangramento de implantação é comum e pode ser benigno, mas requer diagnóstico preciso para diferenciar de condições mais graves.

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Causas Comuns de Gestorragia na Gravidez

O documento aborda as causas da gestorragia na primeira metade da gestação, destacando o aborto espontâneo, gravidez ectópica, gravidez molar e sangramento de implantação. O aborto espontâneo pode ser classificado em precoce ou tardio e é influenciado por fatores genéticos e hormonais, enquanto a gravidez ectópica é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre. O sangramento de implantação é comum e pode ser benigno, mas requer diagnóstico preciso para diferenciar de condições mais graves.

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1.

1 Causas da gestorragia

Entre as causas que podem originar a gestorria na primeira metade da gestação, é


inevitavel nao mencionar os seguintes aspectos relavantes sobre a mesma tematica, dentre
as quais podemos destacar:
1.1.1 Aborto expontâneo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua abortamento como uma


interrupção da gravidez antes da 20a semana de gestação ou com peso abaixo de 500
gramas, podendo ser classificado como precoce (até a 13ª semana) ou tardio (entre a 13ª
e a 20ª semana), (Santos apud Flávia, 2023). Outra classificação é de acordo com o tipo
de abortamento, que pode ser espontâneo, quando é uma consequência involuntária, ou
induzido, quando é uma decisão colocada em prática. O aborto, por sua vez, é o produto
eliminado no abortamento, sendo possível diferenciá-los por definição. Contudo, ainda é
coloquial usar um termo referindo-se ao significado do outro, (Bacelar apud Flávia,
2023).
A perda gestacional espontânea pode ser diagnosticada através de sinais e
sintomas (como sangramento, dor e febre), exame físico ginecológico (exame especular
e o de orifício interno do colo uterino), e exames complementares (como exames de
sangue e ultrassonografia). Por meio do diagnóstico pode-se definir o abortamento como:
inevitável, completo, incompleto, infectado, retido, recorrente ou ameaça (Marquardt
apud Flavia, 2023).
Alterações anatômicas estão entre as principais causas de aborto espontâneo e podem ser
classificadas como congênitas ou adquiridas. As malformações müllerianas recebem
destaque como representantes de anomalias anatômicas congênitas. Já entre as adquiridas
podem ser representadas por: pólipos endometriais, aderências intrauterinas e leiomiomas
(Cavalcante, 2020).
Causas genéticas afetam cerca de 45 a 70% de abortamentos espontâneos
esporádicos e ocorre com maior frequência entre gestantes com idade avançada (Hodžić,
2018), em que é comum defeitos cromossômicos como: trissomias autossômicas,
poliploidias e monossomia do cromossomo X (Rogenhofer, 2020). Fatores masculinos
também tem grande impacto em perdas gestacionais, porque metade da genética do
embrião é proveniente da parte paterna, fato que influencia na proliferação placentária,
na capacidade de invadir as células trofoblásticas e na modulação da proliferação
(Cavalcante, 2020). Outro fator que apresenta certa recorrência de forma similar nos casos
de perda gestacional espontânea está relacionado a distúrbios hormonais. Distúrbios
hormonais podem estar associados com o abortamento devido à íntima associação do
sistema endócrino com a capacidade reprodutiva feminina e afetam de 8 a 12% dos casos
de abortos espontâneos do tipo de repetição (Hamadi, 2022).
1.1.2 Gravidez ectópica

O conceito de gravidez ectópica se refere à gestação em que o óvulo se implanta


e se de senvolve fora da cavidade normal do útero. Essa designação engloba diversos
cenários, indo além da gravidez extrauterina, abrangindo também a gravidez cervical,
intersticial e aquela que ocorre em uma cicatriz de cesárea (VIANA & GEBER, 2024).
Apesar do aumento na incidência de gravidez ectópica, a taxa de mortalidade
decorrente dessa condição diminuiu significativamente nas últimas décadas. No entanto,
ainda é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre da gravidez.
A gravidez ectópica geralmente se encontra associada a fatores de risco que
causam lesão tubária ou alteração no transporte ovular. Alguns dos factores de risco
aventados como responsáveis pelo crescente número de casos de gravidez ectópica
(ROCHA et al., 2014).
A Doença Inflamatória Pélvica: Infecções genitais, principalmente causadas por
Chlamy dia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, podem levar a notáveis modificações
nas tubas uterinas. Além de obstruir essas estruturas e essas infecções frequentemente
resultam em redução da quantidade e da movimentação dos cílios, união das dobras da
mucosa com estreita mento da luz tubária, formação de pequenos divertículos e danos às
fímbrias (ZUGAIB, 2023).
1.1.3 Gravidez molar (doença trofoblástica gestacional)

Após a fecundação, várias etapas acontecem até o início da gestação. Utilizamos


o termo Doença Trofoblástica Gestacional para nomear uma falha no momento da
fertilização. Esse erro leva a um desenvolvimento placentário anormal e causa falência
no desenvolvimento fetal, ou seja, o embrião não se desenvolve e as células do tecido
trofoblástico continuam a se dividir
desordenadamente e formam um aspecto de “cacho deuva’’. A DTG constitui um grupo
de doenças da placenta conhecidas como Mola Hidatiforme Completa (MHC) e Mola
Hidatiforme Parcial (MHP), capazes de evoluir para formas invasoras e/ou malignas,
como as neoplasias (MONTENEGRO e REZENDE;2017); (NISHIOKA, 2019).
Como a Gravidez Molar (GM) é um estado de gestação agravado, logo é
conhecida por elevar exageradamente os níveis de hCG. Em 1959 foi criada a 33°
Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, sob a chefia de Jorge de
Rezende. Sob a direção do professor Ericsson Linhares, nela foi instalado um laboratório
de hormônios com a finalidade de dosar os níveis de hCg (BELFORT e BAPTISTA;
2010).
As mulheres diagnosticas com essa doença apresentam uma sintomatologia
abundante, como hemorragia vaginal em mais de 95% das pacientes, útero aumentado
para a idade gestacional, vômitos intensos e recorrentes devido às intensas alterações
endócrinas, sendo vulnerável ao emagrecimento e desidratação, cistos teca-luteínicos
dosovários resultantes da hiper estimulação pelo hCG, pré-eclâmpsia, hipertireoidismo e
embolização trofoblástica (BELFORT; BRAGA; 2004), (MONTENEGRO; REZENDE;
2017).
1.1.4 Sangramento de implantação

O sangramento na primeira metade da gestação é uma condição clínica relevante


que afeta até 30% das gestantes, sendo uma das principais causas de consultas de
emergência em serviços obstétricos. Este fenômeno pode ser desencadeado por uma
variedade de fatores, que vão desde causas fisiológicas benignas, como o sangramento de
implantação, até complicações graves, como o aborto espontâneo, a gravidez ectópica e
a doença trofoblástica gestacional. A presença de sangramento durante esse período da
gravidez pode gerar grande ansiedade e incerteza para a gestante, além de representar um
desafio diagnóstico e terapêutico para os profissionais de saúde (AMIRO et al., 2019). A
compreensão das diferentes etiologias é fundamental para orientar a abordagem clínica,
uma vez que o manejo adequado depende do diagnóstico preciso e precoce de cada
condição. A identificação dos fatores de risco, como a história obstétrica, presença de
doenças crônicas maternas e hábitos de vida, é essencial para a estratificação do risco e a
definição do plano de cuidados. A ultrassonografia transvaginal e a dosagem sérica do
hormônio β-hCG são ferramentas diagnósticas de primeira linha, permitindo a
diferenciação entre as diversas causas de sangramento e a identificação de gestações de
risco (EATON et al., 2016).
Nos casos de sangramento de implantação, a conduta geralmente é expectante,
uma vez que não há risco significativo para a continuidade da gestação. Por outro lado,
condições como a gravidez ectópica e a mola hidatiforme requerem intervenção imediata
para evitar complicações maternas graves, como ruptura tubária e disseminação
metastática da doença trofoblástica. O aborto espontâneo, por sua vez, deve ser manejado
de acordo com a apresentação clínica e as preferências da paciente, podendo envolver
desde a conduta expectante até a intervenção cirúrgica (MASCARENHAS et al., 2021).

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