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Reflexões sobre o Vazio e a Existência

O texto explora a luta interna de um narrador que se sente aprisionado em um vazio existencial, refletindo sobre emoções como tristeza, medo e solidão. Através de uma narrativa confusa e poética, o autor questiona sua própria identidade e a natureza da vida e da morte. O vazio é apresentado como um personagem que atormenta o narrador, simbolizando a busca por significado em meio à dor e à confusão.
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Reflexões sobre o Vazio e a Existência

O texto explora a luta interna de um narrador que se sente aprisionado em um vazio existencial, refletindo sobre emoções como tristeza, medo e solidão. Através de uma narrativa confusa e poética, o autor questiona sua própria identidade e a natureza da vida e da morte. O vazio é apresentado como um personagem que atormenta o narrador, simbolizando a busca por significado em meio à dor e à confusão.
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Não sei como começar este livro.

Não sei quem são os personagens, como vou


escrever... só estou escrevendo o que me vier a mente. Mente esta atormentada;
mas cheia de imaginação e luz, misturada com uma sombra negra. Ás vezea minha
mente está vazia, e ás vezes tão cheia (agora está mais vazia que o próprio vazio,
mas ainda assim cheia de ondas de coisas que não consigo indentificar.) Me veio
uma ideia a mente, o nome do(a) protagonista. Ou o figurante, já que ele(a) se
considera figurante de sua própria vida. Mas é claro, com uma vida tão vazia e fútil
como aquela, que somente um tiro poderia tornar sua vida mais interessante e
finalmente se tornar o protagonista por uns dias. Já decidi. Seu nome será
"desconhecido" ou "vazio", ou "escuro", não sei. Seja qual vós quiser. Todos os dias,
me alívio ao pensar que um dia morrerei. Sei que isso é estranho; pensar na morte.
Mas acredito que minha única cura (cura para o desconhecido) é a morte. Talvez, eu
viva e anseie pela morte até o fim, e no fim, talvez eu anseie pela vida. O mundo dos
" talvez" é um talvez que não existe e nem nunca existirá. Não sei se há um
significado exato para essa palavra tão ansiosa.

1
O que sinto é desconhecido. Sentir é desconhecido. Pensar é sentir. Só se sente
sentindo. Sem sentir, não há como saber que sente.
Estes dias me peguei pensando:
O que é? ...
- felicidade: um sentimento desconhecido.
- tristeza: zona de conforto sem conforto.
- medo: algo que não protege do motivo.
- ansiedade: ansiar pelo futuro com medo ou felicidade.
- raiva: a explosão de todas as emoções.
- nojo: vontade insuportável de vômitar a alma.
Há muitas outras emoções existentes, mas são todas desconhecidas.

2
Ultimamente venho sentindo-me aprisionada ── aprisionada por mim mesma ──
esta prisão em que vivo cheira a mofo, mas ainda assim me é confortável. Na
verdade, já não vivo mais nesta prisão: fugi há um tempo. Mas acabei indo para um
lugar pior; é escuro e vazio. Não sei se é vazio, mas caminho e não há nada. Não
tenho lanterna, só tenho a mim mesmo(a). Caminho, caminho, caminho em busca de
um fim ── uma luz ── me canso pela caminhada que acho que fiz ── ás vezes
andei e continuei no mesmo lugar, mas não sei. ──

3
Sou um homem ── ou mulher ── triste. Não tenho um lugar seguro para essa
melancolia ── o único lugar seguro é ela mesma ── tristeza + tristeza = tristeza.
Estou morto. Agora de verdade. Fui atropelado(a) pelo vazio ── ou seja, eu
mesmo(a) ──

Quem sou eu?


Não conto sobre mim por medo ── medo de que? ── de que vós descubra quem
sou. Mesmo que já saiba que não sou nada. Sou um humano mas também não sou.
── então sou o que? ── não sei. Talvez eu esteja morto(a) e penso que estou
vivo(a) ── ou será que estou vivo(a) mas penso (e sinto) que estou vivo(a)? Ou
será que não estou nenhum dos dois? ──
estou sumindo. ── sumindo no que? ──
No escuro. ── não sou visto pois não estou aqui, mas talvez eu esteja, não sou visto
porque não existo, não sou visto porque estou morto, ou só não me vêem porque
não quero? ── ou sou visto(a)? Sumo cada vez mais no escuro (o escuro sou eu)
── ou não estou desaparecendo pois não existo? ── ou existo e é o escuro que
desaparece em mim? Vós deve imaginar que existo pois escrevo, mas meus
pensamentos ── que estão sendo desembolados pela confusão que mesmo causo
── por outro alguém que coloca minha cabeça em um papel. ── eu, desconhecido,
estou em guerra com a autora deste livro. ── ou ela que está em guerra comigo?
── não sabemos quem entra em cena. Por isso, somos um só. Ao mesmo tempo
que vivemos num só corpo ── eu no nada e ela em si-mesma ── Estamos em
cena sempre juntos. Sou o nada inexistente e ela o algo desconhecido. Sou mais
confuso que ela.

Sou meu ── ou minha ── próprio(a) narrador ──


Narra-dor ──

Diariamente, me escondo de um desconhecido ── me escondo em mim. ── até


porque não tenho onde me esconder.

Sou o nada que vive no futuro.


Até no escuro já sei oque vai vir ── nada. ── tudo oque existe no escuro é o
escuro.

4
5
Direi a vós oque nunca disse á ninguém:
Eu sou o vazio que te atormenta todos os dias.
Aquele nada que NADA preenche.
Quando você acha que finalmente está preenchido,
EU volto.
SOU EU que afasto sua felicidade
Pois a felicidade é uma só.
Enquanto a tristeza,
É a mistura de diversas emoções.
Por que um se pode ter mais?
É por isso que sou tão odiado,
Pois sou o inimigo da felicidade.

Já que sabe agora que, convivo com vós diariamente, acho que já temos bastante
intimidade.

6
A solidão acabou de me atingir. Achei que não estivesse só, mas estava. Sempre
estive.
Estava comendo o escuro. Não me alimento. Me alimento de pensamentos
cansativos e tristeza. Meus pensamentos são como fogo; cada pensamento que
chega é uma bola de fogo, que me atinge, queima e esmaga, pois ao correr, tropeço
──
Tropeço no nada. ──

7
Mesmo que um dia eu há de ser tão pobre, ainda poderei escrever ── nem que eu
há de escrever numa parede com infiltração que retrata o choro da miséria. ──
Nunca deveremos romantizar a pobreza. O passado, o futuro e o presente de uma
pessoa pobre é o choro de sujeira.

A miséria é igual ao escuro; sem luz, não há como andar, pois parece que quanto
mais se anda, mais se fica colado ao chão que acha que está finalmente saindo,
onde uma bala ultrapassa suas costas, atingindo seu coração sem motivo ── é só
alguém que está com ânsia de matar, ou só te odeia. ──
Não há ninguém na plateia, então porque continua a atuar?

8
Ontem assisti a dois filmes de romance;
Um com final bom e o outro ruim.
O bom fim:
Termina com aquele clichê " felizes para sempre " (Como se não existisse a morte)
com ambos com 3 filhos que correm pela casa e ambos observam com sorrisos no
rosto, com aquele fim de tarde melancólico e tranquilo, que deixa triste por ser o fim
── que não é o fim ── mas feliz por ter um dia seguinte.
O final ruim:
Um casal vai a um penhasco, felizes por estarem juntos.
Uma parte deste penhasco se solta, como se não estivesse nada feliz com o amor
do casal; como se quisesse amor também. Ambos caiem dramaticamente, trocando
um último beijo no ar.

Acho engraçado que, pessoas que acreditam e s onham com um fim feliz para si,
mas que tem medo da morte e pensa que é algo ruim, como se o " the end" não
fosse o caixão, o céu, o purgatório ou o inferno.

9
É manhã, manhã vazia.
Tarde morta virá.
Noite cheia e tenebrosa
── ou animada ──
virá.
Hoje vi uma centopeia morta. Me pergunto:
Será que a mesma rasteja agora como um fantasma, que já não há mais perigo para
si em ser esmagada como se não fosse nada, como se também não tentasse viver
neste mundo. Talvez ela esteja melhor que eu agora...

10
Estou com fome. ── não é comida. ── é uma fome de algo que se alimente do
vazio. Mas dizem que só eu posso preencher todo este vazio. ── mas como vou
preencher se eu sou o vazio? ──

Será que existe uma comida que se come, e ao comer, ela engole tudo de ruim que
existe dentro de si? Acho que nunca irei descobrir. Ou talvez um dia eu descubra
com tristeza, ao perceber de que tanto vazio ela se cansará de continuar se
alimentando, assim desistindo ou ficando cada vez mais lenta, mesmo que seja o
que mais gosta.

11
A cabeça está agitada,
O coração sem conforto,
A alma cansada e agonizada,
O corpo pesado com a luta de acordar...
E para piorar o vazio que está nos olhos.

Estou cansada de continuar este livro. Vazio, vazio... terminarei meu longo e confuso
diálogo com vós com uma carta. Mas talvez essas não sejam minhas últimas
palavras para ti.

As últimas palavras sempre são o silêncio.

Se eu precisar conversar com você denovo, pode ter certeza que voltarei aqui.

12
Carta á um ser anônimo.
Anônimo ou nada, vazio escuro que mata á todos e
me afunda num mar de desconforto.
Vazio este que não existe mas existe, é triste mas é feliz, é doloroso mas é rémedio
para a dor; um silêncio gritante; alma morta e transparente; com dor ou sem dor
chora; morre e continua vivo(a); poeta torturado pelo desconhecido; medo do que
existe e do que não existe; tristeza feliz; felicidade triste; saudades do que nunca
ocorreu; cabecinha pertubada; olhos cegos que enxergam o ímpossivel;
A tentativa de falar oque não é traduzivel; a sensação agonizante de não ser
compreendido; o desejo por uma vida melhor quando só se tem forças para morrer;
o ódio de ter acordado mais um dia; a ânsia e a solidão noturna; a ânsia de ter uma
companhia e o ódio de finalmente ter; não ter reciprocidade boa do outro; pedir
desculpa sem ter; uma carta sem resposta (ela mesma é a resposta); confusão
compreendida; ódio sem raiva; coração duplo; nada é nada, nada é o vazio, nada é
si-mesmo, nada é o escuro, tudo é o escuro com nada, nada é tudo, nada é a dor,
nada é pensar ser cego se enxerga, nada é enxergar no vazio da escuridão, nada é
observar o céu noturno com paixão, o nada é um luxo.
Você é o nada.

13

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