O início, ou algo do tipo.
A lua se fazia vigoroso no céu quando, em um galpão esquecido e desgastado pelo
tempo, 7 garotas se reuniam. Longe de qualquer luz, elas tinham seus rostos
escondidos por máscaras e, apesar da escuridão, não tinham qualquer problema para
enxergar tudo.
— Todas, me ouçam atentamente, hoje julgaremos uma criminosa. — A mais baixa das
garotas tomou a frente, as outras ouviram com um rosto solene de respeito.
Nos olhos da pequenina, um brilho lilás apareceu, em seguida, uma enorme runa de
mesmo brilho se mostrou no chão. As outras 6 se posicionaram ao redor daquilo e, em
um instante, estava em um novo cenário.
Era um tribunal, 5 mulheres na plateia, uma como aquela a fazer acusação e, como júri,
estava a menininha de olhos lilases. No centro de tudo aquilo, estava uma pessoa cujo
rosto fora escondido por um capuz preto.
Sua identidade era irrelevante, o importante era o crime que teria cometido: tentativa de
flerte não autorizado com Jun. De todos os crimes, esse era, para seu fan club, o pior.
O julgamento foi rápido, culpa instantânea após análise de vídeos e áudios. A
discussão sobre a pena se alongou um pouco mais, mas o veredito foi que morte era
muito leviano, sendo tortura a decisão final.
Todas as garotas se prepararam e, de forma sádica, começaram a discutir sobre quem
teria o direito de aplicar a punição. No fim, a decisão foi tomada por meio de um sorteio.
Lara, a escolhida, caminhou sorrindo para o abate.
Chiii! Logo foi ouvido o som desagradável do chicote cortando o ar fortemente, a garota
encapuzada, teve sua primeira de muitas feridas nas costas. A dor levou seus olhos a
arregalaram inconscientemente, sua expressão amargou, mas ela não proferiu qualquer
som. Resistindo como podia, tentava não pensar no ardor insuportável em suas costas.
Inconscientemente, acabou tentando desviar do açoite nos golpes seguintes, o que
apenas irritou mais as garotas. Para evitar problemas desse tipo, decidiram amarrá-la
fortemente em um poste, colocá-la de joelho sobre o milho e ainda amarraram seu
pescoço com uma coleira.
Passados os preparativos, o barulho desagradável do chicote rasgando o ar ainda pôde
ser ouvido muitas e muitas vezes, com uma violência cada vez maior. O estalar
dessgradável da carne humana sendo cortada, era algo que trazia o riso aquelas
pessoas.
Para aquela pobre garota, restava tentar aguentar, como podia, o ardor intenso se
espalhava mais e mais pelo corpo. Tentava respirar com calma, pensar em outra coisa,
mas descobriu que eram truques inúteis, a queimação e a dor só aumentavam.
Restou desistir.
A encapuzada fechou os olhos e deixou de lutar por sua vida, não conseguia enxergar
mais uma escapatória. Com a mente desejando pela morte, o corpo pouco aguento;
caiu no chão frio sem reação, desmaiada, foi deixada naquele lugar para morrer por
perda de sangue.
☬☬☬
Inocente e alheio a noite, Junior acordou com o sol e, com os olhos ainda fechados,
tateou seu caminho até o banheiro. Enquanto escovava os dentes, viu, refletido no
espelho, seu cabelo completamente bagunçado, parecia um protagonista de anime com
cabelo tão espetado.
Água e um pente foram suficientes para acalmar o cabelo rebelde que tentava desafiar
Newton, assim Junior voltou ao seu estado normal, como um bom e clássico
protagonista de drama.
Jun pegou sua mochila pesada e, depois da carona do pai, pegou o metrô até chegar
no objetivo. Era seu primeiro dia de aula, por isso fez questão de chegar ainda mais
cedo do que o comum.
Entrando no lugar deserto, andou sem pensar muito, achou sua sala, sentou e começou
a fazer os exercícios de matemática do caderno. Uma vez que acertasse todos, não
precisaria assistir a aula, já tinha até um fone preparado para a ocasião.
Surpreendentemente, a segunda pessoa a entrar naquele lugar foi Pedro. Recém
voltando do Canadá, tinha ajustado mal o relógio por isso, achando que estava
atrasado, correu apenas para chegar muito antes do horário correto.
Notando seu erro, entrou na sala puto com o Vancouver por estar na longitude errada,
se tivessem colocado a América do Norte um pouco mais à direita, nem teria que
ajustar o relógio. Resumindo, era tudo culpa das placas tectônicas.
Mas sua raiva era precoce, cê nem viu e já foi. Um garoto bonitinho, quieto, fazendo
bagulho de exatas, era seu tipo e, perto do tesão amor, o que é a raiva? Mais eficiente
que chá de camomila, era um amor à primeira vista, descobriu.
Com todo aquele espaço, escolheu, por motivos óbvios, sentar exatamente do lado de
seu novo crush. Só faltava ter a coragem de começar a conversa, mas tava em falta.
Apenas depois de sentar, lembrou que era tímido e inútil socialmente.
— Ou, qual o seu nome? — Por sorte, Jun era sociável e, sem motivo aparente,
começou a conversa.
“Será que na verdade ele também se interessou por mim? Hehe! Como é bom ser
popular.”
Ao invés de responder na hora, Pedro perdeu tempo pensando coisas inúteis, quase
que o romance acabou ali. Contudo, poucos milésimos de segundos antes que o
silêncio prolongado se tornasse desconfortável, se tocou e respondeu:
— Sou Pedro, e você?
— Jun.
E nada, faltava assunto.
— O que está fazendo? — Por mais que soubesse a resposta, o garoto apontou para a
apostila esperando que aquilo gerasse assunto.
— Exercício de matemática — murmurou Jun. — Estava enroscado nesse aqui. — Com
o lápis, apontou para o problema em questão. — E você, tá fazendo o que?
— Nada, se quiser posso tentar te ajudar com isso. — Pedro, apesar de odiar estudo,
resolveu abrir uma exceção, era o poder do amor.
Ninguém merece mais matemática numa história, então, pulado esse dialogo, os dois
estavam, por algum motivo, mais próximos, inclusive, já naquele dia, combinaram de
estudar juntos mais tarde.
Era uma cena rotineira de dois amigos se conhecendo ou algo mais? Essa era uma
pergunta que surgia na mente da terceira pessoa a adentrar aquela sala, Júlia, com
seus 152,3 centímetros, via refletida em seus olhos lilases uma cena irritante.
Observou aqueles dois o tempo todo, como conversavam nos intervalos das aulas e
como ficaram próximos no recreio. Seu sangue já estava fervendo, era inaceitável que
alguém tivesse chegado antes dela para falar com Jun no primeiro dia de aula.
Mesmo assim esperou, só precisava da oportunidade certa para interrogar aquele tal de
Pedro. Paciente, aguentou a tempestade em sua mente, até que seu alvo decidiu ir ao
banheiro no meio da aula.
Era a chance perfeita, de início, o plano dela seria o seguir depois da aula, mas aquilo
era ainda melhor. Saiu logo da classe, naquela hora não tinha ninguém por perto, por
isso bastava esperar na saída do banheiro.
— Não pense que pode escapar. — Por algum motivo, murmurou alto suas ameaças
para o nada e um sorriso se alargou de forma bizarra em seu rosto.