PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
ESCOLA DE DIREITO, NEGÓCIOS E COMUNICAÇÃO
NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE TRABALHO DE CURSO
ARTIGO CIENTÍFICO
ESTELIONATO VIRTUAL NO DIREITO BRASILEIRO
ORIENTANDO: RUANH NERES DE ALMEIDA
ORIENTADORA: PROF.ª DR.ª FERNANDA DA SILVA BORGES
GOIÂNIA
2023
RUANH NERES DE ALMEIDA
ESTELIONATO VIRTUAL NO DIREITO BRASILEIRO
Artigo Científico apresentado à disciplina
Trabalho de Curso II da Escola de Direito,
Negócios e Comunicação da Pontifícia
Universidade Católica de Goiás. Prof.(a)
Orientadora: Profa. Drª Fernanda da Silva
Borges
GOIÂNIA-GO.
2023
RUANH NERES DE ALMEIDA
ESTELIONATO VIRTUAL NO DIREITO BRASILEIRO
Data da Defesa: ___ de ____________ de ______
Orientador (a): Prof. (a): Titulação e Nome Completo Nota
Examinador (a) Convidado (a): Prof. (a): Titulação e Nome Completo Nota
ESTELIONATO VIRTUAL NO DIREITO BRASILEIRO
Ruanh Neres de Almeida
Com o crescente número de pessoas utilizando a internet para realizar transações financeiras, o
estelionato virtual tem se tornado cada vez mais comum. O objetivo do presente artigo foi
apresentar os diferentes tipos de estelionato virtual e as medidas preventivas que podem ser
tomadas para evitar esse tipo de crime. Para isso, utilizou-se da pesquisa de revisão bibliográfica
baseada em estudos e pesquisas sobre o tema. Os resultados desta pesquisa incluem
informações importantes sobre os diferentes tipos de estelionato virtual, como phishing,
engenharia social e malware. Além disso, foram apresentadas medidas preventivas que podem
ser tomadas pelos usuários para evitar serem vítimas desses golpes. É importante que a
sociedade digital esteja preparada para lidar com as novas formas de criminalidade que surgem
no ambiente virtual para garantir a segurança e a privacidade dos indivíduos, das empresas e
das instituições públicas.
INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea tem passado por uma grande transformação
com o advento da tecnologia e a popularização da internet. Com isso, novas
formas de interação social e econômica surgiram, trazendo consigo novos
desafios e problemas. Um desses problemas é o aumento dos crimes virtuais,
que têm se tornado cada vez mais frequentes e sofisticados.
O estelionato virtual é um desses crimes que tem ganhado destaque nos
últimos anos. Ele consiste em uma fraude realizada por meio eletrônico, na qual
o criminoso utiliza informações falsas ou enganosas para obter vantagens
financeiras ou patrimoniais de terceiros. Essa prática criminosa pode ser
realizada de diversas formas, como clonagem de cartões de crédito, phishing,
entre outras.
Diante desse cenário, surge a problemática da pesquisa: como prevenir e
combater o estelionato virtual? Essa questão se torna ainda mais relevante
quando consideramos que os crimes virtuais podem afetar não apenas
indivíduos, mas também empresas e instituições públicas.
Assim sendo, este trabalho tem como objetivo principal analisar as
diferentes formas de estelionato virtual e apresentar medidas preventivas para
evitar esse tipo de crime. Além disso, busca-se compreender a legislação
brasileira em relação aos crimes cibernéticos e avaliar sua eficácia na punição
dos criminosos.
Para alcançar esses objetivos será utilizada uma metodologia de pesquisa
bibliográfica exploratória. Serão consultados livros, artigos científicos e
legislações relacionadas ao tema em questão. A partir dessa análise
bibliográfica, serão apresentadas as principais formas de estelionato virtual e as
medidas preventivas que podem ser adotadas para evitá-las.
O trabalho está estruturado em três seções. Na primeira seção, serão
apresentados os conceitos básicos sobre crimes virtuais e o surgimento do
estelionato virtual. Na segunda seção, serão descritas as diferentes formas de
estelionato virtual, como clonagem de cartões de crédito e phishing. Por fim, na
terceira seção, serão apresentadas as medidas preventivas que podem ser
adotadas para evitar o estelionato virtual.
Serão abordados temas como a importância da educação digital para a
prevenção dos crimes virtuais, a necessidade de verificar a autenticidade dos
sites e e-mails recebidos e a importância de manter softwares atualizados.
Além disso, será realizada uma análise da legislação brasileira em relação
aos crimes cibernéticos. Serão apresentadas as principais leis que tratam do
assunto e avaliada sua eficácia na punição dos criminosos. Nesse sentido,
acreditamos que essa pesquisa é relevante tanto do ponto de vista social quanto
jurídico, pois pode ajudar na prevenção desse tipo de crime e na proteção dos
direitos dos cidadãos.
1 DOS CRIMES VIRTUAIS: ASPECTOS PRINCIPAIS
De acordo com Pozzebom (2022), o aumento constante do uso da internet
e da tecnologia em nossas vidas, os crimes virtuais, também conhecidos como
crimes cibernéticos, se tornaram uma preocupação cada vez mais relevante.
Esses crimes podem ser classificados de diversas maneiras, dependendo do tipo
de crime e da abordagem utilizada para sua classificação.
Uma das principais categorias de crimes virtuais é a fraude, esse tipo de
crime envolve o uso de técnicas de engenharia social para enganar as pessoas
e obter informações ou dinheiro de forma ilegal (TEIXEIRA, 2022).
A autora cita os exemplos que incluem phishing, spam, golpes de
pagamento adiantado e fraude de cartão de crédito. Os criminosos virtuais
muitas vezes utilizam técnicas sofisticadas para criar mensagens e sites falsos
que parecem autênticos, a fim de enganar as pessoas e obter informações
confidenciais (POZZEBOM, 2022).
Outra categoria importante de crimes virtuais é a relacionada à
propriedade, esse tipo de crime envolve o roubo ou danos a dados, software ou
hardware.
Os exemplos incluem invasão de sistemas, furto de propriedade
intelectual e sabotagem de sistemas, os criminosos virtuais podem utilizar
técnicas de hacking para invadir sistemas e roubar informações confidenciais,
ou mesmo sabotar sistemas inteiros para prejudicar empresas e indivíduos.
Os crimes virtuais também podem ser classificados de acordo com o
impacto que eles têm na privacidade das pessoas, crimes contra a privacidade
envolvem o acesso não autorizado a informações pessoais, como dados
bancários, registros médicos e informações de identificação pessoal.
Esses crimes podem ter um grande impacto na vida das pessoas,
incluindo perda financeira, comprometimento da identidade e exposição de
informações pessoais, De acordo com Fia (2021, online):
Além das questões psicológicas que atingem as vítimas, há
também o impacto financeiro tanto para elas quanto para
empresas ou instituições. Os usuários privados podem ter que
arcar com custos de tratamento psicológico e psiquiátrico.
O crime virtual consiste em um conjunto de ações ilegais que ocorrem no
contexto da utilização de tecnologias de informação e comunicação, tais como
computadores, internet, redes sociais, dispositivos móveis, entre outros. Trata-
se de atos que violam normas legais, cometidos por meio do processamento
automatizado ou eletrônico de informações ou sua difusão (FERREIRA, 1992).
Além disso, existem crimes virtuais relacionados ao conteúdo, como a
distribuição ilegal de conteúdo protegido por direitos autorais ou a criação de
conteúdo prejudicial, como pornografia infantil e discurso de ódio, também
existem crimes relacionados à segurança nacional, que envolvem ataques a
sistemas de infraestrutura crítica, roubo de informações governamentais
sensíveis e espionagem cibernética. E, finalmente, existem crimes relacionados
à tecnologia, como malware, botnets e ataques de negação de serviço.
É importante lembrar que a classificação dos crimes virtuais continua a
evoluir à medida que novas tecnologias e tendências surgem, à medida que as
pessoas se tornam cada vez mais dependentes da tecnologia.
1.1 O SURGIMENTO DOS CRIMES VIRTUAIS E OS DESAFIOS DA
SOCIEDADE DIGITAL
Os primeiros registros de delitos cibernéticos datam dos anos 60, quando
indivíduos mal-intencionados manipulavam informações contidas em
computadores para perpetrar atividades ilegais, tais como sabotagem,
espionagem e abuso de sistemas computacionais, como aponta, Novais (200,
p14):
Os crimes cibernéticos existem desde o início da internet, e no
Brasil não se tornou diferente, mas somente em 18 de junho de
1996 se tornou registrado o primeiro crime cibernético brasileiro.
A notícia se tornou pública quando foi descoberta uma invasão
em vários sites ligados ao governo, como o site oficial do
Supremo Tribunal Federal, e partir deste evento a sociedade
brasileira soube pela primeira vez o que seria o início dos crimes
cibernéticos, e o governo passou a ter esta invasão cibernética
como seu primeiro problema virtual, e sem qualquer plano
imediato para apresentar como solução.
No entanto, naquela época, a identificação dessas práticas era bastante
desafiadora devido às limitações técnicas existentes, todavia, a partir da década
de 80, ocorreu uma mudança significativa no panorama, com a identificação e
divulgação de várias atividades criminosas cometidas por meios virtuais, como
a violação de direitos autorais, a adulteração de caixas eletrônicos e a
exploração ilegal de telecomunicações, entre outras.
A intensificação desses delitos levou ao surgimento das primeiras leis que
normatizavam a prática dessas ações ilícitas, desse modo, é possível afirmar
que a criminalidade virtual evoluiu de forma significativa ao longo das décadas,
acompanhando o desenvolvimento tecnológico e as demandas do mercado
digital.
Com o avanço das tecnologias digitais, a internet e as redes sociais se
tornaram ferramentas indispensáveis para a comunicação, o entretenimento, o
trabalho e as compras online. No entanto, essa mesma evolução tecnológica
também abriu caminho para um novo tipo de crime os crimes virtuais, Segundo
Pinheiro (2000, p.20)
Com a popularização da Internet em todo o mundo, milhares de
pessoas começaram a se utilizar deste meio.
Contemporaneamente se percebe que nem todos a utilizam de
maneira sensata e, acreditando que a internet um espaço livre,
acabam por e ceder em suas condutas e criando novas
modalidades de delito.
O surgimento desses crimes é fruto da própria evolução da tecnologia e
da popularização da internet, que tornaram possível a criação de ferramentas e
técnicas para a prática de crimes online.
Um dos principais desafios dos crimes virtuais é a dificuldade de identificar
os criminosos e coletar provas, muitos desses crimes são cometidos por pessoas
que estão em outro país ou até mesmo em outra região do mundo, alguns
criminosos utilizam até de meios mais sofisticados como o uso da VPN (REDE
PRIVADA VIRTUAL) que consiste em ser uma técnica que visa ocultar o
endereço IP do dispositivo que está sendo utilizado para cometer crimes virtuais,
dificultando a identificação do autor das atividades criminosas e,
consequentemente, a sua captura pelas autoridades, tornando a investigação e
punição dos criminosos um processo complexo e muitas vezes frustrante.
Conforme o autor Northcutt (2022, p.156) expressa:
VPN é uma conexão estabelecida por uma infraestrutura
"pública" ou compartilhada existente, usando tecnologias de
criptografia ou autenticação para proteger seu tráfego de dados.
Isso cria um segmento "virtual" entre duas entidades quaisquer
que têm acesso.
Outro desafio é a falta de legislação específica para crimes virtuais em
muitos países principalmente no Brasil. Como os crimes virtuais são
relativamente recentes, muitos países ainda estão se adaptando às novas
formas de criminalidade que surgem no ambiente virtual, além disso, a
cooperação internacional entre países muitas vezes é difícil, o que dificulta ainda
mais a investigação e punição dos criminosos, (SIQUEIRA, 2017, p.122):
Seria possível a identificação do criminoso obtendo o seu
endereço de IP, login e senha do aparelho utilizado para a
prática do crime, porém, os criminosos utilizam endereços
falsos, dificultando o trabalho investigativo dos policiais.
Mas é possível adotar medidas de segurança e estabelecer leis para
enfrentar essa nova forma de criminalidade.
A evolução das tecnologias digitais continua, e é importante que a
sociedade esteja preparada para lidar com os novos desafios que surgem no
ambiente virtual, um ponto importante a ser destacado é que os crimes virtuais
não afetam apenas indivíduos e empresas, mas também governos e instituições
públicas, ataques cibernéticos a sistemas governamentais e de infraestrutura
crítica, como redes elétricas e sistemas de transporte, podem causar danos
irreparáveis e colocar a segurança nacional em risco, por isso, é essencial que
governos e instituições estejam preparados para lidar com essas ameaças, isso
inclui a criação de equipes especializadas em segurança cibernética, a
implementação de políticas de segurança robustas, a realização de testes de
vulnerabilidade e a adoção de tecnologias avançadas de proteção, além disso,
é importante destacar que os crimes virtuais não são cometidos apenas por
indivíduos mal intencionados, mas também por organizações criminosas e até
mesmo por governos.
Ataques cibernéticos patrocinados por Estados podem ser utilizados para
fins políticos, econômicos ou militares, representando uma grave ameaça à
segurança global.
Por isso, a cooperação internacional é essencial para combater os crimes virtuais
e garantir a segurança cibernética. É necessário que os governos compartilhem
informações e recursos, estabeleçam acordos de cooperação e atuem de forma
coordenada para investigar e punir os criminosos virtuais.
O surgimento dos crimes virtuais é um fenômeno complexo e
multifacetado, que representa um desafio para a sociedade digital e para a
segurança global, no entanto, é possível enfrentar essa ameaça por meio da
adoção de medidas de segurança, da criação de leis específicas, da cooperação
internacional e do desenvolvimento de tecnologias avançadas de proteção,
como aponta Fonseca (2002. pag.1):
Não basta, para a aplicação da sanção penal, o conhecimento
superficial sobre a identidade do acusado, não se trata de
homonímia, mas da comprovação de que aquele que se figura
como imputado realmente praticou o que lhe é imputado.
Cabe à sociedade digital estar sempre em busca de conhecimento e
preparada para lidar com as novas formas de criminalidade que surgem no
ambiente virtual para evitar ser uma vítima. Somente assim será possível garantir
a segurança e a privacidade dos indivíduos, das empresas e das instituições
públicas, e proteger a integridade da sociedade como um todo.
1.2 SUJEITOS DO CRIME
Os conceitos de sujeito ativo e sujeito passivo são importantes no direito penal
para identificar quem cometeu o crime (sujeito ativo), e quem sofreu os efeitos
do crime (sujeito passivo).
1.2.1 Sujeito Ativo
O sujeito ativo do estelionato virtual é aquele que pratica a fraude ou golpe
por meio da internet, com o objetivo de obter vantagem financeira ou patrimonial
de forma ilícita, o sujeito ativo do estelionato virtual pode ser qualquer pessoa
que tenha habilidades técnicas para realizar golpes pela internet, incluindo
conhecimentos de informática, programação e segurança virtual. Em muitos
casos, os golpistas atuam em quadrilhas especializadas em crimes virtuais, que
utilizam técnicas avançadas para ludibriar as vítimas, seguimos com o conceito
do autor Fonseca (2002, pag.1):
Os crimes perpetrados neste ambiente se caracterizam pela
ausência física do agente ativo, por isso, ficaram usualmente
definidos como sendo crimes virtuais, ou seja, os delitos
praticados por meio da internet são denominados de crimes
virtuais, devido à ausência física de seus autores e seus
asseclas.
Entre os principais tipos de golpes praticados pelo sujeito ativo do
estelionato virtual, estão o phishing, em que o golpista envia e-mails ou
mensagens falsas para obter informações pessoais ou financeiras da vítima; o
malware, em que o golpista instala programas maliciosos nos computadores das
vítimas para capturar informações pessoais ou financeiras; e o ransomware, em
que o golpista bloqueia o acesso aos dados do usuário e exige o pagamento de
um resgate para liberá-los.
O sujeito ativo do estelionato virtual pode agir de forma anônima,
utilizando técnicas de camuflagem para ocultar sua identidade e localização.
1.3.2 Sujeito Passivo
O sujeito passivo do estelionato virtual é a pessoa ou instituição que sofre
prejuízo financeiro em decorrência de um golpe ou fraude realizada por meio da
internet. Esse tipo de crime, conhecido como estelionato virtual ou golpe
eletrônico. Conforme citado por Nabuco (s.d), o sujeito passivo do estelionato
virtual pode ser qualquer pessoa ou empresa que utiliza a internet para realizar
transações financeiras ou compartilhar informações pessoais. Isso inclui
consumidores que realizam compras online, empresas que realizam transações
comerciais pela internet, usuários de redes sociais que compartilham
informações pessoais, entre outros.
O sujeito passivo do estelionato virtual muitas vezes pode ter prejuízos
financeiros significativos, como a perda de dinheiro em transações fraudulentas,
a cobrança de valores indevidos em cartões de crédito, ou mesmo a perda de
dados pessoais e financeiros que podem ser utilizados pelos golpistas para
realizar outros crimes.
2 ESTELIONATO VIRTUAL: PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
O crime de estelionato é um crime que nos últimos tempos ocorre
frequentemente e por isso, a sociedade necessita de maior conhecimento e de
respaldo. Assim, se faz necessário compreender os aspectos deste tipo de
crime, visto que são praticados em ambos os ambientes, tanto no meio virtual,
quanto fora da internet, e está disposto no artigo 171, do Código Penal.
Em conformidade com a Lei nº 2.848 de 07 de dezembro de 1940, temos que:
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em
prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro,
mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio
fraudulento. Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de
quinhentos mil réis a dez contos de réis (BRASIL, 1940).
Estelionato é uma palavra originária do grego stelio, que se refere a um
tipo de lagarto que modifica a cor de seu corpo para enganar suas presas. A
denominação da expressão jurídica “estelionato” se deu pelo fato da relação do
comportamento do lagarto para conseguir suas presas, com pessoas que
utilizam de truques e artifícios para enganar alguém (RIBEIRO, 2019).
O estelionato é um crime que atenta contra o patrimônio, sendo que a
legislação penal procura proteger a inviolabilidade patrimonial por meio da
prevenção de atos que visam enganar a vítima para beneficiar o agente
(CUNHA, 2019).
O delito em questão é caracterizado pelo ato de enganar, fraudar ou burla
a vítima, que faz a vítima acreditar em uma história ou conversa que na verdade
é uma farsa, como resultado, a pessoa pode sofrer prejuízos e consequências
financeiras ou até mesmo atitudes criminosas que afetam sua honra muitas
vezes irreparáveis.
É importante ressaltar que, no crime de estelionato, não há violência ou
grave ameaça por parte do autor.
Em conformidade com a Lei nº 2.848 de 07 de dezembro de 1940, temos que:
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave
ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida
vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de
fazer alguma coisa: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e
multa (BRASIL, 1940)
Entre outros aspectos, no fato de que, no estelionato, a vítima é levada a
entregar voluntariamente o objeto, enquanto na extorsão, ela é forçada a
entregar contra sua vontade, por meio de violência ou grave ameaça. Em outras
palavras, na extorsão, há a entrega do objeto, mesmo que o ofendido não queira
entregá-lo, enquanto no estelionato, a vítima entrega conscientemente, embora
iludida.
Conforme mencionado por Silva (2020):
Diferenciam-se os crimes de extorsão e estelionato, entre outros
aspectos, porque no estelionato a vítima quer entregar o objeto,
pois foi induzida ou mantida em erro pelo agente mediante o
emprego de fraude; enquanto na extorsão a vítima despoja-se
de seu patrimônio contra a sua vontade, fazendo-o por ter sofrido
violência ou grave ameaça.
O bem jurídico protegido pelo estelionato é a inviolabilidade do patrimônio,
especialmente em relação aos ataques que podem ser realizados por meio de
fraude. O ordenamento jurídico visa proteger tanto o interesse social,
representado pela confiança recíproca que deve prevalecer em relacionamentos
patrimoniais individuais e comerciais, quanto o interesse público de repelir
qualquer fraude que possa causar danos a alguém.
Em síntese, é possível afirmar que o estelionato é um crime que visa
enganar e prejudicar uma pessoa por meio de artimanhas e estratégias
fraudulentas. A legislação penal tem como objetivo proteger a inviolabilidade
patrimonial e evitar que os indivíduos caiam em golpes que possam causar
prejuízos financeiros. Neste sentido, a compreensão sobre a natureza e os
mecanismos do estelionato é fundamental que sejam mais rigorosas e
especificas para o desenvolvimento de políticas públicas e medidas de
prevenção que possam coibir este tipo de crime.
2.1 CARTÕES CLONADOS
Os carders são indivíduos que praticam atividades ilícitas relacionadas ao
uso fraudulento de cartões de crédito e débito. Essas atividades podem incluir a
compra de informações de cartões roubados, a venda de cartões clonados, e a
realização de transações fraudulentas utilizando cartões de terceiros.
Em geral, os carders utilizam técnicas de hacking e engenharia social para
obter informações sensíveis de cartões de crédito e débito, como número, data
de validade, código de segurança (CVV), entre outras. Essas informações
podem ser obtidas através da invasão de sistemas de empresas e instituições
financeiras, do phishing (envio de e-mails e mensagens fraudulentas), do uso de
skimmers (dispositivos instalados em caixas eletrônicos e máquinas de cartão),
e outras técnicas.
Conforme citado por Nakamura (2007, p.22):
A transação eletrônica segura, utilizado no comercio de
eletrônico, faz com que as lojas virtuais não tenham acesso ao
número do cartão de crédito, o que poderia ser aproveitado para
uma base de dados de seus clientes. Essa, na realidade, é uma
característica importante para a segurança, pois o maior perigo
dos incidentes envolvendo cartões de crédito está relacionado
ao seu armazenamento.
Com essas informações em mãos, os carders podem criar cartões
clonados, que são cópias idênticas dos cartões originais, e utilizá-los para
realizar transações fraudulentas em lojas físicas e online. Eles também podem
vender esses cartões no mercado negro da internet, para outros criminosos que
desejam usá-los para fins ilegais.
As vítimas muitas vezes só percebem que seu cartão foi clonado quando
recebem as faturas do cartão de crédito com transações desconhecidas ou
quando são notificadas pelo banco sobre transações suspeitas.
O cartão clonado é um dos crimes mais comuns relacionados à segurança
cibernética.
2.2 PHISHING
Phishing e uma prática utilizada pelos criminosos fazendo a criação de
uma réplica de um site legítimo e tentam convencer as vítimas a fornecer
informações pessoais ou financeiras, phishing de acordo com Pena (2020,
pag.1):
O termo vem do inglês phishing surgiu nos anos 1990 e é uma
alteração de fishing, que quer dizer pescaria, que consiste em
deixar várias iscas pela internet aguardando que sejam
mordidas. Podemos definir phishing como qualquer tipo de
fraude por meios de telecomunicação, que usa truques de
engenharia social para obter dados privados das vítimas.
Eles podem fazer isso de várias maneiras, como criar um link parecido
com a do site legítimo é adicionar um certificado SSL para dar a impressão de
que o site é seguro, SERASA (2021, online) é enfático ao afirmar:
SSL é a sigla para Secure Sockets Layer, uma ferramenta de
segurança digital usada para comunicar sites e navegadores de
forma criptografada. É ela a responsável por modificar os
endereços dos sites de HTTP para HTTPS, o que indica que
oferecem comunicação segura com o servidor, o SSL é
extremamente importante para proteger informações sensíveis
inseridas em um site, por isso deve estar presente quando um
usuário fornece dados como números de documentos, cartões
de crédito ou de login, ele dificulta a captura dessas informações
por hackers que buscam roubar dados de pessoas e empresas,
impedindo que elas sejam interceptadas, capturadas ou
visualizadas enquanto são transferidas até o servidor.
Uma vez que a vítima acessa o site falso, ela é levada a fornecer
informações como nome de usuário, senha, endereço de e-mail, número de
cartão de crédito ou outras informações pessoais e financeiras. Essas
informações são, então, usadas pelos criminosos para cometer fraude.
Clonagem de sites é uma técnica de phishing muito eficaz porque muitos
usuários não verificam a URL do site que estão visitando ou não percebem a
diferença entre o site real e o falso.
Além disso, os criminosos frequentemente usam táticas de engenharia
social, como enviar e-mails de phishing com links para sites falsos, para atrair as
vítimas a fornecerem suas informações.
Segundo Mitnick (2003), os especialistas em engenharia social buscam
obter o máximo de informações sobre sua vítima, com o objetivo de criar um
ambiente de conforto, familiaridade e confiança. Para isso, podem dedicar dias
ou até semanas em pesquisa aprofundada, coletando dados sobre os interesses,
preferências e história pessoal da pessoa que pretendem enganar.
Outro método comum de phishing é o phishing por e-mail, os criminosos
enviam e-mails falsos, que parecem ser de uma empresa ou organização
legítima, com o objetivo de enganar as vítimas a clicar em um link ou baixar um
anexo malicioso, o link ou o anexo pode levar a um site falso ou a um arquivo
infectado por malware, os e-mails de phishing geralmente contêm uma
mensagem urgente ou alarmante, como um aviso de que sua conta será
suspensa se você não clicar no link ou fornecer informações pessoais ou
financeiras imediatamente. Eles também podem usar táticas de engenharia
social, como fazer parecer que o e-mail é de uma pessoa que você conhece ou
que está familiarizado com você.
O phishing por SMS é semelhante ao phishing por e-mail, mas envolve o
envio de mensagens de texto em vez de e-mails. Os criminosos enviam
mensagens de texto que parecem ser de uma empresa ou organização legítima
e pedem que você clique em um link ou forneça informações pessoais ou
financeiras, assim como no phishing por e-mail, as mensagens de texto de
phishing geralmente contêm uma mensagem urgente ou alarmante e usam
táticas de engenharia social para convencer as vítimas a fornecerem
informações pessoais ou financeiras, eles também podem usar números de
telefone falsos ou de outras pessoas para mascarar sua verdadeira identidade.
2.2.1 Bankers
Os bankers são criminosos especializados em roubar informações
bancárias e financeiras, como senhas, números de contas e outros dados
sigilosos, para acessar as contas bancárias de terceiros e realizar transações
fraudulentas.
Assim como os carders, os bankers também utilizam técnicas de hacking
e engenharia social para obter informações confidenciais de suas vítimas. Eles
podem utilizar softwares maliciosos para roubar senhas e outras informações
bancárias de computadores e dispositivos móveis, ou podem enviar e-mails e
mensagens fraudulentas (phishing) para enganar as pessoas e fazer com que
elas forneçam suas informações bancárias sem perceber, de acordo com Rohr
(2012, online):
O objetivo principal do Banker é roubar senhas bancárias.
Alguns Bankers são também programados para roubar senhas
de serviços on-line, como redes sociais. Outras versões do
código são capazes de roubar cartões de crédito e senhas de
usuários em sites de companhias aéreas, que depois serão
acessadas para o roubo de milhas de viagens acumuladas.
Com as informações bancárias em mãos, os bankers podem acessar as
contas bancárias das vítimas e realizar transações fraudulentas, como
transferências bancárias, pagamento de contas e compras online. Eles também
podem realizar o que é conhecido como "roubo de identidade", ou seja, utilizar
as informações bancárias roubadas para criar novas contas em nome das
vítimas e realizar transações fraudulentas em seus nomes.
Os bankers também podem vender as informações bancárias roubadas
no mercado negro da internet, para outros criminosos que desejam utilizá-las
para fins ilegais.
2.2.2 Golpes em Redes Sociais
Os golpes em redes sociais são cada vez mais comuns e sofisticados,
tornando-se uma ameaça crescente para os usuários de mídias sociais.
Esses golpes geralmente começam com uma mensagem ou convite de
alguém que a vítima conhece ou que parece ser legítimo, eles podem ser
realizados de diversas maneiras, como através da criação de perfis falsos, envio
de links maliciosos, mensagens que pedem informações pessoais ou promovem
produtos ou serviços falsos.
Um dos golpes mais comuns em redes sociais é a criação de perfis falsos
que se passam por pessoas conhecidas, como amigos ou familiares.
Ludgero (2020, p.2) afirma que:
O número de esquemas tem crescido tanto que o Instagram, em
novembro de 2018, se posicionou contra os perfis criminosos. O
ambiente online acaba facilitando ações ilegais, por conta da
dificuldade de rastrear o criminoso e a falta de informação dos
internautas de como denunciar. Esses perfis são mais difíceis de
identificar que do um Fake comum, pois eles agem como se
fossem reais — postam fotos, legendas, Stories e informações
que conferem legitimidade para o perfil, que pode ser pessoal ou
institucional. Estima-se que o Instagram pode ter até 95 milhões
de perfis falsos.
Esses perfis podem ser criados para pedir dinheiro emprestado ou
oferecer uma oportunidade de investimento promissora, os criminosos também
podem criar perfis falsos de empresas ou organizações legítimas para obter
informações pessoais dos usuários.
Outro tipo comum de golpe em redes sociais é o envio de links maliciosos
ou arquivos infectados por malware. Esses links podem ser disfarçados como
vídeos engraçados ou promoções tentadoras que, ao serem clicados, levam a
vítima para um site malicioso que rouba informações pessoais ou instala
malware em seu computador, nesse sentido. Ludgero (2020, pag.2), menciona
que:
Neste tipo de esquema, os golpistas alegam oferecer produtos
grátis para as vítimas. As supostas empresas oferecem produtos
ou serviços em troca likes, compartilhamentos ou divulgações.
Para concluir a entrega, pedem que elas se cadastrem e enviem
informações pessoais, como o endereço e um e-mail de contato.
Os usuários têm, assim, suas informações roubadas. Caso
cadastrem informações bancárias, eles podem até ter seu cartão
"roubado”.
As mensagens que pedem informações pessoais, como senhas de conta
ou números de cartão de crédito, são outro tipo de golpe em redes sociais. Os
criminosos podem se passar por representantes de empresas legítimas ou
mesmo enviar mensagens que parecem ser de amigos próximos, pedindo
informações pessoais que podem ser usadas para fins fraudulentos.
3 ESTELIONATO E SUA APLICABILIDADE DO DIREITO BRASILEIRO
O estelionato é um tipo de delito do Código Penal Brasileiro no qual pode
ser executado de diversas maneiras, conforme se depreende do artigo 171, o
criminoso induz alguém para obter vantagens indevidas, mediante artificio ou
qualquer outro meio fraudulento.
O estelionatário se adapta rapidamente ao ambiente em que se encontra,
agindo de modo a iludir a vítima, com suas artimanhas e a má fé, típica do perfil
de quem comete tal delito, pois esse sabe disfarçar e se utiliza muitas vezes de
meios virtuais para atingir seus objetivos.
O ato praticado pelo estelionatário, que agiu com nítido comportamento
doloso com o foco de obter vantagem ilícita, ocasionando prejuízo à vítima, se
iguala perfeitamente ao tipo penal.
Conforme nos ensina Bitencourt (2019, p.1369):
No estelionato, há dupla relação causal: primeiro, a vítima é
enganada mediante fraude, sendo está a causa e o engano o
efeito; segundo, nova relação causal entre o erro, como causa,
e a obtenção de vantagem ilícita e o respectivo prejuízo, como
efeito.
No tipo penal, o estelionato não exige qualquer qualidade, tanto do sujeito
passivo, quanto do ativo, portanto, qualquer pessoa poderá figurar como o autor
do crime ou poderá ser a vítima, sendo primordiais, para a sua configuração, o
preenchimento de três elementos, quais sejam: vantagem ilícita, fraude e
prejuízo alheio.
Portanto, o estelionato trata-se de crime doloso, que não admite a conduta
culposa, o agente por livre e consciente desejo, induz ou mantem alguém em
erro, com o intuito de obter indevida vantagem, para si ou para outrem, aceitando
a tentativa, caso consiga o agente o induzimento da vítima ao erro, porém,
quando da obtenção da vantagem ilícita, certa vantagem não se concretiza por
circunstâncias alheias à sua vontade.
Na sociedade brasileira não é considerado algo novo o crime de
estelionato. Ocorre, entretanto, a observação de um aumento nesses tipos
penais, mesmo que a pena e as leis, tenha ficado mais rígidas para os
estelionatários.
Em 24 de dezembro de 2019, foi sancionada a “Lei anticrime” (13.964/19),
ocasionou consideradas mudanças no nosso ordenamento jurídico-penal
brasileiro.
O crime de estelionato, antes era processado mediante ação penal
pública incondicionada, com a mudança passou a ter o seu processamento
mediante ação pública condicionada à representação, salvo alguns casos
específicos, tais como: casos em que o ofendido for maior de 70 anos de idade
ou incapaz, seja Administração Pública, pessoa com eficiência mental, ou
criança ou adolescente.
O que se pode observar dessa modalidade de crime é que se dá devido
ao crescimento tecnológico, e do acesso à internet com suas facilidades, que
acarreta alguns riscos à sociedade, como o crescimento dos crimes de
estelionato.
Vale ressaltar, quanto mais grave for o estelionato, maior será a
consequência para o estelionatário. Bem como, se for pequeno o prejuízo, será
mais branda a pena e isso incentiva os criminosos a cometer pequenos delitos
várias vezes.
Para a sociedade e a aplicabilidade do direito brasileiro, o Ministério
Público só poderá oferecer denúncia em contra a pessoa que está sendo
investigada se o ofendido, no caso a vítima, solicitar que seja feito a apuração
dos fatos às autoridades (delegado de polícia, promotor ou juiz), ou se a
vítima/ofendido for alguma das exceções já mencionadas. Ressalvando que, de
acordo com o art. 38 do Código de Processo Penal, a representação deverá ser
feita no prazo decadencial de 6 meses, contados a partir da data em que o
ofendido tomar conhecimento do (s) autor (es) dos fatos.
Segundo Lima (2019, p. 262):
Não necessita de formalidades para que se proceda com a
representação, bastando apenas a vontade expressa da vítima
ou de seu representante legal, indicando que deseja que aquele
que cometeu o crime seja criminalmente processado.
Surge para a sociedade brasileira como uma expectativa de que a lei
penal institua penas mais rigorosas para determinados crimes, como é o caso
do estelionato.
3.1 IMPACTOS SOCIAIS E ECONÔMICOS DO ESTELIONATO VIRTUAL
A Lei 14.155/2021, que foi sancionada em 27/05/2021 modifica o Código
Penal, criando a figura da Fraude Eletrônica, tentando tornar mais exigente a
penalidade para os crimes que violam o dispositivo informático, como podemos
citar as espécies de furto e estelionato realizados através de dispositivos
eletrônicos pela internet.
A segurança é uma questão de bastante importante, principalmente no
ambiente físico quanto no virtual. A fraude eletrônica advém, no momento em
que o criminoso atinge seu objeto, enganando por meio de redes sociais,
ligações telefônicas, e-mail falso ou qualquer outro meio fraudulento, ao viabilizar
informações confidenciais, tais como, senhas, de bancos ou número de cartão
de crédito ou débito.
De acordo com Mitnick (2003), a segurança no ambiente virtual é um
jogo constante de gato e rato, no qual as empresas precisam estar um passo à
frente dos invasores para minimizar os riscos. Ele destaca que a engenharia
social é uma das maiores ameaças à segurança cibernética e enfatiza a
importância de conscientizar os usuários sobre os riscos e ensiná-los a
identificar possíveis ameaças.
Segundo o conteúdo editorial da Security Report (2023), a FortiGuard,
através de seu laboratório de inteligência divulgou que o Brasil ficou em segundo
lugar nos números totais de ataques cibernéticos do ano de 2022, em relação
aos atingidos na América Latina, com “103,16 bilhões de tentativas de ataques
cibernéticos, um aumento de 16% com relação a 2021“.
Com a percepção dos efeitos causados por um crime cibernético e o
crescimento da criminalidade e seu rápido desenvolvimento nos últimos tempos
motivaram aflição em escala global com o impacto que acarreta a sociedade.
Os crimes de estelionato virtual têm um impacto significativo na sociedade
brasileira. Eles podem ter como vítimas: indivíduos, empresas e instituições
governamentais. Tendo como consequências mais comuns: roubo de
informações pessoais, ataques a empresas, propagação de malware, fraudes
online, as pessoas podem se sentir menos seguras em usar a internet para
realizar transações financeiras e compartilhar informações pessoais. Isso pode
prejudicar a economia digital e a inovação tecnológica no país.
Os crimes realizados virtualmente são de um impacto social e psíquico
devastador, com relação aos impactos econômicos estes estão relacionados aos
prejuízos financeiros causados tanto às vítimas quanto às pessoas próximas a
elas. No geral, as vítimas passam por muitos momentos de tensão até conseguir
recuperar as suas contas e provar que não foram elas que tiveram tais atitudes.
Por conseguinte, a segurança é fundamental, conclui-se que a prudência
aliada ao bom senso deve ser adotada por todos os indivíduos que tenham
acesso a meios eletrônicos, também vale destacar que é necessário um avanço
tanto normativamente quanto a especialização de uma polícia investigativa para
o combate o estelionato virtual.
3.2 PREVENÇÃO DO ESTELIONATO VIRTUAL NA SOCIEDADE
A proteção no mundo virtual é uma batalha contínua de estratégia, em
que as empresas devem estar sempre à frente dos invasores para reduzir os
perigos. É importante salientar que a engenharia social representa uma das
principais ameaças à segurança cibernética e, por isso, é fundamental
conscientizar os usuários sobre os riscos e ensiná-los a identificar possíveis
ameaças (MITNICK, 2003).
Com o crescente número de pessoas utilizando a internet para realizar
transações financeiras, o estelionato virtual tem se tornado cada vez mais
comum. O crime ocorre quando alguém é enganado por um golpista que utiliza
técnicas como phishing, engenharia social ou malware para obter informações
pessoais e financeiras da vítima.
Para prevenir o estelionato virtual, é necessário que os usuários tomem
algumas medidas preventivas. A primeira e mais importante é estar sempre
atento às transações online e às informações que são fornecidas. É preciso
verificar a autenticidade dos sites e dos e-mails recebidos, bem como evitar clicar
em links suspeitos ou em arquivos desconhecidos.
Além disso, é importante que os usuários utilizem senhas seguras e
diferentes para cada conta, evitando a utilização de informações pessoais como
data de nascimento ou nome do animal de estimação. Também é recomendável
que os usuários utilizem softwares antivírus e antimalware atualizados, a fim de
prevenir a ação de programas maliciosos que possam comprometer a segurança
do computador (MITNICK, 2017).
As empresas também têm um papel importante na prevenção do
estelionato virtual. É preciso que elas invistam em medidas de segurança
eficientes, como a criptografia de dados, autenticação biométrica e outras
tecnologias avançadas de segurança. Além disso, as empresas devem fornecer
orientações e treinamentos para seus funcionários, a fim de que estes estejam
preparados para identificar e prevenir possíveis tentativas de fraude.
O poder público também pode atuar na prevenção do estelionato virtual,
promovendo campanhas de conscientização e elaborando leis mais rígidas para
punir os criminosos. Além disso, é importante que as autoridades competentes
estejam preparadas para investigar e punir os criminosos envolvidos nesse tipo
de crime.
Por fim, é importante que haja uma cultura de prevenção do estelionato
virtual na sociedade como um todo. A conscientização das pessoas é
fundamental para que elas possam tomar medidas preventivas e evitar serem
vítimas de golpes. É preciso que as pessoas estejam sempre atentas e
informadas sobre os riscos envolvidos nas transações financeiras online.
Em resumo, a prevenção do estelionato virtual é uma responsabilidade de
todos. Usuários, empresas e poder público devem estar comprometidos em
adotar medidas preventivas eficientes e conscientizar a população sobre os
riscos envolvidos nas transações online. Dessa forma, será possível garantir um
ambiente mais seguro e protegido para todos.
CONCLUSÃO
Com base nos resultados obtidos, podemos concluir que a pesquisa
atingiu seus objetivos. O objetivo principal deste estudo foi analisar as principais
formas de prevenção contra o estelionato virtual na sociedade. Para isso, foram
realizadas pesquisas bibliográficas de especialistas na área.
Os resultados mostraram que a proteção no mundo virtual é uma batalha
contínua de estratégia, em que as empresas devem estar sempre à frente dos
invasores para reduzir os perigos. Além disso, a engenharia social representa
uma das principais ameaças à segurança cibernética e, por isso, é fundamental
conscientizar os usuários sobre os riscos e ensiná-los a identificar possíveis
ameaças.
A hipótese inicial deste estudo foi confirmada pelos resultados obtidos.
Concluímos que a prudência aliada ao bom senso deve ser adotada por todos
os indivíduos que tenham acesso a meios eletrônicos. É necessário um avanço
tanto normativamente quanto a especialização de uma polícia investigativa para
o combate ao estelionato virtual.
Em resumo, este artigo científico apresentou informações importantes
sobre crimes virtuais e como se proteger deles.
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