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Estelionato na Internet: Análise e Impactos

Este artigo analisa os crimes de estelionato na internet, destacando os métodos virtuais utilizados por criminosos e a evolução da legislação brasileira relacionada a esses delitos. A pesquisa enfatiza a crescente vulnerabilidade do ambiente digital e a necessidade de uma resposta eficaz do Estado para proteger os cidadãos. A metodologia é baseada na revisão bibliográfica, abordando tanto o contexto histórico da internet quanto a configuração do crime de estelionato no mundo virtual.

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Estelionato na Internet: Análise e Impactos

Este artigo analisa os crimes de estelionato na internet, destacando os métodos virtuais utilizados por criminosos e a evolução da legislação brasileira relacionada a esses delitos. A pesquisa enfatiza a crescente vulnerabilidade do ambiente digital e a necessidade de uma resposta eficaz do Estado para proteger os cidadãos. A metodologia é baseada na revisão bibliográfica, abordando tanto o contexto histórico da internet quanto a configuração do crime de estelionato no mundo virtual.

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Autor:

Gabriel Luíz Araruna Muniz[1]


.
RESUMO: Este artigo tem como propósito fornecer uma análise sobre os crimes cometidos na internet, com foco
especial no estelionato. A pesquisa aborda os principais meios virtuais empregados por criminosos em suas atividades
ilícitas. Muitas vezes, eles se valem de diversos websites e plataformas de redes sociais, aproveitando o crescimento
exponencial no número de usuários a cada ano. Inicialmente, o artigo discute a evolução da internet, destacando sua
importância e relevância no mundo contemporâneo, bem como os aspectos negativos relacionados ao aumento da
atividade criminosa no ambiente digital. A metodologia utilizada para conduzir esta pesquisa baseia-se principalmente
na revisão bibliográfica.
Palavras-chave: Crime; Estelionato; Internet; Virtual.
ABSTRACT: The purpose of this article is to provide an analysis of crimes committed on the internet, with a special
focus on fraud. The research discusses the main virtual methods employed by criminals in their illicit activities. Often,
they make use of various websites and social media platforms, taking advantage of the exponential growth in the
number of users each year. Initially, the article delves into the evolution of the internet, highlighting its importance and
relevance in the contemporary world, as well as the negative aspects related to the rise in criminal activity in the digital
environment. The methodology used for this research is primarily based on literature review.
Keywords: Crime; Fraud; Internet; Virtual.
INTRODUÇÃO
O presente estudo tem como objetivo analisar de forma geral o avanço do crime de estelionato praticado no Brasil por
meios digitais, demonstrando como esse tipo de crime evoluiu conjuntamente com a evolução digital no país. Sendo
essa evolução a responsável inclusive por alterações no Art. 171 do Código Penal Brasileiro, em que trata de fraude
eletrônica, previsto no §2-A e §2-B.
Deste modo, será analisado se a atual legislação Brasileira específica é eficiente para coibir a prática de crimes dessa
natureza ou mesmo se ainda se apresenta déficit para atingir tal objetivo.
Ao longo das sucessivas mudanças da sociedade, a humanidade por si só passou por diversas transformações e
avanços nos âmagos sociais, econômicos e, acima destes, tecnológicos. Nas últimas décadas, as formas de interações
sociais se tornaram cada vez mais dinâmicas, sendo impulsionadas pelo uso ubíquo da internet e das redes sociais.
É incontestável que a sociedade se tornou de forma quase integral dependente de uma infraestrutura informatizada, não
apenas nas vidas privadas, onde é notadamente marcada pelas redes sociais e aplicativos de entretenimento de forma
geral, mas também notasse tal fato nos órgãos e serviços públicos, onde se é preponderante a utilização de sistemas
próprios com funcionalidades computacionais direcionadas para cada um deles.
As tecnologias da informação tornaram-se instrumentos essenciais para a realização das atividades do nosso próprio
cotidiano e também para o pleno funcionamento da economia, dos órgãos governamentais e da sociedade de forma
geral.
Sendo assim, a análise dessas mudanças sociais e tecnológicas se torna imprescindível não apenas para compreender
o atual cenário histórico, mas também com a finalidade de analisar os efeitos práticos que a internet exerce sobre o
direito penal atual.
Nota-se que o acesso à internet tem crescido de forma exponencial, alcançando diariamente novos usuários. Esses
indivíduos de nossa sociedade encontram-se imersos em um novo cenário social, o conhecido como mundo virtual, que
atualmente se apresenta como um universo totalmente diferente do que vivemos – onde todos estariam livres, sem os
limites impostos pela sociedade – sendo apresentado de uma forma tão bem estabelecida que propicia um ambiente
fértil para a prática de atividades criminosas.
A criminalidade, como fenômeno da raça humana, está em evolução constante, adaptando-se de forma contínua aos
novos cenários de nossa sociedade, e com isso, naturalmente, buscando novos meios para a prática de crimes que
sejam mais difíceis de detecção e punição.
Com efeito, a segurança dos cidadãos no conhecido ciberespaço torna-se cada vez mais perigosa, visto a
vulnerabilidade do ambiente digital, ficando deste modo suscetível às ações criminosas perpetradas por terceiros.
Nesse contexto, cabe ao Estado a responsabilidade de resolver tais problemas, controlando, combatendo e punindo, de
forma que possa reprimir e prevenir a sociedade, trazendo assim uma segurança aos direitos dos usuários, assim como
acontece no mundo físico.
1 CONTEXTO DA REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES
O século XXI se destaca como uma época de crescimento tecnológico sem precedentes na história da humanidade
(Ramos, 2019). Este período é caracterizado por inovações que simplificam a vida humana e causam impactos
significativos na economia global.
Esse notável avanço é impulsionado pela globalização, um processo de expansão econômica, política e cultural que
teve origem nas grandes navegações e se tornou ainda mais abrangente na contemporaneidade, conectando nações em
uma economia globalizada.
Uma característica marcante desse processo é a interconexão mundial, impulsionada pelo crescimento e
aprimoramento dos meios de comunicação. Isso reflete a aproximação entre países, impulsionada por fatores
econômicos, políticos e culturais.
A expansão do uso da internet e das redes sociais, que eliminam as barreiras geográficas entre pessoas, tem se
ampliado constantemente, atingindo uma parte significativa da população global.
Essas ferramentas surgem como resultado dos avanços da sociedade, possibilitando ligações econômicas e culturais,
bem como interações sociais em escala global e permitindo comunicações em tempo real entre indivíduos de diversas
nações.
A internet possui um vasto potencial de alcance, uma vez que a interação humana é uma necessidade que remonta aos
primórdios da civilização. Portanto, esses meios interativos são geralmente bem recebidos pela sociedade.
No entanto, esse ambiente virtual pode ser explorado como uma ferramenta para a prática de crimes, seja pela
disseminação de informações falsas ou pela criação de contas falsas em nomes de terceiros.
Nesse contexto, uma variedade de delitos pode ser cometida tanto nas redes sociais quanto por meio de outras
plataformas digitais, abrangendo desde crimes relacionados à difamação e à violação de honra até delitos cometidos
através de fraudes virtuais, visando à obtenção de vantagens ilícitas.
2 DO CRIME DE ESTELIONATO
Como é previsto no art. 171, Código Penal Brasileiro (1940), o crime de estelionato é um delito que envolve engano,
fraude ou artifícios para obter vantagem financeira indevida de outra pessoa, induzindo-a em erro. Também é conhecido
como “fraude” ou “golpe”.
De acordo com Cunha (2019), este é um delito contra o patrimônio, e a legislação penal tem como objetivo salvaguardar
a integridade do patrimônio, especialmente em situações onde o infrator busca enganar a vítima para obter benefícios
pessoais.
Em análise sucinta, Capez, acerca do assunto afirma:
Este delito caracteriza-se por não envolver violência ou ameaça grave por parte do autor. Em vez disso, o agente utiliza
artimanhas para enganar a vítima, induzindo-a a uma percepção equivocada dos acontecimentos, ou para mantê-la em
erro, recorrendo a manobras que impedem que ela perceba o equívoco em que está envolvida (CAPEZ, 2020, p. 841)
No estelionato, o autor utiliza de manobras enganosas para fazer com que a vítima entregue dinheiro, bens,
propriedades ou qualquer tipo de benefício de forma voluntária, acreditando em informações falsas ou distorcidas
apresentadas pelo autor do crime.
Para que o estelionato seja configurado, é necessário que algumas condições estejam presentes, como a intenção
deliberada do autor de enganar a vítima, levando-a a tomar uma atitude prejudicial baseada nas informações falsas
fornecidas. Além disso, é fundamental que a vítima tenha sofrido algum prejuízo financeiro como resultado direto do
engano.
O estelionato configura um delito contra o patrimônio, caracterizado pela ausência de violência ou ameaça grave à
pessoa, o que resulta em penas relativamente mais brandas.
É um crime de ocorrência ampla quanto ao sujeito ativo, ou seja, qualquer pessoa pode ser autora do crime de
estelionato. Da mesma forma, é um crime de ampla aplicação em relação ao sujeito passivo, visto que qualquer
indivíduo pode ser vítima do estelionato.
Os casos de estelionato podem variar amplamente, desde esquemas complexos envolvendo finanças, investimentos
falsos, falsificação de documentos, até situações mais simples como venda de produtos falsificados, falsas promessas
de emprego ou falsas representações de produtos ou serviços.
Em muitos sistemas legais, o estelionato é considerado um crime penal, sujeito a penalidades que podem incluir multas
substanciais e prisão, dependendo das leis do país e da gravidade do crime (MPF, 2016). A gravidade do estelionato
muitas vezes está relacionada ao valor do prejuízo causado à vítima e à natureza das ações fraudulentas empreendidas
pelo autor.
2.1 Estelionato no mundo virtual
É amplamente reconhecido que a internet evoluiu paralelamente à globalização e continua a atrair um número crescente
de usuários a cada dia. Isso facilita a interação entre pessoas de diversas origens geográficas, promovendo a troca de
informações e se tornando uma poderosa ferramenta para impulsionar o comércio.
No entanto, esse ambiente com uma base de usuários em constante expansão também desperta o interesse de
criminosos que exploram meios tecnológicos para cometer delitos.
Devido ao significativo crescimento da internet, das plataformas que facilitam a compra de produtos e da comodidade
de acessar contas bancárias sem sair de casa, a prática de crimes virtuais tornou-se cada vez mais comum.
Nessas atividades criminosas, os perpetradores invadem dispositivos eletrônicos com o objetivo de obter informações
pessoais da vítima, como números de CPF, cartões de crédito e senhas. Eles fazem uso de links, mensagens e anúncios
atraentes que direcionam as vítimas para páginas fraudulentas.
A Lei n° 12.737, promulgada em 30 de novembro de 2012 (Brasil, 2012), trata da criminalização de delitos informáticos e
aborda outras medidas correlatas. Ela visa especificamente a punição de crimes cometidos contra dispositivos ou
sistemas de informação, diferenciando-os dos crimes comuns realizados por meio do computador, intitulada de “Lei
Carolina Dieckmann”.
O artigo 154-A da mencionada legislação (Brasil, 2012), estabelece que cometer a ação de invadir um dispositivo
informático pertencente a outrem, esteja ele conectado ou não à rede de computadores, por meio da violação
inadequada de mecanismos de segurança, com a intenção de obter, alterar ou destruir dados ou informações sem a
autorização expressa ou tácita do proprietário do dispositivo, ou instalar vulnerabilidades com o propósito de obter
vantagem ilícita, constitui um ato criminoso.
O progresso tecnológico está impulsionando de forma crescente a disseminação dessas práticas criminosas.
Atualmente, a internet, devido à sua ampla utilização e acessibilidade, transformou-se em um ambiente altamente
suscetível à exploração e à aplicação de golpes, o que se manifesta através de inúmeros sites fraudulentos, criação de
websites, bancos, perfis em redes sociais e no WhatsApp.
A ocorrência do estelionato praticado virtualmente é uma novidade nos tribunais brasileiros, mas sua incidência tem
aumentado com o avanço da tecnologia, à medida que meios mais eficazes para a execução desses delitos são
desenvolvidos. Para que o estelionato virtual seja configurado, três requisitos essenciais de validade, que compõem o
ato criminoso, devem estar presentes (Silva; Santos). Sem eles, seria impossível atribuir penalidades ao agente. Esses
requisitos incluem a tipificação clara do crime em lei, a conduta do autor e o dano causado à vítima.
A prática desse crime no ambiente virtual é frequentemente executada por indivíduos que demonstram notável
conhecimento sobre a internet e tecnologias da informação. Eles adentram o espaço virtual com a intenção de
prejudicar e enganar outras pessoas, visando obter vantagens ilícitas.
Vale destacar, no entanto, que a única distinção entre o estelionato virtual e o estelionato tradicional reside no “modo de
operação” empregado: o primeiro ocorre online, enquanto o segundo tem lugar no mundo físico. Uma das formas mais
comuns de estelionato no ambiente virtual é a invasão das contas de e-mail das vítimas, que, ao acessar suas páginas
com informações pessoais, acabam tendo suas contas virtuais clonadas.
Entre os estelionatos virtuais mais comuns, encontramos a clonagem de WhatsApp, na qual os criminosos se fazem
passar pela vítima, utilizando sua identidade, e empregam táticas como simulações de assaltos para extorquir dinheiro
de familiares e amigos.
E quanto ao tema da clonagem do WhatsApp e agentes delituosos se passarem por terceiros, Nelson Hungria afirma:
O conjunto de caracteres próprios de uma pessoa, que permite identificá-la e distingui-la das demais, a exemplo do
nome, idade, profissão, sexo, estado civil etc. A lei pune a auto atribuição falsa, ou a atribuição falsa a terceiro, isto é, o
agente se identifica incorretamente, com dados que não lhe são próprios, ou atua, da mesma forma, atribuindo esses
dados falsos a terceira pessoa (HUNGRIA, 1958).
A Lei nº 13.228/2015 introduziu modificações no Código Penal (Brasil, 2015), visando estabelecer uma circunstância de
agravamento da pena para o estelionato praticado contra idosos. Essa alteração acrescentou o 4º parágrafo ao
dispositivo que trata do estelionato, estipulando um aumento na pena quando a vítima é uma pessoa idosa. Como
resultado, a escala de penalidades passou a variar de dois a dez anos de reclusão quando aplicada essa agravante.
Além disso, a clonagem de cartões tornou-se cada vez mais frequente, com os estelionatários obtendo informações por
meio de sites fraudulentos ou máquinas de cartão pertencentes às vítimas.
2.2 O sujeito do crime
No que se refere ao autor do estelionato, qualquer indivíduo pode ser o sujeito ativo, uma vez que se trata de um crime
comum, não requerendo qualificação especial ou condição específica do agente. No que diz respeito à vítima, é
importante destacar que também é um sujeito passivo comum, pois qualquer cidadão pode se tornar alvo de uma
conduta fraudulenta perpetrada pelo criminoso, resultando em prejuízos ao seu patrimônio.
Quanto à vítima segundo Cunha (2019), é importante salientar que ela deve possuir a capacidade de discernimento, ou
seja, a habilidade de ser enganada. Caso essa capacidade esteja ausente, o delito de estelionato não ocorrerá; em vez
disso, o agente será sujeito a julgamento com base no artigo 173 do Código Penal, no delito denominado abuso de
incapazes. Além disso, a vítima deve ser determinada, pois, se for incerta, estaremos tratando de crimes como os
previstos, por exemplo, no artigo 2º, inciso XI, da Lei nº 1.521 de 1951.
Conforme afirma Hertes (2012), é amplamente reconhecido que os estelionatários, além de serem perspicazes, são,
acima de tudo, hábeis sedutores. Eles geralmente exibem boa aparência e possuem um vocabulário cativante, utilizando
argumentos que têm o poder de persuadir pessoas de várias idades, níveis de educação e estratos sociais diversos. No
entanto, raramente operam de forma independente. Para que o delito de estelionato seja caracterizado, é essencial que
a vítima entregue voluntariamente a vantagem ao criminoso. Caso contrário, estaríamos diante de outros tipos de
crimes, como roubo ou extorsão.
2.3 Requisitos para configuração do crime
Para que de fato esteja caracterizado o crime de estelionato, devem estar presentes no elemento do tipo penal: a
vantagem ilícita, prejuízo e fraude. Dito isto, resta-se configurado.
Com relação a vantagem ilícita, trata-se do elemento material central no crime em análise. O agente recorre a artifícios
enganosos exclusivamente para iludir a vítima, em princípio, com o propósito de obter uma vantagem claramente ilícita,
prejudicando terceiros.
No entanto, se o agente busca algo que é legal, a infração não será caracterizada como estelionato, mas poderá ser
classificada como exercício arbitrário das próprias razões (Art. 345, CP).
Como ensina Capez:
A vantagem deve possuir caráter econômico, uma vez que se trata de um delito de natureza patrimonial. Além disso,
essa vantagem deve ser ilícita, ou seja, não estar relacionada a qualquer direito legítimo. Se a vantagem for lícita,
estaremos diante do crime de exercício arbitrário das próprias razões. É importante destacar que, se o agente obtém
uma vantagem ilícita à custa de outrem, não há necessidade de questionar a idoneidade do meio fraudulento utilizado.
Essa questão só é relevante no caso de tentativa (Capez, 2020, p. 842).
Já com relação ao elemento do prejuízo, é necessário para estabelecer a tipificação do delito. Portanto, o crime só será
configurado se a vítima experimentar um dano patrimonial que seja equiparável à vantagem indevida obtida pelo agente.
Quanto à fraude, o estelionato pode ocorrer através da utilização de artifícios, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.
É fundamental destacar que o meio escolhido deve, no mínimo, ser capaz de iludir a vítima, pois, caso contrário,
estaríamos diante do que a lei considera como “crime impossível”, previsto no art. 17 do CP. (Cunha, 2019). O artifício se
refere à fraude no sentido material, ou seja, quando o autor utiliza objetos ou documentos falsos para enganar a vítima e
cometer o ato criminoso.
3 ALTERAÇÃO LEGISLATIVA QUANTO À AÇÃO PENAL
Com a chegada do pacote anticrime, ora denominado legislativamente de lei nº 13.964/2019, trouxe a alteração no tipo
de ação penal do crime de estelionato. Do qual, antes de sua promulgação, o crime era de ação penal pública
incondicionada. No entanto, após entrar em vigor, o delito de estelionato passou a ser de ação penal pública mediante
representação.
Resumindo, uma vez que o crime fosse cometido, não era preciso que a vítima expressasse sua vontade a favor ou
contra a punição do infrator. Essa avaliação de reprovação era atribuição do Ministério Público, que, após conduzir as
investigações, não só apresentava a denúncia criminal contra o suposto estelionatário, mas também desempenhava um
papel essencial na condução e nas manifestações ao longo do processo penal.
Embora a polícia judiciária permaneça encarregada das investigações essenciais e o Ministério Público da apresentação
da denúncia e da gestão dos atos processuais, o processo criminal só será iniciado se a vítima expressar formalmente o
desejo de representação contra o autor. Em outras palavras, a ação penal será desencadeada apenas quando a vítima
manifestar seu interesse na punição do infrator.
4 SOCIEDADE E OS AVANÇOS DAS INFORMAÇÕES
A comodidade proporcionada pela internet é um elemento atrativo para as pessoas, o que fica evidente ao analisar o
impressionante crescimento de usuários e atividades online nos últimos anos.
Segundo pesquisas conduzidas pelo Comitê Gestor da Internet do Brasil – [Link] em 2021, o número de usuários da
internet no Brasil ultrapassou 152 milhões, o que equivale a cerca de 81% da população brasileira com 10 anos ou mais.
Além disso, os estudos demonstraram que o acesso à internet em domicílios aumentou em torno de 12% em
comparação com 2019. Adicionalmente, houve um notável aumento no número de usuários em várias categorias,
abrangendo moradores de áreas rurais (de 53% em 2019 para 70% em 2020), indivíduos com 60 anos ou mais (de 34%
para 50%), aqueles com educação no nível do Ensino Fundamental (de 60% para 73%), bem como entre o público
feminino (de 73% para 85%) e nas classes sociais DE (de 57% para 67%).
Logo, diante da alta migração para o meio virtual, os criminosos acabam escolhendo também migrar, e procurar seus
alvos fáceis.
Uma análise simples do cenário jurídico criminal atual no Brasil revela que, para muitos criminosos, é mais vantajoso
cometer delitos via internet, onde o anonimato é possível, do que envolver-se em crimes nas ruas, como assaltos. Isso
ocorre porque, na grande maioria das vezes, o principal objetivo dos infratores que visam crimes contra o patrimônio é
obter vantagem econômica.
Por outro lado, o roubo envolve sair às ruas, portar armas de fogo ou armas brancas e correr o risco de ser interceptado
pela polícia. Além disso, o roubo é punido com penas mais severas, embora as consequências nem sempre sejam
proporcionais ao desfalque patrimonial causado por um estelionatário.
O autor Damásio (2016), já havia dito quanto ao fato de que o meio virtual permitiria aos delinquentes alcançar de forma
inimaginável as suas vítimas, e de forma simultânea, enganar inúmeros usuários da rede.
No contexto dos crimes informáticos, é importante notar que as características da internet não apenas possibilitaram o
avanço das comunicações, mas também serviram de terreno fértil para o crescimento dos delitos cibernéticos. Esses
crimes muitas vezes se beneficiam da sensação de anonimato e da baixa probabilidade de punição. Até recentemente, a
legislação brasileira relacionada a crimes informáticos se limitava à Lei nº 9.983/2000, que introduziu apenas alguns
poucos artigos no Código Penal, geralmente aplicáveis a funcionários públicos. Globalmente, os crimes virtuais já
ocupam o terceiro lugar em termos de prejuízo financeiro, ficando atrás apenas do tráfico de drogas e da falsificação
(JESUS, 2016, p.73)
De acordo com Corrêa (2010), a internet abriga um extenso repositório de informações, que, por sua vez, são vistas
como ativos valiosos por criminosos, que as exploram com o propósito de cometer delitos e causar prejuízos a
terceiros. Historicamente, onde há riqueza, também surgem crimes.
Para esses criminosos, é mais seguro e lucrativo cometer o delito de estelionato em vez de roubo. O estelionato
geralmente impõe penas mais leves e, frequentemente, devido às dificuldades na identificação dos autores durante a
fase de investigação, os casos nem sempre são resolvidos.
5 FORMAS DE COMBATE AOS CRIMES CIBERNÉTICOS
O enfrentamento dos crimes digitais tornou-se uma prioridade crucial diante do crescente aumento das atividades
criminosas no ambiente virtual. Para lidar com essa desafiadora realidade, estão sendo empregadas uma série de
estratégias e recursos com o objetivo de preservar a integridade da internet e garantir a segurança dos usuários.
Um dos pilares desse combate é a legislação atualizada, na qual os governos estão desenvolvendo e revisando leis
específicas para crimes digitais. Essas leis estabelecem penalidades rigorosas para infratores envolvidos em atividades
como hacking, fraudes online, roubo de identidade e invasões de sistemas. Além disso, a cooperação internacional
desempenha um papel fundamental, uma vez que muitos desses crimes transpassam fronteiras.
Tratados e acordos entre países possibilitam a troca de informações e a coordenação de ações para combater essas
ameaças globais. Profissionais de segurança cibernética, policiais e juízes desempenham papéis cruciais nesse cenário.
O treinamento contínuo mantém esses profissionais atualizados sobre as últimas táticas dos criminosos digitais,
permitindo respostas mais eficazes e a aplicação de medidas legais apropriadas.
Além disso, a investigação tecnológica está em foco, com agências de aplicação da lei desenvolvendo habilidades para
rastrear atividades digitais, coletar evidências e identificar os infratores por meio da análise forense digital. Uma
abordagem holística inclui também a conscientização pública, capacitando os indivíduos a reconhecerem ameaças e
adotarem práticas seguras online. A colaboração com a indústria de tecnologia é outra frente importante.
Ao estabelecer parcerias com empresas de tecnologia e provedores de serviços online, é possível identificar e bloquear
atividades suspeitas, além de desenvolver soluções de segurança mais robustas.
A pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias de segurança cibernética também desempenham um papel central
nessa luta. Investir em sistemas avançados de detecção de intrusões, firewalls e sistemas de autenticação forte ajuda a
proteger contra ameaças digitais em constante evolução.
A análise de big data é outra ferramenta poderosa, capaz de identificar padrões e comportamentos suspeitos que
poderiam passar despercebidos em análises convencionais. A resposta ágil a incidentes cibernéticos é igualmente
crucial. A detecção rápida e ação imediata ajudam a minimizar os danos e possibilitam a identificação dos criminosos
antes que possam escapar.
A criação de equipes especializadas em crimes digitais também se mostra vantajosa, permitindo investigações mais
especializadas e uma resposta mais ágil e eficaz aos incidentes.
Resumindo, o combate aos crimes digitais requer uma abordagem multifacetada, abrangendo desde o desenvolvimento
de leis específicas até a colaboração com a indústria, a conscientização pública e o investimento em tecnologias de
segurança. Somente por meio da cooperação global e da aplicação de estratégias abrangentes será possível criar um
ambiente online mais seguro e protegido para todos.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sociedade está cada vez mais conectada por meio da internet, desempenhando um papel fundamental na interação
social, uma necessidade intrínseca ao ser humano. Essas ferramentas digitais fazem parte da vida de muitos brasileiros,
e esse ambiente online, como observado, também se tornou uma oportunidade para a prática de crimes, devido à
facilidade de acesso e ao grande número de usuários.
Uma análise das doutrinas e das inovações introduzidas pela Lei n° 14.155/2021, que acrescentou parágrafos ao artigo
171 do Código Penal e estabeleceu regras de competência para julgamentos, permitiu traçar um panorama sobre o
crime de estelionato. Ficou evidente que o estelionato virtual se tornou uma ocorrência frequente.
No entanto, a identificação dos criminosos continua sendo um desafio significativo, evidenciando a necessidade de
reformas legislativas no Brasil para combater eficazmente esses crimes. Isso se reflete na falta de eficiência e
resultados substanciais das investigações de crimes virtuais no país, mesmo após as inovações legais mencionadas
neste artigo.
REFERÊNCIAS
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[Link]
impressoes-e-reflexos-no-cp-e-no-cpp/. Acesso em: 14 out. 2023.
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Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal; e dá outras providências. Disponível em:
[Link] Acesso em: 14 out. 2023
LEI Nº 13.964, DE 24 DE DEZEMBRO DE 2019. Aperfeiçoa a legislação penal e processual penal. “Pacote Anticrime”.
Disponível em: [Link] Acesso em:15 out. 2023
LEI Nº 14.155, DE 27 DE MAIO DE 2021. Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para
tornar mais graves os crimes de violação de dispositivo informático, furto e estelionato cometidos de forma eletrônica
ou pela internet; e o Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), para definir a
competência em modalidades de estelionato. Disponível em: [Link]
2022/2021/lei/[Link]. Acesso em: 12 out. 2023
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