Visibilidade de Mulheres Lésbicas na Saúde
Visibilidade de Mulheres Lésbicas na Saúde
CAMPANHA
CURSO DE PSICOLOGIA
SÍLVIA RUIZ
BAGÉ
2025
SÍLVIA RUIZ
BAGÉ
2025
1
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
2
SUMÁRIO
[Link] INTRODUTÓRIA........................................................................................................6
1.1 JUSTIFICATIVA................................................................................................................... 7
1.2 TEMA .................................................................................................................................. 8
1.3 PROBLEMA......................................................................................................................... 8
1.4 OBJETIVOS.........................................................................................................................8
1.4.1 Objetivo geral.................................................................................................................. 8
1.4.2 Objetivos específicos..................................................................................................... 8
2. REVISÃO DE LITERATURA................................................................................................. 9
2.1 DIVERSIDADE SEXUAL, GÊNERO E SEXUALIDADE...................................................... 9
2.2 O PRECONCEITO E A LUTA POR DIREITOS DAS MULHERES LÉSBICAS .................11
2.3 SERVIÇOS PÚBLICOS DE SAÚDE SEXUAL E O ATENDIMENTO A MULHERES
LÉSBICAS .............................................................................................................................. 12
3. METODOLOGIA DE PESQUISA....................................................................................... 15
4. CRONOGRAMA.................................................................................................................. 17
5. ARTIGO…………………………………………………………………………………………….16
REFERÊNCIAS....................................................................................................................... 30
APÊNDICE……………….……………...……………………………………………………………31
3
[Link] INTRODUTÓRIA
A sexualidade constitui um aspecto crucial à vida do ser humano a qual abrange corpo,
gênero, orientação sexual, identidade, sexo, desejo e reprodução, tornando este um campo de
estudo complexo, cujo o conhecimento exige uma abordagem multidisciplinar, dada as suas
recorrentes transformações, as quais decorrem da interação dos aspectos biológicos,
psicológicos e socioculturais, que influenciam e condicionam a vivência da sexualidade em
diferentes contextos (Ciasca; Hercowitz; Junior, 2021; Reis, 2018).
Sendo assim, o presente projeto tem como foco estabelecer uma correlação entre os
estudos científicos e os principais preconceitos, estigmas e adversidades enfrentadas por
mulheres lésbicas ao acesso aos serviços públicos de saúde, visto que compreender tais
questões é de grande relevância, uma vez que, contribui para a formação de uma assistência de
saúde mais prudente e equânime, e que atenda às demandas deste público. Ademais, a proposta
visa fomentar análises críticas sobre as práticas profissionais, promovendo a construção de
políticas públicas e que atentem às particularidades da população lésbica.
Mulheres lésbicas estão expostas a cenários de intolerância, discriminação e exclusão
social, os quais se intensificam pela interseção de notáveis marcadores sociais, como raça,
classe, idade e orientação sexual, sendo assim, tais preconceitos não são isolados, mas se
justapõem, adicionando entraves ao acesso à saúde do público em questão. Dessa forma, os
preconceitos os quais o público lésbico encara, não sintetizam-se exclusivamente à
sexualidade das mesmas, mas são potencializados por diferentes marcadores sociais que se
sobressaem às suas experiências singulares (Silva; Gomes, 2021).
Para os autores Souza, Abirached e Leite (2022), a saúde sexual das mulheres lésbicas
é constantemente negligenciada, não sendo abordada conforme proposto nas diretrizes
estabelecidas pelos protocolos de atendimento, além de não haver preparo suficiente por parte
dos profissionais de saúde para lidar com as especificidades do público em questão. Santos,
Parreira e Pan (2022) alegam a escassez e a necessidade de modificações estruturais nos
serviços de saúde, para garantir às mulheres lésbicas os cuidados apropriados, livres de
preconceitos, adversidades e estigmas, promovendo uma maior equidade no cuidado à saúde.
A elaboração e edificação de um atendimento equitativo requer conscientização e
desconstrução extensa dos estigmas correlacionados à sexualidade não heteronormativa,
garantindo respeito às diversidades existentes (Milanez et al., 2022). Abirached e Leite (2022)
afirmam que a existência de uma abordagem mais inclusiva às questões de gênero e à
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orientação sexual poderia ultrapassar esses estereótipos, promovendo um atendimento
equânime, que julgue como válida a diversidade das práticas sexuais e das identidades de
gênero.
Lima e Saldanha (2020) afirmam que inúmeros profissionais de saúde desconhecem
aspectos essenciais da diversidade sexual e de gênero, originando despreparo e cuidado no
atendimento ofertado. Existir um vínculo de confiança entre mulheres lésbicas e profissionais
da saúde é crucial para que esses indivíduos tenham segurança, acolhimento e apoio ao
compartilhar suas questões pessoais e recorram ao atendimento médico apto quando
necessário, auxiliando na comunicação e possibilitando aos profissionais o entendimento
acentuado das adversidades enfrentadas por essas mulheres no que diz respeito ao acesso aos
cuidados de saúde adequados (Borges et al., 2023).
1.1 JUSTIFICATIVA
A análise dos contratempos que permeiam a vida de mulheres lésbicas no exercício da
experiência completa da sexualidade é crucial para aprofundar a discussão sobre o acesso à
saúde pública, mas também, para reconhecer a sexualidade de forma legítima diante a uma
sociedade majoritariamente heteronormativa. A discussão acerca das adversidades enfrentadas
pelas mulheres lésbicas é de suma importância, visto que, apesar dos avanços nas últimas
décadas em torno deste assunto, ainda há persistentes obstáculos e preconceitos que
evidenciam a invisibilidade destas junto aos serviços de saúde, incidindo na insuficiência dos
direitos deste público, além de pôr em risco a segurança das mulheres em questão.
Há uma carência de conhecimento por parte dos profissionais da área da saúde,
relacionado à saúde de mulheres lésbicas, principalmente no que diz respeito às práticas
sexuais entre mulheres, além da ausência de procedimentos específicos para essa população.
Concomitantemente, durante as consultas, há medo e receio em revelar a orientação sexual, o
que leva a uma evasão dos serviços de saúde, e, inúmeras vezes, na degradação das condições
de saúde preveníveis ou tratáveis, portanto, esses impasses, são entraves para a formação de
políticas públicas que incluam as especificidades das vivências lésbicas para a promoção do
bem-estar destes indivíduos.
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1.2 TEMA
A (in)visibilidade de mulheres lésbicas nos serviços públicos de saúde: preconceitos,
adversidades e possibilidades de acolhimento.
1.3 PROBLEMA
Quais são os principais preconceitos e adversidades enfrentadas por mulheres lésbicas
em relação à saúde nos serviços públicos ?
1.4 OBJETIVOS
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2. REVISÃO DE LITERATURA
Serão apresentados a seguir, as seções teóricas com as discussões das temáticas
relacionadas ao tema desta pesquisa. Os tópicos são divididos em três seções, as quais são
direcionadas aos temas de diversidade, gênero, sexualidade, além dos preconceitos enfrentados
por mulheres lésbicas e a luta por direitos e atendimentos prestados adequadamente nos
serviços públicos de saúde.
2.1 DIVERSIDADE SEXUAL, GÊNERO E SEXUALIDADE
Como evidenciam Guimarães e Nardi (2025), “as ações afirmativas e os espaços de
diálogo promovidos pelos Núcleos de Gênero e Diversidade Sexual contribuem
significativamente para a construção de ambientes educativos mais inclusivos e respeitosos
das diferenças”. Posto isso, o tema diversidade sexual, gênero e sexualidade tem conseguido
espaço nos âmbitos educacionais e em diversos debates, portanto, haver discussões sobre esse
tema é primordial para o enfrentamento de desigualdades que há anos a história presencia e
que afetam a qualidade de vida do público LGBTQIA+, como as mulheres lésbicas que são
duplamente estigmatizadas - por serem mulheres e lésbicas-.
O Conselho Federal de Psicologia, em 1999, reformulou a sua óptica e desconsiderou a
orientação sexual como um comportamento divergente, instituindo diretrizes para a atuação
profissional com o público compatível, abominando quaisquer tentativas de “reverter” a
homossexualidade (Santos, 2020). Posto isso, no Brasil, a resolução 001/99 do Conselho
Federal de Psicologia -CFP-, foi um marco indispensável para definir as normas de atuação
dos psicólogos em relação à orientação sexual, dentre elas: “Parágrafo único: - Os psicólogos
não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das
homossexualidades” (CFP, 1999).
Nas décadas de 1970 e 1980, a homossexualidade feminina se tornou visível no Brasil,
com o surgimento de movimentos da comunidade LGBTQIA+, onde diversas mulheres
reivindicaram direitos iguais, obtendo um papel crítico na luta pela desconstrução dos
estigmas associados a essa comunidade, trazendo às literaturas diferentes aspectos da
sexualidade, tornando a percepção desse tema mais inclusivo e reconhecendo a pluralidade das
vivências individuais de mulheres lésbicas. (Facchini; Carmo; Lima, 2020). Ademais, as
políticas públicas de saúde têm reconhecido a importância de um atendimento inclusivo desse
público e direcionando para as demandas específicas (Santos, 2024).
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Conforme a citação do Conselho Regional de Psicologia, argumenta que a ideia de
gênero é unicamente determinado pela biologia, ainda que, segundo o CRP-SP (2021), o
conceito de gênero “tem o intuito de distinguir a dimensão biológica da dimensão social,
entendendo que homens e mulheres são produtos de construções sociais e culturais, e não de
determinismos biológicos”. Em outras palavras, as identidades de gênero e como o indivíduo
se reconhece como ser humano, não são inerentes ou fixas, mas moldadas ao longo da história
através das interações sociais e vivências únicas.
De acordo com Silva e Costa (2022), “para a psicanálise, a sexualidade não equivale ao
sexo, mas trata-se de um campo amplo que atravessa toda a vida psíquica, sendo moldada pela
cultura, linguagem e relações sociais”. Portanto, a sexualidade é notada como um tema
complexo, visto que a compreensão se separa com pontos de vista contraditórios da mesma,
enaltecendo sua fluidez, relação com o inconsciente e que está em constante transformação
baseado nas experiências individuais de cada ser humano.
Entende-se que a psicanálise atua com uma abordagem característica, visto que, para
ela, conforme Cruz e Fontenelle (2020), a sexualidade excede o instinto sexual, promovendo
um rompimento em relação à centralidade dos órgãos genitais em si. Sob essa ótica, a
sexualidade é compreendida como um fato e não como uma questão no campo das ciências
biológicas, tendo uma função corpórea mais vasta, ligada intrinsicamente às pulsões, e
abrangendo como foco a busca pelo desejo e satisfação em relação ao objeto que a
desencadeia.
Freud elaborou a obra “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”, publicada em
1905, evidenciando a complexidade da sexualidade humana e reconhecendo, apesar da
perspectiva pioneira, as multifacetadas formas de expressão sexual. Sua obra teve efeitos
notórios, uma vez que, ao longo do século XX, a homossexualidade a qual era vista como
patologia veio sendo desconstruída, atingindo seu auge na década de 70 com a remoção da
homossexualidade como doença pela Associação Americana de Psiquiatria (Santos, 2020).
Em conformidade com Cruz e Fontenelle (2020) “ao haver uma diferenciação entre o
masculino e o feminino, esta não pode ser localizável, cabendo a cada um situar-se de um lado
ou de outro a partir de um arranjo singular que se constitui como uma mistura.” Dito isso,
conclui-se que a sexualidade trata-se de um fenômeno complexo, pois é um fragmento
particular de cada indivíduo, onde suas vivências são delimitadas, a relação com seus próprios
corpos e os aspectos que extrapolam os limites da parcialidade de cada sujeito.
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2.2 O PRECONCEITO E A LUTA POR DIREITOS DAS MULHERES LÉSBICAS
Guimarães, Lorenzo e Mendonça (2021) salientam “preconceito, discriminação e
estigmatização construindo determinantes de saúde para a população LGBT”, sob os seguintes
aspectos: “[...] estabelecendo vulnerabilidades mais acentuadas para sofrimento e
adoecimento psíquico”; na “[...] exposição à violência”; “[...] provocando omissão da
informação sobre orientação sexual dos pacientes e impedindo a geração de dados fidedignos
sobre este grupo populacional”, e “[...] constituindo uma barreira simbólica ao acesso a
serviços e à atenção de qualidade”. Portanto, a escassez de dados afeta a formulação de
políticas públicas e auxilia para a evitação de cuidados à saúde de mulheres lésbicas.
Há um reforço de que a visibilidade e a luta por direitos das mulheres lésbicas são de
suma importância para a efetivação de cuidados de saúde que atendam de forma cabível às
suas necessidades, posto que estão relacionadas ao reconhecimento de suas existências e
demandas no âmbito da saúde pública (Soares et al., 2021). Sob esse viés, quando essas
mulheres são estigmatizadas e invisibilizadas, suas demandas são invalidadas, mantendo o
ciclo de preconceitos e desigualdades, tornando necessário debates para assegurar inclusão e
dignidade nos cuidados oferecidos.
Guimarães, Lorenzo e Mendonça (2021), reconhecem que o estigma é como marcas
que o indivíduo traz consigo ao longo da sua existência, e quando é identificada por outros,
acarreta em preconceitos e exclusão social, como no caso de mulheres lésbicas, tais marcas
constantemente resultam em discriminação, especialmente nos serviços públicos de saúde,
onde as demandas não são credibilizadas e o acesso à saúde torna-se um fator evitativo para
essa comunidade. Essas marcas podem ser qualquer característica que acate a identificação
dessa pessoa, como orientação sexual e identidade de gênero, assim como complementam os
autores que
[...] quando determinado atributo depreciativo do sujeito estigmatizado é claramente
perceptível por um grupo social dito normal, esse sujeito passa a ser um
‘desacreditado’, alguém em que não se pode confiar. Já quando o sujeito
estigmatizado consegue manter oculto o atributo estigmatizante ele torna-se um
sujeito ‘desacreditável’, alguém que sofrerá o mesmo julgamento assim que o
atributo seja revelado (Guimarães, Lorenzo e Mendonça, 2021).
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estigmatizações e violência em diversos âmbitos de suas vidas; no setor de saúde pública, essa
realidade se apresenta susceptível a agravos, em decorrência de questões estruturais e sociais,
as quais tornam as mulheres lésbicas vulneráveis. Logo, deve haver um olhar humanizado
vindo dos profissionais da área da saúde para as especificidades de cada sujeito, com o
objetivo de reduzir ou sanar esses contratempos (Domene et al., 2022; Moraes-Filho et al.,
2019).
10
Estado, através da Constituição Brasileira de 1988, em que se iniciou a construção de um
sistema público, universal e descentralizado de saúde. Posteriormente, este marco se
consolidava e o Sistema Único de Saúde (SUS) se estabeleceria definitivamente,
regulamentado pela Lei Nº 8.080 de 1990, expandindo os avanços analisados, seus princípios e
suas diretrizes (Geremia; Almeida, 2021).
11
sociais, organizativos, técnicos e simbólicos (Silva & Gomes, 2021). Entretanto, a carência de
conhecimento por parte dos profissionais da área da saúde sobre as práticas sexuais entre
mulheres lésbicas, sexualidade feminina e questões de saúde e prevenção à doenças ainda são
presentes nos serviços públicos, sendo cercado pela abordagem heteronormativa, preconceitos
e dúvidas (Ketzer et al., 2022).
Carrijo (2023), afirma que a saúde ginecológica, por ser um constituinte essencial da
saúde integral, deveria ser agregada às diversas etapas da consulta da Atenção Básica, desde o
cadastro, anamnese, exame físico, diagnóstico, à prevenção e tratamento-, visando sanar as
demandas das usuárias. Contudo, a abordagem utilizada durante a assistência é crucial para
que a etapa da anamnese seja voltada para as prioridades das mulheres, pois, apesar da
sexualidade ser importante, algumas vezes o objetivo do atendimento pode não estar
relacionada diretamente a ela.
Silva et al. (2022) afirmam que, embora a sexualidade seja intensamente multifacetada,
a sociedade frequentemente pressupõe a heterossexualidade como padrão, sendo este
fenômeno chamado de heteronormatividade. Este conceito, geralmente desenvolvido através
do pensamento, afirma que todos os indivíduos são heterossexuais, desconsiderando outras
formas de expressões da sexualidade, além de estigmatizar as discussões acerca da
sexualidade, gênero e corpo - de modo a causar desconforto, polêmica, tabus e censura,
reforçando a invisibilidade das sexualidades que fogem da norma heteronormativa.
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3. METODOLOGIA DE PESQUISA
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nível de qualidade, rigor, grau de recomendação e aplicabilidade, encontram-se explicações
para possíveis discrepâncias ou dados conflitantes entre os diferentes artigos inseridos. (De
Lima Dantas et al., 2022).
Em seguida, na quinta etapa, se dá a interpretação dos dados, onde os resultados
obtidos nos artigos e o conhecimento prévio, além de outras literaturas não incluídas,
proporcionam considerações e conclusões completas e bem elaboradas. Além disso, em caso
de divergência entre autores, é importante que se destaque o contexto e o delineamento
metodológico de cada investigação. (De Lima Dantas et al., 2022).
Por fim, a sexta e última etapa consiste na apresentação da revisão integrativa, sendo,
em geral, a apresentação clara, detalhada e objetiva da apresentação da síntese de dados, de
maneira tal que o leitor seja capaz de compreender as informações. Para que esteja ainda mais
facilitado o entendimento, podem ser utilizados tabelas, fluxogramas e outros recursos
ilustrativos, sendo, ainda, indispensável que todos os artigos incluídos na revisão estejam
expostos dentro da seção de resultados (De Lima Dantas et al., 2022).
A questão norteadora proposta para esta revisão será: Quais são os principais
preconceitos e adversidades enfrentadas por mulheres lésbicas em relação à saúde nos serviços
públicos? A busca por publicações indexadas acontecerá nas seguintes bases de dados:
Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Periódicos Eletrônicos de Psicologia (PePSIC)
e Google Acadêmico. Os critérios de inclusão serão os artigos publicados no Brasil; entre os
anos de 2020 a 2025; texto completo; disponível gratuitamente e, publicações que tivessem
ligação com a temática aqui abordada na(s) língua(s). Como critérios de exclusão,
compreenderão os artigos científicos em língua estrangeira, não disponíveis em texto
completo, publicados anteriormente ao ano de 2014, teses, dissertações, monografia, e que não
constam dos objetivos do estudo e que não estejam em acordo com os critérios de inclusão.
Para a busca serão utilizados os seguintes descritores: “Minorias Sexuais e de Gênero”,
“Sexualidade” e “Serviços de Saúde da Mulher”. O período desta pesquisa compreenderá o
mês de agosto e setembro de 2025, onde será realizada a busca dos artigos, e nos meses de
outubro e novembro de 2025, será realizada a análise e discussão do conteúdo. Por se tratar de
uma revisão integrativa da literatura, não precisará ser submetido ao Comitê de Ética em
Pesquisa, como descrito na resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (Brasil, 2012).
No entanto, questões éticas como, garantir os direitos autorais usados para construir este
estudo serão preservados.
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4. CRONOGRAMA
O Quadro 1 apresenta a organização das etapas previstas para a realização do Projeto
de Conclusão de Curso. Esse cronograma funciona como uma ferramenta de gestão e
acompanhamento, permitindo visualizar a distribuição das atividades ao longo do tempo
para verificar o progresso da revisão integrativa em relação ao planejamento inicial. Sua
função é, também, possibilitar a identificação de eventuais desvios nos prazos, contribuindo
para ajustes que garantam a conclusão do estudo dentro do período estipulado.
ETAPAS 2025
Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Elaboração X X X X
teórica do projeto
Revisão de X X X
literatura
Qualificação do X
projeto à banca
examinadora
Coleta de dados X X
Defesa do TCC à X
banca
examinadora
15
ARTIGO
1
Acadêmica do curso de Psicologia do Centro Universitário da Região da Campanha- URCAMP,
Bagé, RS.
2
Orientadora e Professora do curso de Psicologia do Centro Universitário da Região da Campanha-
URCAMP, Bagé, RS.
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INTRODUÇÃO
Este artigo busca cumprir com a função de atender ao pré-requisito de conclusão do
curso de Psicologia, abordando o tema da invisibilidade de mulheres lésbicas nos serviços
públicos de saúde, ressaltando os preconceitos e adversidades enfrentadas pelo público em
questão e possibilidades no acolhimento.
Segundo os autores Ciasca, Hercowitz e Junior (2021) e Reis (2018), a sexualidade é
um elemento crucial à vida de todo ser humano e incorpora fatores como corpo, gênero,
orientação sexual, identidade, sexo, desejo e reprodução. Esse é um campo de estudo
intrinsecamente complexo, sujeito a transformações contínuas, resultado da interação entre
fatores biológicos, psicológicos e socioculturais, os quais moldam e condicionam a vivência da
sexualidade em diferentes contextos.
Mulheres lésbicas enfrentam cenários de intolerância, discriminação e exclusão social
intensificados pela interseção de marcadores sociais como raça, classe, idade e orientação
sexual, sendo assim, tais preconceitos não são isolados, mas se justapõem, gerando barreiras
adicionais ao acesso à saúde dessa população. De acordo com os autores, os preconceitos
vivenciados pelas mulheres lésbicas não se resumem apenas à sua sexualidade, mas são
potencializados por diferentes marcadores sociais os quais se sobressaem às suas experiências
individuais, conforme nos aponta Silva e Gomes (2021).
A definição deste tema justifica-se pela necessidade premente de investigar a
importância da promoção da equidade e da visibilidade de mulheres lésbicas nos serviços
públicos de saúde, bem como de analisar os preconceitos e adversidades que as mesmas
enfrentam, buscando delinear estratégias eficazes e concretas de acolhimento. Tendo em vista
que o público em questão é constantemente negligenciado, torna-se evidente que a elaboração
de um atendimento justo e equitativo demanda ampla conscientização e revisão crítica dos
estigmas associados à sexualidade que fogem à sexualidade não heteronormativa, com o
objetivo de assegurar respeito às diversidades existentes. Além disso, Abirached e Leite (2022)
afirmam que um enfoque mais inclusivo em gênero e orientação sexual poderia romper tais
estereótipos, promovendo um atendimento equânime, que valorize e reconheça de forma
válida a diversidade das práticas sexuais e das identidades de gênero.
Procurou-se responder quais são os principais preconceitos e adversidades enfrentadas
por mulheres lésbicas em relação à saúde nos serviços públicos. Por conseguinte, o objetivo
geral deste trabalho foi desenvolver, através de uma revisão integrativa, de natureza
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exploratória, da literatura, uma interlocução entre os estudos científicos e o assunto em tela.
Ademais, a proposta visa fomentar análises críticas sobre as práticas profissionais,
promovendo a construção de políticas públicas que atentem às particularidades do público em
questão.
Os autores mais utilizados foram: Santos; Guimarães, Lorenzo e Mendonça e Foucault.
Para chegarmos a eles, essa pesquisa partiu de 143 artigos identificados e compatíveis com os
descritores anteriormente escolhidos, os quais são Minorias Sexuais e de Gênero, Sexualidade
e Serviços de Saúde da Mulher. Destes, 56 não se ajustavam aos critérios de inclusão e
exclusão, 75 foram lidos os resumos e destes, 56 foram eliminados pois não se adequavam a
temática proposta, restando 19 artigos e adicionando mais 1, totalizando 20 artigos para a
produção deste, após a inclusão dos descritores Equidade de Gênero e Homossexualidade
Feminina, sugeridos no processo da qualificação do projeto.
DISCUSSÃO
Cabe, a partir daqui, salientar a importância de discutir a necessidade das modificações
estruturais nos serviços de saúde, tornando estas, aliadas essenciais das mulheres lésbicas em
questão, bem como a transmissão de informações aos profissionais da área da saúde, que
desconhecem aspectos essenciais da diversidade sexual e de gênero. Ademais, a criação de um
vínculo de confiança entre mulheres lésbicas e destes profissionais, torna-se imprescindível
para que essas mulheres sintam-se seguras e tenham apoio ao compartilhar suas experiências
pessoais, permitindo que busquem atendimento apto quando necessário. Este vínculo favorece
a comunicação aberta e possibilita aos profissionais a compreensão dos entraves enfrentados
no acesso aos cuidados de saúde adequados.
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de debate. Portanto, torna-se de extrema importância promover discussões sobre estes
assuntos, diante à nossa sociedade heteronormativa, para o enfrentamento das desigualdades
historicamente presentes, e que impactam a qualidade de vida da população LGBTQIA+,
especialmente das mulheres lésbicas, as quais são duplamente estigmatizadas pelo seu gênero
e orientação sexual.
O Conselho Federal de Psicologia, em 1999, reformulou a sua óptica e desconsiderou a
orientação sexual como um comportamento divergente, instituindo diretrizes para a atuação
profissional com o público compatível, abominando quaisquer tentativas de “reverter” a
homossexualidade (Santos, 2020). Posto isso, no Brasil, a resolução 001/99 do Conselho
Federal de Psicologia -CFP-, foi um marco indispensável para definir as normas de atuação
dos psicólogos em relação à orientação sexual, dentre elas: “Parágrafo único: - Os psicólogos
não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das
homossexualidades” (CFP, 1999). Consente-se com essa perspectiva, uma vez que tal
resolução constitui um importante progresso ético e científico no campo da Psicologia, ao
reforçar o compromisso da profissão com os direitos humanos e com a valorização da
diversidade. Além disso, essa normativa reforça a necessidade de uma atuação pautada no
respeito às diferentes expressões da sexualidade humana, rompendo com preconceitos e
excluindo a visão de patologia que, por muitos anos, contribuíram para a marginalização da
população LGBTQIA+, inclusive das mulheres lésbicas.
Nas décadas de 1970 e 1980, a homossexualidade feminina se tornou visível no Brasil,
com o surgimento de movimentos da comunidade LGBTQIA+, onde diversas mulheres
reivindicaram direitos iguais, obtendo um papel crítico na luta pela desconstrução dos
estigmas associados a essa comunidade, trazendo às literaturas diferentes aspectos da
sexualidade, tornando a percepção desse tema mais inclusivo e reconhecendo a pluralidade das
vivências individuais de mulheres lésbicas. (Facchini; Carmo; Lima, 2020). Ademais, as
políticas públicas de saúde têm reconhecido a importância de um atendimento inclusivo desse
público e direcionando para as demandas específicas (Santos, 2024). Cabe ressaltar que,
antigamente, no início deste movimento, GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) era o termo
utilizado para se referir à população LGBTQIA+, além disso, ao longo dos anos, as mulheres
obtiveram a visibilidade conquistada por meio dos movimentos sociais e das produções
literárias, marco essencial para o fortalecimento da identidade lésbica e para a ampliação do
debate sobre diversidade sexual. Como cita o autor Santos (2024), as políticas públicas de
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saúde têm oferecido o reconhecimento de atendimentos inclusivos, portanto, concorda-se que
esse avanço contribui não apenas para o reconhecimento social e político dessas mulheres, mas
também para o aprimoramento das práticas de cuidado em saúde, que devem ser pautadas na
equidade, no respeito e na valorização das diferentes expressões de gênero e sexualidade.
A homossexualidade feminina, historicamente, foi marcada pela invisibilidade, falta de
informação, e pela escassez de debates, sendo moldada por uma cultura heteronormativa, a
qual restringia o papel da mulher à submissão ao homem e aos afazeres domésticos, cuja
sexualidade masculina possuia “natureza” poligâmica. Em relação à homossexualidade
feminina, essa era tão mal vista quanto a masculina, porém, era tratada de forma menos severa,
visto que mulheres eram pouco valorizadas, reflexo da visão patriarcal a qual invisibilizava as
relações entre mulheres, reduzindo estas à condutas desregradas e à desvios comportamentais.
Portanto, segundo Foucault (1988), “dizer que o sexo não é reprimido, ou melhor, dizer
que entre o sexo e o poder, a relação não é de repressão, corre o risco de ser apenas um
paradoxo estéril,” assim, “[...] a repressão foi, desde a época clássica, o modo fundamental de
ligação entre poder, saber e sexualidade, [...].” Em consonância com Foucault, observa-se que
o indivíduo que socialmente era visto com propriedade para falar sobre sexo, assumia o papel
de autoridade, promovendo discursos tidos como defensores de uma “verdade absoluta”. Neste
sentido, toda e qualquer representação sobre homossexualidade feminina encontravam-se
delimitadas em normas socioculturais e funções restritivas às mulheres. Tais discursos eram
pautados de maneira majoritariamente elaboradas, escritas e reguladas dentro de convicções e
perspectivas masculinas, não existindo, além disso, a equidade de gênero nas narrativas sobre
corpo de desejo feminino.
Conforme a citação do Conselho Regional de Psicologia, argumenta que a ideia de
gênero é unicamente determinado pela biologia, ainda que, segundo o CRP-SP (2021), o
conceito de gênero “tem o intuito de distinguir a dimensão biológica da dimensão social,
entendendo que homens e mulheres são produtos de construções sociais e culturais, e não de
determinismos biológicos”. Em outras palavras, as identidades de gênero e a forma como o
indivíduo se percebe enquanto ser humano não são características inerentes ou fixas, mas
resultam de um processo contínuo de construção, sendo moldadas ao longo da história, através
de interações sociais e experiências particulares de cada indivíduo.
Já Foucault (1988), evidencia o mecanismo que define a legitimidade do que deve ser
dito, por quem e a quem, e em quais circunstâncias, assim introduz-se algumas alterações que
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podem ser observadas na composição do discurso sobre sexualidade, ocasionando mudanças
na forma como a mesma é concebida e representada socialmente. Conforme o autor indica
“[...] por volta do século XVIII nasce uma incitação política, econômica, técnica, a falar do
sexo.” No entanto, não se tratava de reprimir, e sim de impor um modelo considerado natural e
exclusivo de expressão sexual, consolidando a heterossexualidade como padrão social
dominante, tratando-se da normalização desta sexualidade.
De acordo com Silva e Costa (2022), “para a psicanálise, a sexualidade não equivale ao
sexo, mas trata-se de um campo amplo que atravessa toda a vida psíquica, sendo moldada pela
cultura, linguagem e relações sociais”. Portanto, a sexualidade é notada como um tema
complexo, visto que a compreensão se separa com pontos de vista contraditórios da mesma,
enaltecendo sua fluidez, relação com o inconsciente e que está em constante transformação
baseado nas experiências individuais de cada ser humano.
Entende-se que a psicanálise atua com uma abordagem característica, visto que, para
ela, conforme Cruz e Fontenelle (2020), a sexualidade excede o instinto sexual, promovendo
um rompimento em relação à centralidade dos órgãos genitais em si. Sob essa ótica, a
sexualidade é compreendida como um fato e não como uma questão no campo das ciências
biológicas, tendo uma função corpórea mais vasta, ligada intrinsicamente às pulsões, e
abrangendo como foco a busca pelo desejo e satisfação em relação ao objeto que a
desencadeia. Deve haver uma concordância com esta concepção, visto que a psicanálise
oferece uma compreensão mais ampla e detalhada da sexualidade humana, a qual ultrapassa os
aspectos físicos e se conecta com os desejos, conflitos e experiências subjetivas de cada ser
humano. Posto isso, esta ótica é fundamental, pois permite visualizar a singularidade de cada
indivíduo e compreender como as experiências de vida moldam a forma como é vivenciado o
desejo e a satisfação. Além disso, tal abordagem favorece a prática clínica, tornando esta, mais
sensível e acolhedora, capaz de reconhecer e valorizar a complexidade da sexualidade humana
e das experiências sexuais e afetivas, aspecto considerado de suma importância para qualquer
intervenção psicológica ética e efetiva.
Freud elaborou a obra “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”, publicada em
1905, evidenciando a complexidade da sexualidade humana e reconhecendo, apesar da
perspectiva pioneira, as multifacetadas formas de expressão sexual. Sua obra teve efeitos
notórios, uma vez que, ao longo do século XX, a homossexualidade a qual era vista como
patologia veio sendo desconstruída, atingindo seu auge na década de 70 com a remoção da
21
homossexualidade como doença pela Associação Americana de Psiquiatria (Santos, 2020).
Em conformidade com Cruz e Fontenelle (2020) “ao haver uma diferenciação entre o
masculino e o feminino, esta não pode ser localizável, cabendo a cada um situar-se de um lado
ou de outro a partir de um arranjo singular que se constitui como uma mistura.” Dito isso,
corrobora-se com a perspectiva do autor de que a sexualidade constitui um fenômeno
complexo, por representar uma dimensão única de cada pessoa, na qual se articulam suas
vivências, a relação com o próprio corpo e os múltiplos elementos que ultrapassam os limites
da individualidade de cada sujeito.
OS ENTRAVES NA LUTA PELOS DIREITOS DAS MULHERES LÉSBICAS
Guimarães, Lorenzo e Mendonça (2021) salientam “preconceito, discriminação e
estigmatização construindo determinantes de saúde para a população LGBT”, sob os seguintes
aspectos: “[...] estabelecendo vulnerabilidades mais acentuadas para sofrimento e
adoecimento psíquico”; na “[...] exposição à violência”; “[...] provocando omissão da
informação sobre orientação sexual dos pacientes e impedindo a geração de dados fidedignos
sobre este grupo populacional”, e “[...] constituindo uma barreira simbólica ao acesso a
serviços e à atenção de qualidade”. Portanto, como citam os autores, a escassez de dados
sólidos dificulta e compromete a elaboração de políticas públicas efetivas e contribui para a
continuidade da negligência no cuidado à saúde de mulheres lésbicas.
Há um reforço de que a visibilidade e a luta por direitos das mulheres lésbicas são de
suma importância para a efetivação de cuidados de saúde que atendam de forma cabível às
suas necessidades, posto que estão relacionadas ao reconhecimento de suas existências e
demandas no âmbito da saúde pública (Soares et al., 2021). Sob esse viés, a estigmatização e a
invisibilidade, resulta na desvalorização das suas demandas, mantendo o ciclo de preconceitos
e desigualdades, o que torna imprescindível a realização de debates que promovam inclusão e
garantam dignidade nos cuidados prestados. A reflexão constante sobre essas questões é
essencial para a construção de práticas mais justas e sensíveis, como citam os autores acima.
Guimarães, Lorenzo e Mendonça (2021), reconhecem que o estigma é como marcas
que o indivíduo traz consigo ao longo da sua existência, e quando é identificada por outros,
acarreta em preconceitos e exclusão social, como no caso de mulheres lésbicas, tais marcas
constantemente resultam em discriminação, especialmente nos serviços públicos de saúde,
onde as demandas não são credibilizadas e o acesso à saúde torna-se um fator evitativo para
22
essa comunidade. Essas marcas podem ser qualquer característica que acate a identificação
dessa pessoa, como orientação sexual e identidade de gênero, assim como complementam os
autores que
[...] quando determinado atributo depreciativo do sujeito estigmatizado é claramente
perceptível por um grupo social dito normal, esse sujeito passa a ser um
‘desacreditado’, alguém em que não se pode confiar. Já quando o sujeito
estigmatizado consegue manter oculto o atributo estigmatizante ele torna-se um
sujeito ‘desacreditável’, alguém que sofrerá o mesmo julgamento assim que o
atributo seja revelado (Guimarães, Lorenzo e Mendonça, 2021).
23
profissional de atuar de maneira acolhedora e inclusiva, garantindo respeito às singularidades
de cada indivíduo, além de promover um ambiente seguro para que nele, sejam expostos
assuntos pessoais, os quais possam ou não causar sofrimento psíquico.
24
2024).
Para evitar preconceitos contra a sexualidade, a Constituição Federal de 1988,
juntamente à Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
Transexuais, garante o direito de todos ao acesso à saúde, independente de origem, raça,
sexo ou quaisquer tipos de oposição (UFMG, 2020). A Organização Mundial da Saúde
(OMS) (2020) declara que a saúde sexual “é a condição de bem-estar físico, emocional e
psicossocial relacionado à sexualidade, (…) requer uma abordagem respeitosa das relações
sexuais, bem como a possibilidade de ter experiências sexuais seguras, livres de qualquer
discriminação”; nesse sentido, evidencia-se que tais conceitos são interdependentes. Dito isso,
compreender a saúde sexual de forma integral é essencial não apenas para garantir
experiências seguras, mas também para sanar diversos estigmas e promover um ambiente de
inclusão, no qual as diferentes expressões de sexualidade sejam reconhecidas, valorizadas e
respeitadas de forma ética.
25
dúvidas (Ketzer et al., 2022).
Carrijo (2023), afirma que a saúde ginecológica, por ser um constituinte essencial da
saúde integral, deveria ser agregada às diversas etapas da consulta da Atenção Básica, desde o
cadastro, anamnese, exame físico, diagnóstico, à prevenção e tratamento-, visando sanar as
demandas das usuárias. Portanto, concorda-se com o autor, ao citar a atenção individualizada
durante o cuidado ginecológico sendo imprescindível para garantir que cada mulher seja
ouvida e compreendida em sua singularidade. Evidencia-se que, ao direcionar e priorizar o
atendimento para as necessidades de cada paciente, o profissional de saúde não apenas
aprimora a efetividade da assistência, mas também fortalece a confiança e o vínculo entre
profissional e paciente, criando um ambiente seguro e acolhedor. Tal prática evidencia um
compromisso ético com a dignidade, o respeito e a inclusão de todas as mulheres lésbicas no
âmbito da atenção integral à saúde.
Silva et al. (2022) afirmam que, embora a sexualidade seja intensamente multifacetada,
a sociedade frequentemente pressupõe a heterossexualidade como padrão, sendo este
fenômeno chamado de heteronormatividade. Este conceito, geralmente desenvolvido através
do pensamento, afirma que todos os indivíduos são heterossexuais, desconsiderando outras
formas de expressões da sexualidade, além de estigmatizar as discussões acerca da
sexualidade, gênero e corpo - de modo a causar desconforto, polêmica, tabus e censura,
reforçando a invisibilidade das sexualidades que fogem da norma heteronormativa.
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garantir uma prática verdadeiramente humanizada e ética, capaz de reconhecer as demandas e
necessidades das mulheres lésbicas e de outros grupos historicamente vulnerabilizados,
promovendo saúde com equidade e respeito.
CONCLUSÃO
A presente pesquisa evidenciou que a invisibilidade de mulheres lésbicas nos serviços
públicos de saúde permanece como um desafio significativo para a efetivação dos princípios
de equidade e integralidade previstos no Sistema Único de Saúde (SUS).
A análise dos dados e das referências consultadas permitiu compreender que, apesar
dos avanços em políticas públicas voltadas à diversidade sexual e de gênero, ainda há lacunas
importantes no acolhimento e na escuta dessas mulheres. A invisibilidade manifesta-se não
apenas na ausência de políticas específicas, mas também na reprodução de práticas
heteronormativas e no despreparo de profissionais para lidar com questões relacionadas à
sexualidade de maneira ética, empática e inclusiva.
Do ponto de vista acadêmico, este estudo reforça a importância de discutir a saúde sob
uma perspectiva interseccional, reconhecendo como gênero, sexualidade, classe e outros
marcadores sociais interferem no acesso e na qualidade do atendimento. Pensar na saúde das
mulheres lésbicas é, portanto, repensar o próprio conceito de saúde pública não apenas como
ausência de doença, mas como um espaço de reconhecimento e pertencimento.
No que se refere a este estudo, em um âmbito pessoal, por fazer parte do público
mencionado, pude reconhecer em muitos relatos e estudos, situações que também atravessaram
minha própria vivência individual. Em diferentes momentos, senti o desconforto de ser
invisibilizada, de ter minha orientação sexual ignorada ou tratada como algo irrelevante dentro
de espaços de saúde que deveriam acolher sem julgamentos. Essas experiências, embora
aflitivas, foram também motoras deste estudo, despertando em mim o desejo de dar voz e
visibilidade a tantas mulheres que, como eu, buscam respeito, escuta e cuidado nos serviços
públicos de saúde e em sua totalidade. A realização deste trabalho foi também uma reflexão
sobre o silenciamento que ainda nos cerca em diversos contextos sociais. Reconhecer as
lacunas existentes e dar visibilidade a essas mulheres é um ato político e humano, que exige
comprometimento ético com a transformação das práticas profissionais e com a construção de
uma sociedade mais justa e igualitária.
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Vale salientar a importância deste assunto ser trabalhado no que tange ao âmbito
acadêmico, pois discutir a invisibilidade de mulheres lésbicas nos serviços públicos de saúde é
fundamental para a construção de uma formação profissional mais crítica e inclusiva. A
abordagem dessa temática nesse âmbito permite reconhecer e questionar as omissões
existentes nas práticas de cuidado, frequentemente marcadas por preconceitos e pela falta de
reconhecimento das especificidades dessa população. Ao trazer essa discussão para o espaço
acadêmico, amplia-se o entendimento sobre os impactos da heteronormatividade nas políticas
e nos atendimentos de saúde, além de estimular o desenvolvimento de ações e pesquisas que
promovam uma atenção mais equitativa, humana e livre de discriminação.
Assim, concluo que tornar visível o que por tanto tempo foi invisibilizado é também
um passo fundamental para garantir o direito à saúde em sua totalidade, com respeito,
dignidade e reconhecimento das diferenças.
Dessa forma, quando a lesbianidade não provoca a heteronorma, existe um problema
significativo. A obediência não cabe na vivência lésbica. O “L” é de liberdade, não de
limitação.
Assim, surge o questionamento: “apenas ser lésbica já não rompe com a norma?” E
pessoalmente, a resposta é dupla: sim e não. Ser lésbica afronta a heteronormatividade porque
recusa o que nos é imposto pela sociedade, porém, simultaneamente não, visto que a
heteronorma não é só sobre com quem o indivíduo se relaciona, mas sobre como esses
relacionamentos são performados e como o mesmo encena a sua existência.
A heteronormatividade se infiltra no cotidiano ao exigir performances de feminilidade
domesticada, ao empurrar papéis de gênero já conhecidos, como a “masculina” e a “feminina”
- dentro de um casal-, ao nos fazer repetir entre mulheres, as mesmas estruturas hierárquicas
que organizam e compõem as relações heterossexuais e assim sucessivamente.
Portanto, é possível ser lésbica e ainda obedecer a lógica da norma, seja reproduzindo
casais espelhados no modelo hétero, mantendo dinâmicas de poder que imitam a dominação
masculina, buscando validação em padrões de feminilidade que sempre nos foram impostos,
ou vivendo a lesbianidade pautada na crença cristã punitivista, por exemplo.
Por isso, a resposta se torna dupla. Ser lésbica rompe com a heteronorma, mas até
determinado ponto. O verdadeiro rompimento está em viver a lesbianidade como liberdade,
não como obediência que limita.
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