Exercício IRC
A sociedade MaisdoMesmo, Lda, com sede em Vila Real dedica-se à organização eventos, desde
2023, entre os quais a Semana Académica. Em 2024, a empresa encontra-se no regime geral de
apuramento da matéria tributável e apurou lucro tributável no montante de 10.000,00€. Sabe-
se que, entre outras, registou as seguintes operações:
a. Despesas indevidamente documentadas: 800€
b. Compensação pela deslocação em viatura própria do trabalhador: 5.000€. Neste montante
está incluído 2.000€ que foram faturados diretamente ao cliente XX. A empresa não
dispõe de mapa adequado ao controlo destas despesas.
c. Encargos relativos ao pagamento do IMI liquidado aos sócios da empresa: 1.000€
d. Juros compensatórios devidos pelo atraso na apresentação de declarações fiscais: 420€
e. Sabe-se também que a empresa alienou uma máquina por 45.000€, adquirida (e utilizada)
em de Março 2013 por 60.000€ e vida útil de 6 anos. A máquina está mensurada na
contabilidade pelo método de custo e no cálculo das depreciações do exercício foi
utilizado o método das quotas constantes. Admita o coeficiente de desvalorização da
moeda de 2017 para os bens adquiridos em 2013, de 1,12 e que a empresa, no caso de
obter uma mais valia, pretende proceder ao reinvestimento.
f. Pagamento de 8.000€, devido à contratação de um músico, a uma sociedade sediada em
paraíso fiscal
Questões:
1. Apure o lucro ou prejuízo fiscal a declarar na declaração Modelo 22.
2. Calcule o valor da tributação autónoma que deverá constar na declaração Modelo 22.
Respostas:
a. Nos termos da al. c) do n.º 1 do art.º 23.º-A não são dedutíveis para efeitos da
determinação do lucro tributável as despesas indevidamente documentadas
Logo, as despesas não documentadas deverão ser acrescidas. Acresce 800 no cp. 731 do
Q07.
b. Nos termos da al. h) do n.º 1 do art.º 23.º-A não são dedutíveis para efeitos da
determinação do lucro tributável as despesas com ajudas de custo e os encargos com
compensação pela deslocação em viatura própria do trabalhador, ao serviço da entidade
patronal, não faturados a clientes, escriturados a qualquer título, sempre que a entidade
patronal não possua, por cada pagamento efetuado, um mapa através do qual seja
possível efetuar o controlo das deslocações.
Logo, como 2.000€ foram faturados apenas devem ser acrescidos 3.000€ das que não
têm mapa. Acresce 3.000 no cp. 730 do Q07.
Há ainda que considerar o disposto no n.º 9 do art.º 88.º é tributado autonomamente, à
taxa de 5%, os encargos efetuados ou suportados relativos a ajudas de custo e à
compensação pela deslocação em viatura própria do trabalhador, ao serviço da entidade
patronal, não faturados a clientes, escriturados a qualquer título, exceto na parte em que
haja lugar a tributação em sede de IRS na esfera do respetivo beneficiário.
c. Nos termos da al. f) do n.º 1 do artº 23-Aº não são aceites como gastos os impostos, taxas
e outros tributos que incidam sobre terceiros que o sujeito passivo não esteja legalmente
obrigado a suportar;
Acresce 1.000 no cp. 727 do Q07.
d. Juros Compensatórios
Nos termos da al. e) do n.º 1 do artº 23-Aº não são aceites como gastos As multas, coimas
e demais encargos, incluindo os juros compensatórios e moratórios, pela prática de
infrações de qualquer natureza que não tenham origem contratual, bem como por
comportamentos contrários a qualquer regulamentação sobre o exercício da atividade;
Acresce 420 no cp. 728 do Q07.
e. Sabe-se também que a empresa alienou uma máquina por 45.000€, adquirida (e
utilizada) em de Março 2013 por 60.000€ e vida útil de 6 anos. A máquina está
mensurada na contabilidade pelo método de custo e no cálculo das depreciações do
exercício foi utilizado o método das quotas constantes. Admita o coeficiente de
desvalorização da moeda de 2019 para os bens adquiridos em 2015, de 1,12 e que a
empresa, no caso de obter uma mais valia pretende proceder ao reinvestimento.
Considerou-se 5 anos de depreciações.
MV Contb = 45.000 – (60.000 – 50.000) = 35.000 Deduz no campo 767
MV Fiscal = 45.000 – (60.000 – 50.000)*1,12 = 33.800
50% da diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias fiscais com intenção
expressa de reinvestimento (art.º 48.º, n.º 1). Logo, acresce 50% no Q07
f. As importâncias pagas ou devidas, a qualquer título, a pessoas singulares ou coletivas
residentes fora do território português e aí submetidas a um regime fiscal a que se
referem os [Link] 1 ou 5 do artigo 63.º-D da Lei Geral Tributária, ou cujo pagamento seja
efetuado em contas abertas em instituições financeiras aí residentes ou domiciliadas,
salvo se o sujeito passivo provar que tais encargos correspondem a operações
efetivamente realizadas e não têm um caráter anormal ou um montante exagerado.
Acresce 8.000 cp. 746
Há ainda que considerar o n.º 8 do art.º 88º São sujeitas ao regime dos [Link] 1 ou 2,
consoante os casos, sendo as taxas aplicáveis, respetivamente, 35 % ou 55 %, as despesas
correspondentes a importâncias pagas ou devidas, a qualquer título, a pessoas singulares
ou coletivas residentes fora do território português e aí submetidas a um regime fiscal
claramente mais favorável a que se refere o n.º 1 do artigo 63.º-D da Lei Geral Tributária,
ou cujo pagamento seja efetuado em contas abertas em instituições financeiras aí
residentes ou domiciliadas, salvo se o sujeito passivo puder provar que correspondem a
operações efetivamente realizadas e não têm um caráter anormal ou um montante
exagerado
1. Apure o lucro ou prejuízo fiscal a declarar na declaração Modelo 22.
Situação Montante
RL 10.000
A Acrescer
A 800
B 3.000
C 1.000
D 420
E 16.900
F 8.000
Total a acrescer 30.120
A deduzir
E 35.000
Total a deduzir -35.000
Lucro/Prejuízo Fiscal -5.120
2. Calcule o valor da TA que deverá constar na declaração Modelo 22.
Situação Montante
B n.º 9 art.º 88 3.000 * 5% = 150
F n.º 8 art.º 88 8.000 * 35% = 2.800
Total TA 2.950
E n.º 14 do art.º 88.º ?