0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações12 páginas

Alterações Fisiológicas do Envelhecimento

O envelhecimento é um processo caracterizado pela diminuição das reservas fisiológicas e homeostáticas, resultando em vulnerabilidade a doenças. O envelhecimento pode ser classificado como saudável, bem-sucedido ou patológico, com impactos significativos na composição corporal, saúde física e mental, e funcionalidade. Alterações fisiológicas ocorrem em diversos sistemas do corpo, incluindo muscular, ósseo, sensorial, hematopoiético, gastrointestinal, respiratório, urinário e cardiovascular.

Enviado por

mrsolerrr
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações12 páginas

Alterações Fisiológicas do Envelhecimento

O envelhecimento é um processo caracterizado pela diminuição das reservas fisiológicas e homeostáticas, resultando em vulnerabilidade a doenças. O envelhecimento pode ser classificado como saudável, bem-sucedido ou patológico, com impactos significativos na composição corporal, saúde física e mental, e funcionalidade. Alterações fisiológicas ocorrem em diversos sistemas do corpo, incluindo muscular, ósseo, sensorial, hematopoiético, gastrointestinal, respiratório, urinário e cardiovascular.

Enviado por

mrsolerrr
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Tutorial 1 módulo 17

Alterações FIsiológicas do Envelhecimento


O envelhecimento é caracterizado pelo declínio progressivo da reserva fisiológica de todos
os sistemas, com perda das reservas homeostáticas.
● A homeostenose se refere quando as reservas necessárias para a homeostase
diminuem progressivamente, aumentando a vulnerabilidade a doenças que ocorrem
com o envelhecimento.
● Senescência = Envelhecimento saudável
● Senilidade = Envelhecimento com morbidades (relacionado a patologias), não é
normal da idade.
O termo “envelhecimento normal” se refere aos impactos fisiológicos da senescência que
não ocorrem por doenças.
● Envelhecimento Bem-Sucedido: É um conceito que se refere à capacidade de uma
pessoa envelhecer mantendo uma boa qualidade de vida, saúde física e mental,
além de um nível satisfatório de engajamento social e funcionalidade.
○ Saúde Física e Mental: Envolve a ausência de doenças crônicas graves e
incapacidades, bem como a manutenção de uma boa saúde mental,
incluindo a preservação das funções cognitivas e emocionais.
○ Engajamento Ativo na Vida: Refere-se à participação contínua em atividades
sociais, culturais e produtivas, o que pode incluir trabalho voluntário, hobbies,
e relações interpessoais significativas.
○ Funcionalidade e Autonomia: Implica a capacidade de realizar as atividades
da vida diária de maneira independente, incluindo a mobilidade, os cuidados
pessoais e a gestão da vida doméstica.
● Envelhecimento patológico: Se refere ao processo de envelhecimento que é
acompanhado por doenças crônicas, condições debilitantes e declínios significativos
na saúde física e mental. Ao contrário do envelhecimento bem-sucedido, o
envelhecimento patológico é caracterizado por uma série de problemas de saúde
que afetam negativamente a qualidade de vida e a funcionalidade do indivíduo idoso
○ Doenças Crônicas ○ Saúde Mental
○ Declínio Cognitivo ○ Fragilidade
○ Problemas de Mobilidade ○ Polimedicação
○ O envelhecimento patológico é influenciado por vários fatores, incluindo
predisposição genética, estilo de vida (como dieta inadequada e falta de
exercício), condições socioeconômicas, e acesso a cuidados de saúde.

Composição Corporal
Há redução da água corporal total, da massa muscular esquelética e da massa óssea. A
gordura corporal tende a aumentar e ser redistribuída para o abdômen.
● Isso ocorre principalmente por um desequilíbrio entre ingestão e gasto energético,
por conta de um estilo de vida cada vez mais sedentário.

Massa muscular
Há um declínio de 30% na massa muscular entre a terceira e oitava década.
● A perda dos MMII é maior que dos MMSS.
● O número e o tamanho de miofibrilas reduz, assim como a inervação do músculo
esquelético.
● A qualidade do músculo se altera pela infiltração de gordura e tecido conjuntivo.
● As fibras musculares do tipo II são mais afetadas que as do tipo I.

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

Isso aumenta o risco de sarcopenia e fragilidade, diminuição da força muscular, resistência


à insulina, distúrbio de mobilidade, quedas..

Massa Óssea
Perda tanto no osso cortical quanto no trabecular. Há um declínio progressivo no número e
atividade dos osteoblastos, mas os osteoclastos permanecem inalterados. As céls
precursoras dos osteoblastos permanecem em número constante após os 30 anos, mas
sua função declina, com uma tendência de se tornarem adipócitos em vez de formarem
ossos.
● Os homens perdem cerca de 1% ao ano após os 50 anos, e as mulheres 2 a 3% ao
ano após a menopausa.
A perda da densidade óssea predispõe a osteopenia, osteoporose e risco aumentado de
fraturas. A inatividade física, menor aporte de cálcio dietético e abstinência de estrogênio
também contribuem.

Pele
Tende a ficar mais fina, menos elástica, mais seca e com rugas finas. A epiderme se torna
mais fina e a junção dermoepidérmica menor, resultando em fragilidade.
● Isso torna o sangramento entre a derme e epiderme mais frequente, resultando em
equimoses.
● A pele seca (xerodermia) compromete a função de barreira da pele (ocorre por
diminuição das ondulações na junção dermoepidérmica, e diminuição da área
disponível para transferência de nutrientes, incluindo lipídios protetores)
● Há redução na síntese de VItamina D
● A redução do número de glândulas sudoríparas, com redução do suor, junto com a
diminuição dos vasos sanguíneos da derme e da espessura do tecido celular
subcutâneo, dificulta a termorregulação
● O embranquecimento dos cabelos ocorre pela perda progressiva de melanócitos nos
bulbos capilares.
● O crescimento das unhas diminui, tornando-as mais quebradiças e frágeis.
Isso traz um impacto na cicatrização de feridas, maior suscetibilidade a lesões na pele,
maior vulnerabilidade a infecções virais e fúngicas, aumento do risco de neoplasia cutânea,
rugas, pigmentação, pele seca, termorregulação alterada, cabelo grisalho e alopecia.

Sistema sensorial
VIsão
Ocorre redução da flexibilidade do cristalino, aumento da densidade da lente e
amarelamento da lente. A íris fica mais rígida, produzindo uma pupila com resposta mais
lenta
● Isso leva à presbiopia (a distância para focar objetos de perto aumenta pela rigidez
do cristalino), dificuldade para enxergar com pouca luz e adaptação mais lenta a
mudanças na luz do ambiente (ao entrar em uma sala mais escura, por ex)
Há atrofia dos tecidos periorbitários
● as pálpebras se tornam mais flácidas: ectrópio (pálpebra se dobra para fora ou se
everte) ou entrópio (a pálpebra se inverte)
Há redução na função da glândula lacrimal e na produção de lágrimas

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

● entretanto, os olhos lacrimejantes se tornam mais comuns pois a atrofia do tecido


leva ao deslocamento do ponto lacrimal e à drenagem menos eficaz
A deposição de ésteres de colesterol e gordura na córnea causa o arcus senilis, um
depósito anular branco amarelado na córnea periférica

Audição
As paredes do conduto auditivo externo ficam mais finas, o cerume costuma ser mais seco
(aumenta o risco de impactação).
● Isso leva a perda auditiva relacionada à idade, principalmente para frequências mais
altas (presbiacusia), dificuldade de discriminação da fala e problemas em localizar
fontes de som. Podem ter dificuldade em distinguir o som do ruído de fundo.

Paladar e olfato
O número de papilas diminui com o envelhecimento, mas não há relação com o paladar. A
perda do paladar ocorre em grande parte por conta da diminuição do olfato.
● Os limites de detecção de cheiro aumentam em mais de 50% aos 80 anos.

Sistema Hematopoiético
Há o surgimento de anemia crônica, disfunção imunológica, aumento da incidência de
síndromes mieloproliferativas e malignidades mieloides crônicas e agudas.
● A eritropoiese permanece igual. Há aumento da eritropoietina mas diminuição da
sua resposta, sendo necessário níveis maiores para a manutenção da eritropoese.
● Há redução da massa da medula óssea e aumento da gordura na medula, com
redução da capacidade proliferativa das células tronco hematopoiéticas.
● A capacidade de resposta a estímulos trombóticos aumenta, com os fragmentos de
degradação de fibrina (d dímero) aumentados em idosos saudáveis sem trombose.
● As causas de hiper-reatividade plaquetária incluem menor disponibilidade de óxido
nítrico e aumento do estresse oxidativo, resultando em diminuição leve e consistente
no tempo de sangramento.
Com isso, a resposta da medula óssea é prejudicada à hemorragia aguda/eritropoese
retardada.
Há ligeira diminuição da hemoglobina e hematócrito, aumento do volume corpuscular
médio (VCM), Aumento do risco de trombose venosa profunda e aumento do risco de
sangramento devido a anticoagulantes.
● Há aumento do fibrinogênio, fatores V, VII, VIII e IX, cininogênio de alto peso
molecular e pré-calicreína

Sistema gastrintestinal
Há redução da produção de saliva nas glândulas parótidas
● A queixa de boca seca é comum e pode afetar a mastigação e deglutição.
Alteração na transferência do bolo alimentar para a faringe por conta da perda de
complacência do músculo esofágico, resultando em maior resistência ao fluxo pelo esfíncter
esofágico superior.
● isso aumenta o risco de aspiração e aumenta o risco de refluxo gastroesofágico
A redução da sensibilidade do esôfago distal permite esofagite com pouca sintomatologia, e
há aumento da sensibilidade a drogas irritantes gástricas (com os AINES) e redução do
apetite

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

A prevalência de [Link] aumenta com a idade, e a absorção de micronutrientes pode


diminuir (vit B12, ácido fólico), como a absorção de cálcio
● O estado nutricional e a absorção de micronutrientes podem ser afetados pelo
crescimento bacteriano e má absorção.
● com isso há aumento das taxas de gastrite
Alterações funcionais predispõem à constipação intestinal, e a perda do tônus do esfíncter
anal resulta em incontinência fecal.
● a diverticulite colônica, prevalente após os 65 anos, se deve à redução da força da
musculatura da parede intestinal e sua complacência associada ao aumento da
pressão intra-abdominal necessária para a evacuação
A alteração no metabolismo do LDL contribui para o seu aumento. A diminuição do
cromossomo P-450 impacta o clearance de várias drogas com metabolismo hepático.
Há redução da síntese dos fatores de coagulação dependentes de Vit K, e redução das
enzimas e massa pancreática.

Sistema respiratório
Há redução na complacência com aumento do volume residual e espaço morto por conta de
alterações na coluna dorsal, arcos costais e musculatura respiratória.
● A atrofia muscular e perda das fibras rápidas do diafragma se relacionam com fadiga
e falência respiratória, principalmente com presença de estressores.
Há redução da resposta ventilatória à hipóxia e hipercapnia, redução progressiva das trocas
alveolares e desequilíbrio da relação ventilação/perfusão.
● Essas alterações contribuem para maior frequência de pneumonia (tendência a
infecções), desenvolvimento de hipóxia e redução da captação de oxigênio.
Isso se manifesta como redução da capacidade vital forçada (FVC) e do fluxo expiratório
máximo (FEV1), diminuição da reserva inspiratória, limitação do fluxo expiratório e
hiperinsuflação dinâmica durante exercício.
Há redução da tosse e ação ciliar.

Sistema Urinário
As alterações estruturais incluem:
● Macro: redução progressiva do tamanho e peso renal
● Micro: Glomeruloesclerose (que pode ser agravada por DM e HAS), atrofia tubular,
fibrose intersticial, arteriosclerose, redução do número de glomérulos com hipertrofia
dos remanescentes, formação de divertículos nos túbulos contornados distal e
coletor (possíveis precursores de cistos simples,especialmente após os 40 anos)

Alterações funcionais
Declínio progressivo da reserva funcional renal, redução na capacidade de eliminar potássio
e excretar carga ácida
● mais frequente no idoso estados de hiperpotassemia e acidose metabólica quando
em situações críticas, assim como nefrotoxicidade por drogas ou contraste venoso
Conservar e excretar sódio
● sua eliminação é maior à noite, mecanismo que, junto à diminuição da ação do ADH
e da aldosterona, contribui para poliúria noturna
○ manifestações neurológicas, como confusão mental, muitas vezes pioradas
por efeitos de medicamentos.

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

Diluir a urina e excretar água livre compromete a regulação de volume →


relacionado à baixa resposta ao ADH.
● idosos estão mais sujeitos a desidratação

Alterações hemodinâmicas e TFG


● Redução do fluxo por aumento da resistência vascular
● Vasodilatação compensatória por prostaglandinas
● Perda da resposta do tônus vascular → vulnerabilidade à isquemia
● Redução da TFG com envelhecimento
● Creatinina sérica pode se manter “normal” devido à menor massa muscular
● Fórmulas de estimativa da TFG: Cockcroft-Gault (menos usada) MDRD, CKD-EPI
(mais fidedigna)
● Cistatina C: alternativa mais precisa para avaliação da TFG, menos influenciada por
variáveis externas

Função endócrina renal


● redução dos níveis séricos de renina: possível aumento compensatório de
angiotensina II intrarrenal
● Aumento relativo da EPO
● Redução da conversão de 25-OH-vitamina D em 1,25-diOH-vitamina D. Impacto
negativo na absorção intestinal de cálcio

No trato urinário inferior


há menor atividade cortical envolvida no controle da continência, redução de
neurotransmissores vesicais, aumento da inflamação e estresse oxidativo
● Isquemias repetidas → deposição de colágeno → fibrose →irritabilidade do
detrusor → esvaziamento incompleto da bexiga →urgência urinária,
aumento da frequência urinária, noctúria →rigidificação e trabeculação
progressiva da bexiga

Hiperplasia prostática e sequelas (homens)


● obstrução uretral leva à hipertrofia do detrusor. há hipocontratilidade vesical por
“fadiga” do músculo detrusor
● incontinência persistente mesmo após prostatectomia

Disfunções uretrais (mulheres)


● Há alterações na pressão máxima de fechamento uretral e comprometimento da
musculatura estriada do esfíncter
● A redução do estrogênio no pós menopausa:
○ causa menor vascularização, mucosa atrófica ressecada, maior
suscetibilidade a infecções e sintomas urinários irritativos.

Sistema cardiovascular
As alterações cardiovasculares não são patológicas, entretanto, reduzem o limiar para
sintomas e limitações funcionais quando há doenças cardiovasculares sobrepostas.

No sistema arterial:
● Há espessamento da parede arterial

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

○ por conta de hipertrofia de células musculares lisas, acúmulo de matriz


extracelular, deposição de cálcio e colágeno e perda de fibras elásticas na
camada média
● A espessura médio-intimal pode triplicar entre os 20 e 90 anos
● Há aumento da PAS e redução da PAD após os 60 anos
● Aumento da pressão de pulso, o que eleva a carga pulsátil sobre o coração e vasos
○ é considerada forte preditor de eventos cardiovasculares em adultos de meia
idade e idosos
No coração
● Há discreto aumento de volume no átrio direito
● Aumento de até 50% entre a terceira e oitava década do átrio esquerdo
● Espessamento médio de 10% na parece no ventrículo esquerdo, sem alteração no
tamanho da cavidade
● Espessamento e calcificação da válvula aórtica e do anel mitral
○ a calcificação pode predispor a distúrbios de condução elétrica
Na função cardíaca
● Em repouso, há discreta diminuição da FC. SOb estresse, há resposta reduzida,
com menor elevação da FC
● Há redução da resposta a antagonistas parassimpáticos, agonistas beta-
adrenérgicos,
○ a provável causa pra isso é o menor tônus parassimpático e
responsabilidade simpática
Na aptidão cardiorrespiratória
Há redução significativa do consumo máximo de oxigênio com a idade. Isso traz
implicações na funcionalidade e qualidade de vida
● Queda média de 10% por década em estudos transversais
Os fatores que contribuem para o declínio, incluem:
● redução da frequência cardíaca máxima e da utilização periférica de oxigênio.

Sistema endócrino
Há declínio gradual e progressivo dos hormônios anabólicos (esteroides sexuais e GH). As
alterações hormonais estão diretamente relacionadas a mudanças fisiológicas e patológicas
da senescência

Eixo gônadas-hipotálamo-hipófise
Hormônios sexuais
● há queda na produção de testosterona (andropausa) e de estrogênio/progesterona
(menopausa)
Hormônio do crescimento (GH)
● seu declínio inicia-se após a segunda década de vida. há redução da
secreção de GHRH → queda no GH e IGF-1
○ processo conhecido como somatopausa

Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA)


Cortisol
● Resposta aguda ao estresse preservada, mas recuperação do eixo hPA é mas lenta.
Maior resposta geral de cortisol ao estresse em idosos
● Padrão secretor pulsátil alterado: nadir mais intenso e precoce

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

● Há mudança nos efeitos inibitórios do cortisol sobre a secreção de ACTH.


DHEA e adrenopausa
● Queda acentuada da produção de DHEA com a idade (adrenopausa).
● a produção de cortisol é relativamente preservada ou aumentada. A zona reticular
do córtex adrenal é a mais comprometida.

Eixo hipotálamo-hipófise-tireoide
Redução das concentrações de T3 total e livre. TSH tende a se elevar com o
envelhecimento.
● Alterações podem refletir adaptação metabólica ou disfunção subclínica da tireoide.

Eixo pâncreas-insulina
Metabolismo da glicose
● há redução da sensibilidade à insulina por alterações na composição corporal,
redução da atividade física, alterações hormonais e estresse oxidativo e inflamação.
● A disfunção das células beta pancreáticas contribui para o metabolismo anormal da
glicose

Vitamina D e paratormônio (PTH)


Há redução das concentrações séricas de vitamina D com a idade.
● isso pode causar diminuição da absorção intestinal de cálcio e hiperparatireoidismo
secundário.
O aumento do PTH pode ocorrer independentemente dos níveis de 25-hidroxivitamina D,
cálcio ionizado, fósforo e função renal.

Avaliação Geriátrica Ampla (AGA)


É um processo diagnóstico multidimensional, geralmente interdisciplinar, que avalia o
paciente em vários domínios, incluindo o físico, mental, social, funcional e ambiental.
● Também conhecida como avaliação geriátrica multidimensional (AGM) ou Avaliação
geriátrica global (AGG)
É capaz de identificar diminuição da capacidade, limitações das atividades e restrições à
participação do paciente idoso, entretanto, se utilizada isoladamente da avaliação clínica
tradicional não identifica as condições de saúde (distúrbios ou doenças)
Os parâmetros avaliados são:
● Equilíbrio, mobilidade e risco de quedas
● Função cognitiva
● Condições emocionais
● Deficiências sensoriais
● Capacidade funcional
● Estado e risco nutricional
● Condições socioambientais
● Polifarmácia e medicações inapropriadas
● Comorbidades e Multimorbidade
● Outros

Equilíbrio, mobilidade e risco de quedas

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

Além do exame clínico tradicional, uma avaliação neurológica básica deve ser realizada
para que tenhamos informações importantes que, somadas aos testes, podem dar um
diagnóstico mais preciso.

Get-up and go test (teste de levantar e andar)


O indivíduo é observado ao levantar-se de uma cadeira reta com encosto alto, braço e
assento com altura aproximada de 46 cm, ficar parado momentaneamente, caminhar três
metros, voltar, após girar 180°, para o mesmo local e sentar-se novamente
● É importante que esteja usando seu calçado usual e, caso faça uso, de seu auxiliar
de caminhada (como bengala ou andador).
Torna possível avaliar o equilíbrio do paciente sentado, durante a marcha e a transferência.
A interpretação inclui: (1) normalidade; (2) anormalidade leve; (3) anormalidade média; (4)
anormalidade moderada; (5) anormalidade grave.
● o escore de 3 e mais pontos indica risco aumentado de quedas.
Um ponto negativo é que a avaliação é meio subjetiva e pode ser difícil interpretar os casos
que não são extremos.

Timed up-and-go test (teste de levantar e andar cronometrado)


É mais útil em idosos menos saudáveis. Não é útil para discriminar caidores de não
caidores em idosos saudáveis e nos com alta performance. Entretanto, avalia o
desempenho muscular.

Teste de equilíbrio e marcha


A grande propensão dos idosos à instabilidade postural e à alteração de marcha aumenta
orisco de quedas. Isso torna fundamental o conhecimento das condições de equilíbrio e
marcha nessa população.
● O teste tem várias versões (POMA I, Ia, II), mas no brasil, recebeu uma adaptação
chamada POMA-brasil.
A presença de sarcopenia interfere no equilíbrio e na mobilidade, e deve ser identificada. O
diagnóstico é definido em três critérios:
1. baixa força muscular
2. baixa quantidade ou qualidade muscular
3. baixo desempenho físico
P=A presença do critério 1 (o mais importante) é sarcopenia provável, 1 + 2 é confirmada e
1 + 2 + 3 é sarcopenia grave.

Avaliação de sarcopenia
Pode ser feita utilizando o SARC-F, um questionário de cinco itens. A força muscular é
avaliada principalmente pela força de pressão palmar, a mensuração da massa muscular
pode ser feita por meio de métodos antropométricos e/ou da bioimpedância e/ou da
densitometria corporal total, e o desempenho muscular é avaliado principalmente pelo teste
do levantar e andar cronometrado.

Velocidade de marcha
É medida pelo tempo, em segundos e milésimos de segundo, que o indivíduo leva para
percorrer 4 metros. O cálculo é feito pela média de três tentativas (normal > 0,8 m/s) e
avalia o'desempenho muscular.

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

Circunferência da panturrilha
É a medida antropométrica mais sensível e mais utilizada para avaliação da massa
muscular em idosos (normal ≥ 31 cm)

Força de preensão palmar


Está relacionada à força total do corpo. Geralmente utiliza-se o dinamômetro manual, e a
técnica é realizada com o indivíduo sentado com ombro aduzido e neutramente rodado,
cotovelo flexionado a 90°, antebraço em posição neutra eo punho entre 0° e 30° de
extensão e 0° a 15° de desvio ulnar.
● O resultado é a média de três medidas realizadas no membro dominante com
intervalo de 60 segundos entre elas. Outra forma é considerar a maior medida entre
elas.
● Não há consenso quanto aos escores, mas segundo a EWGSOP, é considerado
sarcopenia <16kg para mulheres e <27kg para homens.
Em situações que não dá pra avaliar em razão de limitação física na mão (artrite, ave etc), o
teste da o teste da “subida da cadeira” para avaliação dos músculos das pernas pode ser
utilizado.
● É realizado solicitando que o indivíduo se levante cinco vezes a partir de uma
posição sentada, sem usar seus braços; o teste é cronometrado, sendo o ponto de
corte normal menor que 15 segundos.

Função cognitiva e condições emocionais


Alterações cognitivas podem levar a perda de autonomia e dependência progressiva. Por
meio da avaliação, podem ser identificados quadros demenciais e depressivos (principais
alterações mentais no idoso).

Miniexame do estado mental (MEEM)


Avalia os principais aspectos da função
cognitiva.
● Para indivíduos sem
escolaridade e até 8 anos
incompletos, o nível de corte é 9
itens.
● Para os com 8 ou mais anos de
escolaridade, o ponto de corte é
13 itens

Teste do desennho do relógio


Avalia funções executivas, memórias,
habilidades visuoconstrutivas,
abstração e compreensão verbal.
● Solicite ao indivíduo que
desenhe um relógio com todos
os números e os ponteiros
marcando 2:45.
● Utilizar naqueles com, no
mínimo, 4 anos de escolaridade.

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

Montreal cognitive assessment


É uma ferramenta de triagem cognitiva desenvolvida para avaliação de problemas
cognitivos leves. Mais específica para detecção de comprometimento cognitivo leve,
principalmente em pacientes com desempenho normal no MEEM.
● O ponto de corte normal é de 26
pontos e mais.

Escala de depressão geriátrica


É utilizada para rastreio de quadros
depressivos em idosos, pois neles as
manifestações são atípicas. É um
questionário com resposta de sim/não.
Há versões de 20, 15, 10, 4 e 1 itens.
● deve ser aplicada em idosos
capazes de compreender as
perguntas do questionário, não
sendo adequada para pacientes
com déficit cognitivo conhecido.

Deficiências sensoriais
A deficiência visual compromete na
saúde e bem estar, pois o idoso pode
perder a sua independência, isolar-se
socialmente, apresentar depressão etc.
A perda auditiva subdiagnosticada
interfere na validade das avaliações
funcionais, pois reduz pontos em testes
de avaliação cognitiva, além de estar
relacionada a maiores taxas de hospitalização, declínio cognitivo e etc.

Capacidade funcional e capacidade intrínseca


● Capacidade intrínseca é a soma de todas as capacidades físicas e mentais de uma
pessoa em um dado momento,
● Capacidade funcional diz respeito à interação do indivíduo com seu ambiente, ou
seja a aptidão para realizar determinada tarefa que lhe permita cuidar de si mesmo e
ter uma vida independente.
As atividades básicas de vida diária
(ABVD) são as atividades
fundamentais necessárias para
realizar o autocuidado. A
incapacidade de executar essas
atividades identifica alto grau de
dependência.
● Existem algumas escalas
utilizadas para avaliação,
sendo as mais comuns a
escala de katz e o índice de
barthel.

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

Para uma vida independente e ativa na comunidade, executando as atividades rotineiras do


dia, o idooso deve usar os recursos disponíveis no meio ambiente. O conjunto dessas
atividades foi denominado AIVD.
● Com ela, é possível determinar se o idoso pode viver sozinho ou não
Existe também o questionário de pfeffer para atividades funcionais, que é muito importante
para avaliação da funcionalidade em pacientes com demência
● muito utilizada para avaliar se o déficit cognitivo é acompanhado de limitações
funcionais.
As atividades avançadas de vida diária (AAVD) são mais complexas que as atividades bási
e instrumentais, e não são incluídas na avaliação funcional do idoso. Os exemplos são
dirigir, praticar esportes etc.
● Não são fundamentais para uma vida independente, mas contribuem para uma
melhor saúde física e mental.

Estado e risco nutricional


Os idosos são mais suscetíveis a desnutrição, por conta de restrições funcionais que
podem incapacitá-lo de ir às compras e de cozinhar, por exemplo. Por isso, a avaliação
nutricional é necessária para avaliar o risco de desnutrição e intervir quando necessário.
● A miniavaliação nutricional (MAN) inclui 18 itens, com escore máximo de 30 pontos,
sendo que acima de 24 é bom estado nutricional, entre 17 e 23,5 há risco de
desnutrição, abaixo de 17 caracteriza desnutrição.
● Inclui perguntas e medidas antropométricas, como o IMC e Circunferência de braço,
se esse não for possível.
○ A medida da circunferência do braço (CB) avalia gordura subcutânea e
musculatura. Inicialmente é definida a linha média do braço entre o olécrano
e o acrômio com o braço flexionado a 90º.

Condições socioambientais
Devem ser avaliadas as relações e as atividades sociais, os recursos disponíveis de suporte
(social, familiar e financeiro), sabendo com que tipo de ajuda o idoso pode contar.
● Isso influencia diretamente o planejamento terapêutico.
Outros aspectos que devem ser avaliados são as necessidades especiais e a adaptação do
ambiente, se o cuidador é formal ou informal, se é capacitado e bem treinado e se
apresenta estresse.

Polifarmácia e medicações inapropriadas


Polifarmácia pode ser definida como o uso regular de múltiplos medicamentos e, com o
envelhecimento, o número deles aumenta pela necessidade de controlar várias doenças
crônicas coexistentes
● Muitas vezes a polifarmácia não é errada, mas necessária. Entretanto, é preciso
avaliar os medicamentos utilizados.
Estudos demonstram que cinco ou mais medicamentos seriam o número adequado para
definir polifarmácia.

Ana Beatriz Possamai


Tutorial 1 módulo 17

É importante verificar se há uso de um medicamento


inapropriado para idosos. Sempre pedir para o
paciente trazer os medicamentos em uso, incluindo o
uso de vitaminas, fitoterápicos, remédios naturais..

Comorbidades e multimorbidade
● Comorbidade: é atualmente usada para
descrever os efeitos combinados de doenças
adicionais sobre uma “doença índice”
(condição principal apresentada pelo
paciente), como é o caso das comorbidades
em um paciente com câncer.
● Multimorbidade: é a ocorrência em um mesmo
indivíduo de duas ou mais doenças crônicas
Avaliar as comorbidades é extremamente importante,
pois influenciam na expectativa de vida, a tolerância
a intervenções diagnósticas e terapêuticas, no
prognóstico funcional e a qualidade de vida
● Para avaliar é utilizado o índice de
comorbidade de Charlson, que inclui 19
condições clínicas selecionadas, registradas
como diagnóstico secundário, por seu poder
de associação à mortalidade.
● É calculada a mortalidade em um ano: 0
pontos (12%), 1 a 2 pontos (26%), 3 a 4
pontos (54%), >5 pontos (85%)

Outros parâmetros
A autoavaliação da saúde do indivíduo é outro
parâmetro importante.
● há uma relação direta entre autoavaliação de saúde e indicadores da capacidade
funcional.
Além disso, a presença ou não de maus-tratos, estimativa do risco cardiovascular e
informações específicas relativas ao grupo a que pertence oidoso, por exemplo, idosos
institucionalizados, idosos com neoplasias etc,

Ana Beatriz Possamai

Você também pode gostar