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Chanucá: História e Significado da Festa

Chanucá, ou Hanucá, é uma festa judaica que celebra a rededicação do Templo de Jerusalém após a vitória dos judeus sobre os selêucidas em 164 a.C. A festividade dura oito dias, começando no 25.º dia de Kislev, e é marcada pelo acendimento da Chanukiá, simbolizando o milagre do azeite que durou oito dias. Tradicionalmente, a celebração inclui jogos, comidas típicas e a lembrança da luta pela liberdade religiosa.

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Chanucá: História e Significado da Festa

Chanucá, ou Hanucá, é uma festa judaica que celebra a rededicação do Templo de Jerusalém após a vitória dos judeus sobre os selêucidas em 164 a.C. A festividade dura oito dias, começando no 25.º dia de Kislev, e é marcada pelo acendimento da Chanukiá, simbolizando o milagre do azeite que durou oito dias. Tradicionalmente, a celebração inclui jogos, comidas típicas e a lembrança da luta pela liberdade religiosa.

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Chanucá ou Hanucá (em hebraico: ‫ ;חנוכה‬romaniz.: ḥănūkkāh; lit.

"educar" ou
"inauguração") é uma festa judaica, também conhecido como o Festival das luzes. A
primeira noite de Chanucá começa após o pôr do sol do 24.º dia do mês judaico de
Kislev e a festa é comemorada por oito dias. Uma vez que na tradição judaica o dia
do calendário começa no pôr do sol, o Chanucá começa no 25.º dia.

História
Por volta do ano de 200 a.C. os judeus viviam como um povo autônomo na terra de
Israel, a qual, nessa época, era controlada pelo rei selêucida da Síria. O povo
judeu pagava impostos à Síria e aceitava a autoridade dos selêucidas, sendo, em
troca, livre para seguir sua própria fé e manter seu modo de vida.

Em 180 a.C. o tirano1 Antíoco IV Epifânio ascendeu ao trono selêucida. Braço


remanescente do império grego, encontrou barreiras para sua dominação completa
sobre o povo judeu, e o modo mais prático para resolver isso era dominar de vez a
região de Israel (mais precisamente a Judeia, ao sul) impondo de maneira firme a
cultura da Grécia sobre os judeus, eliminando, assim, aquilo que os unificava em
qualquer lugar que estivessem: a Torá. O rei Antíoco ordenou que todos aqueles que
estavam sob seu domínio (em específico, Israel) abandonassem sua religião e seus
costumes. No caso dos judeus, isso não funcionou totalmente. Muitos judeus,
principalmente os mais ricos, aderiram ao helenismo, sendo odiados e conhecidos
pelos judeus mais pobres como "helenizantes", uma vez que tentavam convencer o
resto do seu povo a seguirem também a cultura grega. Antíoco queria transformar
Jerusalém em uma "pólis" grega, e conseguiu.

Em 167 a.C., após acabar com uma revolta dos judeus de Jerusalém, Antíoco ordenou a
construção de um altar para Zeus erguido no Templo, com sacrifícios de animais não-
kosher sobre o altar, com a proibição da leitura e prática da Torá, com a morte de
todo aquele que descumprisse tal ordem. Na cidade de Modim (sul de Jerusalém),
inicia-se uma ofensiva contra os greco-sírios, liderada por Matatias (Matitiahu),
um sacerdote judeu de família dos Hasmoneus, e seus cinco filhos, João, Simão,
Eliézer, Jonatas e Judas. Após a morte de Matatias, Yehudá toma a frente da
batalha, com um pequeno exército formado em sua maioria por camponeses. Mesmo
assim, os judeus venceram o forte exército de Antíoco no ano de 164 a.C. e
libertaram Jerusalém, purificando o Templo Sagrado. Judas acabou conhecido como
Judas Macabeu (Judas, o Martelo). Para o historiador israelense Shlomo Sand (2014),
"Na época, os habitantes da Judeia ainda incluíam um significativo número de
pessoas que se dedicavam à idolatria ou eram encorajadas a retomar tais rituais, e
os líderes da comunidade judaica consideraram imperativo separar-se dessa população
e subjugá-la".2 Assim, é importante reconhecer que a revolta de Judas Macabeu foi
resultado da ação de um grupo pequeno e articulado — com "intenso zelo monoteísta"
— e que se sucedeu em um terreno sócio, político e religioso que era mais plural do
que convém à narrativa bíblica reconhecer. O arranjo com os selêucidas sequer foi
rompido, pois o rei Alexandre Balas reconheceu João, irmão de Judas Macabeu, como
sumo sacerdote.

O festival de Chanucá foi instituído por Judas Macabeu e seus irmãos para celebrar
esse evento (Mac. 1 vers. 59). Após terem conseguido a recuperação de Jerusalém e o
Templo, Judá ordenou que o Templo fosse limpo, que um novo altar fosse construído
no lugar daquele que havia sido profanado e que novos objetos sagrados fossem
feitos. Quando o fogo foi devidamente renovado sobre o altar e as lâmpadas dos
candelabros foram acesas, a dedicação do altar foi celebrada por oito dias, entre
sacrifícios e músicas (Mac. 1 vers. 36).

Até aqui, viu-se a vitória do pequenino exército judeu, esse foi o grande milagre.
O segundo milagre segundo a tradição dos fariseus é mais sobrenatural, e deu origem
à festa de Chanuká como conhecemos. Após a purificação da Cidade Santa e da Casa de
YHWH, foi constatado que só havia um jarrinho de azeite puro no Templo com o selo
intacto do Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) para que as luzes da Menorá fossem acesas.
Isso duraria apenas um dia, mas milagrosamente durou oito dias, tempo suficiente
para que um novo azeite puro fosse produzido e levado ao templo para o seu devido
fim, conforme manda a Torá (Ex 27:20-21).

A Judeia ficou independente até a chegada do domínio romano em 63 a.C. A festa é


realizada no dia 25 de Kislev (caindo normalmente em dezembro), data onde o Templo
foi reedificado. É uma festa marcada pelo clima familiar e grande alegria.
Encontramos os fragmentos históricos de Chanuká nos livros deuterocanônicos de I e
II Macabeus e também em escritos talmúdicos. O mandamento principal de Chanuká hoje
é o acendimento da Chanukiá (Menorá — candelabro — de 9 braços). Oito braços são
para lembrar o milagre dos oito dias em que a Menorá ficou acesa com azeite que era
para ter durado apenas um dia. O outro braço, que é chamado de "shamash" — servente
— é um braço auxiliar para o acendimento das outras velas. Segundo a tradição,
somente ele (o shamash) pode ser usado para, se for o caso, iluminar a casa ou para
outro fim, sendo que as outras velas só podem servir para o cumprimento do
mandamento. A cada noite um nova vela é acrescentada, até que se completem as nove.
Outras tradições, como brincar com o "sevivon" (pião) onde em cada lado dele estão
escritas as iniciais da frase nes gadol hayá sham (em hebraico: ‫;נס גדול היה שם‬
romaniz.: nes gadol hayá sham; lit. "um grande milagre aconteceu lá") são válidas,
e para quem está em Israel, a última palavra é trocada por "po" (em hebraico: ‫נס‬
‫ ;גדול היה פה‬romaniz.: nes gadol hayá po; lit. "um grande milagre aconteceu aqui").
Também há o costume de servir alimentos como sonho com geléia (sufganyot) e
panquecas de batata (latkes).

Um grande número de historiadores acreditam que a razão pelos oito dias de


comemoração foi que o primeiro Chanucá foi de fato uma tardia comemoração do
festival de Sucot, a Festa das Cabanas (Mac. x. 6 e i. 9). Durante a guerra os
judeus não puderam celebrar Sucot propriamente. Sucot também dura oito dias, e foi
uma festa na qual as lâmpadas tiveram um papel fundamental durante o período do
Segundo Templo (Suc.v. 2-4). Luzes também eram acesas nos lares e o nome popular do
festival era, portanto, segundo Flávio Josefo (Antiguidades judaicas xii. 7, § 7,
#323)1 o "Festival das Luzes" ("E daquela época até aqui nós celebramos esse
festival, e o chamamos de Luzes"). Foi notado que os festivais judaicos estavam
ligados à colheita das sete frutas bíblicas na qual Israel ficou famoso. Pessach é
a comemoração da colheita da cevada, Shavuot do trigo, Sucot dos figos, tamareiras,
romãs e uvas, e Chanucá das olivas. A colheita das olivas é em novembro e o óleo de
oliva ficaria pronto para o Chanucá em dezembro.

Fontes
No Talmude

Uma Chanukiá.
O milagre de Chanucá é descrito no Talmude, mas não nos livros dos Macabeus. Esse
feriado marca a derrota das forças selêucidas que tentaram proibir Israel de
praticar o judaísmo. Judas Macabeu e seus irmãos destruíram forças surpreendentes,
e rededicaram o Templo. O festival de oito dias é marcado pelo acendimento de luzes
com uma menorá especial, tradicionalmente conhecida entre a maioria dos Sefaradim
como chanucá, e entre muitos Sefaradim dos Balcãs e no hebraico moderno como uma
chanukiá.

O Talmud (Shabat 21b) diz que após as forças de ocupação terem sido retiradas do
Templo, os Macabeus entraram para derrubar as estátuas pagãs e restaurar o Templo.
Eles descobriram que a maioria dos itens ritualísticos havia sido profanada. Eles
buscaram óleo de oliva purificado por ritual par acender uma Menorá para rededicar
o Templo. Contudo, eles encontraram apenas óleo suficiente para um único dia. Eles
acenderam isso, e foram atrás de purificar novo óleo. Milagrosamente, aquela
pequena quantidade de óleo queimou ao longo dos oito dias que levou para que
houvesse novo óleo pronto. É a razão pela qual os judeus acendem uma vela a cada
noite do festival.
No Talmude dois costumes são apresentados. Era comum tanto ter oito lamparinas na
primeira noite do festival, e reduzir o número a cada noite sucessiva; ou começar
com uma lamparina na primeira noite, aumentando o número até a oitava noite. Os
seguidores do Shamai preferiam o costume anterior; os seguidores do Hilel advogavam
o segundo (Talmud, tratado Shabat 21b). Josefo acreditava que as luzes eram um
símbolo da liberdade obtida pelos judeus no dia em que Chanucá é comemorado.

As fontes talmúdicas (Meg. eodem; Meg. Ta'an. 23; comparar as diferentes versões
Pes. R. 2) descrevem a origem do festival de oito dias, com seus costumes de
iluminar as casas, até o milagre dito ter acontecido na dedicação do Templo
purificado. Isso foi que o pequeno vasilhame de óleo puro que os sacerdotes
Hasmoneus encontraram intocados quando eles entraram no Templo, tendo estado vedado
e escondido. Esse pequeno montante durou por oito dias até que novo óleo pudesse
ser preparado para as lamparinas do candelabro sagrado. Uma lenda similar em
características, e obviamente mais antigo, é aquele aludido em Mac. 2 1:18 et seq.,
de acordo com o qual o reacendimento das luzes do fogo do altar por Nehemias foi
devido a um milagre que ocorreu no vigésimo quinto dia de Kislev, e no qual parece
ter sido dado como a razão para seleção da mesma data para a rededicação do altar
por Judas Macabeu.

Livros dos Macabeus


A história de Chanucá é preservada nos livros de I Macabeus e II Macabeus. Esses
livros não são parte da Bíblia Hebraica, mas são parte do material religioso e
histórico deuterocanônico da Septuaginta; esse material não foi codificado mais
tarde pelos judeus como parte da Bíblia, mas foi codificado pelos católicos e
cristãos ortodoxos. Uma outra, provavelmente tardia, fonte é o Megillat Antiokhos —
um texto escrito pelos próprios Macabeus por Saadia Gaon, e mais provavelmente
escrito por volta do primeiro ou segundo século d.C.

Celebração
A festa de Chanucá é celebrada durante oito dias, do dia 25 de Kislev ao 2 de Tevet
(ou o 3 de Tevet, quando Kislev só tem 29 dias). Durante esta festa se acende uma
Chanukiá, ou candelabro de 9 braços (incluindo o central e maior, denominado
Shamash, ou servente). Na primeira noite acende-se apenas o braço maior e uma vela,
e a cada noite se vai acrescentando uma vela, até que no oitavo dia o candelabro
está completamente aceso. Este ritual comemora o milagre do azeite que queimou por
oito dias no candelabro do Templo de Jerusalém.3

O Chanucá hoje
Novas interpretações do Chanucá
Antes do século XX, o Chanucá era um feriado relativamente menor. Contudo, com o
crescimento do Natal como o maior feriado no Ocidente e o estabelecimento do estado
moderno de Israel, o Chanucá começou a servir crescentemente tanto como celebração
da restauração da soberania judaica em Israel e, mais importante, como um feriado
para se dar presentes voltado para a família em dezembro que poderia ser um
substituto judaico para o feriado cristão. É importante notar que a substituição
pelo Natal não é universalmente aceito. Crianças judias, primariamente entre os
ashkenazim, também jogam um jogo onde eles giram um pião de quatro faces com letras
hebraicas chamado de dreidel (em hebraico: ‫ ;סביבון‬romaniz.: sevivon) .

Cronologia
198 a.C.: Exércitos do Rei Selêucida Antíoco III (Antíoco o Grande) expulsa
Ptolomeu V da Judeia e Samaria.
175 a.C.: Antíoco IV (Epifânio) ascende ao trono Selêucida.
168 a.C.: Sob o reinado de Antíoco IV, o Templo é destruído, os judeus massacrados
e o judaísmo é proibido.
167 a.C.: Antíoco pede um altar para Zeus erguido no Templo. Matatias e seus cinco
filhos, João, Simão, Eliézer, Jonatas e Judas lideram uma rebelião contra Antíoco.
Judas se torna conhecido como Judas Macabeu (Judas, o Martelo).
166 a.C.: Matatias morre, e Judá toma seu lugar como líder. O Reino Judaico
Hasmoneu começa; Ele duraria até 63 a.C..
165 a.C.: A revolta judaica contra a monarquia selêucida é bem sucedida. O Templo é
libertado e reedificado (Chanucá).
142 a.C.: Estabelecimento da Segunda Comunidade Judaica. Os selêucidas reconhecem a
autonomia judaica. Os reis selêucidas tem autoridade formal, o que os Hasmoneus
reconhecem. Isso inaugura um período de grande expansão geográfica, crescimento
populacional, e desenvolvimento religioso, cultural e social.4
139 a.C.: O senado romano reconhece a autonomia judaica.5
134 a.C.: Antíoco VII cerca Jerusalém. Os judeus sob o comando de João Hircano
tornam-se vassalos selêucidas, mas mantêm sua autonomia religiosa.6
129 a.C.: Antíoco VII morre.7 Israel se livra do subjugo sírio completamente.
96 a.C.: Começa uma guerra civil de oito anos.
83 a.C.: Consolidação do Reino no território a leste do Rio Jordão.
63 a.C.: O Reino Judaico Hasmoneu chega ao final graças a uma rivalidade entre os
irmãos Aristóbulo II e Hircano II, sendo que ambos apelam à República Romana para
intervir e assegurar o poder em suas mãos. O general romano Pompeu (Pompeu, o
Grande) é despachado para a área. Doze mil judeus são massacrados quando da vinda
dos romanos a Jerusalém. os sacerdotes do Templo são abatidos no altar. Roma anexa
a Judeia.

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