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Reflexões sobre a Escrita Abstrata

O texto explora a natureza do pensamento e da escrita, apresentando uma sequência de palavras e frases que surgem sem enredo ou compromisso. Ele reflete sobre a aleatoriedade e a falta de significado, enfatizando a liberdade da linguagem e a ocupação do espaço em branco. No final, a escrita é vista como um fluxo contínuo, onde o silêncio e a ausência também têm valor.

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Reflexões sobre a Escrita Abstrata

O texto explora a natureza do pensamento e da escrita, apresentando uma sequência de palavras e frases que surgem sem enredo ou compromisso. Ele reflete sobre a aleatoriedade e a falta de significado, enfatizando a liberdade da linguagem e a ocupação do espaço em branco. No final, a escrita é vista como um fluxo contínuo, onde o silêncio e a ausência também têm valor.

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vento margem palavra eco distante linha curva sombria acaso ritmo fragmento ideia solta

pensamento que começa sem aviso e continua porque sim. Não há enredo, não há começo
nem fim, apenas a sequência de letras que ocupam espaço, como passos em um corredor
vazio. Letras caminham juntas: a b c d e, depois tropeçam em sentidos possíveis, talvez
inventados. O texto cresce como cresce a poeira em lugares esquecidos, devagar, sem
intenção clara.

Algumas palavras fazem sentido por um segundo e depois deixam de fazer. Horizonte
líquido, sombra azul, relógio sem ponteiros, memória que não lembra. Frases surgem tortas,
outras se alinham, mas nenhuma se compromete. O papel aceita tudo, inclusive o nada
organizado em linhas. Há quem procure significado, há quem apenas conte caracteres.

xyz lorem vento letra pausa pausa continua continua continua. O silêncio também escreve
quando há espaço suficiente. Um parágrafo nasce só para morrer na linha seguinte. Sons
que não existem: fral, tum, esva. Palavras reais se misturam com quase-palavras, como se
fosse permitido errar de propósito.

Nada impede que um texto seja apenas matéria: massa de símbolos, ocupação de campo,
preenchimento. Ainda assim, ele segue. Repete. Alongasse. Respira por vírgulas. Escorre
por pontos finais. Acentos aparecem como pequenos detalhes: ação, razão, inútil, memória.
Depois somem novamente.

abcdefghijklmnopqrstuvwxyz repetido sem ordem clara. O tempo aqui não importa. Quem lê
talvez pare, talvez continue, talvez apenas role a tela até o fim. E o fim também é apenas
mais um trecho, não um encerramento verdadeiro. Porque mesmo quando acaba, ainda há
espaço em branco depois da última palavra, e o branco também conta.

Se este texto fosse som, seria ruído constante. Se fosse imagem, seria névoa. Se fosse
intenção, seria nenhuma. Apenas existe, ocupa, cumpre. Letras finais se aproximam sem
aviso: quase lá, quase nada, quase tudo. E então segue mais um pouco, só para garantir
que há o suficiente.

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