Introdução
O objetivo deste trabalho foi explorar na prática dois pilares do eletromagnetismo. Primeiro,
investigamos a indução eletromagnética, buscando entender como o movimento e a variação
de campo geram corrente elétrica (Leis de Faraday e Lenz) e, em seguida, analisamos a força
magnética, utilizando uma balança de corrente para medir como campos magnéticos atuam
sobre condutores energizados (Lei de Laplace/Lorentz).
Parte I.
sobre o fenômeno da Indução (Lei de Faraday-Lenz), iniciamos com uma análise qualitativa do
que observamos no laboratório.
Ao aproximar o pólo sul do ímã da bobina, observei que o ponteiro do galvanômetro sofreu uma
deflexão para o sentido horário, indicando o surgimento de uma corrente induzida devido ao
aumento do fluxo magnético sobre a bobina. Quando o ímã permaneceu parado próximo à
bobina, o ponteiro retornou ao zero, mostrando que não havia corrente induzida na ausência de
variação do fluxo, e ao afastar o ímã, o ponteiro defletiu para o sentido anti horário, revelando
que a corrente induzida mudou de sentido, agora se opondo à diminuição do fluxo.
Repetindo o procedimento com o polo norte, as deflexões ocorreram nos sentidos invertidos
em relação ao polo sul, e também observei que quanto mais rapidamente o ímã era
movimentado, maior era a deflexão do ponteiro, confirmando a dependência da corrente
induzida com a taxa de variação do fluxo magnético. Portanto, a corrente só aparecia durante a
movimentação do ímã, mudando de intensidade e sentido conforme a direção e a velocidade
do movimento.
No circuito 2, ao fechar a chave do circuito, observei que o ponteiro do galvanômetro defletiu
momentaneamente para o sentido horário, indicando que uma corrente induzida foi gerada
devido ao aumento repentino da corrente na bobina alimentada pela fonte. Após esse breve
instante, o ponteiro retornou à posição central, mostrando que não havia corrente induzida
enquanto a corrente na bobina permanecia constante, mas ao abrir a chave, ocorreu
novamente uma deflexão, porém em sentido oposto (anti horário) ao observado no fechamento.
Isso indica que a corrente induzida se opõe à redução do fluxo magnético causada pela
interrupção súbita da corrente no circuito alimentado, e constatei que essas deflexões só
acontecem nos instantes de ligar ou desligar a chave, pois nesses momentos ocorre variação
do fluxo magnético.
Durante o intervalo em que a corrente se mantém constante, o galvanômetro não registra
nenhuma deflexão; assim, o circuito 2 demonstra claramente que o fenômeno de indução
depende exclusivamente da variação do fluxo magnético, e não da presença de campo
constante.
Análise do experimento
A análise dos dados coletados no arquivo PLX-DAQ mostra que a força eletromotriz (FEM)
induzida acompanha as variações do deslocamento, apresentando seus valores máximos
quando o movimento é mais rápido e aproximando-se de zero quando o deslocamento atinge
seus extremos, o que confirma que a FEM depende da taxa de variação do fluxo magnético, e
não da posição do ímã. Observa-se também que a FEM muda de sinal sempre que o
deslocamento inverte o sentido, evidenciando a atuação da Lei de Lenz, segundo a qual a
corrente induzida surge para se opor à mudança do fluxo magnético.
Ao invertermos a bobina, percebemos que o gráfico da FEM mantém a mesma forma geral,
porém ocorre uma inversão completa de sinal em toda a curva, de forma que picos positivos
tornam-se negativos e vice-versa, demonstrando que a mudança da orientação das espiras
inverte a direção do fluxo magnético efetivo e, consequentemente, inverte o sentido da corrente
induzida, mesmo que o movimento permaneça o mesmo. Assim, os resultados experimentais
mostram de maneira clara que a FEM induzida depende exclusivamente da variação do fluxo e
do sentido da bobina, validando a Lei de Faraday–Lenz.
Aprofundando a análise dos dados através do questionário, observamos que no Circuito 1 (ímã
+ bobina + galvanômetro) não existe fonte elétrica; a corrente observada no galvanômetro
surge apenas quando o fluxo magnético varia, o que ocorre quando o ímã é aproximado ou
afastado da bobina.
Quando o ímã se aproxima, o fluxo aumenta e uma corrente induzida aparece em um sentido;
quando o ímã se afasta, o fluxo diminui e a corrente aparece em sentido oposto; se o ímã está
parado, não há variação do fluxo e o galvanômetro não registra corrente.
Já no Circuito 2 (fonte + chave + bobina + galvanômetro), o fenômeno ocorre quando a fonte é
ligada ou desligada: ao fechar a chave, a corrente na bobina cresce rapidamente, gerando uma
variação no campo magnético e induzindo uma FEM que o galvanômetro detecta, sendo uma
deflexão momentânea que cessa quando a corrente se estabiliza. Ao abrir a chave, a corrente
cai repentinamente, gerando nova variação de fluxo e induzindo uma FEM no sentido contrário,
e enquanto a corrente é constante, não há indução.
Ainda no circuito 2, ao mover o ímã próximo da bobina, a aproximação aumenta o fluxo
fazendo a FEM aparecer em um sentido, o afastamento diminui o fluxo fazendo a FEM
aparecer no sentido oposto, movimentos rápidos produzem FEM maior (porque dΦ/dt é maior)
e quando o ímã para, a FEM retorna a zero. Além disso, a inversão do ímã (trocar polo norte
por sul) inverte o sentido da FEM, e a inversão da bobina (virar a bobina) também inverte o
sinal da FEM, pois muda o sentido das espiras, observações que confirmam a Lei de Lenz: a
corrente induzida sempre atua para se opor à mudança do fluxo, não ao fluxo em si. Os zeros
da FEM no gráfico ocorrem justamente quando o deslocamento do ímã está nos extremos ou
quando a velocidade é nula; assim, nos pontos em que o ímã atinge seu ponto máximo ou
mínimo de deslocamento, ele praticamente para (velocidade = 0) e, como a FEM depende da
velocidade de variação do fluxo, nesses instantes a FEM passa por zero. Ao cruzar a posição
central, o ímã tem maior velocidade e a FEM não é zero, portanto, FEM é igual a zero sempre
que a velocidade do movimento é zero, e não quando o deslocamento é zero.
Os valores máximos e mínimos da FEM ocorrem quando a velocidade do ímã é máxima, ou
seja, quando ele cruza rapidamente a região central, onde a variação de fluxo é maior, pois
quando o deslocamento é mais rápido (maior dΦ/dt), a FEM atinge valores maiores. Também
ocorre que FEM positiva corresponde ao movimento em uma direção, FEM negativa
corresponde ao movimento no sentido contrário, e a inversão da bobina inverte ambos os
sinais, assim como a inversão do ímã também inverte os picos, mostrando que a tensão
máxima e mínima está diretamente relacionada à velocidade e ao sentido do movimento, e não
ao deslocamento absoluto do ímã.
Parte II
O foco mudou para a força mecânica em condutores, onde usamos uma "balança de corrente"
para medir a força que um campo magnético exerce sobre fios de diferentes tamanhos (L)
quando percorridos por corrente (I). Medimos a força magnética em três condutores (25, 50 e
100 mm) enquanto aumentávamos a corrente de 0,3 A até 3,0 A, observando que a força
magnética nesse caso é igual à força peso medida na balança.
Análise de Dados
Os dados coletados foram os seguintes: para o condutor de 25 mm, as forças medidas foram
1.2 mN (0.3 A), 2.5 mN (0.6 A), 3.7 mN (0.9 A), 4.9 mN (1.2 A), 6.2 mN (1.5 A), 7.4 mN (1.8 A),
8.6 mN (2.1 A), 9.9 mN (2.4 A), 11.1 mN (2.7 A) e 12.3 mN (3.0 A).
Para o condutor de 50 mm, obtivemos 2.9 mN (0.3 A), 5.9 mN (0.6 A), 8.8 mN (0.9 A), 12.0 mN
(1.2 A), 14.9 mN (1.5 A), 17.7 mN (1.8 A), 20.6 mN (2.1 A), 23.6 mN (2.4 A), 26.6 mN (2.7 A) e
29.6 mN (3.0 A).
Para o condutor de 100 mm, os valores foram 6.2 mN (0.3 A), 12.4 mN (0.6 A), 18.7 mN (0.9 A),
24.9 mN (1.2 A), 31.1 mN (1.5 A), 37.4 mN (1.8 A), 43.6 mN (2.1 A), 49.8 mN (2.4 A), 56.3 mN
(2.7 A) e 62.2 mN (3.0 A).
O comportamento observado foi extremamente linear, exatamente como a equação F = B. i .L
prevê, onde basicamente dobrar a corrente dobrava a força.
A partir da inclinação das retas do gráfico (coeficientes angulares de 4,1 para 25 mm, 9,9 para
50 mm e 20,8 para 100 mm), conseguimos calcular o campo magnético (B) do ímã utilizado:
para o fio de 25 mm, o campo calculado foi de 0,16 T; para o fio de 50 mm, deu 0,20 T; e para o
de 100 mm, chegamos a 0,21 T, resultando em uma média de aproximadamente 0,19 T.
Para confirmar esses valores, fizemos o caminho inverso através de extrapolação: fixamos
matematicamente uma corrente de 5,0 A e analisamos como a força variaria apenas com o
comprimento do fio, encontrando os valores de 23,6 mN, 54,2 mN e 103,9 mN, que formaram
uma reta quase perfeita. O coeficiente angular dessa nova reta nos deu um valor de campo
magnético entre 0,21 e 0,22 T, sendo que esse cruzamento de dados é muito positivo, pois os
valores de campo magnético encontrados pelas duas análises (variando a corrente e variando
o comprimento) são muito próximos, o que valida nossas medições.
Conclusão
Em conclusão, ao fim dos experimentos, conseguimos visualizar de forma clara as duas vias do
eletromagnetismo: de um lado, vimos como o movimento gera eletricidade (Indução),
confirmando que a tensão depende diretamente da velocidade da variação do fluxo e obedece
à Lei de Lenz — sempre "do contra" à mudança; do outro, quantificamos como a eletricidade
gera movimento (Força Magnética), encontrando uma relação linear precisa que nos permitiu
até medir a intensidade do campo magnético do ímã (0,20 T). Os dados experimentais
conversaram muito bem com a teoria, com desvios mínimos que estão dentro do esperado
para um experimento.