CENTRO INTEGRADO DE ATENDIMENTOESPECIALIZADO
DA REDE MUNICIPAL DE MANDAGUAÇU
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Relatório de Avaliação Psicopedagógica
1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO
Nome da estudante: Pedro Henrique Santos Custódio
Data de nascimento: 21/08/2014 Idade: 10
Série/ano escolar: 5º ano B Turno: tarde
Escola Municipal: Barão do Rio Branco Município: Mandaguaçu
Filiação: Jeferson Luiz Custódio
Rafaela
Data da avaliação: 14/03/2025 a 30/05/2025
2. MOTIVO DO ENCAMINHAMENTO
Pedro foi encaminhado pela escola para avaliação psicopedagógica em razão de
dificuldades de aprendizagem. De acordo com as informações da professora, “o aluno
apresenta dificuldades na escrita com leitura pausada e na fala. Com relação a Matemática
desenvolve bem operações mais simples e problemas de pouca exigência lógica. Desenvolve
as atividades com lentidão, se distraindo e conversando durante sua execução. Em sala de
aula mantém uma boa relação com seus colegas, regras e autoridades”.
Em entrevista com a família, o pai informou que observa dificuldades de aprendizagem
no filho, e também mencionou episódios recorrentes em que o estudante inicia uma fala, mas
logo esquece o que pretendia dizer.
3. SÍNTESE DAS ÁREAS AVALIADAS E RESULTADOS
Aspectos afetivos e sociais
Para a avaliação desses aspectos, foram utilizadas Técnicas Projetivas
Psicopedagógicas, que investigam os vínculos que o sujeito pode estabelecer nos domínios
escolar, familiar e consigo mesmo. Também foram consideradas as inferências obtidas na
Entrevista Operatória Centrada na Aprendizagem (EOCA), além de observações sistemáticas
realizadas ao longo de todo o processo avaliativo.
Desde o início do processo de avaliação, Pedro Henrique não estabeleceu vínculo com a
profissional, mostrando-se desanimado e sonolento. Em conversa sobre os aspectos pessoais,
o estudante demonstrou facilidade em informar a idade, data de nascimento, composição
familiar, nome da professora, atividades preferidas e demais informações do contexto social.
Durante a realização da EOCA, Pedro não demonstrou iniciativa ou curiosidade na
exploração dos materiais da caixa, apresentando um comportamento apático ao longo da
sessão.
Escolheu incialmente um brinquedo (moto), e na sequência escolheu animais. Na
instrução da terceira consiga, o aluno pegou o alfabeto, olhou e guardou. Em seguida escolheu
um quebra-cabeça, o qual também foi guardado sem que houvesse a manipulação ou a
apresentação da tarefa solicitada. Observou-se a necessidade de reiterar a instrução. Em
seguida, pegou uma folha verde, fez um desenho que identificou como sendo uma escola e
realizou a escrita de algumas palavras, e continuou com um comportamento retraído, não
respondendo verbalmente às intervenções.
Os desenhos realizados nas Técnicas Projetivas foram feitos com capricho. No desenho
“Par Educativo”, o estudante representou uma cena no contexto escolar, revelando bom vínculo
com o ambiente de aprendizagem. No desenho “Os quatro momentos do dia”, o estudante
retratou situações de sua rotina diária, destacando a escola como parte presente do seu
cotidiano.
Na “Família Educativa”, desenhou seu cavalo e representou alguns integrantes da família
(primo, tia) envolvidos em suas atividades cotidianas, embora desenhados de forma separada.
Chamou atenção foi que na descrição o aluno relata a presença do pai e da mãe porem não há
imagem dos mesmos no desenho, somente uma frase escrita: “Meu pai e eu.” No desenho
“Fazendo o que mais gosto”, ilustrou ele andando de cavalo.
Diagnóstico Operatório – Provas de Piaget
As provas do diagnóstico operatório têm como principal objetivo avaliar o nível de
desenvolvimento cognitivo da criança, especialmente no que se refere à aquisição de estruturas
lógicas do pensamento, como a conservação, reversibilidade, seriação e classificação.
Foram aplicadas as provas piagetianas de conservação de pequenos conjuntos discretos,
conservação de massa; de comprimento; conservação de superfície, seriação e conservação de
peso. Diante da análise dos resultados, o estudante demonstra avanços importantes no
pensamento lógico. Contudo, ainda apresenta dificuldades em tarefas que exigem noções mais
elaboradas, indicando que se encontra em transição para o estágio operatório concreto. Seu
raciocínio está se desenvolvendo, mas ainda depende, em grande parte, de situações concretas
para consolidar conceitos mais abstratos.
Aspectos Pedagógicos
Para a avaliação dos aspectos pedagógicos, foram utilizados um teste pedagógico não formal e
o Teste de Desempenho Escolar (TDE II).
De acordo com o teste pedagógico informal, observou-se que o estudante escreve com
autonomia seu nome completo em letra cursiva, não demonstra domínio de toda a sequência
alfabética na escrita, embora conheça todas as letras na oralidade. No teste de leitura, leu
todas palavras simples e complexas. Durante a atividade de sondagem, o aluno foi solicitado a
escrever algumas palavras isoladas (relacionadas a objetos escolares) e construir uma frase
utilizando os termos propostos. Na escrita das palavras, o estudante demonstrou boa
consciência fonológica, representando adequadamente as palavras: "apontador", e "giz", e na
palavra caderno escreveu “cateno” e lápis “lapos”. Os registros mostram que o aluno ainda
possui dificuldade de realizar a correspondência entre fonema e grafema de maneira satisfatória
para o nível de escolaridade. Na construção da frase, o aluno apresentou organização lógica e
coerente. Ao observar a sequência de imagens, o aluno não conseguiu elaborar uma narrativa
com começo, meio e fim. Demostra dificuldades significativas na organização do pensamento,
na fluência da escrita e na aplicação das regras ortográficas e gramaticais em um contexto de
produção livre.
Na Matemática o estudante demonstra reconhecimento e nomeação da maioria dos
números até a ordem da unidade de milhar. No ditado de números, apresentou bons acertos,
contudo, teve dificuldades pontuais com números maiores, o que pode indicar insegurança no
entendimento do sistema de numeração decimal em números mais elevados. Nas operações
básicas, demonstrou domínio das adições simples (sem reagrupamento), porém, apresentou
dificuldades na subtração com reagrupamento, recorrendo ao apoio da contagem nos dedos.
Foi aplicado o TDEII- Teste de Desempenho Escolar, o qual tem o objetivo de avaliar as
habilidades de leitura, escrita e aritmética. No TDE II, os subtestes de leitura e escrita estão
organizados em dois blocos: do 1º ao 4º ano e do 5º ao 9º ano. Considerando que o estudante
foi avaliado no primeiro bimestre do 5º ano, optou-se por utilizar os blocos referentes ao 1º ao 4º
ano, com o objetivo de delimitar com maior precisão seu nível de desempenho. O subteste de
aritmética foi aplicado conforme a versão correspondente do 1º ao 5º ano. Seguem abaixo os
resultados:
Subteste de Escrita
Resultados Escore bruto Percentil Interpretação
Acertos 24 99 Muito acima do esperado
Tempo velocidade 531 10 Alerta para déficit
Palavras escritas por minuto 4,2 50 Médio (dentro do esperado)
Escore de Eficiência 2,7 90 Acima do esperado
Subteste de Aritmética
Resultados Escore bruto Percentil Interpretação
Acertos 16 10 Alerta para déficit
Tempo total 556 80 Acima do esperado
Escore de Eficiência 1,7 25 Alerta para déficit
Subteste de Leitura
Resultados Escore bruto Percentil Interpretação
Acertos 33 99 Muito acima do esperado
Tempo velocidade 128 20 Alerta para déficit
Palavras lidas por minutos 12 1 Déficit grave
Escore de Eficiência 15,5 40 Médio inferior
O estudante demonstra bom desempenho na escrita, desempenho mediano em leitura e
sinais de dificuldades em aritmética, evidenciando a necessidade de intervenções específicas
nesta última área para equilibrar seu rendimento escolar.
4. CONCLUSÃO
Com base nos dados obtidos ao longo do processo avaliativo, observa-se que Pedro
apresenta defasagem significativa nos processos de leitura, escrita e habilidades matemáticas,
acompanhadas de alterações nas funções executivas. Tais dificuldades podem estar
relacionadas a fatores ambientais, como a metodologia de ensino, organização e nível de
motivação familiar, bem como a possíveis transtornos específicos do neurodesenvolvimento
Contudo, observa-se um comportamento desmotivado e com pouca disposição para
realizar as atividades propostas, o que pode interferir em seu rendimento escolar e na
execução de tarefas que exigem maior concentração e empenho.
5. RECOMENDAÇÕES
Recomendações para a escola
Sempre que possível, recomenda-se que o aluno seja posicionado nas primeiras carteiras
da sala, distante de possíveis fontes de distração, como portas e janelas;
Oferecer orientações em etapas curtas, simples e diretas, certificando-se de que o aluno
compreendeu o que foi solicitado;
Antes de passar instruções, garantir que o aluno esteja prestando atenção (chamar pelo
nome, manter contato visual, pedir que repita o que foi solicitado);
Sempre que possível, oferecer apoio individual durante atividades mais complexas;
Repetir as instruções/atividades em situações variadas, de forma diversificada;
Recomendações para a família
Estimular a autoestima;
Elogios por merecimento;
Incentivar a realização das atividades escolares em casa, com apoio de um familiar;
Organizar uma rotina de estudos em casa, incluindo horários específicos para a realização
das tarefas escolares, leitura e revisão dos conteúdos trabalhados pela professora na
escola;
Manter o acompanhamento psicopedagógico já iniciado.
6. ENCAMINHAMENTOS
Sugere-se a aplicação da Escala de Inteligência Wechsler para Crianças – WISC-IV, a fim de
complementar a avaliação e investigar com maior profundidade o perfil cognitivo do aluno.
Recomenda-se a realização de intervenções psicopedagógicas direcionadas às
necessidades específicas identificadas ao longo do processo avaliativo, com foco no
desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita, habilidades matemáticas e atenção.
Sugere-se a permanência no reforço escolar, visando o fortalecimento de conteúdos básicos
da alfabetização e das operações matemáticas fundamentais.
Coloque-me a disposição para qualquer esclarecimento
Mandaguaçu, 27 de junho de 2025.
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Neusa Nunes da Silva
Professora com especialização em Psicopedagogia
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Responsável