ESCOLA ESTADUAL
CIDADE DOS MENINOS SÃO VICENTE DE PAULO.
INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS
DISCENTES: ANA CAROLINA BRÍGIDO DE ALMEIDA
MARIA EDUARDA SANTOS GERHARDT
DOCENTE: POLIANE RODRIGUES
RIBEIRAO DAS NEVES
2024
ANA CAROLINA BRÍGIDO DE ALMEIDA
MARIA EDUARDA SANTOS GERHARDT
INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS
RIBEIRÃO DAS NEVES
2024
SUMÁRIO
1- Introdução ________________________________________4
2- Tipos de Infecções Sexualmente Transmissíveis __________ 7
2.1 HPV ____________________________________________ 7
2.2 - Sifilis__________________________________________10
2.3 – Gonorreia ______________________________________13
2.4 – Dip ___________________________________________17
2.5 - Herpes Genital _________________________________18.
3- Referencias ______________________________________20
Anexos ____________________________________________21
1- INTRODUÇÃO
As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são causadas por vírus,
bactérias ou outros microrganismos. Elas são transmitidas, principalmente, por
meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de camisinha masculina
ou feminina, com uma pessoa que esteja infectada. A transmissão de uma IST
pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a
amamentação. De maneira menos comum, as IST também podem ser
transmitidas por meio não sexual, pelo contato de mucosas ou pele não íntegra
com secreções corporais contaminadas.
O tratamento das pessoas com IST melhora a qualidade de vida e interrompe a
cadeia de transmissão dessas infecções. O atendimento, o diagnóstico e o
tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS. A terminologia
Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) passou a ser adotada em
substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), porque
destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo
sem sinais e sintomas. Se não tratadas adequadamente, podem provocar
diversas complicações e levar a pessoa, inclusive, à morte.
1.1 - Sinais e sintomas
As IST podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos e verrugas
anogenitais, entre outros possíveis sintomas, como dor pélvica, ardência ao
urinar, lesões de pele e aumento de ínguas. São alguns exemplos de
IST: herpes genital, sífilis, gonorreia, tricomoníase, infecção pelo HIV, infecção
pelo Papilomavírus Humano (HPV), hepatites virais B e C. As IST aparecem,
principalmente, no órgão genital, mas podem surgir também em outras partes
do corpo (ex.: palma das mãos, olhos, língua).
As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) caracterizam-se por infecções
causadas por mais de 30 agentes etiológicos diferentes (bactérias, vírus,
fungos e protozoários), sendo transmitidas de maneira prioritária por contato
sexual. Eventualmente, também podem ser transmitidas por contato
sanguíneo, e da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a
amamentação.
As IST ocorrem com alta frequência na população e têm múltiplas
apresentações clínicas. No que diz respeito ao diagnóstico das IST, a
anamnese, a identificação das diferentes vulnerabilidades e o exame físico
constituem-se como elementos essenciais. Durante o exame físico, deve-se
proceder, quando indicado, à coleta de material biológico para a realização de
testes laboratoriais ou rápidos.
É importante ressaltar que, mesmo que não haja sinais e sintomas, as IST
podem estar presentes e ser, inclusive, transmissíveis. Ultimamente, o manejo
das infecções assintomáticas está se beneficiando de novas tecnologias
diagnósticas — algumas já em uso, como os testes rápidos para sífilis e para o
HIV, além de outras menos acessíveis até o momento, mas que contam com a
possibilidade de implantação, como os testes para gonorreia e clamídia.
Atualmente, o Ministério da Saúde vem incentivando a realização do teste
rápido como importante estratégia de saúde pública na ampliação do
diagnóstico.
Hoje, o Ministério da Saúde distribui aos serviços de saúde do SUS os testes
rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C. Esses testes podem ser realizados
por qualquer profissional, desde que devidamente capacitado, presencialmente
ou a distância. Por fim, o atendimento imediato das pessoas com IST e de suas
parcerias, além de ter uma finalidade curativa, também visa a interrupção da
cadeia de transmissão e a prevenção de outras IST e complicações
decorrentes dessas infecções. A sinergia entre o diagnóstico precoce e o
tratamento adequado e oportuno do HIV, da sífilis e das hepatites virais durante
a gravidez leva à prevenção da transmissão vertical, devendo ser valorizada
em todos os níveis de atenção.
1.2- Diagnostico.
O uso da camisinha (masculina ou feminina) em todas as relações sexuais
(orais, anais e vaginais) é o método mais eficaz para evitar a transmissão das
IST, do HIV/aids e das hepatites virais B e C. Serve também para evitar a
gravidez.
Importante ressaltar que existem vários métodos para evitar a gravidez; no
entanto, o único método com eficácia para prevenção de IST é a camisinha
(masculina ou feminina). Orienta-se, sempre que possível, realizar dupla
proteção: uso da camisinha e outro método anticonceptivo de escolha. A
camisinha masculina ou feminina pode ser retirada gratuitamente nas unidades
de saúde.
Quem tem relação sexual desprotegida pode contrair uma IST. Não importa
idade, estado civil, classe social, identidade de gênero, orientação sexual,
credo ou religião. A pessoa pode estar aparentemente saudável, mas pode
estar infectada por uma IST.
A prevenção combinada abrange o uso da camisinha masculina ou feminina,
ações de prevenção, diagnóstico e tratamento das IST, testagem para HIV,
sífilis e hepatites virais B e C, profilaxia pós-exposição ao HIV, imunização para
HPV e hepatite B, prevenção da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatite B,
tratamento antirretroviral para todas as PVHIV, redução de danos, entre outros.
Por que alertar a parceria sexual de uma infecção sexualmente transmissível?
O controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) não ocorre
somente com o tratamento de quem busca ajuda nos serviços de saúde. Para
interromper a transmissão dessas infecções e evitar a reinfecção, é
fundamental que as parcerias também sejam testadas e tratadas, com
orientação de um profissional de saúde.
As parcerias sexuais devem ser alertadas sempre que uma IST for
diagnosticada. É importante a informação sobre as formas de contágio, o risco
de infecção, a necessidade de atendimento em uma unidade de saúde, as
medidas de prevenção e tratamento (ex.: relação sexual com uso de camisinha
masculina ou feminina até que a parceria seja tratada e orientada).
2- Tipos de Infecções Sexualmente Transmissíveis
2.1 HPV
O HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano), é responsável pela
infecção sexualmente transmissível mais frequente no mundo . Está associado
ao desenvolvimento da quase totalidade dos cânceres de colo de útero, bem
como a diversos outros tumores em homens e mulheres. Além disso, provoca
verrugas anogenitais (região genital e no ânus), a depender do tipo de vírus.
A infecção pelo HPV não apresenta sintomas na maioria das pessoas. Em
alguns casos, o HPV pode ficar latente de meses a anos, sem manifestar sinais
(visíveis a olho nu), ou apresentar manifestações subclínicas (não visíveis a
olho nu). A diminuição da resistência do organismo pode desencadear a
multiplicação do HPV e, consequentemente, provocar o aparecimento de
lesões. A maioria das infecções tem resolução espontânea, pelo próprio
organismo, em um período aproximado de até 24 meses.
As primeiras manifestações da infecção pelo HPV surgem entre,
aproximadamente, 2 a 8 meses, mas pode demorar até 20 anos para aparecer
algum sinal da infecção. As manifestações costumam ser mais comuns em
gestantes e em pessoas com imunidade baixa. O diagnóstico do HPV é
atualmente realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais, dependendo
do tipo de lesão, se clínica ou subclínica.
· Lesões clínicas: se apresentam como verrugas na região genital e no
ânus (denominadas tecnicamente de condilomas acuminados e
popularmente conhecidas como "crista de galo", "figueira" ou "cavalo de
crista"). Podem ser únicas ou múltiplas, de tamanhos variáveis,
achatadas ou papulosas (elevadas e solidas). Em geral, são
assintomáticas, mas podem causar coceira no local. Essas verrugas,
geralmente, são causadas por tipos de HPV não cancerígenos.
· Lesões subclínicas (não visíveis ao olho nu): podem ser encontradas
nos mesmos locais das lesões clínicas e não apresentam sinal/sintoma.
As lesões subclinas podem ser causadas por tipos de HPV de baixo e de
alto risco para desenvolver câncer.
Podem acometer vulva, vagina, colo do útero, região perianal, ânus, pênis
(geralmente na glande), bolsa escrotal e/ou região pubiana. Menos
frequentemente, podem estar presentes em áreas extragenitais, como
conjuntivas, mucosa nasal, oral e laríngea.
Mais raramente, crianças que foram infectadas no momento do parto podem
desenvolver lesões verrucosas nas cordas vocais e laringe (Papilomatose
Respiratória Recorrente).
O tratamento das verrugas anogenitais (região genital e no ânus) consiste na
destruição das lesões. Independente de realizar o tratamento, as lesões podem
desaparecer, permanecer inalteradas ou aumentar em número e/ou
volume. Sobre o tratamento:
· Deve ser individualizado, considerando características (extensão,
quantidade e localização) das lesões, disponibilidade de recursos e
efeitos adversos;
· São químicos, cirúrgicos e estimuladores da imunidade;
· Podem ser domiciliares (autoaplicados: imiquimode, podofilotoxina) ou
ambulatoriais (aplicado no serviço de saúde: ácido tricloroacético - ATA,
podofilina, eletrocauterização, exérese cirúrgica e crioterapia), conforme
indicação profissional para cada caso;
· Podofilina e imiquimode não deve ser usada na gestação.
Pessoas com imunodeficiência - as recomendações de tratamento do HPV são
as mesmas para pessoas com imunodeficiência, como pessoas vivendo com
HIV e transplantadas. Porém, nesse caso, o paciente requer acompanhamento
mais atento, já que pessoas com imunodeficiência tendem a apresentar pior
resposta ao tratamento. O tratamento das verrugas anogenitais não eliminam o
vírus, por isso as lesões podem reaparecer. As pessoas infectadas e suas
parcerias devem retornar ao serviço, caso identifique novas lesões.
Vacinar-se contra o HPV é a medida mais eficaz de se prevenir contra a
infecção. A vacina é distribuída gratuitamente pelo SUS e é indicada para:
· Meninas e meninos de 9 a 14 anos, com esquema de dose única;
· Mulheres e homens que vivem com HIV, transplantados de órgãos
sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a
45 anos, com esquema de três doses independentemente da idade,
aplicadas aos 0 – 2 – 6 meses (segunda dose dois meses após a
primeira e terceira 6 meses após a primeira dose);
· Vítimas de abuso sexual, imunocompetentes, de 15 a 45 anos (homens
e mulheres) que não tenham tomado a vacina HPV ou estejam com
esquema incompleto, com esquema de 2 doses para as pessoas de 9 a
14 anos e 3 doses para as pessoas de 15 a 45 anos;
· Usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de HIV, com idade de 15 a
45 anos, que não tenham tomado a vacina HPV ou estejam com
esquema incompleto (de acordo com esquema preconizado para idade
ou situação especial), com esquema de 3 doses.
· Pacientes portadores de Papilomatose Respiratória Recorrente/PRR a
partir de 2 anos de idade.
· A vacina não previne infecções por todos os tipos de HPV, mas é
dirigida para os tipos mais frequentes: 6, 11, 16 e 18.
O usuário de PrEP e a pessoa vivendo com HIV/aids (PVHA) pode se vacinar
contra o HPV em qualquer sala de vacina pública (posto de vacinação, CRIE,
Serviço de Atendimento/SAE, Centro de Testagem e Acolhimento), desde que
apresente qualquer tipo de comprovação de que faz PrEP ou tratamento com
antirretrovirais (TARV). Como sugestão aos prescritores, pode-se utilizar
o formulário de "Prescrição de Imunizantes".
O exame preventivo contra o HPV, o Papanicolau é um exame ginecológico
preventivo mais comum para identificar de lesões precursoras do câncer do
colo do útero. Esse exame ajuda a detectar células anormais no revestimento
do colo do útero, que podem ser tratadas antes de se tornarem câncer. O
exame não é capaz de diagnosticar a presença do vírus, no entanto, é
considerado o melhor método para detectar câncer de colo do útero e suas
lesões precursoras.
Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas,
é possível prevenir 100% dos casos, por isso é muito importante que as
mulheres façam o exame de Papanicolau regularmente.
Em 2024, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e de Completo
Econômico-Industrial de Saúde (SECTIS), incorporou ao SUS os testes
moleculares para detecção de HPV oncogênico, como forma de rastreamento
do câncer de colo de útero, conforme publicação em Portaria SECTICS/MS nº
3, de 7 de março de 2024. As diretrizes brasileiras para o rastreamento de colo
de útero do Brasil encontram-se em processo de atualização.
Preservativo: o uso do preservativo (camisinha) masculino ou feminino nas
relações sexuais é outra importante forma de prevenção do HPV. Contudo, seu
uso, apesar de prevenir a maioria das IST, não impede totalmente a infecção
pelo HPV, pois, frequentemente as lesões estão presentes em áreas não
protegidas pela camisinha (vulva, região pubiana, perineal ou bolsa escrotal). A
camisinha feminina, que cobre também a vulva, evita mais eficazmente o
contágio se utilizada desde o início da relação sexual.
2.2- Sífilis
A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável e exclusiva
do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar
várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária,
latente e terciária). Nos estágios primário e secundário da infecção, a
possibilidade de transmissão é maior. A sífilis pode ser transmitida por relação
sexual sem camisinha com uma pessoa infectada ou para a criança durante a
gestação ou parto.
A infecção por sífilis pode colocar em risco não apenas a saúde do adulto,
como também pode ser transmitida para o bebê durante a gestação. O
acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-natal
previne a sífilis congênita e é fundamental. Em formas mais graves da doença,
como no caso da sífilis terciária, se não houver o tratamento adequado pode
causar complicações graves como lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares
e neurológicas, podendo levar à morte.
Os sinais e sintomas da sífilis variam de acordo com cada estágio da doença,
que se divide em:
Sífilis primária
· Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva,
vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece
entre 10 e 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias e é
chamada de “cancro duro”;
· Normalmente, ela não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo
estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha;
· Essa ferida desaparece sozinha, independentemente de tratamento.
Sífilis secundária
· Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do
aparecimento e cicatrização da ferida inicial;
· Podem surgir manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo
palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são ricas em
bactérias;
· Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça, ínguas pelo corpo;
· As manchas desaparecem em algumas semanas, independentemente
de tratamento, trazendo a falsa impressão de cura;
Sífilis latente – fase assintomática
· Não aparecem sinais ou sintomas;
· É dividida em: latente recente (até um ano de infecção) e latente tardia
(mais de um ano de infecção).
· A duração dessa fase é variável, podendo ser interrompida pelo
surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.
Sífilis terciária
· Pode surgir entre 1 e 40 anos após o início da infecção;
· Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas,
ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.
Uma pessoa pode ter sífilis e não saber, isso porque a doença pode aparecer e
desaparecer, mas continuar latente no organismo. Por isso é importante se
proteger, fazer o teste e, se a infecção for detectada, tratar da maneira correta.
O teste rápido (TR) de sífilis está disponível nos serviços de saúde do SUS,
sendo prático e de fácil execução, com leitura do resultado em, no máximo, 30
minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. Esta é a principal forma
de diagnóstico da sífilis. O TR de sífilis é distribuído pelo Departamento das
IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais/Secretaria de Vigilância em
Saúde/Ministério da Saúde (DIAHV/SVS/MS) como parte da estratégia para
ampliar a cobertura diagnóstica da doença.
Nos casos de TR positivos (reagentes), uma amostra de sangue deverá ser
coletada e encaminhada para realização de um teste laboratorial (não
treponêmico) para confirmação do diagnóstico. Deve-se avaliar a história
clínico-epidemiológica da mãe, o exame físico da criança e os resultados dos
testes, incluindo os exames radiológicos e laboratoriais, para se chegar a um
diagnóstico seguro e correto de sífilis congênita.
O tratamento de escolha é a penicilina benzatina (benzetacil), que poderá ser
aplicada na unidade básica de saúde mais próxima de sua residência. Esta é,
até o momento, a principal e mais eficaz forma de combater a bactéria
causadora da doença. Quando a sífilis é detectada na gestante, o tratamento
deve ser iniciado o mais rápido possível, com a penicilina benzatina. Este é
o único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical, ou seja, de
passar a doença para o bebê.
A parceria sexual também deverá ser testada e tratada para evitar a reinfecção
da gestante. São critérios de tratamento adequado à gestante:
· Administração de penicilina benzatina;
· Início do tratamento até 30 dias antes do parto;
· Esquema terapêutico de acordo com o estágio clínico da sífilis;
· Respeito ao intervalo recomendado das doses.
O uso correto e regular da camisinha feminina e/ou masculina é a medida mais
importante de prevenção da sífilis, por se tratar de uma Infecção Sexualmente
Transmissível. A testagem e acompanhamento das gestantes e parcerias
sexuais durante o pré-natal contribui para o controle da sífilis
congênita. Acesse o conteúdo específico de sífilis congênita.
2.3- Gonorreia
Também chamada de blenorragia, a gonorreia é uma IST (infecção
sexualmente transmissível) que afeta pacientes de ambos os sexos. Ela é
causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae e é considerada a segunda IST
bacteriana mais comum em todo o planeta. O período de incubação
da Neisseria gonorrhoeae é de até uma semana antes de apresentar
sintomas. A gonorreia pode ser confundida com a clamídia por serem
infecções causadas por bactérias que podem atingir os órgãos genitais
masculinos e femininos. Clamídia e gonorreia são muito comuns entre os
adolescentes e adultos jovens, podendo causar graves problemas à saúde.
A gonorreia é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns em
todo mundo, havendo cerca de 200 milhões de novos casos anualmente. A
bactéria Neisseria gonorrhoeae infecta homens e mulheres de modo
semelhante, apesar de os sintomas serem menos óbvios no sexo feminino
(explico adiante).
A incidência da gonorreia é maior entre os 15 e 24 anos, idade em que é
comum haver intensa atividade sexual sem a devida proteção. Apesar da maior
incidência na juventude, a gonorreia pode ocorrer em qualquer idade, basta
que o paciente apresente estilo de vida promiscuo ou não costume usar
preservativos com novos parceiros(as) sexuais. A ocorrência de gonorreia,
assim como outras DST, em crianças costuma ser um sinal de abuso sexual.
A gonorreia é a principal causa de uretrite, isto é, inflamação da uretra, canal
que drena a urina da bexiga. O gonococo pode crescer facilmente em áreas
quentes e úmidas do nosso trato reprodutivo, incluindo o colo do útero, o útero,
as trompas de Falópio e a uretra.
A bactéria também pode crescer na boca, garganta, olhos e ânus. Com menos
frequência, articulações, coração e pele também podem ser acometidos. A
transmissão do gonococo só é efetuada de duas maneiras: pela via sexual
(oral, vaginal ou anal) ou entre mãe e filho no momento do parto. Não há casos
descritos de transmissão através banheiros públicos ou piscinas. A
contaminação através de toalhas ou roupas íntimas é pouco comum.
A gonorreia pode ser transmitida mesmo quando o paciente infectado não
apresenta sintomas. Também não é necessário haver ejaculação para ocorrer
a transmissão. Basta o ato sexual. A camisinha é o melhor método para
diminuir a possibilidade de transmissão; sua eficácia na prevenção da
gonorreia é bastante alta, mas não é de 100%. O período de incubação da
gonorreia, ou seja, o espaço de tempo entre o contágio e o surgimento dos
primeiros sintomas, varia de 2 a 8 dias. A principal manifestação clínica da
gonorreia é a uretrite (inflamação da uretra). Sendo assim, os sintomas de
uretrite acabam sendo os principais sintomas da infecção pelo gonococo. São
eles:
· Corrimento purulento (de aspecto leitoso ou amarelado) pela uretra.
· Disúria (ardência ou dor ao urinar).
· Urgência para urinar.
· Inflamação na ponta do pênis, no orifício da uretra.
A gonorreia costuma ser evidente nos homens, mas é comum passar
despercebida no sexo feminino. Enquanto 90% dos homens apresentam
sintomas de uretrite, até 50% das mulheres podem apresentar uma infecção
assintomática, não tendo ciência de que estão infectadas.
Mais de 90% dos homens infectados pela bactéria Neisseria
gonorrhoeae apresentam sintomas perceptíveis de gonorreia. A uretrite é
manifestação clínica mais comum e se manifesta como uma secreção
espontânea de pus pela uretra, com aspecto leitoso, capaz de manchar as
roupas íntimas.
Outro sintoma comum da uretrite é a disúria (dor ou desconforto na hora de
urinar). A intensidade da disúria é variável de caso a caso, podendo ser
bastante incômoda para alguns pacientes e quase imperceptível para outros.
Corrimento uretral da gonorreia
Uma complicação relativamente frequente da gonorreia nos homens é a
infecção do epidídimo (pequeno ducto, localizado acima dos testículos, que
coleta e armazena os espermatozoides), provocando dor e edema unilateral na
bolsa escrotal (leia: Dor nos testículos: principais causas). Homens que
mantêm relações sexuais com outros homens podem também apresentar
infecção pelo gonococo na região anal ou na garganta (faringe gonocócica),
transmitidas, respectivamente, pelo sexo anal e oral.
A contaminação pelo gonococo em áreas não genitais não costuma causar
sintomas, sendo pouco frequente a ocorrência de faringite ou proctite (infecção
anal) pelo gonococo. Quando a proctite ocorre, os sintomas mais comuns são a
dor ao evacuar, saída de secreção purulenta pelo ânus, coceira ou dor anal.
Ao contrário do que ocorre nos homens, a gonorreia pode não causar sintomas
relevantes nas mulheres. Na maioria dos casos, a bactéria ataca o colo do
útero e apenas 50% das pacientes infectadas apresentam coceira, dor durante
o ato sexual e corrimento vaginal purulento. Se houver grande inflamação do
útero.
Quando não tratada, a gonorreia pode levar a um grande número de
complicações. Nos homens, a mais comum é a infecção dos testículos e da
próstata. Nas mulheres, a pior complicação é a doença inflamatória pélvica
(DIP), uma infecção grave dos órgãos reprodutores, que acomete o útero,
ovários e trompas. Em ambos sexos pode ocorrer estreitamento da uretra e
infertilidade. O Gonococo não tratado também pode levar à disseminação da
doença pelo corpo. A gonorreia disseminada causa:
· Artrites infecciosas em joelho, tornozelos e cotovelos.
· Lesões de peles, como pústulas (pequenas bolhas com pus),
principalmente nas mãos e pés.
· Acometimento do fígado, com hepatite.
· Endocardite (infecção das válvulas do coração).
· Meningite.
· Osteomielite (infecção dos ossos).
Lesões de gonorreia na mão
O diagnóstico é geralmente feito através da análise do corrimento purulento.
Uma pequena escova pode ser usada para colher material da uretra do homem
ou do colo do útero na mulher. Se o diagnóstico não for possível através da
análise do corrimento uretral, outra opção é através de um exame de urina
chamado NAAT (teste de amplificação de ácido nucleico), em que se pesquisa
diretamente o DNA da bactéria.
O tratamento da gonorreia é simples, feito da mesma maneira para homens e
mulheres. Atualmente indica-se o tratamento com dose única de antibiótico. O
tratamento para as formas não complicadas é habitualmente feito
com Ceftriaxona intramuscular na dose de 250 mg. Esse esquema tem taxa de
cura de 99%. Azitromicina 1 grama também em dose única pode ser uma
opção, mas taxa de sucesso é mais baixa e os efeitos colaterais são mais
comuns.
O parceiro deve ser sempre investigado e tratado. Indica-se abstinência sexual
até que todos os sintomas desapareçam. Nos casos assintomáticos, deve-se
evitar relações por pelo menos uma semana após o tratamento. É possível
contrair gonorreia mais de uma vez na vida.
2.4 – Doença Inflamatória Pélvica
É uma síndrome clínica causada por vários microrganismos, que ocorre devido
à entrada de agentes infecciosos pela vagina em direção aos órgãos sexuais
internos, atingindo útero, trompas e ovários e causando inflamações. Esse
quadro acontece principalmente quando a gonorreia e a infecção por clamídia
não são tratadas.
É uma síndrome clínica causada por vários microrganismos, que ocorre devido
à entrada de agentes infecciosos pela vagina em direção aos órgãos sexuais
internos, atingindo útero, trompas e ovários e causando inflamações. Esse
quadro acontece principalmente quando a gonorreia e a infecção por clamídia
não são tratadas.
A doença inflamatória pélvica (DIP) pode ser causada por várias bactérias que
atingem os órgãos sexuais internos da mulher, como útero, trompas e ovários,
causando inflamações. Essa infecção pode ocorrer por meio de contato com as
bactérias após a relação sexual desprotegida. A maioria dos casos ocorre em
mulheres que têm outra IST, principalmente gonorreia e clamídia não tratadas.
Entretanto, também pode ocorrer após algum procedimento médico local,
como: inserção de DIU – Dispositivo Intra-Uterino; biópsia na parte interna do
útero; curetagem.
A DIP manifesta-se por dor na parte baixa do abdômen (no “pé da barriga” ou
baixo ventre). Também pode haver corrimento vaginal (do colo do útero), dor
durante a relação sexual, febre, desconforto abdominal, fadiga, dor nas costas
e vômitos. Pode haver evolução para forma grave, com necessidade de
internação hospitalar e tratamento com antibióticos por via venosa.
A DIP é considerada uma das causas mais comuns para a infertilidade
feminina, além de ocasionar outros problemas como gravidez ectópica e dor
pélvica crônica. A melhor forma de prevenção da doença se dá pelo uso de
preservativo nas relações sexuais. Na presença de qualquer sinal ou sintoma
dessa IST, é recomendado procurar imediatamente um profissional de saúde,
para o diagnóstico correto e indicação do tratamento adequado.
2.5 -Herpes genital
O Herpes genital é uma doença sexualmente transmissível, de alta prevalência,
causada pelo vírus do herpes simples (HSV), que provoca lesões na pele e nas
mucosas dos órgãos genitais masculinos e femininos. Uma vez dentro de um
organismo, dificilmente esse vírus será eliminado, passando por períodos de
remissão (adormecimento do vírus, sem causar sintomas) e recidivas
(manifestação da doença clinicamente). Além disso, como ele permanece
dentro das raízes nervosas, o sistema imunológico não tem acesso a ele.
Existem dois tipos de HSV:
a) O tipo 1, responsável pelo herpes facial, manifesta-se principalmente na
região da boca, nariz e olhos;
b) O tipo 2, que acomete principalmente a região genital, ânus e nádegas.
É importante lembrar que a infecção cruzada dos vírus herpes tipo 1 e 2 pode
acontecer se houver contato oral-genital. Isto é, pode-se pegar herpes genital
na boca ou herpes oral na região genital.
O período de incubação do vírus varia de 10 a 15 dias após a relação sexual
com o/a portador/a do vírus, que pode ser transmitido mesmo na ausência das
lesões cutâneas ou quando elas já estão cicatrizadas.
As lesões provocadas pelo vírus apresentam-se como pequenas vesículas que
se distribuem em forma de buquê nos genitais masculinos e femininos. Às
vezes, elas estão presentes dentro do meato uretral ou, por contiguidade,
podem atingir a região anal e perianal, de onde se disseminam se o sistema
imunológico estiver debilitado.
Na grande maioria das vezes as lesões do herpes genital costumam regredir
espontaneamente, mesmo sem tratamento.
Tem como sintomas: ardor, prurido (coceira), formigamento e gânglios
inflamados, estes sintomas normalmente antecedem as erupções de pele. As
manchas vermelhas que aparecem alguns dias mais tarde evoluem para
vesículas agrupadas em forma de buquê. Depois, essas pequenas bolhas
cheias de líquido se rompem, criam uma crosta e cicatrizam, mas o vírus migra
pela raiz nervosa até alojar-se num gânglio neural, onde permanece latente
(adormecido) até a recidiva seguinte.
A melhor maneira de prevenir o herpes genital é através do uso de preservativo
em todas as relações sexuais. Lembrando que apesar de as lesões regredirem
espontaneamente nas pessoas com resposta imune satisfatória e as recidivas
serem menos graves do que a primeira infecção, elas podem continuar
transmitindo o vírus do herpes genital.
O Herpes genital na gravidez pode provocar aborto espontâneo, uma vez que
existe a transmissão vertical do vírus, sendo uma doença congênita (que passa
da mãe para o feto), extremamente grave e letal. Mesmo que a mulher não
tenha lesões visíveis, deve informar aos profissionais de saúde que é portadora
do vírus do herpes genital se pretende engravidar.
3- REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Coordenação
Nacional de DST e Aids. Brasília; Ministério da Saúde; 2002. 271 p. tab.
(Estudos e Pesquisas, n.1).
BRASIL, Ministério da Saúde (MS). Versão preliminar: 26ª a 52ª semanas
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Anexos
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