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LGPD e Marco Civil da Internet

direito cibernético vol2

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• Unidade de Ensino 2

Competências: Conhecer e aplicar os institutos,


DIREITO

conceitos, fases e elementos da Lei Geral de
Proteção de Dados. Conhecer e aplicar o Marco

CIBERNÉTICO Civil da Internet e a importância da herança


digital em um mundo globalizado.
• Palavras-chave: Direito. Tecnologia. Inovação.
LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS, Proteção de dados.
MARCO CIVIL DA INTERNET E A • Título da Teleaula: Direito, tecnologia e inovação.
HERANÇA DIGITAL
• Teleaula nº 2
Prof. Me. Diego Demiciano

1 2

LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS


Lei Geral de
Proteção de Dados • Lei nº 13.709/2018
• Lei voltada aos fluxos de informações de caráter
– LGPD pessoal (dados pessoais) tratados nas mais diversas
operações.

3 4

Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais


 Por que os dados pessoais são utilizados? • Contexto porque a fase mais recente do
 Interesses mercantis, científicos, acadêmicos entre desenvolvimento tecnológico e o Big
vários outros. Data, amplificaram o potencial de
utilização dos dados pessoais .
 É errado usar dados pessoais?
LGPD • Consentimento porque, para permitir a
 Não, na verdade é muito comum sempre utilização dos dados sem violar a
aconteceu... Ex. venda de imóveis; intimidade, privacidade e
 Por que então a LGPDé necessária? autodeterminação, é necessário o
consentimento do usuário.
 Por dois motivos: o contexto e o consentimento.

5 6

1
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
 As relações jurídicas dadas no contexto do
Direito Digital geram direitos e obrigações, bem • “a privacidade digital é uma recente
como violações a bens juridicamente tutelados, demanda da sociedade. Assim como a
privacidade física, no lar ou em conversas
ocasionando a necessidade de
reservadas, é um valor essencial, também
regulamentação. a privacidade digital se tornou um desejo
da sociedade moderna” (GARCIA et al.,
2020, p. 14).

7 8

Fundamentos da LGPD
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
• Privacidade
• O surgimento da LGPD “[...]a partir dos • Autodeterminação informativa
anos 1990 está diretamente relacionado • Liberdade de expressão, informação, comunicação...
ao próprio desenvolvimento do modelo • Inviolabilidade da honra, intimidade e imagem
de negócios da economia digital, que
passou a ter uma dependência muito • Desenvolvimento econômico
maior dos fluxos internacionais de bases • Possível colisão de direitos
de dados, especialmente os relacionados
às pessoas, viabilizados pelos avanços • Alcance extraterritorial (efeitos internacionais)
tecnológicos e pela globalização. (PECK,
2021, p. 16)

9 10

Dados pessoais
• Dados pessoais
• “é informação relacionada a pessoa natural • Controlador: pessoa natural
identificada ou identificável” ou jurídica, de direito público
• Dados pessoais sensíveis Tratamento de ou privado, que detém
• é o dado que revele raça ou etnia, religião, posição Dados competência para a tomada
política, orientação sexual, entre várias outras [...] de decisões relativas ao
tratamento de dados pessoais.

11 12

2
• Encarregado: pessoa indicada
• Operador: pessoa natural pelo controlador e pelo
ou jurídica, de direito operador para atuar como um
Tratamento de público ou privado, que Tratamento de canal de comunicação entre
Dados realiza, em nome do Dados aquele (controlador), os
controlador, o tratamento titulares dos dados e a
de dados pessoais. Autoridade Nacional de
Proteção de Dados (ANPD).

13 14

Requisitos para tratamento dos dados pessoais


• Trata-se de toda operação que é
realizada com dados pessoais, • Consentimento do titular
como: coleta, produção, recepção,
• manifestação livre, informada e inequívoca
classificação, utilização, acesso,
reprodução, transmissão, pela qual o titular concorda com o
Tratamento de distribuição, processamento, tratamento de seus dados pessoais para
Dados arquivamento, armazenamento, uma finalidade determinada” (BRASIL,
eliminação, avaliação ou controle 2018ª)
da informação, modificação,
comunicação, transferência difusão • Autorização não pode ser genérica;
ou extração (BRASIL, 2018a). • Deve ser dada por escrito ou meio idôneo;

15 16

Requisitos para tratamento dos dados pessoais Direitos do Titular (art. 9 e 18)
• Os dados não podem ser tratados sem um • Da específica finalidade do tratamento.
bom motivo. Exemplos de possibilidades: • Da forma e da duração do tratamento.
• Obrigação legal; • Da identificação do controlador e das
• Pela administração pública informações do seu contato.
• Órgãos de pesquisa;
• Das informações sobre eventual uso
• Proteção do crédito
compartilhado e da finalidade do
compartilhamento.

17 18

3
Direitos do Titular (art. 9 e 18)
• Das responsabilidades dos agentes que
realizarão o tratamento. Da Segurança e do
• Dos direitos do titular elencados pelo art. 18
da LGPD.
Sigilo dos Dados
• Rever decisões sobre o consentimento (art.
20)

19 20

Segurança da Informação Segurança da Informação


O que é informação? • O que é a segurança da informação para o
• É o conjunto de dados organizados que pode direito?
lhe fornecer o conhecimento sobre • “conjunto de orientações, normas, procedimentos,
determinada coisa, pessoa ou fato. políticas e demais ações que tem por objetivo
proteger o recurso informação, possibilitando que o
Qual sua relação com o Direito Digital negócio da organização seja realizado e a sua
• O Direito Digital lida com informações no missão seja alcançada” (FONTES, 2001, p. 10).
ambiente digital;

21 22

Segurança da Informação Segurança da Informação


• A segurança da informação é obtida a partir da • LGPD Art. 46. Os agentes de tratamento devem
implementação de um conjunto de controles, incluindo adotar medidas de segurança, técnicas e
políticas, processos, procedimentos, estruturas
administrativas aptas a proteger os dados
organizacionais e funções de software e hardware.
Estes controles precisam ser estabelecidos,
pessoais de acessos não autorizados e de
implementados, monitorados, analisados criticamente situações acidentais ou ilícitas de destruição,
e melhorados, onde necessário, para garantir que os perda, alteração, comunicação ou qualquer
objetivos do negócio e de segurança da organização forma de tratamento inadequado ou ilícito,
sejam atendidos (ABNT, 2002, s. p.). (BRASIL, 2018).

23 24

4
Segurança da Informação Segurança da Informação
• No que a segurança da informação implica para • No que a segurança da informação implica para
os agentes de tratamento? os agentes de tratamento?
• a adoção de mecanismos de garantia da • Privacy by Design: todos os passo para a
integridade, da confidencialidade e da elaboração de um produto ou serviço devem
disponibilidade dos dados que estão em observar a segurança da informação.
tratamento.
• Quando houver um incidente de segurança
(vazamento), a autoridade nacional e o titular
devem ser comunicados

25 26

Segurança da Informação Segurança da Informação


• Segurança da informação e compliance; • Sansões ANPD
• Elaboração de regras de boas práticas com o fim da • Advertência, com prazo para correção.
organização que é agente de tratamento de dados • Multa simples de até 2% do faturamento da pessoa
ou se utiliza de dados em sua atividade; jurídica de direito privado, limitada a R$
• O Art. 50 da LGPD estabelece que os controladores 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) por
e operadores poderão estabelecer regras de boas infração.
práticas, adequando-as às especificidades dos • Multa diária, observando-se os limites
dados tratados. Esta prerrogativa é uma maneira de supracitados.
mitigar a responsabilidade por eventuais problemas • Publicização da infração após ter sido confirmada.
no tratamento de dados como vazamentos.

27 28

Segurança da Informação Segurança da Informação


• Sansões ANPD • Sansões ANPD
• Bloqueio de dados pessoais relacionados à infração • Proibição parcial ou total do exercício de quaisquer
até que ocorra sua regularização. atividades atinentes ao tratamento de dados.
• Eliminação dos dados pessoais.
• Suspensão parcial do funcionamento do banco de
dados por até seis meses, prorrogável por igual
período até a regularização pelo controlador.
• • Suspensão do exercício da atividade de
tratamento de dados por até 6 seis meses,
prorrogável por igual período.

29 30

5
Direito de arrependimento Direito de arrependimento
• O direito de arrependimento é a possibilidade • Código de Defesa do Consumidor
de o consumidor desistir da compra sem um • Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no
motivo que a possibilite, ou seja, o produto ou prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato
serviço não precisa ser defeituoso, basta que a de recebimento do produto ou serviço, sempre que
a contratação de fornecimento de produtos e
vontade do consumidor mude.
serviços ocorrer fora do estabelecimento
comercial, especialmente por telefone ou a
domicílio.

31 32

Direito de arrependimento
• “o direito ao arrependimento não impõe
justificativas e pode ser exercido independente
da vontade do comerciante, podendo ser
Marco Civil da
compreendido como um direito potestativo,
cuja escolha cabe apenas ao consumidor”
Internet e a
(LONGHI, 2020, p. 420-421). Herança Digital

33 34

Marco Civil da Internet Marco Civil da Internet


• Lei nº 12.965/2014 • O Marco Civil da Internet reúne os direitos e as
• O Marco Civil é uma legislação cujo objetivo garantias fundamentais dos usuários da
precípuo é o de regular as relações sociais entre Internet e fixa responsabilidades, deveres e
os usuários de Internet” (GONÇALVES, 2016, p. obrigações dos provedores de Internet, além de
7) outras providências específicas.
• Inexistência de Lei anterior que regulasse o
tema

35 36

6
Marco Civil da Internet Marco Civil da Internet
• Dilema do Direito de Expressão • Marco Civil da Internet estabelece princípios,
• É preciso conciliar o direito de expressão com os garantias, direitos e deveres para o uso da
demais direitos constitucionalmente garantidos, o Internet no Brasil e determina como os
que gera um conflito constante; problemas devem ser tratados.
• 'Desrespeito': Imprensa internacional critica
• valoriza os direitos humanos, o
Monark por fala sobre nazismo... - Veja mais em
[Link]
desenvolvimento da personalidade, o
9/imprensa-internacional-critica-monark- adequado exercício da soberania nos meios
[Link]?cmpid=copiaecola digitais, o respeito à diversidade e à
pluralidade, além da defesa do consumidor

37 38

Marco Civil da Internet Herança Digital


• Responsabilidade dos provedores de internet • No que se refere ao tema da herança digital, é
• Quando houver interesse relevante, fornecer dados necessário lembrar que esse termo
e registro de conexão às autoridades; compreende uma universalidade de bens e
• Caching (armazenamento), hosting (hospedagem) e direitos deixados por quem faleceu aos seus
linking; herdeiros (TEIXEIRA, 2020; LONGHI, 2020).

39 40

Herança Digital Bens Digitais


• Os bens digitais são considerados ativos Os bens digitais podem ser compreendidos como
(possuem valor para o direito) e podem ser os registros e arquivos eletrônicos como redes
transmitidos, seja pela transmissão voluntária, sociais, e-mails, milhas aéreas, moedas virtuais,
seja pelo falecimento do titular. músicas e livros digitais etc.
• Podem ser comercializados e transmitidos aos
herdeiros;

41 42

7
Bens Digitais Neutralidade da rede
Entretanto, quanto a registros e arquivos que não Todas as informações que trafegam na Internet
tenham conotação patrimonial, como contas de devem ter o mesmo regime, para que haja
mensagens trocadas (e-mails, MSN, WhatsApp), tratamento igualitário de informações, garantindo-
bônus em jogos (que não possam ser convertidos se a democracia on-line. Isso gera demandas,
em dinheiro), imagens e fotos (sem apelo principalmente em aplicações que utilizam muita
comercial), entre outros, a questão ganha maior banda, como peer-to-peer (P2P) e VOIP (voice over
complexidade (TEIXEIRA, 2020, p. 37). Internet protocol ou voz sobre IP, telefonia via
Internet).

43 44

Neutralidade da rede Contexto Sociológico


• traffic shaping (modelagem de tráfego) • Enfim, percebe-se que a Internet é um
• por elas os provedores de acesso impõem verdadeiro fenômeno em si mesma; um
limitações à utilização da banda pelo tipo de dado fenômeno sociológico, "que alterou a forma das
que está em tráfego. relações e a percepção social de situações que,
• Art. 9º O responsável pela transmissão, comutação no mundo físico, seriam simples e banais"
ou roteamento tem o dever de tratar de forma
(GONÇALVES, 2016, p. 42).
isonômica quaisquer pacotes de dados, sem
distinção por conteúdo, origem e destino, serviço,
terminal ou aplicação.

45 46

Referências Referências
 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial da União: seção 1: Assembleia  BRASIL. Lei nº 9.507, de 12 de novembro de 1997. Regula o direito de acesso a informações e disciplina o
Nacional Constituinte, Brasília, DF, ano 126, n. 191-A, p. 1, 5 out. 1988. rito processual do habeas data. Diário Oficial da União: seção 1: Poder Legislativo, Brasília, DF, p. 26025,
 BRASIL. Decreto nº 7.962, de 15 de março de 2013. Regulamenta a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 13 nov. 1997.
1990, para dispor sobre a contratação no comércio eletrônico. Diário Oficial da União: seção 1: Poder  BRASIL. Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto no inciso
Executivo, Brasília, DF, ed. extra, p. 1, 15 mar. 2013. XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei nº
 BRASIL. Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985. Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei nº
causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1: Poder
turístico e paisagístico. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 10649, 25 jul. 1985. Legislativo, Brasília, DF, ed. extra, p. 1, 18 nov. 2011.

 BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e adolescente e dá  BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o
outras providências. Diário Oficial da União: seção 1: Poder Legislativo, Brasília, DF, p. 13563, 16 jul. 1990. uso da Internet no Brasil. Diário Oficial da União: seção 1: Poder Legislativo, Brasília, DF, p. 1, 24 abr. 2014.

 BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras  BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Dispõe sobre a proteção de dados pessoais e altera a Lei
providências. Diário Oficial da União: seção 1: Poder Legislativo, Brasília, DF, supl. p. 1, 12 set. 1990. nº 12.965, de 23 de abril de 2014 (Marco Civil da Internet). Diário Oficial da União: seção 1: Poder
Legislativo, Brasília, DF, ed. 157, p. 59, 15 ago. 2018a.
 BRASIL. Lei nº 13.853, de 8 de julho de 2019. Altera a Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, para dispor
sobre a proteção de dados pessoais e para criar a Autoridade Nacional de Proteção de Dados; e dá outras
providências. Diário Oficial da União: seção 1: Poder Legislativo, Brasília, DF, ed. 246, p. 1, 20 dez. 2019.

47 48

8
Referências Referências
 BRASIL. Lei nº 13.853, de 8 de julho de 2019. Altera a Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, para dispor  PECK, P. P. Proteção de Dados Pessoais: Comentários à Lei n. 13.709/2018 (LGPD). São Paulo: Editora
sobre a proteção de dados pessoais e para criar a Autoridade Nacional de Proteção de Dados; e dá outras Saraiva, 2021. E-book.
providências. Diário Oficial da União: seção 1: Poder Legislativo, Brasília, DF, ed. 246, p. 1, 20 dez. 2019.  TEIXEIRA, T. Direito Digital e Processo Eletrônico. São Paulo: Editora Saraiva, 2020. E-book.
 BRASIL. Medida Provisória n° 869, de 27 de dezembro de 2018. Altera a Lei nº 13.709, de 14 de agosto de  TOMASEVICIUS FILHO, E. A Lei Geral de Proteção de Dados Brasileira. São Paulo: Grupo Almedina, 2021.
2018, para dispor sobre a proteção de dados pessoais e para criar a Autoridade Nacional de Proteção de E-book.
Dados, e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1: Poder Executivo, Brasília, DF, ed. 249, p.
8, 28 dez. 2018b.
 GARCIA, L. R. et al. Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): Guia de implantação. São Paulo: Editora
Blucher, 2020. E-book.
 LIMA, C. R. P. de. (coord.). Comentários à Lei Geral de Proteção de Dados. São Paulo: Grupo Almedina,
2020. E-book.
 MARINHO, F. Os 10 Mandamentos da LGPD – Como implementar a Lei Geral de Proteção de Dados em 14
passos. São Paulo: Grupo GEN, 2020. E-book.

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