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Recursos Educacionais Abertos (REAs)

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TECNOLOGIAS

EDUCACIONAIS
Recursos
educacionais
abertos na educação
Djaíra Leitão

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

> Explicar os recursos educacionais abertos (REAs) e suas possibilidades de


aplicação.
> Descrever os diferentes formatos de REAs.
> Reconhecer o papel dos REAs para a aprendizagem criativa e a cultura maker.

Introdução
Os recursos educacionais abertos (REAs) fazem parte do movimento mundial de
educação aberta. Tal movimento tem o propósito de promover inclusão, equidade
e qualidade da educação, alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
4 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Apoiado na liberdade
de uso de recursos educacionais sob a perspectiva da cultura digital, engloba
tecnologias e dados abertos com ênfase em software livre, acesso à informação,
direitos autorais e liberdade de expressão.
Os REAs são materiais de apoio educacional de acesso livre e podem ser reu-
tilizados, modificados e compartilhados. O termo REA tem origem na expressão
em inglês Open Educational Resource (OER), idealizado em 2002 no Forum on
the Impact of Open Courseware for Higher Education in Developing Countries,
promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (Unesco) no Massachusetts Institute of Technology (MIT) (UNESCO, 2015;
SANTOS, 2013).
2 Recursos educacionais abertos na educação

Neste capítulo, você vai aprender a caracterizar um recurso como REA, suas
possibilidades de uso, seus diferentes formatos e a maneira como esses recursos
contribuem com as práticas de aprendizagem colaborativa e a cultura maker.

Conceitos básicos
Iniciado pela Unesco em 2002, o movimento REA apoia a promoção de maior
acesso à educação de qualidade e incentiva novas práticas educativas im-
pulsionadas pela cultura digital, assim como por ações de compartilhamento
e coautoria. No âmbito desses recursos educacionais, a ideia de aberto é
concebida no sentido de acesso e adaptação — acesso instituído para todos
os usuários sem restrições de uso e adaptação entendida como um compo-
nente flexível que pode ser redirecionado para diferentes objetivos. Nesse
sentido, o recurso é um meio, um instrumento para atingir um objetivo, e
dispõe da característica pedagógica para desenvolver potencialidades com
fins educacionais, diferente da ideia de recurso como objeto enquanto um
fim em si mesmo (LEFFA, 2022).
Os REAs promovem compartilhamento e produção colaborativa, pois
se tratam de materiais e conteúdos com finalidade educativa que têm uma
licença livre, permitindo uso, reuso e adaptação, o que valoriza a autonomia
e a autoria por parte de professores e estudantes (UNESCO E MEC..., 2018).
Dito de outra forma, são recursos de acesso gratuito para uso no ensino, na
aprendizagem e em estudos diversos, acessíveis em qualquer suporte ou
mídia, digital ou impressa, disponíveis em domínio público ou por meio de
licenças abertas (UNESCO, 2015).
Para melhor compreender o conceito de REA, é importante revisarmos
antes de mais nada as noções de direitos autorais e licenças livres ou abertas.
No Brasil, a Lei de Direitos Autorais (LDA, Lei nº 9610/1998) regula os direitos
autorais das obras intelectuais, o que abrange obras literárias, artísticas
ou científicas. Essa lei trata sobre uso, cópia e alteração de uma produção,
exigindo permissão expressa ou licença para que sejam utilizadas. Assim, é
importante atentar aos materiais sem especificação encontrados na internet,
uma vez que podem ser protegidos por direitos autorais. De antemão, sugeri-
mos que você consulte a legislação brasileira sobre direitos autorais. Contudo,
adiante examinaremos em mais detalhes a LDA, ao abordar a concepção de
domínio público (BRASIL, 1998).
No contexto das transformações sociais, incluindo a cultura digital, a
legislação brasileira sobre direitos autorais tem se mostrado insuficiente
frente às novas demandas, surgindo modelos mais coerentes com o ambiente
Recursos educacionais abertos na educação 3

digital, como as chamadas licenças livres. Segundo Furtado e Amiel (2019,


p. 18): “Trata-se de uma mudança do modelo ‘todos os direitos reservados’
para o modelo ‘alguns direitos reservados’”.
No campo das licenças abertas, o uso de licenças Creative Commons (CC)
é muito comum no âmbito da cultura e da educação. Trata-se de uma orga-
nização mundial sem fins lucrativos que ajuda a superar obstáculos legais
ao compartilhamento de conhecimento e criatividade. De forma gratuita e
padronizada, concede permissões de direitos autorais para trabalhos criativos
e acadêmicos, assegura a devida atribuição e permite que outros copiem,
distribuam e façam uso dessas obras. Em colaboração com instituições e
governos, cria, adota e implementa licenciamento aberto e garante o uso
correto de licenças CC e conteúdo licenciado por CC.
A seguir, observe na Figura 1 o menu de licenças CC.

Figura 1. Representação gráfica dos tipos de licenças CC.


Fonte: Adaptada de Sebriam (2022).

A CC-BY permite que outros distribuam, remixem, adaptem e criem con-


teúdos a partir do seu trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que lhe
atribuam o devido crédito pela criação original.
4 Recursos educacionais abertos na educação

Por sua vez, a CC-BY-NC permite que outros remixem, adaptem e criem
conteúdos a partir do seu trabalho para fins não comerciais. Embora os novos
trabalhos tenham de atribuir o devido crédito e não possam ser usados para
fins comerciais, os usuários não têm de licenciar esses trabalhos derivados
sob os mesmos termos, podendo utilizar uma licença mais restritiva.
Já a CC-BY-NC-os permite que outros remixem, adaptem e criem conteúdos
a partir do seu trabalho para fins não comerciais, desde que atribuam o devido
crédito e que licenciem as novas criações sob termos idênticos.
A CC-BosSA permite remixar, adaptar e criar conteúdos a partir do seu
trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que lhes atribuam o devido
crédito e que licenciem as novas criações (derivadas) sob termos idênticos.
Para as licenças CC BY ND e CC BY NC ND, observe o Quadro 1, a seguir, e
reflita sobre a interpretação das respectivas permissões. O quadro apresenta
a correspondência entre os tipos de licença e as possibilidades de uso.

Quadro 1. Possibilidades de uso das licenças

Comparti- Uso Licença


Licença Atribuição Remixagem
lhamento comercial idêntica

CC BY × × × ×
CCosY SA × × × × ×
CC BY NC × × ×
CC BY ND × × ×
CC os NC SA × × × ×
CC BY NC ND × ×

Fonte: Adaptado de Sebriam (2022).

A internet e a cultura digital promoveram desafios no campo dos direitos


autorias, considerando a possibilidade de qualquer pessoa conectada à rede
poder se expressar em diversas mídias e plataformas, tornando a todos
autores, fotógrafos e /ou produtores de conhecimento. Esse fato desperta
a necessidade de melhor compreender a concepção de domínio público
relacionada à LDA, conforme citamos anteriormente.
A referida legislação prevê que as obras protegidas em sua esfera envol-
vam os direitos de natureza moral e os de natureza patrimonial. Os primeiros
vinculam o autor à sua criação, enquanto os direitos patrimoniais autorizam
a exploração econômica da obra criada no prazo de 70 anos. Para obras
Recursos educacionais abertos na educação 5

literárias, são contados 70 anos a partir de 1º de janeiro do ano subsequente


ao da morte do autor. Já para obras audiovisuais e fotográficas, os 70 anos
começam a contar a partir de 1º de janeiro do ano subsequente à sua di-
vulgação. Expirado esse prazo, as obras incorporam o domínio público. Ou
seja, obras em domínio público podem ser utilizadas por toda a sociedade,
independentemente de licença de seus autores originais ou titulares dos
direitos autorais. O domínio público exerce a função de difusão da cultura
e do conhecimento e permite que outros trabalhem a partir da produção
alheia, sem qualquer limitação e sem ter que iniciar do zero (BRASIL, 1998).
Nesse âmbito, um REA é um recurso educacional com uma licença que faci-
lita seu reuso e/ou adaptação sem necessidade de solicitar a permissão sobre
os direitos autorais. Porém, tratando-se de um movimento atual, precisamos
observar que muitos materiais de conteúdo digital aberto ainda não estão
devidamente licenciados e não podem ser considerados REA (SANTOS, 2013).

Agora que você aprendeu sobre o que é REA e sobre o aspecto legal
dos direitos autorais e das licenças livres, perceba que a licença é o
item principal que diferencia um REA de qualquer outro recurso. Nesse sentido,
é importante saber como licenciar um material para que se torne um REA. Por
meio do site da organização Creative Commons, você pode selecionar o tipo de
licença que melhor se adeque à sua realidade, para então inserir no material
didático o símbolo Creative Commons correspondente à licença escolhida, bem
como o texto descritivo adequado. O símbolo precisará constar na própria
obra ou recurso, de modo a informar ao público que se encontra licenciada de
forma aberta.
Considerando que REAs abrangem livros, capítulos de livros, planos de aula,
software, jogos, resenhas, trabalhos escolares, artigos, dissertações, teses,
manuais, vídeos, áudios, imagens, entre outros, com licença livre, você sempre
poderá adaptá-los à realidade das ações educacionais de acordo com o objetivo
que deseje atingir. Colabore publicando suas experiências de novos usos dos
recursos que você utiliza no cotidiano.

Até aqui, você aprendeu que o conceito de REA surgiu no contexto da


educação aberta, impulsionado pela cultura digital. Também aprendeu a
diferenciar um recurso considerado REA, a ideia de aberto vinculada a acesso
e adaptação e as possibilidades de aplicação desses recursos de acordo com
o tipo de licença e os diferentes fins educacionais. A seguir, na perspectiva da
tecnologia, você irá perceber como a informação é armazenada em formatos
de arquivos abertos e fechados.
6 Recursos educacionais abertos na educação

Lembre-se sempre de verificar se o material que irá utilizar dispõe


de licença de uso. Em respeito aos direitos autorais, identifique o
tipo de licença disponível no recurso. Essa prática dará segurança para você
adaptar, usar e compartilhar educacionais REAs.

Os formatos abertos e fechados


Quando nos referimos a formato, falamos do modo como a informação está
codificada para armazenamento e/ou recuperação de um arquivo em momento
posterior ao seu uso. Existe uma infinidade de formatos de arquivos para os
diferentes tipos de informações. Os formatos são implantados por software
com a denominação de abertos ou fechados, ou seja, livres ou proprietários.
Quando o formato tem código aberto e não está sob alguma restrição legal
de uso, é chamado de formato aberto, garantindo a liberdade de criação de
usuários e/ou desenvolvedores.
Em outras palavras, os formatos livres se baseiam em padrões abertos
(código aberto), são desenvolvidos de forma transparente e coletiva e seguem
normas e especificações conhecidas e acessíveis a todos. O objetivo é garantir
o acesso aos dados a longo prazo, sem depender de qualquer produto ou
empresa que possa impedir seu uso livre. Em contraste, os formatos fechados
correspondem ao domínio digital privado, envolvendo posse de serviços e
produtos.
Para arquivar ou acessar um conteúdo ou arquivo digital, é necessário
um software ou programa computacional. Arquivos digitais só podem ser
lidos se seu formato for conhecido e de código aberto para ser utilizado por
qualquer programa que aceite abri-los. O .doc da Microsoft, por exemplo, é
um formato de arquivo de texto fechado, enquanto o .odt (Open Document
Format) é um formato aberto.
Ao arquivar um vídeo em formato fechado, ele poderá ser aberto apenas
pelo software de determinada empresa que desenvolveu sua codificação e
que detém a propriedade. Para seu conhecimento, eis a seguir alguns formatos
de arquivos abertos para texto, áudio, vídeo, e-book e imagem que poderão
auxiliar no momento de produzir um REA: odt (texto), mp3 (áudio), mp4 (vídeo),
epub (e-book), png (imagem), entre outros (FURNIEL; MENDONÇA; SILVA, 2017).
Assim, a adesão ao uso de programas livres facilita o acesso e a adaptação
dos recursos para todos aqueles que desejem desenvolver práticas educa-
tivas abertas. Considerando que a produção de REA requer o protagonismo
Recursos educacionais abertos na educação 7

do professor, é primordial conceber que todos aqueles que se dedicam são


capazes de desenvolver competências de autonomia e autoria adotando
práticas colaborativas e de melhoria da qualidade dos recursos aplicados
na ação pedagógica. Nesse sentido, o apoio de ferramentas e repositórios é
fundamental para desenvolver práticas e ações com REA, assim como para se
manter atualizado sobre eventos e possibilidades de formação pertinentes
à temática. Vejamos a seguir algumas referências.
As Cátedras Unesco são unidades de ensino que visam desenvolver uma
determinada área do conhecimento, institucionalizando e reconhecendo a
qualidade do trabalho promovido nas organizações de ensino. Assim, a Cá-
tedra Unesco Educação a Distância está sediada na Universidade de Brasília
(UnB), sob a coordenação do prof. dr. Tel Amiel. A cátedra promove estudos
e formação sobre educação aberta e educação a distância, discutindo o uso
das tecnologias da informação e comunicação (TIC) na educação, além do
desenvolvimento de projetos e parcerias com instituições no âmbito inter-
nacional. Compreendendo a iniciativa educação aberta, atende e conecta o
ecossistema da educação brasileira. Além disso, dispõe do mapa global de
REA, que pode servir de apoio como busca de repositórios, serviços e pessoas
envolvidas com REA ao redor do mundo.

Em [Link], você encontra conteúdos que


pode compartilhar, usar e remixar. Não é um mecanismo de pes-
quisa, mas oferece acesso a serviços de pesquisa disponibilizados por outras
organizações.

No aspecto governamental, destacamos o site da Coordenação de Aper-


feiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), mais especificamente seu
portal eduCAPES, que confere acesso a informações e programas de educação
a distância, universidade aberta (UAB) e REAs.
Por sua vez, a Figura 2 mostra uma captura de tela do site Biblioteca Digital
Domínio Público, um repositório onde você encontra REAs, com destaque
para obras literárias.
8 Recursos educacionais abertos na educação

Figura 2. Captura de tela do site Biblioteca Digital Domínio Público.


Fonte: Adaptada de Domínio Público (2022).

Já o projeto intitulado Pilares do Futuro diz respeito a uma plataforma


lançada em 2020, dedicada à busca e compartilhamento de boas práticas
educativas em cidadania digital, promovendo oficinas, cursos e jornada
de lives sobre temas como proteção de dados, diversidade, alfabetização
midiática e formação de professores. Foi criada em parceria entre o Instituto
Educa Digital e a Unesco, com apoio do Núcleo de Informação e Coordenação
do Ponto BR ([Link]), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil
([Link]). O nome da plataforma faz referência aos quatro pilares da educação
da Unesco: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e
aprender a ser.
Ademais, as Conferências Virtuais REA integram o Projeto Escolha Livre,
da Iniciativa Educação Aberta ([Link]). Apresentam ferramentas para
a realização de conferências de forma síncrona (em tempo real), modalidade
preferida para a condução de atividades a distância, que pode ser utilizada
por professores e gestores.
Por fim, o Congresso Mundial REA compõe uma série de eventos organi-
zados pela Unesco em parcerias com diversas organizações. Abrange con-
ferências e fóruns que apresentam valor agregado sobre políticas e ações
REA no âmbito internacional, cujos relatórios são disponibilizados de forma
aberta ([Link]).
A partir desses e de outros recursos, você pode potencializar sua curiosi-
dade explorando os diversos eventos, sites e repositórios sobre REA, deolocaa
colocá-los em prática para aprimorar seus conhecimentos. Nesta seção, além
Recursos educacionais abertos na educação 9

de aprender sobre formatos abertos e fechados, você conheceu importantes


acontecimentos e repositórios que envolvem REA. Esse universo é muito
amplo e favorece uma aprendizagem diversa. Assim, na próxima seção você
vai conhecer o papel dos REAs para a aprendizagem criativa e a cultura maker.

O papel dos REAs para a aprendizagem


criativa e a cultura maker
A aprendizagem criativa e a cultura maker são temáticas muito discutidas nos
ambientes de educação nos últimos tempos, por favorecer possibilidades para
inovar e construir novas práticas educativas com base na ideia de aprender
fazendo, uma concepção mão na massa.
O movimento maker é uma evolução do “faça você mesmo”, alavancado
pelo uso de ferramentas tecnológicas como a placa Arduino, impressoras 3D,
cortadoras a laser, kits de robótica e máquinas de costura, a fim de desenvolver
a aprendizagem a partir de processos de criação e descoberta. No aspecto
metodológico, as práticas pedagógicas da cultura maker se diferenciam de
práticas tradicionais de ensino com aulas expositivas. O professor tem o
papel de mediador e o aluno é protagonista de sua aprendizagem. Os tipos de
ambientes projetados em escolas e/ou locais de aprendizagem que adotam
a concepção maker adotam terminologias como: makerspaces, hackerspaces
e FabLabs — espaços para o desenvolvimento de projetos e que facilitam
a colaboração e o desenvolvimento da criatividade (RAABE; GOMES, 2018).
Na cultura maker, os makers são fazedores, e com as próprias mãos buscam
soluções para situações complexas. São pilares da cultura maker a criatividade,
a colaboração, a sustentabilidade e a escalabilidade. O foco é disseminar o
conhecimento pela prática. A criatividade é desenvolvida por meio de ativi-
dades práticas. A cultura maker é sustentável e combate o desperdício pelo
uso responsável e reuso dos recursos (FIA BUSINESS SCHOOL, 2019).
Também sob o enfoque mão na massa, a aprendizagem criativa tem base
nos chamados os quatro Ps: projetos, paixão, pares e pensar brincando
(RESNICK, 2020). Imaginar o sentido de cada uma dessas quatro palavras nos
remete a noções de equipe, aprendizagem significativa para todos, fazer o que
gosta ou tem interesse, troca entre pares, aprender por processos, parceria,
colaboração, testar coisas novas, assumir riscos, entre outras.
Para melhor entender a abordagem da aprendizagem criativa, Resnick
(2020) sugere uma analogia do processo criativo como em um jardim de
infância para a vida toda, segundo a lógica de brincar de montar peças,
construir castelos e contar histórias. Assim, imaginar representa a fantasia a
10 Recursos educacionais abertos na educação

ser vivenciada; criar é transformar ideias em ações e/ou em histórias; brincar


tem o sentido de interagir e fazer experiências, tentativas de construção e
novas possibilidades; compartilhar implica na troca de ideias entre si, na
colaboração e na ajuda do outro, inspirando uma nova história; e refletir
envolve descontruir a ação da fantasia pensando sobre as possibilidades e
alternativas (Figura 3).

Figura 3. A espiral da aprendizagem criativa.


Fonte: Adaptada de Resnick (2020).

Conforme ilustra a Figura 3, essa espiral de aprendizagem é a propulsora


do pensamento criativo. Ao percorrer a espiral, desenvolvemos e refinamos
habilidades como pessoas criativas, aprendemos a desenvolver e testar
ideias próprias, experimentamos alternativas e opiniões e criamos ideias
baseadas nas experiências.
De acordo com a ideia de reaproveitamento, os REAs permitem uso e
adaptação por terceiros conforme os chamados cinco Rs (LEFFA, 2022).

„ reusar — liberdade para usar o original em distintos contextos;


„ reeditar — liberdade para adaptar, melhorar cada REA para adequá-lo
às suas necessidades;
„ remixar — liberdade para combinar e fazer misturas e colagens de um
REA com outros;
„ redistribuir — liberdade para compartilhar um REA original e a versão
criada;
„ reter — liberdade para fazer cópias e guardar o recurso em qualquer
dispositivo pessoal.
Recursos educacionais abertos na educação 11

Seguindo essas ações, você estará contribuindo para uma mudança de


comportamento diante da maneira de lidar com o conhecimento, superando
modelos isolados e utilizando práticas colaborativas e de sustentabilidade.
Entre os diversos benefícios dos REAs, enfatizamos a facilitação do acesso
ao conhecimento para mais pessoas, a democratização do acesso à educação,
o incentivo de práticas de colaboração, participação e compartilhamento, o
reconhecimento de educadores e estudantes como autores, o reaproveita-
mento do conhecimento desenvolvido, adequado e adaptado à realidade local,
a promoção da autoaprendizagem e a garantia do melhor uso de recursos
públicos investidos em materiais didáticos e programas. Destacam-se ainda a
liberdade e a criatividade de produção e a melhoria dos conteúdos existentes
(FURNIEL; MENDONÇA; SILVA, 2017; FURTADO; AMIEL, 2019).
Diante do que você aprendeu neste capítulo, já é capaz de identificar
quando um recurso é um REA, os tipos de licença e os formatos abertos e
fechados. Ainda conheceu possibilidades de eventos e instituições envolvidas
nas ações de educação aberta, favorecendo a formação continuada sobre o
tema. Os REAs têm um papel essencial nas práticas educativas baseadas na
aprendizagem criativa e na cultura maker. Além de oportunizar o aprender
fazendo, estimula a capacidade de criar e desenvolver a autoria. Assim, busque
refletir sobre a importância de aderir ao movimento REA e colabore com a
publicação de recursos, compartilhando-os com seus pares. Compartilhar
experiências e desenvolver a curiosidade para novos usos dos recursos que
você já utiliza é uma maneira de intensificar a autonomia no cotidiano das
ações pedagógicas.

Referências
BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação
sobre direitos autorais e dá outras providências. Brasília: Presidência da República,
1998. Disponível em: [Link] Acesso
em: 2 dez. 2022.
DOMÍNIO PÚBLICO. 2022. Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 2 dez. 2022.
FIA BUSINESS SCHOOL. Cultura maker: o que é, importância e exemplos. 2019. Disponível
em: [Link] Acesso em: 2 dez. 2022.
FURNIEL, A. C. M.; MENDONÇA, A. P. B.; SILVA, R. M. Recursos educacionais abertos:
conceitos e princípios. [S. l.: s. n.], 2017. Disponível em: [Link]
br/portal/guiarea/assets/files/[Link]. Acesso em: 2 dez. 2022.
FURTADO, D.; AMIEL, T. Guia de bolso da educação aberta. Brasília: Iniciativa Educação
Aberta, 2019. Dsiponível em: [Link]
Guia%20de%20bolso%20REA_vf_impressa%CC%[Link]. Acesso em: 2 dez. 2022.
12 Recursos educacionais abertos na educação

LEFFA, V. J. Recursos educacionais abertos. [S. l.: s. n.], 2022. 1 vídeo (9 min). Publicado
pelo canal ELA: Epifanias em linguística aplicada. Disponível em: [Link]
com/watch?v=ECN5QgIJ07A. Acesso em: 1 dez. 2022.
RAABE, A.; GOMES, B. E. Maker: uma nova abordagem para tecnologia na educação.
Revista Tecnologias na Educação, v. 26, set. 2018. Disponível em: [Link]
br/wp-content/uploads/2018/09/[Link].
Acesso em: 2 dez. 2022.
RESNICK, M. Jardim de infância para a vida toda: por uma aprendizagem criativa, mão
na massa e relevante para todos. Porto Alegre: Penso, 2020.
SANTOS, A. I. Recursos educacionais abertos no Brasil: o estado da arte, desafios e
perspectivas para o desenvolvimento e inovação. São Paulo: Comitê Gestor da Internet
no Brasil, 2013. Disponível em: [Link]
Acesso em: 1 dez. 2022.
SEBRIAM, D. Direitos autorais: todos os direitos reservados x alguns direitos reserva-
dos. [S. l.: s. n.], 2015. Disponível em: [Link] Acesso em: 2
dez. 2022.
UNESCO. Directrices para los Recursos Educativos Abiertos (REA) en la educación su-
perior. Paris: ONU, 2015.
UNESCO E MEC organizam encontro sobre REA no Mercosul. Iniciativa Educação Aberta,
1 nov. 2018. Disponível em: [Link]
Acesso em: 2 dez. 2022.

Leituras recomendadas
BEHAR, P. A. Competências em educação a distância. Porto Alegre: Penso, 2013.
CREATIVE COMMONS. Disponível em: [Link]. Acesso em: 2 dez. 2022.
LEFFA, V. J. Letramentos digitais: da matéria para a luz. [S. l.: s. n.], 2022. 1 vídeo (11 min).
Publicado pelo canal ELA: Epifanias em linguística aplicada. Disponível em: https://
[Link]/zDQA6oY-mKY. Acesso em: 1 dez. 2022.

Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos


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