Gaita
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Gaita
harmônica, harmónica(pt),
harmônica de boca
Classificação
Instrumento de sopro
Aerofone
Palheta livre
Extensão
Várias extensões possíveis. Ver
texto.
Instrumentos relacionados
Sheng
Sanfona
Bandoneon
concertina
Artigos relacionados
Blues
A gaita, harmônica ou harmónica, ou harmônica de boca é um instrumento musical de sopro cujos sons são
produzidos por um conjunto de palhetas livres.
A gaita possui em sua embocadura um conjunto de furos por onde o instrumentista sopra ou suga o ar. Devido
ao seu pequeno tamanho, a gaita não possui caixa de ressonância. O gaitista usa as mãos em concha para
amplificar o som do instrumento e também para produzir efeitos, como variações de afinação e intensidade ou
vibrato. Quando executada em conjunto com outros instrumentos, é comum que ela seja amplificada
eletronicamente. A gaita é bastante usada no blues, rock and roll, jazz e música clássica. Também são muito
comuns os conjuntos compostos apenas de gaitas, as chamadas Orquestras de Harmônicas, que normalmente
tocam músicas tradicionais ou folclóricas.
Tabela de conteúdo
[esconder]
1 História
2 Construção e Funcionamento
o 2.1 Bend
3 Tipos de gaitas
o 3.1 Gaita diatônica
o 3.2 Gaita Cromática
o 3.3 Outros tipos de gaita
3.3.1 Gaita tremolo
3.3.2 Gaita em oitava
3.3.3 Gaita de acordes
4 Gaitistas famosos
5 Ver também
6 Ligações externas
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História
A gaita teve sua origem em um antigo instrumento chinês, o sheng, que foi inventado há mais de 5000 anos e
que funciona pelo princípio de palhetas livres. Esta técnica de produção sonora gerou uma grande família de
instrumentos acionados por foles ou bombas de ar, como o acordeão e a melódica. Em órgãos é comum que
alguns tubos sejam flautados e outros utilizem palhetas livres para produzir sons com timbres diferenciados.
Em 1821 um relojoeiro alemão chamado Christian Ludwig Buschman inventou um instrumento semelhante à
gaita atual com 15 palhetas e 10cm de comprimento, mas esse instrumento foi encarado como um brinquedo e
não foi considerado adequado para a execução musical. Em 1857 um outro relojoeiro alemão, Matthias Hohner,
fundou uma companhia e começou a fabricar as chamadas harpas de boca ou órgãos de boca com 10 furos. O
instrumento passou a vender muito bem na Alemanha, França, Itália e nos Estados Unidos.
Na Europa a gaita se tornou um instrumento muito popular na música folclórica e surgiram bandas e orquestras
especializadas neste instrumento. Nos Estados Unidos foi muito utilizada na música country. Com o surgimento
do blues no início do século XX, a gaita chegou ao seu auge e daí garantiu a participação em outros gêneros
musicais, como o jazz, folk music, rock and roll e até na música clássica.
Hoje há diversos fabricantes de gaitas além da Hohner como a Lee Oskar, dos Estados Unidos, que fabrica um
tipo especial, a Melody Maker, a Suzuki no Japão e a Hering do Brasil.
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Construção e Funcionamento
Placa de palhetas de uma gaita diatônica
A gaita é um instrumento de palheta livre, como o acordeão, órgão de palhetas e o bandoneon. Diferentemente
destes instrumentos, não é um fole que força o ar através das palhetas, mas sim o sopro do executante.
As palhetas são finas lâminas retangulares de metal que são montadas sobre uma placa de suporte. Para cada
palheta, existe na placa uma fresta com o tamanho exato para que a palheta possa se movimentar livremente
dentro dela sem que haja folgas. Cada gaita possui duas placas de palhetas que são montadas sobre um corpo
em forma de pente ou grelha, feito de plástico ou madeira. A função desta peça é direcionar o ar
individualmente para cada palheta. Quando o conjunto é montado cada furo do pente fica com uma palheta em
sua parte superior e outra na parte inferior.
Partes de uma gaita: pente e placas de palhetas
Conjunto montado sem a cobertura
Ao soprar, o único caminho de saída do ar é através das palhetas e o caminho de menor resistência é a palheta
superior, que se curva para permitir a passagem do ar. Quando isso acontece, a resistência do ar diminui e a
força já não é mais suficiente para manter a palheta curvada. Pela elasticidade do material ela volta à posição
original fechando novamente a fresta. O processo todo se repete e a vibração da palheta produz um som
audível. O mesmo ocorre quando o músico suga o ar através do furo, mas nesse caso o caminho de menor
resistência é o furo inferior, que vibra produzindo uma nota diferente da superior. As figuras abaixo
demonstram essa seqüência em um corte de uma placa de palhetas:
1. A palheta tem tamanho igual ao furo da placa, que
2. Quando o instrumentista sopra ou suga o ar, o furo
fica praticamente vedada quando a palheta está em
direciona o ar que empurra a palheta.
repouso.
3. A palheta se curva, permitindo que o ar passe pela
fresta aberta. Isso diminui a força do ar e a força 4. Por inércia a palheta vibra em direção oposta ao
elástica da palheta começa a empurrá-la na direção fluxo do ar.
oposta.
5. novamente volta a fechar a fresta reiniciando o ciclo.
A amplitude total do movimento da palheta é determinada pela intensidade do sopro ou sucção. A freqüência
sonora é definida pelo tamanho e pela massa da palheta, por isso cada uma tem o tamanho diferente das demais.
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Bend
Se o músico desejar ele pode fazer o ar passar pelo furo em um ângulo tal que permita a vibração simultânea
das duas palhetas do furo. O resultado é a produção de notas que estão entre a nota mais aguda e a mais grave
do furo. Esta técnica é conhecida como bend (em inglês: dobrar. O nome é uma alusão ao bend da guitarra, uma
técnica que consiste em esticar uma corda para que produza uma nota de afinação mais alta que sua afinação
normal). De fato, ao usar esta técnica o gaitista consegue esticar o registro do instrumento adicionando notas
intermediárias ou glissandos, um efeito muito usado no blues e na música country norte americana. Embora
desejado em gaitas de blues, o bend em geral não é usado na execução de jazz ou música erudita, por isso,
algumas gaitas (principalmente as cromáticas) possuem válvulas que impedem a vibração simultânea das duas
palhetas e, portanto, evitam um esticamento mais exagerado das notas, embora um bend menos intenso de até
meio tom ainda possa ser executado. Há relatos de artistas que conseguem executar bends valvulados de até
uma oitava, porém o seu uso prático ainda necessita ser demonstrado.
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Tipos de gaitas
Em princípio, as placas de palhetas podem ser montadas com qualquer combinação de notas, por isso existem
vários tipos de gaitas que variam de acordo com quantidade de furos, a escala, a extensão ou registro (conjunto
de notas que podem ser produzidas pelo instrumento) e a disposição das notas nos furos (layout).
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Gaita diatônica
Também chamada de gaita de blues, tem 10 furos e uma extensão de três oitavas. As palhetas são dispostas nos
furos de maneira a permitir a execução individual das notas da escala diatônica maior. Também permite tocar
acordes se mais de um furo for usado simultaneamente (o gaitista controla quantos furos toca de cada vez pela
posição dos lábios ou bloqueando os furos com a língua). No layout padrão da gaita diatônica é possível obter o
acorde da nota fundamental (I) e o da dominante (V). A figura abaixo mostra a disposição das notas em uma
gaita diatônica em Do (C).
furo: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
-----------------------------
sopro: |C |E |G |C |E |G |C |E |G |C |
sucção: |D |G |B |D |F |A |B |D |F |A |
-----------------------------
Note que apenas entre os furos 4 e 7 é possível obter todas as notas da escala diatônica. A escala entre os furos
1 e 3 e entre os furos 7 e 10 não são completas, mas as notas que faltam podem ser obtidas pelo uso do bending.
O layout abaixo mostra todas as notas que podem ser obtidas na mesma gaita, incluindo os bends:
|A#
|D# |F# |B
furo: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
---------------------------------------
sopro: |C |E |G |C |E |G |C |E |G |C |
sucção: |D |G |B |D |F |A |B |D |F |A |
---------------------------------------
C# |F# |A# |C# | |G#
|F |A |
|G# |
Nos furos 1 a 4 e 6 o bend é obtido pela sucção e nos furos 8, 9 e 10 pelo sopro. Note que todas as notas entre a
mais aguda e a mais grave de cada furo podem ser obtidas. Neste layout, o furo três possibilita que 3 notas
sejam tocadas por bending. Como esta técnica está sujeita a variações de afinação ela é mais usada nos
glissandos típicos do blues do que em execuções melódicas.
Para permitir a execução de qualquer música existem gaitas para cada uma das as doze escalas diatônicas
maiores existentes. A distribuição de intervalos é sempre igual, variando apenas a nota fundamental. Este layout
é projetado para tocar melodias na mesma tonalidade da gaita utilizando a escala diatônica maior. Esta é a
chamada primeira posição. No entanto, muitos músicos preferem utilizar a escala mixolídia que existe entre o
furo 2 - sucção e o furo 6 sopro, cuja fundamental está uma quinta acima da tonalidade da gaita. Esta posição,
chamada cross harp ou segunda posição permite utilizar de forma mais eficiente os bends dos furos 1 a 6 e por
isso é mais usada em blues. Assim, usa-se uma gaita em Do(C) para executar uma música em Sol (G) e assim
por diante.
Ao longo do desenvolvimento do instrumento, diversos fabricantes criaram gaitas com distribuições
alternativas de notas. Entre elas, temos as gaitas em modo menor melódico, menor harmônico e em modo maior
com distribuição alterada, como a Melody Maker da Lee Oskar que permite a execução dos acordes das
progressões harmônicas mais comuns na música popular.
Um novo modelo revolucionário de gaita diatônica produzido pela Hohner chamado XB-40 (extreme bender
40) permite, através de um complexo sistema de palhetas duplas, realizar bends em todos os orifícios,
aumentando largamente o leque harmônico do instrumento
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Gaita Cromática
A gaita cromática é uma evolução da diatônica, criada para permitir a execução melódica de músicas em
qualquer tonalidade, com modulações e acidentes eventuais e sem as variações de afinação produzidas pelo
bend. Para isso ela possui duas palhetas de sopro e duas de sucção em cada furo e uma chave que o músico
aciona com o polegar de uma das mãos para direcionar o ar para cada par sopro/sucção. Quando a chave está
solta, a gaita produz as notas naturais (sem acidentes - correspondentes às teclas brancas do piano). Quando a
chave é acionada são produzidas as notas com acidentes (bemóis e sustenidos - correspondentes às teclas pretas
do piano). Além disso, todas as palhetas possuem válvulas para impedir que as palhetas de sopro e sucção soem
simultaneamente. Por isso não é possível executar bends em uma gaita cromática a não ser que estas válvulas
sejam removidas. As gaitas cromáticas normalmente possuem 12 ou 16 furos para uma extensão de três ou 4
escalas completas. A figura abaixo mostra a disposição das notas em uma gaita cromática de 12 furos.
Com a chave solta:
furo: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
-----------------------------------------------
sopro: | C | E | G | C | C | E | G | C | C | E | G | C |
sucção: | D | F | A | B | D | F | A | B | D | F | A | B |
-----------------------------------------------
Com a chave acionada:
furo: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
-----------------------------------------------
sopro: |C# |E# |G# |C# |C# |E# |G# |C# |C# |E# |G# |C# |
sucção: |D# |F# |A# |B# |D# |F# |A# |B# |D# |F# |A# |B# |
-----------------------------------------------
Note que Mi# (E#) é o mesmo que Fá (F) e Si#(B#) é a mesma nota que Do (C), portanto estas notas podem ser
executadas com a chave solta ou acionada. Isso é necessário para que não haja furos "mudos" e permite ao
músico uma maior flexibilidade de execução. É comum a utilização de gaitas cromáticas em Do para quase
todos os casos, mas elas também existem em outras tonalidades, principalmente para permitir a execução
quando registros mais graves ou mais agudos são necessários.
Por permitir uma maior facilidade na execução melódica, a gaita cromática é freqüentemente solista nos
orquestras de harmônicas. Também é muito utilizada em gêneros que exigem uma extensão maior como o jazz,
a música clássica e o choro. Também é muito utilizada em trilhas sonoras, sobretudo no cinema italiano, como
as de Ennio Morricone.
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Outros tipos de gaita
Além da diatônica e da cromática existem muitas outras configurações usadas principalmente nos conjuntos ou
orquestras.
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Gaita tremolo
Esta gaita possui duas palhetas em cada furo que estão ligeiramente desafinadas uma em relação à outra. Isso
produz a sensação de tremolo, uma espécie de vibração na afinação.
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Gaita em oitava
Possui duas palhetas em cada furo afinadas com intervalo de uma oitava entre elas.
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Gaita de acordes
Para cada tonalidade, permite a execução de 48 tipos diferentes de acordes, permitindo utilizá-la como
acompanhamento em execuções em conjunto, ou não.
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Gaitistas famosos
Sem dúvida é no blues que estão os melhores instrumentistas da gaita diatônica. Não há uma banda de blues
que não possua um gaitista e alguns deles se tornaram lendas em seu instrumentos. Entre eles destacam-se
James Cotton, Carey Bell, John Mayall, Sonny Boy Williamson, Junior Wells, Snooky Prior e Little Walter
entre muitos outros.
Na música folk e no rock and roll muitos músicos utilizam a gaita para executar solos e riffs (pequenos temas
que são tocados ao longo de uma canção de forma repetitiva). Bob Dylan desenvolveu um estilo próprio que se
tornou modelo para todos os músicos folk como Bruce Springsteen. Entre outros intérpretes que também
utilizam ou utilizaram a gaita ocasionalmente estão Mick Jagger dos Rolling Stones, John Lennon dos Beatles,
Janis Joplin, Alanis Morissette, Neil Young e Eddie Vedder do Pearl Jam entre outros.
Na gaita cromática, Stevie Wonder definiu o estilo mais conhecido na música pop. No Jazz os mais destacados
são Toots Thielemans e Larry Adler que também executa música clássica. O brasileiro Maurício Einhorn a
utiliza na música instrumental brasileira e no choro.
Entre outros grupos, são bastante conhecidos A Troupe da Gaita e o trio de jazz Harmonycats. Existem diversos
gaitistas brasileiros.
Em Portugal, é conhecido o "Mendes Harmónica Trio", com um repertório vasto, que vai das transcrições de
obras de música clássica até à música popular.