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Baixa de acuidade visual aguda II
Doença neuroftalmológica
O nervo óptico mede em média 50–55 mm → é um trato do SNC, revestido por meninges
Ele é dividido em 4 partes:
Intra-ocular (≈1 mm)
É a cabeça do NO, vista no fundo do olho como papila óptica.
AMIELINIZADA → a mielinização só começa atrás do globo.
Por isso, lesões aqui produzem alterações visíveis na fundoscopia
💡 Onde vemos papiledema, atrofia óptica, edema, hemorragias.
Lesões aqui afetam diretamente o campo visual central devido à proximidade com
as fibras maculares.
Intra-orbitária (25–30 mm)
A maior porção.
É móvel e curva, permitindo o olho se mover sem tracionar o nervo.
Aqui o nervo dobra de diâmetro porque passa a ser revestido pelas meninges (dura,
aracnoide, pia).
Isso é importante porque:
A pressão intracraniana é transmitida diretamente para o nervo óptico,
causando edema de papila.
Por isso: Não existe edema de papila sem aumento da pressão intracraniana.
Baixa de acuidade visual aguda II 1
É região onde ficam neurites ópticas típicas (retrobulbares):
“o paciente não vê nada, e o médico não vê nada”.
💡 Sede clássica da neurite óptica.
Principal manifestação:
perda visual dolorosa, principalmente ao mover o olho.
Intra-canalicular (6 mm – Fixa)
Passa pelo canal óptico → porção totalmente fixa.
Local mais vulnerável a:
compressão (meningiomas, fraturas orbitárias)
avulsão traumática → pode romper completamente o nervo aqui.
💡 Local de compressão traumática → fraturas do canal óptico.
Risco de avulsão do nervo.
Intra-craniana (10 mm)
Vai até o quiasma óptico.
Relação íntima com:
hipófise
artéria carótida interna
seio cavernoso
Lesões aqui dão defeitos campimétricos típicos (ex: hemianopsia bitemporal).
💡 Lesões no quiasma → hemianopsia bitemporal.
Lesões pós-quiasma → hemianopsias homônimas.
Quadro clínico
BAV profunda
Quando há lesão no nervo óptico, a luz chega normalmente na retina, mas não é conduzida de forma
adequada até o cérebro
Típica em neurite óptica, neuropatia isquêmica, compressão súbita, trauma.
O cérebro deixa de receber uma imagem limpa.
Reflexo pupilar e defeito aferente pupilar (DAP / RAPD / Pupila de Marcus Gunn)
Normal:
Luz no olho direito → Pupila direita contrai e pupila esquerda contrai (consensual)
Baixa de acuidade visual aguda II 2
Lesão entre retina e quiasma (NO anterior)
A luz chega, mas o sinal não sobe adequadamente.
DAP Relativo (RAPD) – o mais comum
O nervo está inflamado / lento, não completamente destruído.
Quando a luz entra no olho doente, o sinal sobe devagar.
Isso produz o famoso efeito paradoxal:
luz → a pupila dilata ao invés de contrair inicialmente → porque o estímulo foi tão
fraco/lerdo que o sistema interpreta como “menos luz”.
Depois de alguns milissegundos, o reflexo aparece, mas atrasado.
sensação de contraste maior no olho bom
sensação de que a luz "incomoda mais" no olho bom
visão “lavada” ou “pouco nítida” no olho afetado
DAP Total
O olho doente não gera nenhum reflexo, nem direto, nem consensual.
É como “um cabo de força rompido”.
Causa comum:
neuropatia isquêmica
compressão severa
trauma grave
avulsão do NO
Discromatopsia (perda das cores)
“Estou enxergando mais preto e branco.”
“O vermelho está desbotado.”
Fibras do feixe papilomacular (90% cones) são as primeiras a perder função.
patologia afeta cones, que são muito dependentes de integridade neural.
Diminuição da sensibilidade ao contraste
O paciente relata:
"a luz parece fraca"
"parece que a pupila demora a responder"
"o olho parece mais escuro"
Indica dano aferente.
Defeitos de Campo Visual
O padrão depende da topografia da lesão.
Escotoma Central
Típico do feixe papilomacular
neurite óptica, tóxicos (etambutol), carencial, hereditária (LHON)
Baixa de acuidade visual aguda II 3
Escotoma Cecocentral
Tóxico-nutricional
Doença de Leber
Altitudinal (superior ou inferior)
super característico de isquemia (NOIA A/NOIA NA)
metade superior ou inferior do campo “cai”
Difuso / Generalizado
compressões, glaucomatoso avançado, inflamações difusas
Quadro Oftalmoscópico (Fundoscopia)
Disco óptico normal
Muitas neuropatias ópticas não alteram a papila na fase aguda.
Exemplo clássico: neurite óptica retrobulbar.
💡 BAV + DAP + fundo normal = NEURITE ÓPTICA até prova em contrário.
Edema de disco
Pode ser compressivo ou inflamatório.
Diferencia-se pela clínica:
Inflamatório (neurite óptica)
Dor à movimentação ocular
Perda visual rápida
Jovem
História de infeção viral recente
Relação com EM
Compressivo (meningioma, glioma, tumores)
Insidioso
Sem dor
Proptose
Alterações pupilares tardias
Campo visual com defeitos progressivos
Neurorretinite
Tríade:
1. Edema de disco
2. Edema macular
3. Estrela macular (exsudatos na camada plexiforme externa) - casos graves
Etiologia quase sempre infecciosa:
Baixa de acuidade visual aguda II 4
Bartonella (doença da arranhadura do gato) – a clássica
Tuberculose
Sífilis
Toxoplasmose
Líquen planus, Lyme (menos comum)
Características:
Perda visual unilateral, indolor
Ótimo prognóstico com tratamento adequado
Atrofia óptica
Atrofia primária
Lesão direto no nervo, sem edema prévio
Ex: compressão crônica, glaucoma, tóxica
Atrofia secundária
Resultado de edema prévio (papiledema ou neurite)
Ex: NOIA, neurite óptica mal tratada, tumores
Fundoscopia:
bordas do disco bem definidas (primária)
pálido, acinzentado
escavação variável (glaucoma)
Etiologias
Neurite óptica autoimune - NOA
Doença desmielinizante aguda do nervo óptico, fortemente associada à Esclerose Múltipla (EM)
A mielina do NO é atacada por:
micróglia
macrófagos
linfócitos T e B
A mielina destruída vira placas fibrosas, o que:
desacelera a condução elétrica
pode interromper totalmente o impulso visual
Baixa de acuidade visual aguda II 5
EPIDEMIOLOGIA
15–45 anos (pico: 3ª–4ª década)
Sexo feminino: 77%
Raça branca: 85%
15–20% dos pacientes com EM iniciam com neurite óptica
50% dos pacientes com NOA terão EM em 15 anos se houver lesões na RM
65% dos casos de neurite autoimune é retrobulbar, logo, o disco óptico é normal
NO é mielinizado após a Pupila do NO, por isso a Fundoscopia é normal → Paciente não vê nada,
médico não vê nada.
Os outros casos revelam Papilite → aparece edema → a inflamação é tão extensa que chega
por contiguidade à papila
QUADRO CLÍNICO
BAV subaguda unilateral
começa em horas a dias
piora por 7–10 dias
atinge o “pior ponto” em 2 semanas
depois inicia melhora espontânea
Dor ocular (65%)
piora ao mover o olho
sensação “por trás do globo”
porque o NO está inflamado dentro da órbita → tracionado por músculos
Alterações de cores (discromatopsia)
perda do vermelho
desaturação
mecanismo: dano ao feixe papilomacular (rico em cones)
Redução da sensibilidade ao contraste/brilho
o objeto parece “lavado”
bordas borradas — muito típico de lesão neural
Defeitos de campo visual
→ O mais comum: escotoma central
→ Evolui para escotomas focais no centro
Baixa de acuidade visual aguda II 6
Fenômeno de Uhthoff (50%)
AUMENTO de temperatura corporal (febre, exercício, banho quente)
DESMELINIZAÇÃO não tolera calor
Condução reduzida temporariamente
BAV transitória
💡 IMPORTANTE:
Se o paciente tem Uhthoff → pensar fortemente em doença desmielinizante.
EXAMES DE IMAGEM E LABORATÓRIO
RESSONÂNCIA MAGNÉTICA
lesões hiperintensas multifocais periventriculares (EM)
engrossamento e hipersinal do NO atacado
maior captação com contraste (95%)
Quanto mais lesões típicas de EM na RM, maior risco de evolução para EM clínica
confirmada
LÍQUOR
IgG >15%
Bandas oligoclonais positivas
reforçam o diagnóstico de doença desmielinizante
TRATAMENTO
Quando tratar?
BAV importante
dor intensa
risco funcional
neurite recorrente
suspeita de EM
90% tem melhora espontânea
Baixa de acuidade visual aguda II 7
Esquema padrão
Metilprednisolona EV 1 g/dia por 3 dias
Prednisona VO 1 mg/kg/dia por 11 dias
desmame nos últimos 3 dias
Atenção: prednisona isolada NÃO deve ser usada sem EV antes
Tratamento modificador de doença
Se RM mostra lesões típicas de EM → Interferon β-1A / β-1B pode ser iniciado após o 1º episódio
acuidade, discromatopsia e sensibilidade ao contraste nao retorna mais
PROGNÓSTICO
O que melhora (90% dos casos):
acuidade visual
campo visual
parte da discromatopsia
O que não volta ao normal:
sensibilidade ao contraste
brilho
discriminação de cores finas
Neurite Óptica Infecciosa
É o processo inflamatório do nervo óptico causado por um agente infeccioso, por 2 mecanismos
principais:
Invasão direta do germes no nervo óptico
agente infeccioso realmente chega até o nervo óptico.
Isso acontece por dois mecanismos:
Contiguidade
Infecção começa ao lado do nervo, como na órbita ou nos seios paranasais,
principalmente o seio esfenoidal, e se estende diretamente para o nervo óptico.
Exemplos:
sinusite grave
celulite orbitária
mucocele
aspergilose da órbita
É a forma mais comum.
Disseminação hematogênica
Quando o paciente é imunossuprimido, fungos e bactérias podem chegar ao nervo pelo
sangue.
Exemplos:
Baixa de acuidade visual aguda II 8
criptococose no HIV
candidemia
tuberculose disseminada
Forma para-infecciosa
O paciente teve uma infecção viral ou tomou uma vacina, e o sistema imune reage de modo
cruzado, causando inflamação do nervo óptico
Ou seja:
É o próprio sistema imune que provoca a neurite.
Não existe microrganismo dentro do nervo.
Vírus clássicos:
Varicela-zoster
Rubéola
Sarampo
Pós-vacinal (influenza, tríplice viral)
Principais causas: Diagnóstico epidemiológico
arranhadura de gato → Bartonella
área com carrapatos → Lyme
trabalhador rural → toxocaríase, fungos, TB
criança pós-vacinal → parainfecciosa (rubéola, varicela, sarampo)
imunossuprimidos → fungos (Cryptococcus, Aspergillus)
Quadro clínico: Diagnóstico clínico
Sistêmicos:
febre, mal-estar, rash (virais)
adenomegalia dolorosa (Bartonella → clássico)
artralgia, eritema migratório (Lyme)
sintomas respiratórios crônicos (TB)
sinais de imunossupressão (HIV → fungos)
Ocular:
papilite evidente
neurorretinite (estrela macular)
edema importante
Diagnóstico sorológico:
Exemplos:
Bartonella henselae → IgG/IgM
Lyme (Borrelia) → ELISA + Western Blot
Sífilis → VDRL + FTA-ABS
TB → IGRA/PPD + imagem pulmonar
Baixa de acuidade visual aguda II 9
HIV/imunossuprimidos → fungos (Criptococo Ag, hemocultura)
Sífilis é a grande simuladora → sempre deve ser excluída.
Tratamento
O tratamento da neurite óptica infecciosa é tratar a causa
Corticoide isolado é proibido até excluir infecção
Cat Scratch Disease (Bartonella henselae)
Doxiciclina (100 mg 12/12h por 2–4 semanas)
causa típica de neurorretinite com estrela macular
Doença de Lyme
Ceftriaxone IV 2 g/dia por 14–21 dias
neuropatia óptica pode simular neurite autoimune
Sífilis
Penicilina cristalina → tratar como neurossífilis
Tuberculose
Esquema RIPE
Parainfecciosa (pós-vacinal / pós-viral)
geralmente autolimitada
90% melhora sem tratamento
corticoide apenas se quadro for grave
tratar sempre o agente específico
A neurite infecciosa não melhora com corticoide se não tratar a infecção
Neurite óptica isquêmica - NOI
É uma causa de perda visual aguda devido à isquemia do nervo óptico, causando apoptose em
minutos após o insulto.
A forma anterior é a mais comum → irrigação pelas artérias ciliares posteriores curtas.
Anterior Arterítica - NOIAA
Rara, fulminante, emergência absoluta
O médico trata para salvar o olho contralateral, não o olho afetado (visão geralmente não retorna).
Geralmente decorrente de Arterite de Células Gigantes (ACG)
Epidemiologia
50 anos (frequentemente >70)
Sexo feminino (6:1)
Etiologia:
ACG = vasculite idiopática de grandes e médias artérias
Doença inflamatória crônica que acomete vasos ricos em tecido elástico.
A causa é desconhecida, mas claramente relacionada a:
Baixa de acuidade visual aguda II 10
Senilidade do sistema imune (imunossenescência)
Degeneração do tecido elástico da camada média com o envelhecimento
Desregulação autoimune da resposta inflamatória
Fatores imunológicos
Acredita-se que exista um gatilho antigênico capaz de iniciar a inflamação:
Infecção viral prévia (hipótese)
Ativação anômala de células dendríticas da parede arterial
Isso leva a:
Infiltrado mononuclear
Formação de células gigantes
Granulomas na parede do vaso
Espessamento → estenose → oclusão
Fatores vasculares/estruturais
ACG prefere vasos com muito tecido elástico:
Temporal superficial
Oftálmica
Ciliares posteriores (mais importantes p/ NOIAA!)
Central da retina
Ramos da carótida externa
Poupam artérias intracranianas (pouco tecido elástico)
Fatores ambientais
Tabagismo
Associado ao início e pior prognóstico da ACG.
Promove disfunção endotelial → maior risco de isquemia do nervo óptico.
Fisiopatologia:
Vasculite granulomatosa da artéria temporal e ramos:
Temporal superficial
Oftálmica
Central da retina
Ciliares posteriores (as que mais importam para NOIAA)
Esse tecido elástico inflamado engrossa a parede vascular, causando estreitamento
progressivo e isquemia.
Infiltrado mononuclear
Oclusão segmentar → necrose isquêmica + trombo
Edema do disco extremamente pálido (pouco fluxo)
O vaso inflamado evolui para oclusão segmentar, podendo formar microtrombos → isquemia
súbita do nervo óptico.
Baixa de acuidade visual aguda II 11
Grande risco de afetar o outro olho
Quadro Clínico
Sintomas sistêmicos de ACG + perda visual devastadora
Sinais oftalmológicos
BAV súbita e profunda (praticamente cegueira)
Pode ter amaurose fugaz prévia
Diplopia por isquemia muscular
Edema de disco pálido e difuso
Hemorragias superficiais possíveis
Sintomas sistêmicos típicos
Cefaleia temporal/nucal
Claudicação de mandíbula (não consegue mastigar)
Dor à palpação da artéria temporal
Febre, fadiga, perda de peso
Polimialgia reumática (50%)
Laboratório:
VHS > 50 mm/h -93
PCR muito elevada - 94
Anemia, trombocitopenia, leucocitose
Biópsia da artéria temporal confirma
Tratamento — EMERGÊNCIA
Metilprednisolona IV 1 g/dia por 3 dias
Depois: Prednisona oral 1 mg/kg/dia, desmame lento
Sempre proteger o olho contralateral
Prognóstico ruim para o olho afetado (perda permanente)
Anterior não arterítica: NOIANA
Muito mais comum (≈95%)
Causada por vasoespasmo/oclusão das artérias ciliares posteriores curtas
Perda visual geralmente não é tão devastadora quanto a arterítica
Epidemiologia
55–65 anos
Ambos os sexos
95% de todas as NOIA
Fatores de risco
Oculares
Disco óptico pequeno (“crowded disc”)
Baixa de acuidade visual aguda II 12
Drusas do disco óptico
Cardiovasculares
HAS
DM2
Dislipidemia
Outros
Tabagismo
Hipotensão noturna
Enxaqueca
Apneia do sono
Estados pró-trombóticos
Drogas relacionadas
Tadalafila (vasoconstrição)
Semaglutida (estudos recentes — JAMA)
Interferon
Quadro Clínico:
Perda visual súbita indolor
Tipicamente descoberta ao acordar
Sem pródromos
Discromatopsia proporcional à BAV
Edema altitudinal + hiperêmico (superior ou inferior)
Hemorragias peripapilares
Acuidade visual pode ser normal ou moderadamente afetada
Tratamento:
Não existe terapia que reverta a lesão
Manejo:
Tratar fatores sistêmicos
AAS (cada vez menos usado)
Corticoide pode ajudar pela inflamação secundária
Prognóstico geralmente bom, sem perda devastadora
Pode acometer o outro olho em alguns anos
Neuropatia óptica tóxica e nutricionais
são causas clássicas de BAV subaguda, bilateral e simétrica, por lesão preferencial do feixe
papilomacular, que é mais vulnerável a insultos metabólicos
Deficiências nutricionais
Vitaminas essenciais para o metabolismo mitocondrial:
Baixa de acuidade visual aguda II 13
B12
B6
B1 (tiamina)
Ácido fólico
Condições relacionadas:
Anemia perniciosa (deficiência de B12 por autoimunidade)
Beribéri (deficiência grave de B1)
Grupos de risco:
Alcoólatras e tabagistas
Toxinas inibem funções mitocondriais → palidez temporal típica
Vegetarianos restritos
Maior risco de deficiência de B12
Dietas com alto teor de proteína
Podem aumentar demanda metabólica, piorando déficits vitamínicos preexistentes
Fármacos e tóxicos:
Amiodarona
(pode causar neuropatia óptica com edema inicial)
Sildenafil
(associações raras com NOIA)
Etambutol
Clássico para neuropatia óptica tóxica
Dose-dependente, mas pode ocorrer mesmo com doses baixas
Bloqueia enzimas mitocondriais → efeito tóxico direto
Pode ocorrer:
Em doses altas
Em doses baixas
Mesmo após suspensão
Acompanha-se de BAV bilateral e simétrica
Metanol
A mais grave de todas, de instalação súbita, com risco de cegueira permanente
Metabolizado em formaldeído e ácido fórmico
→ Inibem COMPLETAMENTE a fosforilação oxidativa
→ Lesão direta do nervo óptico
→ Acidose metabólica severa
Perda visual súbita ou rapidamente progressiva
Bilateral
Pode haver fenômenos visuais positivos (flashes)
Baixa de acuidade visual aguda II 14
Pode ou não haver dor
Defeito pupilar aferente relativo em casos assimétricos
Fisiopatologia
O feixe papilomacular é o mais afetado porque:
Tem altíssimo metabolismo
Exige muito O₂
A região pré-laminar tem grande densidade de mitocôndrias
As fibras são finas → mais vulneráveis a hipóxia
Mecanismo final comum: Disfunção mitocondrial
↓ Fosforilação oxidativa
↓ ATP
↑ Radicais livres (ROS)
Estresse oxidativo
Lesão de membranas e DNA
→ APOPTOSE das fibras ganglionares
Quadro clínico
Como o paciente chega:
BAV subaguda, progressiva, indolor
Geralmente bilateral e simétrica
Predomínio de perda visual central
(escotoma central ou ceco-central)
Pode evoluir por semanas ou meses
Ao exame do disco óptico:
Disco normal, hiperêmico ou levemente edematoso
Pálidez temporal (achado mais típico e mais importante)
CV e OCT mostram perda no feixe PM
Importante da história:
Dieta
Etanol e tabaco
Uso de fármacos (principal: etambutol)
Exposição a tóxicos
Tratamento
Neuropatias tóxicas/nutricionais gerais
Reposição de vitaminas do complexo B (B1, B6, B12, folato)
Suspender o agente tóxico
Orientar redução do álcool e tabaco
Baixa de acuidade visual aguda II 15
Em alguns casos: antioxidantes
METANOL — conduta crítica
Tratar o paciente, não o olho!
1. Correção da acidose metabólica severa
Bicarbonato IV
2. Antídotos específicos (dependendo do serviço):
Fomepizol (inibe álcool desidrogenase)
Etanol IV (competitivo com metanol)
Hemodiálise (remove formol e corrige acidose)
3. Tratamento ocular específico não existe
Pode-se tentar pulso de metilprednisolona 1 g/dia por 3 dias na fase aguda como terapia
adjuvante — baseado em estudos pequenos
Papiledema
Edema de disco óptico secundário obrigatoriamente à AUMENTO DA PRESSÃO INTRACRANIANA
(PIC)
Sempre bilateral (mesmo que graus diferentes)
Se for unilateral → NÃO é papiledema → pensar emneurite óptica, drusas, pseudopapiledema,
compressões locais
FISIOPATOLOGIA:
Aumento da PIC → transmite-se por continuidade para a bainha do nervo óptico, que é revestida por
meninges.
1. ↑ PIC
2. A pressão chega à bainha do nervo óptico
3. Comprime o nervo → estase do fluxo axoplasmático (fenômeno primário)
4. Axoplasma acumulado → edema do disco óptico
5. Com mais pressão, ocorre:
extravasamento de líquido
congestão venosa
compressão vascular (fenômeno secundário)
Resultado final: edema de disco óptico bilateral.
CLÍNICA
Sintomas de aumento da PIC (mais importantes que os sintomas oculares)
Cefaleia intensa, pior matinal
Vômitos em jato
Náuseas
Diplopia (por paresia do VI)
Tontura
Baixa de acuidade visual aguda II 16
Confusão, rebaixamento de consciência (casos graves)
Sintomas oftalmológicos
Em fases iniciais → visão normal
Pode haver:
“Borramento visual transitório” (TVL – transient visual loss)
Escotomas aumentados
Em fase crônica → perda visual progressiva
Fase atrófica → palidez + perda visual permanente
FUNDOSCOPIA – Fases Clássicas
Inicial
Borramento leve das bordas
Hiperemia discreta
Estabelecido
Edema acentuado
Hemorragias em chama
Exsudatos algodonosos
Ingurgitamento venoso
Crônico
Disco grande, elevado
Menos hemorragias
Vasos dobrados
Aspecto “laranja pálido”
Atrófico
Palidez importante
Perda definitiva das fibras
Visão comprometida de maneira irreversível
EXAMES COMPLEMENTARES
Exame de fundo de olho (essencial)
Define a fase e gravidade.
Neuroimagem (URGÊNCIA)
Antes de qualquer punção lombar:
TC de crânio (rápido)
RM + MRV (padrão-ouro)
Para excluir:
Tumor
Hemorragia
Trombose de seio venoso
Baixa de acuidade visual aguda II 17
Malformações
NÃO se faz punção lombar antes da imagem → risco de herniação.
Hipertensão intracraniana idiopática
É o aumento da pressão intracraniana sem causa estrutural, sem alteração de neuroimagem, sem
infecção, sem tumore com líquor normal, exceto pela pressão elevada
EPIDEMIOLOGIA
Mulheres jovens, obesas, em idade fértil (razão 10:1).
Frequentemente associada a:
Uso de tetraciclinas, vitamina A, isotretinoína
Apneia do sono
Irregularidade menstrual
Hipertensão arterial
FISIOPATOLOGIA
Aumento da pressão do LCR sem alteração do conteúdo
Baixa absorção venosa no seio sagital / transverso
Estenose do seio transverso → fechamento do sistema venoso → aumento da PIC
Pressão sobe → transmite-se pela bainha do nervo óptico → papiledema → dano das fibras.
QUADRO CLÍNICO
Sintomas gerais (neurológicos)
Cefaleia diária, muitas vezes matinal
Zumbido pulsátil (tipo “ouvir batimento” no ouvido – muito típico!)
Dor cervical e dorsal
Náuseas e vômitos
Tontura, baixa concentração
Sintomas visuais
Amaurose fugaz (perda visual temporária de segundos: MUITO típico)
Turvação transitória da visão
Fotopsias
Diplopia por paralisia do VI (por estiramento do nervo no aumento da PIC)
Papiledema bilateral → podendo evoluir para perda visual permanente
ACHADOS OFTALMOLÓGICOS
Papiledema bilateral
Inicial: borramento de bordas
Estabelecido: hiperemia, hemorragias
Crônico: pregueamento, dobras coroidianas
Baixa de acuidade visual aguda II 18
Atrófico: palidez do disco e perda de fibras
Campo visual
Acompanhamento pelo MD (mean deviation)
Defeito típico: aumento do blind spot (mancha cega ampliada)
DIAGNÓSTICO
Neuroimagem OBRIGATÓRIA antes da punção lombar
Porque é preciso excluir tumor.
RNM geralmente NORMAL, exceto pelos achados sugestivos:
Achados que sugerem HII:
Sela túrcica vazia
Achatamento do polo posterior do globo ocular
Distensão do espaço subaracnoideo peri-óptico
Tortuosidade do nervo óptico
Estenose do seio venoso transverso
Punção lombar
Pressão de abertura > 25 cmH₂O → diagnóstico
Líquor NORMAL (bioquimicamente e citologicamente)
TRATAMENTO
Emagrecimento (PERDA DE PESO)
É o único tratamento que muda o curso DA DOENÇA.
Redução de 5–10% do peso pode melhorar ou curar.
Acetazolamida (Diamox) – primeira linha
Reduz produção de líquor.
500–1000 mg/dia até 2–4 g/dia (dividido em 3–4 doses)
Efeitos: parestesia, cálculo renal, acidose metabólica.
Punção de alívio repetida - vê necessidade
Cirurgia:
Fenestramento da bainha do nervo óptico (para preservar visão)
Shunt ventrículo-peritoneal
Stent no seio transverso (para casos com estenose evidente)
Compressão das vias ópticas
No nervo óptico (anteriores ao quiasma) → piora progressiva da acuidade visual, discromatopsia,
defeito pupilar aferente, edema ou palidez do disco.
No quiasma óptico → alterações típicas de campo visual (bitemporal).
No trato óptico → hemianopsias homônimas.
Baixa de acuidade visual aguda II 19
Doença de graves
é uma doença autoimune, ligada ao anticorpo TRAb, o mesmo que estimula a tireoide.
Processo:
Imunidade ativada (TRAb, linfócitos, citocinas)
Ativação dos fibroblastos orbitários
produzem GAGs (glicosaminoglicanos)
aumentam retenção hídrica
Infiltração inflamatória
Acomete:
músculos extraoculares
gordura orbitária
tecido intersticial
Aumento do volume orbitário
proptose
retração palpebral
congestão orbitária
Compressão do nervo óptico
Principal causa de perda visual na orbitopatia.
Fase tardia: fibrose
estrabismo restritivo
limitação de movimentos oculares
Quem é o paciente típico?
Mulher 25–50 anos
Razão F:M = 4:1
Tabagista (fator de risco fortíssimo)
50% têm manifestações oculares
3–5% evoluem com risco de perda visual
Bilateral
15% uni
acomete 50% dos portadores
Manifestações oculares
Proptose
Retração palpebral
Edema de tecidos moles
Diplopia (estrabismo restritivo)
Dor retrobulbar
Baixa de acuidade visual aguda II 20
Diminuição da visão
Pior sinal de gravidade → neuropatia óptica compressiva
Redução de contratilidade muscular
Hiperemia conjuntival
Quando suspeitar de compressão do nervo óptico?
Baixa visual que piora rápido
Defeito pupilar aferente
Discromatopsia precoce
Campo visual alterado
Edema leve do disco ou palidez
Compressão de quiasma
Adenoma de hipófise
Por que o adenoma causa alteração visual?
O quiasma fica exatamente:
acima da hipófise, dentro da sela túrcica
Tumores hipofisários (15% dos tumores cerebrais):
macroadenomas (> 10 mm) empurram o quiasma de baixo para cima
comprimem principalmente as fibras nasais que cruzam
Campo visual característico: Hemianopsia bitemporal heterônima (clássico!)
Além da perda visual, o que mais aparece?
Depende do tipo de adenoma:
Prolactinoma
galactorreia
amenorreia
infertilidade
hipogonadismo
ginecomastia em homens
Adenoma secretor de GH
acromegalia
gigantismo
aumento de mãos, pés, mandíbula, língua (foto do slide)
ACTH
síndrome de Cushing
Campo visual no adenoma
Baixa de acuidade visual aguda II 21
Perda bitemporal clássica
Pode ser assimétrica dependendo da posição do quiasma
Em fases tardias → atrofia óptica bilateral
Fundoscopia
Pode ser:
normal nas fases iniciais
ou palidez temporal bilateral (fibras maculares afetadas)
Meningioma
Meningioma do sulco olfatório
Meningioma do nervo óptico
Meningioma do planum esfenoidal
Todos podem comprimir o nervo óptico de forma lenta e progressiva.
Achado típico: atraso pupilar e palidez óptica unilateral, evolução lenta.
Alteração pupilar
Paralisia Oculossimpática (Síndrome de Horner)
O defeito é no SIMPÁTICO — então tudo que depende dele diminui
Tríade clássica
1. Miose
A pupila fica pequena porque o simpático faz MIDRÍASE.
Se o simpático “morre”, sobra o parasimpático → pupila contrai.
2. Semiptose
Ptose leve (1–2 mm), pois o músculo de Müller (elevador complementar da pálpebra) é simpático.
3. Anidrose ipsilateral
Sudorese depende do simpático.
4. Enoftalmia aparente
Não é o olho recuando de fato; é o sulco palpebral mudando → ilusões de ótica da ptose + miose.
Pupila Tônica de Adie
Baixa de acuidade visual aguda II 22
Lesão do gânglio ciliar → fibras parassimpáticas pós-ganglionares.
Características
Midríase (pupila grande)
Não reage à luz ou reage muito pouco
Reage melhor à acomodação (“dissociação luz-perto”)
Contrações vermiformes da íris (movimentos serpenteantes ao microscópio)
Geralmente unilateral, mulheres jovens
Paralisia de nervos
III PAR (Oculomotor)
Faz: movimentos oculares (exceto SO e LR), elevação da pálpebra e CONSTRIÇÃO PUPILAR.
Com o sem comprometimento pupilar
Lesão compressiva (tumor, aneurisma — principalmente ACOM)
Compromete a pupila → MIDRÍASE
Por quê?
→ As fibras pupilares ficam na periferia do nervo → primeira parte comprimida.
III COM PUPILA ACOMETIDA = ANEURISMA até provar o contrário.
Lesão isquêmica (DM, HAS — microangiopatia)
Poupa a pupila
Por quê?
→ Fibras pupilares têm irrigação própria pela pia-máter → resistem.
Quadro clínico:
Ptose importante (eleva a pálpebra)
Olho “para fora e para baixo” (restam SO e LR)
Diplopia
Vasoespasmos
IV PAR (Troclear)
Só movimenta obliquo superior → movimenta o olho para baixo e para dentro.
Baixa de acuidade visual aguda II 23
Achado clássico
Diplopia vertical
Paciente inclina a cabeça para o lado oposto para compensar.
Etiologia
O mais frágil dos nervos (fino, longo e decussa no dorso do mesencéfalo)
Causa mais comum: trauma (quedas, AVCs leves, acidentes)
VI PAR (Abducente)
Faz abdução (olho para fora).
Quadro
Paciente olha para o lado e o olho afetado não acompanha.
Diplopia horizontal.
Causas
Hipertensão intracraniana (é o primeiro a sofrer tração)
Diabetes
Tumores
Trauma
PARALISIA DO NERVO FACIAL (VII par)
Mais comum alteração de pares cranianos
O que causa na oftalmologia?
Incapacidade de fechar o olho (lagofitalmia)
Ao fechar o globo ocular o lado acometido da paralisia ainda fica levemente aberto
Ressecamento → ceratite de exposição
Úlcera de córnea
Etiologia
Baixa de acuidade visual aguda II 24
Paralisia de Bell (idiopática) — mais comum
Trauma
Herpes zoster oticus (Síndrome de Ramsay-Hunt)
Tumor de parótida
Conduta oftalmológica
Lubrificar intensamente (Hylo 6x/dia)
Gel espesso à noite + micropore para vedar
Evitar úlcera → prioridade!
Baixa de acuidade visual aguda II 25