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Sono e Doenças Neurodegenerativas: Impactos

CONTRIBUICAO

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Virgínia Moura
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Impactos das alterações no sono no desenvolvimento de doenças

neurodegenerativas

Impacts of sleep changes on the development of neurodegenerative diseases

Impactos de los cambios del sueño en el desarrollo de enfermedades


neurodegenerativas
DOI: 10.55905/revconv.18n.1-451

Originals received: 12/27/2024


Acceptance for publication: 01/22/2025

Maria Clara Batista Rodrigues


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Yure Tavares Gomes


Graduando em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Letícia de Souza Albuquerque


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Pâmela Guimarães Brito


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Elcias de Oliveira Lima


Graduando em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 1
Pâmela Késsia Pinheiro de Lima Silva
Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Analice Rodrigues Silva


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Isabele Maria da Silva


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Larissa Maria da Costa Fernandes


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Veronica Leonardo Bantim de Vasconcelos


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Tiane Lopes de Farias Sampaio


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Alexandra Mirella Maximino da Silva


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
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Maria Clara Pereira do Nascimento


Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
E-mail: [Link]@[Link]

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 2
Rackel de Boa Esperança Pereira de Amorim
Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
E-mail: [Link]@[Link]

RESUMO
Alterações no sono estão diretamente associadas ao desenvolvimento e à progressão de doenças
neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e Huntington, impactando negativamente a
qualidade de vida e acelerando processos patológicos. A relação entre o sono e essas condições
carece de estudos que integrem aspectos fisiológicos, patológicos e terapêuticos. Este estudo tem
como objetivo explorar essa relação bidirecional, identificar os mecanismos subjacentes e
destacar abordagens terapêuticas e preventivas para o manejo clínico. Foi realizada uma revisão
narrativa de literatura, incluindo estudos publicados entre 2015 e 2024, selecionados em bases
como PubMed, Scopus e Web of Science. Utilizaram-se descritores controlados e termos livres
relacionados ao sono, neurodegeneração e proteínas-chave, com critérios de inclusão baseados
em idiomas (inglês, português e espanhol) e rigor metodológico. Os resultados indicam que o
sono desempenha um papel essencial na regulação de ritmos circadianos, processos
neurofisiológicos e remoção de neurotoxinas pelo sistema glinfático. Alterações nesse equilíbrio
contribuem para o acúmulo de beta-amiloide e tau, comuns no Alzheimer, além de prejudicar a
neuroplasticidade. Conclui-se que os distúrbios do sono são tanto fatores de risco quanto
sintomas em doenças neurodegenerativas. A integração do manejo do sono aos tratamentos
convencionais e sua consideração como biomarcador precoce podem melhorar
significativamente o diagnóstico e a qualidade de vida dos pacientes. Estudos adicionais são
necessários para aprofundar os mecanismos e desenvolver intervenções eficazes.

Palavras-chave: sono, doenças neurodegenerativas, distúrbios, regulação, terapêuticas

ABSTRACT
Sleep disturbances are directly associated with the development and progression of
neurodegenerative diseases such as Alzheimer's, Parkinson's, and Huntington's, negatively
impacting quality of life and accelerating pathological processes. The relationship between sleep
and these conditions lacks studies that integrate physiological, pathological, and therapeutic
aspects. This study aims to explore this bidirectional relationship, identify underlying
mechanisms, and highlight therapeutic and preventive approaches for clinical management. A
narrative literature review was conducted, including studies published between 2015 and 2024,
selected from databases such as PubMed, Scopus, and Web of Science. Controlled descriptors
and free terms related to sleep, neurodegeneration, and key proteins were used, with inclusion
criteria based on language (English, Portuguese, and Spanish) and methodological rigor. The
results indicate that sleep plays a crucial role in regulating circadian rhythms, neurophysiological
processes, and the removal of neurotoxins via the glymphatic system. Disruptions in this balance
contribute to the accumulation of beta-amyloid and tau, common in Alzheimer's disease, and
impair neuroplasticity. It is concluded that sleep disorders are both risk factors and symptoms in
neurodegenerative diseases. Integrating sleep management into conventional treatments and
considering it as an early biomarker can significantly improve diagnosis and patients' quality of
life. Further studies are needed to deepen the understanding of mechanisms and develop effective
interventions.

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 3
Keywords: sleep, neurodegenerative diseases, disturbances, regulation, therapeutics

RESUMEN
Las alteraciones del sueño están directamente relacionadas con el desarrollo y la progresión de
enfermedades neurodegenerativas, como el Alzheimer, el Parkinson y la enfermedad de
Huntington, impactando negativamente la calidad de vida y acelerando los procesos patológicos.
La relación entre el sueño y estas condiciones carece de estudios que integren aspectos
fisiológicos, patológicos y terapéuticos. Este estudio tiene como objetivo explorar esta relación
bidireccional, identificar los mecanismos subyacentes y destacar estrategias terapéuticas y
preventivas para el manejo clínico. Se realizó una revisión narrativa de la literatura, incluyendo
estudios publicados entre 2015 y 2024, seleccionados en bases como PubMed, Scopus y Web of
Science. Se emplearon descriptores controlados y términos libres relacionados con el sueño, la
neurodegeneración y proteínas clave, con criterios de inclusión basados en idiomas (inglés,
portugués y español) y rigor metodológico. Los resultados muestran que el sueño tiene un papel
esencial en la regulación de ritmos circadianos, procesos neurofisiológicos y la eliminación de
neurotoxinas a través del sistema glimfático. Alteraciones en este equilibrio favorecen la
acumulación de beta-amiloide y tau, características del Alzheimer, además de perjudicar la
neuroplasticidad. Se concluye que los trastornos del sueño son tanto factores de riesgo como
síntomas en enfermedades neurodegenerativas. La integración del manejo del sueño en los
tratamientos convencionales y su consideración como biomarcador temprano pueden mejorar
significativamente el diagnóstico y la calidad de vida de los pacientes. Son necesarios estudios
adicionales para profundizar en los mecanismos implicados y desarrollar intervenciones eficaces.

Palabras clave: sueño, enfermedades neurodegenerativas, trastornos, regulación, terapêuticas.

1 INTRODUÇÃO

O sono desempenha um papel fundamental na regulação da saúde cerebral, sendo


essencial para a manutenção dos ritmos circadianos e para a consolidação de processos
neurofisiológicos. No entanto, interrupções nos ciclos de sono e nos ritmos circadianos são
características comuns em doenças neurodegenerativas, ocorrendo em múltiplos níveis. Estudos
recentes destacam uma relação bidirecional entre essas alterações e o desenvolvimento dessas
condições, sugerindo que tanto os distúrbios do sono contribuem para a progressão das
neuropatologias quanto as doenças afetam negativamente a qualidade do sono (Shen et al., 2023).
Pacientes com doenças neurodegenerativas frequentemente relatam queixas de sono,
como insônia e sonolência diurna excessiva, sintomas que comprometem a qualidade de vida e
podem exacerbar os déficits neurológicos. Evidências sugerem que a melhora na qualidade do
sono pode refletir diretamente na mitigação dos sintomas clínicos dessas condições. Além disso,

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 4
o sono interrompido não apenas acelera a progressão de doenças como Alzheimer e Parkinson,
mas também desempenha um papel central em sua patogênese (Malhotra, 2022).
No caso específico da doença de Alzheimer (DA), observa-se uma interação dinâmica
entre as alterações do sono e os mecanismos neuropatológicos. A privação de sono aumenta a
produção e reduz a depuração de amiloide-β (Aβ) e proteína tau, proteínas relacionadas à
formação das placas senis e dos emaranhados neurofibrilares característicos da doença. Diante
desse contexto, torna-se evidente a relevância de compreender os mecanismos que ligam o sono
às doenças neurodegenerativas. Essa relação bidirecional, somada ao impacto significativo dos
distúrbios do sono na progressão e sintomatologia dessas condições, reforça a necessidade de
estratégias clínicas e preventivas voltadas para o manejo do sono como um potencial alvo
terapêutico.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 ASPECTOS FISIOLÓGICO DO SONO

2.1.1 Arquitectura e Fases do Sono REM e NREM

O sono é dividido em duas fases principais: o sono de movimento rápido dos olhos (REM)
e o sono de movimento não rápido dos olhos (NREM). Durante a noite, os indivíduos alternam
entre essas fases, um processo controlado pela inibição recíproca de neurônios monoaminérgicos
e colinérgicos (Feriante e Araujo, 2024). No sono REM, os neurônios colinérgicos estão muito
ativos, enquanto a atividade dos neurônios adrenérgicos e serotoninérgicos diminui, resultando
em diferentes níveis de vigília ao longo do sono (Feriante e Araujo, 2024).
A arquitetura do sono é influenciada por dois processos distintos: o processo S, ou
"impulso homeostático do sono", que aumenta com o tempo acordado, e o processo C, que se
refere ao ritmo circadiano. O processo C ajuda a regular os ciclos de sono e vigília, promovendo
o sono à noite e a vigília durante o dia. Esse impulso atinge seu pico durante o dia e diminui ao
se aproximar da hora de dormir, facilitando a consolidação do sono (Yun Shen et al.,2023).
Os ritmos circadianos são variações fisiológicas e comportamentais que ocorrem em
diferentes níveis do organismo, desde a expressão genética até a coordenação entre órgãos. Esses

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 5
ritmos são regulados internamente e mantêm um ciclo de aproximadamente 24 horas, mesmo na
ausência de sinalizações externas (Yun Shen et al., 2023).

2.1.2 Regulação neurofisiológica do sono: Papel dos núcleos hipotalâmicos e do sistema


reticular

O subcórtex (tálamo) e tronco cerebral (formação reticular) são essenciais para o controle
do ritmo circadiano mostrando uma rica conexão com o córtex cerebral recebendo e
influenciando-se em duplicidade via sistema reticular ascendente e descendente. Em termos
gerais, as fibras do sistema reticular ascendente (ativador) tomam uma direção superior passando
pelo tálamo, núcleo caudado, hipocampo e neocórtex que ativa o córtex e regula os estados de
atividade cortical, por outro lado, as fibras reticulares descendentes [inibidor] tomam caminho
reverso e modulam o estado de vigília; ambos formam um único sistema funcional autorregulador
(Castro et al., 2021).
Para um ótimo estado cortical o cérebro precisa de energia que é obtida por estímulos da
fome controlada pelo diencéfalo (hipotálamo) via ativação hormonal, de acordo com a atividade
cerebral evocada, quanto maior a energia exigida pelo córtex cerebral, maior será o estímulo da
fome, que ocorrerá mais forte em estados de vigília prolongada, como consequência da análise
dos sistemas reticulares evidenciando que o controle da energia para a atividade cortical
é derivada de ativação/desativação metabólica (Castro et al., 2021)

2.1.3 Sono e limpeza cerebral: Sistema glinfático

O sistema glinfático é a via de eliminação de resíduos neurotóxicos do sistema nervoso


central constituída do líquido cefalorraquidiano (LCR) (Jessen et al., 2015). Durante o sono a
atividade neuronal diminui, e, consequentemente, a necessidade de suporte de oxigênio mediada
pelo sangue também reduz. Isso faz reduzir a pressão naquele local, levando a um aumento
compensatório do fluxo cefalorraquidiano para aquela área. Assim, o sono contribui para a
purificação cerebral (Reiter et al., 2023).

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 6
2.2 MECANISMOS DE ALTERAÇÃO DO SONO

2.2.1 Fatores intrínsecos

Destaca-se, primeiramente, a contribuição dos fatores intrínsecos, ou seja, elementos


próprios e internos de um organismo, com as alterações no sono. Mulheres com idades avançadas
são mais suscetíveis a possuírem alterações do sono (Gajardo et al., 2021). Em contrapartida, no
contexto da pandemia de COVID-19, crianças e adolescentes surgem, junto aos pacientes em
isolamento, como os principais grupos afetados (Jahrami et al., 2022).
Outrossim, alterações do sono também podem estar relacionadas com fatores genéticos.
Essa relação é notória em estudos genéticos acerca das categorias de distúrbios do sono, a
exemplo da narcolepsia tipo 1, na qual foram identificados 16 genes associados com a doença,
além de aproximadamente 10 alelos HLA (Zou et al., 2024). No caso da insônia, estudos recentes
que indicaram a hereditariedade em 4 de cada 10 casos, além de alta associação desse quadro
com polimorfismos genéticos (Zou et al., 2024).
Ainda como um fator intrínseco de alterações no sono, é importante salientar a função do
metabolismo nesse processo, visto que disfunções metabólicas têm a capacidade de afetar a
homeostase do sono no organismo, assim como distúrbios no sono podem impactar em
disfunções metabólicas (Duan et al., 2022).

2.2.2 Fatores extrínsecos

Fatores extrínsecos dizem respeito aos fatores externos ao indivíduo e que podem afetar
a qualidade e a duração do sono. Tabagistas, usuários excessivos de bebidas alcoólicas e
sedentários mostraram ser os mais afetados pelos distúrbios do sono. A associação do tabaco com
a dificuldade para dormir pode ser explicada pelo efeito da nicotina, uma substância que estimula
a liberação de neurotransmissores (dopamina e serotonina), resultando em sono perturbado
(Gajardo et al., 2021), podendo prolongar o início do sono, fragmentá-lo ou reduzir a duração
total das suas fases, sendo que fumantes podem apresentar 47% a mais de chances de desenvolver
distúrbios do sono (Amiri et al., 2020). O álcool, por sua vez, é uma substância depressora do
Sistema Nervoso Central, mas que, em uso excessivo, possui efeito estimulante, ocasionando um

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 7
desequilíbrio entre os sonos REM e NREM. Nesse caso, o sono REM, essencial para a
consolidação da memória e a recuperação cerebral, é suprimido, o que gera despertares mais
frequentes e menor eficiência do sono (Reid-Varley et al., 2020).
O estresse associado ao ambiente de trabalho também é reconhecido como influenciador
da qualidade do sono. Profissionais submetidos a altas demandas laborais, como enfermeiros
hospitalares, amiúde apresentam má qualidade do sono (Silva et al., 2022). Uma hipótese para
isso seria o aumento dos níveis séricos do cortisol, hormônio que mantém o indivíduo em estado
de alerta e ativo (Santos et al., 2020).
Indivíduos fisicamente ativos possuem melhor qualidade do sono quando comparados aos
sedentários (Gajardo et al., 2021). Praticar exercícios intensos antes de dormir prejudica o sono
devido ao aumento da excitação, enquanto que realizá-los durante o dia melhora o sono NREM,
ligado à recuperação física e a regulação metabólica (Luong et al., 2023).

2.2.3 Disfunções específicas do sono

As disfunções específicas do sono referem-se às condições que comprometem a eficiência


do descanso, afetando tanto a quantidade quanto a qualidade do sono e resulta no desalinhamento
contínuo do ciclo de sono-vigília (Jaqua et al., 2023).
Dentre as principais patologias, destacam-se a insônia, caracterizada pela incapacidade
de iniciar ou conservar o sono, sendo um dos preditores da Doença de Alzheimer (Gonzales et
al., 2024). Além disso, revela-se prejudicial ao desempenho cognitivo, afetando especialmente
habilidades relacionadas a funções cognitivas superiores, como a memória de trabalho e a
capacidade de mudar de foco (Rezende et al., 2024). A fragmentação do sono está associada ao
hiato repetitivo do ciclo de sono, comprometendo sua continuidade e eficiência, o que impede os
processos de recuperação física e da memória. A referida dessincronização circadiana é um dos
efeitos da ansiedade em adultos (David et al., 2022).
Há, também, a narcolepsia, um distúrbio do sistema nervoso central, frequentemente
associado a sonolência diurna excessiva, alucinações e fragmentação do sono, sendo mais
comum na adolescência e em mulheres na menopausa (Coelho et al., 2024). A Apneia Obstrutiva
do Sono (AOS) é causada pelo fechamento contínuo das vias aéreas superiores durante o período
sono, e, devido às constantes interrupções do sono, deprime tanto a qualidade quanto a duração

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 8
do sono e, consequentemente, pode estar associada à sonolência diurna e à vigilância psicomotora
prejudicada (Argel et al., 2023).

2.3 MECANISMOS PATOLÓGICOS ASSOCIADOS

2.3.1 Inflamação crônica e sono

Algumas moléculas inflamatórias produzidas no cérebro têm o papel de induzir o sono.


Assim, o aumento do tempo de vigília induz o aumento das moléculas inflamatórias. Desse modo,
distúrbios do sono que aumentam a vigília, como a insônia, leva a uma desregulação dos
processos inflamatórios. A privação de sono promove a produção de citocinas pró-inflamatórias,
sendo a interleucina - 1β e o fator de necrose tumoral alfa (TNF- a) as mais investigadas nesse
contexto, apesar de haver relatos de muitas outras.
A restrição crônica do sono ou a privação do sono aumenta os valores de IL- 1 em várias
partes do cérebro. As citocinas pró-inflamatórias supracitadas, como IL-1β e TNF-α, bem como
a adenosina que tem também aumento dos seus níveis na privação do sono, são vasodilatadores
cerebrais. Paradoxalmente a administração crônica de IL-1β promove a redução do fluxo
sanguíneo cerebral (Zielinski et al.,2022).

2.3.2 Estresse Oxidativo e alterações no sono

O estresse oxidativo é uma condição em que há disparidade entre a formação e a supressão


de espécies reativas de oxigênio provenientes do metabolismo. Essa condição pode ser resultante
da privação ou da má qualidade do sono (Lei et al., 2023). Ao investigar a qualidade do sono e
as implicações sobre o estresse oxidativo, fatores como idade elevada, privação de sono,
consumo de cafeína e similares, a falta de um estilo de vida e uma dieta com alimentos contendo
propriedades antioxidantes foram observados como causas de alterações no sono e aumento do
estresse oxidativo no organismo (Lei et al., 2023). A privação do sono por períodos prolongados
reduz a atividade antioxidante do sistema imunológico, desencadeando o aumento do nível de
espécies reativas de oxigênio no organismo, o que é fator de risco para o agravamento de
neuroinflamação, piora do quadro de acidente vascular cerebral (Bishir et al., 2020).

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 9
2.3.3 Papel das citocinas e microglia ativada

A ativação excessiva da microglia leva à liberação de citocinas pró-inflamatórias e outras


substâncias que induzem neuroinflamação. A inflamação crônica no cérebro pode causar danos
aos neurônios e, com o tempo, contribuir para a degeneração neuronal, um dos principais
processos observados em doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson (Gao et
al.,2023). A administração de melatonina, um hormônio regulador do sono, demonstrou ser
eficaz na redução dos níveis de citocinas pró-inflamatórias. A melatonina age bloqueando canais
de cálcio (Ca²⁺), o que diminui a liberação de glutamato e resulta na supressão dos receptores
NMDA. Isso destaca a importância do sono na modulação das respostas inflamatórias e na
progressão de condições patológicas (Bishir et al.,2020).

2.3.4 A influência do LCR para as doenças neurodegenerativas

Foi visto que algumas doenças degenerativas apresentam histologicamente acúmulo de


alguns produtos, como na doença Alzheimer em que é conhecido o acúmulo de beta amilóide
(Wang et al., 2020). Durante períodos de vigília o sistema glifático tem sua atividade bastante
reduzida, consequentemente o processo de expulsão dos produtos neurotóxicos também é
diminuído. (Jessen et al., 2015).

2.3.5 Conexões entre privação de sono e neuroplasticidade

A privação do sono, a redução do sono REM ou distúrbios do sono pode interromper


processos essenciais de neuroplasticidade, prejudicando a consolidação da memória e afetando a
cognição e o controle motor durante a vigília (Pickersgill et al., 2022). Estudos em camundongos
privados de sono demonstraram que esse fator compromete a ativação de proteínas-chave, como
a proteína de resposta ao monofosfato de adenosina cíclico (AMPc), que é crucial para a ativação
de genes responsáveis pela memória e plasticidade neuronal. Além disso, as vias de sinalização
do mTOR, essenciais para a formação de novas conexões neurais e o aprendizado, também são
afetadas (Weerasinghe-Mudiyanselage; Moon, 2024). Esses achados destacam a importância de
um sono adequado para a manutenção da plasticidade cerebral e a função cognitiva, evidenciando

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 10
que a interrupção do sono pode ter impactos significativos na memória e na adaptação neural.

2.4 RELAÇÃO ENTRE O SONO E DOENÇAS NEURODEGENERATIVAS

2.4.1 Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer é provocada pelo acúmulo da proteína beta-amilóide no cérebro


(Wang et al., 2020). O acúmulo de beta-amilóide reduz a eficiência do sono e provoca distúrbios
relacionados a ele, como diminuição da duração e aumento da vigília. Além disso, a proteína tau,
que desempenha o papel de estabilizar os microtúbulos em axónios, tem sua atividade controlada
pela fosforilação. No entanto, quando ocorre hiperfosforilação, essa proteína se agrega dentro
das células, resultando na acumulação dela, outra característica de Alzheimer (Wang et al.,
2020). Um estudo de Musiek e Holtzman (2015) concluiu que as altas taxas de beta-amilóide no
organismo desencadeiam a acumulação da proteína tau.

2.4.2 Doença de Parkinson

Existem alguns distúrbios do sono que são comuns na Doença de Parkinson (DP) e que
alteram a qualidade de vida do paciente, visto que, segundo estudos, 80% dos pacientes com DP
apresentam esses sintomas, causados pela neurodegeneração dos locais de controle do sono
presentes no tronco cerebral e no diencéfalo.
Um exemplo de disfunção no ciclo sono-vigília em pessoas com DP é a insônia,
caracterizada pela dificuldade de iniciar o sono e permanecer nele, acometendo até 81% dos
pacientes e sendo um dos primeiros sintomas da DP (Zuzuárregui; During, 2020). Alguns
sintomas da DP colaboram para a insônia, sendo eles motores, como tremor, distonia, inquietação
e acinesia, e não motores, como noctúria e problemas de humor, que fazem o paciente acordar
várias vezes durante a noite.
Outros distúrbios do sono observados são: a Síndrome das Pernas Inquietas, a sonolência
diurna excessiva, o transtorno comportamental do sono REM e a apneia obstrutiva do sono
(Zuzuárregui; During, 2020).

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 11
2.4.3 Esclerose Lateral Amiotrófica

Na Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a hipoventilação noturna observada em


pacientes acometidos por essa doença é capaz de agravar o estado geral deles, uma vez que a
hipercapnia (acúmulo de dióxido de carbono no sangue) derivada dessa ventilação deficitária
acarreta sonolência diurna excessiva, cefaleia matinal e dispneia. (Boentert et al., 2020).
Além disso, os despertares por movimentos musculares involuntários, dores,
espasticidade, bem como uma possível insônia decorrente de depressão ou ansiedade em
pacientes nesse quadro, impedem a composição correta do sono e, consequentemente, a
recuperação física e mental característica dele (Boentert et al., 2019).
Por fim, a fragmentação do sono ainda é possivelmente responsável por evoluir o quadro
ao contribuir com a neurotoxicidade, uma vez que o comprometimento do sono profundo
relacionado ao sistema glinfático, associa-se a um acúmulo de compostos, como o glutamato, no
Sistema Nervoso Central, que, por conseguinte, estimula o dano neuronal observado na Esclerose
Lateral Amiotrófica (Liu et al., 2024)

2.4.4 Demência frontotemporal

A demência frontotemporal (FTD) é uma doença neurodegenerativa caracterizada pelo


declínio sucessivo do comportamento e da linguagem, acometendo, principalmente, pacientes
com menos de 65 anos e é dividida em três tipos: demência variante comportamental, afasia
progressiva primária não fluente e a afasia progressiva primária variante semântica (Puppala et
al., 2021). A relação do sono com a demência frontotemporal ainda não foi bem estudada, embora
haja relatos de pacientes com FTD que apresentam sintomas como sonolência excessiva e
insônia, já que há impacto no hipotálamo e no prosencéfalo basal (Sani et al., 2019).

2.4.5 Atrofia de múltiplos sistemas

A atrofia de múltiplos sistemas é um problema de saúde neurodegenerativo com


incidência baixa na população, mas com letalidade elevada. Além disso, é caracterizada pela
associação de doença de Parkinson e problemas no cerebelo e sistema nervoso autônomo. O

Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 12
principal marcador dessa patologia é a agregação de alfa-sinucleína em oligodendrócitos
(Meissner et al., 2019). Essa condição pode se desenvolver a partir dos 60 anos, com uma
expectativa de vida de mais cerca de 6 a 10 anos para o indivíduo após as manifestações clínicas
(Lee et al., 2019). Dentre os principais sintomas estão perturbações do sono como redução e
interrupções, sonolência durante o dia, problemas no sono REM e a apnéia central do sono
(Pacheco et al., 2019). Além disso, ocorre dificuldade na deglutição, na fala, quedas frequentes
e uma salivação excessiva (Magela et al., 2016).

2.5 IMPACTOS CLÍNICOS E DIAGNÓSTICOS

2.5.1 Avaliação de distúrbios do sono em pacientes com doenças neurodegenerativas

Cerca de 25%-58% dos indivíduos com a doença de Parkinson apresentam Transtorno


Comportamental do Sono REM (Michele T. Hu, 2020). Além disso, relaciona-se a doença de
Parkinson e os distúrbios do sono com a futura conversão da DP em demência (Shenker, 2017).
Apesar de não comumente associada a distúrbio do sono, a doença de Huntington
apresenta notória presença deste problema. Nesse tocante, o desequilíbrio é observado no ritmo
circadiano e na secreção de melatonina (Saade-Lemus, 2023).
De maneira oposta, a doença de Alzheimer é historicamente associada aos distúrbios do
sono, de tal forma que se evidencia uma relação bidirecional entre o sono e DA (Steele, T.A. et
al., 2021). Nesse contexto, tanto pacientes com essa doença neurodegenerativa possuem
comumente distúrbios do sono, quanto indivíduos com predisposição a patologia e distúrbios do
sono tendem a desenvolver DA. (Pase MP et al., 2017).

2.5.2 Importância da polissonografia e de escalas subjetivas

A polissonografia é o método padrão amplamente utilizado para diagnosticar os


distúrbios e as fases do sono, caracterizando os seus estágios conforme as normas internacionais
de Rechtschaffen & Kales e apresentando como resultados: Tempo total de sono, eficiência do
sono, latência para o início do sono REM, do NREM e dos seus estágios, quantidade e índice das
apneias e hipopneias, movimento dos membros inferiores, quantitativo de saturação e eventos de

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dessaturação, eventos de micro-despertares, ritmo e frequência cardíaca (Schyvens et al., 2024).
Devido desvantagens como a invasividade e o desconforto, foram desenvolvidas ferramentas, a
exemplo da polissonografia portátil e dos dispositivos vestíveis (wearables), que fazem o rastreio
do sono de forma mais confortável e acessível (Schyvens et al., 2024).
Na prática clínica, ou até mesmo em protocolos de pesquisas, são utilizadas ferramentas
de escalas subjetivas que buscam, por meio de uma padronização, diferenciar as pessoas que
possuem um sono qualificado de pessoas com disfunções durante o sono (Carvalho et al., 2020).
A Escala de sonolência de Epworth é um instrumento de autoavaliação que manifesta a tendência
do indivíduo dormir durante o dia, possuindo oito perguntas que devem ser respondidas com um
número de zero a três, sendo que quanto maior for o número maior será a probabilidade de o
indivíduo cochilar (Carvalho et al., 2020).
Já o Índice de qualidade de sono de Pittsburg (PSQI) é um questionário composto por 19
questionamentos, abordando componentes como a qualidade subjetiva e alterações do sono, e
que serão respondidos sob forma de autorrelato pelo indivíduo. A pontuação varia de zero,
representando a ausência de dificuldade para dormir, até três, demonstrando uma dificuldade
elevada, sendo que resultados com números maiores são um indicativo de um sono de baixa
qualidade (Carvalho et al., 2020).

2.5.3 Sono como biomarcador precoce para neurodegeneração

Na prática, são utilizados marcadores somnológicos que podem indicar essas patologias
neurológicas, sendo os principais: Transtorno de Comportamento REM (DCR), movimentos
periódicos dos membros, fragmentação do sono e a perda do sono em ondas lentas (PSOL)
(Barbosa, 2016).
O DCR é o principal indicativo pré-clínico das α-sinucleinopatias, visto que é evidenciado
em períodos anteriores à Doença de Parkinson (DP), à Demência dos corpos de Lewy (DCL) e à
atrofia de múltiplos sistemas, sendo, logo, uma interferência degenerativa precoce na α-
sinucleína que afeta as vias neuronais que regulam o sono REM (Husain, 2021).
A sonolência diurna excessiva (SDE) e a síndrome da apneia/hipopneia obstrutiva do
sono são fortes indicadores que antecedem e permanecem em pacientes que desenvolvem a
Doença de Parkinson (Barbosa, 2016).

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Investigações científicas apontaram que a perturbação do sono não-REM (NREM) ao
longo do processo de envelhecimento é um possível indicativo que precede o diagnóstico da
doença de Alzheimer (Husain, 2021).

2.6 ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS E DE PREVENÇÃO

2.6.1 Intervenções Farmacológicas

[Link] A relevância dos Zeitgebers na elaboração de intervenções terapêuticas para distúrbios


do sono

A tecnologia tem influência direta no ciclo circadiano, assim como a alimentação,


horários de trabalho, exercícios físicos e a exposição à luz, tanto solar quanto de telas dos
dispositivos eletrônicos, esses fatores são chamados de zeitgebers ou doadores de tempo (Steele
et al.,2021). Os zeitgebers são de fundamental importância para a compreensão de estratégias e
de intervenções terapêuticas àqueles que sofrem de algum distúrbio do sono.

[Link] Melatonina

A melatonina de uma molécula lipofílica, a qual tem sua produção aumentada cerca de 2
horas antes do indivíduo dormir, sendo produzida pela glândula pineal e possuindo a função de
regulação do relógio endógeno ao fotoperíodo,isto é, efeito cronobiótico (Bueno et al., 2021).
A revisão da melatonina exógena como tratamento para distúrbios secundários do sono
sugeriu que a melatonina exógena melhora a qualidade do sono, reduz a latência de início e
aumenta o tempo total de sono (Bueno et al., 2021).

[Link] Medicamentos hipnóticos

Os fármacos hipnóticos são aqueles que aumentam a sonolência, estimulando o início e a


manutenção do estado de sono. Entretanto, cada fármaco diverge na relação entre a dose e o grau
de depressão do Sistema Nervoso Central (Katzung, 2022).

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Os fármacos atuantes no sistema GABAérgico, como os Benzodiazepínicos, os
Barbitúricos e o Zolpidem, atuam se ligando aos receptores do canal GABA.

2.6.2 Terapias Comportamentais

[Link] Cronoterapia

A cronoterapia tem como objetivo restabelecer o ritmo circadiano ideal, por meio de
práticas adequadas de higiene do sono, exposição controlada à luz e a utilização de fármacos
cronobióticos, como a melatonina (Cardinali; Brown; Perumal, 2021). A exposição à luz e a
utilização de melatonina possuem uma especificidade, tanto de dosagem quanto em relação ao
período do dia em que devem ser administrados, estando seus efeitos clínicos conforme as curvas
de resposta de fase (PRCs).
Assim, dependendo desses fatores, cronoterapias podem ter um avanço de fase, um atraso
ou nenhum efeito. Normalmente, se administrada a cronoterapia de luz pela manhã, haverá um
avanço de fase, mas se administrada à noite, poderá ocorrer um efeito de atraso de fase. Em
relação ao tratamento com melatonina: o uso ao final da tarde ou à noite gera um avanço de fase,
porém se for pela manhã, haverá atraso do ciclo circadiano (Steele et al., 2021).

[Link] Higiene do sono

A higiene do sono pode ser realizada por meio da modificação dos comportamentos e
hábitos relacionados ao sono. As orientações para aprimorar a qualidade do sono incluem a
realização de pelo menos 7 horas de descanso, a manutenção de horários consistentes de sono e
vigília, o estabelecimento de uma rotina regular para o momento de dormir, a prática de
atividades físicas frequentes e evitar a exposição à luz em períodos noturnos.
Adicionalmente, deve-se evitar o consumo de cafeína pelo menos 8 horas antes de dormir,
visto que está associada a um sono fragmentado e de baixa qualidade. Essas práticas de higiene
do sono promovem qualidade e duração do sono, com consequentes benefícios à saúde
(Baranwal; Phoebe; Siegel, 2023).

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[Link] Hábitos de exposição à luz e aos alimentos

É importante evitar a exposição noturna à luz pois essa exposição afeta a produção de
melatonina (Silva et al., 2022).
A ingestão de cafeína é prejudicial ao sono pois essa substância prejudica o início e a
manutenção do sono subsequente, uma vez que age como antagonista dos receptores de
Adenosina, fato que afeta a rota de transmissão GABAérgica (Gardiner et al., 2023).

2.6.3 Papel da estimulação cognitiva e exercícios físicos na qualidade do sono

Calculou-se que cerca de 3% de todos os casos de demência poderiam ser prevenidos


através do aumento dos níveis de atividade física (Dominguez , 2021). Segundo Altunalan et al.
(2024), existe uma relação bidirecional entre sono e atividade física, o que significa que a
atividade física afeta os resultados do sono ou vice-versa. Há evidências de que a atividade física
de baixa a moderada intensidade melhora os parâmetros objetivos e subjetivos do sono, embora
algumas publicações sugiram o contrário. A atividade física pode melhorar os resultados do sono
induzindo a psicofisiologia do estresse e aumentando a atividade simpática, a frequência
cardíaca, os níveis de cortisol e a temperatura corporal central. A inatividade física e o sono ruim
estão entre os maiores fatores de risco de estilo de vida para o declínio cognitivo. (Sewell et al.,
2021)

2.6.4 Impacto da gestão do sono na progressão da neurodegeneração

Anteriormente, o comprometimento neurocomportamental após a perda de sono era


considerado uma ocorrência facilmente reversível, normalizada após o sono de recuperação.
Estudos clínicos recentes sugerem que o sono curto crônico e a interrupção do sono podem ser
fatores de risco para neurodegeneração. Agora entendemos que períodos repetidos de vigília
prolongada durante o período típico de sono e/ou fragmentação do sono podem ter efeitos
duradouros na neurogênese e em populações selecionadas de neurônios e glia (Owen et al.,
2020).
Estudos epidemiológicos em humanos sugerem que a interrupção do sono e o sono curto

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crônico podem ser fatores de risco para distúrbios neurodegenerativos, incluindo a doença de
Alzheimer (DA), o distúrbio neurodegenerativo mais comum (Lutsey et al., 2018).

3 METODOLOGIA

A metodologia deste estudo consiste em uma revisão de literatura narrativa que busca
analisar estudos relevantes sobre a influência das alterações no sono no desenvolvimento de
doenças neurodegenerativas, com o objetivo de identificar padrões, mecanismos e implicações
clínicas.
Para a estratégia de busca, as pesquisas serão realizadas em bases de dados científicas
amplamente reconhecidas, como PubMed/Medline, Scopus, Web of Science. Serão utilizados
descritores controlados (MeSH Terms) e palavras-chave livres, combinando conceitos
relacionados ao sono e doenças neurodegenerativas. Alguns exemplos de combinações de termos
incluem "Sleep disturbances" OR "sleep disorders", "Neurodegenerative diseases" OR
"Alzheimer's disease" OR "Parkinson's disease", "Amyloid-beta" AND "tau proteins" AND
"sleep", "REM sleep" OR "NREM sleep" AND "neurodegeneration" e "Circadian rhythm" AND
"inflammation". Operadores booleanos como AND, OR e NOT serão utilizados para restringir
ou ampliar os resultados e excluir termos irrelevantes

3.1 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

Para escolher quais conteúdos serão utilizados para análise de sua literatura servirá como
justificativa para seleção os seguintes critérios:
a) artigos originais, revisões sistemáticas e meta-análises;
b) estudos publicados nos últimos 9 anos. (2015 - 2024);
c) idiomas: inglês, português e espanhol.

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3.2 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO

Para escolher quais conteúdos não serão utilizados para análise de sua literatura servirá
como justificativa para exclusão os seguintes critérios:
a) trabalhos com amostras muito pequenas ou sem rigor metodológico;
b) literatura cinzenta (teses, dissertações e relatórios não publicados).

3.3 ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO DO ARTIGO

O processo de seleção dos estudos será realizado em quatro etapas. Na primeira, os


resultados serão importados para um software de gerenciamento de referências, como Mendeley
ou Zotero, e as duplicatas serão eliminadas. Na segunda etapa, será feita uma triagem inicial,
com a leitura de títulos e resumos para identificar a relevância dos artigos. Em seguida, na
avaliação de elegibilidade, os artigos selecionados serão lidos integralmente para verificar seu
alinhamento com os critérios de inclusão. Na etapa final, os artigos mais relevantes serão
selecionados para compor a revisão.
Entre as limitações da metodologia, destaca-se a restrição a publicações em determinados
idiomas e bases de dados, o que pode resultar na exclusão de estudos relevantes. Além disso, o
potencial viés de seleção, decorrente do uso de critérios subjetivos para a inclusão de artigos,
também pode ser uma limitação.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A revisão de literatura destaca a relação intrincada e bidirecional entre distúrbios do sono


e doenças neurodegenerativas, evidenciando o papel crucial do sono na saúde cerebral. O estudo
identificou que o sono é essencial para a regulação dos ritmos circadianos, que são responsáveis
pela coordenação de processos fisiológicos cruciais no organismo. O desequilíbrio nos ritmos
circadianos, frequentemente observado em doenças neurodegenerativas, como a doença de
Alzheimer e o Parkinson, contribui diretamente para a aceleração da progressão dessas
condições. Esse achado reforça a noção de que os distúrbios do sono não são meramente um
reflexo do estado de saúde cerebral, mas também um fator que pode influenciar de forma

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significativa a evolução dessas doenças.
Além disso, o estudo sublinhou a importância do sono nos processos neurofisiológicos,
particularmente no funcionamento do sistema glinfático, que tem como função a remoção de
neurotoxinas acumuladas no cérebro durante o dia. A evidência de que a privação do sono
prejudica essa função essencial do sistema glinfático revela que a interrupção do sono favorece
o acúmulo de substâncias tóxicas, como as proteínas beta-amiloide e tau, características de
doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer. Esse acúmulo de neurotoxinas não só
contribui para a deterioração das funções cognitivas, mas também intensifica os danos causados
pela neurodegeneração, estabelecendo uma relação estreita entre os distúrbios do sono e a
progressão das doenças neurodegenerativas.
Outro aspecto crítico abordado pelos resultados da revisão foi o impacto do sono na
neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de adaptar-se e formar novas conexões neurais, o que
é essencial para a manutenção da função cerebral em condições de lesão ou degeneração.
A privação do sono prejudica esses mecanismos adaptativos, tornando o cérebro menos
capaz de reparar danos causados pelas doenças neurodegenerativas. Isso sugere que o sono
desempenha um papel vital não apenas na preservação da saúde cerebral, mas também na
promoção da neuroplasticidade, o que é crucial para o controle da progressão das doenças
neurodegenerativas.

5 CONCLUSÃO

A revisão conclui que os distúrbios do sono desempenham um papel crucial tanto como
fatores de risco quanto como sintomas em várias doenças neurodegenerativas. A relação
complexa e interligada entre o sono e essas condições exige uma abordagem holística no manejo
clínico, que reconheça o sono não apenas como reflexo da saúde cerebral, mas também como um
elemento vital no tratamento e prevenção dessas doenças. Assim, integrar o manejo do sono aos
tratamentos convencionais para doenças neurodegenerativas é essencial para otimizar os
resultados clínicos. O tratamento dos distúrbios do sono não deve ser visto como uma intervenção
acessória, mas como uma parte fundamental de uma estratégia terapêutica abrangente.
Além disso, os distúrbios do sono podem servir como biomarcadores precoces para
doenças neurodegenerativas. O monitoramento cuidadoso dos padrões de sono permite uma

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detecção precoce dessas condições, o que possibilita intervenções mais rápidas, com potencial
para retardar ou até mesmo reduzir a progressão das doenças.
No entanto, para uma compreensão mais profunda dos mecanismos que ligam o sono à
neurodegeneração, mais pesquisas são necessárias. É fundamental investigar as vias moleculares
e celulares envolvidas, bem como explorar intervenções eficazes para prevenir ou mitigar os
distúrbios do sono nessas doenças. A exploração mais detalhada dos diversos distúrbios do sono
e sua relação com doenças neurodegenerativas específicas permitirá a criação de estratégias de
tratamento mais direcionadas e eficazes.
Assim, os resultados da revisão destacam a importância de uma integração mais eficaz
entre o manejo do sono e as abordagens terapêuticas convencionais, visando à melhoria dos
resultados clínicos e ao desenvolvimento de intervenções mais precoces e eficazes.

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