Sono e Doenças Neurodegenerativas: Impactos
Sono e Doenças Neurodegenerativas: Impactos
neurodegenerativas
Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 1
Pâmela Késsia Pinheiro de Lima Silva
Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
E-mail: [Link]@[Link]
Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.1, p. 01-27, 2025 2
Rackel de Boa Esperança Pereira de Amorim
Graduanda em Medicina
Instituição: Universidade Federal do Cariri
Endereço: Barbalha – Ceará, Brasil
E-mail: [Link]@[Link]
RESUMO
Alterações no sono estão diretamente associadas ao desenvolvimento e à progressão de doenças
neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e Huntington, impactando negativamente a
qualidade de vida e acelerando processos patológicos. A relação entre o sono e essas condições
carece de estudos que integrem aspectos fisiológicos, patológicos e terapêuticos. Este estudo tem
como objetivo explorar essa relação bidirecional, identificar os mecanismos subjacentes e
destacar abordagens terapêuticas e preventivas para o manejo clínico. Foi realizada uma revisão
narrativa de literatura, incluindo estudos publicados entre 2015 e 2024, selecionados em bases
como PubMed, Scopus e Web of Science. Utilizaram-se descritores controlados e termos livres
relacionados ao sono, neurodegeneração e proteínas-chave, com critérios de inclusão baseados
em idiomas (inglês, português e espanhol) e rigor metodológico. Os resultados indicam que o
sono desempenha um papel essencial na regulação de ritmos circadianos, processos
neurofisiológicos e remoção de neurotoxinas pelo sistema glinfático. Alterações nesse equilíbrio
contribuem para o acúmulo de beta-amiloide e tau, comuns no Alzheimer, além de prejudicar a
neuroplasticidade. Conclui-se que os distúrbios do sono são tanto fatores de risco quanto
sintomas em doenças neurodegenerativas. A integração do manejo do sono aos tratamentos
convencionais e sua consideração como biomarcador precoce podem melhorar
significativamente o diagnóstico e a qualidade de vida dos pacientes. Estudos adicionais são
necessários para aprofundar os mecanismos e desenvolver intervenções eficazes.
ABSTRACT
Sleep disturbances are directly associated with the development and progression of
neurodegenerative diseases such as Alzheimer's, Parkinson's, and Huntington's, negatively
impacting quality of life and accelerating pathological processes. The relationship between sleep
and these conditions lacks studies that integrate physiological, pathological, and therapeutic
aspects. This study aims to explore this bidirectional relationship, identify underlying
mechanisms, and highlight therapeutic and preventive approaches for clinical management. A
narrative literature review was conducted, including studies published between 2015 and 2024,
selected from databases such as PubMed, Scopus, and Web of Science. Controlled descriptors
and free terms related to sleep, neurodegeneration, and key proteins were used, with inclusion
criteria based on language (English, Portuguese, and Spanish) and methodological rigor. The
results indicate that sleep plays a crucial role in regulating circadian rhythms, neurophysiological
processes, and the removal of neurotoxins via the glymphatic system. Disruptions in this balance
contribute to the accumulation of beta-amyloid and tau, common in Alzheimer's disease, and
impair neuroplasticity. It is concluded that sleep disorders are both risk factors and symptoms in
neurodegenerative diseases. Integrating sleep management into conventional treatments and
considering it as an early biomarker can significantly improve diagnosis and patients' quality of
life. Further studies are needed to deepen the understanding of mechanisms and develop effective
interventions.
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Keywords: sleep, neurodegenerative diseases, disturbances, regulation, therapeutics
RESUMEN
Las alteraciones del sueño están directamente relacionadas con el desarrollo y la progresión de
enfermedades neurodegenerativas, como el Alzheimer, el Parkinson y la enfermedad de
Huntington, impactando negativamente la calidad de vida y acelerando los procesos patológicos.
La relación entre el sueño y estas condiciones carece de estudios que integren aspectos
fisiológicos, patológicos y terapéuticos. Este estudio tiene como objetivo explorar esta relación
bidireccional, identificar los mecanismos subyacentes y destacar estrategias terapéuticas y
preventivas para el manejo clínico. Se realizó una revisión narrativa de la literatura, incluyendo
estudios publicados entre 2015 y 2024, seleccionados en bases como PubMed, Scopus y Web of
Science. Se emplearon descriptores controlados y términos libres relacionados con el sueño, la
neurodegeneración y proteínas clave, con criterios de inclusión basados en idiomas (inglés,
portugués y español) y rigor metodológico. Los resultados muestran que el sueño tiene un papel
esencial en la regulación de ritmos circadianos, procesos neurofisiológicos y la eliminación de
neurotoxinas a través del sistema glimfático. Alteraciones en este equilibrio favorecen la
acumulación de beta-amiloide y tau, características del Alzheimer, además de perjudicar la
neuroplasticidad. Se concluye que los trastornos del sueño son tanto factores de riesgo como
síntomas en enfermedades neurodegenerativas. La integración del manejo del sueño en los
tratamientos convencionales y su consideración como biomarcador temprano pueden mejorar
significativamente el diagnóstico y la calidad de vida de los pacientes. Son necesarios estudios
adicionales para profundizar en los mecanismos implicados y desarrollar intervenciones eficaces.
1 INTRODUÇÃO
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o sono interrompido não apenas acelera a progressão de doenças como Alzheimer e Parkinson,
mas também desempenha um papel central em sua patogênese (Malhotra, 2022).
No caso específico da doença de Alzheimer (DA), observa-se uma interação dinâmica
entre as alterações do sono e os mecanismos neuropatológicos. A privação de sono aumenta a
produção e reduz a depuração de amiloide-β (Aβ) e proteína tau, proteínas relacionadas à
formação das placas senis e dos emaranhados neurofibrilares característicos da doença. Diante
desse contexto, torna-se evidente a relevância de compreender os mecanismos que ligam o sono
às doenças neurodegenerativas. Essa relação bidirecional, somada ao impacto significativo dos
distúrbios do sono na progressão e sintomatologia dessas condições, reforça a necessidade de
estratégias clínicas e preventivas voltadas para o manejo do sono como um potencial alvo
terapêutico.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O sono é dividido em duas fases principais: o sono de movimento rápido dos olhos (REM)
e o sono de movimento não rápido dos olhos (NREM). Durante a noite, os indivíduos alternam
entre essas fases, um processo controlado pela inibição recíproca de neurônios monoaminérgicos
e colinérgicos (Feriante e Araujo, 2024). No sono REM, os neurônios colinérgicos estão muito
ativos, enquanto a atividade dos neurônios adrenérgicos e serotoninérgicos diminui, resultando
em diferentes níveis de vigília ao longo do sono (Feriante e Araujo, 2024).
A arquitetura do sono é influenciada por dois processos distintos: o processo S, ou
"impulso homeostático do sono", que aumenta com o tempo acordado, e o processo C, que se
refere ao ritmo circadiano. O processo C ajuda a regular os ciclos de sono e vigília, promovendo
o sono à noite e a vigília durante o dia. Esse impulso atinge seu pico durante o dia e diminui ao
se aproximar da hora de dormir, facilitando a consolidação do sono (Yun Shen et al.,2023).
Os ritmos circadianos são variações fisiológicas e comportamentais que ocorrem em
diferentes níveis do organismo, desde a expressão genética até a coordenação entre órgãos. Esses
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ritmos são regulados internamente e mantêm um ciclo de aproximadamente 24 horas, mesmo na
ausência de sinalizações externas (Yun Shen et al., 2023).
O subcórtex (tálamo) e tronco cerebral (formação reticular) são essenciais para o controle
do ritmo circadiano mostrando uma rica conexão com o córtex cerebral recebendo e
influenciando-se em duplicidade via sistema reticular ascendente e descendente. Em termos
gerais, as fibras do sistema reticular ascendente (ativador) tomam uma direção superior passando
pelo tálamo, núcleo caudado, hipocampo e neocórtex que ativa o córtex e regula os estados de
atividade cortical, por outro lado, as fibras reticulares descendentes [inibidor] tomam caminho
reverso e modulam o estado de vigília; ambos formam um único sistema funcional autorregulador
(Castro et al., 2021).
Para um ótimo estado cortical o cérebro precisa de energia que é obtida por estímulos da
fome controlada pelo diencéfalo (hipotálamo) via ativação hormonal, de acordo com a atividade
cerebral evocada, quanto maior a energia exigida pelo córtex cerebral, maior será o estímulo da
fome, que ocorrerá mais forte em estados de vigília prolongada, como consequência da análise
dos sistemas reticulares evidenciando que o controle da energia para a atividade cortical
é derivada de ativação/desativação metabólica (Castro et al., 2021)
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2.2 MECANISMOS DE ALTERAÇÃO DO SONO
Fatores extrínsecos dizem respeito aos fatores externos ao indivíduo e que podem afetar
a qualidade e a duração do sono. Tabagistas, usuários excessivos de bebidas alcoólicas e
sedentários mostraram ser os mais afetados pelos distúrbios do sono. A associação do tabaco com
a dificuldade para dormir pode ser explicada pelo efeito da nicotina, uma substância que estimula
a liberação de neurotransmissores (dopamina e serotonina), resultando em sono perturbado
(Gajardo et al., 2021), podendo prolongar o início do sono, fragmentá-lo ou reduzir a duração
total das suas fases, sendo que fumantes podem apresentar 47% a mais de chances de desenvolver
distúrbios do sono (Amiri et al., 2020). O álcool, por sua vez, é uma substância depressora do
Sistema Nervoso Central, mas que, em uso excessivo, possui efeito estimulante, ocasionando um
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desequilíbrio entre os sonos REM e NREM. Nesse caso, o sono REM, essencial para a
consolidação da memória e a recuperação cerebral, é suprimido, o que gera despertares mais
frequentes e menor eficiência do sono (Reid-Varley et al., 2020).
O estresse associado ao ambiente de trabalho também é reconhecido como influenciador
da qualidade do sono. Profissionais submetidos a altas demandas laborais, como enfermeiros
hospitalares, amiúde apresentam má qualidade do sono (Silva et al., 2022). Uma hipótese para
isso seria o aumento dos níveis séricos do cortisol, hormônio que mantém o indivíduo em estado
de alerta e ativo (Santos et al., 2020).
Indivíduos fisicamente ativos possuem melhor qualidade do sono quando comparados aos
sedentários (Gajardo et al., 2021). Praticar exercícios intensos antes de dormir prejudica o sono
devido ao aumento da excitação, enquanto que realizá-los durante o dia melhora o sono NREM,
ligado à recuperação física e a regulação metabólica (Luong et al., 2023).
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do sono e, consequentemente, pode estar associada à sonolência diurna e à vigilância psicomotora
prejudicada (Argel et al., 2023).
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2.3.3 Papel das citocinas e microglia ativada
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que a interrupção do sono pode ter impactos significativos na memória e na adaptação neural.
Existem alguns distúrbios do sono que são comuns na Doença de Parkinson (DP) e que
alteram a qualidade de vida do paciente, visto que, segundo estudos, 80% dos pacientes com DP
apresentam esses sintomas, causados pela neurodegeneração dos locais de controle do sono
presentes no tronco cerebral e no diencéfalo.
Um exemplo de disfunção no ciclo sono-vigília em pessoas com DP é a insônia,
caracterizada pela dificuldade de iniciar o sono e permanecer nele, acometendo até 81% dos
pacientes e sendo um dos primeiros sintomas da DP (Zuzuárregui; During, 2020). Alguns
sintomas da DP colaboram para a insônia, sendo eles motores, como tremor, distonia, inquietação
e acinesia, e não motores, como noctúria e problemas de humor, que fazem o paciente acordar
várias vezes durante a noite.
Outros distúrbios do sono observados são: a Síndrome das Pernas Inquietas, a sonolência
diurna excessiva, o transtorno comportamental do sono REM e a apneia obstrutiva do sono
(Zuzuárregui; During, 2020).
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2.4.3 Esclerose Lateral Amiotrófica
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principal marcador dessa patologia é a agregação de alfa-sinucleína em oligodendrócitos
(Meissner et al., 2019). Essa condição pode se desenvolver a partir dos 60 anos, com uma
expectativa de vida de mais cerca de 6 a 10 anos para o indivíduo após as manifestações clínicas
(Lee et al., 2019). Dentre os principais sintomas estão perturbações do sono como redução e
interrupções, sonolência durante o dia, problemas no sono REM e a apnéia central do sono
(Pacheco et al., 2019). Além disso, ocorre dificuldade na deglutição, na fala, quedas frequentes
e uma salivação excessiva (Magela et al., 2016).
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dessaturação, eventos de micro-despertares, ritmo e frequência cardíaca (Schyvens et al., 2024).
Devido desvantagens como a invasividade e o desconforto, foram desenvolvidas ferramentas, a
exemplo da polissonografia portátil e dos dispositivos vestíveis (wearables), que fazem o rastreio
do sono de forma mais confortável e acessível (Schyvens et al., 2024).
Na prática clínica, ou até mesmo em protocolos de pesquisas, são utilizadas ferramentas
de escalas subjetivas que buscam, por meio de uma padronização, diferenciar as pessoas que
possuem um sono qualificado de pessoas com disfunções durante o sono (Carvalho et al., 2020).
A Escala de sonolência de Epworth é um instrumento de autoavaliação que manifesta a tendência
do indivíduo dormir durante o dia, possuindo oito perguntas que devem ser respondidas com um
número de zero a três, sendo que quanto maior for o número maior será a probabilidade de o
indivíduo cochilar (Carvalho et al., 2020).
Já o Índice de qualidade de sono de Pittsburg (PSQI) é um questionário composto por 19
questionamentos, abordando componentes como a qualidade subjetiva e alterações do sono, e
que serão respondidos sob forma de autorrelato pelo indivíduo. A pontuação varia de zero,
representando a ausência de dificuldade para dormir, até três, demonstrando uma dificuldade
elevada, sendo que resultados com números maiores são um indicativo de um sono de baixa
qualidade (Carvalho et al., 2020).
Na prática, são utilizados marcadores somnológicos que podem indicar essas patologias
neurológicas, sendo os principais: Transtorno de Comportamento REM (DCR), movimentos
periódicos dos membros, fragmentação do sono e a perda do sono em ondas lentas (PSOL)
(Barbosa, 2016).
O DCR é o principal indicativo pré-clínico das α-sinucleinopatias, visto que é evidenciado
em períodos anteriores à Doença de Parkinson (DP), à Demência dos corpos de Lewy (DCL) e à
atrofia de múltiplos sistemas, sendo, logo, uma interferência degenerativa precoce na α-
sinucleína que afeta as vias neuronais que regulam o sono REM (Husain, 2021).
A sonolência diurna excessiva (SDE) e a síndrome da apneia/hipopneia obstrutiva do
sono são fortes indicadores que antecedem e permanecem em pacientes que desenvolvem a
Doença de Parkinson (Barbosa, 2016).
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Investigações científicas apontaram que a perturbação do sono não-REM (NREM) ao
longo do processo de envelhecimento é um possível indicativo que precede o diagnóstico da
doença de Alzheimer (Husain, 2021).
[Link] Melatonina
A melatonina de uma molécula lipofílica, a qual tem sua produção aumentada cerca de 2
horas antes do indivíduo dormir, sendo produzida pela glândula pineal e possuindo a função de
regulação do relógio endógeno ao fotoperíodo,isto é, efeito cronobiótico (Bueno et al., 2021).
A revisão da melatonina exógena como tratamento para distúrbios secundários do sono
sugeriu que a melatonina exógena melhora a qualidade do sono, reduz a latência de início e
aumenta o tempo total de sono (Bueno et al., 2021).
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Os fármacos atuantes no sistema GABAérgico, como os Benzodiazepínicos, os
Barbitúricos e o Zolpidem, atuam se ligando aos receptores do canal GABA.
[Link] Cronoterapia
A cronoterapia tem como objetivo restabelecer o ritmo circadiano ideal, por meio de
práticas adequadas de higiene do sono, exposição controlada à luz e a utilização de fármacos
cronobióticos, como a melatonina (Cardinali; Brown; Perumal, 2021). A exposição à luz e a
utilização de melatonina possuem uma especificidade, tanto de dosagem quanto em relação ao
período do dia em que devem ser administrados, estando seus efeitos clínicos conforme as curvas
de resposta de fase (PRCs).
Assim, dependendo desses fatores, cronoterapias podem ter um avanço de fase, um atraso
ou nenhum efeito. Normalmente, se administrada a cronoterapia de luz pela manhã, haverá um
avanço de fase, mas se administrada à noite, poderá ocorrer um efeito de atraso de fase. Em
relação ao tratamento com melatonina: o uso ao final da tarde ou à noite gera um avanço de fase,
porém se for pela manhã, haverá atraso do ciclo circadiano (Steele et al., 2021).
A higiene do sono pode ser realizada por meio da modificação dos comportamentos e
hábitos relacionados ao sono. As orientações para aprimorar a qualidade do sono incluem a
realização de pelo menos 7 horas de descanso, a manutenção de horários consistentes de sono e
vigília, o estabelecimento de uma rotina regular para o momento de dormir, a prática de
atividades físicas frequentes e evitar a exposição à luz em períodos noturnos.
Adicionalmente, deve-se evitar o consumo de cafeína pelo menos 8 horas antes de dormir,
visto que está associada a um sono fragmentado e de baixa qualidade. Essas práticas de higiene
do sono promovem qualidade e duração do sono, com consequentes benefícios à saúde
(Baranwal; Phoebe; Siegel, 2023).
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[Link] Hábitos de exposição à luz e aos alimentos
É importante evitar a exposição noturna à luz pois essa exposição afeta a produção de
melatonina (Silva et al., 2022).
A ingestão de cafeína é prejudicial ao sono pois essa substância prejudica o início e a
manutenção do sono subsequente, uma vez que age como antagonista dos receptores de
Adenosina, fato que afeta a rota de transmissão GABAérgica (Gardiner et al., 2023).
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crônico podem ser fatores de risco para distúrbios neurodegenerativos, incluindo a doença de
Alzheimer (DA), o distúrbio neurodegenerativo mais comum (Lutsey et al., 2018).
3 METODOLOGIA
A metodologia deste estudo consiste em uma revisão de literatura narrativa que busca
analisar estudos relevantes sobre a influência das alterações no sono no desenvolvimento de
doenças neurodegenerativas, com o objetivo de identificar padrões, mecanismos e implicações
clínicas.
Para a estratégia de busca, as pesquisas serão realizadas em bases de dados científicas
amplamente reconhecidas, como PubMed/Medline, Scopus, Web of Science. Serão utilizados
descritores controlados (MeSH Terms) e palavras-chave livres, combinando conceitos
relacionados ao sono e doenças neurodegenerativas. Alguns exemplos de combinações de termos
incluem "Sleep disturbances" OR "sleep disorders", "Neurodegenerative diseases" OR
"Alzheimer's disease" OR "Parkinson's disease", "Amyloid-beta" AND "tau proteins" AND
"sleep", "REM sleep" OR "NREM sleep" AND "neurodegeneration" e "Circadian rhythm" AND
"inflammation". Operadores booleanos como AND, OR e NOT serão utilizados para restringir
ou ampliar os resultados e excluir termos irrelevantes
Para escolher quais conteúdos serão utilizados para análise de sua literatura servirá como
justificativa para seleção os seguintes critérios:
a) artigos originais, revisões sistemáticas e meta-análises;
b) estudos publicados nos últimos 9 anos. (2015 - 2024);
c) idiomas: inglês, português e espanhol.
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3.2 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Para escolher quais conteúdos não serão utilizados para análise de sua literatura servirá
como justificativa para exclusão os seguintes critérios:
a) trabalhos com amostras muito pequenas ou sem rigor metodológico;
b) literatura cinzenta (teses, dissertações e relatórios não publicados).
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
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significativa a evolução dessas doenças.
Além disso, o estudo sublinhou a importância do sono nos processos neurofisiológicos,
particularmente no funcionamento do sistema glinfático, que tem como função a remoção de
neurotoxinas acumuladas no cérebro durante o dia. A evidência de que a privação do sono
prejudica essa função essencial do sistema glinfático revela que a interrupção do sono favorece
o acúmulo de substâncias tóxicas, como as proteínas beta-amiloide e tau, características de
doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer. Esse acúmulo de neurotoxinas não só
contribui para a deterioração das funções cognitivas, mas também intensifica os danos causados
pela neurodegeneração, estabelecendo uma relação estreita entre os distúrbios do sono e a
progressão das doenças neurodegenerativas.
Outro aspecto crítico abordado pelos resultados da revisão foi o impacto do sono na
neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de adaptar-se e formar novas conexões neurais, o que
é essencial para a manutenção da função cerebral em condições de lesão ou degeneração.
A privação do sono prejudica esses mecanismos adaptativos, tornando o cérebro menos
capaz de reparar danos causados pelas doenças neurodegenerativas. Isso sugere que o sono
desempenha um papel vital não apenas na preservação da saúde cerebral, mas também na
promoção da neuroplasticidade, o que é crucial para o controle da progressão das doenças
neurodegenerativas.
5 CONCLUSÃO
A revisão conclui que os distúrbios do sono desempenham um papel crucial tanto como
fatores de risco quanto como sintomas em várias doenças neurodegenerativas. A relação
complexa e interligada entre o sono e essas condições exige uma abordagem holística no manejo
clínico, que reconheça o sono não apenas como reflexo da saúde cerebral, mas também como um
elemento vital no tratamento e prevenção dessas doenças. Assim, integrar o manejo do sono aos
tratamentos convencionais para doenças neurodegenerativas é essencial para otimizar os
resultados clínicos. O tratamento dos distúrbios do sono não deve ser visto como uma intervenção
acessória, mas como uma parte fundamental de uma estratégia terapêutica abrangente.
Além disso, os distúrbios do sono podem servir como biomarcadores precoces para
doenças neurodegenerativas. O monitoramento cuidadoso dos padrões de sono permite uma
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detecção precoce dessas condições, o que possibilita intervenções mais rápidas, com potencial
para retardar ou até mesmo reduzir a progressão das doenças.
No entanto, para uma compreensão mais profunda dos mecanismos que ligam o sono à
neurodegeneração, mais pesquisas são necessárias. É fundamental investigar as vias moleculares
e celulares envolvidas, bem como explorar intervenções eficazes para prevenir ou mitigar os
distúrbios do sono nessas doenças. A exploração mais detalhada dos diversos distúrbios do sono
e sua relação com doenças neurodegenerativas específicas permitirá a criação de estratégias de
tratamento mais direcionadas e eficazes.
Assim, os resultados da revisão destacam a importância de uma integração mais eficaz
entre o manejo do sono e as abordagens terapêuticas convencionais, visando à melhoria dos
resultados clínicos e ao desenvolvimento de intervenções mais precoces e eficazes.
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REFERÊNCIAS
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