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Técnicas Contemporâneas no Ensino de Violino

Este relatório de estágio do mestrado em ensino da música na Escola Superior de Música do Porto descreve a prática educativa no Conservatório de Música do Porto durante o ano letivo de 2018/2019. O documento abrange a caracterização da instituição, as atividades desenvolvidas e um projeto de intervenção focado na introdução de técnicas contemporâneas para cordas, intitulado 'Laboratório de Modernices'. O relatório destaca a importância da flexibilidade e imaginação na educação musical para enfrentar os desafios futuros.
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Técnicas Contemporâneas no Ensino de Violino

Este relatório de estágio do mestrado em ensino da música na Escola Superior de Música do Porto descreve a prática educativa no Conservatório de Música do Porto durante o ano letivo de 2018/2019. O documento abrange a caracterização da instituição, as atividades desenvolvidas e um projeto de intervenção focado na introdução de técnicas contemporâneas para cordas, intitulado 'Laboratório de Modernices'. O relatório destaca a importância da flexibilidade e imaginação na educação musical para enfrentar os desafios futuros.
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10/

As condições educacionais nunca permanecem estáticas pelo que a


profissão de educador musical deve mostrar flexibilidade e
1
imaginação de forma a encarar os desafios do futuro.

“Educational conditions never remain static, and the music


education profession must show flexibility and imagination to
prepare for the challenges of the future”

Mark & Madura (2014)

1
Tradução de autor.

iii
Agradecimentos À professora Andrea Moreira que me acompanhou durante o
estágio e que me inspirou a ser melhor docente;
Ao professor Vítor Vieira que, desde o primeiro contacto, elevou os
meus conhecimentos musicais;
A todos os alunos que por mim passaram;
A todos os que são família.

iv
Resumo O presente relatório, no âmbito do mestrado em ensino da música
da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo e da Escola
Superior de Educação do Porto, incide sobre a prática desenvolvida
no Conservatório de Música do Porto durante o ano letivo
2018/2019.
O primeiro capítulo caracteriza a instituição em questão bem como
referencia os documentos orientadores do processo de
ensino/aprendizagem do grupo de cordas. O segundo capítulo relata
as atividades desenvolvidas durante o estágio. Por último, o terceiro
capítulo descreve o projeto de intervenção realizado com a
orquestra de cordas do 3º ciclo onde foi aprofundada a música
contemporânea e as suas técnicas para cordas. A atividade foi
intitulada de Laboratório de Modernices.

Palavras-chave Ensino da Música; Música contemporânea; Técnicas de execução


contemporâneas; Violino; Nível Intermédio; Orquestra de cordas;
Laboratório de Modernices.

v
Abstract The present report, subject of the Masters Degree in Music
Education of the Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo
and Escola Superior de Educação in Porto, focuses on the practices
that were developed in the Conservatório de Música do Porto during
the 2018/2019 school year.

The first chapter describes the nominated instituition as well as


presents the guiding documents of the education process/teaching
of the string department. The second chapter relates the activities
performed during the internship. Finally, the third chapter focuses on
the intervention project that was developed with the 3rd cycle string
orchestra in which contemporary music and string techniques were
improved. This activity was denominated Laboratorio de
Modernices.

Keywords Music teaching; Contemporary music; Extended techniques; Violin;


Intermediate level; String Orchestra; Laboratório de Modernices.

vi
Índice

I Guião de Observação da Prática Musical ............................................................................ 2


1. O Conservatório de Música do Porto ........................................................................... 3
1.1. Contextualização Histórica ................................................................................... 3
1.2. Oferta Educativa .................................................................................................. 4
1.3. Caracterização da Comunidade Escolar .............................................................. 5
1.4. Princípios, Valores e Missão ................................................................................ 6
1.5. Departamento de Cordas ..................................................................................... 8
II Prática de Ensino Supervisionada .................................................................................... 11
1. Introdução ................................................................................................................. 12
2. Professora Cooperante e Professor Orientador......................................................... 12
3. Organização da Prática Educativa ............................................................................ 14
3.1. Descrição dos alunos ......................................................................................... 15
3.2. Reflexão acerca da observação das aulas ......................................................... 17
3.3. A Planificação de aulas como ferramenta diária ................................................. 28
4. Reflexões Finais........................................................................................................ 33
III Projeto de Intervenção ..................................................................................................... 37
1. Introdução ................................................................................................................. 38
2. Problemática do estudo............................................................................................. 38
2.1. Identificação da problemática ............................................................................. 38
2.2. Plano de melhoria a desenvolver ....................................................................... 39
2.3. Definição de objetivos e resultados esperados .................................................. 39
3. Fundamentação teórica............................................................................................. 40
4. Laboratório de Modernices como plano de ação ....................................................... 46
4.1. Sessão 1 ............................................................................................................ 47
4.1.1. Inquérito por Questionário .............................................................................. 51
4.1.2. Apresentação e Análise de resultados ............................................................ 53
4.2. Sessão 2 ............................................................................................................ 60
4.3. Avaliação geral da atividade............................................................................... 62
4.4. Reflexões Finais................................................................................................. 66
Conclusão ........................................................................................................................ 68
Referências bibliográficas ................................................................................................ 69
Anexos ................................................................................................................................ 72

vii
Índice de Anexos

Anexo I – Material de Apoio ao Laboratório de Modernices


Anexo II – Sperto 23_10
Anexo III – Exemplos de partituras
Anexo IV – Avaliação da atividade (professores)
Anexo V – Avaliação da atividade (alunos)
Anexo VI – Aulas Observadas
Anexo VII – Planificações
Anexo VIII – Inquéritos

Índice de Ilustrações, Gráficos e Tabelas

Ilustração 1 - Documento de apoio à atividade distribuído aos participantes ....................................... 50


Ilustração 2 - Fotografia com os participantes no final da sessão 1 ..................................................... 51

Gráfico 1 - Distribuição de instrumentos por ano de escolaridade ....................................................... 54


Gráfico 2 – Resultado das respostas à questão 1 ................................................................................ 55
Gráfico 3 – Resultado das respostas à questão 2 ................................................................................ 56
Gráfico 4 - Resultado das respostas à questão 3 ................................................................................. 56
Gráfico 5 - Resultado das respostas à questão 4 ................................................................................. 57
Gráfico 6 - Resultado das respostas à questão 6 ................................................................................. 58
Gráfico 7 - Resultado das respostas à questão 9 ................................................................................. 59
Gráfico 8 - Resultado das respostas à questão 10 ............................................................................... 59
Gráfico 9 - Resultado das respostas à questão 2 ................................................................................. 64
Gráfico 10 - Resultado das respostas à questão 3 ............................................................................... 64

Tabela 1 – Critérios de avaliação da disciplina de violino ...................................................................... 9


Tabela 2 - Cronograma das aulas ......................................................................................................... 15
Tabela 3 – Observação da aula da aluna Sofia de 01.03.2019 ............................................................ 20
Tabela 4 - Observação da aula da aluna Cristiana de 16.11.2018 ....................................................... 22
Tabela 5 - Observação da aula da aluna Marta de 23.11.2018 ............................................................ 23
Tabela 6 - Observação da aula da aluna Cristiana de 03.05.2019 ....................................................... 24
Tabela 7 - Observação da aula da aluna Sofia de 25.01.2019 ............................................................. 27
Tabela 8 - Planificação da aula da aluna Marta de 25.01.2019 ............................................................ 30
Tabela 9 - Planificação da aula do aluno Pedro de 25.01.19 ............................................................... 33
Tabela 10 - Planificação da Sessão 1 do projeto.................................................................................. 48
Lista de Abreviaturas

CMP – Conservatório de Música do Porto


MEM – Mestrado em Ensino da Música
ESMAE – Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo do Porto
PS – Parte Superior do Arco
PI – Parte Inferior do Arco
AT – Arco todo
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Introdução O estágio profissionalizante foi realizado durante o ano letivo


2018/2019 no Conservatório de Música do Porto, no âmbito do
Mestrado em Ensino da Música. A prática educativa foi
acompanhada pela professora Andrea Moreira e supervisionada
pelo professor Vítor Vieira.
O presente relatório divide-se em 3 capítulos.
O primeiro engloba toda a informação relacionada com a instituição
referida, nomeadamente contextualização histórica, oferta
educativa, caracterização da comunidade educativa, princípios,
valores e missão. O professor deve estar familiarizado com a
instituição onde leciona, adequando os métodos de ensino ao
projeto educativo da escola. Mais especificamente deve tomar
conhecimento e instituir as linhas orientadoras do departamento
onde se insere.
No segundo capítulo aprofundam-se as atividades desenvolvidas
durante o estágio, a considerar as aulas observadas e lecionadas,
analisando-as e refletindo sobre possíveis melhorias ou alterações
de estratégias. Neste capítulo, permite-se a articulação de saberes
para uma melhor adequação do processo ensino/aprendizagem.
O último capítulo é referente ao projeto de intervenção, criado com
base na introdução de técnicas de execução contemporâneas para
cordas na aula de conjunto como veículo para a sensibilização e
aprendizagem de repertório contemporâneo. Do ponto de vista
pedagógico, a realização da atividade Laboratório de Modernices
terá grande interesse na aquisição de novos conhecimentos e na
exploração da criatividade.
No final, abrangendo todo o conteúdo do relatório, serão
evidenciados os principais aspetos que caracterizam a
aprendizagem adquirida durante o Mestrado em Ensino da Música.

1
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

I Guião de Observação da Prática Musical

2
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

1. O Conservatório de Música do Porto

A instituição escolhida para a realização da prática educativa foi o Conservatório de


Música do Porto. Neste momento, só a presença de alguns professores e funcionários
me fazem transportar para as vivências experienciadas entre 2006 e 2009, enquanto
estudante de violino inscrita no ensino complementar em regime supletivo. No entanto,
pude acompanhar a transição das instalações e o início de um investimento que torna
hoje o Conservatório uma referência nacional como escola pública de ensino artístico
especializado da música. O historial do meu desenvolvimento musical é caracterizado
também por outras escolas de música, todavia foi no Conservatório de Música do
Porto que escolhi a música como via profissional.

1.1. Contextualização Histórica

O Conservatório de Música do Porto (CMP) situa-se na freguesia de Cedofeita, zona


urbana do Porto. Criado em junho de 1917 pela Câmara Municipal, o Conservatório
teve as suas primeiras instalações na Travessa do Carregal. O primeiro diretor do
CMP foi Bernardo Valentim Moreira de Sá, avô da pianista Helena de Sá e Costa e da
violoncelista Madalena Moreira de Sá (e Costa), duas referências no panorama
musical nacional. Com 12 professores e com pouco mais de 300 alunos inscritos, o
Conservatório dá início à sua história que conta já com 102 anos. Em 1975, devido ao
volume de alunos, passa a ocupar o Palacete Pinto Leite onde permaneceu durante 30
anos. Em contínuo crescendo da comunidade educativa, a 15 de setembro de 2008
inaugura as remodeladas instalações do edifício do atual Agrupamento de Escolas
Rodrigues de Freitas, com quem divide o espaço e onde permanece até hoje. O
Conservatório desenvolve a sua atividade centralmente na ala poente do edifício, onde
são lecionadas as disciplinas de carácter geral e as disciplinas de instrumento. As
zonas de serviços comuns são o refeitório, bar, laboratórios e espaços para educação
física. Possui um edifício construído de raiz onde se encontram instalados os
seguintes equipamentos: grande auditório, pequeno auditório, biblioteca, centro de
recursos, sala de orquestra, piano bar e salas destinadas ao 1.º ciclo do ensino básico,
entre outros espaços de apoio, como camarins e casas de banho.

As funções diretivas do CMP foram já desempenhadas por mais de uma dezena de


indivíduos, sendo o professor António Moreira Jorge o diretor vigente. Para além da
direção, fazem parte dos órgãos de gestão o Conselho Administrativo, Conselho Geral
e Conselho Pedagógico.

3
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Ao longo da sua centenária existência, o Conservatório tem sido escolhido para


entrega de espólios e doações de outras também importantes figuras da vida musical
da cidade do Porto. A título de exemplo, o CMP guarda ainda o espólio da violoncelista
Guilhermina Suggia e do compositor e violinista Nicolau Medina Ribas. A criação da
Orquestra Sinfónica do Porto, agora associada à Casa da Música, teve origem na
Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto, raízes que serão evocadas
a 22 de junho, data da primeira atuação do grupo no Teatro Rivoli.

Por todos estes motivos, a instituição, em 1992, foi agraciada com a Medalha de
Mérito Cultural Grau Ouro do Porto.

1.2. Oferta Educativa

As atuais condições das instalações da Escola Artística do CMP, abrangidas pelo


programa Parque Escolar, permitem acolher alunos desde o 1.º ciclo até ao 12.º ano.
A especificidade do ensino artístico da música obriga a uma gestão criteriosa das
instalações disponíveis, dada a existência de aulas individuais de instrumento
previstas nos respetivos planos curriculares. A oferta educativa da Escola integra o 1.º
ciclo do ensino básico (iniciação), regime integrado ou supletivo, os Cursos Básico e
Secundário de Música e o Curso Secundário de Canto, nos regimes integrado,
articulado e supletivo.2 Para além destes cursos, oferece outros cursos livres,
nomeadamente nas áreas da Música Clássica, Tradicional e Jazz. O acordeão,
bandolim, canto, clarinete, contrabaixo, cravo, fagote, flauta de bisel, flauta, guitarra
clássica, guitarra portuguesa, harpa, oboé, órgão, percussão, piano, saxofone,
trombone, trompa, trompete, tuba, violeta, violino e violoncelo são os instrumentos
lecionados no CMP, representando um universo bastante completo do panorama
musical.

A admissão dos alunos na Escola é feita através da realização de provas específicas


(para novos alunos) ou provas de aferição (para alunos que tiverem frequentado outro
estabelecimento de ensino). Estas provas são objeto de regulamento próprio onde
constam os critérios de seleção.

2
Regime integrado: os alunos frequentam todas as componentes do currículo no mesmo
estabelecimento de ensino; Regime articulado: a lecionação das disciplinas das componentes
de ensino artístico especializado é assegurada por uma escola de ensino artístico
especializado e as restantes componentes por uma escola de ensino geral; Regime supletivo: a
frequência é restrita à componente de formação artística especializada dos planos de estudo
dos cursos básicos de música ou às componentes de formação científica e técnica artística no
caso dos cursos secundários de música. (Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino
Profissional, s.d.).

4
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

1.3. Caracterização da Comunidade Escolar

Tendo em conta o relatório de auto-avaliação disponibilizado pelo CMP referente ao


ano letivo 2017/2018, estavam inscritos 1017 alunos. No 1º ciclo frequentaram 256
alunos, sendo que a grande maioria se encontrava sob o regime supletivo, uma vez
que, apenas 24 crianças podem pertencer a cada uma das turmas dos quatro anos do
regime integrado deste ciclo. Relativamente ao 2º ciclo, o regime com mais inscrições
foi o integrado, seguindo-se o supletivo e por fim o articulado, perfazendo um total de
188 alunos. A mesma distribuição acontece no 3º ciclo do ensino básico, com um
volume total de 287 alunos inscritos. No secundário, o regime supletivo volta a ser
dominante e o integrado apenas representa cerca de 30% do volume total dos 286
alunos, não existindo inscrições em regime articulado.

Inseridos nos instrumentos de ‘Música Clássica’, verificou-se que o piano e o violino


tiveram o maior número de inscrições (média de 13,65%), seguindo-se a guitarra,
flauta transversal, violeta, percussão, clarinete e violoncelo (média de 5,23%) na lista
da distribuição dos alunos por instrumento. A flauta de bisel, tuba, o cravo e o órgão
foram os instrumentos com menor adesão (1,43%). Pertencentes aos instrumentos de
‘Música Tradicional’ o bandolim revelou-se com mais alunos (1,1%), seguindo-se o
acordeão (0,9%) e a guitarra portuguesa (0,4%). No curso de ‘Jazz’, o canto jazz
destaca-se por ter mais alunos inscritos (1,7%). O piano, saxofone e bateria jazz
(média de 0,43%) seguem-se como preferências e sem qualquer inscrição restam os
instrumentos de trompete, trombone e flauta jazz.

No referido ano letivo, o corpo docente era constituído por 190 docentes: 87 fazem
parte do Quadro de Escola, 84 são contratados, 7 em mobilidade por Doença e 5
pertencentes ao Quadro de Zona Pedagógica. Os restantes 7 professores estavam
ausentes, sendo que 5 se encontravam destacados noutras escolas e 2 em licença
sem vencimento.

O pessoal não docente era constituído por 18 assistentes operacionais (9 do Quadro


de Escola e 9 contratados) e 7 assistentes técnicos (todos pertencentes ao Quadro de
Escola).

Complementando esta informação, segundo a mais recente avaliação externa levada


a cabo pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência (2015), alunos de outras
nacionalidades representam 1,2% do total de alunos inscritos. A grande maioria dos
alunos (93%) não beneficia de auxílios económicos no âmbito da ação social escolar.
Relativamente às habilitações académicas conhecidas dos pais, verificou-se que

5
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

66,9% possuem formação de nível superior, sendo que 39,9% desempenham


atividades profissionais de nível superior e intermédio.

Finalizando a caracterização do Conservatório de Música é importante referir que esta


escola artística obteve a classificação de Muito Bom nos domínios Resultados;
Prestação do Serviço Educativo; Liderança e Gestão. Como pontos fortes, foram
destacadas as diversas atividades realizadas e adaptadas às várias faixas etárias, o
recurso à interdisciplinaridade e a promoção de um ambiente educativo favorável.
Como aspetos a melhorar, foi salientado, principalmente, o aprofundamento da auto-
avaliação, a melhoria da comunicação entre alunos representantes e representados e
a supervisão da prática letiva (IGEC, 2015, pág. 9).

1.4. Princípios, Valores e Missão

O Conservatório tem como lema “garantir uma formação integral de excelência na


área da música, orientada para o prosseguimento de estudos”, tal como destaca no
projeto educativo (s.d., pág. 10). Orienta-se pelas pedras basilares do ensino artístico
especializado, sendo algumas delas, a promoção da aquisição de “competências nos
domínios da execução e criação musical”; o desenvolvimento de capacidades como a
“perseverança, disciplina, rigor (…) e sentido de responsabilidade”; a educação para a
autonomia; o desenvolvimento da “capacidade de cooperação e trabalho de grupo”
bem como a elevação da “sensibilidade artística nas relações interpessoais”; o
desenvolvimento da criatividade e do sentido estético; a sensibilização “para o respeito
e defesa do património cultural e artístico”.

Completando o seu lema, o CMP garante a preparação dos seus alunos para seguir a
sua formação no ensino superior bem como para o mercado de trabalho. De uma
forma geral, contribui também para a formação cultural dos indivíduos. Do ponto de
vista específico, o CMP dispõe o conjunto completo onde integram as várias áreas que
contemplam a formação musical: prática instrumental, prática continuada de música de
conjunto, ciências musicais, domínio interpretativo e familiaridade com o repertório
contemporâneo (Projeto educativo, s.d., pág. 11). Destaco exclusivamente este último,
uma vez que se relaciona diretamente com a temática desenvolvida no capítulo III.
Neste sentido, acrescento que a disciplina Grupo de Música Contemporânea,
integrada nas classes de conjunto do CMP como oferta educativa opcional, orientada
pelo professor Fernando Marinho tem como objetivo explorar repertório
contemporâneo para ensemble e destina-se a alunos do 11º e 12º ano de
escolaridade. Criada em 2010 e com formações diversas consoante as inscrições tem

6
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

investido na linguagem moderna bem como numa vertente mais teórico-prática incluir
a componente de introdução à técnica de direcção sugerida pelo professor
responsável. No ano letivo 2018/2019 os instrumentos participantes foram piano,
percussão, trompete, saxofone, fagote, clarinete, oboé, flauta, contrabaixo, viola e
violino. Destaco a atividade do grupo realizada nos dias 11 e 12 de maio em conjunto
com o estúdio de ópera e com o coro infantil com a performance da obra Pequeno
Limpa-Chaminés de Benjamin Britten.3

São inúmeros os pontos que caracterizam o plano de acção do Conservatório, desde o


ambiente escolar à dinamização cultural na cidade. Todavia, gostaria de salientar
alguns deles que considero importantes sob o ponto de vista do docente bem como
referentes ao investimento na criatividade e na valorização artística (Projeto Educativo,
s.d., pág. 11-13).

4. Abertura do Conservatório à comunidade, tanto em termos de capacidade de oferta


formativa, como de dinamização da vida artística, contribuindo para dar uma resposta
qualificada às necessidades da área alargada a que a escola dá resposta;

7. Defesa do estatuto professor-músico, apoiando e valorizando a atividade artística


dos professores, entendida como inegável valorização profissional com reflexos visíveis
na atividade pedagógica;

8. Organização de cursos, masterclasses e workshops, através de convites a


professores ou intérpretes de prestígio, que completem a formação ministrada e
alarguem as perspetivas dos alunos;

10. Promoção e desenvolvimento da articulação interdisciplinar e interdepartamental,


desenhando iniciativas e atividades que reforcem o relacionamento e a
complementaridade das diferentes disciplinas;

28. Consolidação da Semana Cultural, como espaço de afirmação artística da escola


no interior e no exterior e como meio de expressão e concretização de iniciativas e
projetos;

38. Criação de condições para que a atividade escolar se processe com normalidade,
garantindo um ambiente de serenidade que favoreça a concentração no estudo e no
trabalho.

3
Título original Let´s make an opera, op. 45, (1949).

7
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

1.5. Departamento de Cordas

O departamento de cordas é constituído pelos grupos disciplinares de cordas


friccionadas e de cordas dedilhadas, nomeadamente os instrumentos bandolim,
contrabaixo, guitarra, guitarra portuguesa, harpa, viola d’arco, violino e violoncelo.
Constituem o grupo de cordas 29 professores, salientando os 11 professores de
violino: Alexandre Correia, Andrea Moreira, Ângela Neves, Ariana Dantas, Cecília
Falcão, Emanuel Melo, Emilia Vanguelova, Joana Gonçalves, Mafalda Leite, Nikola
Vasiljev e Suzanna Lidegran.

O violino é lecionado como opção principal ou como segunda escolha, cuja


denominação oficial é prática instrumental, sendo que os conteúdos mínimos exigidos
são diferentes.

O professor deve implementar exercícios técnicos desde o 1º ano até ao 8º ano, ainda
que não signifique que deixe de os fazer nos anos seguintes.

As escalas estão presentes em todo o percurso escolar, começando com uma oitava,
inserindo duas oitavas ainda durante o 4º ano do 1º ciclo e implementando as escalas
de 3 oitavas no 8º ano. A partir do 10º ano é acrescentado à escala a execução de
uma escala em notas dobradas, mais precisamente em intervalos de terceira, sexta e
oitava. Para uniformizar a execução, é acrescentado em anexo os padrões de arcadas
recomendadas.

Os estudos e as peças estão também sempre presentes. Nos dois primeiros anos
existe alguma flexibilidade em optar, uma vez que as peças tem maior impacto sob
ponto de vista motivacional uma vez que, normalmente possui acompanhamento de
piano ou do professor de violino e gera mais entusiasmo à prática do instrumento.

A quantidade dos conteúdos vai alterando, sendo que a partir do 9º ano instala-se a
execução obrigatória de andamentos de concerto (desde o 2º ciclo a peça pode
também ser considerada como andamento de concerto ou sonata) bem como a partir
do 11º ano os alunos terão de contactar com o repertório barroco, nomeadamente
andamentos de Fantasias de G. P. Telemann (Alemanha, 1681-1767) e/ou Partitas e
Sonatas de J. S. Bach (Alemanha, 1685-1750).

Relativamente aos critérios de avaliação, as suas ponderações são apresentados na


tabela seguinte.

8
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Critérios de Avaliação
Domínios Instrumentos 1º 2º
3ºciclo Sec.
ciclo ciclo
- Responsabilidade Observação direta
Saber - Respeito/Cumprimento de
20% 15% 15% 10%
Estar regras
- Autonomia
Observação direta
Saber - Cognitivo, sensorial e Estudo individual
80% 85% 85% 90%
Fazer performativo Apresentação
Pública

Tabela 1 – Critérios de avaliação da disciplina de violino

Na prática instrumental a distribuição dos conteúdos é semelhante à disciplina de


violino, no entanto, numa escala mais alargada. A prática instrumental é lecionada
apenas no 2º e 3º ciclo, sendo que no último ano o aluno deverá apresentar como
conteúdos mínimos duas escalas maiores ou menores com os respetivos arpejos em
três oitavas, três estudos, duas peças e o 1º ou 2º e 3º andamento de concerto. As
ponderações dos critérios de avaliação são as apresentadas na tabela 1 relativamente
ao 2º e 3º ciclo.

No que respeita à sugestão de programa, é possível verificar que o seu conteúdo


pouco se alterou ao longo do tempo. Todavia, tendo em conta que a lista foi revista e
reeditada, considero relevante analisar que opções são dadas que incluam
compositores contemporâneos e/ou obras com linguagem demonstrativa da época.
Perante isto, é possível selecionar compositiores como Harold Genzmer (1909-2007),
Cláudio Carneyro (1895-1963), Ivo Cruz (1901-1985), Frederico de Freitas (1902-
1980), Fernando Lopes-Graça (1906-1994), Maria de Lourdes Martins (1926 – 2009),
Dmitri Shostakovich (1906 – 1975), Igor Stravinsky (1895 – 1960). Estes compositores
encaixam-se no período definido como música contemporânea, porém, as obras
selecionadas não se encaixam na linguagem pretendida4, razão justificada pelo
período de composição se centrar na primeira metade do século XX. A listagem destes
autores surge a partir do 6º grau.

Finalizando, saliento as diversas atividades proporcionadas pelo CMP. Foram


inúmeras as audições escolares, permitindo que todos os alunos participassem. Para
além disso, os professores de instrumento organizam uma audição de classe por ano
letivo, contribuindo para a interação entre todos os alunos participantes e uma partilha
de ideias mais íntima. Destaco as audições escolares de 27 de novembro, 4 de
dezembro, 16 de janeiro, 30 de janeiro, 14 de fevereiro e 14 de março onde

4
Ver capítulo III.

9
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

participaram alunos de violino. Outra atividade a destacar é o Concurso Interno,


estimulando todos os alunos do Conservatório a participarem nas provas, durante os
dias 18 de Fevereiro e 2 de março. Por fim, nos dias 16 e 18 de março foi realizado o
workshop ABC do Violino orientado pelo professor Tiago Afonso e aberto a toda a
comunidade escolar.

10
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

II Prática de Ensino Supervisionada

11
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

1. Introdução

A Prática de Ensino Supervisionada é eixo estruturante do Mestrado em Ensino da


Música, tal como é descrito no Regulamento geral de Mestrados da ESMAE. É através
da observação direta da ação de professores com experiência que retiramos a
essência da docência e refletimos sobre a nossa própria enquanto futuros docentes.
Para além disso, é-nos permitido a articulação de saberes adquiridos ao longo das
diversas unidades curriculares do curso, bem como expor a nossas dúvidas e
expectativas com os professores cooperante e orientador.

Nesta parte central do relatório proponho apresentar os dois professores que


acompanharam a minha prática educativa bem como a influência que tiveram na
minha escolha e descrever as várias etapas que integraram o estágio
profissionalizante, desde a sua distribuição ao longo do ano letivo, a observação de
aulas, a lecionação supervisionada, terminado numa reflexão final de todo o processo
decorrido.

2. Professora Cooperante e Professor Orientador

A professora Andrea Moreira nasceu e cresceu em Salzburgo na Áustria. Completou o


curso de Violino e em Pedagogia Instrumental e Formação Musical Infantil, na Escola
Superior de Música e Arte Dramática "Mozarteum” em Salzburgo. Participou em
diversos cursos de aperfeiçoamento com professores como: Erich Höbarth, Brian
Finlayson, Lynn Blakeslee, entre outros bem como participou em vários Ensembles e
Orquestras de Câmara. Vive com a sua família em Portugal, onde leciona violino no
Conservatório de Música do Porto.

Dedica-se à música de câmara e à sua grande paixão, o canto. O seu interesse em


línguas estrangeiras, em diversas culturas e estilos musicais é a razão do seu grande
e variado repertório vocal, onde canta em nove línguas diferentes em diversas
formações. O seu repertório abrange canções clássicas de Kurt Weill / Bert Brecht,
Chansons, Jazz, Música Popular Brasileira, Tango, Kletzmer e canções folclóricas
ciganas da Roménia e Rússia.

É violinista e cantora do Quinteto Ruby Tango Project e é membro do Quarteto Sabiá,


com o qual se apresenta regularmente em palcos internacionais e com o qual tem
gravado CD’s.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

O contacto que a professora Andrea tem com as línguas e com o canto faz com que
invista bastante na qualidade sonora dos seus alunos bem como no cuidado com a
afinação. O recurso frequente à entoação permite melhorar a acuidade auditiva dos
alunos bem como desenvolver outras competências musicais gerais. O seu percurso
académico, tal como foi destacado durante a prática educativa, incidiu na formação
musical infantil, estando assim muito preparada e familiarizada para lidar com crianças
em idade pré-escolar e 1º ciclo no que toca a estratégias de ensino e a relação
interpessoal.

O professor Vítor Vieira, na função de orientador, é membro do Quarteto de Cordas de


Matosinhos (QCM) e professor na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo do
Porto e na Academia de Música de Lisboa. Com o QCM tem vindo a apresentar-se
nas principais salas e festivais de música em Portugal e a colaborar com conceituados
instrumentistas, tanto portugueses (Pedro Burmester, António Rosado, Miguel Borges
Coelho, Pedro Carneiro, António Saiote, Paulo Gaio Lima) como estrangeiros (Maté
Szucs, Tatjana Masurenko, Lazlo Fenyo). Selecionado pela European Concert Hall
Organization como Rising Star da temporada 2014/15, o QCM apresentou-se numa
tournée de 16 concertos em algumas das mais importantes salas de concerto
europeias, como o Barbican Center em Londres, o Concertgebouw em Amsterdão e o
Musikverein em Viena. Estudou com os professores Alberto Gaio Lima, Aníbal Lima e
Gerardo Ribeiro, do qual foi também assistente na Northwestern University (Chicago).
Trabalhou também com professores como Alexei Mikhline, Sergey Kravchenko,
Eduard Wulfson e Mauricio Fux. Realizou estudos especializados de quarteto de
cordas com Rainer Schmidt, violinista do Quarteto Hagen, e trabalhou com membros
dos quartetos Alban Berg, Lasalle, Melos, Emerson e Vermeer. Foi bolseiro da
Fundação Calouste Gulbenkian.

Obteve o 1º Prémio de Violino em nível médio e superior no concurso Prémio Jovens


Músicos da RDP. Foi também vencedor do concurso para cordas Samuel Thaviu, em
Evanston, e da Concerto Competition da NU. Apresentou-se a solo em algumas das
principais salas do país, nomeadamente os grandes auditórios da Fundação Calouste
Gulbenkian, Centro Cultural de Belém, Culturgest e Casa da Música com a Orquestra
Gulbenkian, Orquestra Nacional do Porto, Orquestra Metropolitana de Lisboa e
Orquestra de Câmara Portuguesa. Vitor Vieira é um entusiasta da música
contemporânea, tendo trabalhado diretamente com compositores como John Adams e
Karin Renquist. Como membro do QCM estreou obras de vários compositores
portugueses. Colabora também regularmente com ensembles de música
contemporânea como a Orchestrutopica e o Sond’Ar-te Electric Ensemble.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

O professor Vítor Vieira foi meu docente na licenciatura em música, sendo que fazia
todo o sentido escolhê-lo como orientador de mestrado. Como professor de violino fez-
me rever e solidificar as bases técnicas bem como potenciá-las com vista a atingir
sempre melhores resultados. Teve também um especial contributo no método e
organização do estudo individual, ensinando-me variadíssimas estratégias para
melhorar a qualidade do trabalho. O seu gosto pela música contemporânea é cúmplice
do meu investimento nesta temática e da base da para este projeto. Como violinista, é
uma pessoa inspiradora.

3. Organização da Prática Educativa

No início do ano letivo contactei a professora Andrea para estudarmos as várias


possibilidades de forma a estruturarmos a prática educativa. Comuniquei-lhe que,
devido à minha situação laboral, tinha algumas limitações, sendo que a sexta-feira e o
sábado eram as opções mais viáveis. O horário da professora cooperante não
contempla o sábado o que nos levou a optar pela sexta-feira. Os alunos distribuídos
pertencem aos vários ciclos de ensino, aspeto em concordância com os requisitos
necessários para a organização da Prática Educativa prevista no regulamento geral de
mestrados da ESMAE.

Na tabela seguinte, são apresentados os dias em que estive presente no CMP,


observando as aulas da professora Andrea e também lecionando com a supervisão
tanto da professora cooperante como do professor orientador. O primeiro período
letivo começou a 13 de setembro, no entanto as aulas de instrumento iniciaram
apenas no início do mês de outubro. A aluna Sofia A. teve a primeira aula a 16 de
novembro, uma vez decorrido o processo de transição de instrumento, tendo tido a
oportunidade de acompanhar a iniciação e adaptação ao novo instrumento. Destaco
que nos dias 15/02 não houve aulas por motivo de greve, no dia 24/05 decorreram as
provas de avaliação e no dia 7/06 as atividades letivas foram suspensas de forma a
poderem ser realizadas as reuniões de avaliação.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Aulas Observadas Aulas Lecionadas


Cristiana Pedro Marta Sofia Cristiana Pedro Marta Sofia

2 SET
0 OUT 5, 19, 26 5, 19, 26 5, 19, 26
1 NOV 16, 23 16, 23 16, 23 16, 23
8 DEZ 7 7 7 7
4, 11, 4,11,
JAN 4, 18 4, 18 11, 25 11, 25
18, 25 18, 25
2 FEV 1, 22 1, 22 1, 22 1, 22
0 1, 15, 1, 15, 1, 15,
MAR 1, 15, 22 8, 29 8 8 8
1 22, 29 22, 29 22, 29
9 ABR 26 26 26
MAI 3, 10 3, 10 3, 10 3, 10 17 17 17 17
JUN 14 14 14

Tabela 2 - Cronograma das aulas

3.1. Descrição dos alunos

Foram quatro os alunos integrantes da minha prática educativa.

Inicialmente, apenas a Marta R. e o Pedro S. eram os alunos selecionados para o


acompanhamento ao longo do ano. No entanto, estava impossibilitada de assistir à
aula partilhada da Marta e o Pedro, sendo aluno do regime supletivo, apenas possuía
um tempo letivo de 45 minutos. Sendo assim, a professora Andrea sugeriu que
acompanhasse também a aluna Cristiana D. que, apesar de estar no 5º grau revela
capacidades e aproveitamento ao nível do secundário. A Sofia A., imprevisivelmente,
surgiu em novembro e, a meu pedido, a professora concordou que a incluíssemos no
grupo de alunos do estágio. Esta situação foi debatida no seminário de investigação
de forma a ser aceite do ponto de vista formal e pedagógico.

A Marta revela bastantes facilidades para o estudo do instrumento. Iniciou os seus


estudos musicais com 5 anos noutra escola acompanhada por outra profissional,
tendo ingressado no Conservatório de Música do Porto no 1º ano do 1º ciclo do ensino
básico. Este ciclo foi concluído com muito bom aproveitamento, estando agora inscrita
no 1º ano do 2º ciclo do ensino básico, prosseguindo os seus estudos com a
professora Andrea Moreira, professora que a orientou durante o 1º ciclo. A frequência
em regime integrado foi preponderante para o desenvolvimento musical da aluna que
se destaca na facilidade na aprendizagem, rápida leitura musical e acuidade auditiva.
É uma aluna interessada pela matéria, cumpridora e curiosa, na medida em que
questiona e autonomamente pesquisa sobre assuntos complementares ao violino.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Demonstra alguma impaciência aquando o surgimento das dificuldades, o que leva a


algumas atitudes na sala de aula menos expectáveis.

O Pedro teve a professora Andrea como sua orientadora desde o início da sua
aprendizagem. Até ao 5º grau desenvolveu as competências necessárias para a
obtenção de um aproveitamento satisfatório. Aquando o ingresso no ensino
secundário, a sua dedicação foi diminuindo e a opção de continuar em regime
supletivo teve algum impacto no empenho do aluno. De destacar que a sua
continuidade no CMP depende essencialmente da vontade dos seus pais, não
significando que o aluno não demonstre gosto pelo instrumento. Todavia, a sua
prioridade é o percurso curricular que tem vindo a desenvolver no curso de ciências e
tecnologias. De uma maneira geral, revela algumas dificuldades técnicas agravadas
pela sua falta de hábitos de estudo.

A Cristiana tem ascendentes que desenvolvem a sua atividade profissional no âmbito


musical, sendo que convive com a música desde o seu nascimento. Durante o seu
percurso teve e vai tendo algum acompanhamento na aprendizagem geral da música
e também na especificidade do instrumento. Este ambiente em que vive proporciona
um desenvolvimento musical eficaz bem como predispõe a um aproveitamento
bastante satisfatório. Revela muito interesse pela disciplina bem como hábitos de
estudo regulares e eficientes. É uma aluna atenta e que capta rapidamente as
orientações da professora, pondo-as em prática no imediato. É sua intenção ingressar
no curso secundário de instrumentista proporcionado pelo CMP em regime integrado.

A Sofia, tal como a Cristiana, convive com a música desde a sua gestação devido à
situação profissional de um dos seus ascendentes. É visível a sua capacidade auditiva
embora revele alguma dificuldade ao nível da reprodução. Facilmente deteta a
desafinação mas a ação de entoar é algo que detém alguma inibição e acanhamento.
Ingressou no CMP no 1º ano do 1º ciclo na variante de harpa. Juntamente com os
seus pais decidiram transitar para o violino no 5º ano, ano em que se encontra inscrita
atualmente. Realizou as provas impostas para este tipo situações tendo sido aprovada
devido à sua imediata adaptação ao instrumento. Demonstrou flexibilidade e boa
coordenação motora, bem como capacidades no reconhecimento auditivo das notas e
da sua afinação. A sua aprendizagem anterior facilita a leitura musical, fator positivo à
sua evolução futura. De forma a obter resultados mais rapidamente, a professora
propôs um acompanhamento extra para que a aluna venha a ingressar na classe de
conjunto de orquestra e para que o seu nível de conhecimento não se distancie muito
de outras crianças inscritas em violino no mesmo ano.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

3.2. Reflexão acerca da observação das aulas

Observar para quê? E porquê?

A observação é um instrumento de trabalho do professor. Durante o estágio, tive a


oportunidade de observar a professora Andrea na sua forma de ensinar, relacionar e
inspirar os seus alunos. Além do conhecimento técnico que pude aprofundar, também
adquiri mais competências na ação observar, essencial ao desempenho da profissão
de professor, já que permite ao professor uma atitude crítica perante o que observa e
perante a sua forma de ensinar. No entanto, o ponto de vista da observação não deve
ser avaliativo, mas sim representativo, já por isto é que a observação tem várias
funções (descritiva, formativa, avaliativa e heurística). É pretendido com a observação
que o observador desenvolva competências como reconhecer e identificar fenómenos,
ser sensível à relação entre professor e aluno, recolher objetivamente a informação,
permitir ver coisas que os participantes não veem, entre outras.

Tendo e conta o seu processo, a observação pode ser ocasional, caracterizada pelo
registo dos incidentes isolados da interação dos indivíduos ou de um fenómeno num
momento específico. Normalmente, este tipo de observação revela problemas de
objetividade oriundos de descrições detalhadas de comportamentos/fenómenos pouco
habituais; A observação sistemática centra a sua atenção nos processos e nos
resultados obtidos, inseridos num ambiente fechado e com controlo de variáveis; A
naturalista, tal como o nome indica, permite a investigação de fenómenos nos seus
contextos de ocorrência natural. Além disso, é também mais prática e acessível. A
meu ver, o tipo de observação que mais se enquadra no trabalho desenvolvido ao
longo do estágio é a observação naturalista, na medida em que, após recolhermos
todos os dados podemos analisá-los com maior exatidão e interpretá-los de forma
completa. Segundo Estrela (cit. por Santos, 1994) a observação natural regista os
dados recolhidos em “biografia” que são construídos a partir do que é observado.
Caracterizando, não é uma observação seletiva – o observador procede a uma
acumulação de dados, pouco seletiva, mas passível de uma análise rigorosa; o
observador preocupa-se com a precisão da situação, ou seja, com a apreensão de um
comportamento ou de uma atitude inseridos na situação em que se produziram, a fim
de se reduzirem ao mínimo as dúvidas referentes à sua interpretação; o observador
pretende estabelecer biografias compostas por um grande número de unidades de
comportamento, que se fundem umas nas outras e, por último, a continuidade é um
dos princípios de base que possibilita uma observação correta.

17
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Acrescento ainda que a posição de observador não participante permite a


autenticidade na recolha de informação, já que o observador centra integralmente a
sua atenção neste aspeto.

O processo de observar é muito complexo. Considero que manter a posição neutra é


um aspeto desafiador para qualquer observador. O nosso cérebro tem a
particularidade de fazer associações a todo o momento e nem sempre é simples evitar
fazê-lo. Confesso que me deparei com esta dificuldade durante as minhas
observações. Reparei que, exemplificando, ao anotar alguma etapa sequencial das
aulas fiz a transposição da mesma para aulas lecionadas por mim ou para assuntos
abordados durante o MEM. Penso que esta associação é fundamental para a nossa
formação de docentes, no entanto, pode influenciar no momento da observação.

Por este motivo é que observar requer critérios específicos antes e depois da ação.
Quando planeamos uma observação centramos a nossa atenção num determinado
objetivo de estudo. No entanto, especialmente durante uma aula de individual há uma
grande probabilidade de o objetivo que definimos como prioritário ser sobreposto por
outro. Do ponto de vista pessoal e da minha experiência, penso que no momento pode
tornar-se complicado ter de decidir se mantemos o foco de observação e correr o risco
de os dados recolhidos serem insuficientes ou alterar o foco de observação e ter de
adaptar a grelha no momento. O ideal é que a grelha de observação tenha também
algum espaço para comentários ou observações. Sendo assim, optei por grelhas de
descrição, separando os acontecimentos segundo o conteúdo abordado pela
professora Andrea. De uma forma geral, considero que este formato foi o mais
indicado, uma vez que pude absorver o máximo de informação possível, desde
comentários específicos a analogias representativas bem como a distribuição temporal
dos conteúdos ao longo do tempo letivo.

São inúmeros os documentos que relatam as aulas observadas durante o ano letivo,
possíveis de serem consultados cronologicamente em anexo do presente relatório.
Todos eles são importantes para a perceção da continuidade do trabalho de cada
aluno e da organização estabelecida pela professora cooperante. Cada documento
está identificado com o nome do aluno, ano de frequência, bem como a data da aula.
A tabela principal contém a descrição pormenorizada da aula e no final, proponho uma
reflexão pessoal sobre a mesma.

O processo de observação de aulas é longo e cansativo. São muitas horas seguidas


em que o conteúdo, por vezes, se assemelha, principalmente quando existe um teor
técnico em todas as aulas. A professora Andrea Moreira investe bastante na técnica

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

desde o início da aprendizagem. Tive a oportunidade de conversar com ela acerca da


temática, expondo as minhas dúvidas e preocupações sobre a altura indicada para
falar sobre técnica com os alunos. Tal como põe em prática, a professora orienta os
seus alunos desde tenra idade para a execução correta dos movimentos de ambos os
braços, principalmente o movimento do braço direito. Todos os alunos,
independentemente do seu grau de conhecimento, trabalharam estes aspetos em
várias aulas durante o ano em cordas soltas, para que a sua atenção estivesse focada
apenas na deslocação do braço. Este controlo é fundamental para tocar violino e para
que no futuro não se desenvolvam hábitos erróneos. A professora Andrea aconselhou-
me a descomplicar a abordagem da técnica, principalmente com alunos mais novos.
De uma forma elucidativa e muitas vezes lúdica podemos orientar a aprendizagem
para exercícios de teor técnico sem nunca dizer que estamos a trabalhar efetivamente
a técnica. No caso que se segue da Sofia A., é possível verificar que durante 30
minutos foram realizados vários exercícios técnicos de controlo da mão/braço direito.
No entanto, a forma como a professora os transmitiu à aluna despertou a atenção e
interesse da mesma para os realizar e memorizar e vir a repetir em casa,
denominando-os de exercício do ‘baloiço’, ‘bucha e estica’ e ‘aranha’. Desta forma, a
professora pretende aperfeiçoar a pega do arco e aumentar a mobilidade do ombro
para deslocar rapidamente entre as quatro cordas. A aula de dia 1 de março serve de
título de exemplo de várias outras aulas em que a professora aborda de forma
cativante outros exercícios técnicos.

Nome Sofia A. 5º ano - integrado


Data 01.03.2019 Prof. Cooperante Andrea Moreira

16:05 Afinação e preparação do material.


16:10 Exercício do “Baloiço”, colocando o arco na corda sol e deslocá-lo sem
levantar/tocar até à corda mi. A professora vai dizendo cordas aleatoriamente e a
aluna para o baloiço, deslizando ao arco sobre a nota referida pela professora 4
vezes, regressando posteriormente ao baloiço. Repete o exercício com o arco no
talão, meio e na ponta. A professora vai retificando a postura do corpo, posição do
violino e do polegar no talão.
16:20 Exercício do “Bucha e Estica”, segurando a ponta do arco com a mão esquerda
para facilitar o movimento de extensão e flexão dos dedos da mão direita. Exercício
da “Aranha”, subindo e descendo a vara do arco (posicionado verticalmente) com o
objetivo de vir a adquirir uma pega mais natural e menos tensa. A professora foi
retificando a posição do polegar direito. Intercalam entre os dois exercícios.
16:40 Exercício 29. A Sofia refere que não estudou, que se esqueceu.
Tentam na mesma e a professora diz que a aluna não deve esquecer de estudar os
exercícios que a professora marca. No entanto, comenta que “a mão esquerda está
muito boa, mas que a direita fica esquecida”. Voltam a fazer os exercícios do Bucha
e Estica no lápis.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Reflexão
É cativante a forma como a professora Andrea ensina, mais se aplica aos alunos mais novos.
A aprendizagem é bastante rápida devido a imagética criada pela professora. São tantos os
exercícios que aplica e que criam sorrisos à medida que os realizam. Tudo isto estimula à
aprendizagem e desperta o gosto pelo estudo do instrumento. Em relação à Sofia, questões
ligadas à técnica da mão direita são as principais a serem trabalhadas devido à sua
dificuldade de coordenação de movimentos. A meu ver, não só pelo recente contacto com o
instrumento, mas também pela grande diferença entre os movimentos na harpa (instrumento
anterior) e do violino.

Tabela 3 – Observação da aula da aluna Sofia de 01.03.2019

Considero relevante o conhecimento adquirido face à organização da aula, ao poder


da síntese e o reforço positivo sempre demonstrado pela professora Andrea Moreira. A
aula da aluna Cristiana D. do dia 16 de novembro é um exemplo elucidativo destes
aspetos que valorizo na minha aprendizagem durante o estágio. Inicialmente, a
professora dá autonomia à aluna para escolher o conteúdo a executar. Desta forma,
convida a Cristiana a fazer parte da organização da aula, dando-lhe a
responsabilidade de refletir e ponderar sobre o estudo realizado durante a semana
tendo em conta a consolidação do conteúdo e a apresentação de dúvidas. Além disso,
no final de cada momento, sumaria os aspetos a melhorar ainda que já os tivesse
mencionado durante o trabalho na aula. Aproveita inclusive para os escrever de forma
a que a Cristiana os possa consultar durante a semana sem correr o risco de esquecer
algum aspeto importante a aplicar no seu estudo diário. Por fim, e sem menor
importância, surge um aspeto importantíssimo na abordagem do docente. Na unidade
curricular de Metodologia e Didática dos instrumentos fomos abordando ao longo do
ano letivo no impacto que o reforço positivo tem nos alunos em oposição à punição ou
ao destaque dos aspetos negativos. Do ponto de vista teórico, este conceito é lógico e
parece quase natural a sua aplicação prática. No entanto, em contexto de sala de aula
com os vários alunos que estão sob nossa alçada, nem sempre é imediata a
adequada utilização do reforço positivo. Pude observar que as falhas e as dificuldades
dos alunos de violino tendem a ser normalmente as mesmas. A persistência e o
momento em que surgem podem variar, mas praticamente todos os alunos sentem e
lidam com as mesmas complicações da aprendizagem do instrumento. Ora, não seria
uma questão pertinente se eventualmente durante o dia o professor de violino não
lecionasse tantas aulas individuais de instrumento e tivesse de repetir várias vezes as
mesmas advertências e os mesmos conselhos de estudo individual, por exemplo. É
um desafio constante para o professor manter a assertividade e encarar cada tempo
letivo como único. Sendo assim, após a execução de um exercício ou de uma peça é
facilmente percetível para o professor aquilo que não foi bem executado e a primeira
tentação é enumerá-los. Todavia, a professora Andrea foi uma inspiração no que toca

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

a contrariar esta tendência, uma vez que, de uma forma geral, aplica o princípio do
reforço positivo, salvo algumas exceções em que um determinado aluno necessitasse
de uma atitude mais rígida e realista de forma a consciencializar-se dos seus deveres
como aluno. No caso da Cristiana D., a professora não estava ainda satisfeita com a
expressividade, mas decide interpelá-la dizendo “Tocaste com muito boa sonoridade.
No entanto, podes ainda fazer mais cores, principalmente nas partes mais
expressivas”, em vez de o som não está suficientemente bonito, tens de melhorar!, por
exemplo. Outro exemplo é “Com certeza que trabalhaste isto muito bem, portanto
confia! Claro que pode melhorar, mas não deixes o pensamento entrar por um único
segundo a dizer que não vai dar certo”, mostrando que acredita no trabalho da aluna,
embora ainda haja aspetos a serem aperfeiçoados. Finalizando, destaco o comentário
final “Está no bom caminho! Vai ficar bem, mas ainda precisa de um pouco mais de
tempo para amadurecer.”, indicativo de confiança e segurança, demonstrando a
necessidade de aluna continuar a investir na qualidade do seu estudo individual.

Nome Cristiana D. 9º ano - integrado


Data 16.11.2018 Prof. Cooperante Andrea Moreira

11:50 Preparação do material;


Afinação do instrumento;
A professora informa que a aluna está inscrita numa audição interdisciplinar.
11:55 A professora dá liberdade para a aluna começar com o que achar melhor, sendo que
a escolha é a escala de lá maior e respetivos arpejos em 3 oitavas.
Relativamente à escala, depois de aluna a ter executado com uma progressão
crescente rítmica numa divisão de 2 tempos por arcada, a professora comenta que o
contacto do arco com a corda deve ser melhor, as mudanças de posição menos
bruscas e as mudanças de direção do arco mais cuidadas. A professora exemplifica
e pergunta à Cristiana se tem alguma dúvida relativamente a como melhorar os
aspetos anteriores.
Quanto ao arpejo a afinação foi o aspeto mais falado, uma vez que havia muita
instabilidade na colocação dos dedos. A aluna procurava a afinação sempre que
colocava os dedos. A professora refere que a Cristiana deve prestar mais atenção e
que se acontecer em casa deve repetir mais uma vez para ter mais certeza e
segurança da afinação correta para cada nota.
A precisão do legato também foi referida pela professora que aproveita para ensinar
um truque à aluna: “Para facilitar o legato deves por o dedo antes do movimento do
arco”.
No final, a professora enumera os aspetos a melhorar e a ter em atenção durante o
estudo em casa, escrevendo-os num papel para entregar à aluna.
12:15 Segue-se o estudo nº 2 de H. Marteau (op.14) com diversas arcadas e trabalho de
spicatto que, por vezes, era semelhante ao martelé. Houve alguma insistência no
aperfeiçoamento da técnica de spicatto.
A professora resume pequenos detalhes a ser melhorados, nomeadamente a
posição mais fletida dos dedos da mão direita e o relaxamento do pulso da mesma
mão. De destacar que a professora utiliza o termo ‘detalhes’ para evidenciar
pequenos aspetos, uma vez que a aluna revela dominar o estudo.
12:30 Finalizam os conteúdos com o Concerto nº 9 de C. Beriot (op.104). Enquanto a
aluna toca a professora vai intervindo. Começa por pedir mais rápido. No final da

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
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Ana Tedim

primeira página interrompe para dizer “tocaste com muito boa sonoridade. No
entanto, podes ainda fazer mais cores, principalmente nas partes mais expressivas”.
Numa passagem com notas dobradas diz “Com certeza que trabalhaste isto muito
bem, portanto confia! Claro que pode melhorar, mas não deixes o pensamento entrar
por um único segundo a dizer que não vai dar certo”.
Repetem algumas secções com problemas, utilizando dinâmicas de estudo
diferentes.
Vai referindo aspetos importantes para o músico:
- “Quando tocas, tens de estar convencida!”
- “As passagens difíceis têm de ser trabalhadas todos os dias!”
- “As passagens rápidas em situação de concerto devem ser pensadas como
se fossem lentas!”
Para melhorar a abordagem a certas passagens de carácter dolce e calma, por
exemplo, a professora recorre à analogia: “imagina o gato com as suas patas fofas a
aproximar-se ou a entrar numa sala desconfiado e à procura de algo”. Com isto, a
aluna fica mais sensibilizada para tocar no carácter certo.
13:00 Finalizam a aula e, enquanto a aluna arruma o material, a professora diz “Está no
bom caminho! Vai ficar bem, mas ainda precisa de um pouco mais de tempo para
amadurecer.”

Reflexão
Considero que o aspeto mais importante desta aula foi, sem dúvida, o recurso aos resumos.
Em todos os conteúdos a professora enumerou os aspetos que devem ser melhorados de uma
forma clara e concisa. A perceção pela aluna foi imediata e a organização do estudo individual
da semana será seguramente mais fácil.
Destaco ainda, sem menor importância, o constante reforço positivo dado pela professora,
grande fonte de segurança e confiança.

Tabela 4 - Observação da aula da aluna Cristiana de 16.11.2018

Destacando ainda o grande impacto do reforço positivo, seleciono a aula de dia 23 de


novembro da aluna Marta R. Analisando o documento que se segue, é possível
confirmar o interesse e a motivação demonstradas pela aluna, impulsionadas pela
professora no final da aula após elogiar e destacar os aspetos positivos do trabalho
que a Marta tem vindo a demonstrar.

Nome Marta R. 5º ano - integrado


Data 23.11.2018 Prof. Cooperante Andrea Moreira

14:20 Preparação do material.


Afinação do instrumento.
A Marta refere entusiasticamente que já decorou totalmente a peça Dance, ao qual a
professora valoriza.
14:25 Começam então com a peça de Mozart, Dance. Vai tocando e a professora percebe
que as arcadas não são as corretas. Assinala com a cor verde as arcadas que
falharam.
14:40 A pianista acompanhadora chega e aproveitam para continuar o trabalho da Dance,
agora com piano. Foi corrigindo pequenos detalhes à medida que o ensaio ia
decorrendo.
14:45 F. Schubert, Andante, a peça iniciada na semana anterior é agora ensaiada com
piano. A professora parabeniza pelo trabalho realizado em tão pouco tempo. Clarifica

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
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Ana Tedim

que, no período clássico, quando duas colcheias separadas precedem duas


colcheias ligadas, estas devem ser mais articuladas, logo mais curtas. Diz também
que a Marta pode tocar com mais vibrato para embelezar a peça.
14:50 Terminam os ensaios com piano. A professora acha que a Marta está bastante
melhor. Diz-lhe que gosta muito do vibrato e que, como fez tão bem, vai querer ainda
mais. A Marta pergunta “a professora pode apontar quais são as notas que têm de
ter vibrato?” Com algum riso, a professora diz que se pensares que deves vibrar
todas as notas, vais vibrar muitas mais notas. A aluna pergunta como pode melhorar
uma passagem de arrastamento de dedos. A professora dedica algum tempo a
melhorar a passagem pedida pela aluna: orienta-a para um movimento mais brusco e
mais tarde de dedo em causa. A aluna questiona ainda o que é sfp? A professora
explica sucintamente que é um acento que diminui rápido para piano, tal como a
“onda do Atlântico”.
15:05 Finalizam a aula com uma síntese dos aspetos a ter em atenção:
- vibrato;
- divisão do arco;
- articulação.
A professora acrescenta truques para decorar as peças:
- olhar para uma secção;
- tocar essa mesma secção de olhos fechados;
- se tens dúvidas, abres só um olho (brinca).

Reflexão
Penso que nesta aula foi possível verificar os efeitos que o reforço positivo tem nas crianças.
A professora elogiou, com razão, os feitos da Marta. O resultado, para além do brilho nos
olhos e do sorriso contido, foi um maior interesse da Marta em melhorar. Estimulou a
curiosidade da aluna para aspetos que não conhecia e para refletir naquilo que ainda pode
corrigir e aperfeiçoar. O mais curioso é que surgiu de forma espontânea por parte da aluna. A
meu ver, estreitou mais ainda os laços entre a professora e aluna. A professora Andrea é
muito simpática e carinhosa e, sem dúvida, que não é difícil criar uma boa relação com ela.
Ainda assim, há bastante preocupação por parte da mesma em comunicar e relacionar-se de
forma eficaz com os seus alunos.

Tabela 5 - Observação da aula da aluna Marta de 23.11.2018

A aula de dia 3 de maio é também representativa destes aspetos abordados


anteriormente. Mais uma vez, a capacidade de síntese e organização dos conteúdos
verificada, por exemplo, no trabalho realizado no primeiro andamento do Concerto nº 9
de Bériot (op. 104). É possível verificar mais algumas expressões da professora
Andrea que motivam e estimulam a Cristiana a estudar e a tocar sempre cada vez
melhor e também a entrega da professora Andrea à sua função de professora
cooperante.

Posso concluir que sou uma felizarda por tudo o que aprendi no estágio desenvolvido
ao longo do MEM e na escolha que fiz quanto à professora cooperante. A minha
participação e colaboração nas aulas foi sempre bem acolhida pela professora Andrea
Moreira que em todas as aulas interagia, comigo, questionando-me acerca de
determinados aspetos/conteúdos, solicitava-me sugestões e valorizava as minhas
escolhas e técnicas de estudo, aplicando-as nos seus alunos.

23
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Nome Cristiana D. 9º ano - integrado


Data 03.05.2019 Prof. Cooperante Andrea Moreira

11:50 A aula começa cerca de 15 minutos mais tarde.


12:05 Afinação do instrumento e preparação do material.
A professora alerta para o facto de restarem apenas 2 aulas até ao dia da prova.
12:10 J. Massenet, Meditation from Thäis A aluna toca a peça completa. No final a
professora aplaude e diz que foi muito bom. Acrescenta que a qualidade do som foi
consistente, o vibrato funcionou. “Apenas algumas situações podem ser mais
perfeitas”.
Trabalham os compassos 16 a 18, para melhorar a afinação.
12:17 A professora acompanhadora entra na sala.
Iniciam com a Meditation. Tocam tudo pela primeira vez. A prof. Andrea diz que está
bastante satisfeita, por isso não considera necessário repetir. Sugere que a Cristiana
decore.
Seguem para o 1º andamento do concerto nº 9 de Beriot. Após reverem
completamente a peça com o acompanhamento de piano, a professora destaca as
seguintes passagens pelos motivos apresentados em seguida:
- cc. 16-19: clareza da mão esquerda;
- cc. 57-59: intensidade da acentuação;
- cc. 62: perceção da dinâmica;
- cc. 65: estabilidade rítmica;
- cc. 67- 74: afinação;
Conclui dizendo que aconselha que todo o andamento seja executado mais rápido e
pede para tentarem mais uma vez desde o início.
No final, a professora refere “Em geral, muito bem! Temos só algumas situações que
precisamos de tocar lento todos os dias e, na hora de tocar, arriscar pensando que é
a nossa passagem preferida”.
12:40 Sem piano, focam a atenção em algumas passagens.
Do compasso 94 ao 106 atentam na afinação e no controlo da mudança de posição.
Complementa criando um cenário real adaptável à secção: “Imagina que cada nota é
uma das tuas melhores amigas. Tens de dar a mesma atenção a todas senão elas
ficam chateadas”. Do compasso 52 ao 62 aperfeiçoam a articulação da mão direita e
as
a afinação das notas dobradas. A professora sugere o exercício de 3 que eu propus
na aula de dia 29.03. Em seguida, houve espaço para que eu comentasse.
12:57 A professora conclui a aula encorajando a aluna a confiar no trabalho que tem vindo
a desenvolver. Antes de tocar, “inspirar e pensar «eu treinei!»”.

Reflexão
A professora começou a aula referindo a aproximação à prova final de ano. Não o faz para
criar nervosismo (podendo-se ter verificado pelo tom de voz) mas para colocar a aluna em
alerta e despertá-la a limar os últimos detalhes do repertório. Desde 1.03 que a peça Légende
tem vindo a ser trabalhada, todavia a professora decide alterá-la para a Meditation. Considero
que foi uma troca ponderada e muito favorável à aluna, uma vez que, intensifica as qualidades
interpretativas da mesma e, pelo gosto e aproximação ao estilo, revelou-se bastante acessível
ao nível da preparação técnica.
De referir, a abordagem motivadora e positiva que a professora Andrea revela constantemente
e que tem um impacto muito favorável na aluna. Além disso, transforma partes técnicas em
imagens do quotidiano, facilitando a sua perceção e desmobilização.

Tabela 6 - Observação da aula da aluna Cristiana de 03.05.2019

Considero importante refletir sobre o aluno Pedro S. Dos quatro alunos integrantes da
prática educativa destaca-se por não cumprir os requisitos mínimos de estudo
individual o que refletiu em todo o seu aproveitamento e rendimento na aula semanal

24
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

de violino. A professora Andrea, no início do ano letivo advertiu-me para este caso,
sugerindo que talvez fosse mais proveitoso assistir à aula de outro aluno de ensino
secundário, de forma a ser mais cativante e mais enriquecedor. Todavia, para além de
não ter outra disponibilidade coincidente com o horário da professora, considero que
os alunos menos empenhados e com mais dificuldades são também desafios diários
face à criatividade e dedicação do professor.

Infelizmente, o Pedro S. interrompeu o seu percurso musical ainda durante o corrente


ano letivo, decisão tomada conscientemente por si e em conformidade com a opinião
da professora. De uma forma geral, durante o ano todo revelou sempre falta de
pontualidade, sendo muito escassas as vezes em que a aula iniciou na hora
estipulada. Esteve inscrito em regime supletivo o que significa que lhe foi atribuída
uma aula de 45 minutos semanal. Ora, para o ensino secundário, normalmente, uma
aula semanal com esta duração não é suficiente, tendo em conta o volume de
repertório e de aspetos a melhorar. Neste caso, o encurtamento da aula de forma
voluntária pelo aluno revela, a meu ver, algum desinteresse, uma vez que não tinha
compromissos antes da aula, como informou a professora aquando o seu
questionamento.

Agravando a situação, a falta de estudo regular também não permitia o avanço da sua
evolução e a obtenção de resultados positivos. Ainda assim, considero que a
observação destas aulas teve um impacto positivo e foi bastante útil na definição de
estratégias, bem como na reflexão acerca de possíveis situações semelhantes no
futuro. A propósito, durante o 3º período do corrente ano letivo fui professora de uma
aluna inscrita no 5º grau, ano importante para a conclusão do 3º ciclo do ensino
básico, que revelava fracos hábitos de estudo e algumas dificuldades técnicas que a
impediam de estar no patamar exigido para o nível referido. A ligação desta aluna com
o Pedro advém da necessidade que senti em estipular algumas estratégias para
contrariar a atitude e perceção de alguns alunos no sentido de os estimular e de
explorar o seu máximo potencial, reflexão instigada pela observação das aulas do
Pedro. Na minha opinião, a maior preocupação relativamente a este caso centra-se na
monitorização do estudo individual e acima de tudo, na criação de objetivos concretos
que o levassem, quase que pressionado, a estudar. Esta era também a situação da
minha aluna, cuja ação foi direta e imediata. Após cada aula, estipulávamos dois dias
em que a aluna teria de enviar gravações do conteúdo pedido, ao qual eu escrevia
comentários e novos objetivos a atingir para a nova gravação/aula seguinte. Esta
experiência foi extremamente bem-sucedida: a aluna enviou atempadamente as
gravações, foi-se tornando mais rigorosa com a qualidade da mesma bem como a

25
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

execução correta do conteúdo e tomava iniciativa de questionar e também enviar


outros conteúdos. Revejo que esta situação poderia ser aplicada no caso do Pedro,
ainda que o resultado pudesse ser diferente. Todavia, considero que tal estímulo no
estudo individual dos alunos tem sempre reflexo no aproveitamento dos mesmos.
Logicamente, esta estratégia envolve dispêndio de tempo fora do horário letivo e,
tendo em conta a carga horária semanal, pode não ser realizável pelo professor
sempre que necessário e, nestas situações, haverá necessidade de procurar outras
estratégias.

Não penso que seja relevante destacar alguma das aulas do Pedro que tive
oportunidade de observar. Em suma, não houve grande diversidade de informação e
conteúdo, já que o papel da professora era mais de acompanhamento ao estudo e o
trabalho lento com grande foco na leitura. Posso concluir que pude consolidar algumas
técnicas de estudo e também explorar vertentes e diferentes possibilidades para a
resolução de dificuldades técnicas e outros problemas decorrentes da aprendizagem
do violino.

Num nível de aprendizagem completamente distinto enquadra-se a aluna Sofia A.


Durante o ano letivo vigente iniciou o seu estudo do violino por opção própria e
optando por suspender as aulas de harpa, instrumento que vinha a tocar há quatro
anos. Não tinha qualquer noção do violino quando teve a sua primeira aula no dia 16
de novembro. Acompanhar a Sofia foi extremamente importante para a minha
aprendizagem enquanto docente consciente e bem informada. Apesar de ser uma
aluna do 5º ano (2º ciclo do ensino básico), o seu percurso assemelha-se a uma
criança no primeiro ano de iniciação, embora a evolução aconteça em diferentes
velocidades. Cada vez mais crianças começam a estudar um instrumento desde o 1º
ciclo muito graças ao investimento na educação que se tem vindo a observar nos
últimos anos. Especialmente o professor de instrumento tem de estar preparado para
lidar com alunos inseridos nas mais variadas faixas etárias e adaptar a sua forma de
ensinar ao aluno. Neste caso, como a Sofia já tem maturidade suficiente para
compreender a linguagem escrita e oral bem como o conhecimento básico da
linguagem musical foi bastante mais imediato o contacto com o instrumento.

Nome Sofia A. 5º ano - integrado


Data 25.01.2019 Prof. Cooperante Andrea Moreira

16:05 Preparação do material e afinação do instrumento.


16:10 Trabalho de técnica de arco com martelé e detaché na parte superior e inferior. A
professora pede para a aluna inventar um padrão de distribuição do arco e para o

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

repetir em todas as cordas.


16:35 A professora prossegue a aula com a escala de Sol Maior numa oitava. Atenta no
movimento do cotovelo esquerdo nas mudanças de corda e na colocação do 4º
dedo. A Sofia na secção descendente está a colocar o 3º e 4º dedo em simultâneo, o
que não favorece ao controlo da afinação. A professora pede-lhe para colocar
apenas o 4º dedo.
16:38
Escala de Lá Maior numa oitava com o ritmo . A professora pretende que a
Sofia utilize o arco todo.
16:45 A professora pede agora a melodia da página 44 de K. Sassmannshaus (Early start
on the violin). Para que a aluna relacione a escala e este exercício, a prof. pergunta-
lhe o que lhe faz lembrar. A aluna encolhe os ombros e, com a orientação da
professora, consegue concluir que é o arpejo de lá maior.
16:53 Com Sassmannshaus, página 45, exercícios 1 a 4 a Sofia demonstra algumas
dificuldades de leitura. A professora pede para a aluna cantar e dizer também os
números correspondentes à dedilhação.

Reflexão
Nesta aula, a professora conseguiu abordar todos os aspetos essenciais à execução do
violino. Desde a correta utilização do arco, à colocação dos dedos da mão esquerda, ao
reconhecimento da afinação e à noção de altura da nota, a Sofia pôde estimular todas as
aptidões e estar mais orientada para o estudo individual. Como tenho vindo a verificar, a
professora recorre várias vezes à estratégia de cantar as músicas que estão a ser estudadas.
No entanto, a Sofia não gosta de cantar e praticamente não emite qualquer som durante o
exercício. Já por isso, a professora canta em simultâneo com o objetivo de estimular e, a longo
prazo, transmitir confiança para a aluna o vir a realizar sozinha.

Tabela 7 - Observação da aula da aluna Sofia de 25.01.2019

Atendendo à data da observação transcrita anteriormente e à data da primeira aula, é


possível verificar que, num intervalo de cerca de dois meses (com a interrupção letiva
do Natal incluída), a Sofia evoluiu muito rapidamente. Todos os aspetos essenciais à
aprendizagem do violino foram bem assimilados, embora ainda não executados
completamente e da forma mais correta, mas com a consciência do que pode ser
melhorado. A meu ver, a professora é a principal responsável por este
desenvolvimento das competências violinísticas. A forma como interage com a Sofia é
bastante próxima e com uma linguagem simples, facilmente compreensível e
rapidamente assimilada em resultados práticos. Existe apenas um entrave entre as
duas: a Sofia sente-se intimidada quando a professora pede para entoar a melodia,
por exemplo. Para já, não há sinais de algum reflexo negativo nesta limitação, mas a
professora teme que venha a afetar o apuramento da afinação e a capacidade de
compreender e executar aspetos expressivos relacionados com a perceção musical
das obras.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

3.3. A Planificação de aulas como ferramenta diária

A importância da Planificação como ferramenta diária do professor centra-se na


necessidade de reflexão-na-ação entre professor(es) e aluno(s). Donald Schon (cit.
por Nóvoa, 1992) defende que este princípio é a base da evolução da educação e
pode ser aplicado de diversas maneiras para potenciar o desenvolvimento do
professor, do aluno e da comunidade escolar. A planificação tem como fundamento a
reflexão acerca do conteúdo a desenvolver na aula, tendo em conta as características
do aluno, cujo está inserido num contexto escolar. No final pretende-se que o
professor olhe retrospetivamente e reflita sobre a sua ação prevista. “O professor pode
pensar no que aconteceu, no que observou, no significado que lhe deu e na eventual
adoção de outros sentidos. Refletir sobre a reflexão-na-ação é uma ação, uma
observação e uma descrição, que exige o uso de palavras”, daí o uso da planificação
para efetivar todo o processo.

Sendo a planificação um documento específico de cada aluno, adaptando-a ao


contexto do ensino individual do violino, o professor será capaz de individualizar cada
aluno, focando a atenção nas suas dificuldades, gostos e características, agindo em
conformidade com as mesmas.

Schon defende que (cit. por Nóvoa, 1992, p. 91) existem três dimensões essenciais à
reflexão sobre a prática: “primeira, a compreensão das matérias pelo aluno (Como é
que este rapaz compreende estes modelos? Como é que interpretou as instruções?
[…] ); segunda, a interação interpessoal entre o professor e o aluno (Como é que o
professor compreende e responde a outros indivíduos a partir do ponto de vista da sua
ansiedade, controle, diplomacia, confrontação, conflito ou autoridade?); terceira, a
dimensão burocrática da prática (Como é que um professor vive e trabalha na escola e
procura a liberdade essencial à pratica reflexiva?)”.

Seguindo estas diretrizes, construí os meus modelos de planificação à luz das


orientações da professora Andrea e daquilo que considerei essencial a trabalhar no
espaço da aula.

Apresentação da Aula
Disciplina Violino
Nome do(s) aluno(s) Marta R.
Regime de frequência 5º ano Integrado – Conservatório de Música do Porto
Tipologia da aula Ensino Individual
Duração 45 min.
Data 25 de Janeiro de 2019
Docente Cooperante Andrea Moreira

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Perfil do Aluno
A Marta revela bastantes facilidades para o estudo do instrumento. Integra o CMP desde o 1º
ciclo sendo orientada pela professora Andrea desde essa altura, o que se reflete no facto de se
encontrar bastante acima do nível médio de conhecimentos para o 5º ano. No entanto, a sua
percepção das indicações dadas nem sempre é imediata, sendo que a imitação e a
demonstração são ferramentas essenciais para uma aprendizagem mais eficiente. Durante o 1º
período aprendeu a 3º posição e a técnica do vibrato sendo que são os principais aspetos a
consolidar durante o ano letivo.

Conteúdos da Aula
Conteúdos Escala de Sol menor melódica em duas oitavas, com mudança de
programáticos e posição
didáticos Trabalho e consolidação da estrutura da mão esquerda na
tonalidade de sol menor;
Aplicação de diferentes distribuições do arco (opcional).
M. C. Festing, Andantino and Menuetto (da Sonata para violino op. 8
nº1)
Peça de carácter técnico e expressivo com vista à exploração da
tonalidade de sol menor e, na segunda secção, a respetiva
homónima. Caracterizada por diferentes esquemas rítmicos e de
arcadas, visando o uso de diferentes distribuições e velocidades
de arco. Domínio da mão esquerda ao nível 3º posição, trilos e
acordes. Contacto com a escrita barroca através da execução de
apogiaturas sobrevalorizadas. Aplicação de várias dinâmicas
expressivas e vibrato.

Objetivos da aula
Objetivos gerais Dominar as particularidades técnicas do instrumento;
Adquirir a postura correta;
Adquirir competências musicais através de reportório adequado ao
estudo do violino;
Desenvolver a autonomia para o trabalho individual do instrumento;
Promover a sensibilidade musical.
Objetivos Desenvolvimento A aluna deverá ser capaz de:
específicos técnico da mão  Colocar todos os dedos de forma
esquerda coordenada e relaxada;
 Articular diferentes combinações entre os
dedos;
 Aplicar o vibrato.
Desenvolvimento A aluna deverá ser capaz de:
técnico da mão  Utilizar o arco na íntegra (talão – ponta e
direita ponta – talão) e combinar ambas as
partes inferior e superior;
 Aplicar os golpes de arco detaché e
martelé;
 Usar diferentes velocidades no
movimento do braço direito.
Desenvolvimento A aluna deverá ser capaz de:
musical  Relacionar as notas situadas na pauta
musical com a posição das mesmas na
escala/ponto do instrumento na 1º e 3º
posição;
 Reconhecer e corrigir a desafinação;
 Reconhecer e aplicar as dinâmicas
musicais;
 Identificar momentos de repouso de

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

fraseado musical.
 Tocar de forma correta com o
acompanhamento de piano.

Desenvolvimento da aula
Estratégias gerais Apresentar os objetivos propostos para a aula;
Rever o trabalho realizado individualmente pela aluna, orientado no
final da aula anterior e verificar a qualidade do mesmo;
Incentivar o sentido crítico da aluna, direcionando a sua atenção para
os possíveis erros existentes provenientes do estudo individual;
Orientar a aluna com soluções e estratégias para o seu
desenvolvimento musical;
Avaliar as atividades realizadas, tendo como referência os objetivos
propostos.
Sequência das Atividade 1 (2’) Preparação do material: a aluna abre o estojo do
atividades violino, aperta o arco, coloca resina no mesmo e dispõe as partituras
na estante. Após isto, a professora procede à afinação do instrumento;
Atividade 2 (3’) Segue-se a breve explanação dos objetivos propostos
para a aula e um pequeno aquecimento;
Atividade 3 (5’) A aluna executará a escala. Possíveis erros de
afinação serão observados e corrigidos com recurso ao piano e será
pedido entre duas a três arcadas diferentes;
Atividade 4 (20’) Em seguida, a aluna tocará a peça. A aula centrar-
se-á nos dois andamentos com correção da afinação, qualidade do
som, distribuição do arco, uso do vibrato, das dinâmicas e estilo
musical.
Atividade 5 (10’) Segue-se o momento de execução da peça com
acompanhamento de piano.
Atividade 6 (2’) A aula terminará com as indicações do trabalho de
casa e a avaliação do trabalho realizado.
Recursos Violino e arco (professora e aluna), piano, estante, partituras, lápis.

Avaliação do Desenvolvimento Curricular realizado


Autoavaliação do aluno A aluna refere que deve melhorar a técnica do vibrato bem como
a afinação.
Heteroavaliação A professora concordou com as observações da aluna. Refere
ainda que a aluna estudou com qualidade durante a semana e
que as melhorias foram visíveis. Complementa dizendo que a
aluna deve mostrar mais atitude e confiança a tocar. Excetuando
o objetivo “tocar de forma correta com o acompanhamento de
piano”, os restantes foram cumpridos.
Avaliação do professor De uma forma geral, a aula correu bem. Destaco como aspeto
negativo a pianista acompanhadora não ter comparecido como
era suposto. Em termos de gestão de tempo, pode ser melhor
controlado. A execução da escala demorou mais tempo do que
estava estipulado sendo que afetou a organização da aula,
terminando 5 minutos mais tarde.

Sugestões de trabalho de casa/ Atividades de enriquecimento


Memorização da peça Andantino and Menuetto de M. C. Festing;
Audição da obra original como gravação de referência.

Tabela 8 - Planificação da aula da aluna Marta de 25.01.2019

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

A Marta demonstrou estar concentrada e empenhada em melhorar a sua forma de


tocar. Enquanto executou a escala demostrou preocupação em fazer a mudança de
posição corretamente, isto é, sem pressão na corda e com o movimento conjunto da
mão e antebraço. A peça escolhida pela professora Andrea é uma boa introdução ao
sentido musical da música barroca, pelo que é um grande desafio para a aluna
incorporar o estilo. O facto de a aluna ter referido que procurou gravações da peça
revela o seu interesse pelo instrumento bem como dedicação fora do contexto de sala
de aula.

Os comentários do professor orientador e da professora cooperante a esta aula da


Marta foram muito positivos. Consideraram que transmiti boa energia, conseguindo
captar a atenção da aluna durante toda a aula. Não valorizaram o prolongamento da
aula, uma vez que defendem que, por vezes, é necessário incidir mais tempo do que
se prevê em algum dos conteúdos e que é natural ajustar no momento essa gestão. A
Marta não é ainda capaz de afinar o instrumento, pelo que, temporariamente, a
professora executa este procedimento. No entanto, o professor Vítor aconselha a que
a aluna participe no processo dizendo, por exemplo, se acha que está afinado.
Finalizaram, comentando que o conteúdo foi explanado de forma clara e consistente.

No mesmo dia lecionei a aula do Pedro. A planificação é apresentada em seguida.

Apresentação da Aula
Disciplina Violino
Nome do(s) aluno(s) Pedro S.
Regime de frequência 6º grau Supletivo – Conservatório de Música do Porto
Tipologia da aula Ensino Individual
Duração 45 min.
Data 25 de Janeiro de 2019
Docente Cooperante Andrea Moreira

Perfil do Aluno
O Pedro revela algumas dificuldades ao nível do braço direito, no que toca ao controlo de
diferentes golpes de arco, a destacar o spiccato que tem sido alvo de atenção por parte da
professora cooperante. Demonstra ainda falta de hábitos de estudo, refletindo-se no seu
aproveitamento ao durante as aulas e ao longo do período. A salientar que o aluno não
transitou para o 7º grau no ano letivo anterior.

Conteúdos da Aula
Conteúdos H. Marteau, estudo nº 6 , op.14
programáticos e Trabalho específico da técnica de spiccatto.
didáticos F. Seitz, Concerto nº 4 em ré maior, op. 15 – 1º andamento
Aplicação dos conhecimentos técnicos já adquiridos e consolidação dos
mesmos. Domínio das posições e respetivas mudanças entre a 1º e a 5º
posição bem como os diferentes padrões entre os dedos. Foco especial
nas secções de spiccato.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Objetivos da aula
Objetivos gerais Dominar as particularidades técnicas do instrumento;
Adquirir competências musicais através de reportório adequado ao
estudo do violino;
Desenvolver a autonomia para o trabalho individual do instrumento;
Promover a sensibilidade musical.
Objetivos Desenvolvimento O aluno deverá ser capaz de:
específicos técnico da mão  Tocar de forma afinada e estabelecer
esquerda corretamente os espaços entre os dedos;
Desenvolvimento O aluno deverá ser capaz de:
técnico da mão  Utilizar o arco na íntegra (talão – ponta e
direita ponta – talão) e combinar ambas as
partes inferior e superior;
 Aplicar os vários golpes de arco exigidos,
em destaque o spiccato por se revelar
mais complicado para o aluno;
 Usar diferentes velocidades no
movimento do braço direito.
Desenvolvimento O aluno deverá ser capaz de:
musical  Conhecer a estrutura das obras e
executá-las de forma contínua;
 Reconhecer e corrigir a desafinação;
 Reconhecer e aplicar as dinâmicas
musicais;
 Revelar sentido musical.

Desenvolvimento da aula
Estratégias gerais Apresentar os objetivos propostos para a aula;
Rever o trabalho realizado individualmente pelo aluno, orientado no
final da aula anterior e verificar a qualidade do mesmo;
Incentivar o sentido crítico do aluno, direcionando a sua atenção para
os possíveis erros existentes provenientes do estudo individual;
Orientar o aluno com soluções e estratégias para o seu
desenvolvimento musical;
Avaliar as atividades realizadas, tendo como referência os objetivos
propostos.
Sequência das Atividade 1 (4’) Preparação do material: o aluno abre o estojo do
atividades violino, aperta o arco, coloca resina no mesmo e dispõe as partituras
na estante. Após isto, afinará o instrumento através do lá3 do piano;
Em caso de dificuldade, a professora retificará a afinação.
Atividade 2 (3’) Segue-se a breve explanação dos objetivos propostos
para a aula e um pequeno aquecimento;
Atividade 3 (3’) Como o aluno revela algum bloqueio no movimento do
braço direito, previamente à execução do estudo, será repetido
algumas vezes o padrão visual de V em cordas soltas.
Atividade 4 (10’) No estudo, serão aplicados algumas arcadas do
andamento de concerto. À medida que o aluno execute serão dadas
indicações relativamente à técnica de arco, afinação e outros aspetos
quando necessário.
Atividade 5 (20’) O aluno executará o concerto a partir do início.
Consoante as dificuldades e erros apresentados, serão trabalhadas as
secções específicas.
Atividade 6 (5’) A professora fará um resumo dos aspetos melhorados
e a melhorar e dará indicações relativamente aos trabalhos de casa. A
aula terminará com a avaliação do trabalho realizado.
Recursos Violino e arco (professora e aluno), piano, estante, partituras, lápis.

Avaliação do Desenvolvimento Curricular realizado

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Autoavaliação do aluno O aluno refere que tem de praticar mais e que durante a semana
não o fez.
Heteroavaliação A professora partilha da mesma opinião do aluno. Refere que
pode vir a atingir melhores resultados e a desfrutar mais da
performance se adquirir métodos de estudo individual.
Avaliação do professor Os exercícios aplicados para a libertação do braço direito devem
continuar a ser aplicados. O aluno não revelou sentido musical
nem foi capaz de executar as obras de forma contínua. Os
objetivos referentes ao desenvolvimento técnico da mão direita
foram parcialmente cumpridos.

Sugestões de trabalho de casa/ Atividades de enriquecimento


Aplicar os exercícios de spiccato em várias passagens do 1º andamento do Concerto nº 4 em
ré maior, de F. Seitz, op. 15.

Tabela 9 - Planificação da aula do aluno Pedro de 25.01.19

A aula do Pedro aconteceu no tempo espectável de aula. Os exercícios propostos na


atividade 3 revelaram-se bastante úteis mas devem ser aplicados regularmente de
forma a produzir mais efeitos na libertação do braço direito. Considero que a atividade
5 deve ser melhor planeada ou até mesmo evitada face ao aluno em questão. A
consequência de ser um aluno pouco seguro e com poucos hábitos de estudo verifica-
se nas constantes interrupções do discurso musical. Sendo assim, o trabalho fica
muito disperso e, por sua vez, o rendimento da aula comprometido. Este aspeto foi
também partilhado pelos docentes intervenientes. Como estratégia a adquirir de forma
mais consistente, em passagens cujo foco é a melhoria da afinação, é indispensável
tocar seguramente mais devagar e na articulação detaché.

4. Reflexões Finais

O presente capítulo resume muito sucintamente a experiência vivida durante o estágio


no Conservatório de Música do Porto. Através do acompanhamento das aulas da
professora Andrea consegui ter a perceção da dimensão da transmissão do
conhecimento e da grandeza do investimento diário em cada um dos alunos. Um
conceito que, para nós docentes e instrumentistas é óbvio, pode ser o maior quebra-
cabeças para a criança ou jovem que se depara pela primeira vez com ele. Lembro-
me de quando a Marta aprendeu o vibrato pela primeira vez. O movimento do braço
era tão rígido e tanto o meu pensamento como o da professora Andrea era só tens de
relaxar. Depois de várias tentativas, aparece um novo obstáculo: o violino agita-se em
simultâneo. Mais uma vez o conselho é simples, tenta não mexer o instrumento.
Efetivamente ensinar vai muito mais além do que transmitir o que sabemos. Passa por

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como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

descobrir novas técnicas e encontrar as formas adequadas de olhar o aluno como um


indivíduo único. Durante a observação das aulas da professora Andrea pude verificar
que este princípio está bastante vigente na sua prática educativa e os resultados são
visíveis de semana para semana nos alunos que praticam regularmente e solucionam
os seus problemas.

Outro ensinamento transmitido pela professora cooperante foi que não podemos
querer estudar pelos nossos alunos. Os hábitos de estudo dos alunos são cúmplices
do sucesso dos professores, mas quando existem lacunas neste campo a nossa tarefa
passa por perceber o que precisa de ser complementado. Levantar questões como o
meu aluno está motivado? Tem dificuldades na organização do tempo? Não gosta do
repertório? Conseguirei aliar-me aos pais para elevar o ritmo de trabalho? Entre outras
estratégias possíveis para combater este problema constante no ensino da música.

A planificação como ferramenta diária de trabalho é definitivamente um auxiliar do


pensamento educativo e da estruturação das aulas. No entanto, o professor tem de
estar preparado para adaptar-se no momento quando, por algum motivo, o decurso da
aula se afasta do planeamento da mesma. O mais importante é que o aluno consiga
apreender os principais conteúdos e que tenha a perceção daquilo que pode ser
melhorado. Por hábito, no final da aula os professores marcam o típico trabalho de
casa que, na prática instrumental, resume-se a definir concretamente o repertório a
praticar durante a semana. A professora Andrea contraria esta tendência e diz aos
seus alunos para estudarem tudo aquilo que têm definido, desde escalas e exercícios
técnicos a andamentos de sonatas. Desta forma, os alunos deverão estar preparados
para o que a professora possa solicitar na aula. Mais importante do que marcar o
repertório é definir as metas a atingir especificamente na semana de estudo. A título
de exemplo, se um aluno necessitar de melhorar a afinação é importante que no
caderno diário a informação seja estudar duas vezes mais devagar e ouvir bem a
afinação de cada nota.

Finalizando, transcrevo os comentários dos professores que me acompanharam ao


longo do ano. A professora cooperante descreve a minha atividade da seguinte forma:

Para os devidos efeitos eu, Andrea Araújo Moreira na qualidade de professora de


violino do Conservatório de Música do Porto, declaro que a mestranda Ana Elvira
Castro Tedim realizou a componente de prática educativa durante o ano letivo 2018/19,
assistindo e orientando as aulas dos seguintes alunos:

Sofia A. (5ºAno)

Marta R. (5ºAno)

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Ana Tedim

Cristiana D. (9º Ano)

Pedro S. (6ºGrau)

A estagiária acompanhou com grande interesse, empenho e assiduidade, as minhas


orientações, observando assim o desenvolvimento técnico e musical dos quatro alunos
acima mencionados. Nos intervalos entre as aulas, houve sempre tempo para qualquer
esclarecimento sobre estratégias pedagógicas.

Ao longo do ano, a Ana conseguiu estabelecer uma boa relação com os alunos, o que
também foi visível durante os momentos que lecionou. As suas aulas foram sempre
bem preparadas e planificadas. Ela foi muito cuidadosa em todos os pormenores
técnicos e interpretativos, reforçando os aspetos positivos e encontrando sempre forma
de ultrapassar as dificuldades reveladas.

A Ana está muito bem preparada para a função docente, tanto de ponto de vista
técnico-científico como do ponto de vista humano.

O professor Orientador, como abaixo transcrevo, comenta:


Conheço a Ana Tedim desde que começou o seu percurso no ensino superior e
acompanhei a sua evolução como violinista ao longo da licenciatura que realizou na
ESMAE como seu professor de violino. Foi assim sem surpresa que testemunhei a
seriedade, empenho e bom nível violinístico que trouxe à sua atividade docente.

A Ana foi sempre assídua e pontual e planificou e preparou todas as aulas a que assisti
de uma forma cuidadosa e fundamentada de um ponto de vista técnico-musical e
pedagógico. Conseguiu manter um ótimo ritmo de trabalho e comunicar com os alunos
de uma maneira descontraída, acessível e clara. Demonstrou um bom domínio do
repertório que ensinou, o que lhe permitiu não só explicar todos os conceitos e técnicas
necessários, mas também exemplificar com qualidade e de uma maneira clara.
Mostrou também uma grande vontade de aprender e melhorar, não só na maneira
como integrava sugestões da minha parte ou da professora cooperante, mas também
como procurou encontrar soluções para problemas em que a metodologia planeada
não surtia o efeito desejado. Geriu bem o tempo de aula, definindo os objetivos iniciais
e cumprindo os planos das aulas.

Penso que o projeto de intervenção da Ana é original e muito pertinente. Mostrou


criatividade na maneira como abordou uma questão importante e que deve ser fonte de
reflexão em todos os níveis do nosso ensino artístico.

Saliento também a excelente comunicação e sintonia entre a Ana e a professora


cooperante, que naturalmente trouxe resultados positivos para as aulas e um
entendimento fácil com os alunos.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Não tenho dúvidas que esta experiência foi muito positiva para a prática pedagógica da
Ana e que ela está muito bem preparada para a sua carreira como professora de
violino.

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como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
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III Projeto de Intervenção

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

1. Introdução

Tal como Dominique e Jean-Yves Bosseur (1990, p. 9) compreendo que “rica em


diversidades, a música contemporânea deveria satisfazer as aspirações mais opostas,
se entretanto o ensino e a informação acompanhassem as suas mutações e
dialogassem com ela”. Adequando esta afirmação aos tempos que correm, posso
concluir que o investimento na música erudita contemporânea é agora mais completo
com base na programação das principais salas de espetáculo e planos curriculares de
escolas vocacionais. No entanto, considero ainda visível uma lacuna na aprendizagem
dos instrumentos de corda, especificamente no violino, da linguagem contemporânea.
O ensino do instrumento centra-se nos padrões convencionais não introduzindo
algumas técnicas de execução contemporânea5 e não abrangendo repertório moderno
ao longo do processo de aprendizagem musical quer na escolaridade básica quer na
secundária. Tendo em conta que o aluno de música é um forte consumidor cultural
reforça a ideia defendida por Bosseur em que “ (…) a ausência de ligações eficazes
entre as novas práticas musicais e o público é, em grande parte, responsável pelo
isolamento da música do nosso tempo”. Neste seguimento, Susana Porto (2013,
p.143) clarifica “se permitirmos à criança experimentar e explorar o som incutindo-lhes
o gosto e o prazer de produzir música através de objetos sonoros - procurando novas
sonoridades e estéticas diferentes das habituais - estamos a abrir um caminho para o
novo e para o desconhecido de forma a que, no futuro, a compreensão e a aceitação
da música erudita contemporânea tenham lugar”. Para além disso, o contacto com
diferentes técnicas violinísticas acelera o processo de aprendizagem do instrumento e
o consequente domínio do mesmo.

2. Problemática do estudo

2.1. Identificação da problemática

Com base nas considerações iniciais, foco como problemática de estudo a pouca
incidência da música contemporânea no ensino do violino. De que forma são
estimulados os alunos para a audição e execução de música contemporânea? Os
professores de instrumento/classes de conjunto promovem a inserção de repertório
contemporâneo? Quais as principais razões para os docentes não o incluírem?

5
Internacionalmente conhecidas como extended techniques.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
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2.2. Plano de melhoria a desenvolver

Como plano de melhoria proponho uma abordagem direta com a classe de conjunto
orquestra de cordas do 3º ciclo em regime integrado. É importante referir que este
projeto de intervenção abrange não só os alunos de violino mas também os alunos
dos restantes instrumentos de cordas friccionadas, a nominar a viola d’arco, o
violoncelo e o contrabaixo.

A ideia principal é proporcionar a estes alunos a oportunidade de contactar com uma


escrita moderna e com uma temática que visa o estímulo técnico do próprio
instrumento. Para isto, é imprescindível o uso das modernas técnicas de execução
contemporâneas, frequentemente utilizadas neste tipo de escrita. Estas técnicas têm
acompanhado e evoluído de acordo com as estéticas vigentes desde a segunda
metade do século XX. Como os instrumentos de cordas se assemelham entre si, a
escrita e a execução das técnicas a serem desenvolvidas e adaptadas ao ensino
intermédio são igualmente semelhantes, daí o alargamento do foco para a família dos
instrumentos de cordas friccionadas.

2.3. Definição de objetivos e resultados esperados

Este projeto tem como principais objetivos elucidar os intervenientes sobre as técnicas
de escrita musical moderna, contribuir para a formação de público para a música
contemporânea (numa perspetiva a longo prazo) e sensibilizar os docentes e
dirigentes pedagógicos para a inclusão de novo repertório no ensino da música em
geral. Para além destes, visando a aprendizagem dos alunos, este projeto pretende
ainda estimular a criatividade e também o contacto e exploração do instrumento
através de técnicas não tradicionais.

Após análise do material investigado e do projeto realizado deverá ser possível


perceber se a música contemporânea desperta interesse tanto nos alunos como nos
professores. Também é esperado que motive e incentive um maior contacto com o
instrumento, bem como no futuro investimento desta temática por parte de alunos e
professores. De acordo com a fundamentação teórica, deverá ser reforçada a
importância da inserção do repertório em causa.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
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3. Fundamentação teórica

O conceito de música contemporânea surge para caracterizar a música posterior a


1950, data determinante devido ao seu contexto histórico, político, moral, estético e
estilístico. Após a 2º Guerra Mundial, acompanhando o sentimento de recuperação e
recomeço, dá-se um alargamento do conceito musical resultando num pluralismo de
estilos. A música serial (aplicação da técnica serial); música eletrónica (recurso a
ferramentas eletrónicas possibilitando resultados espontâneos e inovadores) e música
aleatória (o acaso permite fantasia e diversidade) são exemplos de tendências
musicais que caracterizam o século XX. A nova estética rege-se pela autenticidade da
obra de arte, pelo que o conceito de beleza começa a ser questionado. Verificam-se
também novas combinações e formações de instrumentos bem como novas formas de
emitir som dos mesmos (Michels, 2007, p. 519-523).

Desde então que ‘contemporânea’ e ‘moderna’ são as palavras que caracterizam a


arte do nosso século, sendo que o seu conceito é ainda incerto e pouco determinado.
O movimento vanguardista sentido opõe-se a qualquer estagnação no domínio
musical (Michel, 2007, p. 521).

A dinâmica composicional que emerge após a segunda metade do século XX cria


alguma agitação, principalmente na comunidade dos compositores. A procura de
variedade tem sido uma constante em toda a evolução da música através da busca
por novos horizontes e novas possibilidades de enriquecimento musical. No entanto, a
aceitação e a compreensão, quer por instrumentistas quer por ouvintes, revelam
caminhar lentamente sendo que, nos dias de hoje, ainda é bastante comum sentir e
ouvir o desagrado perante sonoridades irreverentes. Contudo, é importante ter em
mente que “do mesmo modo, todos os grandes compositores do passado,
considerados revolucionários ao seu tempo, pretendiam igualmente alargar os limites
da tradição musical que eles tinham herdado” (Bernstein, 1954, p. 191). Leonard
Bernstein, utilizando um vocabulário compreensível, informal e com subtis
apontamentos cómicos, descomplica a perceção da escrita moderna no seu livro O
Mundo da Música - Introdução à Música Moderna. A título de exemplo: “Que é a
dissonância? (…) trata-se de outra palavra perversa, empregada a torto e a direito
para exprimir desagrado em relação à música. Eis uma das raízes mais profundas da
expressividade musical, dado que uma nota dissonante (ou seja, a nota que não
pertence a um determinado acorde) é sempre a mais expressiva desse acorde,
exatamente porque lhe é estranha.” (p.205); a propósito do Prelúdio da ópera Tristão e

40
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
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Isolda, de Richard Wagner, Bernstein escreve: “Onde nos encontramos nós? Somos
levados ao sabor da corrente, num mar em que a tonalidade é indefinida” (p.209).
Ainda contextualizando a escrita musical, o autor comenta: “Reparem que estes doze
sons começaram a ter, a partir desta altura, uma importância quase equivalente.
Vivem numa democracia anárquica e não numa sociedade organizada e governada
por uma tónica bem definida” (p.209). Refletindo, não deixam de ser os processos
tradicionais que permitem a evolução da música, dando-lhe novas cores, harmonias,
ritmos e timbres reorganizados e que devem ser valorizados e incentivados.

Esta tarefa cabe, essencialmente, ao educador que deve “ajudar a escutar o fenómeno
sonoro de maneira relativista, quer dizer, considerar qualquer sistema de organização
(modal, tonal, serial,…) como um caso particular no interior desta fonte inesgotável de
princípios de composição que é o mundo sonoro” (Bosseur, 1990, p.280). Dominique e
Jean-Yves Bosseur, com formação em composição e filosofia estética, transparecem o
pensamento de que “a pedagogia musical, quando é ministrada, parece dar pouca
atenção às múltiplas vias adoptadas hoje em dia pela música, como se o que contasse
fosse apenas inculcar no estudante um saber abstracto, museográfico, desfasado dos
dados atuais da evolução do pensamento e das suas interrogações” (p.280). De uma
forma geral, música do século XX e XXI é transmitida segundo ideias e comparações
com épocas antecedentes, principalmente com o pensamento do século XIX. Desta
forma, existe o risco de menosprezar o valor de ambas as obras, tendo em conta a
preferência. Citado por Porto (2013, p. 56), Paynter (1994) potencializa esta ideia
defendendo que a compreensão de uma obra de arte (referindo-se neste caso em
concreto a uma peça musical) só pode advir segundo a sua própria individualidade.
Transportando este princípio para o ensino, de forma a facilitar a perceção no
desenvolvimento musical, o docente deverá inicialmente encaminhar o pensamento do
aluno para uma reflexão sobre a obra a executar, abordando aspetos como o conceito
estético e estrutura da mesma, instigando assim à autonomia e individualidade
interpretativa. De forma a promover e aprofundar a audição de música erudita
contemporânea, “um dos objetivos fundamentais é educar o ouvinte para que não
persista em encontrar as mesmas intenções compositivas, os mesmos sons, o mesmo
tratamento técnico, nem o mesmo deleite que se obtém com obras de compositores
anteriores ao século XX” (Martinez, 2004; cit. por Porto, 2013, p. 76).

Importa agora aprofundar de que forma deve ser feita essa orientação. O professor
deve ter em atenção a cultura musical do aluno, isto é, quais as suas preferências
musicais, compositores, estilos e até mesmo formações de instrumentos. Desta forma,
o seu acompanhamento e a sua influência ativa deverão completar o universo musical

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
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do discente, podendo incluir estratégias segundo uma visão referencialista ou


formalista, por exemplo (Porto, 2013, p. 77). Deve evitar comentários alusivos à
qualidade da obra ou à sua preferência, mantendo assim o seu foco principal: o
interesse e a perceção da música em geral por parte da criança. Através da audição,
integrando também acções como pensar, verbalizar, escrever, descrever e
representar, o aluno é subtilmente orientado para o pensamento criativo e crítico,
importantes para o desenvolvimento da sua personalidade e da sua consciência
artística. De uma forma mais explícita, Regina Finck (2001, 2006; citada por Porto,
2013, p. 81) investigadora sobre a percepção e apreciação musical na criança a partir
de reportório musical contemporâneo, enumera alguns exemplos referentes à forma
como os alunos podem refletir musicalmente: “recriar uma canção conhecida; imaginar
o movimento sonoro e representar o mesmo graficamente no papel; selecionar vários
exemplos musicais incorporando sonoridades reconhecíveis para os alunos; incluir
diversas experiências de audição de música contemporânea; criar sequências sonoras
explorando as diferenças de dinâmica, duração, intensidade e altura;
execução/audição das peças criadas pelos alunos e análise das partituras” (Porto,
2013, p. 81).

Estratégias como as enumeradas anteriormente ou outras sob o mesmo princípio de


estimular a reflexão crítica e criativa devem ser aplicadas continuamente no processo
de desenvolvimento do aluno desde a primeira aula, usando obras dos vários
períodos. Mesmo em crianças em idade pré-escolar pode ser realizado um trabalho
eficaz com a música erudita contemporânea, seguindo o princípio de começar pela
prática e só depois passar para a teoria, defendido por diversos pedagogos da
educação como por exemplo E. Jacques-Dalcroze e E. Willems (Porto, 2013).
Todavia, o método desenvolvido por Willems aproxima-se mais às necessidades da
música contemporânea, uma vez que inclui aspetos que transportam para a linguagem
do período moderno. No nível 3, espera-se que o aluno consolide as experiências
musicais anteriores (de uma forma geral, a sensação rítmica e o reconhecimento
auditivo) e as transporte para diversos instrumentos, como por exemplo xilofones ou
outros idiofones de altura definida.6 No nível 4, a improvisação é um recurso recorrente
na aprendizagem do solfejo, bem como do instrumento. É, especificamente, um dos
quatro domínios estabelecidos pelo autor e deve ser praticada desde o início da

6
Tonebars, é o termo utilizado no documento original como exemplo dos instrumentos
utilizados (Fédération Internationale Willems).

42
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
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aprendizagem, com o intuito de explorar várias formas de expressão.7 A linguagem


musical continua a ser abordada de uma forma completa, englobando todos os estilos
e períodos e acompanhando a linguagem expressiva utilizada pelo homem. A
improvisação, por si só, tem um amplo conjunto de possibilidades. No entanto, a
utilização dos sons do meio ambiente como referência é um dos exemplos mais
utilizado por vários autores, a destacar A. Fullin e M. Shafer. Fullin foca a sua atenção
na constante prática de criação musical, através da criação individual e coletiva,
audição de música contemporânea e interpretação, estando assente numa base de
utilização das criações das próprias crianças e não apenas das sugestões dos adultos.
Também Shafer, através da experimentação, da pesquisa, da escrita não
convencional e da audição despretensiosa, pretende incutir a criatividade na
aprendizagem (Porto, 2013).

A semelhança entre a aprendizagem musical e o desenvolvimento da linguagem é


reconhecida mundialmente e os primeiros anos de vida são cruciais na criação de uma
base sólida para a evolução da criança. Edwin Gordon (1997) destaca que desde o
nascimento até aos 5 anos de idade as experiências musicais têm um profundo
impacto na forma como a criança irá entender, apreciar e conquistar a música
enquanto adulta. Sendo assim, em fase pré-escolar, a criança deverá ter contacto com
um universo musical rico e completo de forma desenvolver as ferramentas necessárias
à assimilação da sua aprendizagem em fases etárias posteriores. No processo de
aprendizagem da linguagem, Gordon sequencia cinco etapas. Nos primeiros meses, a
criança ouve todos os sons que a rodeiam, seguindo-se a fase da imitação dos sons
(embora não façam sentido para os adultos). De seguida, começam a pensar através
da língua e o resultado é a improvisação, ou seja, a criação de frases e ideias que as
próprias crianças organizam mentalmente. Finalmente, após alguns anos de evolução
de pensamento e linguagem, as crianças estão aptas para ler e escrever.8 A teoria da
aprendizagem musical de Gordon rege-se por estes princípios, seguindo o objetivo
específico de desenvolver a audiação (audiation, conceito criado por E. Gordon), isto
é, a capacidade de ouvirmos com compreensão e organizarmos o pensamento sobre
música sem que ela esteja fisicamente presente. Este conceito torna-se mais

7
Os quatro domínios são: reprodução auditiva, execução através da leitura da partitura, tocar
de memória e improvisação, tendo em conta o documento original playing by ear, playing by
note-reading, playing from memory, improvisation (Fédération Internationale Willems).
8
In learning to speak, children first listen. (…). Soon after, children begin to imitate. (…). Then
they begin to think in the language. (…) Next, children improvise in the language. (…) Finally,
after several years of developing their ability to think and speak, children are taught how to read
and write (Gordon, 1997).

43
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
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inteligível se recorrermos ao processo de pensamento na linguagem falada: de uma


forma independente e espontânea conseguimos utilizar a linguagem para comunicar; a
expressão musical deve também acontecer nestes trâmites, de uma forma
desprendida do recurso a partituras ou à memória de repertório.

De que forma é que a audiação pode contribuir para a aceitação da música


contemporânea? Gordon (2000; cit. por Porto, 2013, p.90) “deixa bem claro que é
importante audiar a tonalidade, defendendo inclusive a utilização dos modos no ensino
da música para crianças. Contudo, o pedagogo refere que através de um treino
rigoroso do ouvido, poder-se-á audiar aquilo que nos parece à priori de difícil
reconhecimento e compreensão, como por exemplo, determinadas tendências
composicionais como a música atonal, a que Gordon designa por música multitonal”.
O autor considera a música atonal como música que integra várias tonalidades,
embora estas possam mudar muito rapidamente.

Desta forma, tendo em conta que a música contemporânea é exigente ao nível da


performance e da destreza técnica, é essencial que exista uma adaptação das
técnicas e da linguagem musicais para que se possa adequar a níveis de
aprendizagem mais baixos. Mariana Krewer foca a sua atenção para as técnicas de
execução contemporâneas direcionadas para estudantes de nível intermédio.

A autora defende que o material existente sobre as técnicas ditas não convencionais
estão direcionados para instrumentistas mais avançados, criando uma barreira para
alunos mais novos curiosos, por exemplo, e afastando-os da estética musical
contemporânea. Como já foi referido anteriormente, a escrita musical continua a
evoluir e há, por isso, uma consequente necessidade de evoluir as estratégias de
ensino. Se o professor se mantiver neutro à evolução, haverá cada vez mais
dificuldade em abordar o novo repertório. Por norma, e sem querer desacreditar o
papel dos pedagogos, o compositor vê-se obrigado a incluir nas suas obras uma
secção introdutória com orientações didácticas para a execução da peça em questão e
desta forma facilitar o contacto entre compositor e intérprete. Sendo assim, é
importante que os estudantes, professores e instrumentistas tenham acesso a mais
informação bem como a mais experiências com a técnica e escrita moderna.

Deste modo, tendo em conta os benefícios evidenciados por Susana Porto (2013) face
à estimulação da aprendizagem com a linguagem musical contemporânea descritos
anteriormente e o conceito estruturado por Mariana Krewer (2018) acerca das técnicas
específicas para o nível intermédio de ensino, será concebido um projeto onde se
possam cruzar estes dois panoramas. Serão selecionadas apenas algumas das

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
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técnicas no amplo leque existente, como é possível verificar no compêndio bastante


completo explorado por Patricia e Allan Strange com o nome The contemporary violin
– extended performance techniques (2001). O principal objetivo é adaptá-las à
realidade académica para possa mais facilmente ser incluída no ensino, tal como
sugere Mariana Krewer. Além desta influência, inspirei-me na obra Threnody to the
victms of Hiroshima for 52 strings (1960) de Krzysztof Penderecki (1933 -) para
completar a lista de técnicas a colocar em prática no projeto.

Perante isto, surge a questão: de que modo é que a utilização das técnicas permitirá
uma aprendizagem positiva?

As técnicas escolhidas pretendem explorar várias ações no instrumento:


movimentação rápida e leve da mão/braço esquerdo; domínio do arco na procura de
timbres diferentes; liberdade do movimento de vibrato; reconhecimento de zonas não
tradicionais do instrumento como praticáveis. De uma forma descontraída e livre de
preconceitos, o aluno poderá usufruir do seu instrumento investindo nos benefícios
dessa prática a longo prazo. Krewer acredita que a abordagem antecipada desta
linguagem permitirá contribuir para a formação mais completa dos alunos, bem como
atingir as metas de um violinista/instrumentista de cordas moderno: possuir uma mão
esquerda mais flexível; dominar uma grande variedade de timbres e diferenças de
dinâmica; mudar rapidamente de técnicas de uma forma controlada.9

Serão evitadas as técnicas que envolvam alterações intencionais de afinação, como a


microtonalidade, e também as técnicas que envolvam tensão exagerada das mãos ou
outra parte do corpo. Estando no 3º ciclo, os alunos ainda estão a desenvolver-se
fisicamente bem como a aperfeiçoar a sua acuidade auditiva. Interferir diretamente
nestas duas áreas pode ser motivo de destabilização, o que não é positivo para a
aprendizagem do aluno.

Uma das técnicas escolhidas é o molto vibrato. Não é uma técnica exclusiva do
período contemporâneo mas tem vindo a ser potenciada, daí a ter selecionado.
Conforme os conteúdos programáticos da disciplina de violino, o vibrato é instituído
idealmente no 3º grau. Nas aulas de instrumento, a sua aplicação é feita com
movimentos lentos e controlados. No entanto, este controlo pode gerar tensão que por
sua vez pode vir a limitar o movimento suposto, condicionando a qualidade do
movimento e o relaxamento do corpo. Experienciando a técnica e aplicando-a
indiscriminadamente o movimento torna-se gradualmente mais confortável. Ainda
9
Texto original: first, a more flexible left hand; second, mastery of a variety of extreme tone
colors and dynamic level changes; and last, the capacity of switching between different
techniques quickly, but in a controlled manner (Krewer, 2018, pág. 7).

45
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
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relacionado com mão esquerda, os glissandos e os harmónicos naturais são também


opções a incluir. Tal como o vibrato, são técnicas com histórico na escrita musical mas
sobrevalorizaram-se no período moderno através do seu uso constante e amplificado.
Tanto uma como outra permitem um contacto mais relaxado com as cordas. No
seguimento dos glissandos surge a nota mais aguda que permite a colocação correta
do cotovelo esquerdo em posições mais elevadas bem como a sua habituação.
Exemplificando, esta técnica combinada com os glissandos permite desenvolver a
agilidade do movimento de mudança de posição sem nota de apoio. Por último, no
âmbito das técnicas da mão/braço esquerdo surge percurtir as cordas com os dedos
da mão esquerda, com a vantagem de fortalecer a destreza dos dedos.

Relativamente à mão e braço direitos, serão abordadas as seguintes técnicas: sul


tasto, sul ponticello, col legno e col legno battuto, bem como a anulação de todas ao
utilizar a palavra ordinario. Para além destas, destaco a técnica posicionar o arco entre
o cavalete e o estandarte, sendo que modificando a posição do mesmo será possível
obter diferentes sons: em cima das linhas que finalizam as cordas será extremo; mais
perto do cavalete será normal. Finalmente, o pizzicato Bartók é a última técnica
escolhida, perfazendo um total de doze10 a serem abordadas no projeto Laboratório de
Modernices. Todas as técnicas revelam-se úteis na procura e obtenção de timbres e
cores diferentes, aspeto importante para o sentido musical a desenvolver durante a
contínua formação do aluno e, eventualmente, futuro músico.

4. Laboratório de Modernices como plano de ação

No seguimento dos capítulos antecedentes, surge o Laboratório de Modernices como


projeto de intervenção. Tal como o nome indica, é proposto que seja um espaço de
exploração musical com foco no desenvolvimento de competências ao nível da música
contemporânea para instrumentos de cordas.

Durante o ano letivo, tive a oportunidade de estar presente em aulas de orquestra de


cordas do 2º ciclo e 3º ciclo do ensino integrado e da orquestra de cordas do ensino
secundário, que semanalmente se encontra para desenvolver as capacidades
associadas à música de conjunto. Pontualmente, também se reúnem com alguns
alunos da orquestra de sopros que decorre em simultâneo, sempre que os docentes
participantes considerarem necessário. O docente responsável por estes dois grupos é
o professor Fernando Marinho que se mostrou recetivo e disponível para acolher o

10
Ver anexo I e ilustração 1.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
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projeto a partir do momento em que lhe fiz a proposta de colaboração. Juntamente


com ele cooperam os professores de instrumento que orientam os respetivos naipes.
Numa fase inicial, acompanhei as três orquestras de forma a compreender qual o
grupo que melhor se adequaria ao projeto de intervenção, sendo que a escolha recaiu
sobre a orquestra de cordas do 3º ciclo. A decisão, além de ser apoiada pela
fundamentação teórica, deve-se ao facto de o nível de conhecimento dos alunos ser
suficiente, ao contrário da orquestra do 2º ciclo que possui alguns alunos com primeira
matrícula numa escola de ensino artístico, mas não equiparado ao elevado domínio
técnico revelado pelos alunos de secundário. Posso caracterizar a orquestra do 3º
ciclo como heterogénea: naturalmente, ao englobar os alunos de 7º, 8º e 9º ano de
escolaridade apresenta níveis distintos de maturidade e de conhecimento técnicos, na
medida em que os alunos mais novos dão início ao processo mais evolutivo de
aprendizagem e os mais velhos estão já numa fase mais consolidada de
conhecimentos.

Como será discriminado em seguida, o projeto Laboratório de Modernices foi planeado


para ser realizado em duas sessões: a primeira, de carácter introdutório, com a
contextualização do tema, apresentação e execução das técnicas selecionadas; a
segunda sessão de carácter performativo centra a sua atenção na consolidação do
conteúdo abordado através da execução de uma forma musical previamente
estruturada com uma pequena apresentação pública no final da sessão.

4.1. Sessão 1

A primeira sessão teve lugar no dia 9 de outubro de 2019 no Grande Auditório do


CMP, lugar habitual das aulas de orquestra. De forma regular, os 90 minutos de
duração são distribuídos pelos momentos de naipe e momentos de tutti, no entanto,
como foi previamente solicitado, ambas as sessões do Laboratório de Modernices
ocupariam o tempo total da aula com o grupo completo de alunos, nomeadamente 36
alunos (contrariamente aos 37 previstos, uma vez que uma aluna de violoncelo não
compareceu).

A sessão organizou-se de acordo com a seguinte planificação e avaliada


posteriormente segundo os critérios apresentados.

Planifcação –Laboratório de Modernices


Tipo de atividade Sessão 1
Data 09.10.2019 Hora 10:10
Local Grande Auditório
Instituição Conservatório de Música do Porto (CMP)

47
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Professor Cooperante Fernando Marinho


Descrição da Atividade
Público-alvo Orquestra de Cordas do 3º Ciclo:
 9 violinos 1
 9 violinos 2
 8 violas
 7 violoncelos
 4 contrabaixos
Recursos Materiais  37 cadeiras
 Cerca de 20 estantes
 Instrumentos próprios de cada aluno
 Cartolinas
 Papéis numerados
 Exemplares de partituras
 Inquéritos
 Folhas de apoio à atividade
Recursos físicos Todo o espaço do auditório
Objetivos
 Contextualizar a música contemporânea na sociedade e no panorama musical;
 Caracterizar a música contemporânea e o papel dos compositores;
 Descrever as técnicas de escrita contemporânea para cordas, adaptadas para o nível
intermédio de aprendizagem;
 Praticar as técnicas descritas;
 Estimular a criatividade e a autonomia.
Organização Cronológica
1. Preparação do material e afinação dos instrumentos (10’)
2. Apresentação e introdução da ação (2’)
3. Distribuição e preenchimento dos inquéritos (8’)
4. A música contemporânea e as suas técnicas
4.1. Contextualização (5’)
4.2. Explicação e Execução das técnicas [(2’+2’) x 12]
5. Exercício Final (15’)
6. Conclusão e tarefas a desempenhar até à próxima sessão (2’)
Avaliação da Atividade
Indicadores Sim Não
A atividade iniciou à hora prevista. X
O tempo previsto para cada conteúdo foi geralmente cumprido. X
Em geral, o público-alvo manteve a atenção necessária à atividade. X
Gestão

Os recursos utilizados eram adequados/necessários às atividades


X
propostas.
Os recursos utilizados eram adequados à idade e às competências dos
X
alunos.
No final da sessão, houve algum vestígio da não preservação do espaço. X
Os alunos apresentaram-se segundo os padrões exigidos. X
Os alunos evidenciaram uma atitude negativa face a algum aspeto. X
Conduta dos

Os alunos levaram todo o material necessário para a aula. X


alunos

Os alunos demostraram interesse. X


Os alunos cooperaram e interagiram positivamente na atividade. X
Os alunos demonstraram capacidades de iniciativa e responsabilidade. X
Os participantes agiram com respeito perante professores e funcionários. X
Existiram evidências de respeito mútuo entre alunos. X
Tabela 10 - Planificação da Sessão 1 do projeto

Após a afinação de todos os instrumentos com o apoio das professoras Andrea


Moreira, Ângela Neves, Beata Costa e Telma Arrais, o professor Fernando Marinho
teve a gentileza de introduzir sucintamente o conceito do projeto bem como

48
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

apresentar-me como professora estagiária. Tomando a palavra, cumprimentei os


alunos e agradeci desde logo a colaboração para a concretização da atividade. Antes
de qualquer abordagem sobre a temática, foram distribuídos inquéritos11 com o
objetivo de compreender o conhecimento geral e a motivação dos alunos de cordas do
3º ciclo do ensino básico relativamente à música contemporânea. Após o
preenchimento dos mesmos e posterior recolha, distribuí alguns exemplares com
escrita musical visivelmente moderna12, de forma a poder avaliar a reação dos alunos
à temática. Como era esperado, levantou-se um burburinho geral com expressões de
espanto e admiração, acompanhadas de interjeições e interrogações acerca de
símbolos existentes e de toda a estrutura das peças mostradas. Questionei os alunos
relativamente ao facto de se acharem capazes de executar alguma daquelas peças,
tendo como resposta mais comum o não, à exceção de um aluno mais aventureiro que
arriscou “se estudar e tentar perceber o que está escrito, talvez consiga tocar!”. Ora, a
expressão deste aluno dá sentido à idealização do meu projeto, revendo a
necessidade da introdução antecipada desta temática no percurso escolar musical.
Seguiu-se a clarificação do conceito de contemporâneo, a contextualização da música
contemporânea no panorama histórico-musical, bem como a caracterização da
mesma, adjetivando-a de inovadora e criativa. A necessidade da exploração de novos
timbres e ambientes sonoros por parte dos compositores, advém do facto dos
instrumentos de cordas terem sofrido poucas alterações nos cinco séculos de
existência; daí o investimento na escrita musical diferenciada.

Com isto, dei início à introdução das técnicas a serem estudadas durante a atividade.
De referir que algumas das técnicas, principalmente as técnicas executadas através
da mão/braço direito, surgiram inclusive em períodos musicais anteriores, todavia
foram e continuam a ser enfatizadas pelos compositores do período moderno. Como
material de apoio, foi distribuído um documento impresso em papel13 com uma tabela,
que incluía uma coluna em branco e outra explicativa com o nome e/ou descrição da
execução da técnica em questão. Durante a explicação e demonstração, os alunos
preencheram os espaços em branco com os símbolos expostos nas cartolinas
coloridas14, potencializando a consolidação das técnicas apresentadas. A seguinte
imagem mostra o documento distribuído, preenchido por uma aluna escolhida
casualmente no final da aula.

11
Ver 4.1.1.
12
Ver anexo III.
13
Ver ilustração 1.
14
Ver anexo I.

49
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Ilustração 1 - Documento de apoio à atividade distribuído aos participantes

Cerca de vinte minutos antes da aula terminar, propus um exercício que colocasse em
prática as técnicas apreendidas, bem como estimulasse a criatividade e autonomia
dos alunos. Numa sequência numerada, que foi estabelecida através da distribuição
aleatória de papéis numerados numa bolsa de pano, cada aluno teve 5 segundos para
executar um segmento que incluísse uma ou várias técnicas. Sendo assim, durante
180 segundos (cronometrados com relógio), foi possível criar 36 segmentos originais,
únicos, diversos e em tempo real de um ambiente musical moderno e contemporâneo.
Os alunos memorizaram o seu número, seguindo autonomamente a respetiva
progressão através de um sinal de entrada dado por mim a cada intervalo de 5
segundos. Na minha opinião, o resultado foi extremamente positivo: alguns alunos
destacaram-se por um segmento expansivo e com as técnicas bem executadas; os
mais novos que por sinal estavam mais tímidos, seguiram as indicações e executaram
de forma confiante a sua ideia; alguns mais distraídos, perderam-se na contagem, não
entrando na sua vez mas proporcionando um silêncio expectante do que se viria a
seguir. A energia de cada um contagiou todo o auditório e o exercício proposto

50
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

revelou-se um êxito ao nível da compreensão, comportamento, criatividade e


habilidade.

A primeira sessão foi concluída com aplausos à dedicação de todos os intervenientes


e com o registo do momento através da captação de uma fotografia.

Ilustração 2 - Fotografia com os participantes no final da sessão 1

4.1.1. Inquérito por Questionário

A metodologia empregue para a realização de levantamento de dados foi o inquérito


por questionário anónimo distribuído na primeira sessão, constituído por 6 questões
fechadas e 4 abertas. Foi estruturado em 3 grupos: caracterização pessoal do
inquirido; caracterização dos conhecimentos gerais acerca da temática; caracterização
dos aspetos motivacionais. O questionário foi aplicado na primeira sessão aos 36
alunos presentes, antes de qualquer aprofundamento da temática, de modo a
compreender o conhecimento geral dos alunos bem como o contacto com a temática a
ser desenvolvida. A estrutura do questionário é apresentada em seguida.

51
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

INQUÉRITO

O presente Inquérito, no âmbito do Mestrado em Ensino da Música, visa compreender o


conhecimento geral e a motivação dos alunos de cordas do 3º ciclo do ensino básico
relativamente à música contemporânea. Será preservado o anonimato e o tratamento das
respostas fundamentará a temática “A introdução de técnicas de execução contemporâneas
para cordas na aula de conjunto como veículo para a sensibilização e aprendizagem de
repertório contemporâneo”.

I. Dados Gerais

Instrumento _________________________

Idade ________________ Ano/Grau de escolaridade _____________

II. Conhecimentos e hábitos acerca da Música Contemporânea

1. O que consideras ser música contemporânea?


_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

2. Com que frequência ouves música contemporânea?


Muitas vezes
Às vezes
Raramente
Nunca

Se respondeste nunca, podes avançar para a questão nº 4.

3. De que forma o fazes? (Podes selecionar mais do que uma opção)


Em concertos
CD’s
DVD’s
Youtube
Spotify
Rádio
4. Nas aulas de Instrumento e/ou Classes de Conjunto, tiveste já algum contacto com
repertório contemporâneo?
Sim Não

Se respondeste não, avança para a questão nº 6.

5. Se sim, consegues lembrar-te qual ou quais foram as peças? Por favor, escreve o(s)
nome(s) e/ou os compositores.

52
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

6. Participaste em algum evento/workshop/masterclass/estágio com esta temática?


Sim Não

Se respondeste não, avança para a questão nº 8.

7. Em caso afirmativo, qual ou quais?


_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

8. Descreve algumas técnicas de escrita musical moderna que conheças para o teu
instrumento.
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
III. Motivação

9. Classifica o teu gosto pela música contemporânea.


1 2 3 4 5
10. Qual a tua motivação para desenvolver o teu conhecimento acerca desta temática.
Muito motivado
Motivado
Pouco motivado
Nada motivado

Obrigada pela tua participação,

__________________________

4.1.2. Apresentação e Análise de resultados

O questionário, especificando, foi destinado aos alunos de cordas do 3º ciclo do


ensino integrado do CMP, grupo-alvo da intervenção descrita no presente capítulo. 36
dos 37 alunos (uma aluna não compareceu à primeira sessão) foram questionados,
revelando-se em seguida o resultado das suas respostas.

53
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Sendo alunos inscritos no 3º ciclo, têm idades compreendidas entre os 12 e os 14


anos de idade frequentando as turmas 7º, 8º e 9º ano de escolaridade. Estão
distribuídos 9 alunos nos violinos I, outros 9 alunos nos violinos II, 8 violas d’arco, 6
violoncelos e 4 contrabaixos. A relação de instrumentos de corda por turma é
apresentada na seguinte tabela, sendo que a turma do 7º ano tem um total de 13
alunos, a de 8º ano tem 9 alunos e a de 9º ano tem 13.

9
8
7
6 Violino
5
viola d'arco
4
Violoncelo
3
2 Contrabaixo
1
0
7º ano 8º ano 9º ano

Gráfico 1 - Distribuição de instrumentos por ano de escolaridade

O violino é o instrumento com mais predominância nas três turmas descritas. Por uma
questão de logística na formação de orquestras, é o instrumento com mais elementos,
divididos por dois naipes, o que justifica a sua proporção. Relativamente à viola d’arco,
há um maior número de alunos deste instrumento no 9º ano em oposição aos
contrabaixos que apenas se distribuem pelo 7º e 8º ano. Os violoncelos têm maior
número de alunos no 7º ano, evoluindo descendentemente até ao 9º ano com apenas
um aluno. Esta distribuição afeta diretamente na atitude geral dos naipes, sendo que o
naipe das violas é o mais homogéneo, com boa postura e bastante destreza técnica.
Os contrabaixos revelam alguma timidez no seu desempenho, limitando o suporte
harmónico do repertório escolhido.

A primeira pergunta, de resposta aberta, pretende entender qual o conhecimento dos


alunos acerca da música contemporânea. As respostas foram variadas, sendo que
decidi agrupá-las em acertadas, pouco acertadas e nulas, tendo em conta as noções
que caracterizam a música contemporânea.15

15
Ver caítulo 3. Fundamentação Teórica.

54
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

1. O que consideras ser música contemporânea?

Acertada Pouco Acertada Nula

17%
23%

60%

Gráfico 2 – Resultado das respostas à questão 1

Como é possível verificar, a percentagem de perguntas acertadas foi de 23%. Uma


pequena amostra de alunos conseguiu responder de forma a aproximar- se das ideias
essenciais sobre música contemporânea, nomeadamente, focar o aspeto moderno das
obras, a linguagem abstrata/vanguardista e emprego de técnicas/expressões distintas.
Alguns exemplos de respostas são “Música contemporânea é música que não tem
muito sentido, com ritmos e melodias incertas e diferentes”; “Música contemporânea é
uma música com um estilo diferente que se toca de uma forma diferente”; “Música
atual (moderna)”; “Música contemporânea é para mim música abstrata”; “É um estilo
de música diferente e mais moderna tornando-a divertida”; “Acho que é um tipo de
música mais moderna que a clássica”.

Relativamente aos 77% restantes, representam as respostas pouco acertadas, ou


seja, que se afastam do conceito, do estilo e da linguagem contemporâneas, e as
respostas nulas consideradas assim por estarem sem preenchimento ou por ter “não
sei” como afirmação. Algumas das respostas pouco acertadas são “Acho que é uma
mistura de músicas. A música contemporânea acompanha algumas danças”; “A
música contemporânea é uma música mais solta e muitas vezes mais lenta”; “Música
contemporânea é um estilo de música muito bom de se ouvir”.

Relativamente às perguntas 2 e 3 apenas irei considerar os questionários com


respostas acertadas à questão 1 de forma a evitar resultados falaciosos com origem
no desconhecimento do tema de pesquisa. Sendo assim, tendo em conta 7
questionários, os resultados são apresentados nos gráficos seguintes.

55
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

2. Com que frequência ouves música contemporânea?

Muitas vezes Às vezes Raramente Nunca


0%

15%
36%

49%

Gráfico 3 – Resultado das respostas à questão 2

3. De que forma o fazes?

Em concertos CD's DVD's Youtube Spotify Rádio

33% 34%

0%
25% 0%
8%

Gráfico 4 - Resultado das respostas à questão 3

A opção mais escolhida face à frequência com que os alunos ouvem música foi
raramente, seguindo-se às vezes e por fim nunca, demonstrando o pouco contacto
que os alunos têm com a audição de música deste período. No entanto, o gráfico 4
indica que o fazem normalmente a assistir a concertos, o que revela um maior
investimento nos programas de concerto em incluir música actual de forma a
proporcionar aos ouvintes uma experiência musical repleta.

Para evidenciar as experiências pessoais que os alunos tiveram com a música


contemporânea, seguem-se as questões número 4, 5, 6, 7 e 8.

56
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

4. Nas aulas de instrumento e/ou classes de conjunto,


tiveste já algum contacto com repertório
contemporâneo?

Sim Não Sem resposta

8%

20%

72%

Gráfico 5 - Resultado das respostas à questão 4

É facilmente compreensível que estes alunos tenham pouca ou nenhuma experiência


de execução de música contemporânea perante os resultados das respostas
anteriores. No entanto, destaco os 20% que responderam afirmativamente à questão.
Cruzando a informação dos 7 questionários que preenchem a área azul do gráfico,
pude verificar que a resposta à questão número 1 foi considerada pouco acertada na
sua maioria, à exceção de apenas um aluno que não respondeu. Sendo assim, posso
concluir que estes 20% são um falso positivo, uma vez que o fundamento para a sua
escolha não suporta a veracidade da resposta. Para além disto, aquando
questionados do(s) nome(s) ou compositor(es) das peças executadas na quinta
pergunta, os alunos referiram que não se recordavam. Todavia, o aluno que se
absteve de completar a primeira questão revelou, efetivamente, que tinha tido contacto
com a música contemporânea e que a peça tocada foi Musikalisches Blumengärtlein
und Leyptziger Allerley de Paul Hindemith. Esta peça, composta em 1927 pelo
compositor alemão não se enquadra precisamente no panorama contemporâneo mas,
a sua tendência em evitar a linguagem tonal, indica que o aluno em questão
compreende o conceito geral do atual vanguardismo musical.

À sexta questão Participaste em algum evento/workshop/masterclass/ estágio com


esta temática? os resultados estão representados no gráfico abaixo.

57
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

6. Participaste em algum evento/workshop/masterclass


com esta temática?

Sim Não

11%

89%

Gráfico 6 - Resultado das respostas à questão 6

Mais uma vez, a maior fatia do gráfico revela o hiato existente na formação destes
alunos face à introdução da música contemporânea. Quatro alunos contrariam esta
tendência. Dois deles não especificam na sétima questão qual foi o evento em que
participaram para terem respondido afirmativamente à pergunta número 6; Um outro
aluno escreve “An American in Paris e o Concerto para viola de Joly Braga Santos”, ao
qual entendo que foi o repertório executado em algum estágio que integrou como
participante; o aluno restante refere que participou no “Festival Música Júnior”. Tendo
em conta estas quatro respostas afirmativas, destaco a última, uma vez que revelou
mais precisão e exatidão ao salientar as peças. No entanto, observo que existe
alguma confusão no conceito, dado que considera na questão número 1 música
contemporânea como “peças de um ritmo mais lento e calmo” e na sétima questão
evidencia pelo menos uma obra com uma linguagem mais moderna, o Concerto para
viola de Joly Braga Santos, composto em 1960.

Finalizando o grupo II de questões, é pedido que descrevam algumas técnicas de


escrita musical moderna, sendo que poucos foram os alunos que responderam. Três
alunos responderam “pizzicato, stacato e/ou detachê” e um aluno do 9º ano escreveu
“sintetizadores e music pads”; Este último revelou ter compreendido a questão,
evidenciando dois elementos característicos da música eletrónica frequentemente
usada na escrita contemporânea musical.

O último grupo de questões centra-se nos aspetos motivacionais para o


desenvolvimento desta temática. Para analisar a questão número 9, foram apenas
considerados os alunos com resposta válida à primeira questão.

58
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

9. Classifica o teu gosto pela música contemporânea

1 2 3 4 5
0%

22%
45%
11%

22%

Gráfico 7 - Resultado das respostas à questão 9

As respostas incidiram sobre os quatros primeiros parâmetros classificadores do gosto


pela música contemporânea. Há uma maior tendência pelo número quatro, o que
demonstra ser positivo para a concretização da atividade.

À última questão, todos os questionários foram considerados e os resultados são


descritos no gráfico abaixo.

10. Qual a tua motivação para desenvolver o teu


conhecimento acerca desta temática?

Muito motivado Motivado Pouco motivado Nada motivado

0%

19% 14%

67%

Gráfico 8 - Resultado das respostas à questão 10

Os alunos, numa percentagem de 86%, demonstraram motivação e muita motivação


para desenvolver esta temática, numa grande maioria, pela curiosidade inerente à
exploração do conceito.

59
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

4.2. Sessão 2

A segunda sessão aconteceu duas semanas após a primeira, ou seja, no dia 23 de


outubro de 2019. A minha intenção era que as sessões decorressem em duas
semanas consecutivas mas, a pedido do professor Fernando Marinho, as sessões
foram alternadas com uma aula dita habitual de orquestra para que o trabalho
realizado desde o início do ano não se dissipasse. Tive algum receio que o conteúdo
da primeira sessão fosse esquecido e que a continuidade da aprendizagem na
segunda sessão fosse comprometida. Todavia, era algo que não conseguia controlar e
que me levou a iniciar a aula com uma breve revisão do conteúdo. A tabela seguinte
apresenta a planificação da segunda sessão do Laboratório de Modernices.

Planifcação –Laboratório de Modernices


Tipo de atividade Sessão 2
Data 23.10.2019 Hora 10:10
Local Grande Auditório
Instituição Conservatório de Música do Porto (CMP)
Professor Cooperante Fernando Marinho
Descrição da Atividade
Público-alvo Orquestra de Cordas do 3º Ciclo:
 9 violinos 1
 9 violinos 2
 8 violas
 7 violoncelos
 4 contrabaixos
Recursos Materiais  37 cadeiras
 Cerca de 20 estantes
 Instrumentos próprios de cada aluno
 Cartolinas
 Papéis numerados
 Partituras Sperto 23_10
 Documentos de avaliação da atividade
 Folhas de apoio à atividade
 Câmara
Recursos físicos Todo o espaço do auditório
Objetivos
 Rever e consolidar as técnicas aprendidas na sessão anterior;
 Explorar e executar de forma organizada uma proposta de peça;
 Demonstrar publicamente o resultado final.
Organização Cronológica
1. Preparação do material e afinação dos instrumentos (10’)
2. Apresentação e introdução da ação (2’)
3. Revisão das técnicas apreendidas (8’)
3.1. Exercício livre (5’)
4. Distribuição da peça Sperto 23_10
4.1. Análise e esclarecimento de dúvidas (5’)
4.2. Estudo e desenvolvimento da peça (50’)
5. Distribuição dos questionários de avaliação (5’)
6. Apresentação pública (5’)
Avaliação da Atividade
Indicadores Sim Não

60
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

A atividade iniciou à hora prevista. X


O tempo previsto para cada conteúdo foi geralmente cumprido. X
Gestão Em geral, o público-alvo manteve a atenção necessária à atividade. X
Os recursos utilizados eram adequados/necessários às atividades
X
propostas.
Os recursos utilizados eram adequados à idade e às competências dos
X
alunos.
No final da sessão, houve algum vestígio da não preservação do espaço. X
Os alunos apresentaram-se segundo os padrões exigidos. X
Conduta dos alunos

Os alunos evidenciaram uma atitude negativa face a algum aspeto. X


Os alunos levaram todo o material necessário para a aula. X
Os alunos demonstraram interesse. X
Os alunos cooperaram e interagiram positivamente na atividade. X
Os alunos demonstraram capacidades de iniciativa e responsabilidade. X
Os participantes agiram com respeito perante professores e funcionários. X
O público manteve o silêncio durante a atuação X
Existiram evidências de respeito mútuo entre alunos. X

Na segunda sessão estiveram presentes 35 alunos: uma das alunas de violoncelo não
esteve presente na sessão 1 e uma aluna dos segundos violinos e outra de
contrabaixo faltaram à última sessão. Para que a aluna de violoncelo se integrasse
rapidamente na atividade, à revisão das técnicas acrescentei a contextualização da
temática, embora de forma muito mais sucinta comparativamente à exposição inicial
da sessão 1. Com a colaboração de 12 alunos voluntários, as técnicas de escrita
contemporânea para cordas friccionadas selecionadas foram expostas para que todos
pudessem relembrar ou aprender (no caso da violoncelista) e tiradas todas as dúvidas
existentes. Em seguida, o exercício realizado no final da sessão 1 foi novamente
praticado, culminando também no encadeamento de pequenas frases singulares de 5
segundos.

Os objetivos principais desta segunda sessão são explorar e executar de forma


organizada uma proposta de peça, sendo que esta surge como uma criação da minha
integral autoria ao qual denominei Sperto 23_10.16 Tal como foi revelado aos alunos,
sperto significa experiência em esperanto e, reforçando, sendo este projeto um
laboratório onde é proposto um espaço de exploração musical com foco no
desenvolvimento de competências ao nível da música contemporânea para
instrumentos de cordas, o nome de experiência adequa-se perfeitamente. A inspiração
no esperanto advém da sua existência como língua franca, à qual podemos relacionar
a linguagem musical. Neste caso em particular, a introdução da escrita musical
contemporânea a estes alunos vêm permitir uma maior aproximação à linguagem
musical no seu todo. O código 23_10 refere-se à data da execução da peça e da
sessão conclusiva do projeto.

16
Ver anexo II.

61
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Após o esclarecimento de dúvidas relativamente à estrutura, forma e aos símbolos


existentes nas partes da peça Sperto 23_10, seguiu-se o ensaio organizado com vista
à concretização da mesma. Foi solicitado ao professor Fernando Marinho que os
alunos da orquestra de sopros do 3º ciclo, programada no mesmo horário letivo,
pudessem assistir à apresentação da peça. Gentilmente, os professores dos
instrumentos responsáveis cederam 10 minutos da sua aula e deslocaram-se ao
Grande Auditório para o devido efeito. Acomodaram-se e foi feita uma breve
apresentação do que se iria suceder de forma a contextualizar o projeto. Demos início
à performance da peça Sperto 23_10. O público esteve calmo e atento e os alunos de
cordas concentrados e empenhados na tarefa de concretizar a peça. De uma forma
geral, foi uma experiência muito positiva e o resultado bastante satisfatório. Os
objetivos propostos foram atingidos, concluindo assim a atividade. De forma a avaliar o
projeto, antes da apresentação pública, foram distribuídos inquéritos de satisfação aos
alunos bem como aos professores, sendo que para os últimos, o documento era de
resposta livre.17

4.3. Avaliação geral da atividade

O Laboratório de Modernices resultou numa atividade bem sucedida, em que todos os


objetivos propostos foram atingidos. Os alunos estiveram atentos, empenhados e
interessados permitindo o cumprimento do tempo estipulado para cada
conteúdo/sessão. Foi permitida a participação de todos os alunos na colocação de
questões ou de comentários sobre as técnicas e/ou outros assuntos, respeitando a
opinião individual na construção de um global mais completo. Do ponto de vista
pessoal, penso ter conseguido uma boa relação com o público-alvo, interagindo
frequentemente com todos os intervenientes. O conteúdo foi exposto de forma
organizada permitindo o relacionamento constante do mesmo. Através da
exemplificação e analogia com o ambiente quotidiano, as técnicas foram facilmente
apreendidas.

No final da segunda sessão foi distribuído um pequeno questionário de satisfação.18

17
Ver anexos IV e V.
18
Ver anexo VII.

62
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE LABORATÓRIO DE MODERNICES

Terminou a atividade Laboratório de Modernices e gostaria de saber o que pensas e o que tens
a dizer sobre ela. Sê sincero! A tua opinião é muito importante para a conclusão do meu
trabalho.

Instrumento _________________________

Idade ________________ Ano/Grau de escolaridade _____________

1. Consegui compreender o que me foi explicado pela professora Ana Tedim durante as
duas sessões?
Sim
Não
Algumas vezes

2. O conteúdo da atividade foi interessante e permitiu-me explorar coisas novas?


Muito Interessante
Interessante
Pouco Interessante
Nada Interessante

3. Qual a tua motivação para continuar a explorar a música contemporânea?


Muito motivado
Motivado
Pouco motivado
Nada motivado

4. Gostarias que esta atividade se repetisse no Conservatório?


Sim
Não

5. Em poucas palavras descreve o que achaste do Laboratório de Modernices e da peça


final Sperto 23_10?
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

63
A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Obrigada pela tua colaboração!

Apenas um aluno refere que nem sempre compreendeu a exposição do conteúdo e,


de uma forma geral, todos os alunos consideraram a atividade interessante e muito
interessante. Relativamente à motivação, a taxa de pouco motivado diminuiu face aos
resultados do primeiro questionário (19% para 6%), a motivado aumentou (67% para
74%), bem como a de muito motivado (14% para 20%), resultado muito positivo
atingido no final da atividade.19 Todos os alunos indicaram que gostariam que o
Laboratório de Modernices se realizasse novamente.

2. O conteúdo da atividade foi interessante e


permitiu-me explorar coisas novas?

Muito interessante Interessante Pouco interessante Nada interessante


0% 0%

20%

80%

Gráfico 9 - Resultado das respostas à questão 2

3. Qual a tua motivação para continuar a explorar a


música contemporânea?
Muito motivado Motivado Pouco motivado Nada motivado

6% 0%

20%

74%

Gráfico 10 - Resultado das respostas à questão 3

À última questão, de resposta aberta, era solicitado aos alunos que, em poucas
palavras, descrevessem o que acharam da atividade e da peça criada para a mesma.

19
Ver gráficos 8 e 9.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

As respostas foram variadas, focando a criatividade, o sentimento de diversão


demonstrado ao longo das sessões e o facto de terem aprendido “coisas novas”. No
entanto, nada melhor do que citar alguns dos intervenientes para especificar as
emoções sentidas.

“Gostei de conhecer estas novas técnicas e de explorar mais o instrumento. Adorei o


efeito da peça final! Em pouco tempo, conseguimos finalizar uma peça que me deu
gosto tocar.”, (violoncelo, 7º ano);
“É um projeto bastante criativo”, (violino, 8º ano);
“Eu acho que é uma peça interessante para tocar em conjunto com muitas técnicas
diferentes, e eu gostei muito”, (viola d’arco, 7º ano);
“À primeira achei muito confuso mas depois de perceber foi muito engraçado”, (violino,
7º ano);
“É muito interessante e vou melhorar o meu futuro musical”, (violoncelo, 7º ano);
“Era complexa e diferente mas divertida”, (violino, 9º ano);
“Uma experiência completamente diferente do que estamos habituados. Muito
interessante”, (viola d’arco, 9º ano);
“Achei uma atividade muito interessante e que revelou o outro lado da música e que
esta não é só aquilo que estamos habituados a ouvir”, (violino, 9º ano);
“Aprendi muitas coisas novas, aprendi técnicas e a ler partituras que nunca achei que
conseguisse fazer! Adorei e espero que se repita!”, (violino, 9º ano);

Aos professores presentes, foi solicitado que escrevessem um comentário livre


orientando a sua resposta segundo aspetos como a organização, preparação da
atividade, explanação do conteúdo, ligação com o público-alvo e outros que
considerassem relevantes.20 A professora Beata Costa refere que a atividade tem
grande valor pedagógico, classificando com muito bom os parâmetros destacados. A
professora Ângela Neves salienta o valor enriquecedor da experiência ao nível dos
domínios “experimentação/colocar em prática, conhecer/tomar conhecimento e usar”.
Confirma ainda que muitas vezes os professores de instrumento não têm oportunidade
de ensinar e colocar em prática técnicas de execução moderna. Sendo assim, “de
forma prática e com motivação, puderam assimilar novos conhecimentos. A professora
Andrea Moreira, professora cooperante do estágio desenvolvido ao longo do ano,
esteve também presente. Menciona que a atividade foi bem organizada e
fundamentada. Destaca a forma como consegui apresentar os conteúdos e “atrair a
atenção dos alunos que demonstraram muito interesse em experimentar técnicas
novas”. Para além disso foca o enriquecimento alcançado com contributo direto nas
aulas de orquestra. O professor Fernando Marinho, docente responsável da disciplina,
complementa os comentários das professoras bem como destaca o sucesso da
apresentação pública.
20
Ver anexo IV.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Ilustração 3 - Cópia da avaliação do professor responsável da orquestra

4.4. Reflexões Finais

Terminado o processo que levou à concretização do Laboratório de Modernices é


importante rever quais as questões que foram levantadas no seu início. De que forma
são estimulados os alunos para a audição e execução de música contemporânea? Os
professores de instrumento/classes de conjunto promovem a inserção de repertório
contemporâneo? Quais as principais razões para os docentes não o incluírem?

É possível concluir que os alunos são pouco estimulados para a audição/execução de


música contemporânea. Como foi verificado, cerca de 80% da amostra não teve
contacto com este repertório nem nas aulas de instrumento nem nas aulas de classe
de conjunto. No entanto, a motivação para o investimento na temática é de 86%, já
para não falar do crescimento em 10% após a realização da atividade. Por norma, a
criança/adolescente é um ser curioso e, a meu ver, é possível tirar mais partido dessa
característica para o desenvolvimento pessoal e técnico. Como foi referido por uma
das professoras cooperantes, nem sempre é possível criar momentos no espaço da

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

aula de instrumento para abordar temáticas que se afastam do programa estabelecido.


A solução pode passar por incluir mais cedo repertório e técnicas contemporâneas no
currículo escolar ou então criar mais momentos como o Laboratório de Modernices
onde os alunos possam explorar a música e o seu instrumento.

Num tom de conversa informal, pude aperceber-me que os alunos experimentaram em


casa as técnicas trabalhadas e que mostraram às famílias o resultado da
aprendizagem conseguida na primeira sessão. Além disto, alguns dos alunos, de
forma autónoma, pesquisaram sobre a temática e encontraram peças para o seu
instrumento que um dia gostariam de tocar. Esta atitude proporciona mais contacto
com o instrumento e estimula a procura de novos sons e de novas ideias musicais,
dois dos objetivos propostos aquando a elaboração deste projeto. Acrescentando, são
vários os benefícios que a execução das técnicas transporta para o desenvolvimento
técnico do aluno e, quando adequadas, não significam qualquer retrocesso na
aprendizagem.

Muitas vezes, a razão para o afastamento geral em relação à música contemporânea


surge pela existência do desconhecido. A leitura da pauta musical dita convencional é
seguramente mais simples e imediata comparativamente às partituras que serviram
como exemplos, ou até mesmo com a partitura Sperto 23_10, utilizadas durante as
sessões. Mas como disse um aluno, no primeiro momento instala-se a confusão,
depois de compreender é possível desfrutar da música em questão. Deste modo,
concluem-se mais dois objetivos propostos: elucidar os intervenientes para as técnicas
de escrita musical moderna e contribuir para a formação de público para a música
contemporânea (numa perspetiva a longo prazo).

O Laboratório de Modernices despertou interesse nos alunos e o resultado final da


peça foi muito satisfatório. Observar o olhar de contentamento da orquestra de cordas
do 3º ciclo do regime integrado aquando os aplausos no final da performance foi, sem
dúvida, muito reconfortante e cúmplice do meu investimento nesta temática. Não
pretendo que a música contemporânea se sobrevalorize em relação ao passado
musical, mas considero importante e útil aliar este repertório e esta linguagem ao
ensino da música, mais especificamente ao ensino das cordas friccionadas, neste
caso concreto do violino enquanto docente deste instrumento.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

Conclusão

É através da educação que se molda a sociedade.

Analisando desde o início o meu desenvolvimento como docente, posso concluir que o
meu iceberg tem muito mais profundidade neste momento. O mestrado em ensino da
música contribuiu para que o meu conhecimento se alargasse no âmbito de assuntos
adjacentes à educação e às suas formalidades. Não basta saber tocar violino para
poder o ensinar, já que o violino não é o centro do ensino artístico, mas sim o aluno e
a sua forma de ver instrumento. A prática educativa supervisionada permitiu-me
também, num ambiente controlado, lidar com o processo ensino/aprendizagem de
forma segura e consciente através do contacto com uma profissional creditada e
experiente. A partilha de ideias foi fundamental para fortalecer a minha formação de
docente, desde sustentar o pensamento crítico enquanto observadora das aulas da
professora cooperante, planear conscientemente as aulas que lecionei bem como
auto-avaliar no final com vista a melhorar a minha prática.

Relativamente à música contemporânea e às técnicas de execução contemporâneas,


“é sempre difícil tocar ou aprender algo pela primeira vez e, a primeira apresentação
de uma obra que expõe ideias novas é raramente ideal para os ouvidos da maioria dos
músicos, particularmente dos estudantes” (Krewer, 2018, pág. 7). Deste modo,
considero essencial continuar a investir nesta formação, quer como instrumentista
quer como docente. Tal como Bernstein (1954, pág. 213) salienta, “(…) recebamos a
arte moderna de braços abertos. E aceitemos a música moderna como sendo a nossa
música”. O Laboratório de Modernices é o ponto de partida para que este investimento
continue a ter resultados positivos. O contacto com grupos de alunos, quer por ter
assistido a algumas aulas de orquestra, quer por ter desenvolvido o projeto de
intervenção com a orquestra de cordas do 3º ciclo, complementou positivamente a
minha aprendizagem.

Terminado este ciclo, sinto-me mais capaz de ensinar, inspirar e cativar os alunos que
por mim passarem, contribuindo favorável e afirmativamente para a sua formação
artística e pessoal.

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A introdução de técnicas de execução contemporâneas para cordas na aula de conjunto
como veículo para a sensibilização e aprendizagem de repertório contemporâneo.
Ana Tedim

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Anexos

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