UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
“JÚLIO DE MESQUITA FILHO”
Instituto de Ciências e Engenharia de Itapeva
Curso de Engenharia Industrial – Madeira
DJAIL AMARAL DE OLIVEIRA
GIULIANO VITOR OLIVEIRA DE MENEZES
SAMUEL CEZAR BRANCALHAO
MATHEUS DA CONCEIÇÃO SILVA
VÍTOR PAULINO OLIVEIRA
Relatório de aula prática, Eletricidade Básica:
Potência em Circuitos CA
Prof. Dr. Felipe Oliveira Lima
Itapeva
Dezembro, 2025
2
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 3
2 OBJETIVOS.......................................................................................................... 3
3 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................... 3
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES .......................................................................... 8
5 CONCLUSÃO ..................................................................................................... 17
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 17
3
1. INTRODUÇÃO
A análise de potência em circuitos de corrente alternada (CA) é fundamental
para compreender o comportamento energético em sistemas elétricos senoidais,
amplamente predominantes nas redes de distribuição e no maquinário industrial.
Diferentemente dos circuitos de corrente contínua, onde a potência permanece
constante, em sistemas CA ela varia no tempo devido à oscilação da tensão e da
corrente.
A potência elétrica é classificada em três grandezas distintas: a potência ativa,
responsável pela conversão efetiva de energia em trabalho útil (como movimento em
motores ou calor em resistores); a potência reativa, associada à troca de energia
necessária para a manutenção dos campos eletromagnéticos em indutores e
capacitores; e a potência aparente, que representa a totalidade da energia fornecida
ao sistema. A interação entre essas grandezas define o fator de potência, um indicador
crucial de eficiência energética. A compreensão profunda desses conceitos é
imprescindível não apenas para o dimensionamento correto de instalações elétricas,
mas também para a otimização do consumo e garantia da estabilidade operacional
dos equipamentos.
2. OBJETIVO
O objetivo desta prática foi compreender e analisar experimentalmente o
comportamento das potências ativa, reativa e aparente em circuitos de corrente
alternada e observar como resistores, indutores e capacitores influenciam a
impedância, a defasagem e o fator de potência.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 Materiais
Osciloscópio digital;
Multímetro digital;
Alicate amperímetro/wattímetro;
4
Resistores do kit WEG (50Ω e 100Ω);
Indutor de 300 mH;
Capacitores do kit WEG;
Fios de conexão;
Fonte monofásica da bancada.
3.2 Medição da tensão da rede
O osciloscópio foi conectado entre os terminais R e N da caixa de alimentação.
A ponta de prova foi ajustada para 10× e o acoplamento configurado para AC
conforme o roteiro.
Foram obtidas as leituras diretas de frequência, tensão de pico e tensão RMS
da rede.
Em seguida, o multímetro digital foi utilizado para medir as tensões entre as
fases (RS, RT, ST) e entre fase–neutro (SN e TN).
Figura 1 - Osciloscópio digital
Fonte: Autoria própria.
5
3.3 Circuito resistivo
Os resistores foram conectados todos em série, conforme demonstrado no
diagrama da figura 2.
Após energizar o circuito, o alicate wattímetro foi utilizado para medir a corrente,
potência ativa, potência aparente, potência reativa e fator de potência.
As leituras foram registradas imediatamente após estabilização.
Figura 2 – Modelo do circuito resistivo.
Fonte: Lima, 2025.
Figura 3 - Circuito com Resistores
Fonte: Autoria própria.
6
3.4 Resistores em série com capacitor em paralelo
Foram montados dois resistores em série e, em seguida, ligado um capacitor
em paralelo com o conjunto, na figura 4 é exposto o circuito todo em série, porém, foi
modificado para um capacitor em paralelo para obtenção de melhores resultados.
Com o wattímetro, mediram-se corrente, tensão, potências e fator de potência.
As leituras foram registradas separadamente para comparação.
Figura 4 – Modelo circuito RC em série.
Fonte: Lima, 2025.
3.5 Resistores em série com indutor em paralelo
Repetiu-se o mesmo procedimento anterior, substituindo o capacitor por um
indutor conectado em paralelo ao conjunto resistivo, a figura 5 demonstra a ligação.
As grandezas elétricas foram medidas utilizando o alicate wattímetro.
Figura 5 – Circuito com dois resistores em série, ambos em paralelo com o indutor
Fonte: Autoria própria.
7
3.6 Circuito RLC em série
Conectou-se um resistor, um indutor e um capacitor em série conforme a figura
6. O circuito foi alimentado e as medições de corrente, tensão e potências foram
realizadas.
Figura 6 - Circuito RLC em Série.
Fonte: Autoria própria.
3.7 Dois resistores, dois indutores e um capacitor em paralelo
O procedimento foi dividido em duas etapas, e o circuito é demonstrado na
figura 7.
Figura 7 – Esquema de ligação RL em paralelo com um capacitor.
Fonte: Lima, 2025.
Sem o capacitor:
Os resistores e indutores foram conectados em série.
8
As mesmas medições de tensão, corrente e potências foram realizadas.
Com o capacitor:
O capacitor foi adicionado em paralelo ao circuito.
Todos os valores foram novamente medidos com o wattímetro.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1 Medição da tensão da rede
Com o osciloscópio foi possível analisar os fatores abaixo:
A frequência foi medida em 60 Hz;
A tensão de pico (máx) foi de 170 V;
A tensão eficaz (RMS) foi de 130 V.
Com o multímetro pode-se verificar as tensões entre os terminais:
Entre R e S 220,4V;
Entre R e T 220,2V;
Entre S e T 220,5V;
Entre S e N 127,6 V;
Entre T e N 127,7V.
4.2 Circuito resistivo
A impedância do circuito foi calculada a seguir:
4 resistores de 150Ω
Z = 150 + 150 + 150 + 150
Z = 600 Ω∠0°
9
Com o alicate wattímetro foi realizado as medições a seguir:
Corrente = 0,15 A
P. Ativa = 22,3 W
P. Reativa = 0 VAR
P. Aparente = 21,8 VA
FP = 0,99
127,8V
Se FP = 0,99, então:
𝜑 = cos−1 (0.99)
𝜑 ≈ 8.1∘
Ângulo próximo de 0° equivale a um circuito meramente resistivo.
Os resultados indicaram fator de potência próximo de 1, potência reativa
praticamente nula e corrente proporcional ao valor da resistência total. Isso confirma
que no circuito puramente resistivo não há defasagem entre tensão e corrente, e toda
a energia fornecida é convertida em potência ativa. A pequena diferença entre os
valores teóricos e medidos se deve a tolerâncias dos componentes e imprecisões dos
instrumentos.
4.3 Resistores em série com capacitor em paralelo
A impedância do circuito foi calculada a seguir:
2 resistores de 50Ω em paralelo com 1 capacitor de 10 µF.
1
XC = ≈ 265,26
2π(60)(10 × 10−6 )
ZC = -j265,26 Ω
ZC = 265,26 Ω∠-90°
10
ZR = 50 + 50 = 100 Ω
ZR = 100 Ω∠0°
𝑍𝑅 × 𝑍𝐶
ZT =
𝑍𝑅 + 𝑍𝐶
100∠0° × 265,26∠ − 90°
ZT =
100 − 𝑗265,26
26526∠ − 90°
ZT =
283,48∠ − 69,34°
ZT = 93,57Ω∠-20,66°
Com o alicate wattímetro foi realizado as medições a seguir:
Corrente = 0,21 A
P. Ativa = 156,1 W
P. Reativa = 31,2 VAR
P. Aparente = 159,2 VA
FP = 0,98
128,5V
Se FP = 0,98, então:
𝜑 = cos−1 (0.98)
𝜑 ≈ −11,48∘
Observou-se uma defasagem negativa, indicando adiantamento da corrente
em relação à tensão. A presença de potência reativa capacitiva, elevou o consumo
total de energia aparente. O fator de potência permaneceu alto, visto que a reatância
capacitiva ajudou a compensar parte da defasagem natural de cargas resistivas. Por
fim, o aumento da corrente total está relacionado à redução da impedância
equivalente introduzida pelo capacitor.
11
4,4 Resistores em série com indutor em paralelo
A impedância do circuito foi calculada a seguir:
2 resistores de 50Ω em paralelo com 1 indutor de 300 mH.
XL = 2π(60)(300 × 10−3 ) ≈ 113,10
ZL = j113,10 Ω
ZL = 113,10 Ω∠90°
ZR = 50 + 50 = 100 Ω
ZR = 100 Ω∠0°
𝑍𝑅 × 𝑍𝐿
ZT =
𝑍𝑅 + 𝑍𝐿
100∠0° × 113,10∠90°
ZT =
100 + 𝑗113,10
11310∠90°
ZT =
150,97∠48,52°
ZT = 74,92Ω∠41,48°
Com o alicate wattímetro foi realizado as medições a seguir:
Corrente = 1,74 A
P. Ativa = 177,8 W
P. Reativa = 133,8 VAR
P. Aparente = 224,2 VA
FP = 0,79
128,2 V
Se FP = 0,79, então:
𝜑 = cos−1 (0.79)
𝜑 ≈ 37,81∘
12
A potência reativa medida foi significativamente maior que no caso capacitivo,
devido à intensa presença de reatância indutiva. Houve atraso da corrente e redução
do fator de potência para valores próximos de 0,79. Esse resultado demonstra o maior
impacto das cargas indutivas no sistema elétrico, já que em geral os indutores
possuem indutâncias relativamente altas, maiores do que capacitores. Por essa razão,
o comportamento indutivo predomina na maior parte das cargas industriais. A corrente
também aumentou devido a diminuição da impedância equivalente, em virtude da
reatância indutiva aplicada.
4.5 Circuito RLC em série
A impedância do circuito foi calculada a seguir:
2 resistores de 100Ω em série com 2 indutores de 300 mH e 1 capacitor de 5 µF.
XL = 2π(60)(300 × 10−3 ) ≈ 113,10
ZL = 2 x j113,10 Ω
ZL = 226,2 Ω∠90°
1
XC = ≈ 530,52
2π(60)(5 × 10−6 )
ZC = -j530,52 Ω
ZC = 530,52 Ω∠-90°
ZR = 100 + 100 = 200 Ω
ZR = 200 Ω∠0°
ZT = 𝑍𝑅 + 𝑍𝐿 + 𝑍𝐶
ZT = 200 + j226,2 − j530,52
ZT = 200 − 𝑗304,32Ω
ZT = 364,16Ω∠ − 56,69°
Com o alicate wattímetro foi realizado as medições a seguir:
Corrente = 0,74 A
13
P. Ativa = 65,2 W
P. Reativa = 69 VAR
P. Aparente = 95,1 VA
FP = 0,68
128,5 V
Se FP = 0,68, então:
𝜑 = cos−1 (0.68)
𝜑 ≈ −47,16∘
O circuito RLC em série apresentou uma interação entre as reatâncias indutiva
e capacitiva, resultando em impedância complexa predominante indutiva (ângulo
negativo significativo). A potência reativa permaneceu elevada e o fator de potência
foi reduzido. A corrente observada foi coerente com o módulo total da impedância
calculada, onde o aumento da impedância diminuiu a corrente.
4.6 Dois resistores, dois indutores sem o capacitor em paralelo
A impedância do circuito foi calculada a seguir:
2 resistores de 100Ω em série com 2 indutores de 300 mH.
XL = 2π(60)(300 × 10−3 ) ≈ 113,10
ZL = 2 x j113,10 Ω
ZL = 226,2 Ω∠90°
ZR = 100 + 100 = 200 Ω
ZR = 200 Ω∠0°
ZT = 𝑍𝑅 + 𝑍𝐿
ZT = 200 + j226,2
14
ZT = 301,94Ω∠48,52°
Com o alicate wattímetro foi realizado as medições a seguir:
Corrente = 0,44 A
P. Ativa = 40,2 W
P. Reativa = 42,4 VAR
P. Aparente = 58,5 VA
FP = 0,68
128,8 V
Se FP = 0,68, então:
𝜑 = cos−1 (0.68)
𝜑 ≈ 47,16∘
Quando apenas resistores e indutores foram conectados, a reatância indutiva
elevou a impedância total e reduziu a corrente. A potência reativa permaneceu positiva
e alta, demonstrando forte característica indutiva. O fator de potência reduziu-se
novamente para cerca de 0,68, indicando baixa eficiência energética. Isso reforça a
influência das cargas indutivas sobre o consumo.
4.7 Dois resistores, dois indutores com um capacitor em paralelo
A impedância do circuito foi calculada a seguir:
2 resistores de 100Ω em série com 2 indutores de 300 mH, tudo em paralelo com um
capacitor de 5 µF.
XL = 2π(60)(300 × 10−3 ) ≈ 113,10
ZL = 2 x j113,10 Ω
ZL = 226,2 Ω∠90°
15
1
XC = ≈ 530,52
2π(60)(5 × 10−6 )
ZC = -j530,52 Ω
ZC = 530,52 Ω∠-90°
ZR = 100 + 100 = 200 Ω
ZR = 200 Ω∠0°
ZS = 𝑍𝑅 + 𝑍𝐿
ZS = 200 + j226,2
ZS = 301,94Ω∠48,52°
Agora, com o capacitor em paralelo:
𝑍𝑆 × 𝑍𝐶
ZT =
𝑍𝑆 + 𝑍𝐶
301,94∠48,52° × 530,52∠ − 90°
ZT =
200 + 𝑗226,2 − j530,52
160185,21∠ − 41,48°
ZT =
364,16∠ − 56,69°
ZT = 439,89Ω∠15,21°
Com o alicate wattímetro foi realizado as medições a seguir:
Corrente = 0,30 A
P. Ativa = 39,8 W
P. Reativa = 7,4 VAR
P. Aparente = 40,3 VA
FP = 0,98
130,3 V
Se FP = 0,98, então:
𝜑 = cos−1 (0.98)
16
𝜑 ≈ 11,48∘
A adição do capacitor provocou significativa redução da potência reativa. O
fator de potência subiu para aproximadamente 0,98, demonstrando correção efetiva.
A corrente diminuiu expressivamente, resultado do aumento da impedância
equivalente após a compensação. Este resultado mostra, na prática, como o capacitor
neutraliza parte da reatância indutiva, reduzindo as perdas e aproximando a
defasagem de zero. É o comportamento típico de sistemas industriais que utilizam
bancos de capacitores para correção de fator de potência.
A prática como um todo demonstrou, de forma clara, como elementos
resistivos, indutivos e capacitivos influenciam as grandezas elétricas em corrente
alternada. Observou-se que cargas puramente resistivas operam com fator de
potência elevado e consumo eficiente, enquanto cargas indutivas aumentam a
potência reativa e provocam defasagem significativa entre tensão e corrente. Já os
capacitores mostraram seu papel fundamental na compensação dessas defasagens,
reduzindo corrente total, melhorando o fator de potência e aumentando a eficiência do
circuito. Dessa forma, os experimentos reproduziram fielmente os fenômenos teóricos
da potência elétrica em CA, reforçando sua relevância para sistemas industriais reais.
Aplicações práticas da experiência:
O conteúdo desta prática possui aplicações diretas no cotidiano do engenheiro
industrial madeireiro, pois a maior parte das máquinas empregadas na indústria da
madeira como serras, secadores, compressores, esteiras, plainas e motores de alta
potência operam com cargas predominantemente indutivas. Esse tipo de carga reduz
o fator de potência das instalações e aumenta o consumo de corrente, elevando
perdas e custos de operação.
Compreender a relação entre potência ativa, reativa e aparente permite ao
engenheiro identificar problemas de baixa eficiência, dimensionar corretamente
circuitos, além de reconhecer a necessidade de instalar bancos de capacitores para
correção de fator de potência, prática comum em praticamente todas as indústrias.
17
Uma instalação com fator de potência adequado evita multas, reduz aquecimento de
componentes elétricos e melhora a confiabilidade da produção.
5. CONCLUSÃO
A análise experimental dos circuitos de corrente alternada permitiu corroborar
os fundamentos teóricos sobre o comportamento das potências ativa, reativa e
aparente. No circuito puramente resistivo, confirmou-se o alinhamento de fase entre
tensão e corrente, resultando em um fator de potência unitário e aproveitamento total
da energia como potência ativa.
Em contrapartida, os ensaios com cargas indutivas (RL) e capacitivas (RC)
evidenciaram a defasagem angular entre as grandezas elétricas. A presença de
reatâncias nesses circuitos gerou um consumo considerável de potência reativa,
reduzindo a eficiência do sistema (baixo fator de potência).
O destaque do experimento foi a análise do circuito RLC com correção. A
inserção do capacitor em paralelo à carga indutiva demonstrou a compensação da
potência reativa indutiva pela reativa capacitiva. Esse procedimento elevou o fator de
potência para valores próximos a 1,0, validando a eficácia da correção de fator de
potência na redução de perdas e otimização do uso da corrente elétrica.
Conclui-se, portanto, que o controle da impedância e o monitoramento do fator
de potência são vitais para a engenharia elétrica, garantindo não apenas a
conformidade técnica, mas também a viabilidade econômica e a eficiência energética
das instalações.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOYLESTAD, Robert L. Introdução à Análise de Circuitos. 12. ed. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2012.
HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Física,
Volume 3: Eletromagnetismo. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016.
LIMA, F. O. Notas de aula prática da disciplina de Eletricidade Básica. Itapeva: UNESP,
2025.
YOUNG, Hugh D.; FREEDMAN, Roger A. Física III: Eletromagnetismo. 14. ed. São
Paulo: Pearson Education do Brasil, 2016.