UNIVERSIDADE SAVE
FACULDADE DE ECONOMIA E ADMINISTRAÇÃO
Comparação das Normas Internacionais de Contabilidade com as Normas constantes
do Decreto 70/2009 de 22 de Dezembro
Licenciatura em Contabilidade
Raul Horácio
Maxixe
2025
FACULDADE DE ECONOMIA E ADMINISTRAÇÃO
Comparação das Normas Internacionais de Contabilidade com as Normas constantes
do Decreto 70/2009 de 22 de Dezembro
Licenciatura em Contabilidade
Raul Horácio
Trabalho de pesquisa cientifica a ser
apresentado na cadeira de
Contabilidade Internacional, para
efeitos de avaliação.
Docente: Ma. Denis Fernando
Maxixe
2025
Índice
Introdução ................................................................................................................................................3
[Link]ção das Normas Internacionais de Contabilidade com as Normas constantes do Decreto
70/2009 de 22 de Dezembro.....................................................................................................................4
[Link] Internacionais de Contabilidade ...........................................................................................4
[Link] 70/2009 .................................................................................................................................4
[Link] / IAS vs Decreto 70/2009 .............................................................................................................5
2.1.Âmbito e aplicabilidade .....................................................................................................................5
[Link] conceptual e princípios fundamentais ...................................................................................5
[Link] e mensuração de activos e passivos ........................................................................6
[Link] (reconhecimento) e arrendamentos ......................................................................................6
[Link]ções financeiras .................................................................................................................6
[Link] de Contas (especificidade moçambicana) ................................................................................7
[Link] empresas (PGC-PE) e proporcionalidade ...........................................................................7
[Link]ção, actualização e fiscalização ................................................................................................7
[Link]ção crítica ............................................................................................................................8
[Link] financeiros e regras de imparidade .............................................................................9
[Link]ção e análise crítica ............................................................................................................9
[Link]ção e reflexão .....................................................................................................................9
[Link]ção e consequências práticas .......................................................................................... 10
[Link] e médias entidades......................................................................................................... 10
[Link] práticos e desafios em Moçambique ................................................................................... 11
[Link] de primeira aplicação, transição e enforcement................................................................... 11
3.2.Síntese crítica .................................................................................................................................. 11
[Link]ções práticas ................................................................................................................. 12
Conclusão .............................................................................................................................................. 13
3
Introdução
O objetivo deste texto é realizar uma comparação crítica e pormenorizada entre o corpo
doutrinário das Normas Internacionais de Contabilidade e Relato Financeiro (IAS/IFRS) e o
Sistema de Contabilidade para o Sector Empresarial em Moçambique aprovado pelo Decreto
n.º 70/2009, de 22 de dezembro (que institui o PGC-NIRF para grandes e médias empresas e o
PGC-PE para pequenas entidades). A comparação parte de trechos expressos nos dois
documentos fornecidos e centra-se nas dimensões conceptuais, de reconhecimento e
mensuração, de apresentação e divulgação, e nas adaptações práticas introduzidas no normativo
moçambicano. As citações diretas aos textos são indicadas pelas referências aos ficheiros que
me forneceu. etiva filosófica e estrutura normativa
4
1. Comparação das Normas Internacionais de Contabilidade com as Normas
constantes do Decreto 70/2009 de 22 de Dezembro
[Link] Internacionais de Contabilidade
São um conjunto de normas emitidas pelo IASB/IFRS Foundation, de natureza principial e
orientadas para a informação útil a investidores e credores (comparabilidade e transparência).
O Conceptual Framework (2018) define objetivo, elementos (ativo, passivo, rendimento,
despesa), e princípios de mensuração e divulgação.
As IFRS assentam num Conceptual Framework que estabelece fins, conceitos e características
qualitativas fundamentais (relevância, fiabilidade, comparabilidade, apresentação fiel). A IAS
1, por exemplo, prescreve a base de apresentação das demonstrações de fins gerais e orienta
aspetos como continuidade, regime do acréscimo, materialidade e informação comparativa; não
define, contudo, critérios de reconhecimento específicos (esses são tratados por normas
particulares).
[Link] 70/2009
O Decreto aprova o PGC-NIRF, explicitamente “um normativo baseado nas Normas
Internacionais de Contabilidade (NIC) e nas Normas Internacionais de Relato Financeiro
(NIRF) emitidas pelo IASB” e declara que o quadro conceptual e as normas internacionais
usadas como base são as vigentes até outubro de 2008. O PGC-NIRF inclui um Quadro
Conceptual próprio, normas traduzidas/interpretadas (NCRF), códigos de contas e modelos
obrigatórios de demonstrações financeiras. rativa (filosofia vs operacionalização)
O Decreto aprova o Sistema de Contabilidade para o Sector Empresarial (SCE), composto por
PGC-NIRF (Chart of Accounts baseado nas NIRF — aplicável a grandes e médias empresas) e
PGC-PE (plano para pequenas e outras empresas). Estabelece prazos de entrada em vigor (ex.:
PGC-NIRF para grandes empresas a partir de 1/1/2010; médias a partir de 1/1/2011) e cria um
órgão regulador responsável pela revisão/actualização.
Os princípios centrais (objetivo das demonstrações, elementos do relato financeiro, critérios
gerais de reconhecimento) são partilhados — o Decreto replica o quadro conceptual das IFRS
e usa-o como fundamento das NCRF. Enquanto as IFRS privilegiam uma abordagem
principles-based com maior margem para julgamento técnico, o PGC-NIRF acrescenta
prescritividade operacional (plano de contas obrigatório, modelos padronizados, tabelas de
correspondência), o que tem vantagens na uniformização e na fiscalização, mas reduz alguma
5
flexibilidade interpretativa que as IFRS costumam admitir. Conceptual, elementos e critérios
de reconhecimento
2. IFES / IAS vs Decreto 70/2009
2.1.Âmbito e aplicabilidade
IFRS / IAS: aplicáveis em muitos países como norma para demonstrações de propósito
geral, com especial ênfase em empresas cotadas e grupos de grande dimensão. IFRS
não impõem um plano de contas — definem princípios e requisitos de apresentação e
divulgação; cada jurisdição aplica/adapta.
Decreto 70/2009: define duas famílias de planos de contas (PGC-NIRF para
grandes/medias; PGC-PE para pequenas/outras). O Decreto contém critérios
quantificáveis para classificar grande/ média/pequena (limiares em meticais;
empregados). Ex.: limites para grandes: total de rendimentos ≥ 1.275 milhões MT,
activos líquidos ≥ 1.275 milhões MT, ou ≥ 500 empregados.
O Decreto traduz a adoção dos princípios IFRS em um sistema prescritivo (plano de contas
nacional), algo distinto do mero reconhecimento voluntário de IFRS; isto facilita
comparabilidade nacional, mas adiciona restrições (obrigatoriedade do PGC e mapa de contas).
[Link] conceptual e princípios fundamentais
IFRS / IAS: objectivo principal — fornecer informação útil para tomada de decisão por
investidores; define elementos (ativo, passivo, capital), atributos de mensuração (custo
histórico, justo valor, etc.) e qualitativas (relevância, representatividade fiel). O
Framework é ferramenta primária para desenvolvimento e interpretação das normas.
Decreto 70/2009: incorpora explicitamente o Conceptual Framework como referência
para PGC-NIRF (Title I contém “Conceptual Framework” e regras para adopção pela
PGC-NIRF). O Decreto dispõe que o PGC-PE deve complementar-se com a Estrutura
Conceptual do PGC-NIRF quando necessário.
Há concordância explícita em termos de princípios (objetivo, elementos das demonstrações).
Entretanto, o Decreto traduz esses princípios em regras aplicacionais (ex.: plano de contas,
modelos de lançamento) — enquanto o IFRS prefere linguagem mais conceptual e menos
prescritiva.
6
[Link] e mensuração de activos e passivos
IFRS / IAS: fornece critérios de reconhecimento (probabilidade de benefícios
económicos futuros e custo mensurável) e várias bases de mensuração (custo, custo
amortizado, justo valor). Normas específicas (IAS 16, IAS 36, IFRS 9, IAS 2, IAS 41)
tratam detalhadamente categorias.
Decreto 70/2009: incorpora as mesmas categorias de mensuração e remete para
NIRF/IFRS aplicáveis; o Plano contém contas para activos tangíveis, intangíveis,
inventários (inclui rubricas como “biological assets”) e instrumentos financeiros (com
referências às normas IFRS de 2008/2009 que foram adotadas com exclusões
explicitadas no anexo de derivação IFRS→PGC).
O Decreto lista um plano de contas detalhado (classes e subcontas) e orientações sobre
lançamentos e documentos de suporte — o IFRS não prescreve um plano de contas, pelo que a
aplicação prática pode exigir escolhas interpretativas pelas empresas e contabilistas. Em alguns
pontos o Decreto adapta rubricas (terminologia e algumas mensurações) para o contexto
nacional.
[Link] (reconhecimento) e arrendamentos
IFRS / IAS: IFRS 15 estabelece o modelo de cinco passos para reconhecimento de
receitas; IFRS 16 define praticamente todos os arrendamentos no balanço (arrendatário
reconhece activo e passivo).
Decreto 70/2009: sendo um quadro de 2009, a adopção textual referia-se às NIRF/IFRS
então vigentes (publicadas até 2008/2009). Na prática, actualizações posteriores do
IFRS (ex.: IFRS 15 e IFRS 16 — emitidos após 2009) são incorporadas mediante
actualização/regulamentação do órgão regulador previsto no Decreto. O Decreto prevê
um mecanismo de revisão (Regulatory Board) para atualização/ interpretação.
As empresas moçambicanas devem acompanhar actualizações IFRS (ex.: IFRS 15 e IFRS 16)
e aplicar-as quando o órgão regulador as incorpora ao SCE; existe, portanto, uma defasagem
potencial entre emissão IFRS e transposição nacional.
[Link]ções financeiras
IFRS / IAS: exige um conjunto mínimo de demonstrações (Balanço, Demonstração do
Rendimento, DFC, Mutação do Capital Próprio, Notas) e um nível alto de divulgações
para permitir decisão informada. O Framework e normas específicas detalham
classificações, exposição e políticas contabilísticas.
7
Decreto 70/2009: inclui uma estrutura ilustrativa de demonstrações financeiras e
orientações sobre notas e políticas. O Decreto exige a adopção da estrutura e das
rubricas principais, integrando as exigências de divulgação baseadas nas NIRF
adoptadas.
Há convergência de objetivos e conteúdo mínimo; diferença na forma — o Decreto oferece
modelos/tabulações padronizadas (úteis para supervisão nacional) enquanto IFRS é mais
orientado a princípio e a divulgação material.
[Link] de Contas (especificidade moçambicana)
Decreto 70/2009: contém um PGC detalhado (classes 1–9, com subgrupos — [Link]. classe 1:
recursos financeiros; classe 2: existências; classe 3: investimentos; etc.).
Um plano padronizado aumenta comparabilidade e facilita fiscalização fiscal, mas pode limitar
flexibilidade em negócios inovadores ([Link]. instrumentos financeiros complexos) — exigindo
interpretações locais e notas explicativas detalhadas.
[Link] empresas (PGC-PE) e proporcionalidade
IFRS / IAS: existe um padrão internacional simplificado (IFRS for SMEs) para
pequenas e médias que reduz requisitos de divulgação e mensuração.
Decreto 70/2009: institui o PGC-PE para pequenas e demais empresas, mas não é uma
cópia literal do IFRS for SMEs; antes, trata-se de um plano simplificado com
orientações adaptadas ao contexto nacional. O PGC-PE remete para o PGC-NIRF em
profundidade quando for necessário.
Existe esforço de proporcionalidade, mas recomenda-se alinhar o PGC-PE com melhores
práticas internacionais (IFRS for SMEs) para reduzir custos de implementação e aumentar a
utilidade informacional de PMEs com stakeholders externos.
[Link]ção, actualização e fiscalização
Decreto 70/2009: prevê criação de um Regulatory Board para revisão/actualização
(art.4) — essencial para incorporar versões posteriores das NIRF/IFRS ao SCE. Define
também prazos de entrada em vigor e regras transitórias.
IFRS / IAS: alterações e novas normas são emitidas pelo IASB; sua adopção nacional
depende de mecanismo local (legislação/regulador).
Se o órgão regulador não actualiza rapidamente o SCE, há risco de defasagem entre normas
internacionais e prática local — com impactos em comparabilidade internacional e custo de
8
financiamento para empresas que enfrentam investidores estrangeiros. Relatos práticos e
estudos locais mostram desafios na implementação e necessidade de capacitação técnica.
Decreto 70/2009: “O presente Quadro Conceptual estabelece os conceitos que estão na
base da preparação e apresentação de demonstrações financeiras… aplica-se às
demonstrações financeiras com finalidades gerais.”
IFRS / IAS: o Conceptual Framework e as normas individuais (por exemplo, IAS 1)
definem características qualitativas, elementos das demonstrações (ativos, passivos,
capitais, rendimentos, gastos) e critérios gerais de reconhecimento (probabilidade de
benefícios económicos futuros e mensurabilidade fiável).
[Link]ção crítica
Identidade dos princípios: ambos os normativos utilizam os mesmos critérios de
reconhecimento: probabilidade de benefícios económicos e mensurabilidade fiável (o Decreto
incorpora esse raciocínio no seu Capítulo de Reconhecimento).
Implementação prática: o PGC-NIRF adiciona secções operacionais (ex.: regras de primeira
aplicação, exemplos, códigos) que ajudam a operacionalizar o reconhecimento em contextos
locais. Assim, a diferença não é de princípio mas de grau de detalhe e prescritividade: as IFRS
fornecem o princípio e as normas específicas; o PGC-NIRF fornece as NCRF e um mapa prático
que facilita a aplicação por entidades com capacidades técnicas diversas. de mensuração: custo
histórico, custo amortizado e justo valor
IFRS/ IAS: várias normas internacionais (IAS 16, IAS 40, IAS 39/IFRS 9, IFRS 13)
tratam do uso do justo valor, do custo amortizado e das bases alternativas de
mensuração. A IFRS elaborou critérios detalhados quando o justo valor é exigido ou
permitido.
Decreto 70/2009: declara que as NCRF foram elaboradas com base nas NIRF até
outubro de 2008 e contemplam as bases de mensuração; o texto reconhece
explicitamente que a aplicação prática de bases complexas (ex.: justo valor) depende de
mercados ativos e de capacidade técnica.
O Decreto aceita as bases de mensuração das IFRS, incluindo o justo valor onde aplicável; não
modifica a essência conceptual.
O justo valor, tal como definido nas IFRS, exige mercados activos, avaliadores independentes
ou técnicas de avaliação robustas. Em Moçambique (e em muitas economias emergentes) esses
9
recursos podem ser limitados; por isso, o PGC-NIRF incorpora orientação prática e,
implicitamente, um apelo à prudência na implementação, refletindo uma preocupação de
viabilizar a aplicação conforme as condições locais. Em termos de política normativa, isto
traduz-se num trade-off entre fidelidade ao princípio internacional e factibilidade local.
2.10. Instrumentos financeiros e regras de imparidade
IFRS / IAS: IAS 32 define apresentação e divulgação; IAS 39 (e posteriormente IFRS
9) tratam de reconhecimento, mensuração e imparidade; IFRS 7 regula divulgações de
instrumentos financeiros. CRF 25): a norma nacional que trata de instrumentos
financeiros “contempla os conteúdos da IAS 32, da IAS 39 e da IFRS 7” e a tabela de
correspondência explicita esta relação.
2.11. Comparação e análise crítica
Alinhamento formal: o PGC-NIRF integra as matérias sobre instrumentos financeiros sob a
NCRF 25, espelhando a estrutura das normas internacionais.
Complexidade técnica e lacuna de capacidade: normas como IFRS 9 (perdas esperadas —
ECL), classificação baseada no modelo de negócio e contabilização de cobertura são
técnicamente exigentes. O Decreto fornece a norma nacional, mas não resolve as exigências de
sistemas, históricos de dados e competências internas necessárias para aplicação imediata e
correta. Assim, existe um gap de implementação: a norma existe, mas muitas entidades poderão
necessitar de tempo, formação e suporte técnico para cumprir integralmente com conhecimento
de receitas: evolução IAS 18 → IFRS 15 e posição do Decreto
IFRS / IAS: IAS 18 prescreve critérios de reconhecimento para venda de bens,
prestação de serviços e receitas de juros/dividendos; o normativo internacional evoluiu
depois (IFRS 15 instituiu um modelo de cinco passos). O PGC inclui uma NCRF sobre
rédito que procura proporcionar interpretação análoga à IAS/IFRS e inclui exemplos
e orientações práticas adaptadas à realidade nacional.
2.12. Comparação e reflexão
Alinhamento de princípio: o PGC-NIRF segue a lógica internacional do reconhecimento de
receitas (ideia de que o rédito representa influxos de benefícios económicos oriundos das
actividades operacionais).
Descompasso temporal: o PGC foi construído com base nas IFRS até outubro de 2008 — por
isso, a redação original pode refletir a filosofia anterior (IAS 18) e não incorporar
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automaticamente o enquadramento do IFRS 15. Na prática, a implementação do modelo de
cinco passos (IFRS 15) exige actualizações normativas e orientações locais do organismo
regulador; o Decreto prevê esse organismo (artigo sobre normalização contabilística) mas a
atualidade de adaptações depende de acção regulatória posterior.
IAS / IAS: determina as demonstrações mínimas (balanço, demonstração de resultados,
demonstração das alterações no capital próprio, demonstração de fluxos de caixa e notas) e
critérios gerais de apresentação; não impõe um plano de contas uniforme.
Decreto 70/2009: apresenta modelos obrigatórios de demonstrações e dois quadros de contas
(sintético e detalhado) de aplicação obrigatória, com margem para adaptação conforme a
natureza do negócio.
2.13. Comparação e consequências práticas
Vantagem do PGC: o plano de contas e os modelos padronizados promovem
comparabilidade local e facilitam supervisão por autoridades (útil em fase de
consolidação normativa).
Limitação em relação às IFRS: a prescritividade pode colidir com a flexibilidade que
as IFRS concedem na forma de apresentação (por natureza ou por função) e na procura
de uma apresentação que melhor reflita a substância das transacções.
Em situações especiais, o PGC exige adaptação dentro do seu quadro; quando houver conflito
entre Quadro Conceptual e uma Norma do PGC-NIRF, a norma prevalece — isso evidencia a
hierarquia operativa criada localmente.
2.14. Pequenas e médias entidades
Decreto 70/2009: concebido como um regime de mais fácil aplicação, baseado
conceitualmente no PGC-NIRF, mas com regras simplificadas de reconhecimento,
mensuração e divulgação para reduzir custos e complexidade para entidades menores.
IFRS for SMEs (IASB): standard internacional simplificado, orientado para entidades
sem obrigação pública de prestação de contas.
Moçambique optou por um regime nacional simplificado (PGC-PE) em vez de adoptar
literalmente o IFRS for SMEs. Esse caminho permite o ajuste às especificidades legais, fiscais
e mercadológicas locais, mas limita o alinhamento internacional imediato das PME com uma
norma global padronizada. Em termos de política pública, trata-se de uma escolha pragmática
que prioriza factibilidade sobre harmonização total.
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3. Impactos práticos e desafios em Moçambique
Capacitação técnica: transposição de IFRS para um plano de contas nacional exige
formação extensiva de contabilistas e auditores; vários estudos locais indicam lacunas
de capacidade técnica (universidades e órgãos profissionais têm papel crítico).
Tempo de actualização normativa: o Decreto criou um mecanismo de revisão, mas a
incorporação tempestiva das novas IFRS depende de recursos e prioridade política. Há
risco de desfase entre IFRS emitidas e aplicação nacional.
Benefícios: maior transparência, comparabilidade com mercados internacionais e
potencial redução do custo de capital para empresas que reportam sob PGC-NIRF.
Complexidade para PMEs: mesmo com PGC-PE, algumas pequenas empresas sentem
pressão para preparar informação mais robusta (exigências bancárias, investidores), o
que exige equilíbrio entre custo e utilidade.
[Link] de primeira aplicação, transição e enforcement
O PGC inclui um capítulo específico sobre regras de primeira aplicação, com requisitos de
balanço de abertura, reconciliações e opções/transições, e o Decreto prevê a criação de um
organismo regulador responsável por revisão e atualização do SCE. Coerência com IFRS: as
IFRS também estabelecem requisitos para a primeira adopção (IFRS 1) e para divulgação de
efeitos de mudanças de políticas contabilísticas (IAS 8). O PGC replicou este cuidado
procedimental, o que é fundamental para garantir comparabilidade histórica e transição
ordenada.
A eficácia da harmonização depende fortemente de um organismo técnico robusto que atualize
o PGC face às mudanças internacionais e que produza guias de aplicação — tal
responsabilidade é prevista no Decreto mas a operacionalização prática é determinante para a
qualidade do enforcement.
3.2.Síntese crítica
Alinhamento conceptual forte: o Decreto e o PGC-NIRF reproduzem e ancoram o
quadro conceptual das IFRS; portanto, em termos de princípios fundamentais há ampla
convergência operacional com prescritividade: o PGC-NIRF introduz instrumentos
concretos (plano de contas, modelos, NCRF) que operacionalizam as IFRS no contexto
moçambicano — isto facilita a adopção prática, mas reduz a liberdade de apresentação
típica das IFRS.
Desafio de capacidade técnica: normas técnicas recentes (instrumentos financeiros,
imparidade por perdas esperadas, mensuração a justo valor, reconhecimento complexo
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de receitas) exigem recursos humanos e de sistemas que poderão faltar a muitas
entidades — o Decreto reconhece a necessidade de orientações e de um organismo
regulador para acompanhar a evolução.
a. Plano de formação nacional sobre IFRS 9, IFRS 15, mensuração a justo valor e políticas
de divulgação. Emitidos pelo organismo regulador para clarificar a aplicação das NCRF
em sectores com especificidades (extractivo, agricultura, construção).
b. Modelos e templates homologados (cálculo de ECL simplificados, templates de notas e
exemplos de transição) para reduzir custo e erro na primeira aplicação.
c. Roadmap de atualização normativa que alinhe o PGC com alterações relevantes das
IFRS posteriores a outubro de 2008, incluindo uma análise de gap e cronograma de
implementação.
[Link]ções práticas
Acelerar a estrutura de actualização normativa: operacionalizar com clareza calendário
e responsabilidade técnica do Regulatory Board.
Alinhar PGC-PE com IFRS for SMEs: promover adaptações técnicas para reduzir custo
de conformidade e aumentar utilidade.
Capacitação e materiais de apoio: programas conjuntos Governo-Universidades-Ordem
dos Contabilistas para formação contínua sobre novas IFRS.
Guia de transição e estudos de impacto: publicar guias práticos com exemplos de
conciliação (antes/ depois) e impactos fiscais/tributários.
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Conclusão
O Decreto n.º 70/2009 posiciona Moçambique numa trajetória de harmonização com as Normas
Internacionais (IFRS) ao adotar um PGC baseado nas NIRF. A principal vantagem é a
combinação entre os princípios internacionais e a uniformização prática local — através de um
plano de contas e modelos de demonstrações. Contudo, essa convergência traz desafios:
necessidade de actualização contínua do SCE para acompanhar novas IFRS, capacitação técnica
ampla e potencial perda de flexibilidade para entidades com operações complexas. Recomenda-
se reforçar mecanismos de actualização e alinhar o PGC-PE com o IFRS for SMEs para
assegurar proporcionalidade e viabilidade.