UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE CENTRO DE SAÚDE E TECNOLOGIA
RURAL LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
ESTHER LOPES NEVES
BIODIVERSIDADE DE CUPINS (INSECTA, ISOPTERA) EM DUAS ÁREAS DE CAATINGA NO
NORDESTE DO BRASIL
Patos, 2025
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...................................................................................... 13
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA............................................................ 15
2.1 A diversidade dos cupins................................................................... 15
2.2 Organização social............................................................................. 16
2.3 Biodiversidade do estado do Ceará.................................................. 17
3 MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................... 19
3.1 Área de estudo.................................................................................... 19
3.2 Coleta de dados.................................................................................. 19
3.3 Mapeamento........................................................................................ 20
4 RESULTADOS..................................................................................... 21
4.1 Diversidade.......................................................................................... 21
4.2 Mapeamento........................................................................................ 27
5 DISCUSSÃO......................................................................................... 30
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 33
REFERÊNCIAS.................................................................................... 34
Referencial Teórico
DIVERSIDADE DE CUPINS
Os térmitas, popularmente conhecidos como cupins, pertencem à subordem
Isoptera, atualmente incluída na ordem Blattodea, junto às baratas (Krishna et al.,
2013). São insetos eussociais, caracterizados pelo cuidado cooperativo com a prole, a
sobreposição de gerações e a presença de castas reprodutivas, em sistemas que incluem
castas estéreis, como soldados e operários, e os alados (castas reprodutoras). (Wilson,
1971). A revoada nupcial ocorre antes do pico das chuvas, os alados deixam a colônia
para acasalar e fundar novos ninhos; após o voo, perdem as asas, tornando-se reis e
rainhas de futuras colônias, processo crucial para a expansão e renovação das
populações (Bandeira et al. 2001). Dentro da ordem Blattodea, são reconhecidas
aproximadamente 7.600 espécies vivas, das quais cerca de 3.100 são cupins (Krishna et
al., 2013), com 629 espécies registradas na região Neotropical e cerca de 364 no Brasil
(Constantino, 2025).
Bandeira AG, Silva MP, Vasconcellos A. 2001. Alate swarming variation in two
species of Cryptotermes (Isoptera, Kalotermitidae) in João Pessoa, Paraíba State, Brazil.
Acta Biologica Leopoldensia 23:167-173.
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em: [Link]
Atualmente, os cupins estão distribuídos em dez famílias existentes, das quais
cinco são encontradas no Brasil: Kalotermitidae, Rhinotermitidae, Serritermitidae,
Termitidae e Heterotermitidae (Krishna et al., 2013; Hellemans et al., 2024). Diversos
tipos de recursos alimentares podem ser explorados por estes insetos, que são
classificados principalmente como: xilófagos, quando consomem madeira viva ou
morta; humívoros, ao se alimentarem de húmus agregado ao solo; e intermediários,
quando utilizam madeira em decomposição já incorporada ao solo (De Souza & Brown,
1994). Além desses, há espécies que consomem folhas, fungos, algas, líquens, fezes e
cadáveres de vertebrados (Bignell & Eggleton, 2000).
A construção de ninhos é crucial para a segurança e manutenção microclimática
da colônia no ecossistema (Moura et al. 2017). Estas estruturas podem ser conspícuas,
visíveis na paisagem, como ninhos arborícolas e de montículo; Também podem se
estabelecer em diversos micro-habitats, incluindo camadas do solo, interior de madeira
seca, raízes subterrâneas e na serrapilheira, aproveitando a variedade de condições e
recursos disponíveis nesses ambientes (Vasconcellos e Ernesto 2015; Noirot &
Darlington, 2000; Cupins da américa do sul, cap 14).
A ocorrência de cupins é mais intensa em regiões tropicais, especialmente em
florestas equatoriais úmidas e savanas, que concentram maior diversidade de espécies,
abundância e biomassa; essa diversidade é influenciada por diversos fatores, como
variação na precipitação pluviométrica, e tende a diminuir com o aumento da latitude e
da altitude (Jones & Eggleton, 2011; Cancello et al., 2014). Eggeleton (2000) sugeriu
que a principal restrição fisiológica é determinada pela temperatura, temperaturas mais
baixas ocasionam uma diminuição nas taxas metabólicas.
Apesar de serem constantemente rotulados como pragas urbanas, apenas cerca
de 10% das espécies de cupins são responsáveis por causar danos às atividades
humanas. (Vasconcellos 2016). Estes artrópodes desempenham um papel crucial na
preservação e equilíbrio dos ecossistemas, atuando como agentes essenciais na
decomposição da matéria orgânica e na ciclagem de nutrientes (Bignell & Eggleton,
2000; Jones & Eggleton, 2011). Além disso, algumas espécies formam galerias
subterrâneas, provocando mudanças significativas nas propriedades físicas e químicas
do solo, aumentando sua porosidade, aeração e capacidade de retenção de água (Holt &
Lepage, 2000; Vasconcellos & Moura, 2010).
VASCONCELOS A. & MOURA F.M.S. 2010. Consumo de madeira por três espécies de
cupins Nasutitermes em uma área de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil. Journal of Insect
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VASCONCELLOS A. & MOURA F.M.S. 2010. Wood litter consumption by three
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CAATINGA
A região de Caatinga abrange uma extensão aproximada de 912.000 km², está situada
predominantemente na região Nordeste do Brasil, ocupando áreas significativas dos
estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Bahia,
Sergipe e uma porção de Minas Gerais (Fernandes & Queiroz, 2018). Ocupando uma
zona de transição entre a Floresta Atlântica (a leste), a Amazônia (a oeste) e o Cerrado
(ao sul) (Leal et al., 2005). Essa região exibe uma morfologia singular, composta
predominantemente por depressões intermontanas, cujas altitudes variam entre 300 e
500 metros. O clima semiárido, característico desse domínio, apresenta uma expressiva
variabilidade pluviométrica, com índices anuais que flutuam de 240 mm nas áreas mais
secas até 900 mm nas regiões de transição (Prado, 2003; Leal et al., 2005).
Este domínio fitogeografico constitui-se como a maior Floresta Tropical Sazonalmente
Seca (Silva et al., 2017; Pennington et al., 2009), caracterizando-se por uma notável
heterogeneidade paisagística. Sua composição vegetal manifesta-se através de um
complexo mosaico fisionômico, representa um dos maiores exemplos de ambiente
semiárido neotropical (Leal et al., 2005; Silva et al., 2017; Sampaio, 2010). Em termos
de fitofisionomia, a Caatinga apresenta cactáceas, bromeliáceas, caducidade foliar e
baixa produção de fitomassa (Costa et al., 2007) ARTIGO SOUZA 2018. A vegetação
arbórea deste domínio exibe padrão descontínuo, restringindo-se a microhabitats com
condições edáficas favoráveis, particularmente solos com elevada disponibilidade
nutricional (Cavalcanti & Resende, 2007; Leal et al. 2005).
Na Caatinga, térmitas e formigas tornam-se recursos vitais para vertebrados durante a
seca, quando a disponibilidade de alimentos diminui (Vasconcellos et al., 2010a).
Estudos revelam que esses insetos dominam a dieta de aves e lagartos: em análises de
54 espécies de aves, representaram 60% dos itens consumidos, com destaque no período
seco (Cavalcanti, 2009). Em lagartos, corresponderam a 45% da dieta, sendo térmitas o
item principal (23%) para espécies como Tropidurus semitaeniatus e Ameiva
ameiva (Vieira, 2011). Padrões similares foram observados em outras regiões, com
térmitas chegando a 88% da dieta de algumas aves (Buainain & Forcato, 2016). Esses
insetos sustentam a fauna durante a estiagem, enquanto a reprodução de vertebrados se
concentra nas chuvas, aumentando a demanda por recursos (Araújo et al., 2017).
Embora se destaque entre os ecossistemas semiáridos por sua rica biodiversidade e
elevado número de espécies endêmicas, a Caatinga enfrenta intensa pressão
antropogênica e poucas regiões de conservação ambiental, resultando em significativa
degradação de seus ecossistemas (Leal et al., 2005; Maciel, 2010; Santos et al., 2011).
Essa pressão antrópica tem acarretado elevados índices de degradação ambiental, com
progressiva perda de resiliência ecossistêmica e aumento do risco de desertificação
(Souza e Sousa, 2018; Ramos et al., 2020).
possui o mais baixo nível de proteção entre os biomas nacionais. Estudos indicam que
mais da metade de sua extensão já apresenta alterações decorrentes da ação humana
(Maciel, 2010) ARTIGO SOUZA 2018
O estado também apresenta florestas secas da Caatinga, enclaves de florestas úmidas
(Brejos de Altitude), dunas e restingas (Martins et al. 1993). No Nordeste, os estudos
sobre cupins iniciaram a partir da década de 90 (Bandeira e Vasconcellos 1999), com a
criação de um grupo de estudos sobre a termitologia, criado pelo Dr. Aldemar Gomes
Bandeira, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O primeiro estudo foi
realizado na Estação Ecológica do Seridó/Serra Negra do Norte (RN), sendo
registrados apenas oito gêneros de cupins (Martius et al. 1999). Esse resultado
acabou gerando uma expectativa de baixa diversidade de cupins na Caatinga
(Moura et al. 2019)
A Caatinga é uma Floresta Tropical Sazonalmente Seca, apresentando um mosaico de
diferentes fisionomias vegetais (Pennington et al., 2000). A paisagem predominante
compreende depressões (300-500 m de altitude), com precipitação anual entre 240 e 900
mm (Prado, 2003). Apesar da sua importância em relação a biodiversidade, a Caatinga
vem sofrendo forte pressão antrópica e degradação dos habitats, estando a Caatinga
arbórea fragmentada e restrita às manchas de solos ricos em nutrientes (Cavalcanti &
Resende, 2007). Nos domínios da Caatinga existem ainda os enclaves de Floresta
Úmida chamados de Brejos de Altitude. Esses estão associados a planaltos de altitude
acima de 500 m e aos efeitos das chuvas orográficas. Por apresentarem condições mais
favoráveis para a agricultura e a pecuária do que a Caatinga adjacente, a área dos Brejos
foi reduzida a 5% do total pré-existente (Tabarelli & Santos, 2004).
A Caatinga é uma região semiárida, com cerca de 912.000 km2, localizada no Nordeste
brasileiro (Silva et al. 2017). Esse domínio refere-se, na maioria das vezes, a uma
Floresta Tropical Sazonalmente Seca (sensu Pennington et al. 2009), apresentando um
mosaico de diferentes fisionomias (Leal et al. 2005, Silva et al. 2017). A Caatinga está
cercada por áreas de Floresta Atlântica ao leste, pela Amazônia ao oeste e pelo Cerrado
ao sul (Leal et al. 2005, Prado 2003). A paisagem predominante da Caatinga
compreende depressões (300-500 m de altitude), com precipitação anual entre 240 e 900
mm (Prado 2003). Apesar da sua importância em relação a biodiversidade, a Caatinga
vem sofrendo forte pressão antrópica e degradação dos habitats (Leal et al. 2005, Santos
et al. 2011). A Caatinga arbórea está fragmentada e restrita às manchas de solos ricos em
nutrientes (Prado 2003, Leal et al. 2005).
[Link]
67252018000400014&script=sci_arttext&tlng=pt
[Link]
329979923_Distribution_and_Importance_of_Conservation_Units_in_the_Caatinga_D
omain/links/5cd1c0c2299bf14d957e69c1/Distribution-and-Importance-of-
[Link]
[Link]
TERMITOFAUNA EM ÁREA DE CAATINGA
A Caatinga enfrenta intensa fragmentação e degradação (Sá & Carvalho, 2024),
o que reforça a necessidade de investigações sobre sua biodiversidade. Sabendo que os
cupins desempenham funções vitais, como decompor matéria orgânica, reciclar
nutrientes em florestas tropicais e alterar, fisicamente e quimicamente, as características
do solo (Bignell & Eggleton, 2000; Jones & Eggleton, 2011), estudar sua taxocenose é
de suma importância para compreender seu papel ecológico e mapear a diversidade e o
endemismo na região Neotropical.
Os primeiros estudos na Caatinga foram entre as décadas de 70 e 90, por Renato L.
Araújo e Eliana M. Cancello, respectivamente; posteriormente, nos anos 2000, foram
iniciadas pesquisas mais precisas sobre térmitas, liderados por Adelmar Gomes
Bandeira na Universidade Federal da Paraíba (Bandeira & Vasconcellos, 1999). O
registro pioneiro de apenas oito gêneros de cupins na Estação Ecológica do Seridó/Serra
Negra do Norte (RN) (Martius et al. 1999) estabeleceu as bases para a expectativa de
diversidade termítica reduzida na Caatinga (Moura et al. 2019). Dados compilados de
pesquisas taxonômicas e levantamentos faunísticos indicam que já foram registradas
cerca de 100 espécies diferentes de térmitas no domínio da Caatinga (Constantino,
1995; Rocha & Cancello, 2009; Carvalho & Constantino, 2011; Acioli & Constantino,
2015; Oliveira & Constantino, 2016; Rocha & Cancello, 2020).
Nas últimas décadas, inúmeras expedições científicas vêm sendo conduzidas para
analisar as comunidades de cupins no semiárido nordestino, permitindo análises
comparativas e aplicação de índices de similaridade entre diferentes localidades
(Vasconcellos & Moura, 2014). Apesar dos avanços, a Caatinga ainda possui menos
levantamentos publicados sobre diversidade de cupins do que outros domínios
morfoclimáticos do país, com registros em apenas 11 localidades documentadas na
literatura científica (Martius et al., 1999; Mélo & Bandeira, 2004; Vasconcellos et al.,
2010; Alves et al., 2011; Viana Junior et al., 2014; Vasconcellos & Moura, 2014; Araújo
et al., 2015; Couto et al., 2015; Ávila et al., 2017; Ernesto et al., 2018).
Mesmo com a escassez de levantamentos em escala regional, pesquisas indicam que os
cupins constituem cerca de 60% da comunidade de macroartrópodes do solo na
Caatinga até 30 cm de profundidade, com participação ainda maior (acima de 70%)
entre 20-30 cm (Araújo et al., 2010b). Aparentemente, a Caatinga possui um número
reduzido de espécies endêmicas de cupins. Porém, ainda persistem lacunas
significativas nas amostragens, e o conhecimento taxonômico de certos grupos
permanece bastante limitado, particularmente no caso dos Apicotermitinae. A única
espécie endêmica, associada a vegetação com distribuição de caatinga, na lista atual é
Syntermes cearensis, restrita ao sul do Ceará e oeste da Paraíba e do Rio Grande do
Norte (Constantino, 1995; Ernesto et ai., 2018).