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Cartórios no Brasil: Desigualdades e Desafios

Enviado por

Vitor Tenório
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Escola Estadual Profª Edleuza Oliveira da Silva

São Miguel dos Campos- AL.


Professor(a):
Aluno(a):
Turma: Ensino Médio Integral/Referência
Data: / /

LABORATÓRIO DE COMUNICAÇÃO

TEXTO II

TEXTO I

TEXTO III
'Dou fé':
para que

servem os cartórios, mercado de mais de R$ 30 bilhões


Tiago Mali e Juliana SayuriDo UOL, em São Paulo
11/08/2025 05h30
[...] No Brasil, registros civis, de imóveis e atos notariais passam por cartórios privados. Nosso país também se
diferencia dos demais por décadas de privilégios consolidados. Isso permite a seguinte situação:
Ao menos 27% dos cartórios brasileiros são administrados por pessoas que não prestaram concurso, muitas
vezes acumulando remuneração altíssima; Há pressão do setor para reajustar taxas, de modo que uma
porcentagem delas (ou até o total) seja destinada a penduricalhos e benesses a funcionários públicos; A falta de
padronização nas cobranças onera muito mais do que deveria cidadãos de alguns estados.
Tabeliães defendem que um sistema estatal seria pior. Críticos do sistema atual seria pior. Críticos do sistema
atual, apontam que o modelo é um legado patrimonialista de Portugal. Até 1988, muitos cartórios eram
ocupados por indicações políticas. A Constituição determinou concurso, mas um terço das vagas ainda é
destinado a quem já atua como cartorário.
"Retificar o gênero de uma pessoa, por exemplo, é um direito. Mas, para retificar, você precisa pagar. É uma
cidadania paga", diz a tabeliã Carla Watanabe.
Um paulistano pode gastar mais de R$ 150 mil só de cartório ao longo da vida, segundo levantamento do UOL.
Um cidadão de outro estado gastaria muito menos. Ou até mais. A reportagem comparou taxas
("emolumentos") e encontrou distorções flagrantes de preços. Declarar uma união estável em Santa Catarina,
por exemplo, custa R$ 103. Em São Paulo, R$ 592. Em Minas, R$ 626. Um protesto de dívida de R$ 25 mil custa
R$ 69 no Ceará. No Piauí, R$ 4.018 (diferença de mais de 5.000%). Já um testamento pode custar R$ 942 em
Santa Catarina, R$ 18,4 mil no Amapá ou até R$ 210 mil em Minas Gerais. Segundo fontes ouvidas pelo UOL,
tanta discrepância obedece a uma única lógica: a do lobby. Ele é feito por donos de cartório em assembleias
legislativas. Os aumentos nas taxas são discutidos nos Tribunais de Justiça e levados aos deputados estaduais,
que aprovam, de tempos em tempos, o reajuste dos valores. Em tese, os aumentos deveriam apenas corrigir a
inflação e contemplar os custos operacionais. Mas não é isso que acontece. Em São Paulo, cerca de 40% do
valor arrecadado nos cartórios paga tributos ao estado e à prefeitura, mas também abastece fundos
particulares do Ministério Público, do Judiciário e associações de notários.
"Existe lobby do Ministério Público para manter as taxas cartorárias que o abastecem. Tem lobby do Judiciário
para manter taxas que vão para os fundos judiciários. Temos vários lobbies para tirar dinheiro da população",
diz o deputado federal José Nelto (Podemos-GO). O parlamentar coordenou uma comissão na Câmara, entre
2021 e 2022, que estudou uma reforma no modelo cartorial. Entre as propostas estava "dar fé pública" a
agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal —ou seja, permitir que elas absorvessem parte dos
trabalhos dos cartórios. "Mas o lobby não permitiu que o relatório fosse votado. Cartórios são intocáveis." Como
titulares de cartório concursados não são funcionários públicos, não estão sujeitos ao teto do funcionalismo (o
equivalente ao salário de um ministro do STF, que hoje é de R$ 46 mil). Dados da Receita de 2023 mostram que
"titular de cartório" é a ocupação mais bem paga do país, com renda média mensal de R$ 156 mil. Entre os do
Distrito Federal, a média chega a R$ 530 mil.

PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao
longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da
língua portuguesa sobre o tema “Cartórios no Brasil: fé pública, desigualdades e desafios para o cidadão”,
apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e
relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

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