DOI: 10.5433/1981-8920.
2025v30n1p162
CDD E SUA RELAÇÃO COM O DIREITO: ANÁLISE
DO TRATAMENTO DADO AO HOMICÍDA NAS
ESFERAS DO PODER, NORMA E ESTADO
CDD AND ITS RELATIONSHIP WITH THE LAW:
ANALYSIS OF THE TREATMENT OF THE HOMICIDE IN
THE SPHERES OF POWER, RULE AND STATE
Mariana da Silva Porcel Capriolia
Felipe Brene Porcel Pintob
Larissa Mello Limac
João Batista Ernesto Moraesd
RESUMO
Objetivo: Objetiva-se apresentar a classificação dos homicidas encontradas na
Classificação Decimal de Dewey, segundo três perspectivas, fazendo um paralelo
teórico interdisciplinar na relação entre Foucault, o direito e a classificação.
Metodologia: Para tanto o percurso metodológico do trabalho é descritivo de caráter
documental e utiliza as definições Foucaultianas de “poder” “norma” e
“governamentalidade”. Resultados: As resoluções teóricas de homicida são tratadas de
três maneiras diferentes, o que resulta em três classes diferentes (Psicologia, Homicídio,
Comportamento Homicida). Conclusão: Entende-se, assim, que o homicida na
Classificação Decimal de Dewey perpassa por questões de norma, poder e estado pois
há três óticas de classificação para o tema mostrando a complexidade do mesmo e suas
divergências. A fim de poupar o tempo do bibliotecário acredita-se ser viável a existência
de uma classificação diretamente ligada ao direito e a punição.
Descritores: Classificação Decimal de Dewey. Interdisciplinaridade. Direito. Foucault.
a Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
(UNESP). Bibliotecaria na Biblioteca Municipal de Marília João Mesquita Valença. Marília,
Brasil. E-mail: [Link]@[Link]
b Especialista em Criminologia pela Gran Centro Universitário (GCU). Assessor Técnico da
Superintendência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília (HCFAMEMA),
Marília, Brasil. E-mail: [Link]@[Link]
c Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
(UNESP). Docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil.
E-mail: [Link]@[Link]
d Doutor em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
(UNESP). Docente do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual
Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Marília, Brasil. E-mail: [Link]@[Link]
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[Link]
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Ernesto Moraes
CDD e sua relação com o direito: análise do tratamento dado ao homicida nas esferas do
poder, norma e estado
1 INTRODUÇÃO
Considera-se que a Ciência da Informação dialoga com outras áreas por
meio da interdisciplinaridade, tem-se como problema de pesquisa o
questionamento: é possível aproximar a Classificação Decimal de Dewey (CDD)
e a forma como os homicidas são tratados com as definições dadas pelos
operadores do Direito? Tal aproximação acontecerá por meio dos conceitos
trazidos por Foucault para Poder, Norma e por fim um conceito criminológico
para o Direito.
Utiliza-se a Classificação Decimal de Dewey (CDD) como exemplo de
classificação e objeto de pesquisa por ser utilizada em mais de 140 países, além
de estar publicada em mais de 30 línguas diferentes, contando com estrutura e
atualizações que a fazem completa ainda que contenha falhas.
O objetivo do trabalho se encontra em apresentar e analisar a
classificação para Homicidas encontrada na CDD de acordo com três óticas, por
meio de um paralelo teórico interdisciplinar na relação entre Foucault, direito e
classificação.
Para Foucault, o Poder pode ser considerado uma prática social
historicamente constituída, não estando localizado em ninguém fisicamente, mas
sim dissolvido na sociedade.
Um dos instrumentos de análise de circulação social do Poder é a Norma.
A Norma diz respeito à construção de um paradigma que dará base à
distinção entre o normal e o anormal. Aos que se encontram à margem da
Norma, ou seja, aos anormais, são destinados instrumentos de correção que se
pautam, acima de tudo, em mecanismos de exclusão (Esteves, 2016). É
portadora de uma pretensão de poder, pelo qual se pode legitimar.
Pode-se afirmar que o Direito é regido por Normas, mas com definições
diferentes das de Foucault, girando em torno da existência de um conjunto de
regras que regulam a sociedade. Mesmo possuindo definições diferentes,
encontrou-se uma forma de aproximá-las por meio de uma teoria criminológica
conhecida como Teoria do Etiquetamento ou Rotulação Social. Para a teoria,
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atribuem-se “etiquetas” aos indivíduos que não seguem as regras de
comportamentos impostas pela sociedade, mais especificamente àqueles que
cometem crimes, transgridem as normas, podendo ser considerados
delinquentes.
Uma das maneiras de transgredir as Normas é o homicídio.
Existem diferentes designações para o homicida, dependendo dos
agentes ativos e passivos, mas fica claro que o homicida se encontra fora da lei
e deve, referente ao crime que cometeu, sofrer a sanção equivalente para seu
crime.
Sabe-se que as Unidades de Informação seguem regras que servem de
apoio para que haja a melhor representação da informação de seus acervos,
tendo como principal característica a substituição de um documento completo
por uma representação abreviada. Os Sistemas de Classificação são os
principais responsáveis por promover o acesso entre o conteúdo temático dos
documentos e o usuário.
Foi ao observar na prática as representações temáticas, ou seja, no
momento de classificar um livro em uma biblioteca que foram encontradas
inconsistências na CDD.
As bibliotecas menos específicas, como as municipais, na maior parte das
vezes se utilizam da CDD por sua completude, porém na prática, ficam visíveis
seus problemas e deficiências.
Sendo assim, o estudo se justifica por observar que, quando se trata de
Tratamento da Informação, a especificidade de assuntos é um aspecto
fundamental, uma vez que os usuários de uma biblioteca possuem necessidades
e desejos em diferentes níveis e determinados acervos possuem características
próprias que devem ser consideradas no tratamento dos documentos que os
compõem.
Ainda, há argumentos ao aproximar a forma de classificar dos conceitos
de Poder e Norma de Foucault, visto que no momento em que se atribuem
assuntos a uma obra em uma biblioteca, exerce-se uma ação de poder que,
segundo Olson (2002) não é neutra, assim como o instrumento de
representação, que é construído e convencionado de maneira que atue como
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substitutos do documento.
É por meio desse substituto documental que o usuário tem
acesso e se apropria da informação, ou seja, para a autora, os
catálogos de biblioteca “[...] não refletem passivamente os
valores dominantes da sociedade de forma neutra ou objetiva,
mas selecionam os valores para expressá-la.” (Olson, 2002, p.
2).
A autora ainda ressalta-se que tudo que não é “natural” não é considerado
“normal” por especialistas classificadores, e, portanto, é colocado além das
fronteiras da norma, do padrão e do foco do sistema de organização do
conhecimento, e dessa forma, empurrado para as margens (Cornell, 1992;
Olson, 1997). Sinaliza-se que o “normal” e “natural” destes especialistas é
pautado em uma visão focada nos paradigmas da cultura ocidental refletindo
ações de poder em nível geopolítico.
Dessa forma, a intenção de analisar as classes em que a CDD classifica
os homicidas vai ao encontro das definições de Foucault para poder, norma e
governamentalidade. Levanta-se a discussão de se a classificação utilizada se
vale das definições do autor para validar o que se acredita sobre doenças
mentais e comportamentos fora da norma e como o Direito tem a intenção de
domar e docilizar o indivíduo para que se encaixe na norma.
2 FOUCAULT: PODER E NORMA
Foucault sempre se preocupou com o poder em suas obras. Para ele o
poder se trata de uma prática social historicamente constituída, não se
localizando em ninguém ou uma instituição, mas sim dissolvido na sociedade,
nas relações sociais existentes.
Caprioli et al. (2017) observam que o conceito de poder para Foucault
acontece em uma relação triangular: poder, direito e verdade. Poder como direito
se manifesta pela forma que a sociedade se movimenta, enquanto o poder como
verdade se institui pelos discursos que essa sociedade produz, “[...] sendo sua
obrigação, pelos movimentos ocasionados pela própria organização que o
acomete e, por vezes, sem devida consciência e reflexão.” (Caprioli et al., 2017,
p. 302). Ou seja:
[...] Não há exercício do poder sem uma certa economia dos
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poder, norma e estado
discursos de verdade que funcionam nesse poder, a partir e
através dele. Somos submetidos pelo poder à produção da
verdade e só podemos exercer o poder mediante a produção da
verdade. Isso é verdade em toda sociedade, mas acho que na
nossa essa relação entre poder, direito e verdade se organiza
de um modo muito particular. (Foucault, 1999, p. 28).
Para Foucault (1979, p. 46), “[...] é preciso escapar de quatro formas de
análise relativas ao poder [...]”. O primeiro deles seria o esquema teórico de
apropriação do poder, ou seja, a ideia de que poder se trata de algo de alguns
tem e outros não; o segundo se trata da localização do poder, ou seja, a ideia de
que o poder está sempre localizado em um determinado número de elementos,
essencialmente nos aparelhos de Estado; o terceiro se trata da subordinação, a
ideia de que o poder está em uma determinada maneira de manter, reproduzir,
conservar uma maneira de produção, ou seja, “[...] de que o poder sempre estaria
subordinado a um modo de produção que sempre lhe seria anterior, senão
historicamente, pelo menos analiticamente [...]” (Foucault, 1979, p. 46); e por
último o tema segundo o qual o poder só pode produzir efeitos ideológicos.
O poder, como dito, não é detido por ninguém, ele se exerce em toda
superfície do campo social, estando presente nas relações familiares, sexuais
etc. “Até mesmo na mais fina malha do tecido social o poder se revela como
alguma coisa ‘em ato’, que se exerce, que se efetua [...]” (Foucault, 1979, p. 47).
Também, não se pode deter o poder, pois com ele se joga, se arrisca. Ainda para
o autor (Foucault, 1979, p. 47): “Como numa batalha, ganha-se ou perde-se o
poder. No cerne do poder, há uma relação bélica e não uma relação de
apropriação”. Finalmente, o poder não se encontra em algum dos lados, não há
um lado que detenha o poder e outro que dele estão inteiramente privados.
Ainda: “O poder é monolítico. De certo ponto de vista, jamais é inteiramente
controlado [...]” (Foucault, 1979, p. 47).
Partindo disso, um dos instrumentos formulados por Foucault para
analisar a circulação social do poder e manifestações de mando é a norma.
Segundo Lourenço (2008), tal instrumento surgiu da transição ocorrida nas
monarquias do século XVIII, quando se passa a assumir funções administrativas,
entre elas o controle de medidas de saúde pública.
A norma é portadora de uma pretensão de poder, se tratando de um
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elemento do qual o exercício de poder se encontra legitimado. Ela traz consigo
princípios de qualificação e correção, simultaneamente, segundo Canguilhem
(2009), e ainda, “[...] ela está sempre ligada a uma técnica positiva de
intervenção e de transformação, a uma espécie de poder normativo.” (Fonseca,
2002, p. 62). Ou seja, passa-se a um poder positivo, que constrói, que fabrica,
que observa e multiplica a partir de seus próprios efeitos.
Tal poder normativo é o que molda os sujeitos e suas condutas, para que
fiquem aptos a permanecer e integrar de forma plena um certo corpo social, uma
vez que deve tratar se de autores de condutas aceitas pela coletividade
(Lourenço, 2008). Assim,
O poder normativo, então, produziria como resultado um
indivíduo (sujeito) sem patologias sociais, concretamente
plenipotente, apto a viver de acordo com regras sociais vigentes.
Trata-se da espécie de punição característica da sociedade
disciplinar. (Lourenço, 2008, p. 9).
De forma clara, o ato de punir, para Foucault e o poder disciplinar, não
visa a repressão, mas sim coloca em funcionamento cinco operações bem
opostas:
[...] relacionar os atos, os desempenhos, os comportamentos
singulares a um conjunto, que é ao mesmo tempo campo de
comparação, espaço de diferenciação e princípio de uma regra
a seguir. Diferenciar os indivíduos em relação uns aos outros e
em função dessa regra de conjunto – que se deve fazer
funcionar como base mínima, com media a respeitar ou como o
ótimo de que se deve chegar perto. Medir em termos
quantitativos e hierarquizar em termos de valor as capacidades,
o nível, a “natureza” dos indivíduos. Fazer funcionar, através
dessa medida “valorizadora”, a coação de uma conformidade a
realizar. Enfim traçar o limite que definirá a diferença em relação
a todas as diferenças, a fronteira externa do anormal (a “classe
vergonhosa” da Escola Militar). A penalidade perpétua que
atravessa todos os pontos e controla todos os instantes das
instituições disciplinares compara, diferencia, hierarquiza,
homogeneíza, exclui. (Foucault, 2002, p.152, grifo nosso).
Ou seja, para o autor (Foucault, 2002), em uma única palavra: normaliza.
O objetivo da norma se trata justamente da inter-relação entre o poder e
constituição de sujeitos aptos a seguir os preceitos da sociedade em que vive,
sociedade esta que regula comportamentos e espera uma homogeneização
quase absoluta dos corpos.
Segundo Esteves (2016) a produção de normas é uma característica do
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poder disciplinar e tem por objetivo a domesticação dos corpos, a dominação, a
intenção de torná-los dóceis e governáveis.
A norma, portanto, tem a intenção de transformar para que se caiba nos
moldes, porém o poder disciplinar atua por meio da exclusão, pois um indivíduo
que não está na norma precisa ser tratado, docilizado, ensinado, para que se
encaixe nela e, para isso, se usa das prisões e manicômios, por exemplo, locais
onde as pessoas são reclusas para entrarem nas normas. Se isso não se trata,
então, de uma exclusão.
É nesse momento que se deve ressaltar a relação que o presente trabalho
tem a intenção de traçar com o Direito, melhor tratado no próximo capítulo.
3 DIREITO: PODER, NORMA E LEI
Sabe-se que o direito é regido por normas que têm definições diferentes
para Foucault, pois o direito gira em torno da existência de um conjunto de regras
que regulam a sociedade.
Segundo Lourenço (2008), quando o Estado usa seu principal instrumento
para estabelecer as regras, ele legisla, ou seja, criam-se leis que trazem uma
série de comportamentos a serem respeitados, que segundo Amaral (2006, p.
62):
As normas jurídicas são normas de comportamento ou de
organização que emanam do Estado por ele têm sua aplicação
garantida. [...] Sua existência prende-se à necessidade de se
estabelecer uma ordem que permita a vida em sociedade,
evitando-se ou solucionando conflitos, garantindo a segurança
nas relações sociais e jurídicas, promovendo a justiça, a
segurança, o bem comum, com o que também garante a
realização da liberdade, da igualdade da paz social, os
chamados valores fundamentais e consecutivos da axiologia
jurídica.
Fica claro, então, que a repressão do direito é dada pelas sanções
negativas imputadas ao sujeito que não cumpre as normas ou que não dá
importância a aplicação correta da lei penal. Segundo Lourenço (2008) a lei, que
pode ser entendida como o direito, garante uma confirmação moderna do
Estado.
O Estado de direito representa a consolidação de três elementos,
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segundo Campilongo (2000), sendo eles: o princípio de legalidade, o império da
lei estatal; o da publicidade, que se refere à transparência dos atos do Estado, e
o do equilíbrio e do controle entre poderes. O elemento mais relevante,
entretanto, se trata da legalidade.
Dessa forma, pode-se compreender que a fonte do direito por excelência,
se trata da lei, ou seja, é o principal modo pelo qual o direito é produzido e
observado em determinada coletividade, Ferraz Júnior (1998, p. 232) deixa claro:
[...] Nos regimes constitucionais, com base na Constituição, são
elaboradas leis, que, no quadro geral da legislação como fonte,
são de essencial importância. As próprias constituições
costumam garantir-lhe uma preeminência na forma de um
princípio: ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma
coisa senão em virtude de lei. É o princípio da legalidade.
É evidente, portanto, o caráter preponderante da legislação no nosso
ordenamento jurídico e a sua absoluta proeminência para a regulação social
(Lourenço, 2008).
A norma jurídica não tem o mesmo significado da norma para Foucault,
exatamente porque a jurídica se funda na soberania do Estado, porém quando
se refere a circulação e operatividade do poder dentro da malha social, as
abordagens de Foucault se tornam extremamente adequadas e úteis para
esquadrinhar o fenômeno jurídico e suas condicionantes externas à lei
(Lourenço, 2008, p. 48), afinal
[...] sendo a lei insuficiente, por evidente que em suas limitações
e rasuras é perfeitamente possível a disciplina atuar produzindo
resultados absolutamente díspares ou mesmo em consonância
com o poder disciplinar, panoptizando1 os corpos, as condutas,
os comportamentos de toda a coletividade, para efetivar suas
normas.
A lei é um instrumento de controle, de manutenção de posições sociais e
da estrutura do Estado. Dessa forma, pode-se afirmar que o poder disciplinar
também se utiliza de lei.
Como visto, o direito possui definições que se afastam de Foucault, porém
deve-se observar que existem teorias da criminologia, aqui em específico, que
1 Panóptico, conceito concebido por Jeremy Bentham em 1787 para casas de inspeção
penitenciária. “Foucault traz o conceito de Panóptico em seu livro “Vigiar e Punir”, no capítulo
III da Terceira Parte, intitulado “O Panoptismo” e se trata da análise mais conhecida do projeto
de Bentham sobre o Panóptico.” (Caprioli et al., 2017, p. 306).
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se aproximam do proposto pelo autor. A seguir, uma sucinta definição da
mencionada teoria.
A Teoria do Labelling Approach, também conhecida como Teoria do
Etiquetamento ou Rotulação Social, de Howard Becker, se trata de uma teoria
ligada a matéria penal, mais especificamente à criminologia (Labeling Approach,
2018).
A criminologia teve como seu primeiro modelo integrado, segundo
Schecaira (2014) a obra Malleus Maleficarum, conhecido em português como
“Martelo das feiticeiras”, pois durante os anos foi reeditado inúmeras vezes e por
meio dele podia-se estudar as causas do mal, as maneiras em que se apresenta
e como combatê-lo (Batista, 2014).
Partindo disso, pode-se definir a criminologia da seguinte forma:
Ciência empírica e interdisciplinar, que se ocupa do estudo do
crime, da pessoa do infrator, da vítima e do controle social do
comportamento delitivo e que trata de subministrar uma
informação válida, contrastada, sobre a gênese, dinâmica e
variáveis principais do crime – contemplando este como
problema individual e como problema social – assim como sobre
os programas de prevenção eficaz do mesmo e técnicas de
intervenção positiva no homem delinquente e nos diversos
modelos ou sistemas de resposta ao delito (García-Pablos De
Molina; Gomes, 2002, p. 39).
Tem como objetivo, então, analisar a conduta e personalidade do
desviante, assim como os fatores sociais que o levaram a tal ação para, assim,
conseguir uma forma de prevenção efetiva para os demais delitos, auxilia,
também, na ressocialização do desviante (Garcia, 2017).
Voltando à Teoria do Etiquetamento, se trata de uma teoria considerada
revolucionária para o direito, uma vez que muda o objeto de estudo do etiológico
do crime para as instâncias de controle social, para o que se chama de
comportamento desviante (Spinola, 2016). Está pautada no que a sociedade
atribui como comportamento certo e errado, “etiquetando” os indivíduos ou, como
chamados, delinquentes, que transgridem as normas. O termo utilizado pelo
autor (Becker, 2022) para rotular os indivíduos fora da norma é “outsider”, ou
seja, alguém que não vive - não está - de acordo com as regras estabelecidas
pela sociedade. O outsider é considerado uma pessoa não confiável para viver
em grupo, o tornando, dessa forma, um indivíduo excluído.
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Com essa concepção, a teoria pauta-se na análise da ação de forças
penitenciárias, policiais e jurídicas, além de outras instituições de controle social,
tendo como objetivo compreender como os rótulos criados pela sociedade e
aplicados por tais instituições contribuem para a criação do estigma do
criminoso, os diferenciando dos demais cidadãos de uma sociedade.
Dessa forma, o ato de etiquetar está relacionado com determinar qual
comportamento está correto perante uma sociedade ou não, exatamente como
a teoria de poder e norma para Foucault.
O indivíduo que foge das regras, aqui considerado delinquente ou
criminoso, deve sofrer as consequências da lei, ou seja, ser punido dentro do
previsto para o delito que cometeu. Exatamente como Foucault diz, que o
“anormal” é punido, excluído, diferenciado.
Neste estudo, especificamente, tem-se a intenção de tratar de homicidas
e como a CDD os classifica, sendo importante, dessa forma, definir o termo para
o direito em um primeiro momento, para depois explicá-lo no código, estando
ligado ao tratamento temático da informação.
3.1 HOMICÍDIO E HOMICIDA PARA O DIREITO
Assim, o homicida é o que pratica o homicídio, como definido no Dicionário
Técnico Jurídico (Guimarães, 2013) e, ainda no mesmo dicionário, define
homicídio como:
HOMICÍDIO - Assassinato. Destruição violenta e ilícita da vida
de uma pessoa por outra. O crime admite várias espécies:
Culposo ou involuntário: se o agente não teve a intenção de o
cometer, mas foi resultado de imprevidência de sua parte ou de
falta definida da lei. A pena é de detenção de 1 a 3 anos,
aumentada de um terço se o crime resulta de regra técnica da
profissão, arte ou ofício, que o agente não observou, ou se
deixou prestar imediato socorro à vítima, não procurou diminuir
as consequências de seu ato ou fugiu para evitar prisão em
flagrante. O juiz, porém, pode deixar de aplicar a pena se as
consequências da infração atingirem o próprio agente de forma
tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.
Doloso ou voluntário: em que o agente tem deliberado
propósito de praticar o crime, cujos efeitos prevê claramente;
será qualificado, quando concorrem circunstâncias genéricas
que o agravam, passível por isso de pena mais severa, de
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reclusão de 12 a 30 anos; simples o que não tem circunstância
que o agrave e é apenado com reclusão de 6 a 20 anos; pode o
juiz reduzir esta pena de um sexto a um terço se o agente
comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou
moral, sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida à
injusta provocação da vítima. A Constituição diz que certos
crimes, classificados como hediondos, terão as suas penas
agravadas e são insuscetíveis de graça ou anistia, além de
inafiançáveis [...].” (Guimarães, 2013, p. 401).
O homicídio assume diferentes designações, dependendo dos agentes
passivos e ativos, bem como das demais circunstâncias que permeiam o crime,
o que não necessita de aprofundamento, mas pode-se dar o exemplo do
infanticídio, quando um recém-nascido é morto pela mãe durante ou logo após
o parto em virtude do estado puerperal.
Fica claro com as definições que o homicida - após a devida condenação
- é um indivíduo que se encontra fora da lei, pois provocou a morte de alguém,
devendo sofrer, assim, a sanção equivalente para seu crime. Essa
marginalização reflete os processos de rotulação social descritos por Becker na
Teoria do Etiquetamento Social, falada anteriormente, onde indivíduos
considerados desviados são tratados como outsiders.
O direito - latu sensu - tem o condão de aplicar pena para o delinquente,
aqui o homicida, para que possa docilizar os corpos, algo dito por Foucault
(2002) em Vigiar e Punir, pois as instituições de poder, as prisões por exemplo,
têm essa função. Procura-se, também, excluir, rotular, como visto na teoria
colocada e na explanação sobre o poder e norma para Foucault, o que se
aproxima do que a CDD faz quando classifica o homicida, que será tratado logo
após o próximo capítulo, no subcapítulo 4.1.
Logo após tratar do direito e suas definições, é importante tratar da
organização e representação da informação, mais especificamente dos sistemas
de classificação, aqui, a CDD, o que acontecerá no próximo capítulo.
4 ORGANIZAÇÃO E REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA DA INFORMAÇÃO: A
CDD
Trata-se agora dos processos de representação da informação, que estão
centralizados na representação descritiva, ou seja, a forma do documento, e
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poder, norma e estado
representação temática, a representação de conteúdo do documento.
Para Barité (2001), tanto informação quanto conhecimento são palavras
ambíguas, admitindo inúmeros significados. Ainda, que o conhecimento se trata
de uma conquista subjetiva da informação. São usados instrumentos, como
tesauros e sistemas de classificação para representar tematicamente a
informação dos documentos e, dessa forma, oferecê-la para a comunicação
correta entre os indivíduos, para que se possa gerar novos conhecimentos.
A organização é dada ao conhecimento, mas este é
representado pelo tratamento temático e pela extração de
informações dos documentos, logo consideramos, na visão de
Barité, que se organiza o conhecimento e representa-se a
informação, o ponto de vista do tratamento temático. (Martins;
Moraes, 2012, p. 182).
Dessa forma, trata-se aqui da representação da informação, como parte
da organização do conhecimento, por tratar de um contexto da representação
temática da informação.
A representação da informação é necessária para que haja uma
organização da informação e para que possa ser recuperada posteriormente. Se
trata de um processo cognitivo que passa pelas etapas de percepção,
identificação, interpretação, reflexão e codificação, não se tratando apenas de
um processo técnico.
Partindo disso, temos que a representação da informação tem como
principal característica a substituição de uma entidade linguística longa e
complexa (que se trata do documento) por uma descrição abreviada (Novellino,
1996). A autora (Novellino, 1996) ainda coloca que essa sumarização não é
apenas uma solução prática para a quantidade de material presente em uma
unidade de informação a ser representado, armazenado e recuperado, mas
também é desejável, pois tem a função de demonstrar a essência do documento,
funcionando como um artifício de enfatização das principais características
considerando a recuperação sendo “[...] a solução ideal para organização e uso
da informação [...]” (Novellino, 1996, p. 38). Brascher e Café (2008) corroboram
que envolve um conjunto de elementos descritivos que representam os atributos
de um material informacional específico.
Para representar a informação, existem duas etapas a se seguir, sendo
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CDD e sua relação com o direito: análise do tratamento dado ao homicida nas esferas do
poder, norma e estado
as duas igualmente importantes: representação descritiva e representação
temática. Ou ainda, como colocam Pinho, Nascimento e Melo (2015), é
composta por um conjunto de elementos que se referem à descrição física e de
conteúdo dos objetos informacionais, sendo que
A descrição física está diretamente relacionada ao suporte
material, a catalogação, ou seja, descrição do autor, título, local,
editor, data, paginação, dimensão, dentre outros. Essas
informações compreendem descrições dos atributos de um
documento, refletindo desta forma a sua origem e facilitando sua
recuperação. (Pinho; Nascimento; Melo, 2015, p. 115).
Desta forma, a representação descritiva pode também ser chamada de
catalogação e se refere à descrição física do documento, como o nome já indica,
sendo a responsável por trazer informações como dimensões das obras, número
de páginas, localização no acervo e os pontos de acesso como autor, título e
assunto geral.
A descrição temática, ou de conteúdo, segundo Carlan (2010, p. 27) tem
seu trabalho concentrado em “[...] conceitos contidos nos documentos e a
representação desses conceitos de forma sistemática e semanticamente
estruturada (elaboração de resumo, indexação, classificação).”.
O resumo se trata de um produto da Análise Documental e tem a função
de representar de forma sintetizada os pontos mais relevantes de um
documento. A indexação é o processo em que se representa o conteúdo dos
documentos por meio de descritores e a classificação tem o objetivo de agrupar
e organizar os documentos pelos assuntos que tratam, auxiliada pelos sistemas
de classificação como a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e a
Classificação Decimal Universal (CDU) (Pinho; Nascimento; Melo, 2015).
A Classificação tem a função de dar acesso ao conteúdo temático, com o
intermédio entre o usuário e o documento pesquisado. Muitos profissionais a
compreendem como função de designar e controlar a localização física do
documento no acervo e somente para isso, obviamente sendo uma de suas
grandes funções no acesso à informação, mas não pode ser resumida somente
pela atribuição numérica (Sousa; Fujita, 2013). Como Lancaster (2004)
expressou em 2004, a organização dos documentos nas estantes das bibliotecas
não é a única função da classificação, pois
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CDD e sua relação com o direito: análise do tratamento dado ao homicida nas esferas do
poder, norma e estado
Suponhamos que o bibliotecário tome um livro e decida que trata
de ‘aves’. Ele lhe atribui o cabeçalho de assunto AVES.
Alternativamente, pode atribuir o número de classificação 598.
Muitos se refeririam à primeira operação como catalogação de
assuntos e à segunda como classificação, uma distinção
totalmente absurda. A confusão é ainda maior quando se
percebe que indexação de assuntos pode envolver o emprego
de um esquema de classificação ou que um índice impresso de
assuntos pode adotar a seqüência de um esquema de
classificação. [...] O fato é que a classificação, em sentido mais
amplo, permeia todas as atividades pertinentes ao
armazenamento e recuperação da informação. (Lancaster,
2004, p. 20).
Neste sentido, a classificação também diz respeito a recuperação da
informação e não apenas o armazenamento, indo de encontro assim com o que
foi expresso por Souza; Fujita (2013) e corroborado por Moreira (2021).
No presente artigo tem-se a intenção de focar exatamente no tratamento
temático da informação, a classificação e mais especificamente a Classificação
Decimal de Dewey (CDD).
A CDD é de autoria do bibliotecário Melville Louis Kossuth Dewey, norte-
americano, nascido em 1851, falecido em 1931. Foi um sistema desenvolvido
levando como base a classificação de Harris, que, por si, teve suas ideias em
Bacon, que via o homem como centro do universo (Lima, 2004).
Dewey idealizou um sistema de classificação baseado em uso de
números em ordem decimal que, segundo Barbosa (1969), marcou época na
história da classificação de materiais bibliográficos. Anterior ao bibliotecário, os
números em sequência decimal haviam sidos utilizados por Maine em 1583 e
Shurtleff em 1856, para numeração de estantes e prateleiras, nunca para
disposição dos livros (Umbelino; Aganette, 2017).
Os números decimais usados pela CDD são organizados de forma
hierárquica para que possa abarcar todo o conhecimento já produzido, contendo,
dessa forma, as áreas fundamentais do conhecimento, partindo do geral para o
mais específico (Langridge, 1997).
A primeira edição da CDD foi publicada de forma anônima em 1876, sob
o nome de “Classification and Subject Index for Cataloguing and Arranging the
Books and Pamphlets of a Library” e consistia em um folheto de 42 páginas
divididas em: 12 páginas de introdução, 12 páginas de tabelas, 18 páginas de
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poder, norma e estado
índice (Umbelino; Aganette, 2017). Na sua segunda edição, em 1885, passou a
ser conhecida como “Decimal Classification and relative index”, já trazendo a
indicação de responsabilidade, porém, o nome de Dewey veio aparecer somente
na 16ª edição, como conhecemos “Dewey Decimal Classification (DDC)”, ou
“Classificação Decimal de Dewey (CDD)”, como conhecida em português.
Atualmente se encontra na sua 23ª edição, publicada em mais de 30 línguas e
utilizada em mais de 140 países.
Como coloca Barbosa (1969), um sistema de classificação dificilmente
agrada gregos e troianos, mas apesar disso o de Dewey se trata de um dos que
mais vem sendo utilizado durante o tempo. No Brasil, mesmo sendo a
biblioteconomia uma ciência nova e a barreira linguística sendo um grande
problema - uma vez que ainda é publicada somente na língua original - a CDD é
amplamente utilizada em bibliotecas públicas, escolares, recreativas etc. de todo
o país. O que justifica tratar do sistema no presente trabalho.
A responsabilidade editorial do sistema, ainda segundo o mesmo autor
(Barbosa, 1969) em 1969, estava a cargo da um comitê misto representado pela
American Library Association (ALA), pela Library of Congress (LC), e a Lake
Placid Club Education Foundation, porém em 1988 a empresa Online Computer
Library Center (OCLC) incorporou a editora Forest Press e adquiriu a marca
registrada e os direitos autorais da CDD, ficando, assim, a cargo da OCLC a
responsabilidade de publicação e atualização das edições do sistema. Como
demonstra em seu site:
Uma das grandes forças de Dewey é que o sistema é
desenvolvido e mantido por uma agência bibliográfica nacional,
a Biblioteca do Congresso. O escritório editorial de Dewey está
localizado na Divisão de Classificação Decimal da Biblioteca do
Congresso, onde especialistas em classificação atribuem
anualmente dezenas de milhares de números da CDD aos
registros de obras catalogadas pela Biblioteca. Ter o escritório
editorial dentro da Seção CIP e Dewey permite que os editores
detectem tendências na literatura que precisam ser incorporadas
à Classificação. Os editores preparam revisões e expansões
propostas para o cronograma e enviam as propostas ao Comitê
de Política Editorial da Classificação Decimal (CPE) para revisão
e ação recomendada.
O CPE é um conselho internacional de dez membros cuja
principal função é aconselhar os editores e a OCLC sobre
questões relacionadas a mudanças, inovações e ao
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CDD e sua relação com o direito: análise do tratamento dado ao homicida nas esferas do
poder, norma e estado
desenvolvimento geral da Classificação. O CPE representa os
interesses dos usuários da CDD; seus membros vêm de
bibliotecas nacionais, públicas, especiais e acadêmicas, e de
escolas de biblioteconomia. (OCLC, 2019, tradução nossa).
Relativo a sua estrutura, a versão impressa da CDD é composta por
quatro volumes, divididos da seguinte forma: Volume 1: Introdução que
descreve a CDD e como usá-la; Glossário que traz pequenas definições dos
termos usados na CDD; Índice pra Introdução e Glossário; Manual que funciona
como guia para o uso da CDD, composto principalmente por discussões
extensas de áreas problemáticas na aplicação da CDD. Os números no manual
são organizados pelos números nas tabelas e esquemas; Tabelas, compostas
por seis tabelas numeradas, as quais podem ser adicionadas as classes
numéricas para garantir melhor especificidade. Volume 2: Esquemas, que
organizam o conhecimento de 000-599. Volume 3: Esquemas, que organizam o
conhecimento de 600-999. Volume 4: Índice relativo, que se trata de uma lista
alfabética de assuntos com as disciplinas, nas quais são sub arranjados
alfabeticamente sob cada entrada2.
Nos volumes 2 e 3 são onde encontramos as classes para ordenação em
bibliotecas, que podem ser combinadas com as tabelas auxiliares do volume 1.
As tabelas auxiliares servem para maior detalhamento dos assuntos a serem
classificados.
As tabelas auxiliares são: Tabela 1: Subdivisões Padrão; Tabela 2: Áreas
geográficas, períodos históricos, pessoas; Tabela 3: Subdivisões para literaturas
individuais para formas literárias específicas; Tabela 4: Subdivisões para línguas
individuais; Tabela 5: Grupos raciais, étnicos e nacionais; Tabela 6: Línguas;
Tabela 7: Grupos de pessoas.
Dessa forma, a CDD é composta por classes numéricas, sendo 9
representando o conhecimento humano (de 100 a 900) separadamente e uma
delas para representar a reunião de obras que tratam sobre assuntos diversos
(a classe 000), totalizando, assim, dez classes chamadas de “Main Classes”,
sendo elas:
000 Ciência da computação, informação e generalidades
2 Tradução livre de OCLC (2019).
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CDD e sua relação com o direito: análise do tratamento dado ao homicida nas esferas do
poder, norma e estado
100 filosofia, psicologia e disciplinas relacionadas
200 Religião
300 Ciências Sociais
400 Linguagens
500 Ciências Puras
600 Tecnologia (Ciências Aplicadas)
700 Arte e Recreação
800 Literature
900 História e Geografia
Cada uma das dez classes é subdividida em mais nove subdivisões, e
cada umas destas subdivisões, mais nove seções, totalizando dez classes, com
cem subdivisões e mil seções. Neste presente trabalho, focaremos na classe
600, na qual veremos mais à frente, se encontra o termo “homicida” que
procuramos.
Sobre o sistema podemos dizer, então, que é, segundo Umbelino e
Aganette (2017, p. 4), se utilizando de Silva e Ganin (1994):
i) um mapa completo das áreas do conhecimento, mostrando
todos os seus conceitos e suas relações; ii) um sistema
hierárquico, em que as ideias, os conceitos são representados
em suas múltiplas relações de coordenação, de subordinação e
de superordenação; iii) um sistema de classificação decimal que
adota como princípio fundamental a divisibilidade do todo em
dez partes, baseando-se numa divisão inicial em disciplinas e
subdisciplinas; iv) um sistema de classificação estruturado,
primordialmente bibliográfico, destinado a servir de base à
organização de documentos; v) um sistema de classificação
enumerativo, relaciona todos os assuntos e todas as
combinações/associações/relações possíveis entre os mesmos,
juntamente com seus símbolos/combinações de símbolos para
consumo, sem (maiores) intervenções do classificador.
Assim, por mais que se trate de um sistema que possa conter falhas e
lacunas, se trata de um dos mais completos, simples e utilizados em todo o
mundo.
Com isto posto, fica clara a importância da CDD para o universo da
Biblioteconomia e porque está sendo tratada no trabalho, levando ao próximo
capítulo, onde será tratado sobre onde podemos encontrar o termo “homicida” e
porque se encontra em tal posição e a relação que tem com o Direito e com a
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CDD e sua relação com o direito: análise do tratamento dado ao homicida nas esferas do
poder, norma e estado
teoria exposta anteriormente.
4.1 HOMICÍDIO E HOMICIDA PARA A CDD
A CDD aqui utilizada se trata da versão online disponibilizada pela OCLC,
a WebDewey3.
WebDewey se trata da versão eletrônica da CDD, completa, com todos
os números publicados, além de mapeamento de novos termos. Se trata de uma
maneira fácil e eficiente de usar a classificação para organizar e classificar
bibliotecas por ser de acesso online.
Então, na CDD podemos encontrar o termo “homicida” e o “homicídio” em
três classes diferentes, sendo elas: a classe 100, a classe 300 e a classe 600.
A ocorrência do termo “homicídio” acontece na notação 179.7 - Respect
and disrespect for human life (Including questions of life and death in medical
ethics, capital punishment, dueling, euthanasia, genocide, homicide, suicide),
Respeito e desrespeito à vida humana (incluindo questões de vida e morte na
ética médica, pena de morte, duelo, eutanásia, genocídio, homicídio, suicídio) na
tradução livre.
A classe 100, como visto, se trata de Filosofia e Psicologia, ou seja, é lá
que são classificados materiais referentes a esses assuntos e também
metafísica, epistemologia, fenômenos paranormais, lógica e ética. Nossa
notação se encontra na especificidade do número 170, que se trata de Ética e
moral, mais especificamente o número 179, onde ficam outras classificações
para ética e moral, e finalmente, 179.7. Ilustrando o caminho traçado para chegar
até a presente classificação, exemplificada na CDD:
100 - Filosofia & psicologia
170 - Ética
179 - Outras normas éticas
179.7 - Respeito e desrespeito à vida humana (incluindo questões
de vida e morte na ética médica, pena de morte, duelo, eutanásia,
genocídio, homicídio, suicídio).
3 Ver: OCLC (c2025).
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poder, norma e estado
A ocorrência na classe 300 acontece na notação 364.152 - Homicide
(homicídio, em tradução livre), estando ligada às Ciências Sociais, onde
encontramos as ciências como sociologia, antropologia, estatística, ciência
política, economia, direito, administração pública, ciência militar, serviço social,
educação, também comércio, comunicações, transporte, costumes, etiqueta e
folclore. Está na especificidade da notação 360, - que trata de problemas sociais
e serviços sociais - em 364, criminologia. A notação é: 364.152 e o caminho que
se segue para chegar até ela é o seguinte:
300 - Ciências Sociais
360 - Problemas sociais & Serviços sociais
364 - Criminologia
364.1 - Crimes
364.15 - Crimes contra as pessoas
364.152 - Homicídio
Já o termo “homicida” acontece na notação 616.85844: Homicidal and
suicidal behavior, que traduzido livremente pode ser “Comportamento homicida
e suicida”.
A classe 600, também como já visto, se trata de Tecnologia (Ciências
aplicadas), onde são classificados materiais referentes a medicina e corpo
humano no geral, engenharia e todos seus desdobramentos, física aplicada,
agricultura, economia familiar, administração e serviços relacionados, indústria e
manufaturados, entre outras coisas que cabem no desenvolvimento das áreas
citadas. Nossa notação se encontra na especificidade do número 616, que se
trata de Doenças, que por sua vez se encontra dentro de Medicina. Para
finalmente chegar no número da presente notação, foi percorrido o seguinte
caminho:
600 - Tecnologia
610 - Medicina & saúde
616 - Doenças
616.8 - Doenças do sistema nervoso e transtornos mentais
616.85 - Doenças diversas do sistema nervoso e transtornos mentais
616.858 - Transtornos de personalidade, sexuais, de identidade de
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gênero, de controle de impulsos, fictícios, de desenvolvimento, de
aprendizagem; comportamento violento; retardo mental
616.8584 - *Transtorno do controle de impulsos; comportamento
homicida e suicida
616.85844 - Comportamento homicida e suicida.
Colocadas as classificações onde os termos podem ser encontrados na
CDD, passar-se-á, no próximo capítulo, a discussão dessas classificações e da
relação delas com as definições propostas por Foucault em relação ao direito.
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Nesta seção há a intenção de discutir sobre os conceitos encontrados,
bem como a aproximação do direito com a classificação da CDD por meio dos
termos “homicida” e “homicídio”. Lembrando que as análises dos termos abaixo
serão realizadas pautadas nas definições encontradas de poder e norma para
Foucault e para o direito.
Analisando a notação 179.7 - Respect and disrespect for human life
(Including questions of life and death in medical ethics, capital punishment,
dueling, euthanasia, genocide, homicide, suicide), traduzindo livremente para
“Respeito e desrespeito pela vida humana (incluindo questões de vida e morte
em ética médica, pena de morte, duelo, eutanásia, genocídio, homicídio,
suicídio)”, encontra-se coerência na localização, uma vez que o homicídio se
trata de um desrespeito à vida humana, que está diretamente ligada à ética e
moral do ser humano. Encontra-se, também, coerência quando comparada com
as definições anteriormente tratadas em direito.
Primeiramente, a moral “[...] é composta pelos argumentos sobre qual o
tratamento que uma pessoa deve corretamente dispensar às outras, de modo a
harmonizar a convivência em comunidade da melhor maneira possível [...]”
(Zanon Junior, 2014, p. 13). Ou seja, a moral pode ser entendida como a escala
de valores de cada indivíduo, voltada àquilo que é certo ou errado, justo ou
injusto, para cada um, de acordo com seu conhecimento adquirido e de modo a
orientar suas ações e decisões.
Por um outro lado, a ética “[...] foca a perspectiva dos julgamentos
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poder, norma e estado
pessoais que devem ser feitos por cada um para conduzir sua vida com o objetivo
de atingimento de resultados bons para si, de forma virtuosa [...]” (Zanon Junior,
2014, p. 13). Consiste no conjunto de valores que convergem em determinado
grupo de pessoas, de maneira a orientar e delimitar tomadas de decisão perante
o agrupamento.
Enquanto que o direito, segundo Dworkin (2005, p. 239), se trata de:
[...] um empreendimento político, cuja finalidade geral, se é que
tem alguma, é coordenar o esforço social e individual, ou
resolver disputas sociais e individuais, ou assegurar a justiça
entre os cidadãos e entre eles e seu governo, ou alguma
combinação dessas alternativas.”.
Dessa forma, pode-se afirmar que o direito, em seu sentido mais amplo,
é uma especialização da ética, uma vez que fixa no nível do estado padrões
decisórios a serem observados em sociedade, bem como estabelece as
consequências, punitivas, promocionais, reparativas, entre outras, a serem
reforçadas por estruturas organizacionais designadas para tal finalidade (Peces-
Barba; Fernández; Asís, 2000, p. 19).
O homicídio, então, pode ser considerado um desvio tanto ético quanto
moral, uma vez que tirar a vida de uma pessoa não é algo que um indivíduo que
segue as normas deve fazer, sendo coerente estar na presente notação da CDD.
Já em análise da notação 364.152 - Homicide, ou seja, homicídio, pode-
se observar algumas coisas. A classe 300 é específica para Ciências Sociais, a
360 de problemas e serviços sociais, enquanto a 340 se trata da classe dedicada
exclusivamente para o direito. Vê-se, então, que não se classifica homicídio
como parte do direito, mas sim como parte de problemas sociais, o que vai de
encontro com o que o direito diz sobre a criminologia e sua preocupação com o
comportamento desviante do delinquente e, o mais importante aqui, em
conseguir formas de prevenção dos delitos e da ressocialização dos agentes, ou
seja, exatamente o que o serviço social tem a intenção de fazer, como o próprio
Conselho de Federal do Serviço Social do Brasil (CFESS) definiu em 2010:
O/a assistente social ou trabalhador/a social atua no âmbito das
relações sociais, junto a indivíduos, grupos, famílias,
comunidade e movimentos sociais, desenvolvendo ações que
fortaleçam sua autonomia, participação e exercício de cidadania,
com vistas à mudança nas suas condições de vida. Os princípios
de defesa dos direitos humanos e justiça social são elementos
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CDD e sua relação com o direito: análise do tratamento dado ao homicida nas esferas do
poder, norma e estado
fundamentais para o trabalho social, com vistas à superação da
desigualdade social e de situações de violência, opressão,
pobreza, fome e desemprego. (CFESS, 2011, p. 1).
Então, pode-se considerar que a classificação nessa notação faz sentido
com o que o conselho de Serviço Social define do papel do assistente social.
Analisando, enfim, a notação 616.85844: Homicidal and suicidal behavior,
traduzida livremente: “Comportamento homicida e suicida”, podemos encontrar
uma proximidade grande dos conceitos de norma para Foucault, uma vez que
se encontra dentro de doenças do sistema nervoso ou desordens mentais, o que
exclui o indivíduo de um comportamento considerado normal, dentro da norma.
Foi em meados do século XVII que o mundo da loucura se tornou o mundo
da exclusão, segundo Foucault (1975, p. 54)
Criam-se (e isto em toda a Europa) estabelecimentos para
internação que não são simplesmente destinados a receber os
loucos, mas toda uma série de indivíduos bastante diferentes
uns dos outros, pelo menos segundo nossos critérios de
percepção: encerram-se os inválidos pobres, os velhos na
miséria, os mendigos, os desempregados opiniáticos, os
portadores de doenças venéreas, libertinos de toda espécie,
pessoas a quem a família ou o poder real querem evitar um
castigo público, pais de família dissipadores, eclesiásticos em
infração, em resumo todos aqueles que, em relação a ordem da
razão, da moral e da sociedade, dão mostras de "alteração".
Porém, a doença mental só é considerada loucura para o Ocidente a partir
de uma época relativamente recente, segundo o autor (Foucault, 1975).
Nesse período surgiram as casas de internamento, onde todos os
considerados desviantes de conduta eram agrupados, não para serem tratados,
mas porque não devem mais fazer parte da sociedade. Ainda segundo o autor:
“O internamento que o louco, juntamente com muitos outros, recebe na época
clássica não põe em questão as relações da loucura com a doença, mas as
relações da sociedade consigo própria, com o que ela reconhece ou não na
conduta dos indivíduos.” (Foucault, 1975, p. 55).
Esse internamento criou parentescos da loucura com as culpas morais e
sociais que talvez não seja possível romper tão cedo. Não se pode espantar,
então, que a loucura tenha descoberto uma espécie de filiação com os “crimes
de amor”, segundo o autor, desde o século XVIII, nem que tenha se tornado, a
partir do XIX, herdeira de crimes que encontram na própria loucura sua razão de
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poder, norma e estado
serem e de não serem crimes, ou ainda que tenha descoberto no século XX em
seu centro um núcleo primitivo de culpa e agressão. Tudo isso se trata, ainda
segundo Foucault (1975), da sedimentação do que a história do Ocidente fez da
loucura em mais de 300 anos.
É nesse momento, então, que podemos aproximar os conceitos de norma
propostos por Foucault com a classificação e ainda o direito, uma vez que
encontramos na notação localizada em doenças mentais o comportamento
homicida e, como vimos, as doenças mentais são consideradas loucuras, que
por sua vez, herdou crimes que se explicam pela própria loucura, estando tudo
interligado. Ainda, os loucos sempre foram normalizados, ou seja, excluídos da
norma, e colocados em confinamento para que pudessem ser afastados da
sociedade “normal”, o que interliga de forma exata todos os conceitos expostos
aqui de crime, homicídio, norma e poder.
6 CONCLUSÃO
Parte-se da consideração que a Ciência da Informação possui caráter
interdisciplinar, então o problema deste estudo residiu no questionamento: é
possível aproximar a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e como os
homicidas são tratados com as definições dadas pelos operadores do Direito? A
aproximação se mostrou profícua e viável tanto para o Direito quanto para a
Biblioteconomia, no que tange à CDD, na medida em que foram trazidas
camadas de conceitos de Foucault sobre poder e norma dialogando com um
conceito criminológico do direito.
Objetivou-se mostrar como era feita a classificação para homicidas na
CDD e fazer o paralelo interdisciplinar, perspectiva esta que se efetivou nas
seções teóricas do trabalho.
Na seção 2 se destacou como Foucault entende verdade, poder e norma,
esta triangulação de conceitos situa o poder como o direito se manifestando pela
maneira em que a sociedade se articula socialmente, enquanto o poder como
verdade se institui pelos discursos que essa sociedade produz, “sendo sua
obrigação, pelos movimentos ocasionados pela própria organização que o
acomete.” (Caprioli et al., 2017, p. 302).
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poder, norma e estado
Na seção 3 destacou-se que a legislação possui viés prioritário no
ordenamento jurídico, em seguida foi feito o paralelo interdisciplinar proposto
neste trabalho, pois a norma jurídica não tem o mesmo significado da norma
para Foucault, exatamente porque a jurídica se funda na soberania do Estado,
porém quando se refere a circulação e operatividade do poder dentro da malha
social, as abordagens de Foucault se tornam extremamente adequadas e úteis
para esquadrinhar o fenômeno jurídico e suas condicionantes externas à lei.
Buscando entender como a CDD classifica os homicidas foi necessário
estabelecer definições de Direito para em seguida fazer o paralelo com o código
de classificação resultando em uma ligação direta com Tratamento Temático da
Informação, sendo assim a interdisciplinaridade foi legitimada.
Na seção 4 deste trabalho foi explorada a teoria da CDD, ou seja, foram
percorridos os meandros teóricos da Organização e Representação Temática da
Informação, ao realizar esta contextualização sobre o código se tornou possível
entender que a classificação é o intermédio a ponte entre o usuário e o
documento pesquisado, neste trabalho que buscou fazer um paralelo com os
homicidas na CDD entende-se as definições de homicida em teoria e o que é
colocado da CDD possuem divergências, sendo tratado de três maneiras
diferentes, ou seja, em classes diferentes.
O foco do tratamento do termo na classe 100 esteve na degradação
filosofia e psicologia, 170: ética, 179: outras normas éticas chegando em 179.7
como :respeito e desrespeito à vida humana. Na classe 300 acontece na notação
364.152 - Homicide (homicídio, em tradução livre), estando ligada às Ciências
Sociais, onde encontramos as ciências como sociologia, antropologia,
estatística, ciência política, economia, direito, administração pública, ciência
militar, serviço social, educação, também comércio, comunicações, transporte,
costumes, etiqueta e folclore. Está na especificidade da notação 360, - que trata
de problemas sociais e serviços sociais - em 364, criminologia. Já na classe 600
o termo “homicida” acontece na notação 616.85844: Homicidal and suicidal
behavior, que traduzido livremente pode ser “Comportamento homicida e
suicida”. O caminho parte dessa vez da tecnologia perpassando a classificação
de matérias referentes a medicina, chegando finalmente na notação 616 em que
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poder, norma e estado
são classificadas as doenças, e na degradação chega-se a classe em questão
que trata homicídio como paralelo para comportamento suicida.
Entende-se desta maneira que o homicida na CDD perpassa por questões
de norma, poder e estado pois há três óticas de classificação para o tema
mostrando a complexidade do mesmo. De maneira mais verticalizada é possível
dizer que no momento em que o bibliotecário com o poder de nomear obras que
tratem sobre homicidas, se depara com três tipos de classificação possíveis, há
uma inconsistência na representação precisa da obra por conta das três entradas
da CDD. Em consideração as classes da CDD e suas especificidades, seria a da
364, criminologia, lugar em que o direito também se encontra a mais adequada,
porém há uma dispersão entre as classes fazendo com que o bibliotecário fique
confuso pois as classes 100 e 600 entram no pensamento do Foucault, enquanto
a 300 está em concordância com o que o direito prescreve. Para poupar o tempo
do bibliotecário, acredita-se ser viável existir uma classificação diretamente
ligada ao direito e punição.
Desta forma, acredita-se que seja de extrema importância reconsiderar
uma abordagem coerente na CDD, de maneira que as ambiguidades sejam
reduzidas, e de garantir que a classificação reflita os aspectos jurídicos e os
filosóficos envolvidos em obras que tratam sobre os homicidas. Ou seja, fica
clara a necessidade de revisões e atualizações do sistema de classificação para
que o profissional tenha maior precisão na organização e recuperação das
informações.
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CDD AND ITS RELATIONSHIP WITH THE LAW:
ANALYSIS OF THE TREATMENT OF THE HOMICIDE IN
THE SPHERES OF POWER, RULE AND STATE
ABSTRACT
Objective: The objective of the work is to present the homicide classification found in
the DDC according to three optics by performing an interdisciplinary theoretical parallel
in the relationship between Foucault, Law and Classification. Methodology: For that, the
methodological course of the work is descriptive of a documental character and uses the
Foucaultian definitions of “power”, “norm” and “governmentality”. Results: Theoretical
homicidal resolutions are treated in three different ways, resulting in three different
classes (Psychology, Homicide, Homicidal Behavior). Conclusion: It is understood,
therefore, that the murderer in the Dewey Decimal Classification goes through issues of
norm, power and state because there are three classification perspectives for the theme,
showing its complexity and its divergences. In order to save the librarian's time, it is
believed to be feasible to have a classification directly linked to law and punishment.
Descriptors: Dewey Decimal Classification. Interdisciplinarity. Law. Foucault.
CDD Y SU RELACIÓN CON EL DERECHO: ANÁLISIS
DEL TRATAMIENTO DEL HOMICIDIO EN LAS ESFERAS
DE PODER, REGLAMENTO Y ESTADO
RESUMEN
Objetivo: El objetivo del trabajo es presentar la clasificación de homicidios que se
encuentra en el CDD de acuerdo con tres ópticas realizando un paralelo teórico
interdisciplinario en la relación entre Foucault, la ley y la clasificación. Metodología:
Para ello, el recorrido metodológico del trabajo es descriptivo de carácter documental y
utiliza las definiciones Foucaultianas de “poder”, “norma” y “gubernamentalidad”.
Resultados: Las resoluciones teóricas homicidas son tratadas de tres maneras
diferentes, resultando en tres clases diferentes (Psicología, Homicidio, Conducta
Homicidal). Conclusión: Se entiende, por lo tanto, que el asesino en la Clasificación
Decimal Dewey pasa por cuestiones de norma, poder y estado porque hay tres
perspectivas de clasificación para el tema, mostrando su complejidad y sus
divergencias. Para ahorrar tiempo al bibliotecario, se cree factible tener una clasificación
directamente ligada a la ley y el castigo.
Descriptores: Clasificación Decimal Dewey. Interdisciplinariedad. Derecho. Foucault.
Recebido em: 03.05.2022
Aceito em: 18.10.2024
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