VA3- Psicopatologia descritiva e a lógica classificatória.
“As manifestações relativas aos transtornos mentais são um fenômeno
de natureza complexa. Tanto a concepção quanto a forma de relação
estabelecida com eles se alteram de acordo com as ambições culturais de
cada momento histórico. Assim sendo, aproximar-se dessas manifestações é
também revisitar os valores sociais e os projetos da saúde mental vigentes em
cada momento histórico. Entre as concepções relativas à apreensão dos
transtornos mentais, pode-se destacar, como uma das mais significativas,
aquela que caracterizou tais manifestações psíquicas como objeto de um olhar
e de um discurso que se pretendeu propriamente clínico. Assim, encontra-se
um processo de consolidação no qual “a loucura torna-se verdade médica” e,
portanto, de onde “cria-se uma clínica das enfermidades mentais e uma
concepção de terapêutica” (BIRMAN, p. 02, 1978).
A psicopatologia, como campo do conhecimento que se dispôs
apreender a loucura, não pode ser compreendida, ela mesma, como
unicamente estruturada. Pelo contrário, as compreensões de psicopatologia
são diversas e se alteram em relação a sua percepção dos fenômenos, ou
mesmo à ênfase dada a determinadas características específicas. Assim
sendo, define-se, de acordo com Dalgalarrondo (2008), que “uma das
principais características da psicopatologia, como campo do conhecimento, é a
multiplicidade de abordagens e referenciais teórico”. Para compreender essas
diferenciações teóricas acerca das psicopatologias deve-se observar quais
características são destacadas, qual racionalidade é aplicada e qual o objetivo
de 2 interesse em cada uma delas.
Nessa direção, a partir do que propõe Dalgalarrondo (2008), podem-se
confrontar as concepções de psicopatologia entre, por exemplo, aquelas de
natureza descritiva e aquelas de natureza dinâmica. Segundo o autor, a
psicopatologia descritiva seria aquela que se delimita a observar a forma, a
estrutura dos sintomas, e suas manifestações representativas. Em
contrapartida, as concepções de psicopatologia dinâmica, seriam aquelas que
se fundamentam no conteúdo, na experiência do indivíduo e que, portanto, não
poderia ser previsto por tipificações previamente estruturadas
(DALGALARRONDO, 2008).
Contudo, de acordo com o autor, há ainda outras perspectivas de
psicopatologia que podem ser confrontadas em suas divergências conceituais
tais como: A psicopatologia médica e a psicopatologia existencial; a
psicopatologia comportamental-cognitivista e a psicopatologia psicanalítica; a
psicopatologia biológica e a psicopatologia sociocultural; psicopatologia
operacional-pragmática e a psicopatologia fundamental.”
[Link]
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%20descritivos%20e%20compreensivos%20na%20pr%C3%A1tica%20de%20psic%C3%B3logos
%[Link]
Entretanto, não se trata no homem, na humanidade, somente do mental,
quando não se trata do físico. Há algo não mental, ainda que o pareça, que é
chamado por Freud o pensamento inconsciente. O inconsciente não é da
ordem [Link]://[Link]/mg/wp-content/uploads/2020/06/Curinga-edicao_13.pdf. O
que parece decorrer do uso exclusivo e hegemônico da prática da
psicopatologia descritiva é que, na busca em consolidar um conhecimento
universal e de sustentação independente, as especificidades da experiência de
cada paciente com o qual se relaciona são negligenciadas. Pois, para obter-se
um olhar objetivo e universal, a psicopatologia descritiva prevê o afastamento
das singularidades em face ao destaque das características comuns,
generalistas. Portanto, pode-se entender que para a psicopatologia descritiva
“o indivíduo é apenas um elemento negativo” (FOUCAULT, p. 14, 1963).
[Link]
BR&lr=&id=M1RSDwAAQBAJ&oi=fnd&pg=PT4&dq=O+que+parece+decorrer+do+uso+exclusivo+e+hege
m%C3%B4nico+da+pr%C3%A1tica+da+psicopatologia+descritiva+%C3%A9+que,
+na+busca+em+consolidar+um+conhecimento+universal+e+de+sustenta
%C3%A7%C3%A3o+independente,+as+especificidades+da+experi
%C3%AAncia+de+cada+paciente+com+o+qual+se+relaci&ots=LShmRxTdYi&sig=fSClfiFh5wtq9wXCO6Z
cUYRIGAA#v=onepage&q&f=false
Se é a psicologia aquela cuja atuação se fundamenta, justamente, sobre
a escuta da singularidade, seriam os próprios psicólogos aqueles capacitados a
um olhar crítico frente ao silenciamento do sujeito dentro dos espaços
institucionais da saúde e, também, aqueles capacitados a realizar atuações de
resgate da apropriação da experiência e reconhecimento do sujeito.
[Link]
%20Serra%20-%20Articula%C3%A7%C3%B5es%20entre%20diagn%C3%B3sticos%20psicopatol
%C3%B3gicos%20descritivos%20e%20compreensivos%20na%20pr%C3%A1tica%20de%20psic
%C3%B3logos%[Link], Lívio Marques. "Articulações entre os diagnósticos
psicopatológicos descritivos e compreensivos na prática de psicólogos psicanalistas."
Psicologiaflorianópolis(2019).[Link]
%C3%ADvio%20Marques%20Serra%20-%20Articula%C3%A7%C3%B5es%20entre%20diagn
%C3%B3sticos%20psicopatol%C3%B3gicos%20descritivos%20e%20compreensivos%20na%20pr
%C3%A1tica%20de%20psic%C3%B3logos%[Link]
A psicopatologia descritiva propõe estudo e a possibilidade de registrar
de forma precisa os transtornos e o sofrimento mental. Além de viabilizar a
prática medicamentosa aposta em um discurso possível, que, circula no campo
da saúde mental. Em relação à “saúde mental”, as ciências que trabalham e
estudam o sofrimento humano, se debruçam ao longo dos anos na tentativa de
estudar descrever e tratar o sujeito. Construa um texto descritivo com base no
filme: “ Menos que nada.” Abordando a questão do diagnóstico em psiquiatria,
a prática da psicopatologia descritiva, a escuta do trabalho do psicólogo e ou
psicanalista e o acolhimento proposto por ambos na loucura. Referencias para
estudo segue conforme apresentado durante o semestre e os abaixo:Serra,
Lívio Marques. "Articulações entre os diagnósticos psicopatológicos descritivos e compreensivos na
prática de psicólogos psicanalistas." Psicologia-Florianópolis (2019).Psicopatologia Lacaniana/
Organizadores: Antônio Teixeira. Heloísa Caldas- 1 edição- Belo Horizonte: Autêntica, [Link].55-
[Link], John W. Casos Clínicos DSM-5; trad: PIZZATO, Regis. Porto Alegre: Artemed, 2015.
Sugestão temática de desenvolvimento do texto:
a) O que diferencia a prática da psicopatologia descritiva e a questão da
escuta nas práticas psicológicas?
B) Psicopatologias, psicologia, psicanálise e a questão do diagnóstico.
c) Importância da prática descritiva para o profissional de psicologia.
(Texto de 30 a 40 linhas, título e 3 parágrafos o mínimo)
TITULO: Um outo olhar!
Diante do filme “menos que nada” podemos observar o descaso
sofrido pelos paciente com transtornos psicopatológicos , tanto pela sociedade
como também pelos familiares e amigos. A partir da postura ética essencial na
escuta, utilizada pela residente em psiquiatria, podemos ver o rumo de vida que
faz o paciente. Com esse encontro, abriu-se a chance dele construir outra
forma de distinção.
No filme mostra os conceitos de psicose e esquizofrenia, em suas
proporções mais severas, que não apontam viabilidades de cura, não
determinando que o paciente deixou sua condição humana.
Percebe-se o quanto a ciência ainda não entende sobre a doença
mental e ainda está, longe do que o movimento antimanicomial propôs. Na
verdade, também tem a motivação de imaginar e às vezes confundir os fatos
com os delírios e alucinações dos pacientes. A percepção e a ilusão do sujeito
são uma distorção do pensamento, que constitui pensamentos errados,
crenças falsas não corrigidas.
Em determinados momentos do filme, as imagens nos levam a
questionar o que é fato e o que é pensado, podendo-se configurar a ilusão dos
personagens. Esse aspecto do enredo nos fornece mais do que limitações ao
diagnóstico, mas também os possíveis sentimentos do universo do doente
mental, o que nos leva a refletir sobre a importância das relações na
composição da existência.
O médico/paciente merece atenção especial, pois a relação entre o
residente psiquiátrico e a pessoa por trás do diagnóstico permite que o
paciente conecte-se em alguns momentos reais do seu entorno.
A psicopatologia descritiva enfoca a descrição de experiências
subjetivas e os comportamentos resultantes durante a doença mental. Ela não
se arriscará a explicar essas experiências ou comportamentos, nem comentará
a causa ou o processo de desenvolvimento.
Esse método de lidar com fenômenos psicológicos anormais está em
nítido contraste com outras estruturas teóricas da psicopatologia, como a
psicanálise. A atenção básica pode apoiar o desenvolvimento do processo
decorrente das reformas psiquiátricas, pois permite que os usuários acessem
os serviços médicos, ouçam suas queixas e necessidades e façam os
encaminhamentos necessários. A sociedade, criativamente, transforma e cria
novas formas e práticas de saúde neste campo, levando em consideração a
complexidade e a diversidade dos usuários.
A efetiva reposição de equipamentos decorrente das reformas
psiquiátricas tem possibilitado o contato dos usuários em seus territórios e
ampliado as possibilidades de obtenção dos serviços de que necessitam.
Ao compreender a relação entre profissionais de saúde e pacientes, a
gestão pode estabelecer estratégias de intervenção que promovam a justiça
social e defendam os direitos civis, a partir dos pressupostos da humanização e
da atenção ao paciente com deficiência. Foi desrespeitado e discriminado por
muitos anos. O acolhimento com escuta qualificada pode evitar erros ou
produções superficiais, é uma técnica de encontro leve que implica uma rede
de diálogo no processo de trabalho. Acolher é receber pessoas, e a forma de
acolhimento é fundamental para o tratamento e para não perder a continuidade
do sujeito.
A necessidade de saúde mental vai além das doenças de transtornos
mentais. Requer ações baseadas na comunicação efetiva entre os profissionais
de saúde e os serviços de atenção básica, o que possibilitará a ampliação e
holística das práticas, alcançando a transformação do sistema.