Adaptabilidade de Cultivares de Trigo
Adaptabilidade de Cultivares de Trigo
CERRO LARGO
2023
PEDRO ALOISIO JASKULSKI THOMAS
CERRO LARGO
2023
Dedico este trabalho aos meus pais,
meus amigos e todos da minha família,
com carinho e muito apoio, não mediram
esforços para que conseguisse realizar
mais essa etapa na minha vida.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente, agradeço ao meu pai Carlos Albano Thomas e a minha mãe Solange
Jaskulski, pelo amor, pela força e incentivo durante o período da formação acadêmica,
obrigado a minha irmã Laura Bruna Jaskulski Thomas Szulc pelo incentivo e apoio.
Sou eternamente grato a todos os professores que contribuíram na minha formação
acadêmica, com um agradecimento especial ao professor e orientador deste trabalho de
conclusão de curso, Prof. Dr. Nerison Luís Poersch, por ser um professor incrível que não
mediu esforços para a realização desse sonho, obrigado pelos conhecimentos transmitidos
durante esses anos, que foram desde o início na faculdade nos projetos de iniciação cientifica
e até a conclusão do curso.
Agradeço a UFFS – Campus Cerro Largo, pela oportunidade de fazer o curso.
Agradeço a minha namorada Vanessa Marczewski, por me ajudar nas atividades, pelo
carinho e apoio emocional.
Agradeço e sinto orgulho dos processos realizados em minha vida, sendo
fundamentais para o meu destino e para onde quero chegar.
Semeia um pensamento, colhe um ato.
Semeia um ato, colhe um hábito.
Semeia um hábito, colhe um caráter.
Semeia um caráter, colhe um destino.
(Marion Laurense)
RESUMO
The adaptability and stability are intended to identify the best genotypes related to Genotype x
Environment behavior. Keeping that in mind, methodologies have been developed that can be
used in this study. For this work, it was chosen the methodology of Lin and Binns (1998),
modified by Carneiro (1998). The wheat crop cultivars trial was conducted Soil preparation
was carried out in a conventional manner. in the experimental area of Federal University of
Fronteira do Sul - Campus Cerro Largo, in the 2022 harvest year. The experiment was carried
out in two sowing seasons: the first one on June 3rd and the second one on July 5th, both
counting six genotypes from BIOTRIGO, four from OR SEMENTES and there from
EMBRAPA, adding up to thirteen genotypes. The delineation for conducting the experiment
was through randomized blocks, with three blocks per sowing season. Soil preparation was
carried out in a conventional manner, with fertilizing recommendations according to the needs
of the plant, without using agrochemicals for pest and disease control. Sowing was done
manually and the quantity of viable plants was according to the recommendations from the
company that provided the seeds. Harvesting was also done manually and the obtained data
were estimated to Kg ha-¹ . As for the assessments, the results were submitted to an analysis
of variance. They indicated a significant interaction between the studied factors, which were:
treatments, environments and treatment x environments. Presented the interactions, analysis
of adaptability and stability were carried out, using the chosen methodology. The average
grain yield of the first season was better, with 3636 Kg ha-¹; the second with the average yield
of 2647 Kg ha-¹. The genotypes that stood out were ORS Guradião, BRS Reponte and ORS
Agile, showing that they have better adaptability and stability.
Tabela 1: Genótipos de trigo utilizados para o ensaio de cultivares, ciclo, PMS (g) e plantas
viáveis por m² (P/v m²). ............................................................................................................ 23
Tabela 2: Análise de variância para a produtividade de grãos (Kg ha-¹), para as variáveis
tratamentos, ambiente e tratamentos x ambientes em relação ao quadrado médio. ................. 32
Tabela 3: Comparativo de média de produtividade de grãos (Kg ha-¹) da cultura do trigo,
referentes as datas de semeadura. ano safra 2022, realizado pelo teste de Tukey.................... 33
Tabela 4: Médias de dias após a emergência (DAE), respectivo aos genótipos da 1ª e 2ª data
de semeadura, na cultura do trigo, no ano safra 2022. ............................................................. 35
Tabela 5: Média da produtividade de grãos, em Kg ha-¹, quanto à adaptabilidade geral (Pi
Geral), adaptabilidade a ambientes favoráveis (Pi(+)) e adaptabilidade a ambientes
desfavoráveis (Pi (-)). ............................................................................................................... 36
LISTA DE ABREVIATURAS
m Metros
m² Metros quadrados
mm Milímetros
Kg ha-¹ Quilogramas por hectare
Ton ha-¹ Toneladas por hectare
Pl m² Plantas por metro quadrado
LISTA DE SIGLAS
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 14
2 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................... 15
2.1 CULTURA DO TRIGO: IMPORTÂNCIA E ORIGEM ....................................... 15
2.2 MORFOLOGIA E DESCRIÇÃO .......................................................................... 16
2.3 ZONEAMENTO AGRÍCOLA DE RISCO CLIMÁTICO .................................... 17
2.4 ESTÁDIOS FENOLÓGICOS DO TRIGO ............................................................ 18
2.5 ADAPTABILIDADE E ESTABILIDADE ........................................................... 19
3 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................. 22
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ....................................................................... 28
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................. 39
6 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 40
14
1 INTRODUÇÃO
A cultura do trigo (Triticum aestivum L.), já estava presente nas civilizações a 10 mil
anos atrás, estima-se que o cultivo desse cereal começou na região da Mesopotâmia, sendo a
área abrangida do Egito ao Iraque. Mais tarde, no Brasil com o auxílio da modernização da
agricultura, o trigo começou a ser cultivado por volta de 1534, por Martim Afonso de Souza.
Sobretudo, no estado do Rio Grande do Sul, o trigo começou a ser cultivado por volta do
século XVIII (ABITRIGO,2018).
Atualmente, o Rio Grande do Sul é um dos estados que se destaca pelo cultivo de
trigo, juntamente com Paraná e Santa Catarina são responsáveis por cerca de 82% da
produção total de trigo no território nacional. Segundo dados da CONAB (2022), referente a
produção do trigo nacional, na safra de 2021, foram produzidas cerca de 7,7 milhões de
toneladas em uma área de 2,3 milhões de hectares na safra 2019/2020. Hoje, a área plantada
desta cultura no Brasil, equivale a 1.145 mil hectares, onde nesse caso, o Rio Grande do Sul
representa cerca de 42% da produção de trigo (CONAB,2022).
Para avaliar os efeitos da adaptabilidade e estabilidade, pode ser utilizado algumas
metodologias, sendo elas, metodologia de Wricke (1965) tem por base a indicação de
genótipos estáveis, outros pesquisadores elaboraram metodologias para a avaliação quanto a
adaptabilidade e estabilidade, Eberhart e Russel (1966) e Cruz et al. (1989), Lin e Binns
(1988) (FRANCESCHI, 2010), outras metodologias utilizadas são, metodologia de
Annicchiarico (1992), metodologia Lin e Binns (1988) com adaptação de Cruz e Carneiro
(2006), as metodologias tem por objetivo a identificação dos melhores genótipos em relação
ao comportamento no Ambiente x Genótipo, as modificações destas metodologias são
realizadas para a facilitar a interpretação dos resultados, idealizando as metodologias poucas
análises estatísticas, e ainda possam ser utilizadas para poucos ambiente ou para uma grande
escala (SCHMILDT et al., 2011).
O experimento foi conduzido na área experimental da Universidade Federal da
Fronteira Sul (UFFS) na cidade de Cerro Largo – RS, com o objetivo de avaliar a
adaptabilidade e estabilidade de cultivares de trigo (Triticum aestivum L.), avaliando os
resultados através da metodologia de Lin e Binns (1988), modificado por Carneiro (1998).
15
2 REVISÃO DE LITERATURA
produção nacional de trigo, na safra de 2020/2021 a produtividade média foi de 2,9 toneladas
por hectare, em uma área plantada de 2,1 hectares na região sul (CONAB, 2022).
afilhos vai variar conforme a densidade de semeadura, devido a competição pela luz e
nutrientes, e ainda pelas características específicas do genótipo (VALÉRIO et al., 2008).
Ainda assim, Rissi (2022) destaca que na fase de afilhamento é um ponto muito
importante para as tomadas de decisões referente ao uso de herbicidas, para o controle de
plantas invasoras. Pois, após a fase do afilhamento, a planta do trigo entrará no próximo
estágio vegetativo, a elongação do colmo, nesta fase é que vai ocorrer o desenvolvimento do
colmo na forma vertical, ocorrendo então, a inibição de novos afilhos decorrente da
competição por energia, conforme ocorre o desenvolvimento deste colmo, o último entrenó
resultará em uma folha bandeira. A planta entrará no estádio de emborrachamento (bainha
engrossada), que indicará o final da fase vegetativa, e segundo Santos et al. (2014) o
indicador de término da fase vegetativa ocorre na iniciação floral, e também início da fase
reprodutiva da cultura do trigo.
Conforme cita Santos et al. (2014), a fase reprodutiva da cultura do trigo, pode-se
estender por semanas, vai depender do genótipo com as interações com o ambiente, nesta
fase, ocorre as diferenciações de flores nas espiguetas. Conforme Rodrigues et al. (2011), a
determinação de início da fase reprodutiva do trigo, é decorrente do estádio de duplo anel,
sendo assim, o término da produção de novas folhas e de afilhos, que caracteriza o final do
período vegetativo.
A compreensão das fases de desenvolvimento da cultura do trigo, procura-se a
determinação do potencial produtivo do genótipo, através das avaliações do fenótipo da planta
e suas alterações conforme alterações do Genótipo x Ambiente, com isso, podemos buscar e
entender quais são os estádios de desenvolvimento da planta e quais os componentes de
rendimentos que atuam no potencial produtivo, conforme as datas de semeadura, levando em
consideração que os componentes do rendimento para a cultura do trigo são a quantidade de
plantas por área, quantidade de espigas por planta, número de espiguetas por espiga,
quantidade de grãos por espiga e também o peso dos grãos (RODRIGUES, 2011).
influenciadas pelo ambiente. Essas interações proporcionadas pelo ambiente, são inteiramente
relevantes para a escolha do melhor genótipo, visto que, esses podem apresentar respostas
diferentes de acordo com o ambiente, no entanto, as interações geralmente possuem
dificuldade na recomendação dos melhores genótipos (CRUZ et al., 2014).
Atualmente, foram desenvolvidas várias metodologias para o estudo da adaptabilidade
e estabilidade, por sua vez, muitos pesquisadores estão aprimorando essas metodologias a fim
de propor melhorias significativas e relevantes. Esses modelos são baseados em análises
estatísticas, sendo elas, por meio da análise de variância; regressão linear ou não linear;
análise multivariada e, estatísticas não paramétricas conforme cita (BASTOS et al., 2007).
Quando ocorre interação do Genótipo x Ambiente, é devido às respostas dos genótipos em
relação à variação do ambiente, essas interações podem ser divididas em simples e complexa,
ou ainda, há possibilidade de não apresentar interação, no primeiro caso interação simples,
esta está associada a diferença da variabilidade dos genótipos em relação ao ambiente, já para
a complexa, é ocasionado pela ausência das correlações entre os genótipos.
Quando ocorre interação complexa, significa que, os genótipos se sobressaíram em
determinado ambiente e em um outro ambiente tiveram desempenho inferior (CRUZ et al.,
2014). Para estudar a adaptabilidade e estabilidade de cultivares, o método desenvolvido por
Eberhart e Russel (1966), baseia-se na utilização de regressão linear, ocorrendo através de
subtrações da média entre todos os genótipos do ambiente com a média geral de todos os
genótipos que constam nos diferentes ambientes, assim, determinará o índice ambiental, e
através da regressão linear para cada genótipo será possível realizar e quantificar a
adaptabilidade do genótipo no ambiente. Neste método, para a determinação da estabilidade
será baseado na estimativa de somatórios dos desvios.
Além disso, ainda para o estudo da adaptabilidade e estabilidade há outros métodos
como por exemplo, o de Lin e Binns (1988), o qual, e baseados na análise não paramétrica.
Essa metodologia consiste em determinação dos quadrados médios da distância entre a média
do genótipo com a resposta da média máxima do ambiente, e avaliados pelos índices de
estabilidade Pi, ela foi modificada por Carneiro (1998), que realizou a decomposição do
estimador Pi, trazendo vantagens quanto a facilidade de interpretação dos resultados,
dividindo os ambientes em favoráveis e desfavoráveis (FRANCESCHI, 2010).
A adaptabilidade, conforme cita Costa et al. (1999), caracteriza quanto o genótipo
consegue aproveitar vantajosamente os estímulos do ambiente, enquanto o termo estabilidade
condiz com a capacidade que o genótipo se comporta de forma previsível com as mudanças
do ambiente. Para a escolha e recomendação do genótipo, conforme Eberhart e Russel (1966),
21
um genótipo deve apresentar uma alta previsibilidade e uma adaptabilidade geral, sendo capaz
de responder aos estímulos do ambiente, e responder com um comportamento estável tanto
para condições ambientais favoráveis quanto para desfavoráveis.
Para Castro et al. (2019), no estudo de ensaios de cultivares de trigo, quanto a
adaptabilidade e estabilidade, cita que a cultivar ideal é aquela em que se mostra com uma alta
capacidade de produção; possuir uma alta estabilidade, e ainda, suportar condições de estresse
em relação ao ambiente desfavorável, referente ao genótipo, deve ser capaz de responder de
forma positiva as condições de ambiente, assim, utilizando o modelo proposto por Carneiro
(1998). Ainda, para a definição da cultivar ideal, utilizou auxílio de programas estatísticos,
constatou que houve diferença significativa quanto às respostas de adaptabilidade e
estabilidade.
Franceschi et al. (2010), realizaram um estudo com o tema: métodos para análise de
adaptabilidade e estabilidade em cultivares de trigo no estado do Paraná, para isso, a pesquisa
se deu sobre 4 (quatro) métodos, sendo eles: metodologia de Wricke (1965); metodologia
Eberhart e Russell (1966); Cruz et al. (1989) e ainda, utilizou a metodologia de Lin e Binns
(1988), sendo modificada por Carneiro (1998). De acordo com os pesquisadores, no ano de
2007, para esse estudo foi utilizado um número de 17 genótipos em 6 locais no estado do
Paraná, e a partir disso, constatou se que houve uma diferença significativa entre os genótipos
e o local de semeadura e ainda, e também diferença para interação do Genótipo X Ambiente.
Para a metodologia de Eberhart e Russell (1966), citada acima, tem- se o resultado de
que apenas 6 genótipos tiveram adaptabilidade geral, sendo eles: Ônix; CD 111; BRS
GUAMIRI; BRS 208; CD 112 e TIMBAÚVA, quanto para a estabilidade, apenas o Genótipo
Ônix apresentou uma boa estabilidade. No entanto, referente a metodologia proposta por Lins
e Binns (1988), sendo ela modificada por Carneiro (1998), devido a decomposição do
estimador Pi, sabe-se que os genótipos que apresentarem valores Pi menores, se destacam
quanto à adaptabilidade e estabilidade. Portanto, os genótipos CD 104, CD 111 e CD 112, em
destaque para as cultivares CD 104 e CD 111, que responderam com menores valores de Pi,
sendo responsiva para ambiente favorável, e para ambiente desfavorável os genótipos CD
104, BRS GUAMIRIN e BRS 108 se destacaram.
22
3 MATERIAL E MÉTODOS
Tabela 1: Genótipos de trigo utilizados para o ensaio de cultivares, ciclo, PMS (g) e plantas
viáveis por m² (P/v m²).
rastelo de ferro, que possui 6 pinos nas extremidades com espaçamento de 0,17 m entre eles,
após realizar a abertura das linhas de semeadura, foram introduzidas as sementes de forma
manual e fechando a linha de semeadura com auxílio de uma enxada.
9 7 3 6 2 11 12 1,19 m
Bloco 1
13 10 8 1 - 5 4
1m
10 3 11 6 5 - 9
Bloco 2
8 4 1 12 2 7 13 10,6 m
5 10 12 13 1 11 3
Bloco 3 0,5 m
7 - 2 9 4 6 8
48 m
6m 1m
25
1: TBIO Calibre; 2: TBIO Astro; 3: TBIO Trunfo; 4: TBIO Noble; 5: TBIO Blanc; 6: TBIO Ponteiro;
7: ORS Senna; 8: ORS Agile; 9: ORS MadrePerola; 10: ORS Guardião; 11: BRS Reponte; 12: BRS
TR271; 13: BRS BelaJoia
Fonte: Elaborado pelo autor, 2023.
As unidades experimentais apresentavam dimensões de 1,19 m (7 linhas de 0,17 m)
por 6 m de comprimento, totalizando uma área de 7,14 m² por unidade experimental. Para a
realização da colheita foi necessário a utilização de uma área útil da unidade experimental,
sendo descartada 1 linha de semeadura (0,17 m) da bordadura de cada lado e de 0,50 m nas
extremidades, totalizando uma área útil de colheita de 4,25 m². A área útil foi necessária para
a determinação do rendimento de grãos, sendo que a colheita e a debulha das espigas foram
realizadas de forma manual. Para realizar a colheita foi demarcado a área útil com auxílio de
uma trena e estacas de madeira, utilizando uma foice para proceder o corte das plantas, em
seguida armazenadas em um saco de ráfia e identificando o mesmo com o número do
tratamento, bloco e data de semeadura.
Para a realização dos cálculos de adubação, foi necessário realizar uma coleta de solo e
em seguida enviada para laboratório para a realização da análise química. A profundidade da
coleta da amostra de solo foi de 0,20 m e em 10 pontos da área experimental da UFFS, em
seguida realizado a homogeneização das amostras e posteriormente retirando uma subamostra
para o envio pro laboratório, levando em consideração que o manejo do solo é do tipo
convencional, sem o uso de agroquímicos. A coleta do solo foi realizada dois meses antes da
primeira data de semeadura, e as correções dos nutrientes foram calculadas para a estimativa
de produtividade de 4 toneladas por hectare (ton ha-¹).
Ainda sobre a adubação, os cálculos foram realizados conforme o Manual de Calagem
e Adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (2016), sendo que,
para a cultura do trigo, a recomendação da adubação de cobertura é necessário realizar a
adubação nitrogenada em duas etapas, nos estádios fenológicos de início de perfilhamento e a
segunda aplicação no início elongação do colmo. A adubação de base na semeadura foi de
417 Kg por hectare da adubo NPK com formulação 13 – 24 – 12, o restante do nitrogênio (N)
sendo de 40 Kg ha-¹ divididos em duas etapas citadas anteriormente, com 50% da
quantidade de N restante em cada estádios fenológicos, sendo de 45 Kg ha-¹ de ureia em cada
estádio fenológico respectivamente.
Quanto ao controle de plantas invasoras, realizou-se o controle de forma manual, com
o uso de enxadas, sacho e arranquio, durante todo o ciclo da cultura. A colheita foi realizada
quando o genótipo atingiu a maturidade fisiológica, sendo realizada de forma manual, tanto a
colheita como a debulha das espigas de trigo.
26
Para as avaliações, foi necessário realizar a colheita da área útil dos tratamentos, e
também foram realizadas as avaliações dos componentes de rendimento, fenologia da cultura,
que ajudaram e deram o suporte para a explicação dos resultados. A variável estudada foi:
Estimativa de produtividade (PROD), quanto às avaliações dos estádios fenológicos, foram
realizadas as anotações dos Dias Após a Emergências (DAE) de cada tratamento (genótipo)
anotando o início de cada estádio fenológico. Os estádios fenológicos que foram avaliados
são: emergência, perfilhamento, elongação do colmo, emborrachamento, espigamento,
floração e maturidade fisiológica.
Na sequência é descrito a elaboração das atividades realizadas e como foi o
procedimento para a avaliação da variável no ensaio de cultivares da cultura do trigo.
Estádios fenológicos: A observação dos estádios fenológicos principais da cultura do
trigo, foi baseado na escala fenológica de Zadoks, sendo anotados o dia do início do estádio
fenológico, sendo eles: Emergência, perfilhamento, alongamento, emborrachamento,
espigamento, florescimento, maturação. Quando a unidade experimental continha 50% das
plantas no início de cada estádio, anotava-se o dia e em seguida transformava a data em Dia
Após a Emergência (DAE).
Produtividade: Para a determinação desta variável, foi necessário realizar a colheita da
área útil de 4,25 m² de cada tratamento (genótipo), realizar a debulhas do material coletado,
retirada das impurezas e extrapolar para produtividade em Kg por hectare (Figura 3).
A B C
Fonte: Elaborada pelo autor, 2023.
27
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Figura 4: Valores de precipitação (mm), temperaturas médias (ºC), máximas (ºC) e mínimas
(ºC), de 01 de junho até 30 de dezembro de 2022.
recurso hídrico por dia, podendo aumentar a necessidade hídrica durante os períodos
reprodutivos.
Os processos metabólicos são controlados conforme as condições climáticas nas
diferentes fases de crescimento da planta, visto que, os genótipos possuem respostas
diferentes a esses estímulos ambientais, podendo afetar positivamente ou negativamente a
planta (MANFRON, LAZZAROTO; MEDEIROS, 2012). A diminuição ou falta dos recursos
hídricos em determinados estádios fenológicos da cultura acarretam decréscimos no
rendimento final de uma produção (JARA RAMÍREZ, Jorge et al., 1998).
A semeadura da primeira data foi realizada no dia 03 de junho, e ocorreu uma
precipitação no dia 05 de junho de 2,6 mm, e no dia seguinte (06 de junho) uma precipitação
mais acentuada em torno de 32 mm, que contribuíram para a emergência da cultura, sendo
que a média de emergência dos genótipos foi verificado a campo no dia 10 de junho.
Enquanto na segunda data de semeadura realizado no dia 05 de julho, contatou-se que a
primeira precipitação ocorreu 6 dias após a semeadura, no dia 11 de julho, contabilizando 36
mm, que foi favorável para a emergência da cultura, de modo de, constatou-se a média da
emergência dos genótipos ocorreu 5 dias após a precipitação, sendo no dia 17 de julho.
Quanto a precipitação acumulada, referente a semeadura até o estádio de
perfilhamento da primeira data de semeadura, ou seja, do dia 03 de junho ao dia 26 de junho
de 2022 foi de 182 mm. Na segunda data, da semeadura até o início do perfilhamento (05 de
julho até 29 de julho), totalizou 108 mm. O perfilhamento da primeira data de semeadura teve
início com 17 DAE, enquanto o perfilhamento da segunda data de semeadura com 12 DAE.
A soma da precipitação da primeira data durante os estádios vegetativos, do início do
perfilhamento (26 de junho) até o início do espigamento (15 de agosto), teve um acúmulo de
206 mm. Da fase reprodutiva, do espigamento (16 de agosto) até a maturação fisiológica (09
de outubro) totalizaram uma precipitação acumulada de 145 mm. A soma de precipitação da
segunda data de semeadura, durante os estádios vegetativos do início do perfilhamento (29 de
julho) até o início do espigamento (17 de setembro), possuiu um acumulo de precipitação de
134 mm. Para o estádio reprodutivo do espigamento (17 de setembro) até a maturação
fisiológica (09 de novembro) totalizou uma soma de precipitação de 225 mm.
Podemos perceber que, a fase vegetativa da primeira data recebeu maiores quantidades
de precipitações, do que a segunda data. Embora na fase reprodutiva, a segunda data recebeu
maiores volumes hídricos quando comparado com a primeira data. A redução da
produtividade, também pode ser explicada devido a baixas precipitações durante os dias
antecessores ao início do espigamento da segunda data de semeadura, sendo os períodos mais
30
crítico para a cultura do trigo. Dentre os estádios fenológicos que mais sofrem com perdas de
produtividade de grãos, devido ao déficit hídrico, compreende o período mais crítico, de 15
dias antes do espigamento até 5 dias após o espigamento na cultura do trigo (RODRIGUES et
al., 1997 apud FISCHER, 1973).
Quanto aos índices de temperatura registrados da primeira data de semeadura, no
período de 03 de junho até emergência da cultura (9 de junho), demostrou temperaturas
máxima de 28,2 ºC e mínima de 4,6 ºC. Já para a segunda data de semeadura, do dia 05 de
julho ao dia 17 de julho, respectivo à semeadura e emergência, as temperaturas máximas foi
de 29 ºC e a mínima de 5,4 ºC
Em relação as temperaturas máximas e mínimas do ciclo da cultura da primeira data
de semeadura para o período vegetativo, do estádio fenológico do início perfilhamento até o
início de espigamento, as temperaturas foram 29,7 ºC e 4,4 ºC respectivamente, sendo que o
registro da temperatura máxima se deu no dia 15 de agosto, coincidindo com o início do
espigamento, e a mínima foi no dia 18 de julho, que coincide com o início da elongação do
colmo. Enquanto para o período reprodutivo, sendo do início do espigamento até a maturação
fisiológica, as temperaturas foram de 30,4 ºC e 2,7 ºC, temperatura máxima foi obtida no dia
25 de agosto, que confere ao estádio de floração, já para a temperatura mínima obtida no final
do estádio de espigamento no dia 20 de agosto.
Para a segunda data de semeadura as temperaturas máximas e mínimas,
compreendendo os mesmos estádios fenológicos citados acima para o período vegetativo,
foram de 30,4 ºC e 2,7 ºC respectivamente. Para o período reprodutivo, já citados
anteriormente as temperaturas máximas e mínimas foram 34,3 ºC e 6,8 ºC respectivamente,
A temperatura ideal para o desenvolvimento da cultura do trigo, vai corresponder
conforme o estádio fenológico da cultura, sendo que, na fase inicial da cultura do trigo é
favorável a ocorrência de temperaturas mais baixas sem a formação de geadas, de modo que,
favoreça o período vegetativo da planta, aumentando a quantidade de emissão de perfilho,
com isso, o sistema radicular é favorecido, todavia a planta terá mais recurso na busca de
nutrientes (SCHEEREN et al., 2000). Quanto aos estádios fenológicos, no perfilhamento as
temperaturas ideias ficam entre 15 a 20 ºC e para a formação de folhas a temperatura ideal
fica entre 20 a 25 ºC (SCHEEREN et al., 2000).
Tendo em vista que nos 2 ensaios não foram utilizados métodos de controles para
doenças, sendo um dos principais fatores que desencadearam uma baixa produtividade dos
genótipos da segunda data. As principais doenças observadas, foram brusone (Pyricularia
grisea), oídio (Blumeria graminis f. sp. Tritici), ferrugem da folha (Puccinia triticina),
31
Por meio das análises de variância, verificou-se que houve interação Genótipos x
Ambientes significativa, com a probabilidade de erro de 1% de significância realizado pelo
teste F, Tabela 2.
Tabela 2: Análise de variância para a produtividade de grãos (Kg ha-¹), para as variáveis
tratamentos, ambiente e tratamentos x ambientes em relação ao quadrado médio.
dos genótipos: ORS Agile, ORS Senna, do genótipo BRS BelaJoia e do genótipo BRS
Reponte.
Em relação as média de produtividade da segunda data, o genótipo TBIO Blanc obteve
menor média, sendo de 1581 Kg ha-¹ , não diferindo significativamente dos genótipos: TBIO
Noble, ORS MadrePerola, TBIO Astro e TBIO Calibre. Os genótipos TBIO Blanc e TBIO
Noble, tiveram os menores desempenhos quanto a média de produtividade, mas não diferindo
significativamente dos genótipos citados acima, embora apresentaram diferença significativa
do restante dos genótipos.
Os genótipos ORS Senna, ORS Agile e BRS BelaJoia não apresentaram diferença
significativa entre as datas de semeadura. Já os genótipos TBIO Calibre, TBIO Astro, TBIO
Trunfo, TBIO Noble, TBIO Blanc, TBIO Ponteiro, ORS MadrePerola, ORS Guardião, BRS
Reponte e BRS 271 diferiram significativamente entre as duas datas. Ressaltando que, dos
genótipos que tiveram diferenças significativas entre as datas, o genótipo TBIO Blanc
apresentou a redução da média de produtividade mais acentuada, cerca de 48,2 %. Essa
redução de produtividade pode ser explicada, pelo genótipo ser moderadamente suscetível a
oídio (Blumeria graminis f. sp. Tritici), apresentando uma alta ocorrência desta doença desde
os primeiros estádios fenológicos (BIOTRIGO, 2018).
Dentre as doenças que ocorreram durante o experimento, a primeira ocorrida na
cultura do trigo foi observada o oídio, podendo ser facilmente identificado a campo. Na
segunda data de semeadura, foi observada esta doença no início do desenvolvimento da
cultura. Quanto às perdas ocasionadas pelo oídio, ocasionando uma redução significativa da
produtividade de grãos, podendo ser de 10 a 60%. Quando as doenças se desenvolvem nos
primeiros estádios fenológicos acontece a redução na quantidade de espigas por metro.
Porém, quando as doenças acometem a planta mais tardiamente, vê-se a redução do número
de grãos por espinha e o peso dos grãos (COSTAMILAN, 2019).
No entanto, para os genótipos que não tiveram diferença significativa entre as datas de
semeadura, o genótipo ORS Agile apresentou a redução menos acentuada de produtividade de
8,7%. O único genótipo que teve incremento na produtividade de grãos da segunda data de
semeadura em relação a primeira data, foi o genótipo ORS Senna, que contabilizou um
aumento de produtividade de grãos de 18,9 %, mas não diferiu significativamente dos
genótipos citando anteriormente.
35
Tabela 4: Médias de dias após a emergência (DAE), respectivo aos genótipos da 1ª e 2ª data
de semeadura, na cultura do trigo, no ano safra 2022.
Dias Após a Emergência - DAE
(1)
Genótipo Emergência Perfilhamento Alongamento Emborrachamento Espigamento Florescimento Maturação
1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª
TBIO Calibre 09/06 16/07 17 13 36 39 51 52 58 57 63 64 117 101
TBIO Astro 10/06 17/07 15 12 35 33 51 55 57 62 65 67 113 102
TBIO Trunfo 09/06 17/07 18 12 39 35 59 57 66 63 71 69 122 110
TBIO Noble 10/06 16/07 16 13 37 32 49 52 71 59 75 62 124 109
TBIO Blanc 10/06 18/07 16 10 36 36 67 62 76 69 81 78 123 110
TBIO Ponteiro 10/06 18/07 16 12 45 32 69 50 78 56 83 60 139 112
ORS Senna 08/06 16/07 18 14 35 33 47 56 54 62 60 67 109 101
ORS Agile 11/06 17/07 16 11 35 36 58 58 65 65 72 70 117 110
ORS MadrePerola 08/06 17/07 17 12 40 35 66 56 77 62 81 68 123 108
ORS Guardião 08/06 17/07 19 11 36 36 50 58 58 63 63 70 118 112
BRS Reponte 10/06 17/07 17 12 35 40 58 62 65 67 70 75 124 114
BRS TR271 09/06 17/07 17 13 39 39 58 51 68 57 73 64 125 112
BRS BelaJoia 10/06 16/07 16 13 46 36 70 59 78 65 85 71 135 118
DAE Média - - 17 12 38 35 58 56 67 62 72 68 122 109
1º: Primeira época de semeadura; 2º Segunda época de semeadura; DAE: Dias após a emergência; (1): Datas em que ocorreu a emergência da cultura do trigo.
predominância, embora ocorreu interação complexas, explica que, devido a ocorrência dessas
interações a recomendação não devem ser uniformes para todos os genótipos.
Observando o ambiente desfavorável, constatou-se que ORS MadrePerola, TBIO
Noble e TBIO Blanc, corresponderam com os maiores níveis de estimador Pi, sendo assim,
foram os genótipos que responderam negativamente a segunda data de semeadura, tornando-
os, com menor adaptabilidade e estabilidade para ambientes desfavoráveis.
Ainda, quando consideramos as médias dos ambientes favoráveis e desfavoráveis, o
genótipo BRS TR271 e TBIO Ponteiro, apresentaram comportamentos de produtividade de
grãos próximos as médias dos respectivos ambientes, em destaque o genótipo BRS TR271
que não houve mudança na classificação quanto aos ambientes, mostrando um
comportamento previsível em função dos estímulos ambientais, sendo uma cultivar estável.
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
6 REFERÊNCIAS
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