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Adaptabilidade de Cultivares de Trigo

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL

CAMPUS CERRO LARGO


CURSO DE AGRONOMIA

PEDRO ALOISIO JASKULSKI THOMAS

ADAPTABILIDADE E ESTABILIDADE DE CULTIVARES DE TRIGO NA REGIÃO


DAS MISSÕES

CERRO LARGO
2023
PEDRO ALOISIO JASKULSKI THOMAS

ADAPTABILIDADE E ESTABILIDADE DE CULTIVARES DE TRIGO NA REGIÃO


DAS MISSÕES

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso


de Agronomia da Universidade Federal da Fronteira Sul
(UFFS), como requisito para obtenção do título de
Bacharel em Agronomia da Universidade Federal da
Fronteira Sul.

Orientador: Prof. Dr. Nerison Luís Poersch

CERRO LARGO
2023
Dedico este trabalho aos meus pais,
meus amigos e todos da minha família,
com carinho e muito apoio, não mediram
esforços para que conseguisse realizar
mais essa etapa na minha vida.
AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço ao meu pai Carlos Albano Thomas e a minha mãe Solange
Jaskulski, pelo amor, pela força e incentivo durante o período da formação acadêmica,
obrigado a minha irmã Laura Bruna Jaskulski Thomas Szulc pelo incentivo e apoio.
Sou eternamente grato a todos os professores que contribuíram na minha formação
acadêmica, com um agradecimento especial ao professor e orientador deste trabalho de
conclusão de curso, Prof. Dr. Nerison Luís Poersch, por ser um professor incrível que não
mediu esforços para a realização desse sonho, obrigado pelos conhecimentos transmitidos
durante esses anos, que foram desde o início na faculdade nos projetos de iniciação cientifica
e até a conclusão do curso.
Agradeço a UFFS – Campus Cerro Largo, pela oportunidade de fazer o curso.
Agradeço a minha namorada Vanessa Marczewski, por me ajudar nas atividades, pelo
carinho e apoio emocional.
Agradeço e sinto orgulho dos processos realizados em minha vida, sendo
fundamentais para o meu destino e para onde quero chegar.
Semeia um pensamento, colhe um ato.
Semeia um ato, colhe um hábito.
Semeia um hábito, colhe um caráter.
Semeia um caráter, colhe um destino.
(Marion Laurense)
RESUMO

A adaptabilidade e estabilidade tem por objetivo identificar os melhores genótipos em relação


ao comportamento Genótipo x Ambiente. Com base nisso, foram desenvolvidas metodologias
que podem ser utilizadas para a realização desde estudo, sendo a escolhida para este presente
trabalho a metodologia de Lin e Binns (1988) modificada por Carneiro (1998). O ensaio de
cultivares da cultura do trigo foi conduzido na área experimental da Universidade Federal da
Fronteira Sul – Campus Cerro largo, no ano safra de 2022. O experimento foi realizado em
duas datas de semeadura, a primeira semeadura no dia 03 de junho e a segunda no dia 05 de
julho, contando com 6 genótipos da BIOTRIGO, 4 genótipos da OR SEMENTES e 3
genótipos da EMBRAPA, contabilizando 13 genótipos. O delineamento utilizado para a
condução do experimento foi blocos ao acaso, com 3 blocos por data de semeadura. O
prepraro do solo foi realizado de forma convencional, com a recomendação de adubação
conforme a necessidade da planta e sem a utilização de agroquímicos para controle de pragas
e doenças. A semeadura foi realizada de forma manual e a quantidade de plantas viáveis foi
de acordo com a recomendação da empresa que forneceu as sementes, a colheita realizada de
forma manual e os dados obtidos foram extrapolados para Kg ha-¹. Quanto as avaliações, os
resultados foram submetidos a análise de variância que indicou a interação significativa entre
os fatores estudados, sendo eles: tratamentos, ambientes e tratamento x ambientes,
apresentando a interação foi realizada as análises de adaptabilidade e estabilidade por meio da
metodologia escolhida. A produtividade médias de grãos da primeira data foi maior, com
3636 Kg ha-¹ e a segunda data com produtividade média de 2647 Kg ha-¹, quanto aos
genótipos que destacaram-se foram ORS Guardião, BRS Reponte e ORS Agile mostrando
que possuem maior adaptabilidade e estabilidade.

Palavras-chave: Triticum aestivum; Interação Genótipo x Ambiente; Datas de Semeadura.


ABSTRACT

The adaptability and stability are intended to identify the best genotypes related to Genotype x
Environment behavior. Keeping that in mind, methodologies have been developed that can be
used in this study. For this work, it was chosen the methodology of Lin and Binns (1998),
modified by Carneiro (1998). The wheat crop cultivars trial was conducted Soil preparation
was carried out in a conventional manner. in the experimental area of Federal University of
Fronteira do Sul - Campus Cerro Largo, in the 2022 harvest year. The experiment was carried
out in two sowing seasons: the first one on June 3rd and the second one on July 5th, both
counting six genotypes from BIOTRIGO, four from OR SEMENTES and there from
EMBRAPA, adding up to thirteen genotypes. The delineation for conducting the experiment
was through randomized blocks, with three blocks per sowing season. Soil preparation was
carried out in a conventional manner, with fertilizing recommendations according to the needs
of the plant, without using agrochemicals for pest and disease control. Sowing was done
manually and the quantity of viable plants was according to the recommendations from the
company that provided the seeds. Harvesting was also done manually and the obtained data
were estimated to Kg ha-¹ . As for the assessments, the results were submitted to an analysis
of variance. They indicated a significant interaction between the studied factors, which were:
treatments, environments and treatment x environments. Presented the interactions, analysis
of adaptability and stability were carried out, using the chosen methodology. The average
grain yield of the first season was better, with 3636 Kg ha-¹; the second with the average yield
of 2647 Kg ha-¹. The genotypes that stood out were ORS Guradião, BRS Reponte and ORS
Agile, showing that they have better adaptability and stability.

Keywords: Triticum aestivum; Genotype x Environment interaction; Sowing seasons.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: Preparo do solo para a implantação do experimento da primeira data de semeadura,


no ano safra 2022. ..................................................................................................................... 24
Figura 2: Croqui da área de implantação do ensaio de cultivares da cultura do trigo. ............. 24
Figura 3: Atividades executadas durante o ensaio de cultivares. A – Colheita da área útil, B –
Sacos de ráfia, C – Amostra de espigas de trigo ...................................................................... 26
Figura 4: Valores de precipitação (mm), temperaturas médias (ºC), máximas (ºC) e mínimas
(ºC), de 01 de junho até 30 de dezembro de 2022. ................................................................... 28
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Genótipos de trigo utilizados para o ensaio de cultivares, ciclo, PMS (g) e plantas
viáveis por m² (P/v m²). ............................................................................................................ 23
Tabela 2: Análise de variância para a produtividade de grãos (Kg ha-¹), para as variáveis
tratamentos, ambiente e tratamentos x ambientes em relação ao quadrado médio. ................. 32
Tabela 3: Comparativo de média de produtividade de grãos (Kg ha-¹) da cultura do trigo,
referentes as datas de semeadura. ano safra 2022, realizado pelo teste de Tukey.................... 33
Tabela 4: Médias de dias após a emergência (DAE), respectivo aos genótipos da 1ª e 2ª data
de semeadura, na cultura do trigo, no ano safra 2022. ............................................................. 35
Tabela 5: Média da produtividade de grãos, em Kg ha-¹, quanto à adaptabilidade geral (Pi
Geral), adaptabilidade a ambientes favoráveis (Pi(+)) e adaptabilidade a ambientes
desfavoráveis (Pi (-)). ............................................................................................................... 36
LISTA DE ABREVIATURAS

m Metros
m² Metros quadrados
mm Milímetros
Kg ha-¹ Quilogramas por hectare
Ton ha-¹ Toneladas por hectare
Pl m² Plantas por metro quadrado
LISTA DE SIGLAS

UFFS Universidade Federal da Fronteira Sul


ZARC Zoneamento de Riscos Climáticos
BRS Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
TBIO Empresa Biotrigo Genética
ORS Empresa OR Sementes
MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
RAS Regras de análise de Sementes
RS Rio Grande do Sul
N Nitrogênio
P Fosforo
K Potássio
CICLO Ciclo do genótipo
PROD Produtividade de grãos
DAE Dias após a emergência
ANOVA Analise de variância
(Pi(+)) Ambiente favorável
(Pi(-)) Ambiente desfavorável
P/v m² Plantas viáveis por metro quadrado
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 14
2 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................... 15
2.1 CULTURA DO TRIGO: IMPORTÂNCIA E ORIGEM ....................................... 15
2.2 MORFOLOGIA E DESCRIÇÃO .......................................................................... 16
2.3 ZONEAMENTO AGRÍCOLA DE RISCO CLIMÁTICO .................................... 17
2.4 ESTÁDIOS FENOLÓGICOS DO TRIGO ............................................................ 18
2.5 ADAPTABILIDADE E ESTABILIDADE ........................................................... 19
3 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................. 22
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ....................................................................... 28
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................. 39
6 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 40
14

1 INTRODUÇÃO

A cultura do trigo (Triticum aestivum L.), já estava presente nas civilizações a 10 mil
anos atrás, estima-se que o cultivo desse cereal começou na região da Mesopotâmia, sendo a
área abrangida do Egito ao Iraque. Mais tarde, no Brasil com o auxílio da modernização da
agricultura, o trigo começou a ser cultivado por volta de 1534, por Martim Afonso de Souza.
Sobretudo, no estado do Rio Grande do Sul, o trigo começou a ser cultivado por volta do
século XVIII (ABITRIGO,2018).
Atualmente, o Rio Grande do Sul é um dos estados que se destaca pelo cultivo de
trigo, juntamente com Paraná e Santa Catarina são responsáveis por cerca de 82% da
produção total de trigo no território nacional. Segundo dados da CONAB (2022), referente a
produção do trigo nacional, na safra de 2021, foram produzidas cerca de 7,7 milhões de
toneladas em uma área de 2,3 milhões de hectares na safra 2019/2020. Hoje, a área plantada
desta cultura no Brasil, equivale a 1.145 mil hectares, onde nesse caso, o Rio Grande do Sul
representa cerca de 42% da produção de trigo (CONAB,2022).
Para avaliar os efeitos da adaptabilidade e estabilidade, pode ser utilizado algumas
metodologias, sendo elas, metodologia de Wricke (1965) tem por base a indicação de
genótipos estáveis, outros pesquisadores elaboraram metodologias para a avaliação quanto a
adaptabilidade e estabilidade, Eberhart e Russel (1966) e Cruz et al. (1989), Lin e Binns
(1988) (FRANCESCHI, 2010), outras metodologias utilizadas são, metodologia de
Annicchiarico (1992), metodologia Lin e Binns (1988) com adaptação de Cruz e Carneiro
(2006), as metodologias tem por objetivo a identificação dos melhores genótipos em relação
ao comportamento no Ambiente x Genótipo, as modificações destas metodologias são
realizadas para a facilitar a interpretação dos resultados, idealizando as metodologias poucas
análises estatísticas, e ainda possam ser utilizadas para poucos ambiente ou para uma grande
escala (SCHMILDT et al., 2011).
O experimento foi conduzido na área experimental da Universidade Federal da
Fronteira Sul (UFFS) na cidade de Cerro Largo – RS, com o objetivo de avaliar a
adaptabilidade e estabilidade de cultivares de trigo (Triticum aestivum L.), avaliando os
resultados através da metodologia de Lin e Binns (1988), modificado por Carneiro (1998).
15

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 CULTURA DO TRIGO: IMPORTÂNCIA E ORIGEM

Sabe-se que o trigo possui uma grande importância e influência seja no


desenvolvimento da economia ou ainda da reprodução social, desempenhando grande valor
econômico e nutricional. Estima-se que o seu cultivo se iniciou cerca de 10 mil anos atrás, na
região da Mesopotâmia, possibilitando aos povos antigos o desenvolvimento de seus
povoados, além disso, com o início do cultivo do trigo, propuseram também uma melhoria na
base da alimentação, visto que anteriormente era baseada na caça e coleta, assim, a melhoria
acabou resultando em um aumento significativo da população e também na evolução cultural
(PIANA; CARVALHO, 2008).
Referente a cultura do trigo, devido sua evolução e domesticação foram-se gerando
outras espécies ao longo dos anos, a espécie mais semeada comumente é a chamada Triticum
aestivum L., decorrente aos trabalhos de melhoramentos genéticos e seleções realizadas, o
trigo ainda pode ser dividido em três tipos principais, sendo eles: Triticum aestivum L.,
Triticum turgidum L., Triticum nonococcum L. (BAPTISTELLA, 2020), conforme comenta
Diniz (2016), a espécie Triticum aestivum L., são hexaploides, 2n = 42 cromossomos
(MOREIRA; SOUZA; 1999), sendo ela cultivada nas estações de inverno e primavera, e seu
cultivo chega representar cerca de 90% da produção mundial, no entanto, sua principal forma
de utilização é para a fabricação de pães, e seu teor de proteína podendo chegar aos 15%. Por
sua vez, o Triticum turgidum L., são tetraplóides, 2n = 28 cromossomos (MORIRA; SOUZA;
1999), sendo utilizado basicamente para fabricação de massas por apresentar teores altos de
glúten, já o Triticum Monococcum se caracteriza por baixos teores de glúten, perto dos 7 %.
A safra da cultura do trigo, para o ano de 2020/2021, segundo dados da CONAB
(2022), estima a área plantada no mundo, com cerca de 224 milhões de hectares, com uma
produção de 776 milhões de toneladas, os maiores produtores de trigo mundialmente, em
ordem de maior produção são União Europeia, China, Índia, Rússia, EUA. Já o Brasil, ocupa
a 15º posição na tabela de produção com 7,9 milhões de toneladas.
Em relação aos estados produtores de trigo no Brasil, na safra de 2020/2021 em
destaque o Paraná, que produziu cerca de 3,05 milhões de toneladas, sendo o estado com
maior produção nacional da cultura do trigo, em segundo colocado o Rio Grande do Sul, com
produção de 2,3 milhões de toneladas. A região sul do Brasil é responsável por 88,6 % da
16

produção nacional de trigo, na safra de 2020/2021 a produtividade média foi de 2,9 toneladas
por hectare, em uma área plantada de 2,1 hectares na região sul (CONAB, 2022).

2.2 MORFOLOGIA E DESCRIÇÃO

O trigo é considerado uma gramínea, pertencente à classe das monocotiledôneas,


quanto a sua classificação botânica, pertence à família Poaceae, enquanto subfamília é
Pooideae, do gênero Triticum e a espécie Triticum aestivum L., vale enfatizar que essa espécie
teve origem de um cruzamento natural entre uma planta tetraploide (2n = 28 cromossomos),
sendo a espécie Triticum turgidum com uma planta selvagem, cujo nome científico é Aegilops
squarrosa (2n = 14 cromossomos), resultando na espécie hexaplóide (2n = 42 cromossomos)
Triticum aestivum L. (SCHEEREN et al., 2015).
A cultura do trigo, por sua vez, é muito semelhante a morfologia das culturas de
cereais de inverno (cevada, aveia, triticale), quanto aos componentes dessa cultura são
compostos por raízes, folhas, colmos e por uma inflorescência conforme cita (SCHEEREN et
al., 2015). Ainda, o sistema radicular é sumamente importante para a sobrevivência das
plantas, pois é a partir das raízes que ocorre a absorção de nutrientes e água para o seu
desenvolvimento, portanto, são estruturas que atuam na fixação da planta no solo
(BARBOSA, 2013). Todavia, no trigo o tipo de sistema radicular é fasciculado, ou seja, é um
sistema que é formado por várias zonas de crescimento, conhecidos como meristemas, esse
sistema tem por característica uma ramificação das raízes secundárias, sendo difícil a
distinção da raiz primária da secundária (ALVES et al., 2006).
De acordo com DUTRA et al. (2015), referente às folhas do trigo, as mesmas possuem
nervação paralelinérveas, dessa forma, apresentam as nervuras paralelas à nervura principal.
Sendo assim, a quantidade de folhas vai variar de acordo com o genótipo, ocorrendo de 3 a 8
folhas, mais comumente encontrado de 5 a 6 folhas, sendo a folha composta pela bainha,
lâmina, lígula e apresentando um par de aurículas. A plúmula, primeira folha do trigo, é
recoberta por uma estrutura chamada coleóptilo, que possui a função de proteção até a sua
emissão, enquanto a última folha do trigo, é conhecida como folha bandeira (SCHEEREN et
al., 1986).
O colmo do trigo possui hábito de crescimento do tipo cespitoso ereto, isto é, possuem
entrenós basais próximos e são capazes de produzir afilhos, possui a característica de um
colmo cilíndrico e oco, e cada nó resulta em uma folha (FONTANELI et al., 2018). A
17

inflorescência da cultura do trigo é denominada de espiga, e as características fenotípicas das


espigas vão ocorrer variações para cada genótipo, podendo variar no comprimento de espiga,
densidade, quantidade de espiguetas e largura de espiga, esses fatores são importantes para a
auxiliar na diferenciação e identificação das cultivares. Quanto aos tipos de espigas, são
diferenciadas em cinco tipos, sendo eles, piramidal, oblonga, semiclavada, clavada e
fusiforme (SCHEEREN et al., 1986).
Ainda, sobre as inflorescências, segundo Scheeren et al., (1986), as espiguetas podem
conter de duas a nove flores e suas estruturas são presas na ráquila. As flores são recobertas
por uma estrutura chamada de brácteas, responsáveis pela proteção das flores. Quanto à
estrutura da flor, são formadas por uma lema e uma pálea, a lema, pode conter ou não artistas.
A formação dos grãos é oriunda da fecundação do óvulo, as características vão variar de
acordo com o genótipo da cultura, e normalmente, são encontrados com medidas de seis a sete
milímetros de comprimento, observa-se assim, variações quanto ao seu formato, podendo ser
arredondados, estreitos e compridos, essas variações dos grãos podem causar diferenças
quanto ao peso específico.

2.3 ZONEAMENTO AGRÍCOLA DE RISCO CLIMÁTICO

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), foi desenvolvido pela Embrapa


e Parceiros e oficializado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)
desde 1996, esse programa tem como finalidade de ajudar, promover e prestar informações,
quanto o zoneamento de riscos climáticos, definindo as janelas de semeadura para cada
cultura, em relação aos riscos climáticos, variando de 20 a 40 %, considerando vários fatores,
em destaque o tipo de solo, clima local da região e precipitação.
Retomando a questão da cultura do trigo, o zoneamento é muito importante para a
tomada de decisão, sendo imprescindível levar em consideração os períodos indicados para a
semeadura, onde poderá definir o sucesso na produtividade, desse modo, deve-se avaliar os
tipos de cultivares quanto aos ciclos: precoce, médio e tardio e avaliar os riscos. As datas de
semeaduras são elaboradas e avaliadas referentes às precipitações durante a data de colheita, a
presença de geadas nos períodos críticos de desenvolvimento na cultura do trigo, a radiação
solar e temperaturas (MAPA, 2021).
Conforme Cunha et al., (2019), os períodos mais críticos da cultura do trigo, são as
semanas que antecedem a floração e os dias após a floração, portanto, se ocorrer problemas
18

durante esses estádios de desenvolvimento da cultura, poderá comprometer a quantidade de


espigas por área, e a densidade de flores férteis nas espigas, sendo assim, vai variar na
quantidade de grãos produzidos e a sua qualidade, podendo baixar o rendimento da cultura, os
fatores que podem então promover esse potencial baixo, é a baixa da radiação solar ou altas
temperaturas.
Em termos locais, segundo o MAPA (2021), o período da semeadura para o Município
de Cerro Largo, estado do Rio Grande do Sul, levando em consideração a instrução normativa
SPA/MAPA Nº 2, de 9 de Novembro de 2021, em relação à textura argilosa (Solos Tipo III),
solos que possuem teor de argila, maiores que 35 %, e períodos indicados para a semeadura
com riscos de 20 e 30%, para os Grupos de cultivares I, II e III, ficaram entre os decêndios 14
a 19, resultando no início da janela de semeadura para a cultura do trigo no dia 11 de Maio de
2022 até o final da data de semeadura, no dia 10 de julho de 2022.

2.4 ESTÁDIOS FENOLÓGICOS DO TRIGO

Os estádios fenológicos da cultura do trigo, podem ser identificados pela escala de


Feekes e Large (1954) ou ainda, pela escala de Zadoks et al. (1974). A cultura do trigo pode
ser dividida em 3 fases importantes, sendo período vegetativo, período reprodutivo, e por
último, enchimento de grãos (SANTOS et al., 2014). O trigo possui uma grande
caracterização quanto aos seus estádios de desenvolvimento fenológico, conforme a escala de
Zadoks et al. (1974), faz uma divisão em 10 partes e se divide em mais 10 subetapas.
Segundo Scheeren et al., (1986), essa cultura pode ser dividida em ordem cronológica,
conforme os seus estádios mais conhecidos, sendo, emergência de plântula, afilhamentos,
elongação do colmo, emborrachamento, espigamento, floração, enchimento de grão e
maturação fisiológica. Ainda, a identificação desses estádios fenológicos é muito importante,
para se aprofundar no conhecimento dos estádios mais críticos da cultura, e alguns estádios
fenológicos podem determinar o potencial produtivo da cultura (SANTOS et al., 2014).
Rissi (2022), descreve uma abordagem da escala fenológica do trigo, desde a
semeadura até a maturação fisiológica da cultura, ele identifica que o primeiro estágio da
cultura se inicia através da embebição da água pela semente, desencadeando os processos
metabólicos. Esses, no entanto, são desencadeados pelas condições físicas necessárias para a
semente germinar, ou seja, fator temperatura e umidade. Após a emissão da plântula ao solo, e
seu desenvolvimento, posteriormente, entrará em estádio de afilhamento. A emissão de
19

afilhos vai variar conforme a densidade de semeadura, devido a competição pela luz e
nutrientes, e ainda pelas características específicas do genótipo (VALÉRIO et al., 2008).
Ainda assim, Rissi (2022) destaca que na fase de afilhamento é um ponto muito
importante para as tomadas de decisões referente ao uso de herbicidas, para o controle de
plantas invasoras. Pois, após a fase do afilhamento, a planta do trigo entrará no próximo
estágio vegetativo, a elongação do colmo, nesta fase é que vai ocorrer o desenvolvimento do
colmo na forma vertical, ocorrendo então, a inibição de novos afilhos decorrente da
competição por energia, conforme ocorre o desenvolvimento deste colmo, o último entrenó
resultará em uma folha bandeira. A planta entrará no estádio de emborrachamento (bainha
engrossada), que indicará o final da fase vegetativa, e segundo Santos et al. (2014) o
indicador de término da fase vegetativa ocorre na iniciação floral, e também início da fase
reprodutiva da cultura do trigo.
Conforme cita Santos et al. (2014), a fase reprodutiva da cultura do trigo, pode-se
estender por semanas, vai depender do genótipo com as interações com o ambiente, nesta
fase, ocorre as diferenciações de flores nas espiguetas. Conforme Rodrigues et al. (2011), a
determinação de início da fase reprodutiva do trigo, é decorrente do estádio de duplo anel,
sendo assim, o término da produção de novas folhas e de afilhos, que caracteriza o final do
período vegetativo.
A compreensão das fases de desenvolvimento da cultura do trigo, procura-se a
determinação do potencial produtivo do genótipo, através das avaliações do fenótipo da planta
e suas alterações conforme alterações do Genótipo x Ambiente, com isso, podemos buscar e
entender quais são os estádios de desenvolvimento da planta e quais os componentes de
rendimentos que atuam no potencial produtivo, conforme as datas de semeadura, levando em
consideração que os componentes do rendimento para a cultura do trigo são a quantidade de
plantas por área, quantidade de espigas por planta, número de espiguetas por espiga,
quantidade de grãos por espiga e também o peso dos grãos (RODRIGUES, 2011).

2.5 ADAPTABILIDADE E ESTABILIDADE

O estudo da adaptabilidade e estabilidade de cultivares é muito difundida em estudos


de melhoramentos genéticos, no qual, os genótipos são testados e avaliados conforme a
interação dos fatores Genótipo x Ambiente, nos locais de produção são realizadas as
comparações quanto a resposta do genótipo, devido às manifestações fenotípicas
20

influenciadas pelo ambiente. Essas interações proporcionadas pelo ambiente, são inteiramente
relevantes para a escolha do melhor genótipo, visto que, esses podem apresentar respostas
diferentes de acordo com o ambiente, no entanto, as interações geralmente possuem
dificuldade na recomendação dos melhores genótipos (CRUZ et al., 2014).
Atualmente, foram desenvolvidas várias metodologias para o estudo da adaptabilidade
e estabilidade, por sua vez, muitos pesquisadores estão aprimorando essas metodologias a fim
de propor melhorias significativas e relevantes. Esses modelos são baseados em análises
estatísticas, sendo elas, por meio da análise de variância; regressão linear ou não linear;
análise multivariada e, estatísticas não paramétricas conforme cita (BASTOS et al., 2007).
Quando ocorre interação do Genótipo x Ambiente, é devido às respostas dos genótipos em
relação à variação do ambiente, essas interações podem ser divididas em simples e complexa,
ou ainda, há possibilidade de não apresentar interação, no primeiro caso interação simples,
esta está associada a diferença da variabilidade dos genótipos em relação ao ambiente, já para
a complexa, é ocasionado pela ausência das correlações entre os genótipos.
Quando ocorre interação complexa, significa que, os genótipos se sobressaíram em
determinado ambiente e em um outro ambiente tiveram desempenho inferior (CRUZ et al.,
2014). Para estudar a adaptabilidade e estabilidade de cultivares, o método desenvolvido por
Eberhart e Russel (1966), baseia-se na utilização de regressão linear, ocorrendo através de
subtrações da média entre todos os genótipos do ambiente com a média geral de todos os
genótipos que constam nos diferentes ambientes, assim, determinará o índice ambiental, e
através da regressão linear para cada genótipo será possível realizar e quantificar a
adaptabilidade do genótipo no ambiente. Neste método, para a determinação da estabilidade
será baseado na estimativa de somatórios dos desvios.
Além disso, ainda para o estudo da adaptabilidade e estabilidade há outros métodos
como por exemplo, o de Lin e Binns (1988), o qual, e baseados na análise não paramétrica.
Essa metodologia consiste em determinação dos quadrados médios da distância entre a média
do genótipo com a resposta da média máxima do ambiente, e avaliados pelos índices de
estabilidade Pi, ela foi modificada por Carneiro (1998), que realizou a decomposição do
estimador Pi, trazendo vantagens quanto a facilidade de interpretação dos resultados,
dividindo os ambientes em favoráveis e desfavoráveis (FRANCESCHI, 2010).
A adaptabilidade, conforme cita Costa et al. (1999), caracteriza quanto o genótipo
consegue aproveitar vantajosamente os estímulos do ambiente, enquanto o termo estabilidade
condiz com a capacidade que o genótipo se comporta de forma previsível com as mudanças
do ambiente. Para a escolha e recomendação do genótipo, conforme Eberhart e Russel (1966),
21

um genótipo deve apresentar uma alta previsibilidade e uma adaptabilidade geral, sendo capaz
de responder aos estímulos do ambiente, e responder com um comportamento estável tanto
para condições ambientais favoráveis quanto para desfavoráveis.
Para Castro et al. (2019), no estudo de ensaios de cultivares de trigo, quanto a
adaptabilidade e estabilidade, cita que a cultivar ideal é aquela em que se mostra com uma alta
capacidade de produção; possuir uma alta estabilidade, e ainda, suportar condições de estresse
em relação ao ambiente desfavorável, referente ao genótipo, deve ser capaz de responder de
forma positiva as condições de ambiente, assim, utilizando o modelo proposto por Carneiro
(1998). Ainda, para a definição da cultivar ideal, utilizou auxílio de programas estatísticos,
constatou que houve diferença significativa quanto às respostas de adaptabilidade e
estabilidade.
Franceschi et al. (2010), realizaram um estudo com o tema: métodos para análise de
adaptabilidade e estabilidade em cultivares de trigo no estado do Paraná, para isso, a pesquisa
se deu sobre 4 (quatro) métodos, sendo eles: metodologia de Wricke (1965); metodologia
Eberhart e Russell (1966); Cruz et al. (1989) e ainda, utilizou a metodologia de Lin e Binns
(1988), sendo modificada por Carneiro (1998). De acordo com os pesquisadores, no ano de
2007, para esse estudo foi utilizado um número de 17 genótipos em 6 locais no estado do
Paraná, e a partir disso, constatou se que houve uma diferença significativa entre os genótipos
e o local de semeadura e ainda, e também diferença para interação do Genótipo X Ambiente.
Para a metodologia de Eberhart e Russell (1966), citada acima, tem- se o resultado de
que apenas 6 genótipos tiveram adaptabilidade geral, sendo eles: Ônix; CD 111; BRS
GUAMIRI; BRS 208; CD 112 e TIMBAÚVA, quanto para a estabilidade, apenas o Genótipo
Ônix apresentou uma boa estabilidade. No entanto, referente a metodologia proposta por Lins
e Binns (1988), sendo ela modificada por Carneiro (1998), devido a decomposição do
estimador Pi, sabe-se que os genótipos que apresentarem valores Pi menores, se destacam
quanto à adaptabilidade e estabilidade. Portanto, os genótipos CD 104, CD 111 e CD 112, em
destaque para as cultivares CD 104 e CD 111, que responderam com menores valores de Pi,
sendo responsiva para ambiente favorável, e para ambiente desfavorável os genótipos CD
104, BRS GUAMIRIN e BRS 108 se destacaram.
22

3 MATERIAL E MÉTODOS

O ensaio de cultivares de trigo foi implantado na área experimental da Universidade


Federal da Fronteira Sul – Campus Cerro Largo no estado do Rio Grande do Sul (RS), no ano
de safra de 2022. Para a realização do ensaio, foram selecionados 13 genótipos de trigo, o
experimento foi conduzido em duas datas de semeadura. Para a realização do estudo da
adaptabilidade e estabilidade, sendo que a primeira no início do Zoneamento de Riscos
Climáticos (ZARC) no dia 03 de junho de 2022 e a segunda ao final do ZARC no dia 05 de
julho de 2022.
Quanto ao tipo de solo da área experimental, se apresenta como um Latossolo
Vermelho pertencente a Unidade de Mapeamento de Santo Ângelo, o clima da região é
predominado de tipo Subtropical (Cfa) segundo a classificação de Kopper, em relação às
chuvas o estado do RS apresenta uma distribuição relativamente equilibradas ao longo do ano
com uma precipitação médias de 1500 mm ao ano (MORENO, 1961).
A escolha dos genótipos foi baseada quanto ao ciclo da cultura, sendo selecionados
genótipos de ciclo HiperPrecoce ao ciclo Tardio. Os materiais selecionados foram 6 genótipos
da empresa BIOTRIGO, 4 genótipos da OR Sementes e 3 genótipos da EMBRAPA. Para
realização da semeadura, foi efetuada a pesagem e a separação das sementes no laboratório da
UFFS - Campus Cerro Largo, para isso, levou-se em consideração o Peso de Mil Sementes
(PMS) de cada genótipo. A densidade de semeadura, foi conforme a recomendação da
empresa fornecedora das sementes, visto que, os genótipos apresentaram uma população de
plantas viáveis por metro quadrados diferentes, podendo ser observado na Tabela 1.
23

Tabela 1: Genótipos de trigo utilizados para o ensaio de cultivares, ciclo, PMS (g) e plantas
viáveis por m² (P/v m²).

Empresa Genotipo Ciclo PMS P/v m²


Calibre SuperPrecoce 36 350
Astro SuperPrecoce 35 350
Trunfo Precoce 34 315
TBIO
Noble Médio 33 315
Blanc Médio 33 315
Ponteiro Tardio 34 315
Senna HiperPrecoce 44 350
Agile SuperPrecoce 38 350
ORS
MadrePerola Médio 34 330
Guardião Médio 45 330
TR 271 SuperPrecoce 41 250
BRS Reponte Precoce 33 250
BelaJoia Precoce 31 250
Fonte: Elaborada pelo autor, 2023.

Para a realização do ensaio de cultivares da cultura do trigo, o delineamento


experimental utilizado foi um Delineamento de Blocos Casualizados (DBC), sendo utilizados
3 blocos com 13 tratamentos (Genótipos) por data de semeadura, totalizando 39 unidades
experimentais por semeadura. Para que ocorra um melhor aproveitamento da área
experimental, foi necessário a repartição dos blocos, sendo divididos em 7 tratamentos na
primeira fileira e 6 tratamentos na segunda fileira para cada bloco, sendo que as duas fileiras
juntas vão totalizar os 13 tratamentos.
Esse experimento foi implantado em 2 datas de semeadura, a ordem dos tratamentos
foi realizada por meio de sorteio para cada bloco, o sorteio realizou-se com o auxílio de
planilhas eletrônicas, a distribuição dos tratamentos da primeira data e da segunda data vão
seguir a mesma ordem, sem a necessidade de realizar um novo sorteio para cada data de
semeadura.
Quanto ao preparo do solo, necessitou realizar uma escarificação e na sequência uma
gradagem antes da implantação do ensaio de cultivar em cada data de semeadura (Figura 1).
A semeadura foi implantada na disposição norte/sul, visto que, a área experimental possui a
declividade do solo na direção leste/oeste. Após realizar os manejos de preparo do solo, a
adubação para o ensaio de cultivares foi realizado com auxílio da semeadora da Universidade
Federal da Fronteira Sul – Campus Cerro Largo, na sequência foi realizado a demarcação das
unidades experimentais. A abertura das linhas procedeu de forma manual, utilizando um
24

rastelo de ferro, que possui 6 pinos nas extremidades com espaçamento de 0,17 m entre eles,
após realizar a abertura das linhas de semeadura, foram introduzidas as sementes de forma
manual e fechando a linha de semeadura com auxílio de uma enxada.

Figura 1: Preparo do solo para a implantação do experimento da primeira data de semeadura,


no ano safra 2022.

Fonte: Elaborada pelo autor, 2023.

Quanto a área necessária para a semeadura do experimento a campo, foi necessário de


10,64 m de largura por 48 m de comprimento, sendo assim, uma área de 510,72 m² por data
de semeadura, totalizando 1.021,44 m² para as duas datas de semeadura, 39 unidades
experimental por data de semeadura e totalizando 78 unidades experimentais ao total. Quanto
aos espaçamentos que foram utilizados para o ensaio de cultivares da cultura do trigo, o
espaçamento entre blocos foi de 1 m, espaçamento entre as unidades experimentais utilizou-se
1 m, e o espaçamento entre a divisão das fileiras dos blocos foi de 0,5 m (Figura 2).

Figura 2: Croqui da área de implantação do ensaio de cultivares da cultura do trigo.

9 7 3 6 2 11 12 1,19 m
Bloco 1
13 10 8 1 - 5 4
1m
10 3 11 6 5 - 9
Bloco 2
8 4 1 12 2 7 13 10,6 m

5 10 12 13 1 11 3
Bloco 3 0,5 m
7 - 2 9 4 6 8

48 m
6m 1m
25

1: TBIO Calibre; 2: TBIO Astro; 3: TBIO Trunfo; 4: TBIO Noble; 5: TBIO Blanc; 6: TBIO Ponteiro;
7: ORS Senna; 8: ORS Agile; 9: ORS MadrePerola; 10: ORS Guardião; 11: BRS Reponte; 12: BRS
TR271; 13: BRS BelaJoia
Fonte: Elaborado pelo autor, 2023.
As unidades experimentais apresentavam dimensões de 1,19 m (7 linhas de 0,17 m)
por 6 m de comprimento, totalizando uma área de 7,14 m² por unidade experimental. Para a
realização da colheita foi necessário a utilização de uma área útil da unidade experimental,
sendo descartada 1 linha de semeadura (0,17 m) da bordadura de cada lado e de 0,50 m nas
extremidades, totalizando uma área útil de colheita de 4,25 m². A área útil foi necessária para
a determinação do rendimento de grãos, sendo que a colheita e a debulha das espigas foram
realizadas de forma manual. Para realizar a colheita foi demarcado a área útil com auxílio de
uma trena e estacas de madeira, utilizando uma foice para proceder o corte das plantas, em
seguida armazenadas em um saco de ráfia e identificando o mesmo com o número do
tratamento, bloco e data de semeadura.
Para a realização dos cálculos de adubação, foi necessário realizar uma coleta de solo e
em seguida enviada para laboratório para a realização da análise química. A profundidade da
coleta da amostra de solo foi de 0,20 m e em 10 pontos da área experimental da UFFS, em
seguida realizado a homogeneização das amostras e posteriormente retirando uma subamostra
para o envio pro laboratório, levando em consideração que o manejo do solo é do tipo
convencional, sem o uso de agroquímicos. A coleta do solo foi realizada dois meses antes da
primeira data de semeadura, e as correções dos nutrientes foram calculadas para a estimativa
de produtividade de 4 toneladas por hectare (ton ha-¹).
Ainda sobre a adubação, os cálculos foram realizados conforme o Manual de Calagem
e Adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (2016), sendo que,
para a cultura do trigo, a recomendação da adubação de cobertura é necessário realizar a
adubação nitrogenada em duas etapas, nos estádios fenológicos de início de perfilhamento e a
segunda aplicação no início elongação do colmo. A adubação de base na semeadura foi de
417 Kg por hectare da adubo NPK com formulação 13 – 24 – 12, o restante do nitrogênio (N)
sendo de 40 Kg ha-¹ divididos em duas etapas citadas anteriormente, com 50% da
quantidade de N restante em cada estádios fenológicos, sendo de 45 Kg ha-¹ de ureia em cada
estádio fenológico respectivamente.
Quanto ao controle de plantas invasoras, realizou-se o controle de forma manual, com
o uso de enxadas, sacho e arranquio, durante todo o ciclo da cultura. A colheita foi realizada
quando o genótipo atingiu a maturidade fisiológica, sendo realizada de forma manual, tanto a
colheita como a debulha das espigas de trigo.
26

Para as avaliações, foi necessário realizar a colheita da área útil dos tratamentos, e
também foram realizadas as avaliações dos componentes de rendimento, fenologia da cultura,
que ajudaram e deram o suporte para a explicação dos resultados. A variável estudada foi:
Estimativa de produtividade (PROD), quanto às avaliações dos estádios fenológicos, foram
realizadas as anotações dos Dias Após a Emergências (DAE) de cada tratamento (genótipo)
anotando o início de cada estádio fenológico. Os estádios fenológicos que foram avaliados
são: emergência, perfilhamento, elongação do colmo, emborrachamento, espigamento,
floração e maturidade fisiológica.
Na sequência é descrito a elaboração das atividades realizadas e como foi o
procedimento para a avaliação da variável no ensaio de cultivares da cultura do trigo.
Estádios fenológicos: A observação dos estádios fenológicos principais da cultura do
trigo, foi baseado na escala fenológica de Zadoks, sendo anotados o dia do início do estádio
fenológico, sendo eles: Emergência, perfilhamento, alongamento, emborrachamento,
espigamento, florescimento, maturação. Quando a unidade experimental continha 50% das
plantas no início de cada estádio, anotava-se o dia e em seguida transformava a data em Dia
Após a Emergência (DAE).
Produtividade: Para a determinação desta variável, foi necessário realizar a colheita da
área útil de 4,25 m² de cada tratamento (genótipo), realizar a debulhas do material coletado,
retirada das impurezas e extrapolar para produtividade em Kg por hectare (Figura 3).

Figura 3: Atividades executadas durante o ensaio de cultivares. A – Colheita da área


útil, B – Sacos de ráfia, C – Amostra de espigas de trigo

A B C
Fonte: Elaborada pelo autor, 2023.
27

A coleta dos dados meteorológicos, sendo eles: precipitação (mm), temperaturas


médias(ºC), máximas (ºC) e mínimas (ºC), foram retirados da estação meteorológica da
Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Cerro Largo, a distância da estação
meteorológica até o experimento foi de 500 m.
Neste trabalho, o tema adaptabilidade e estabilidade de cultivares de trigo, tem como
finalidade a busca dos melhores genótipos, oriundos dos melhores resultados decorrentes das
análises estatísticas, conforme a interação do Genótipo x Ambiente. O experimento foi
implantado respeitando a Zoneamento Agrícola de Riscos Climáticos (ZARC), sendo
desenvolvido pela Embrapa e parceiros, que auxiliam na tomada das decisões, de qual
momento deve-se realizar as semeaduras, levando em consideração o tipo de solo, a
vegetação, aptidão das terras entre outros fatores (MAPA, 2021).
Para o estudo da adaptabilidade e estabilidade, se faz necessário que ocorra interação
Genótipo x Ambiente significativa, essa interação pode ser vista na analise de variância,
sendo valido o estudo para a adaptabilidade e estabilidade. Comenta Caierão et al. (2006), que
o estudo da adaptabilidade e estabilidade, tem por função atuar na recomendação dos
melhores genótipos para adaptação geral ou especificas nos ambientes.
Quanto a avaliação dos resultados, a variável produtividade foram submetidos à
análise de variância (ANOVA), com o auxílio do programa estatístico GENES para observar
as interações significativas, com interações ocorre a possibilidade de realização da análise da
adaptabilidade e estabilidade dos genótipos de trigo, pela metodologia de Lins e Binns (1988)
modificada por Carneiro (1998), baseada em uma análise não paramétrica, que realiza a
decomposição do estimador Pi, sendo classificados em ambientes favoráveis e desfavoráveis
facilitando a interpretação, ainda realizou-se um teste de média com probabilidade de erro a
5% pelo teste de Tukey para a variável principal produtividade de grãos.
28

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O período desde a semeadura da primeira data, até a colheita da segunda data,


contabilizando 153 dias (03 de junho a 03 de novembro). Sendo que, a semeadura até a
colheita da primeira data, vai do dia 03 de junho ao dia 09 de outubro, enquanto para a
segunda data de semeadura, do dia 05 de julho até 03 de novembro, conforme dados da Figura
4.

Figura 4: Valores de precipitação (mm), temperaturas médias (ºC), máximas (ºC) e mínimas
(ºC), de 01 de junho até 30 de dezembro de 2022.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2023.

Quanto à precipitação acumulada, baseado no dia em que se realizou a semeadura da


primeira data até o início da colheita dos genótipos da primeira data de semeadura,
totalizaram uma precipitação acumulada de 533 mm. Já para a segunda data de semeadura, até
o início da colheita do referente data, foram totalizados uma precipitação acumulada de 467
mm. Segundo MAPA (2003), a necessidade da cultura do trigo pode chegar até 6 a 7 mm de
29

recurso hídrico por dia, podendo aumentar a necessidade hídrica durante os períodos
reprodutivos.
Os processos metabólicos são controlados conforme as condições climáticas nas
diferentes fases de crescimento da planta, visto que, os genótipos possuem respostas
diferentes a esses estímulos ambientais, podendo afetar positivamente ou negativamente a
planta (MANFRON, LAZZAROTO; MEDEIROS, 2012). A diminuição ou falta dos recursos
hídricos em determinados estádios fenológicos da cultura acarretam decréscimos no
rendimento final de uma produção (JARA RAMÍREZ, Jorge et al., 1998).
A semeadura da primeira data foi realizada no dia 03 de junho, e ocorreu uma
precipitação no dia 05 de junho de 2,6 mm, e no dia seguinte (06 de junho) uma precipitação
mais acentuada em torno de 32 mm, que contribuíram para a emergência da cultura, sendo
que a média de emergência dos genótipos foi verificado a campo no dia 10 de junho.
Enquanto na segunda data de semeadura realizado no dia 05 de julho, contatou-se que a
primeira precipitação ocorreu 6 dias após a semeadura, no dia 11 de julho, contabilizando 36
mm, que foi favorável para a emergência da cultura, de modo de, constatou-se a média da
emergência dos genótipos ocorreu 5 dias após a precipitação, sendo no dia 17 de julho.
Quanto a precipitação acumulada, referente a semeadura até o estádio de
perfilhamento da primeira data de semeadura, ou seja, do dia 03 de junho ao dia 26 de junho
de 2022 foi de 182 mm. Na segunda data, da semeadura até o início do perfilhamento (05 de
julho até 29 de julho), totalizou 108 mm. O perfilhamento da primeira data de semeadura teve
início com 17 DAE, enquanto o perfilhamento da segunda data de semeadura com 12 DAE.
A soma da precipitação da primeira data durante os estádios vegetativos, do início do
perfilhamento (26 de junho) até o início do espigamento (15 de agosto), teve um acúmulo de
206 mm. Da fase reprodutiva, do espigamento (16 de agosto) até a maturação fisiológica (09
de outubro) totalizaram uma precipitação acumulada de 145 mm. A soma de precipitação da
segunda data de semeadura, durante os estádios vegetativos do início do perfilhamento (29 de
julho) até o início do espigamento (17 de setembro), possuiu um acumulo de precipitação de
134 mm. Para o estádio reprodutivo do espigamento (17 de setembro) até a maturação
fisiológica (09 de novembro) totalizou uma soma de precipitação de 225 mm.
Podemos perceber que, a fase vegetativa da primeira data recebeu maiores quantidades
de precipitações, do que a segunda data. Embora na fase reprodutiva, a segunda data recebeu
maiores volumes hídricos quando comparado com a primeira data. A redução da
produtividade, também pode ser explicada devido a baixas precipitações durante os dias
antecessores ao início do espigamento da segunda data de semeadura, sendo os períodos mais
30

crítico para a cultura do trigo. Dentre os estádios fenológicos que mais sofrem com perdas de
produtividade de grãos, devido ao déficit hídrico, compreende o período mais crítico, de 15
dias antes do espigamento até 5 dias após o espigamento na cultura do trigo (RODRIGUES et
al., 1997 apud FISCHER, 1973).
Quanto aos índices de temperatura registrados da primeira data de semeadura, no
período de 03 de junho até emergência da cultura (9 de junho), demostrou temperaturas
máxima de 28,2 ºC e mínima de 4,6 ºC. Já para a segunda data de semeadura, do dia 05 de
julho ao dia 17 de julho, respectivo à semeadura e emergência, as temperaturas máximas foi
de 29 ºC e a mínima de 5,4 ºC
Em relação as temperaturas máximas e mínimas do ciclo da cultura da primeira data
de semeadura para o período vegetativo, do estádio fenológico do início perfilhamento até o
início de espigamento, as temperaturas foram 29,7 ºC e 4,4 ºC respectivamente, sendo que o
registro da temperatura máxima se deu no dia 15 de agosto, coincidindo com o início do
espigamento, e a mínima foi no dia 18 de julho, que coincide com o início da elongação do
colmo. Enquanto para o período reprodutivo, sendo do início do espigamento até a maturação
fisiológica, as temperaturas foram de 30,4 ºC e 2,7 ºC, temperatura máxima foi obtida no dia
25 de agosto, que confere ao estádio de floração, já para a temperatura mínima obtida no final
do estádio de espigamento no dia 20 de agosto.
Para a segunda data de semeadura as temperaturas máximas e mínimas,
compreendendo os mesmos estádios fenológicos citados acima para o período vegetativo,
foram de 30,4 ºC e 2,7 ºC respectivamente. Para o período reprodutivo, já citados
anteriormente as temperaturas máximas e mínimas foram 34,3 ºC e 6,8 ºC respectivamente,
A temperatura ideal para o desenvolvimento da cultura do trigo, vai corresponder
conforme o estádio fenológico da cultura, sendo que, na fase inicial da cultura do trigo é
favorável a ocorrência de temperaturas mais baixas sem a formação de geadas, de modo que,
favoreça o período vegetativo da planta, aumentando a quantidade de emissão de perfilho,
com isso, o sistema radicular é favorecido, todavia a planta terá mais recurso na busca de
nutrientes (SCHEEREN et al., 2000). Quanto aos estádios fenológicos, no perfilhamento as
temperaturas ideias ficam entre 15 a 20 ºC e para a formação de folhas a temperatura ideal
fica entre 20 a 25 ºC (SCHEEREN et al., 2000).
Tendo em vista que nos 2 ensaios não foram utilizados métodos de controles para
doenças, sendo um dos principais fatores que desencadearam uma baixa produtividade dos
genótipos da segunda data. As principais doenças observadas, foram brusone (Pyricularia
grisea), oídio (Blumeria graminis f. sp. Tritici), ferrugem da folha (Puccinia triticina),
31

mancha marrom (Bipolaris sorokiniana), mancha Amarela (Pyrenophora tritici-repentis) e


giberela (Gibberella zeae).
A doença que teve maiores ocorrencia na segunda data de semeadura, foi a brusone,
com maior incidência a partir estádio de espigamento. Vale ressaltar que temperaturas
próximas a 28ºC e umidade elevada são fatores que proporcionam a produção de conídios do
fungo Pyricularia grisea, cuja doença é a brusone (ALVES; FERNADES. 2006)
O aumento de doenças na segunda data ocorreu desde os estádios fenológicos iniciais,
enquanto na primeira data de semeadura, a ocorrência de doenças foi de baixa ocorrencia no
início dos estádios fenológicos e teve um aumento gradual a partir do final do estádio de
elongação do colmo até o final do ciclo da cultura. O aumento das doenças na segunda data de
semeadura aconteceu devido ao fato de estar localizado ao lado da primeira data, onde já
ocorre a presença do inóculo das doenças. Segundo Kuhnem et al. (2022), a principal forma
de disseminação dos esporos dos fungos é através do vento.
Importante ressaltar, conforme o Manual de Identificação de Doenças da Cultura de
Trigo da Embrapa (2022), para que ocorram as doenças como mancha amarela e mancha
marrom, é necessário que aconteça um molhamento de 12 a 30 horas contínuas e temperaturas
entre 18 e 28 ºC. Já para as doenças como a ferrugem da folha, são necessárias apenas três
horas de molhamento e temperaturas entre 15 e 25ºC. Visto que, ocorreu uma alta ocorrencia
de doenças a partir da fase reprodutiva da segunda data de semeadura, devido apresentar
maiores precipitações e maiores temperaturas, que favoreceram os desenvolvimentos das
doenças.
32

Por meio das análises de variância, verificou-se que houve interação Genótipos x
Ambientes significativa, com a probabilidade de erro de 1% de significância realizado pelo
teste F, Tabela 2.

Tabela 2: Análise de variância para a produtividade de grãos (Kg ha-¹), para as variáveis
tratamentos, ambiente e tratamentos x ambientes em relação ao quadrado médio.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2023.

Dessa forma, o estudo indica que ocorreram mudança de comportamento significativas


com a mudança do ambiente entre os tratamentos(genótipos) para a variável principal, a
produtividade de grãos. Possibilitando realizar o estudo da adaptabilidade e estabilidade.
Visto que, a média de produtividade de grãos do ambiente 1, semeado no dia 03 de junho de
2022 foi 3636 Kg ha-¹ e a do ambiente 2, com média de 2647 Kg ha-¹, semeado no dia 05 de
julho de 2022.
33

Tabela 3: Comparativo de média de produtividade de grãos (Kg ha-¹) da cultura do trigo,


referentes as datas de semeadura. ano safra 2022, realizado pelo teste de Tukey.
Produtividade de Grãos
Genótipos
1ª Época 2 Época
TBIO Calibre 4048,7 Aabcd 2372,0 Bcdef
TBIO Astro 2913,7 Aef 2063,7 Bdef
TBIO Trunfo 4310,7 Aabc 2649,0 Bbcde
TBIO Noble 2986,7 Aef 1616,3 Bf
TBIO Blanc 3049,7 Adef 1581,3 Bf
TBIO Ponteiro 3815,7 Aabcde 2845,7 Bbcd
ORS Senna 2788,3 Af 3315,3 Aabc
ORS Agile 3765,7 Aabcdef 3439,3 Aab
ORS MadrePerola 3400,0 Acdef 1768,7 Bef
ORS Guardião 4687,3 Aa 3884,0 Ba
BRS Reponte 4430,7 Aab 3045,7 Babcd
BRS TR271 3601,3 Abcdef 2768,0 Bbcde
BRS BelaJoia 3473,0 Abcdef 3070,3 Aabcd
Média seguidas pelas letras maiúscula na horizontal não diferem significativamente entre si, ao nivel de 5 % pelo
teste de Tukey; Média seguidas pelas mesmas letras minúsculas na vertical não diferem significativamente entre
sí, ao nivel de 5 % pelo teste de Tukey.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2023.

Quanto a comparação de médias entre as cultivares na primeira data de semeadura, o


genótipo que se destacou foi ORS Guardião, obtendo a maior média de produtividade de
grãos, sendo de 4687 Kg ha-¹, ainda assim, não diferindo significativamente dos genótipos
BRS Reponte, TBIO Trunfo. TBIO Calibre, TBIO Ponteiro e do genótipo ORS. Visto que, o
genótipo ORS Guardião obteve a maior média de produtividade, não diferindo
significativamente dos genótipos citados acima, mas apresentou diferença significativa dos
genótipos: TBIO Astro, TBIO Noble, TBIO Blanc, ORS Senna, ORS MadrePerola, BRS
TR271 e BRS BelaJoia, podendo ser observado na Tabela 3.
Ainda sobre a comparação de médias da primeira data de semeadura, o genótipo que
apresentou o pior desempenho de produtividade foi ORS Senna com média de 2788 Kg ha-¹,
contudo não houve diferença significativa dos genótipos: TBIO Astro, TBIO Noble, TBIO
Blanc, ORS MadrePerola, BRS BelaJoia, BRS TR271 e ORS Agile.
O genótipo ORS Agile apresentou-se comportamento intermediário na primeira data
de semeadura, não diferindo significativamente dos genótipos com maiores e menores médias
de produtividade.
Enquanto que na segunda data de semeadura, o genótipo ORS Guardião obteve a
maior média de produtividade, sendo de 3884 Kg ha-¹, contudo não diferiu significativamente
34

dos genótipos: ORS Agile, ORS Senna, do genótipo BRS BelaJoia e do genótipo BRS
Reponte.
Em relação as média de produtividade da segunda data, o genótipo TBIO Blanc obteve
menor média, sendo de 1581 Kg ha-¹ , não diferindo significativamente dos genótipos: TBIO
Noble, ORS MadrePerola, TBIO Astro e TBIO Calibre. Os genótipos TBIO Blanc e TBIO
Noble, tiveram os menores desempenhos quanto a média de produtividade, mas não diferindo
significativamente dos genótipos citados acima, embora apresentaram diferença significativa
do restante dos genótipos.
Os genótipos ORS Senna, ORS Agile e BRS BelaJoia não apresentaram diferença
significativa entre as datas de semeadura. Já os genótipos TBIO Calibre, TBIO Astro, TBIO
Trunfo, TBIO Noble, TBIO Blanc, TBIO Ponteiro, ORS MadrePerola, ORS Guardião, BRS
Reponte e BRS 271 diferiram significativamente entre as duas datas. Ressaltando que, dos
genótipos que tiveram diferenças significativas entre as datas, o genótipo TBIO Blanc
apresentou a redução da média de produtividade mais acentuada, cerca de 48,2 %. Essa
redução de produtividade pode ser explicada, pelo genótipo ser moderadamente suscetível a
oídio (Blumeria graminis f. sp. Tritici), apresentando uma alta ocorrência desta doença desde
os primeiros estádios fenológicos (BIOTRIGO, 2018).
Dentre as doenças que ocorreram durante o experimento, a primeira ocorrida na
cultura do trigo foi observada o oídio, podendo ser facilmente identificado a campo. Na
segunda data de semeadura, foi observada esta doença no início do desenvolvimento da
cultura. Quanto às perdas ocasionadas pelo oídio, ocasionando uma redução significativa da
produtividade de grãos, podendo ser de 10 a 60%. Quando as doenças se desenvolvem nos
primeiros estádios fenológicos acontece a redução na quantidade de espigas por metro.
Porém, quando as doenças acometem a planta mais tardiamente, vê-se a redução do número
de grãos por espinha e o peso dos grãos (COSTAMILAN, 2019).
No entanto, para os genótipos que não tiveram diferença significativa entre as datas de
semeadura, o genótipo ORS Agile apresentou a redução menos acentuada de produtividade de
8,7%. O único genótipo que teve incremento na produtividade de grãos da segunda data de
semeadura em relação a primeira data, foi o genótipo ORS Senna, que contabilizou um
aumento de produtividade de grãos de 18,9 %, mas não diferiu significativamente dos
genótipos citando anteriormente.
35

Podemos observar, na Tabela 4, que ocorreu um encurtamento do ciclo em todos os


genótipos quando semeados ao final do zoneamento agrícola, sendo na segunda data de
semeadura.

Tabela 4: Médias de dias após a emergência (DAE), respectivo aos genótipos da 1ª e 2ª data
de semeadura, na cultura do trigo, no ano safra 2022.
Dias Após a Emergência - DAE
(1)
Genótipo Emergência Perfilhamento Alongamento Emborrachamento Espigamento Florescimento Maturação
1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª
TBIO Calibre 09/06 16/07 17 13 36 39 51 52 58 57 63 64 117 101
TBIO Astro 10/06 17/07 15 12 35 33 51 55 57 62 65 67 113 102
TBIO Trunfo 09/06 17/07 18 12 39 35 59 57 66 63 71 69 122 110
TBIO Noble 10/06 16/07 16 13 37 32 49 52 71 59 75 62 124 109
TBIO Blanc 10/06 18/07 16 10 36 36 67 62 76 69 81 78 123 110
TBIO Ponteiro 10/06 18/07 16 12 45 32 69 50 78 56 83 60 139 112
ORS Senna 08/06 16/07 18 14 35 33 47 56 54 62 60 67 109 101
ORS Agile 11/06 17/07 16 11 35 36 58 58 65 65 72 70 117 110
ORS MadrePerola 08/06 17/07 17 12 40 35 66 56 77 62 81 68 123 108
ORS Guardião 08/06 17/07 19 11 36 36 50 58 58 63 63 70 118 112
BRS Reponte 10/06 17/07 17 12 35 40 58 62 65 67 70 75 124 114
BRS TR271 09/06 17/07 17 13 39 39 58 51 68 57 73 64 125 112
BRS BelaJoia 10/06 16/07 16 13 46 36 70 59 78 65 85 71 135 118
DAE Média - - 17 12 38 35 58 56 67 62 72 68 122 109
1º: Primeira época de semeadura; 2º Segunda época de semeadura; DAE: Dias após a emergência; (1): Datas em que ocorreu a emergência da cultura do trigo.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2023.

O genótipo ORS Senna, no experimento apresentou 109 DAE até a maturação


fisiológica, enquanto na segunda data de semeadura apresentou 101 DAE, Já o genótipo que
apresentou maior ciclo, foi o genótipo TBIO Ponteiro, com 139 DAE na primeira data de
semeadura, e 112 dias na segunda data de semeadura. As médias dos DAE da primeira data de
semeadura foi de 122 até a maturação fisiológica, enquanto para a segunda data de semeadura
foi de 109 DAE.
O comportamento de redução do ciclo dos genótipos, estão relacionados com as
temperaturas e o efeito da radiação solar, visto que, quando semeados ao final do zoneamento
agrícola, ocorreu uma redução nos DAE até a maturidade fisiológica. Ao atrasar a data de
semeadura na cultura do trigo, as plantas sofrem um encurtamento do ciclo, devido plantas
crescer e desenvolver em temperaturas mais altas, ocorrendo um encurtamento no ciclo nos
períodos de pré e pós-antese (POZO, 1988).
36

Na tabela 5, pode-se observar as estimativas de adaptabilidade e estabilidade pela


metodologia de Lins e Binns (1988), modificada por Carneiro (1998).

Tabela 5: Média da produtividade de grãos, em Kg ha-¹, quanto à adaptabilidade geral (Pi


Geral), adaptabilidade a ambientes favoráveis (Pi(+)) e adaptabilidade a ambientes
desfavoráveis (Pi (-)).
Genótipo Média Pi Geral Genótipo Pi (+) Genótipo Pi (-)
ORS Guardião 4285,7 0,0 ORS Guardião 0,0 ORS Guardião 0,0
BRS Reponte 3738,2 192170,1 BRS Reponte 32938,9 ORS Agile 98864,2
ORS Agile 3602,5 261799,5 TBIO Trunfo 70938,9 ORS Senna 161690,9
TBIO Trunfo 3479,8 416775,7 TBIO Calibre 203947,6 BRS BelaJoia 331026,7
TBIO Ponteiro 3330,7 459484,7 TBIO Ponteiro 379901,4 BRS Reponte 351401,4
BRS BelaJoia 3271,7 534164,7 ORS Agile 424734,7 TBIO Ponteiro 539068,1
BRS TR271 3184,7 606213,0 BRS TR271 589698,0 BRS TR271 622728,0
TBIO Calibre 3210,3 673509,8 BRS BelaJoia 737302,7 TBIO Trunfo 762612,5
ORS Senna 3051,8 982395,7 ORS MadrePerola 828613,6 TBIO Calibre 1143072,0
ORS MadrePerola 2584,3 1532965,6 TBIO Blanc 1340976,1 TBIO Astro 1656806,7
TBIO Astro 2488,7 1614876,7 TBIO Noble 1446133,6 ORS MadrePerola 2237317,6
TBIO Blanc 2315,5 1996056,5 TBIO Astro 1572946,7 TBIO Noble 2571156,1
TBIO Noble 2301,5 2008644,8 ORS Senna 1803100,5 TBIO Blanc 2651136,9
Média Ambiente 1 3636,2
Média Ambiente 2 2647,6
Fonte: Elaborada pelo autor, 2023.

Observa-se, na decomposição do Pi, o genótipo ORS Guardião, BRS Reponte e ORS


Agile foram os genótipos que tiveram os menores valores de Pi Geral, e foram os que
apresentaram as maiores médias de produtividade respectivamente, mostrando que possuem
maior adaptabilidade e estabilidade geral, perante os outros genótipos estudados neste
experimento.
Conforme o estudo de Franceschi et al. (2010) relata que os genótipos com maiores
índices de produtividade médias, apresentaram os menores valores de Pi, tendo assim, uma
maior adaptabilidade e estabilidade geral. Para mais, Biudes et al. (2009), salienta que a
metodologia de Lins e Binns (1988) modificada por Carneiro (1998), foi eficaz na em
recomendar os genótipos mais estáveis, os mesmo que apresentaram os maiores rendimentos
de grãos na cultura do trigo.
Observa-se que, pela decomposição do estimador Pi, o ambiente 1 é definido como
ambiente favorável (Pi (+)) por apresentar maior médias de produtividades de grãos (3636 Kg
ha-¹); enquanto para o ambiente 2, devido à menor média produtividade de grãos (2647 Kg
ha-¹), sendo classificado como ambiente desfavorável (Pi (-)). Visto que, para a avaliação é
37

realizado uma comparação em relação ao desempenho máximo do genótipo em cada


ambiente, e comparado com a média de produtividade, o que possuir o menor parâmetro de
Pi, possuiu a maior adaptabilidade quanto ao ambiente.
No estudo realizado por Cargnin et al. (2005) caracterizou em seu estudo, que a
produtividade de grãos é uma das características(variável) mais relevantes para programas de
melhoramento, também comenta, que é imprescindível que ocorra interação Genótipo x
Ambiente em programas de melhoramento genético, para ocorrer a possibilidade de
realização do estudo da adaptabilidade e estabilidade, por sua vez, conseguir realizar uma
recomendação dos melhores genótipos por ambiente.
Ainda pelo método de Lin e Binns (1988) com a decomposição do Pi realizada por
Carneiro (1998), os genótipos TBIO Noble, TBIO Blanc e TBIO Astro, destacaram-se com os
maiores valores de Pi Geral, em relação à média de produtividade foram os que tiveram
menores desempenhos gerais, possuindo assim uma menor adaptabilidade e estabilidade
geral. Quando observamos o ambiente desfavorável, sendo a segunda data de semeadura, os
genótipos ORS Senna e ORS Agile merecem destaque por apresentar responsividade ao
ambiente desfavorável, contudo, não se destacaram no ambiente favorável, principalmente o
genótipo ORS Senna que ocupou a última posição em produtividade de grãos.
Os genótipos que se destacaram em ambientes favoráveis foram ORS Guardião, BRS
Reponte e TBIO Trunfo, com os menores valores de Pi, destacaram-se na primeira data de
semeadura, realizada mais precocemente. Enquanto para o ambiente desfavorável os
genótipos que se destacaram foram ORS Guardião, ORS Agile e ORS Senna, devido aos
menores valores do estimador Pi, destacaram-se quando semeadas mais próximo ao final do
zoneamento agrícola. O genótipo ORS Guardião merece destaque quanto a recomendação do
genótipos, visto que, se destacou tanto no ambiente favorável quanto no ambiente
desfavorável, e apresentou-se com as maiores médias de produtividade de grãos maior que os
demais genótipos estudados, para ambas as datas.
Podemos observar que o genótipo ORS Senna, apresentou uma interação complexa,
devido ser o único genótipo que ocorrer a inversão da classificação de produtividade de grãos,
visto que, os demais genótipos estudados presentaram uma interação simples, devido todas as
médias de produtividades reduzirem na segunda data de semeadura, que dificulta
recomendação deste genótipo. Quando ocorre a interação complexa, tem a necessidade de
realizar outras avaliações em mais ambientes, devido a falta de correlações (CARVALHO et
al., 2002). No estudo realizado na cultura da soja, por Barros et al. (2008), avaliando 30
genótipos em diferentes datas de semeadura, constatou que a interação simples foi a que
38

predominância, embora ocorreu interação complexas, explica que, devido a ocorrência dessas
interações a recomendação não devem ser uniformes para todos os genótipos.
Observando o ambiente desfavorável, constatou-se que ORS MadrePerola, TBIO
Noble e TBIO Blanc, corresponderam com os maiores níveis de estimador Pi, sendo assim,
foram os genótipos que responderam negativamente a segunda data de semeadura, tornando-
os, com menor adaptabilidade e estabilidade para ambientes desfavoráveis.
Ainda, quando consideramos as médias dos ambientes favoráveis e desfavoráveis, o
genótipo BRS TR271 e TBIO Ponteiro, apresentaram comportamentos de produtividade de
grãos próximos as médias dos respectivos ambientes, em destaque o genótipo BRS TR271
que não houve mudança na classificação quanto aos ambientes, mostrando um
comportamento previsível em função dos estímulos ambientais, sendo uma cultivar estável.
39

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

De modo geral, os genótipos tiveram comportamentos distintos entre a interação


Genótipo x Ambiente, possibilitando realizar o estudo da adaptabilidade e estabilidade com
sucesso. Com a metodologia de Lins e Binns (1988) modificado por Carneiro (1989), pode-se
observar a separação dos ambientes, sendo que, a primeira data de semeadura classificada
como melhor ambiente(favorável) devido as médias maiores de produtividade dos genótipos,
facilitando os estudos das variáveis e interpretação dos resultados e a segunda data como
ambiente desfavorável.
O genótipo ORS Guardião destacou-se quando a melhor adaptabilidade e estabilidade
geral, e também como melhor genótipo nos dois ambientes, para as condições do estudo do
ano safra 2022. Os genótipos BRS reponte e TBIO Trunfo, se destacaram quando semeadas
no início do zoneamento agrícola (ambiente favorável), já os genótipos ORS Agile e ORS
Senna se destacaram na segunda data de semeadura, sendo que a semeadura foi realizada ao
final do zoneamento agrícola e classificado como ambientes desfavorável devido as menores
médias gerais.
Ainda importante destacar, que houve reduções significativas de produtividade da
entre as datas de semeadura, visto que, ocorreu um aumento na ocorrência de doenças na
segunda data de semeadura em relação a primeira, comprometendo os componentes de
produtividade da cultura do trigo e assim resultando em uma queda na produção de grãos.
40

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