Indice
Introdução....................................................................................................................................2
Objective do trabalho...................................................................................................................2
Objetivo Geral..............................................................................................................................2
Objetivos Específicos...................................................................................................................2
Metodologia.................................................................................................................................2
Ritos de iniciação masculino no povo yao (unhago)................................................................3
Ritos de iniciação.....................................................................................................................3
O povo Yao (wayao) e sua gênese no Niassa...........................................................................3
Descrição dos ritos de iniciação (unhago) praticados pelo povo Yao......................................3
Ritos de iniciação para rapazes-djando....................................................................................4
Período de submissão das crianças no Unhago........................................................................4
Papel dos pais na submissão das crianças no Unhago..............................................................4
Momento de ritual de iniciação................................................................................................5
Importância da prática dos ritos de iniciação para a sociedade Yao........................................7
Impacto da cultura do yao na educação formal........................................................................7
Preservação e os Desafios Atuais dos Ritos de Iniciação Masculina no Povo Yao.................8
Desafios na Preservação dos Ritos de Iniciação Masculina.....................................................8
Influências da Globalização e Urbanização.............................................................................8
Mudanças Religiosas e Pressões Externas...............................................................................9
Questões Éticas e Legais..........................................................................................................9
Perda de Conhecimento Tradicional........................................................................................9
Conclusão...............................................................................................................................11
Referências bibliográficas......................................................................................................12
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Introdução
Este trabalho vai abordar sobre os ritos de iniciação masculino segundo as ideias de (Boudon,
1990:272), os ritos de iniciação são conjunto dos actos repetitivos e codificados, muitas vezes
solenes, de ordem verbal, gestual e postural de forte carga simbólica, fundado na crença na
actuante de seres ou de poderes sagrados, com os quais o homem tenta comunicar em ordem a
obter um efeito determinado. O mesmo autor sugere dois aspectos analíticos sob os quais devem
ser vistos e analisados nos ritos: a construção e afirmação das funções sociais dos indivíduos que
eles participam; e a segunda análise refere-se a organização na qual se assenta a prática de ritos.
Durante os estudos constatei que os ritos de iniciação que pelo que ensinam e pelo modo como
são transmitidas as aprendizagens, as crianças do sexo feminino e do sexo masculino aprendem a
distinguirem-se e a adoptar práticas que lhes condicionam o acesso a direitos. Ou seja, os ritos de
iniciação têm uma primeira função que é de formar identidades, de nos dizer o que está certo e
errado no nosso comportamento. Neste sentido, os ritos são apresentados como verdades que não
podemos questionar sob pena de estarmos a violar “a nossa cultura”.
Objective do trabalho
Objetivo Geral
Analisar os ritos de iniciacao no povo yao
Objetivos Específicos
Descrever como praticados os ritos de iniciação masculino pelo povo Yao.
Explicar a importância da prática dos ritos de iniciação para a sociedade Yao
Identificar os aspectos positivos e negativos verificados ao se praticar os ritos de iniciação
Metodologia
A metodologia utilizada para a elaboração deste trabalho foi a pesquisa bibliográfica.
Uso de outras fontes como a internet e livros. Quanto a estrutura, apresenta: elementos pré
textuais, textuais e pós-textuais.
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Ritos de iniciação masculino no povo yao (unhago)
Ritos de iniciação
Segundo Silva (2000) ritos de iniciação são rituais que celebram a passagem de um indíviduo
para a maturidade jurídica, para a fraternidade ou sociedade reservada. Rodolpho (2002)
comunga da mesma ideia de Silva, para este autor os ritos de iniciação são aqueles que marcam a
transição de um status social para outro.
O povo Yao (wayao) e sua gênese no Niassa
Para compreendermos o povo Yao temos de fazer uma descrição histórica. Segundo Pascuali
(2013), O WaYao, ou Yao, é um dos principais grupos étnicos e linguísticos no Sul do Lago
Niassa, que desempenhou um papel importante na história da África Oriental durante os anos de
1800.
Os Yaos são predominantemente um povo que professa a fé do Islamismo, constituído por cerca
de 2 milhões, espalhados por três países, Malawi, Moçambique e Tanzânia e são um dos grupos
mais pobres do mundo. O povo Yao tem uma forte identidade cultural, que transcende as
fronteiras nacionais (PascualI, 2013).
Segundo a autora, a tradição que o povo yao possui, tem sua origem no monte Muembe ao norte
de Moçambique, na Província do Niassa, precisamente no Distrito de Muembe, mas o grande
Régulo Mataka tem sua residência no vizinho Distrito de Mavago, limite com a Tanzânia.
Descrição dos ritos de iniciação (unhago) praticados pelo povo Yao
A iniciação tradicional africana é essencialmente um rito de passagem cuja intenção fundamental
é transformar um membro de uma dada comunidade. Assim ele vai assumir o modo de ser e viver
dessa comunidade (Gwe3mbe, 2004:16).
O Djando e o Nsondo são os ritos que são mais praticados na Província do Niassa, estes são
característicos nas tribos influenciados pela religião muçulmana.
O Djando é o rito praticado nos rapazes o qual consiste na operação cirúrgica do prepúcio,
removendoo da glande do pénis.
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Ao contrário do Nsondo é praticado para às meninas que consiste na preparação da abertura
vaginal da menina, introduzindo ovo de pombo no órgão sexual, incitando a menina fazer
movimentos como se tivesse introduzido órgão sexual masculino. Assim depois de algumas
semanas de preparação algures numa casa da aldeia, a rapariga é reconhecida como ser humano
completo.
Na cultura yao é praticado Djando, nos homens e Nsondo nas mulheres os quais recebem o nome
de Unhago que é a junção dos dois rituais. Em ambos se ensina o valor da vida; o respeito; a
sexualidade; temperança; o amor, o namoro e o casamento; a responsabilidade; o valor de
trabalho; o valor do sofrimento; a coragem; ser social, amor e amizade; os antepassados e a
morte, apesar dos momentos actuais assumir outras realidades.
Ritos de iniciação para rapazes-djando
Os ritos de iniciação masculina ocorrem normalmente durante os meses de inverno (julho, agosto,
setembro), quando não é necessário muito esforço nos campos, quando as famílias ainda têm
estoques de alimentos no celeiro e dinheiro ganhado com a colheita; os ritos de facto requerem
uma grande quantidade de dinheiro, tanto para pagar os especialistas dos rituais quanto para
pagar as festas e cerimônias ligadas aos mesmos. Por esta razão, normalmente se realiza o rito
quando se consegue reunir na aldeia, pelo menos dez crianças entre oito e doze anos de idade, e
todos os membros das famílias dos iniciados contribuem para os custos.
“… a idade dos varões destinados de cada vez á Lupanda, oscila entre os 7 e
os 8 anos devido a influencia islâmica, quando se realizava exclusivamente
com observância dos preceitos tradicionais, a idade dos iniciados oscilava
entre os 15 e os 17 anos. A << Unhago wa msondo>> processa-se entre os 8
e os 10 anos….”, AMARAL (1990: 333).
Período de submissão das crianças no Unhago
No quadro da articulação triádica entre o Estado, a sociedade e cultura, foram criadas formas
de organização comunitária a nível da comunidade e da província geral, para além de resgatar a
figura do líder comunitário (régulos) que não se fez sentir a partir de 1975 a pôs a independência
até em 1994 ano de referência política (realização das primeiras eleições presidenciais e
legislativas e de inicio de revisão de varias leis) para que sirva de plataforma entre a comunidade
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e o Governo na identificação dos problemas e as respectivas soluções dentro dos desafios do
plano Estratégico de Educação e Cultura. Esta articulação tem em vista a ultrapassar um grande
paradigma que vem criando uma contradição entre os calendários lectivos de aulas e de
submissão de crianças no Unhago. Para os Yaos, defendem os meses de Maio, Junho e Julho por
se tratar período de colheita favorável a um divertimento sem falta de quase nada de comer e
propicio para festas de confraternização entre famílias da comunidade e de outras.
“… normalmente em Maio, Junho ou Julho, isto é, na época seca, procedem os wayos á Unyago
wa lupanda. Pode, entretanto, realiza-se a cerimónia em qualquer outro mês, mas com carácter de
excepção. A escolha de qualquer mês, mesmo os de maior calor e humidade, é de excepção e
recente, e só admitido em virtude da maior assepsia 32 usada pelo cirurgião e ao facto de uso de
drogas que impedem a infecção”, AMARAL (1990: 340),
Papel dos pais na submissão das crianças no Unhago
Os pais e ou encarregados de educação esperam a convocação dos ritos de iniciação em que os
seus filhos serão confirmados homens, onde terão a instrução que serão incutidos de atitudes que
servirão para a sua formação pessoal ao longo da vida. O lugar escolhido para a iniciação tem
sido isolamento da comunidade para evitar contato com as pessoas, com exceção das ligadas aos
ritos. Ali, os pais com filhos a iniciar constroem palhotas de capim, para acolher os iniciados.
Segundo Wegher (1995), o lugar é constituído por uma palhota comprida do tipo retangular, sem
subdivisões, onde são colocados e circuncidados todos os iniciados. Circundam a palhota
principal as palhotas dos padrinhos e as dos mestres encarregados de todos os serviços da
iniciação. Dentro do recinto é reservada uma área de determinado raio que em seguida é vedada
pelo poder mágico contra feiticeiros que queiram se aproveitar do momento para semear o seu
terror.
O Djando começa quando os pais com filhos de idade para o efeito se reúnem entre si, examinam
as condições da presença de iniciados, e no encerramento, cabe ao régulo, convocar os mestres
que fazem as cerimônias - os Ngaliba e Nakanga, tornando o processo legítimo.
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Momento de ritual de iniciação
Momentos seguintes, no dia prévio à entrada ao ritual, convive-se entre mestres, meninos à
iniciação, familiares convidados e amigos, ao som do batuque, ao redor de uma lareira os
iniciados vão cantando e dançando, despedindo aos parentes e amigos
Amide (2008), na sua obra, descreve o seguinte: “esta é a chamada dança vespertina, que entre os
ayaawoé conhecida como Manganje. Ao amanhecer, anuncia-se que é chegado o dia de entrada
aos ritos e, em seguida, os candidatos são levados ao local preparado para o decurso do processo.
Mas antes de seguirem, para coroar de êxito o processo, os pais que assim acharem conveniente
fazem limpeza e súplicas nos túmulos dos seus entes queridos e em seguida fazem uma cerimônia
de chá. Por sua vez, o régulo põe farinha nos iniciados antes de seguirem à sessão de dança de
despedida, como forma de desejar sucessos a cada um.
Tal como explicaram os mestres da iniciação, depois da sessão de despedida, o padrinho da
cerimônia faz o mesmo com todos os convocados, como forma de desejar boas-vindas à
iniciação. Geralmente o processo começa em casa quando os pais do candidato à iniciação o
concentram e mostram a importância de participar dos ritos de iniciação. Também lhe antecipam
a atitude que deve tomar durante o processo, informando-lhe a consideração que deve ter com os
seus mestres e a submissão devida às orientações deles”.
O corte do prepúcio marca o fim do processo pré-liminar e abre espaço à fase liminar,
caracterizada por vários aspectos de preparação para a vida pessoal e comunitária. Cabe os
mestres incutir nos rapazes atitudes, conhecimentos e virtudes que caracterizam o seu meio
social. Para esse efeito, eles imitam, recitam, enumeram os códigos, princípios, signos e
interpretam a linguagem secreta. Os iniciados ficam numa nudez até prestes a cicatrização da
ferida.
Como descreveu Wegher (1995), durante o processo de instrução, toda falha é punida e nada de
incorreto é perdoado. Os iniciados são ensinados à resistência, à obediência, à virilidade, à
paciência, à submissão e educação, sendo ainda instruídos sobre as tradições, instituições e ritos
sagrados da tribo, para melhor assumirem o seu papel na vida adulta.
O fim do processo de isolamento do iniciado com a comunidade é ditado principalmente pela
cicatrização de todos os circuncidados.
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As canções, danças, os mitos, os provérbios e ditados populares são os meios usados para a
transmissão dos saberes populares por vezes, para encobrir os choros dos iniciados quando são
castigados. É a partir deles que são transmitidos os conselhos, histórias, virtudes da vida, valores
morais, princípios éticos e tudo aquilo que se relaciona com o ser e estar na sociedade.
A norma é de que o iniciado depois de sua saída no djando tem de seguir as orientações
alcançadas do djando. Portanto, de regresso ao convívio familiar em algumas famílias o iniciado
toma outro nome, uma das orientações no djando.
Uma das matérias da iniciação é o respeito e consideração. Após o regresso à casa, não devem
dormir no mesmo quarto com suas irmãs. Para além de que de princípio não deviam dormir na
mesma casa com os seus pais, são orientados para construir as suas cabanas, onde podem receber
livremente as suas visitas e amigos. Este é o princípio de autonomia e Liberdade
Aspectos positivos verificados ao se praticar os ritos de iniciação
A circuncisão, devido a higiene pessoal que evita possíveis doenças de transmição sexual;
Integração social e formação da pessoalidade do indivíduo;
Educação cívica moral (respeito aos mais velhos, aos lugares sagrados, aos mortos);
Educação sexual e matrimonial.
Aspectos negativos decorrentes dos ritos de iniciação
Maturidade precoce
Tal com citado anteriormente, quando se falava da descrição dos ritos de iniciação, os ritos de
iniciação são efectuados na fase da puberdade, em idades compreendidas entre os oito e doze
anos de idade para o povo Yao, e nesta idade eles são ensinados a serem maduros, assumindo
assim, papéis de adultos abandonado as práticas infantis
Violação psicológicos:
Psicologicamente os iniciados são violados na medida que os assaltantes mascarados lançam
gritos tenebrosos para assustar os garotos. Quando um dos iniciados morre, ninguém comunica a
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família até que saíam das cabanas. Carrilha e Mondlane (1990:95-99), disse que todos os
iniciados devem aceitar os mitos e tabus. Se por ventura, alguém rejeitar isto é penalizado e
chicoteado. Em caso da fuga de informação de sofrimento, os iniciados são amedrontados à
morte de um dos parentes mais importante da família (mãe, pai, irmão, tio...).
Importância da prática dos ritos de iniciação para a sociedade Yao
Nos ritos de iniciação, de modo geral, ensinam o Valor da vida; o respeito; a sexualidade;
temperança; o amor, o namoro e o casamento; a responsabilidade; o valor de trabalho; o valor do
sofrimento; a coragem; ser social, amor e amizade; os antepassados e a morte.
É interessante notar o que diz o autor a que estamos fazendo menção. Isso só para reforçar a
posição de que os ritos, em geral, e de iniciação, em particular, fazem parte dos mais diversos
processos de educação. Em suas palavras, ele refere que:
Uma cerimônia existente num grande número de sociedades, põe em evidência este traço
distintivo de educação humana, e mostra-nos mesmo que o homem teve dela, desde logo, o
sentimento.
Uma vez submetido a ela, o indivíduo tomava o seu lugar na sociedade; deixava a companhia das
mulheres, no meio das quais tinha passado a infância; tinha, então, lugar indicado entre os
guerreiros; ao mesmo tempo tomava consciência do seu sexo, de que passava a ter todos os
direitos e deveres. Tornava-se homem e cidadão” citado por (Durkheim, 1965).
Um individuo, que passou pelo rito de iniciação, este torna-se adulto perante a sociedade,
podendo particicpar em todas as reuniões e cerimónias da comunidade;
Uma das importâncias mais relevantes desta prática é a circuncisão, que consiste na
remocao do prepúcio, e este corte vai reduzir o risco de contrair o HIV-SIDA durante os
actos sexuais desprotegidas;
Impacto da cultura do yao na educação formal
No que diz respeito a educação formal, Amimo (2018), na entrevista cedida pelo Diretor
Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano da Província do Niassa, entende que a nível
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da província teve uma prevalência de 58% de analfabetismo, cujo maior índice incide nas
mulheres, nas zonas rurais.
Na óptica do pesquisador (Amimo, 2018), pela experiência vivida, a fraca escolaridade se
origina pelo enraizamento da cultura yao através dos fenômenos de ritos de iniciação e
casamentos prematuros, associados ao nomadismo da população no período chuvoso, onde
emigram para o cultivo no campo, nas atividades de agricultura familiar.
Na saída da iniciação, há grande festa na aldeia. O segundo momento é a escola alcorão, onde
o Mwalimo ensina os fundamentos do livro sagrado, o Alcorão. É a escola mais concorrida
quando os meninos saem dos ritos de iniciação, já as meninas ficam mais aos cuidados das mães,
preparando-as para futuras esposas e mães. No terceiro e último momento é a escola, o povo yao
considera a escola como um acessório dispensável.
A autora entende que quem insiste na frequência à escola tem sido o Governo, a Igreja e as
organizações não-governamentais.
Nestas prováveis descrições, nos bairros periféricos da cidade de Lichinga e nos distritos
limítrofes, praticam sem limites os ritos de iniciação, lesando muitas vezes a educação formal.
Em alguns momentos, povo só adere a educação com a intervenção dos Régulos. Partindo dos
pressupostos apresentados no que toca a pedagogia, atualmente, os ritos de iniciação são
momentos de grande festa, onde famílias seduzem filhos com idade ainda menores para entrar no
Djando.
Os ritos em muitos casos entram em choque com o período letivo, prejudicando a vida escolar
das crianças. Percebe-se que só neste período a população tem cereais para suportar as despesas.
Por isso, a população realiza os ritos no tempo de colheita, período em que as atividades do
campo entram em repouso.
Preservação e os Desafios Atuais dos Ritos de Iniciação Masculina no Povo Yao
Os ritos de iniciação masculina no povo Yao constituem práticas culturais fundamentais que
transcendem a simples passagem da infância para a vida adulta. Eles não são apenas cerimônias
simbólicas, mas processos educativos e sociais que transmitem valores éticos, normas
comunitárias, habilidades práticas e espiritualidade. A iniciação masculina representa, portanto,
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um instrumento de coesão social e preservação cultural, permitindo que o jovem compreenda seu
papel na família e na comunidade, consolidando sua identidade enquanto homem Yao.
De acordo com Turner (1969), os ritos de passagem, como os de iniciação masculina, “marcam a
transição do indivíduo entre estados sociais e garantem a continuidade dos padrões culturais”.
Isso evidencia que, para o povo Yao, esses ritos não são apenas rituais religiosos, mas um sistema
complexo de educação e integração social, crucial para a transmissão de conhecimento entre
gerações.
Desafios na Preservação dos Ritos de Iniciação Masculina
Apesar de sua relevância histórica e social, os ritos de iniciação masculina enfrentam diversos
desafios na contemporaneidade, decorrentes de mudanças culturais, sociais e econômicas:
Influências da Globalização e Urbanização
A globalização trouxe novos valores e estilos de vida, especialmente entre os jovens que migram
para cidades em busca de educação e emprego. Isso tem levado muitos a questionar a relevância
dos ritos tradicionais, vendo-os como arcaicos ou desnecessários, o que enfraquece a transmissão
cultural.
Mudanças Religiosas e Pressões Externas
A expansão de religiões organizadas, como o cristianismo e o islamismo, tem provocado
adaptações nos ritos de iniciação. Certas práticas consideradas incompatíveis com crenças
religiosas modernas foram abandonadas ou modificadas, o que pode comprometer a integridade
cultural do rito.
Questões Éticas e Legais
Elementos dos ritos, como provas físicas rigorosas ou isolamento prolongado, têm sido alvo de
críticas sob a ótica de direitos humanos e proteção de menores. A necessidade de adaptação às
normas legais contemporâneas apresenta um dilema: como preservar a tradição sem violar
direitos fundamentais?
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Perda de Conhecimento Tradicional
Com a urbanização e a migração de anciãos para áreas menos acessíveis, o conhecimento oral
tradicional, que é principal forma de transmissão dos ritos, corre o risco de desaparecer. Sem
documentação adequada, práticas centenárias podem ser esquecidas ou reinterpretadas de forma
inadequada.
Necessidade de Adaptação e Continuidade
Para garantir a preservação, é crucial adaptar os ritos às necessidades contemporâneas, sem
perder seu valor educativo e simbólico. Essa adaptação deve envolver a comunidade, líderes
tradicionais e organizações externas que apoiem programas culturais e de saúde, garantindo que
os jovens recebam educação ética, moral e cultural de forma segura.
Perspectivas de Preservação
A preservação dos ritos de iniciação masculina exige uma abordagem equilibrada, que combine
tradição e modernidade. Algumas estratégias incluem:
Documentação e Pesquisa Acadêmica: Gravar relatos orais, fotografias e vídeos dos
rituais para estudos etnográficos.
Educação Intercultural: Introduzir conteúdos sobre os ritos nas escolas e espaços
comunitários, promovendo o conhecimento entre gerações mais jovens.
Diálogo Comunitário: Envolver anciãos, líderes e jovens na reflexão sobre como manter a
essência cultural enquanto se adaptam às mudanças contemporâneas.
Intervenção Responsável de ONGs: Apoio em saúde, educação e direitos humanos, sem
desrespeitar os princípios culturais do povo Yao.
Como observa Pemba (2015) em sua pesquisa sobre os ritos de iniciação Yao, “há necessidade de
preservar a condução dos ritos de iniciação masculina dos Yao e a necessidade de mais
intervenções de ONGs sobre a condução desses ritos” (Pemba, EAT, 2015). Essa citação reforça
que é possível integrar práticas de saúde e educação sem comprometer o valor simbólico e
cultural da iniciação.
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Conclusão
Conclui se que os ritos de iniciação marcam a passagem de um status social para outro, os ritos
de iniciação podem ser entendidas como morte e renascimento mas de uma forma simbólica, pois
a criança que está sendo iniciada “morre” e “renasce” uma pessoa adulta.
Os ritos de iniciação masculina do povo Yao não são apenas cerimônias; são pontes entre
gerações, onde o passado se encontra com o presente e se prepara para o futuro. Cada ritual, cada
ensinamento e cada teste de coragem simbolizam a passagem de um menino para a maturidade,
moldando não apenas o corpo, mas sobretudo o caráter, a responsabilidade e a identidade
cultural.
Em tempos de globalização e mudanças rápidas, a preservação desses ritos torna-se ainda mais
significativa: eles são a memória viva de um povo que entende que ser homem é também
compreender seu lugar na comunidade e respeitar as raízes ancestrais. Mais do que tradição, são
lições de vida, reafirmando que cultura e identidade caminham lado a lado, e que o valor de um
homem, para os Yao, se mede tanto pelo respeito às suas origens quanto pela capacidade de
enfrentar os desafios do presente
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Referências bibliográficas
Amide, J. B. (2008). Wayao'we' no conhecido Niassa: os valores culturais e a globalização.
Maputo, Diname. ‘
Amimo, F. Niassa-vice campeã no índice de desistências escolares em Moçambique. Jornal
Txopela; 2018.
Boudon, Raymond et al. Dicionário de Sociologia. Tradução de António J. Pinto Ribeiro. Lisboa:
Publicações Dom Quixote, 1990.
Cipire, F. A.; A educação tradicional em Moçambique. Maputo: EMEDIL, 1996.
Durkheim, Émile. Educação e Sociologia. Tradução de Lourenço Filho. São Paulo:
Melhoramentos, 1965