Gêneros Jornalísticos: Guia Prático
Gêneros Jornalísticos: Guia Prático
OS GÊNEROS JORNALÍSTICOS
AS CHAVES DA INFORMAÇÃO PROFISSIONAL
Fotocomposição, montagem
e impressão : ISESCO
Rabat - Reino do Marrocos
SUMÁRIO
Préface
9
Introdução..................................................................................................
seis
Préface
À luz dos resultados da avaliação das atividades realizadas, desde 2005, por
A Organização Islâmica para a Educação, Ciências e Cultura (ISESCO)
visando o fortalecimento das capacidades profissionais e técnicas dos recursos
humanas nas áreas da informação e da comunicação, a ISESCO
dedicou-se a responder às necessidades dos países membros em matéria de formação
técnica e profissional de seus recursos humanos, a fim de lhes permitir
revelar de maneira eficaz e interativa, os desafios impostos pelo desenvolvimento
tecnologias da informação e da comunicação.
Partindo de suas responsabilidades como coordenadora da ação islâmica
comunica em suas áreas de competência, incluindo a de informação e de
comunicação; considerando a necessidade de produzir um documento de referência ao mesmo
ajudar na atualização da imprensa escrita, em geral, e dos gêneros jornalísticos
em particular; continuar seus esforços para apoiar as instituições de formação
e de aperfeiçoamento e as instituições de comunicação de massa nos países
membros, a fim de dotá-los das competências técnicas que lhes permitam formar
especialistas da imprensa escrita para acompanhar os desenvolvimentos que este
setor, a ISESCO elaborou este guia profissional dedicado aos gêneros jornalísticos,
e é em resposta a um pedido há muito expresso pelos jornalistas nos Estados
membros que beneficiaram de sessões de formação, organizadas pela ISESCO em
seus centros regionais de formação e produção audiovisual e multimídia em
Cartum, Damasco e Teerã.
Aelaboração e a publicação deste guia visam, em primeiro lugar, a preencher o déficit
não sofre nossa biblioteca midiática em termos de manuais profissionais que
visam a apresentar os aspectos práticos e as ferramentas do trabalho jornalístico, e a
dotar os profissionais de uma "cultura de prática jornalística".
Este guia contém duas [Link] apresenta uma visão geral
os gêneros jornalísticos, especificando o lugar de cada um desses gêneros na
sistema jornalístico e destacando suas características dominantes, suas
pontos de convergência e divergência, assim como as habilidades que requerem.
Esta primeira parte também apresenta os parâmetros que permitem perceber,
manière globale, o leque dos gêneros jornalísticos.
A segunda parte apresenta as características dos principais gêneros jornalísticos
assim como as regras que os regem. Ela também expõe "os critérios de
qualidade » às quais o jornalista pode se referir para avaliar as ferramentas utilizadas
no seu trabalho.
7
A ISESCO deseja saudar o esforço notável realizado pelo especialista Dr. Abdelouahhab
ERRAMI para a realização da presente obra, e forma a esperança de que os jornalistas
e os estudantes dos institutos de jornalismo nos Estados membros, assim como os
pesquisadores e profissionais da imprensa escrita se beneficiarão.
Que Allah guie nossos passos no caminho certo.
DrAbdulazizOthmanAltwaijri
Diretor geral de
a Organização Islâmica para a Educação
as Ciências e a Cultura
(ISESCO)
8
Introdução
Um jornalista não pode alegar profissionalismo se não dominar os gêneros
jornalísticas que constituem a base mesmo do seu trabalho diário.
Esses gêneros são os moldes onde a matéria jornalística é moldada de acordo com o que ela
seja puramente informativo ou portador de uma opinião. Os gêneros jornalísticos
imposição de suas regras específicas ao jornalista, ao mesmo tempo em que lhe oferecem as ferramentas
adequados que permitem tratar cada caso com a forma e a exigência técnica
necessários.
Os gêneros jornalísticos servem para orientar o produto midiático seja para uma
relação simples de fatos ou a revelação da verdade. Além disso, esses gêneros
especificam os métodos de trabalho, esclarecem as relações do jornalista com seus
fontes, determinam a maneira de evoluir no campo e referem-se aos modos
de tratamento, dando orientações sobre a natureza do discurso, as escolhas
estilísticas, a titulação, etc.
A abordagem (qualitativa e quantitativa) dos gêneros jornalísticos permite
determinar a linha editorial dos meios de comunicação, em razão da relação dialética entre esses
gêneros e as políticas editoriais. Assim, constatamos que a imprensa de informação
adota, geralmente, "os gêneros informativos" em uma grande proporção;
enquanto a imprensa de opinião adota principalmente "os gêneros de opinião".
A imprensa de investigação, por sua vez, utiliza "os gêneros maiores", nomeadamente
a investigação jornalística. A imprensa revista e as "soft news" inclinam-se para os
artigos « coloridos », como os reportagens, os retratos e os artigos marcados pela
personalidade do autor, como a crônica ou a tribuna permanente, etc. On
pode também encontrar jornais cuja linha editorial é baseada exclusivamente
sobre um dos gêneros jornalísticos, como o relato, a investigação ou a análise.
O jornalista realizado é aquele que se sente à vontade em todos os gêneros jornalísticos,
mesmo que isso não exclua a especialização em um gênero ou em outro.
Partindo, é difícil para um jornalista reclamar de profissionalismo se ele não estiver
não é capaz de integrar, em sua totalidade, "o mapa dos gêneros jornalísticos"
que este guia coloca nas mãos dos jornalistas praticantes que aspiram
a aperfeiçoar sua formação técnica e profissional, assim como estudantes e
professores das instituições de formação de jornalistas, desejosos de fundamentar os
curso por referências práticas.
Este guia responde a uma solicitação que não deixou de ser expressa por
jornalistas dos quais tive o privilégio, como especialista em desenvolvimento dos
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competências jornalísticas, garantir a formação no Marrocos e em outros lugares ao longo
das duas últimas décadas. Portanto, ele vem preencher a lacuna que existe
na biblioteca árabe em guias profissionais que visam, além de dar
ferramentas de trabalho, para oferecer aos profissionais uma nova referência que
consagre a « cultura da prática jornalística ».
O autor
DrAbdelouahabERRAMI
Especialista em desenvolvimento de
capacidades jornalísticas
11
CAPÍTULO I
OS GÊNEROS JORNALÍSTICOS
Quadro de referência, classificação,
diferenças, características principais
competências, aspectos de formatação
I. Quadro referencial dos gêneros jornalísticos
1. Os gêneros jornalísticos, por quê?
A mestria dos gêneros jornalísticos - tanto na teoria quanto na prática - constitui,
para todo jornalista, a base do profissionalismo. De fato, não existe nenhuma
forma de artigo de imprensa fora dos gêneros universalmente reconhecidos e
utilizados pelos jornalistas em todas as latitudes, seguindo os mesmos padrões e
as mesmas regras a serem respeitadas.
Osgênerosjornalísticostêmumaimportânciaprimordialnotrabalhode
aimprensaporqueeles:
-respondem, juntos, às exigências de informar, educar, cultivar e
distraire, funções atribuídas à imprensa em geral;
-assegurando a diversidade e a complementaridade na comunicação com o
público a que se dá acesso à informação (fala-se então de consistência);
traçando uma linha de demarcação entre a informação e a opinião, a fim de
manter-se longe de qualquer ideologia e evitar a subjetividade nos temas abordados;
-determinam uma abordagem para o trabalho jornalístico, dado que
o gênero jornalístico determina o método de pesquisa de dados, os
relacionamentos com as fontes, a estrutura, a redação, a apresentação (embalagem)
do artigo e sua valorização visual;
-permitem uma avaliação do custo da prestação jornalística, custo que
pode ser elevado quando se trata de gêneros que requerem trabalho de campo
(reportagem, investigação aprofundada) ;
-estabelecem um contrato com o leitor de acordo com normas que este conhece
as finalidades e as limitações. De fato, os gêneros jornalísticos estruturam
as expectativas dos leitores na medida em que permitem que aqueles que são
interessados em informações para ir diretamente para os gêneros informativos,
enquanto outros serão mais atraídos pelos gêneros maiores. Na verdade, é
possível estabelecer, dentro desses gêneros, relações mais refinadas com
os leitores. Assim, o jornalista é obrigado, de acordo com as especificidades do gênero
journalística que ele adota, de trabalhar de maneira a responder às expectativas
dos leitores.
Cada gênero impõe suas próprias regras que o jornalista deve respeitar.
Citemos alguns exemplos:
• escrever a partir de uma perspectiva pessoal (o bilhete, por exemplo) ou coletiva
(o editorial, por exemplo) ;
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• adaptar-se ao nível de credibilidade exigido (alto no caso da crônica em
comparação com o bilhete, por exemplo);
• Manter um certo nível de orientação em relação ao leitor (expressar um
ponto de vista oficial no caso do editorial, por exemplo);
• adaptar-se ao grau de objetividade esperado pelo leitor (elevado no caso dos
gêneros informativos, de investigação e de artigo de análise ;
• prender-se rigorosamente à estrutura ou demonstrar criatividade quando ele
trata-se de certos gêneros (com diferenças mais ou menos importantes
entre os gêneros informativos, principais e de opinião).
2. Os gêneros jornalísticos: questões referentes
Há um certo número de questões essenciais relacionadas aos gêneros jornalísticos.
dont les principales sont :
O gênero jornalístico é uma questão de forma ou de fundo?
Se considerarmos o gênero como um molde no qual despejamos a matéria.
jornalística, tratar-se-ia então essencialmente de uma questão de forma (o gênero
terá lugar de recipiente). No entanto, essa forma requer uma abordagem dada,
tanto no nível da concepção quanto no trabalho de campo quanto no escritório (mesa), de
de forma que o gênero possa estruturar o conteúdo que se espera moldar.
Além disso, quanto mais o jornalista domina o gênero sobre o qual trabalha, mais ele domina
o conteúdo que ele apresenta ao leitor.
[Link] é a relação entre gênero jornalístico e linha editorial?
A utilização dos gêneros jornalísticos está intimamente ligada à linha editorial.
A linha editorial pode optar por um grupo de gêneros específico (informação,
opinião, gêneros maiores) ou se especializar em um único gênero (investigação, reportagem,
A linha editorial também pode ser determinada através da análise
da repartição dos gêneros em um mesmo órgão de imprensa, através da avaliação
gêneros sobreexplorados, gêneros explorados de maneira otimizada, gêneros
subexplorados e gêneros excluídos; o que permite definir a identidade editorial
de tal ou tal órgão de imprensa.
[Link] os fatores relacionados à economia, à concorrência, à organização,
a hierarquia e a tomada de decisão dentro de um jornal influenciam
os gêneros jornalísticos?
Certos gêneros jornalísticos, como a investigação aprofundada, geram um
custo financeiro mais elevado em comparação com os outros. Na mesma linha, uma forte
a concorrência entre os órgãos de imprensa obriga à diversificação
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dos gêneros. No entanto, a organização do trabalho dentro das instituições de imprensa
permite um melhor controle da rentabilidade dos gêneros utilizados. A existência
de seções (mesa) de reportagem ou de investigações dentro das redações permite que
ajustar o ritmo com que essas seções usam os gêneros. Torna-se então possível de
preparar, antecipadamente, as equipes e os assuntos de maneira proativa para ter sucesso
a exploração dos gêneros e alcançar os objetivos jornalísticos esperados.
Quanto mais os editores-chefes dominam a cultura dos gêneros jornalísticos, mais eles
serão capazes de integrar efetivamente as expectativas dos leitores nas decisões
da equipe de redação.
d. Qual é o nível de rigor aplicável às regras de cada gênero?
Cada gênero jornalístico é baseado em regras que lhe são próprias,
independentemente das características que compartilha com os outros gêneros.
Cada gênero se reconhece através de especificidades que lhe conferem sua identidade.
propri. É por esta razão que as regras que estruturam cada gênero são
rigorosas. A esse respeito, é importante esclarecer que a natureza dessas regras muda,
globalmente, de um grupo de gêneros para outro, da mesma forma que muda sua
mecanicidade e a margem de criatividade jornalística. De fato, essa margem torna-se
mais amplo dependendo de escolher gêneros informativos ou de opinião ou ainda
gêneros principais.
[Link] determinar o gênero jornalístico que se adapta melhor a
o evento ou sobre o assunto?
A cada evento ou fenômeno corresponde um gênero apropriado através
o jornalista pode abordar seu assunto da melhor maneira possível.
Vai sem dizer que são as necessidades em matéria de informação jornalística
(necessidade de relatar os eventos ou fenômenos, explicá-los ou
de les commenter) que determinam a escolha de um gênero em vez de outro, de um
gênero antes ou depois de outro, ou de um gênero em combinação com um ou mais
outros (caso do dossiê de imprensa, por exemplo). De fato, a capacidade de saber
« quando usar o gênero jornalístico apropriado » constitui um ativo principal
da redação em chefe, pois permite o bom uso dos gêneros em um contexto
profissional.
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II. Classificação dos gêneros jornalísticos
(emoposiçãoaosgênerosnãojornalísticoseaosformatosjornalísticos)
dezoito
[Link]ficaçãofuncional:(baseadanasfunçõesdosgênerosjornalísticos):
Essaclassificaçãopressupõequeojornalistaagetantopararelataroseventos,quanto
para explicá-los, seja para comentá-los. Supõe também que exista um
gêneros interativos através dos quais o órgão de imprensa concede ao público um espaço,
em seu som, para expressar diretamente seu ponto de vista sobre os eventos e os
fenômenos(vertabelaabaixo):
Gêneros interativos
gêneros de expressão
Gêneros para Gêneros para Gêneros para
não jornalísticas,
relatar os explicar os comentar os
tratados a nível
eventos eventos eventos
do secretariado do
redação
A breve 1. A entrevista(*) A breve 1. A entrevista(*)
2. O fio 2. O relatório(**) 2. O fio 2. O reportage(**)
3. O artigo 3. A investigação 3. O artigo 3. A investigação
d informação 4. O artigo dede informação
análise 4. O artigo de análise
4. O montagem 5. O retrato 4. A montagem 5. O retrato
5 a moagem 5. a moagem
6. O resumo de 6. O resumo de
Relação Rapport
7. O relatório 7. O relatório
8 O eco 8. O eco
(*) A entrevista também pode fazer parte dos gêneros que relatam o evento no caso em que
ela relata informações novas.
(**) O reportagem também pode fazer parte dos gêneros de informação quando relata eventos.
mentar a quente.
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[Link]ficação onde "os gêneros maiores" são colocados em uma categoria à parte:
Esta classificação decorre do fato de que esses gêneros são a entrevista, o reportagem e
Ainvestigaçãorequeraptidõesprofissionaisespecíficas(vertabelaseguinte):
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Gêneros do "jornalismo sentado" e do "jornalismo em pé":
(*) Alguns gêneros podem pertencer tanto ao "jornalismo sentado" quanto ao "jornalismo em pé",
tal como a crítica (deslocamento para ver uma peça de teatro ou a apresentação de um livro), o inter-
vista ou o retrato.
(**) Essas produções são feitas fora do jornal, por isso estão classificadas na
categoria do "jornalismo sentado".
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[Link] classificações :
Existemoutrasclassificaçõesquecolocam"obilhete",porexemplo,nacategoria
des"gênerosdefantasia".Nósnãolevaremosemcontaessaclassificaçãoaquipois
nósestimamosqueojornalismonãodeveserfantasioso,mesmoquepossa,poroutrolado,
recorrer a gêneros jornalísticos que - para uma finalidade jornalística funcional
- adotando figuras de estilo como a narração, a descrição, a metáfora ou
aalusã[Link]ênerosdeopinião,oque
não deixa de ser pertinente. Existem também outras classificações que
relacionam-se com o domínio das pesquisas acadêmicas das quais não trataremos aqui, pois
elasseafastamdavocaçãopráticaqueesperamosdaraopresenteguia.
No campo da distração:
• Jogos (palavras cruzadas, palavras cruzadas, jogo dos sete erros, sodoku, teste dos
conhecimentos, a piada do dia);
• Entrevista com uma pessoa específica (entrevista livre, sem se preocupar com
regras profissionais da entrevista;
Ecrits humorísticos;
• Coulisses do esporte e da arte, fofocas, rumores;
• Bandas desenhadas, fotografias com balões, etc.
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publicidade comercial;
Anúncios financeiros (avisos financeiros, informações sobre as instituições
econômicos);
• Anúncios institucionais;
• Anúncios judiciais; (vendas judiciais, julgamentos dos tribunais)
• Auto-publicidade dos órgãos de imprensa ;
Anúncios gratuitos de caráter social em benefício de associações sem fins lucrativos
lucrativo
b. Os formatos jornalísticos:
A breve
• O artigo
• O dossiê
• O caderno especial (inclui a informação e a publicidade relacionada ao tema tratado)
O chapéu
O urso
• O sumário
• O quadro
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A colocação no rio
A cobertura
• A capa
• A última
• A página dos leitores
• A página editorial
• As rubricas
O grande formato (34,93 X 54,61)
• O tabloide
• O berlinense
• Os anexos
As séries
A foto legendada
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III. Principais diferenças entre os gêneros jornalísticos:
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Gêneros onde se utiliza o desvelamento • O relatório
progressivo (ou a ocultação metódica) • O bilhete
para criar o suspense
(*) Editorial baseado em uma acalorada polêmica onde a argumentação deve ser sólida.
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Gêneros de informação Gêneros de opinião
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Critérios de diferenciação dos gêneros da imprensa de informação:
28
b. Os gêneros de opinião e o grau de objetividade:
1. O bilhete
2. A crítica
3. O editorial
4. A crônica
5. O artigo de análise
Classificação dos gêneros de opinião de acordo com seu grau de recurso à argumentação
1. O artigo de análise
2. O editorial
3. A crônica
4. A crítica
5. O bilhete
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A investigação Grande mobilidade no terreno, capacidade de tecer
relacionamentos com as fontes baseados na confiança mútua,
contato fácil com os outros, posse de habilidades para
estabelecer novos relacionamentos
O retrato Capacidade de captar os detalhes significativos e de acompanhar
as carreiras. Capacidade de entender a psicologia e a
psicologia social do interlocutor, ter boas
aptidões de escrita (capacidades estilísticas)
O bilhete Capacidades de escrita, humor, habilidades literárias,
aptidão para perceber a importância de eventos menores
A crítica Criatividade, vasta cultura, habilidades de redação
O editorial Aptidão para convencer
A crônica Cultura vasta, sabedoria, clarividência, sem julgamentos
precoces
O artigo de análise Capacidade de questionamento e de síntese. Aptidão
ligar elementos dispersos e extrair os significados
pertinentes
É uma expressão do crítico estruturalista e pensador francês Roland Barthes. Ele entende por
é um estilo direto isento de qualquer floreio.
[Link]ênerosjornalísticos:
Os gêneros jornalísticos não são apresentados da mesma forma. Há usos
que, devido à prática, se ergueram em regras, de tal forma que certos escritos são
ligados a seções identificáveis por seu caráter permanente (editorial, crônica,
bilhete) ou à evocation do seu gênero (breve, eco, editorial, crônica, retrato,
entrevista, reportagem, investigação). Além disso, certos gêneros são apresentados em
formas que os distinguem de outros gêneros (trama, quadro, negrito, itálico,
justificação).
A tabela abaixo resume as principais formas que caracterizam certos
gêneros jornalísticos :
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Aspectos formais Gêneros jornalísticos
(1) De acordo com a denominação escolhida pelo jornal: O editorial pode manter seu nome de gênero ou assumir
outras denominações como: "Palavra do dia", "Nossa opinião", "Em toda objetividade", etc.
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CAPÍTULO II
Relatar os eventos
1. A breve
Esse gênero se chama assim porque se limita a relatar o que aconteceu sem entrar
nos detalhes. Corresponde aproximadamente ao que se pode relatar verbalmente em
vinte segundos. Pode-se dizer, então, que a breve é a informação.
Considerada como o gênero jornalístico mais curto, a breve responde primeiro
à pergunta « o quê ? » e, a partir daí, ela dá uma informação nova que
se refere a um evento, a um fato ou a uma declaração.
A breve se emprega para responder às perguntas "quem?", "onde?" e "quando?"
quem são, com « o quê ? », as quatro perguntas referenciais e « o núcleo duro de
a informação ». Pode-se também, nesse contexto, responder brevemente às
perguntas « como ? » e « por que ? » necessárias.
É comum que a breve seja o prelúdio a outros gêneros que o jornalista.
pode ser usado posteriormente. No entanto, o resumo pode ser suficiente na medida
onde a informação não tem desdobramentos que justifiquem seu desenvolvimento através
outros gêneros.
A breve não recorre ao cruzamento de fontes e não requer citação
de fontes múltiplas ou a exploração de fontes contraditórias como é o
cas para outros gêneros.
À semelhança de outros gêneros de informação, a breve - apesar de seu caráter muito
concis - se constrói sob a forma de "pirâmide invertida", ou seja, começando
do mais ao menos importante, mantendo o conteúdo informativo que nele
justifique a publicação.
A breve geralmente consiste em um único parágrafo de cerca de 50 palavras.
(5 a 6 linhas/coluna) em média. A título excepcional, pode chegar até
dois parágrafos, especialmente quando a informação requer um desenvolvimento a
através da evocação do contexto da informação.
A breve respeita todas as regras comuns à escrita dos gêneros de informação
(a pirâmide invertida), incluindo a citação da fonte ou fontes, o que
certos redatores costumam omitir, acreditando que o breve não
não requer identificação e citação das fontes.
A breve não tem título no sentido jornalístico do termo. Ela é apresentada
sob "uma palavra-chave" que remete ao lugar, ao assunto ou à pessoa em questão
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pelo evento (ator ou assunto) para facilitar a escolha do leitor. Alguns
os jornais destacam as primeiras palavras da breve usando negrito,
seja o itálico, a fim de distinguir as breves que se seguem umas às outras, isso
que faz dessas palavras títulos integrados no início de cada breve e lhe dá
mais força. Em outros casos, cada breve é precedido, a nível de
apresentação de um chip (losango, pequeno quadrado, pequeno círculo).
As breves continuam a ser o gênero mais lido entre os gêneros jornalísticos propostos
pelos jornais.
(1) Geralmente sob um título fixo: "Diversos", "de fonte informada", "Aqui e ali", "Em resumo"...
2. O filé
O filé é um curto artigo de informação que contém detalhes que não podem
conter a breve e que geralmente responde às perguntas "como ?" ou
«por que?» ou os dois ao mesmo tempo. A informação tratada no fio deve revestir
uma importância que justifica um espaço maior do que o da breve. Isso quer dizer
dizer que o jornalista deve dispor de detalhes para enriquecer sua informação. Falta
de que, ele deve dedicar tempo para pesquisar esses detalhes, partindo do fato de que
A importância da informação justifica a integração de elementos complementares
a fim de torná-la mais explícita para o leitor.
38
Em resumo, o fio é uma breve enriquecida com detalhes que explicitam a informação.
Quando o fio responde às perguntas "como?" e "porquê?" a concisão
est de mise.
Esse gênero é composto por dois ou três parágrafos em média e rara vez ultrapassa.
25 linhas. O fio pode ocupar um espaço cinco vezes superior ao da breve.
O fio é o tipo de informação mais curto onde se revelam, de maneira
patente, as características da pirâmide invertida (organização das ideias em
indo das mais importantes para as menos importantes), assim como o respeito às regras
que regem os gêneros de informação (ausência de comentário e opinião,
utilização de aspas para testemunhos diretos, citação de fontes,
escolha da conclusão...)
A duração relativa do fio (em relação ao breve) implica a escolha de um título
onde não nos contentamos com uma palavra-chave. É preferível que escolhemos um título
principal único, breve ou sem título nem subtítulo(1).
A imprensa ocidental costuma puxar os fios das notícias relacionadas
às informações nacionais e internacionais, a tal ponto que o jornal O
Mundo » por exemplo, dá à coluna onde agrupa os fios o título de «
despachos
Os jornais recorrem ao agrupamento dos fios em uma mesma coluna -
como para as breves - para lhes dar uma identidade visual.
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Normas de qualidade do fio:
(1) Veja: O guia do jornalista profissional: O título, o caminho mais curto para o leitor.
Abdelwahab Rami 2006, pp.42-43 (em árabe).
3. O artigo de informação
Segundo Jean-Luc Martin-Laguardette, existem muitas classificações que
negligente o artigo de informação propriamente dito. É um artigo cujo conteúdo
ultrapassa o volume do fio e é geralmente composto por mais de quatro
parágrafos, totalizando de 600 a 700 palavras.
O comprimento do artigo de informação pode, às vezes, corresponder ao de
certas despachos (emitidos pelas agências de notícias), nomeadamente aqueles que
uma estrutura redacional sintética (a síntese). Independentemente da extensão
do "artigo de informação", ele continua sujeito às mesmas regras que regem
o filet (regras da pirâmide invertida).
O artigo de informação disponibiliza ao leitor mais detalhes
e permite que ele acompanhe a informação apesar da multiplicidade dos intervenientes e
de fontes devido às vezes à divergência dos interesses e à contradição dos
As fontes. O jornalista deve manter o dinamismo de seu artigo até o fim.
e incorporando depoimentos e dados que adicionam sempre
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elementos novos ao que precede, sem, no entanto, cair no uso abusivo,
voire superflu dos detalhes, o princípio fundamental da imprensa sendo a riqueza
na concisão.
Além disso, é necessário quebrar a monotonia do artigo, se se mostrar longo,
en le ponctuant de sous-titres. Ce genre journalistique peut avoir un surtitre, un
sublíngua ou os dois ao mesmo tempo, o objetivo é reforçar seu título principal. É
por que o título do artigo de informação é geralmente mais longo do que ele
do bilhete. O artigo de informação pode ser assinado.
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4. A montagem
O montage é um gênero jornalístico que se baseia em fontes de informação.
escreve que o jornalista agencia sem precisar, ao contrário da versão,
de reescrever o texto.
O jornalista seleciona as frases ou os parágrafos a partir das fontes de
referência e os reconstrói seguindo o formato da pirâmide invertida, tudo em
citando essas fontes.
Para garantir a coesão das frases e dos parágrafos selecionados a partir de
fontes, o jornalista recorre a fórmulas ou a conectores lógicos que
asseguram a articulação e a ligação, e que resumem seu esforço redacional. Também,
o esforço real do jornalista se concentra, neste gênero, na busca por
fontes e sua exploração através da seleção das partes que apresentam um
interesse informativo para proceder em seguida à construção do artigo indo do
mais importante ao menos importante.
Pode-se resumir a montagem pela seguinte fórmula: "fontes escritas, algumas
cortadores e frases de transição.
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A moagem
A moagem é um gênero jornalístico que apresenta uma informação composta
dos quais os elementos são retirados de um conjunto de fontes geralmente escritas
(depeches, artigos de imprensa, declarações, documentos diversos, etc.). A condição
a primeira do sucesso da moagem é a reescrita porque permite inserir
todos os elementos em um mesmo artigo seguindo o estilo próprio do jornalista, tudo
ao citar as fontes utilizadas.
A moagem geralmente é mais longa que o fio (de 20 a 100 linhas/coluna).
Se não levarmos em conta o processo de tratamento que se baseia na exploração dos
diferentes fontes e a reescrita em um estilo personalizado, a costura pode se confundir,
nasuaformafinal,comoartigodeinformaçãoconformedefinidoacima.
O esforço de redação que o jornalista deploya na versão se manifesta,
antes de tudo, através da seleção dos elementos de informação a partir das fontes
de referência, depois através dos critérios de classificação dos elementos de informação
et, enfim, através da reescrita de todo o conteúdo.
À semelhança de outros gêneros de informação, a versão adota a construção de
a pirâmide invertida e as regras a ela relacionadas.
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6. O resumo do relatório
O resumo de relatório é um gênero de informação que apresenta sínteses
de estudos, de relatórios ou de documentos provenientes em geral de fontes
institucionais, como bancos, instituições do Estado, organizações
não governamentais, os organismos internacionais, etc.
Neste gênero, o jornalista pode, conforme os casos, trabalhar em um documento de uma
ou de duas páginas ou, excepcionalmente, em um relatório de mais de mil páginas.
No entanto, o volume do documento tratado não determina o do resumo de
relatório, nesse sentido, que seu comprimento não influencia o resumo do relatório que
apresente, em vez disso, as informações mais importantes.
O resumo do relatório é um trabalho realizado no escritório. Trata-se de explorar
um documento único para apresentar o que o jornalista considera ser o mais
útil, sem recorrer a outras fontes, sejam elas escritas ou orais.
No resumo do relatório, o jornalista adota a regra da pirâmide invertida
para construir a matéria que ele quer apresentar.
44
7. A ata
O relatório é um gênero que acompanha a atualidade em seus detalhes no campo. Ele
suponha, como condição fundamental, a presença no terreno e a mobilidade sobre
a cena dos eventos. Também pressupõe um acompanhamento dos atores dessa cena e
a coleta de seus depoimentos com o objetivo de explorar os mais importantes e, às vezes,
os mais eloquentes, na medida em que relatam a atmosfera geral em
na qual o evento acontece. No entanto, o relatório, que se pode definir
brevemente como 'o registro de uma realidade dada', não deve abusar
do estilo descritivo, nem explorar os detalhes significativos de maneira inconsiderada. Ele
não deve recorrer de maneira exagerada aos meios de sensibilização, à escrita
visual ou à documentação. Pois trata-se das características próprias ao
reportagem, qual reportagem se emprega a trazer um sentimento objetivo ao leitor e
não uma informação adicional, como é o caso do relatório.
O relatório ganhou um significado único na mente dos jornalistas que
o vínculo, doravante, à informação sobre as reuniões, os encontros, os
seminários, congressos e cerimônias, reduzindo-o assim às atividades que se
ocorrem em salas fechadas ou auditórios fechados, com intervenientes
que se revez no pódio e um público silencioso que ouve atentamente
os discursos dos oradores que animam essas atividades, as quais podem assumir um
caráter político, científico ou cultural. No entanto, esta concepção não abrange
que uma parte das amplas possibilidades abertas diante do relato, se é que
que se o considera como um gênero que registra a realidade a partir do terreno. Por
consequentemente, podemos redigir relatórios de eventos como incêndios,
os acidentes que causaram danos materiais ou humanos, os encontros esportivos,
as inaugurações de infraestruturas públicas ou a destruição de habitações em
o quadro da luta contra a habitação insalubre, etc.
Nesse gênero, a principal ferramenta metodológica do jornalista em campo
demeure « a seletividade significativa » que consiste em pesquisar tudo o que pode
enriquecer o relatório com informações. Pois este não deve se reduzir a um
procès verbal simples que registra tudo o que acontece na cena do evento.
De que ponto de vista, o relatório deve se concentrar apenas nos principais atores
do evento que estão aptos a apresentar testemunhos úteis ao leitor e
que refletem a realidade do que aconteceu no terreno.
Se houver diferentes intervenientes que se revezam para falar durante o curso
de uma atividade dada, o jornalista não é obrigado a citar todas as suas declarações ou
de conceder um espaço à intervenção de cada um deles, nem de os apresentar
de acordo com a ordem registrada no programa oficial da atividade, que é,
aliás, frequentemente submetido a uma ordem protocolar.
45
O relatório adota a estrutura da pirâmide invertida em seu tratamento
de eventos. Portanto, não é obrigado a respeitar seu desenrolar
cronológico. Ele coloca, em vez disso, o fato mais importante no início, mesmo que este
n’intervém que em último lugar.
No relatório, o jornalista também se certifica de não omitir, deliberadamente,
elementos significativos do evento, como o testemunho ou a declaração que
aporte de novas informações sobre a situação política, sob o pretexto de que este discurso
foi mantido por uma pessoa do público ou que o nome dessa pessoa não constava
não sobre o programa oficial da atividade em questão.
Uma outra característica do relatório reside no fato de que ele traz uma visão
"individualizada" do evento sem que isso signifique que é uma visão
« subjetivo ». De fato, o jornalista deve selecionar, de maneira direta, os
elementos de seu relatório que podem consistir em dados que ele pode ter
em exclusividade em relação aos seus colegas se souber usar a seu favor suas relações,
de seu senso profissional e de seu faro jornalístico. Ele não deve esquecer de se
obter "o dossiê de imprensa" assim que chegar ao local do evento na
medida em que os organizadores o disponibilizaram. No entanto, a obtenção disso
o dossiê não pode dispensá-lo de acompanhar pessoalmente todo o evento.
O título do relatório de imprensa consiste frequentemente em uma declaração, uma
opinião ou uma tendência geral que se destaca de uma assembleia geral ou
d'un congres ou qui reflète des données revêtant une signification particulière(1).
47
8. O eco
O eco é um gênero jornalístico que acompanha outros gêneros ditos de
terreno, como o relatório ou a investigação. Trata-se, portanto, de um gênero complementar
que se interessa sobretudo pelo que acontece na "margem" do evento que
frequentemente um significado político ou social. Pelo que acontece "à margem"
do evento, ouvimos fatos menores, inéditos ou inesperados relatados por
os testemunhos do evento principal ou pelo próprio jornalista. Existe
d'ailleurs chez les journalistes, en particulier, une propension à rechercher ce
gênero de ecos pelo seu caráter incomum ou singular.
O eco pode ser uma entrada que incentiva a ler o evento principal. Ele leva
geralmente a forma da breve e é redigida segundo as mesmas regras mesmo que ele
pode, muito raramente, ser mais longo para se adaptar ao tamanho da malha.
48
CAPÍTULO III
(1) A entrevista coletiva significa aqui o questionamento que constitui um objetivo em si e que é publicado
de maneira independente sob a forma de perguntas/respostas, e não a entrevista cuja matéria é
explorada em outros gêneros como "a entrevista-retrato" ou "a entrevista-investigativa", ou a conversa
livre que não responde aos padrões da entrevista de imprensa como gênero distinto.
(2) A entrevista geralmente ocorre na forma de perguntas/respostas em um estilo direto e vivo
e fiel. Ela aparece raramente sob a forma de entrevista redigida ou mista (uma parte redigida e uma
outra na forma de perguntas/respostas).
51
pode evitar certas respostas ou fugir de certas perguntas que lhe parecem
sensíveis ou embaraçosos sem que o jornalista possa intervir. Este procedimento
ôte également aux questions préliminaires toute leur utilidade, na medida em que
o entrevistado pode começar respondendo à questão de sua escolha. A entrevista
torna-se assim, geralmente, uma matéria desprovida de vitalidade e de dinamismo
devido à ausência das "reativações" que permitem ao jornalista de recapitular
a entrevista de maneira imediata e direta e dão ao entrevistado o dinamismo
e o profissionalismo exigido. De uma maneira geral, o procedimento que consiste em
enviar perguntas e receber respostas por escrito resulta em uma entrevista
desprovida da "estratégia discursiva" (ver mais adiante) que deve imperativamente
adotar todo jornalista profissional.
Dado que uma boa entrevista não deve se desviar das características do
discurso oral, como indicado acima, essa oralidade deve ser preservada, mesmo
após o tratamento das respostas do entrevistado e sua revisão.
•Entrevista de informação :
Neste tipo, o entrevistado constitui o elemento central do evento do qual ele é
o ator. Ele fornece através da entrevista informações e dados relativos
a este evento.
•Entrevista descritiva :
Neste tipo, o entrevistado foi testemunha de um evento ou fenômeno
dado e fala sobre isso.
•Entrevista analítica :
Neste tipo, o jornalista se apoia no entrevistado para situar um ou mais
eventos em seu contexto, recorrendo, em primeiro lugar, à questão
« por quê ? »
comentário da entrevista
« Qual é a sua opinião sobre…? », « que comentário você inspira…? »
« qual é o seu sentimento em relação a… ? », constituem questões centrais
neste tipo de entrevista.
52
•Entrevista de opinião :
A entrevista gira em torno de assuntos controversos onde, por exemplo, um homem
a política responde a acusações ou responde a adversários; um pensador defende
uma teoria, uma abordagem intelectual ou refuta ideias dadas.
56
Conduta a ser adotada pelo jornalista durante a entrevista:
O jornalista deve seguir o protocolo durante uma entrevista direta (cara a cara):
1. Cumprimentar e agradecer o entrevistado, depois se apresentar e apresentar seu contexto.
trabalho
2. Apresentar o assunto sobre o qual ele está trabalhando, bem como a perspectiva sob a qual ele deseja
abordá-lo;
3. Evocar as problemáticas relacionadas ao assunto para mostrar ao seu interlocutor
que ele tem um conhecimento suficiente do objeto da entrevista e que deseja
obter dele esclarecimentos e precisões adicionais
em certos pontos ;
4. Pedir autorização para usar o gravador caso o jornalista
quer fazer uso disso;
5. Mostrar que uma atenção especial será dada ao que diz o entrevistado
por meio de uma escuta atenta, a comunicação através de acenos de
cabeça que exprime a assimilação das falas do entrevistado;
6. Resumir os principais dados da entrevista logo após a última resposta
do entrevistado (para garantir a precisão dos dados coletados);
7. Agradecer e pedir permissão para eventualmente voltar a certos pontos
pontos para os esclarecer por telefone.
57
A tomada de notas pressupõe que o jornalista escreva rapidamente e esteja treinado para o uso.
des abréviations (plus = +), (moins = -), (le premier = 1er), (o segundo = 2è).
Mesmo que a precisão seja exigida e a citação fiel de alguns trechos seja
necessário, não é necessário registrar a conversa palavra por palavra, uma vez que
isso leva muito tempo e corta o fio das ideias do entrevistado cuja
As respostas pareceriam frases escritas sob ditado. Se o jornalista
não entende bem uma frase ou uma parte de frase, ou não capta o sentido
de uma expressão, ele deve imediatamente pedir ao entrevistado que a explique,
de repeti-la ou de precisá-la.
Durante a entrevista, o jornalista deve sempre ter em mente o assunto que
vai ser publicada porque isso o empurra a se concentrar nas informações e nas
dados dos quais o leitor precisa. Ele deve fazer suas perguntas como sendo aquelas do
público que representa, e não deve expor suas próprias opiniões sobre o
sujeito abordado, pois isso pode levar a uma confrontação entre ele e seu interlocutor.
O jornalista deve expressar em suas anotações a atmosfera geral na qual
se desenrola a entrevista: anotar os silêncios do seu interlocutor, o ritmo e a
fluidez do seu discurso, suas reações, suas hesitações, seu entusiasmo, etc.
Alguns aspectos desta atmosfera podem ser fixados por uma foto tirada durante
a entrevista, nem antes, nem depois. O uso de fotos de arquivo não deve ser feito
em caso de necessidade absoluta.
Dado que a entrevista se constrói com base na cooperação entre
o entrevistado e o jornalista, este último é obrigado a respeitar certos compromissos
morais, nomeadamente no que diz respeito às declarações feitas a título privado fora
registro (off the record). Isso significa que o jornalista não deve
relatar o que o entrevistado considera como informações ou opiniões
entregues apenas para o edificar sem que sejam destinadas a serem publicadas.
O profissionalismo do jornalista se revela através "das perguntas de acompanhamento"
que expressam sua experiência e sua capacidade de explorar as respostas de seu
interlocutor para esclarecer ainda mais os leitores.
Durante a entrevista, o jornalista deve usar uma linguagem próxima daquela do seu
interlocutor, para que este não sinta nenhum sentimento de superioridade ou
de inferioridade em relação a ele.
É sempre preferível que a entrevista ocorra cara a cara.
Quinta etapa: Redação da entrevista:
Imediatamente após a entrevista, o jornalista começa sua redação em
baseando-se em sua memória, enquanto os dados ainda estão frescos.
58
No momento da redação, o texto deve ser revisado para se livrar dos
dados e opiniões repetidas e esclarecer certos dados confusos, etc. Ele
É preciso saber que uma entrevista de uma hora deve normalmente, após seu tratamento,
ocupar duas páginas de um jornal de grande formato.
Na sua entrevista, o jornalista deve prestar atenção especial a
a introdução (principalmente a primeira pergunta e a primeira resposta) para prender a atenção
o leitor tanto pela forma quanto pelo fundo, sabendo que não há nenhuma obrigação
de manter, no momento da publicação, a mesma ordem em que foram preparadas as
perguntas antes da entrevista ou feitas durante a mesma.
A entrevista pode sair sob a forma de perguntas/respostas (P/R) ou sob uma
forma escrita (entrevista escrita).
No chapéu, é necessário fazer uma breve apresentação do entrevistado
e indicar o contexto em que a entrevista foi realizada, bem como a data
e o local de sua realização.
59
Título da entrevista
60
Critérios de qualidade da entrevista:
61
2. O reportagem jornalística
2.1 Definição do reportagens jornalísticas:
O reportage jornalístico baseia-se na técnica da narração para descrever
fatos, eventos ou fenômenos, sejam eles políticos, sociais,
econômicos ou outros.
O reportagem jornalística aproxima o leitor do assunto tratado através da citação
exemplos concretos para dar mais vivacidade e cor à informação.
O reportagens é um testemunho direto que se distingue pelo seu caráter vivo.
Pertence aos gêneros da "imprensa em pé", dado que o terreno em
constitui um elemento indispensável.
No reportagem, todos os sentidos do jornalista devem estar alerta (a visão, a audição,
o olfato, o gosto e o tato). A relação fiel dos fatos, dos eventos e dos
fenômenos exigem que o jornalista se comporte como uma placa sensível sobre
a qual vêm se imprimir os diferentes elementos do assunto. Pode-se dizer que
o relato é bem-sucedido quando o leitor tem a impressão, ao ler o texto, de se
encontrar no terreno e viver o evento ao vivo.
2.2 O ângulo de ataque :
O ângulo de ataque depende do assunto tratado. Quanto menor esse ângulo, mais a reportagem
tende a ganhar em profundidade e quanto mais o jornalista domina seu assunto.
Sequisermos,porexemplo,abordarotemadomeioambiente,osângulos
d’ataquesetornammúltiplos:oambientequeenglobaaágua,aterraeoar;a
poluiçãosobtodasassuasformaseosproblemasrelacionadosaosaneamento;omeioambiente
eoespaço,[Link]çãoaosfatoresdotempo
e do espaço e em termos de prioridades locais. Daí a importância de precisar o ângulo
deataque;casocontrário,ojornalistaseencontrariafalando"sobretudoesobrenada."
2.3Adocumentação e a identificação das fontes e dos testemunhos :
A documentação (estudos, relatórios) sobre o tema do relatório deve ser
explorada apenas para apoiar os dados de campo e não deve levar
um lugar preponderante.
As fontes iniciais devem ser identificadas e direcionadas antes da deslocação.
no campo. Se for, por exemplo, uma investigação relacionada à gestão
administrativa de uma instituição dada, a primeira fonte para recolher
depoimentos no local deve ser o diretor da mesma instituição. Se o assunto
relaciona-se com a ausência ou com as promoções, a fonte primária, neste caso,
torna-se o diretor de recursos humanos da instituição.
62
O jornalista deve ver na diversidade e no antagonismo das posições, dos interesses
e pontos de vista uma fonte de enriquecimento para o relato. Deve sempre
procurar ter um retorno (feedback) no âmbito do assunto que ele trata. O ângulo
d'ataque é definido aqui em função das fontes principais e secundárias, sabendo
que estas últimas também têm uma função de informação e sensibilização
não negligenciável.
No relatório, não se fala de "pessoas", mas sim de "atores" ou
de "personagens" como em uma ficção (cinema, romance, teatro…), pois nós
vemos-os mover-se, expressar-se diante de nossos olhos, ouvimos-lhes falar com um
tonalidades diferentes e ouvimos expressar sentimentos que traduzem uma
estados de espírito diversos. Esses personagens têm uma idade, nomes e traços vivos.
2.4 Os detalhes significativos:
O relato jornalístico explora, por excelência, o detalhe significativo de forma
metonímico, isto é, usa a parte pelo todo, na medida
onde o detalhe é representativo de uma realidade. É assim que Omar levanta seu
exclamando "essas reivindicações representam o mínimo dos direitos que
nós reivindicamos!" é representativo na prática de todos os manifestantes que
estão ao seu lado. A "franzida de sobrancelhas de Ahmed" é, de acordo com o contexto,
sinônimo de medo, de sisudez ou de meditação.
2.5 A escrita visual:
Ao ler uma reportagem, devemos ter a impressão de estar assistindo a um filme.
cinematográfico. A descrição e a narração desempenham um papel preponderante
neste gênero jornalístico. Em vez de dizer, por exemplo, que Ahmed era "muito
em raiva", enquanto não se pode medir de maneira concreta essa "grande
colère", deveríamos nos contentar em descrever o que vimos, a saber que "Ahmed
ele lançou violentamente o dossiê que tinha em mãos"; esta formulação sendo mais
próximo da objetividade que a anterior, que é apenas um simples julgamento
de valor.
2.6 Os dados objetivos :
O reportagen é um gênero que pertence, em princípio, ao conjunto dos gêneros
de informação, onde não há espaço para a subjetividade ou para opiniões
pessoais do jornalista.
Apenas a convicção que o jornalista formou a partir de sua observação de
dados objetivos devem ser relatados ao leitor, evitando cair em
as imagens estereotipadas, as visões reducionistas ou o mimetismo.
sessenta e três
O investigador também deve evitar se perder nos dados numéricos
e os detalhes dos menus (jurídicos, estruturais, organizacionais, etc.) dos quais a
a compreensão exige um exame aprofundado. A multiplicação de detalhes e
números comprometem o objetivo da sensibilização e da expectativa que são, com
cela da informação, das funcionalidades essenciais do relatório.
O compromisso:
Se o jornalista não estiver impregnado pelo assunto, seu engajamento se ressentirá.
a nível da redação; de tal forma que apresentará seu assunto de maneira hesitante.
O grau de envolvimento em relação ao assunto abordado oscila entre dois extremos:
por um lado, o que é fortemente aconselhado e, por outro lado, o que é fortemente
desaconselhado. O jornalista deve, antes de redigir seu artigo, definir o ponto
onde ele se situa em relação a esses dois extremos.
O investigador não deve explorar tudo o que ele registrou em seu "caderno de
reportagem", mas selecionando apenas o que se enquadra com a linha de ataque
que ele escolheu. Ele deve escolher, entre os testemunhos, aqueles que são os mais curtos
e os mais profundos; entre os números, aqueles que são os mais significativos; entre
as situações, aquelas que são as mais prováveis e as mais expressivas;
entre as fotos, aquelas que ilustram com a maior precisão possível o assunto
do relatório. De fato, o relatório não se resume a um simples álbum onde se
reúne, de qualquer maneira, depoimentos, fotos e situações.
2.8 A construção do relatório:
A construção do reportagen, assim como no cinema, responde à técnica
du « découpage ». Aqui, a noção de « espectador » aparece como um dado
fundamental.
Durante o relatório, o jornalista deve se concentrar em:
A lei da alternância:
Para que o reportagens seja viva e dinâmica, e para que não seja linear
(romper a monotonia da narração), o jornalista deve recorrer à alternância
ao longo do artigo, o que implica um arranjo alternativo das fotos,
ideias, ação, sequências, descritivas, narração, estilo
direto e estilo indireto (testemunhos, por exemplo), dados objetivos,
observações em campo, parágrafos (relativamente) longos e
parágrafos curtos, frases (relativamente) longas e frases curtas.
64
A introdução do relatório:
A introdução do relatório deve ser direta, clara, precisa, simples, concisa e
dinâmica.
•O fim do reportagens :
O reportagem não tem conclusão, e isso para que as imagens permaneçam
impressas na mente do leitor (sensibilização). Além das características
Da introdução, o final do reportagem deve traduzir o compromisso do autor
(sensibilização).
2.9 A duração do relatório:
O estilo narrativo faz com que o reportagem seja um gênero que tende a ser relativamente
longa. No entanto, é a riqueza do assunto que, em última análise, determina a
comprimento. É com base nisso que o jornalista decide se o relato é muito
longo (preenchimento, redundância) ou muito curto (concisão redutora).
2.10 O título do relatório:
O título da reportagem explora "o visto e o vivido", a escrita visual e, às vezes, o
depoimento. Em princípio, faz parte da categoria dos títulos atraentes(1).
(1) Para mais detalhes veja: Abdelwahab RAMI, O guia do jornalista profissional: o
título, o caminho mais curto até o leitor, - 2006 - pp. 51-55, ou O guia do jornalista
profissional: o reportagem jornalística» em colaboração com a ISESCO e o ISJC - 2004,
pp.179-184. (em língua árabe).
65
O reportage jornalístico
66
Critérios de qualidade do reportagens jornalísticas:
67
3. A investigação jornalística
3.1 Definição da investigação jornalística:
A investigação jornalística é a ferramenta de investigação mais madura. Aliás,
a imprensa só pode reivindicar seu status de "quarto poder" se ela
implementa este gênero que (além da entrevista e do reportagens) pertence ao
grupo dos « gêneros maiores ». Longe do que realizaram os dois jornalistas
duWashington Post, Bob Woodward e Karl Bernstein, no que agora é
conhecido como "Watergate", e que conseguiram provar que o Presidente
o americano Richard Nixon colocou grampos em seus adversários do Partido Democrata
a fim de ganhar as eleições presidenciais americanas de 1972, obrigando-o a
demitir-se dois anos depois (em 8 de agosto de 1974), a investigação jornalística
chama essencialmente a implementação de uma metodologia, não apenas
para relatar os fatos de maneira muito fiel, mas também e acima de tudo para chegar a
verdades que estão ocultas atrás do verniz exterior dos fatos.
A investigação se baseia na necessidade imperiosa de apresentar provas para
sustentar as conclusões do jornalista. Portanto, não há investigação em
a ausência de provas, de argumentos e de lógica.
Geralmente, a investigação jornalística trata de situações relacionadas com os
assuntos públicos, que se referem a disfunções relacionadas a situações
dados, às competências de personalidades conhecidas, a irregularidades cometidas
por indivíduos ou instituições, à apropriação de vantagens de maneira
induzir, a falhas que se quer esconder, etc. Além disso, a má gestão, o abuso
de poder, os atos contrários à moral, a injustiça sob todas as suas formas, os
as leis constitucionais são os temas privilegiados de cada jornalista no
quadro da investigação. Mas isso não quer dizer que o jornalista não deva usar
a investigação jornalística que trata exclusivamente desses "grandes assuntos".
Na verdade, a vida cotidiana oferece diversos temas para investigação, com certeza com ângulos
d'ataque mais igualmente relevantes, de modo a permitir à imprensa
de seguir de maneira vigilante os fenômenos que agitam a sociedade e dos quais o
o tratamento - ao contrário do que alguns pensam - não exige meses
a investigação continua no terreno.
Em todos os casos, a investigação visa responder a três perguntas fundamentais:
Quem é responsável (pelo mau funcionamento, objeto da investigação: uma pessoa)
ou um grupo de pessoas, uma instituição ou um conjunto de instituições…?
Quem se beneficia (de uma situação dada: uma pessoa, um grupo de pessoas,
uma instituição, um conjunto de instituições…?
68
- Paralelamente a essas duas questões, a pesquisa deve responder às perguntas
seguinte: quem é vítima de uma situação dada: uma pessoa, um grupo
de pessoas, uma instituição, um conjunto de instituições?
O responsável pela disfunção pode ser o mesmo que se beneficia dela.
(uma pessoa que contorna a lei para melhorar sua própria situação), tudo
como o responsável pode ser diferente daquele que se beneficia da situação. Ele
il arrive également que a situação irregular seja criada para prejudicar outros ou
provocada de maneira involuntária.
Ao tentar responder à pergunta "quem é responsável?", a investigação visa
à déterminer em primeiro lugar a responsabilidade direta das partes envolvidas, em
evitando deixar-se levar pela engrenagem das "responsabilidades compartilhadas"
que é muitas vezes um álibi para diluir as responsabilidades a fim de escapar ao imperativo
de prestar contas.
Segundo sua definição instrumental, pode-se dizer que a pesquisa é um meio
aprofundar as respostas às "seis perguntas irmãs", a saber, "o quê, quem, quando,
onde, como e por que", que podem ser resumidas pelas formulações: "o que é-
o que aconteceu exatamente?", "quem são, com precisão, as partes interessadas em
l’affaire ou le problème ? », « quand se sont déroulés les faits objet de l’enquête ? »,
« où précisément le fait ou les faits se sont-ils déroulés ? », « comment exactement
os fatos ocorreram e quais são os desdobramentos?", "por que os
Os fatos se desenvolveram nessa direção e não em outra?
No entanto, há uma tendência geral a se concentrar, durante a investigação, na
pergunta«porquê?»comoorientaçãometodológicageral(emoposição
com a pergunta « como ? » que inspira a orientação do reportagens).Através desta
orientação (por quê?), a pesquisa trata das relações causais que ligam os diferentes
elementos e dados do assunto e os coloca no contexto geral.
A confiabilidade das fontes desempenha um papel determinante no sucesso da investigação e de
a rentabilidade jornalística. É por isso que uma das ações mais importantes
à empreender aqui consiste em elaborar, desde o início, a lista das fontes e seu
distribuição em fontes que possuem informações ou segredos e em fontes
de apoio (ajudando a encontrar informações dadas, ajudam a acessar uma
fonte de dados…). O jornalista também deve elaborar uma lista de informantes
que podem orientá-lo para novas direções, e através das quais ele pode
receber o retorno (feedback) das investigações que conduz junto às partes
preocupadas com a investigação.
O jornalista deve convencer suas fontes do bom uso que fará das informações.
que lhes dêem, ao mesmo tempo em que destacam a utilidade dessas informações para
o interesse público.
69
Tanto o jornalista deve cercar suas investigações de confidencialidade, para que
sua investigação atinge os objetivos estabelecidos, assim ele deve proteger suas fontes em
abstendo-se de mencionar seus nomes ou quaisquer outras indicações que possam
permitir sua identificação.
O jornalista não deve esquecer que a investigação pode ser destrutiva se não for
mal conduzida. O investigador pode, ao tentar corrigir um erro, causar danos
à aqueles que ele quer servir. Ele pode ser a origem de desgraças que recaem sobre
de famílias inteiras, atentar contra a honra de pessoas respeitáveis ou levar
des acusações infundadas contra inocentes, simplesmente porque ele
ele negligenciou um aspecto de sua investigação ou porque tomou verdades relativas como
verdades absolutas, negligenciou algumas fontes contraditórias que lhe teriam
permissão de ter uma visão mais completa de todos os aspectos do assunto, ou não tem
não foi dado às pessoas envolvidas nos negócios, objeto da investigação, qualquer
a latitude (contudo imprescindível) para se expressar e se defender, enquanto
permitindo que seus adversários (que às vezes são ao mesmo tempo seus inimigos) de
les comprometer.
A investigação deve respeitar as regras deontológicas e evitar cair em
juízos de valor ou a incriminação e abster-se de querer desempenhar o papel de
justiça(1).
(1) Extrato do documento intitulado: Critérios de seleção das obras jornalísticas em competição
para o Grande Prêmio Nacional da Imprensa no Marrocos, 2004. Este documento foi elaborado pelo autor
do presente guia à atenção do júri do referido Grande Prêmio.
70
tel dossier), como primeiro passo imprescindível para compreender o assunto
para considerar isso como uma problemática que pode ser dividida em várias
hipóteses que constituem tanto de pontes para o trabalho de campo.
Os dois pontos anteriores (o 1 e o 2) constituem a fase da pesquisa "
pré-enquête
•A formulação de hipóteses: A formulação de hipóteses sólidas é
tributário de uma boa compreensão do assunto que é, por sua vez, função de
o estudo do "dossiê da investigação". E é o campo que confirma ou infirmo
essas hipóteses.. É importante notar que a formulação das hipóteses requer uma
atenção especial porque influencia - inevitavelmente - o que vem a seguir (escolha dos
fontes, visita a certos locais no âmbito das investigações, escolha dos
questões da pesquisa…).
•A experimentação: Ela consiste em verificar as teses. De fato, é essa fase
que confere à investigação a sua legitimidade como um gênero jornalístico à parte,
porque constitui a fase da busca efetiva pela verdade. Sem essa
fase de experimentação das teses, não há investigação jornalística.
• O balanço da investigação (resultado das investigações): Esse balanço não deve ser divulgado.
do quadro da dialética interna entre os dados extraídos dos documentos, os
depoimentos, as declarações, as referências objetivas e as investigações sobre
o terreno. O jornalista não tem o direito de se arriscar a adotar verdades que
não são sustentadas por dados e fatos objetivos, ou que não passaram por
a prova da experimentação.
71
eleestárealizandoumcongressoextraordinário?
nãovotouafavordoprogramadogoverno?
Esse tipo de investigação deve ser realizada com rapidez - e discrição - pois é muito
provável que vários meios de comunicação concorrentes se interessem ao mesmo tempo.
A investigação de fatos diversos:
73
Critérios de qualidade da investigação jornalística:
A investigação jornalística:
[Link]ãorefletirosfatos(váalémdasaparências);
[Link]àsferramentasdalógica;
[Link]áligadaaassuntospúblicos;
[Link]çõesdosdisfuncionamentos,dasirregularidades,dosabusos,dos
injustiçaseoutrosexcessos;
[Link]àsseguintesperguntas:queméresponsável?,quemsebeneficia?,queméprejudicado?;
6. Aprofonde as « seis questões irmãs » ;
7. Baseia-se metodologicamente na questão "por quê?";
8. O jornalista se baseia em fontes que colaboram (da maneira de
"garganta profunda" no caso Watergate, ou seja, sobre "informantes"
d informações »),
9. A investigação é conduzida pelo jornalista em total confidencialidade;
10. O jornalista se compromete a proteger suas fontes;
11. O jornalista compromete-se a utilizar de forma adequada os dados sensíveis que lhe
livram suas fontes;
12. O jornalista se compromete a servir o interesse geral;
13. O jornalista se compromete a não causar danos, de forma deliberada ou por negligência,
a pessoas ou partes que possam estar envolvidas na investigação;
14. Explora-se as fontes contraditórias;
15. Exige o respeito pela ética profissional;
16. Exige o respeito pela metodologia da investigação. O jornalista deve:
Definir o tema da investigação e seu ângulo de abordagem;
Conduzir a pesquisa documental;
- Formular hipóteses;
Realizar a experimentação;
Apresentar o resultado da pesquisa.
17. O jornalista respeita as exigências de diferentes tipos de investigação:
A investigação atual;
Ainvestigação dos fatos diversos;
Arevista de investigação ;
A investigação;
O retrato-investigação;
O retrato-documento.
74
4. O retrato(1):
4.1 Definição do retrato:
Segundo a definição de Martin-Lagardette(2), o retrato(3)é um artigo que traça
os traços de uma pessoa (célebre ou não) segundo suas características próprias: seu
biografia, suas ações, suas declarações, seu modo de vida e sua aparência.
Ele também se define, na prática, como "uma investigação sobre uma pessoa".
utilizando técnicas (design-campo-redação) que se cruzam com aquelas
do relato.
O retrato se justifica por necessidades relacionadas à influência de certas pessoas.
sobre os eventos em andamento, ou sua influência potencial nas questões
atualidade. Deste modo, o retrato só é concebível em suas relações com os
eventos que fazem parte das notícias.
O retrato não faz da pessoa em questão o representante ou o protótipo.
de um grupo ou de uma categoria dada, como é o caso da « pesquisa sobre
uma pessoa única(4)(tipo retrato). Portanto, não é permitido
generalizar os traços do retrato a outras pessoas. O retrato visa aproximar
o público de uma pessoa dada através do que a caracteriza e do que ela tem
de específico e, eventualmente, ressaltar o papel que esta pode desempenhar em
o futuro. Isso supõe que o jornalista tenha ele mesmo, previamente, capturado as chaves
da personalidade que ele apresenta através de seu retrato.
O retrato não é uma biografia nem um currículo, mesmo que utilize alguns
dados retirados dessas duas fontes ao mesmo tempo, dependendo do que exige o ângulo de ataque
adotei. A tabela a seguir resume as diferenças entre o currículo e o
Retrato
(1) O retrato é mencionado aqui entre os grandes gêneros por razões puramente metodológicas, em
razão de sua proximidade com o relatório e seu caráter informativo, embora alguns especialistas
colocam na categoria dos "gêneros impressionistas".
(2) Martin-Lagardette, Jean Luc : «Guia da escrita jornalística : escrever, informar,
convaincre» - Syros 1994.
(3) Alguns o chamam de "perfil".
(4) «Guia do jornalista profissional: o reportage» - Abdelwahab Rami, 2004.
75
Diferenças entre o currículo e o retrato:
Currículo Retrato
(5) Referimo-nos aqui ao que foi escrito sobre a captura dos traços da personalidade em
o retrato de Anne Ducois no site E-X-P-E-R-T (Expressão Pública: Estado das coisas e
realização de tutoriais.
76
•O aspecto humano: No retrato que ele descreve, o jornalista não deve ceder
na "psicanálise", mas deve, antes, se interessar pelo comportamento da
pessoa preocupada, sua maneira de se expressar, sua relação consigo mesmo, com
seu ambiente familiar e profissional, bem como a sociedade;
os motivos e as escolhas pessoais que determinaram seu percurso.
O jornalista pode ler os traços psicológicos e psicossociais de seu assunto
à través de suas atividades secundárias, seus passatempos e seus hobbies, que constituem des
chaves para compreender sua personalidade.
•O aspecto reflexivo: Como a pessoa objeto do retrato reflete?, quais são
seus projetos e suas ambições? Pertence a uma entidade cultural, política
ou outra? Essas são - entre outras - perguntas que visam entender a maneira
de pensar sobre o assunto do retrato a fim de lançar luz sobre suas posições, suas
comportamentos e seus sucessos (ou fracassos) em sua relação com
eventos dados.
4.3 As características do retrato:
•O retrato se apega à a objetividade: O retrato não se reduz a
impressões subjetivas sobre uma pessoa determinada, sem relação com os
dados objetivos. De fato, esse gênero permanece profundamente ligado ao seu
caractere informativo, nesse sentido em que lança luz sobre uma determinada pessoa
et, através dela, sobre o curso dos eventos aos quais está ligada. A objetividade
impõe ao jornalista, mesmo quando ele faz o retrato de uma pessoa desaparecida,
de não se limitar a um "retrato fúnebre" que cite apenas as qualidades
do falecido e o apresenta como uma pessoa infalível.
•O retrato é "global e seletivo": O retrato traça os traços mais
marcadores da personalidade do sujeito, iluminando seus aspectos os
menos conhecidos. Os traços assim selecionados remetem à totalidade da
personalidade.
O caráter seletivo também significa a escolha de um ângulo de ataque que responda
às questões que a atualidade levanta. O ângulo de ataque pode também se expressar
através da resposta a uma pergunta referencial como por exemplo: por quê
Essa personalidade renunciou ao secretariado-geral de tal partido?
•O retrato foca no percurso das pessoas e não nas pessoas
como tais: Pode-se dizer que o retrato não esboça os traços dos
pessoas ou personalidades como tais, mas apresenta, antes, suas
percursos em relação aos fatores intrínsecos e extrínsecos que os
foram determinados, e isso de maneira necessariamente seletiva e não global.
Este percurso remete à infância, à pertença familiar, à escolaridade,
77
aos marcos importantes da vida e às outras relações que marcaram a
personalidade, objeto do retrato.
O retrato não se interessa apenas pelas celebridades: Em alguns casos,
o retrato apresenta personagens influentes em um determinado campo, mas
pouco conhecidas, ou que têm relação com um evento extraordinário, mas
ignoradas pelo grande público. O "retrato de apoio" (que acompanha outro
artigo que se insere no âmbito de um dossier de imprensa) apresenta um personagem
para aproximá-lo dos leitores, e isso à margem do artigo principal, ou para
apoiar o dossiê de imprensa.
•O retrato se baseia nos testemunhos do próprio sujeito e em
testemunhos a seu respeito: Quanto mais vivos e diretos forem esses testemunhos (coletados
pelo jornalista no terreno), mais eles têm valor. As testemunhas de
a pessoa em questão deve ser recebida durante uma entrevista direta,
usando as técnicas da "entrevista-retrato" - diferentes das de
a entrevista clássica - que se aproxima mais da entrevista livre. A entrevista
não diretiva parece ser a mais adequada às exigências do retrato (mantendo-se
à l’esprit l’angle d’attaque). Esta forma requer uma encontro direto com a
pessoa, objeto do retrato. A entrevista-retrato tem uma grande importância porque ela
permite à pessoa em questão expressar sua personalidade e corrigir os
erros eventuais nos depoimentos coletados sobre ele junto aos outros.
Quanto aos testemunhos que o jornalista coleta sobre a pessoa, objeto
do retrato, geralmente são aqueles dos amigos, dos colegas, das pessoas
interessados, especialistas (se for uma personalidade famosa), assim como os
depoimentos que são desfavoráveis a ele. O jornalista pode, também, recorrer
a trechos de escritos anteriores contendo citações do interessado ou o
concernente e integrá-los no retrato traçado.
O encontro e a entrevista com a pessoa, objeto do retrato, são a prova
éclatante que le journaliste est descendu sur le terrain.
•A redação do retrato: O retrato utiliza todas as características do
reportagem, tanto na construção quanto no tratamento. No entanto, ele se
apresentar de uma forma mais densa (utilização da "regra da alternância")(1)
com uma cadência mais rápida).
•A titulação do retrato: O título do retrato baseia-se em uma característica.
saliência da personalidade retratada.
(1) Veja "O relatório" neste guia e, para mais detalhes: "O guia do jornalista"
profissional, o reportagem jornalística" do mesmo autor.
78
Critérios de qualidade do retrato
79
CAPÍTULO IV
O título do bilhete:
84
2. A crítica
A crítica é a apresentação de uma obra cultural, criativa ou intelectual,
qui se rapporte à a escrita ou ao mundo do espetáculo. Seu objetivo essencial não
não consiste em fazer a crítica (no sentido literal do termo) da obra apresentada,
mais sim de a colocar ao alcance do público, sabendo que o jornalista pode lá
emitir seu ponto de vista que não deve se restringir apenas à enumeração
dos defeitos da obra.
O que é importante no artigo crítico é dar uma ideia geral
sobre o assunto (exposição, obra, peça de teatro...) e de incentivar o leitor a
tomar conhecimento da obra por si mesmo. A crítica deve se interessar por isso
que a obra traz de novo e de particular, ao colocá-la no contexto
geral e a dinâmica do gênero artístico ao qual pertence.
A crítica se caracteriza pela unidade do discurso, que é, aliás, uma regra.
geral comum a todos os artigos de imprensa. O discurso básico da crítica
pode se ramificar em vários discursos secundários que devem apoiar um único
idéia principal (a impressão pessoal do jornalista).
O jornalista não deve abordar o assunto com as ferramentas da análise acadêmica
(adotar uma metodologia de pesquisa científica, usar um léxico especializado,
recorrer a uma terminologia específica desconhecida do grande público, formular
recomendações ou tirar conclusões peremptórias…) ; o que não quer dizer
dizer que o jornalista não deve estar ciente da terminologia e da linguagem do
campeão artístico em questão e de sua cultura.
O artigo crítico não deve esgotar o tema da obra artística ou literária.
que ele apresenta. Ele deve, em vez disso, escolher um ângulo de ataque específico através do qual
ele pode apresentar uma visão das características principais da obra. A isso
de fato, geralmente recorremos ao que chamamos de "os limites do texto" para
apresentar as obras escritas (o título, a ilustração da capa, o prefácio,
a apresentação, o prefácio, a contracapa, etc.). No entanto, se
Fiar-se apenas nesses elementos pode ser desconcertante. Assim, o jornalista deve
o tempo de ler a obra na sua totalidade, ou pelo menos, dar uma olhada por
maneira atenta.
Na sua crítica, o jornalista deve se assegurar dos elementos que apoiam o discurso
principal e deve selecionar apenas as informações e os dados objetivos
que corroboram a impressão geral que lhe foi inspirada pela obra artística ou
literário.
Ele pode incluir testemunhos do autor da obra - ou de seu diretor (no caso
d’œuvre collective). É também recomendado citar alguns trechos de
85
celles-ci surtout quand il s'agit d'œuvres de création. Ces passages sont sélectionnés
de acordo com o gosto do jornalista, e apresentam, ao mesmo tempo, brevemente os dons
e os talentos criativos do autor. Esses testemunhos e essas citações - dos quais os mais
os pertinentes são sempre os mais concisos e os mais significativos - têm o mérito
afastar do artigo crítico a subjetividade do jornalista.
A crítica se caracteriza por um estilo que deve refletir, em certos de seus
aspectos, a extensão da cultura do jornalista a fim de poder convencer, pois o
o leitor deve sentir que o jornalista domina o assunto tratado. O estilo da crítica
lembra aquele do retrato e do reportagem. E visto que o artigo crítico tende a
a densificação, parece que no plano da redação, é mais próximo do
retrato que do reportagem. Se tivéssemos que fazer uma comparação entre a crítica,
por um lado, e esses dois gêneros, por outro lado, poderíamos dizer que a crítica
é um "reportagem" sobre uma obra cultural ou artística e não uma "investigação".
na medida em que não pressupõe uma construção rigorosa para alcançar
uma verdade incontestável.
Assim como para o relatório, uma atenção especial deve ser dada a
a introdução e a queda.
O jornalista pode se inspirar no título do filme, do livro ou da exposição para
escolher o título do artigo crítico.
A crítica figura entre os gêneros jornalísticos que mais apelam para a
criatividade do jornalista que pode adotar um estilo que não seja menos criativo
que o do autor da obra criticada.
O estilo da crítica se impregna da natureza da obra que apresenta. A
A crítica de um filme cinematográfico, por exemplo, requer mais um estilo de escrita.
visível (veja o relatório jornalístico); a de uma obra de poesia adota,
quanto a ela, uma grande seletividade na expressão e no uso das figuras de
estilo (como a metáfora), inspirando-se, por outro lado, na terminologia e nos
termos consagrados em cada área.
A construção do artigo crítico está sujeita à lei da alternância (ver o
reportagem jornalística), especialmente no que diz respeito à alternância das citações, dos
dados objetivos, observações em campo e estilos direto e indireto.
A crítica deve incluir as informações técnicas e práticas relacionadas a
a obra em questão para indicar ao leitor como ter acesso e a que preço.
86
O título da crítica:
Acríticaéum"reportagem"sobreumaobracultural,artísticaouintelectual;
[Link]às"seisperguntasirmãs"enfatizandoaquestão"como?";
3. Ela destaca o que é novo e distinto na obra, ao se
colocando no contexto geral da produção;
4. Ela incentiva o leitor a descobrir por si mesmo a obra em questão;
5. Ela não esgota o assunto tratado;
6. Ela se caracteriza pela unidade do discurso;
7. Ela evita a abordagem acadêmica;
8. Ela requer o conhecimento do domínio, bem como o domínio da
terminologia e da cultura a ela relacionada;
9. Ela recomenda um ângulo de ataque através do qual podem ser tratados com
arranjo os diferentes aspectos da obra;
10. Ela integra testemunhos do autor ou do diretor da obra (se for o caso
d’un ouvrage collectif ) ;
11. Ela inclui, preferencialmente, trechos da obra em questão;
12. Ela reflete uma parte da cultura do jornalista (estilo distinto);
Ela adota um estilo que se assemelha aos do retrato e do reportagem;
Ela figura entre os gêneros jornalísticos que mais apelam à criatividade
do jornalista;
[Link]çãoestásujeitaàregradaalternância(vejaorelatóriojornalístico);
16. Ela integra as informações técnicas relativas à obra em questão.
87
3. O editorial
O editorial é um gênero jornalístico que visa, além da emissão de um ponto
de vista, a expressão de uma posição que incorpora a linha editorial do órgão de
imprensa. É o que às vezes chamamos de "ponto de vista oficial do jornal". Ele é
preferível que o editorial seja dedicado às grandes questões de interesse geral
nos domínios político, econômico, social e cultural. Ele é geralmente
publicado na "capa".
O editorial leva a assinatura do jornal ou, geralmente, a da pessoa
que ocupa a função de diretor de redação ou editor-chefe no
de órgão de imprensa. O editorial que leva a assinatura do jornal expressa
mais o compromisso deste, enquanto aquele assinado por um responsável do jornal
exprime a posição deste sob a cobertura da linha editorial.
Após a mutação da imprensa diária generalista e sua transformação
de « imprensa de opinião » para « imprensa de informação », o editorial perdeu seu
força de ataque "em destaque" em favor da informação nova. O editorial retira,
doravante, seu valor exclusivamente de sua capacidade de acompanhar os eventos e
as questões cuja importância exige uma posição clara. Assim, não
não deve ser reduzido a uma formalidade ou a um luxo diário, o que levaria a
sua depreciação e ao seu desgaste por assuntos que não merecem ser tratados a
através desse gênero jornalístico. O editorial também pode encontrar seu lugar em
as páginas internas entre os artigos de opinião. Muito mais, uma mesma edição
pode conter vários editoriais (de acordo com as seções do jornal).
Ao contrário da imprensa diária, o editorial também diz respeito às edições da
imprensa semanal, quinzenal ou mensal.
O editorial tenta sempre ganhar a adesão do leitor à posição que expressa.
e isso por meio das evidências que apresenta sobre a veracidade das teses defendidas por
o autor. Esta abordagem não se baseia apenas na polêmica, mas também,
e sobretudo, sobre a argumentação, a lógica e os exemplos vívidos, além de
toda subjetividade, e isso em um estilo medido, mas firme.
Existe um tipo de editorial chamado: "editorial desabafo", baseado na
contradição e a polêmica (trabalhamos o estilo com o objetivo de influenciar, mas
a argumentação é necessária).
O editorial tem "uma cabeça", "uma barriga" e "uma cauda"; o que corresponde a
estrutura clássica do artigo de jornal com uma introdução, um desenvolvimento
e uma conclusão.
88
Na "cabeça", o editorialista expõe o assunto e levanta a ou as questões.
fundamentais que se relacionam. A introdução deve obrigatoriamente relembrar
a informação sobre a qual se constrói o editorial, desde que seja conhecida. Se
ela é nova ou não é conhecida pelo público, o autor é obrigado a apresentá-la
dentro dos limites que a tornam compreensível. No nível do "ventre", o autor
exponha os argumentos que corroboram a posição defendida. No nível de "o
fila », o editorialista enfatiza o discurso fundamental de maneira a
criar uma predisposição nos leitores para se impregnarem ou integrarem.
A argumentação no editorial:
Em seu argumento, o editorialista se baseia em(1)
Os dados objetivos (incluindo números e estatísticas) capazes de
convencer o leitor;
-Os eventos que realmente ocorreram e os fatos indiscutíveis;
As fontes cuja notoriedade e fiabilidade são reconhecidas;
Os relatórios e os estudos provenientes das instituições e organizações locais,
regionais e internacionais credíveis ;
Os exemplos que tornam a posição defendida pelo editorialista clara e realista
e concreta;
As convicções que remetem a um contexto comum que é difícil de
contestador
O estilo claro e simples, mas impactante, sem cair na pedantaria e em
evitando o estilo precioso e pomposo;
As ferramentas que permitem apoiar ou refutar, especialmente no caso em que a
a refutação de teses diferentes ou contrárias à opinião do editorialista contribui
à corroborar aquelas avançadas.
Quanto à construção dos argumentos e ao seu arranjo, é preferível que
o editor começa apresentando os argumentos mais sólidos para terminar por
aqueles que são menos. Ele não deve usar os argumentos fracos de maneira isolada
pois isso enfraquece consideravelmente o editorial, mas, antes, distribuí-los através do
texto para não atenuar a força dos argumentos sólidos.
O discurso editorial se destaca por seu caráter prescritivo, nesse sentido
que tende a orientar para o que deve ser. No entanto, o jornalista deve evitar de
(1) Veja também o quadro sob o título 'a diferenciação entre os eventos e seus detalhes'
na parte dedicada ao artigo de análise
89
cair no estilo do sermão ou da pregação, e evitar que seu texto tome uma
atração ideológica. Ele também deve evitar repetir as mesmas ideias com
formulações diferentes, o que reduziria o editorial a verborreia.
O editorial deve manter-se na unidade do tema, pois a multiplicidade de discursos faz perder
ao texto sua força e sua unidade de assunto.
O título do editorial deve expressar uma posição e não deve se limitar a sugerir
o assunto.
90
4. A crônica :
A crônica é um gênero de escrita jornalística onde o autor se compromete, sob
um título invariável e um lugar fixo no jornal, para chamar a atenção sobre um
sujeito, que ele mesmo escolhe, partindo de sua convicção de que o assunto escolhido é
importante. O cronista pode ser um membro da equipe da redação ou
um colaborador externo. A crônica é destinada a uma pena conhecida e
experiente na área da escrita, ou a uma personalidade que possui
um peso social e um carisma reconhecidos. O cronista adota uma periodicidade
regular (geralmente semanal) que ele assume como um compromisso fixo
para tecer uma relação de confiança com seus leitores. Na imprensa árabe, os
Os cronistas são às vezes conhecidos como "escritores de opinião" que se
solicite para aparecer, de maneira regular, nos jornais e nas revistas.
O cronista representa "a voz da sabedoria" dentro do jornal. Embora ele
baseia-se em suas próprias opiniões no tratamento dos assuntos que aborda, sua
cultura - supostamente vasta -, sua compreensão global do curso dos eventos,
sua perspicácia, sua capacidade de observação e sua aptidão para tirar ensinamentos,
dando um valor e um peso ao que ele escreve.
O leitor deve sentir ponderação nas palavras do cronista graças a
a abordagem multidisciplinar que adota e através de seu estilo moderado,
os argumentos e as provas que sustentam as suas opiniões. Além disso, o autor de
a crônica deve estar ciente de sua responsabilidade social e zelar para que
suas opiniões não sejam efêmeras (que duram apenas um dia ou alguns
horas) e não se reduzem a um simples reflexo dos eventos.
O cronista frequentemente busca analisar os eventos com o objetivo de alcançar
conclusões que têm um caráter duradouro. Ele geralmente questiona os
eventos e fenômenos relacionados aos conceitos de democracia,
bem-estar social, de interesse geral, de modernidade, de igualdade, de justiça, de tolerância,
de progresso, de autenticidade e de identidade cultural, ao mesmo tempo em que eleva esses conceitos
no nível da reflexão. Daí a profundidade intelectual que caracteriza a
crônica.
Dado que a crônica traz a marca pessoal de seu autor, é
permitem-me usar a primeira pessoa do singular, ao contrário de
o artigo de análise onde o "eu" deve ser banido. As palavras e as expressões utilizadas
na crônica não devem ser sempre fortuitos, e podem ultrapassar o sentido
tender para graus semânticos superiores.
91
O autor da crônica usufrui de uma liberdade em três dimensões que alguns
qualificante de « carta branca » :
A liberdade de escolha do assunto:
O cronista escolhe o assunto que lhe parece digno de interesse, relacionado com os
eventos em curso ou com fenômenos novos ou permanentes na
domínios político, econômico, social ou cultural. No entanto, o editor-chefe
deve sugerir - e não ordenar - ao cronista que 'observe' o curso dos
eventos a fim de colocá-los em seu verdadeiro contexto e extrair as diferentes
ensinamentos que iluminam a lanterna do leitor.
A liberdade de estilo:
O cronista tem um estilo que é próprio dele. Ele não é obrigado a se conformar a
estilo da linha editorial do jornal. Quanto mais pessoal for o estilo, mais a crônica
apporte da diversidade e da riqueza ao jornal. No entanto, o editor-chefe
deve chamar a atenção para algumas regras gerais da escrita jornalística das quais
o cronista deve se inspirar, a saber, especialmente: a clareza (clareza da mensagem base
e da expressão), a fluidez do estilo, a simplicidade, o cuidado que deve ser dado a
a introdução, o domínio das técnicas de persuasão.
A liberdade dos meios de persuasão:
A método de persuasão utilizada pelo cronista pode residir na forma
(estilo) ou no fundo (a ideia). Ele pode optar pela argumentação intelectual ou
recorrer a exemplos, à indução ou à representação, etc. Ele tem, na verdade, toda a
latitude para defender suas teses no estilo em que ele mais se destaca, sem ser constrangido
a um procedimento preciso que pode tornar seu texto seco e enfadonho.
O cronista geralmente possui a capacidade de analisar os dados de um campo.
preciso com as ferramentas de outro campo (abordagem multidisciplinar), o que resulta em
um atrativo adicional ao método seguido para convencer.
A crônica se caracteriza por sua "identidade visual" (enquadrada ou malha,
acompanhada da foto do cronista e do seu endereço de e-mail para
corresponder com os leitores…). Esta "identidade visual" permite aos leitores
que apreciam ter acesso diretamente e sem difficuldade a esse gênero jornalístico.
92
O título da crônica:
[Link]íbrionojornal;
[Link];
[Link]çãonosjulgamentos;
[Link]õesqueseimpõem;
[Link];
Refleteaconsciênciadoautorsobresuaresponsabilidadesocial;
[Link]ógicoseosvalores;
[Link];
[Link]ção;
[Link]ão;
[Link]ãocaianaabstração;
[Link]çaumarelaçãocomleitoresfiéis.
93
5. O artigo de análise
O artigo de análise examina um fato, uma situação, um fenômeno ou um problema
dados a fim de entender o significado por meio da pesquisa das relações entre os
fatos e eventos relacionados ao tema da análise. Também, a abordagem adotada em
esse gênero jornalístico envolve a busca pelo "que está por trás"
a informação
O artigo de análise segue as etapas e os procedimentos próprios da investigação.
jornalística, exceto a ação no campo. Portanto, a análise é uma investigação
intelectual conduzido no escritório.
95
•O artigo de análise deve ser conciso dentro dos limites que permitem trazer tudo
o sentido e o que exigem as ramificações do assunto. Isso deve ser feito sem preenchimento
nem redundância, sabendo que a análise não é sinônimo de comprimento.
O discurso básico que contém o artigo da análise deve ser claro e
convincente.
96
Critérios de qualidade do artigo de análise
97
CONCLUSÃO
Ao mencionar na capa, como subtítulo, que os gêneros
jornalísticas são "as chaves da informação profissional", não se tratava
não para nós de uma simples cláusula de estilo nem de um anúncio sem objeto. De fato,
os jornalistas que não dominam as ferramentas do seu trabalho não podem
acessar o 'conhecimento especializado' que supõe distingui-los dos outros
e nunca poderão ultrapassar a idade da adolescência profissional ou sair de
o amadorismo.
Queremos que este guia seja completo sem, no entanto, ser afogado em
detalhes. Não adotamos uma abordagem que consiste em examinar minuciosamente
cada gênero jornalístico. Não era esse o objeto deste guia.
De fato, o objetivo desta obra era apresentar os gêneros jornalísticos
de maneira comparativa (ver primeiro capítulo), pois estimamos que os
jornalistas em exercício ou em formação não podem dispensar um conhecimento
perfeita do « mapa dos gêneros jornalísticos », e isso ao assimilar as finalidades
(as funções) às quais esses gêneros são dedicados, a fim de poder usufruir dos
enormes possibilidades que a profissão oferece, expressar-se, ao mesmo tempo que dá voz a
a sociedade, e tentar se erguer como o "quarto poder".
É desnecessário dizer que a direção da redação (em primeiro lugar, a redação em
o chef) não poderia se passar desta « carta dos gêneros » a fim de poder conferir
a riqueza, o atraente e a vitalidade necessárias aos produtos jornalísticos que ela
propor e afin de orientar os jornalistas para determinados gêneros ou levá-los a
especializar-se em um gênero em particular.
O conhecimento dos gêneros jornalísticos não significa que podemos os
praticar todos com o mesmo grau de perfeição. De fato, as predisposições,
as aptidões e os gostos do jornalista podem predispor-lhe a excelir em um
gênero ou em outro, o que não constitui um defeito. O verdadeiro defeito do
o jornalista reside no fato de que sua cultura de gêneros é insuficiente.
É por isso que aconselhamos ao leitor deste guia a considerá-lo como
uma introdução às diferenças entre os gêneros jornalísticos, tais como elas
foram explicadas, e isso antes de qualquer especialização em um gênero em
particular. Assim, ele poderia trazer uma contribuição qualitativa para servir uma
profissão que não é como as outras e que está longe de ser um campo livre
deixado à improvisação e à anarquia. 7
101
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