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Tratamento da Dor de Cabeça em Salvas

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Augusto Saraiva
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Cluster Headache pode ser traduzido como Dor de Cabeça em Salvas.

É um tipo de cefaleia extremamente dolorosa, caracterizada por episódios intensos de dor


unilateral, geralmente em torno de um dos olhos, com uma duração curta (geralmente de 15
minutos a 3 horas), mas que pode ocorrer várias vezes ao dia, durante semanas ou meses.

A dor de cabeça em salvas é uma dor de cabeça estritamente unilateral, associada a sintomas
autonômicos cranianos ipsilaterais, geralmente com um padrão circadiano e circannual. A
prevalência é estimada em 0,5 a 1,0/1.000. O diagnóstico de dor de cabeça em salvas é feito
com base no histórico do paciente. Existem dois principais padrões clínicos de dor de cabeça
em salvas: o episódico e o crônico. O padrão episódico é o mais comum. Ele ocorre em
períodos de 7 dias a 1 ano e é separado por pelo menos um intervalo de 1 mês sem dor. Os
ataques na forma crônica ocorrem por mais de 1 ano, sem períodos de remissão ou com
períodos de remissão inferiores a 1 mês.

A terapia conservadora consiste em tratamentos abortivos e preventivos. As ergotaminas e as


injeções de sumatriptano, a administração sublingual de tartrato de ergotamina e a inalação de
oxigênio são terapias abortivas eficazes. O verapamil é um remédio profilático eficaz e o mais
seguro. Quando as terapias farmacológicas e de oxigênio falham, o tratamento intervencionista
para dor pode ser considerado. A eficácia do tratamento por radiofrequência do gânglio
pterigopalatino e da estimulação do nervo occipital foi avaliada apenas em estudos
observacionais, resultando em uma recomendação 2 C+.
Em conclusão, o tratamento primário é medicamentoso. O tratamento por radiofrequência do
gânglio pterigopalatino deve ser considerado em pacientes resistentes à terapia conservadora
para dor. Em pacientes com dor de cabeça em salvas refratária a todos os outros tratamentos,
a estimulação do nervo occipital pode ser considerada, preferencialmente dentro de um estudo
clínico
Na forma mais típica, haverá períodos de dor de cabeça episódica (em salvas), que duram de
algumas semanas a meses, durante os quais a frequência dos ataques pode variar de um a
cada 2 dias até oito por dia.

Após esse período, um paciente pode frequentemente experimentar um ou mais anos sem
ataques antes de um novo período de ataques ocorrer. Em um pequeno número de pacientes,
o padrão de ataques muda de episódico para crônico, no qual os ataques diários ocorrem por
anos.

A forma crônica é rara!!!

O diagnóstico de dor de cabeça em salvas é feito com base no histórico clínico do paciente.
Testes adicionais, exames de sangue ou raios-X para excluir outras causas da dor de cabeça
raramente são necessários, pois a dor de cabeça em salvas é muito característica.

As dores de cabeça em salvas episódicas ocorrem em períodos que duram de 7 dias a 1 ano,
sendo separados por um intervalo sem dor de pelo menos 1 mês. Já os ataques na forma
crônica ocorrem por mais de 1 ano sem períodos de remissão ou com períodos de remissão
inferiores a 1 mês.
Balasubramaniam e Klasser discutem os “sinais de alerta” que devem ser levados em
consideração. Esses sinais incluem:

• Cefaleia crônica e incessante,

• Cefaleia residual persistente de baixa intensidade após o fim do ataque de


cefaleia em salvas,

• Resposta mínima ao tratamento padrão,

• Achados físicos anormais, como alterações nos sinais vitais,

• Exame anormal dos nervos cranianos, com exceção de miose e ptose, que são
comuns na cefaleia em salvas.

A terapia abortiva para cefaleia em salvas inclui:

1. Inalação de oxigênio → O uso de oxigênio a 100% a 7 L/min por meio


de uma máscara facial é um dos métodos mais eficazes e, de longe, o mais seguro.
Em cerca de 70% dos casos, o ataque é interrompido dentro de 15 a 30 minutos. No
entanto, uma revisão recente da Cochrane encontrou evidências limitadas para
essa terapia.

2. Sumatriptano subcutâneo → Sua eficácia foi demonstrada em um


estudo duplo-cego, controlado por placebo. Em 70% dos pacientes tratados com 6
mg de sumatriptano subcutâneo, a dor desapareceu em 15 minutos, em
comparação com 26% dos pacientes tratados com placebo.

3. Tartrato de ergotamina sublingual → A dose recomendada varia de 2 a


4 mg e é considerada uma terceira opção de terapia abortiva.
O verapamil, na dose de 120 a 480 mg por dia, é um tratamento profilático eficaz e considerado
o mais seguro para a cefaleia em salvas.

A justificativa para o tratamento por radiofrequência (RF) do gânglio pterigopalatino (PPG) na


cefaleia em salvas é influenciada pelos sintomas parassimpáticos durante os ataques e,
possivelmente, por substâncias vasoativas, como o peptídeo relacionado ao gene da
calcitonina (CGRP).

O tratamento do gânglio pterigopalatino (PPG) pode melhorar a cefaleia em salvas episódica,


mas não a cefaleia em salvas crônica. Já há evidências de alguns trabalhos mostrando
benefícios para TRO da crônica

A destruição total do gânglio pterigopalatino (PPG) pode resultar em ressecamento dos olhos.
No entanto, em condições normais, o tratamento por radiofrequência (RF) tem como objetivo
apenas uma lesão parcial do gânglio.

Possíveis complicações incluem:

• Hipoestesia do palato mole, que geralmente desaparece após 6 a 8 semanas.

• Epistaxe (sangramento nasal) e inchaço da bochecha, devido à formação de um


hematoma.

• Lesão acidental do nervo maxilar, que pode ocorrer se a técnica não for
executada corretamente, sendo uma complicação mais incômoda.
O tratamento primário para a cefaleia em salvas é medicamentoso. No entanto, em pacientes
resistentes à terapia, o tratamento por radiofrequência (RF) do gânglio pterigopalatino (PPG)
deve ser considerado, sendo idealmente realizado no início do período de crises.

Para pacientes com cefaleia em salvas refratária a todos os outros tratamentos, a estimulação
do nervo occipital (ONS) pode ser considerada, preferencialmente dentro de um estudo clínico
em centros especializados.

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