OS CLIMAS DO BRASIL
• O território brasileiro, em razão de sua grande
extensão, recebe influência de diferentes climas. A
maior parte do país pertence à Zona Climática
Intertropical (entre os Trópicos de Câncer e
Capricórnio), o extremo sul do Brasil, por sua vez,
integra a Zona Climática Temperada do Sul (entre o
Trópico de Capricórnio e o Círculo Polar
Antártico).
• Nas regiões próximas à linha do Equador, que
“corta” o país no extremo norte, são comuns
temperaturas altas, com baixas amplitudes térmicas
(variações de temperatura). Ao sul, as variações de
temperatura são maiores e ocorrem de acordo com
as estações do ano, sendo que os verões podem
atingir temperaturas muito elevadas, e os invernos
são extremamente frios.
• Os climas do Brasil são classificados em:
Equatorial, Tropical, Subtropical, Tropical
atlântico(altitude) e Semiárido.
• Elementos do clima:
• Radiação
• Temperatura
• Pressão atmosférica
• Umidade do ar
• Fatores Climáticos:
• Altitude
• Latitude
• Maritimidade e Continentalidade
• Massas de ar
• Correntes Marítimas
• Localização Geográfica
• Os elementos climáticos, como o próprio nome indica, são os fenômenos que compõem o clima. São
eles: a temperatura, a umidade do ar, a pressão atmosférica e a radiação solar.
• A temperatura é o registro do calor atmosférico e costuma ser medida em graus Celsius (ºC) ou em
outras unidades que são utilizadas em outros países, como o Fahrenheit (ºF) e o Kelvin (K). Assim,
um valor alto das temperaturas – 37ºC ou 40ºC, por exemplo – significa que está muito quente,
enquanto temperaturas mais baixas significam que está mais frio.
• A umidade do ar é a quantidade de água presente no ar atmosférico em forma de vapor. Ela é
dividida em umidade absoluta, que é a quantidade total de água existente no ar, e umidade relativa,
que é a umidade de água presente no ar em comparação com o necessário para começar a chover.
• A pressão atmosférica é o “peso” que a atmosfera exerce sobre as nossas cabeças e sobre a
superfície terrestre, sendo medida em milibares (mb) ou em outras unidades de medida. Geralmente,
quando algum fator climático provoca o aumento da pressão atmosférica, as temperaturas ficam mais
elevadas.
• A radiação solar é o calor produzido pelo sol e recebido pela Terra. Ela é muito importante para
manter o aquecimento do nosso planeta e, assim, controlar as temperaturas para propiciar a
manutenção da vida. Contudo, nem toda a radiação recebida pelo nosso planeta chega à superfície, a
maior parte é absorvida ou refletida pela atmosfera.
• Como o nosso planeta possui uma determinada inclinação em seu eixo, nem todas as partes da
superfície terrestre recebem a mesma quantidade de radiação solar, o que permite que existam as
chamadas zonas térmicas da Terra. O processo de reflexão da radiação solar da superfície para a
atmosfera e da atmosfera de volta para a superfície é chamado de efeito estufa.
O que são fatores climáticos?
• Os fatores climáticos são os componentes geográficos que causam o comportamento
climático. São eles quem determinam as padronizações dos elementos climáticos:
• Latitude - É o fator climático que mede a distância entre a localidade e a Linha do Equador
(latitude 0º). Essa linha é importante porque marca o ponto de maior incidência solar e, por
isso, quanto mais próximo dela, mais quentes são os climas. Por outro lado, as regiões de
maior latitude são mais frias e recebem menos radiação solar. Por meio desse conceito
geográfico é possível criar as zonas climáticas, conforme o esquema abaixo:
• Altitude - A altitude mede a distância entre a região e o nível do mar. Quanto maior a
altitude, mais frias são as temperaturas. Uma das explicações para essa afirmação é a
distância do solo, que impede uma grande ascensão do calor até esses locais.
• Além disso, esse fator climático se relaciona intimamente com a pressão atmosférica:
localidades de grande altitude apresentam menor pressão atmosférica, ar rarefeito e menor
propagação da umidade e temperatura, situação que ocasiona essa queda nos índices
termométricos.
• Maritimidade e continentalidade - A maritimidade diz respeito à proximidade a corpos hídricos,
ela tem grande influência no clima porque a água é um importante regulador térmico, que garante
menor amplitude térmica no decorrer do tempo.
• Em contraposição, a continentalidade é mensura a distância da localidade até os corpos d’água.
Regiões intercontinentais tendem a possuir maior amplitude térmica ao longo do ano, além de
estarem mais sujeitas à baixa umidade relativa do ar.
• Correntes Marítimas - As correntes marítimas são grandes fluxos de água que se movimentam no
interior dos mares. Podem ser consideradas como grandes rios ou corpos d’água salgada que se
movem em um fluxo independente do movimento oceânico.
• Conforme se direcionam entre as regiões, elas podem influenciar na umidade e temperatura. Os
locais onde as correntes marítimas são quentes, possuem maior evaporação d’água, e por
consequência, maior índice pluviométrico — isso ocorre, por exemplo, na costa litorânea brasileira.
• Em contrapartida, os litorais de água fria são mais secos, uma vez que o vapor d’água se condensa
antes de chegar próximo à superfície continental. É o que acontece no litoral chileno, nas formações
próximas ao deserto do Atacama.
• Massas de ar - Por último, as massas de ar são fatores climáticos relacionados com o vento, que
nada mais é do que o ar em movimento. Esse deslocamento ocorre pela diferença de pressão entre as
regiões.
• Nesse contexto, as massas de ar partem das regiões de alta pressão para as regiões de maior pressão
atmosférica. Geralmente, essa movimentação leva o calor e a umidade de uma localidade para outra,
o que influencia no perfil climático de ambos os locais.
Ventos Alísios
• Os ventos alísios é um tipo de vento constante e úmido
que tem ocorrência nas zonas subtropicais em baixas
altitudes. Ele sopra nos trópicos na região do Equador de
leste para oeste e por serem úmidos provocam grande
incidência de chuvas.
• Atuam diretamente no clima do planeta ocorrendo
durante todo o ano em locais onde as temperaturas são
mais altas e a pressão atmosférica é menor. Vale lembrar
que o ar quente é mais leve que o ar frio e as circulações
de ar ocorrem por meio das diferenças de pressão
atmosférica.
• No caso dos alísios, eles têm grande incidência na
América central, sendo formados pelo deslocamento das
massas de ar frio (zonas de alta pressão) dos trópicos
para a zona equatorial (zonas de baixa pressão).
• Os ventos alísios ocorrem nos dois hemisférios do
planeta. No hemisfério norte os alísios sopram de
nordeste para sudoeste, sendo chamado de alísio do
Norte (oeste-leste). Já no hemisfério sul, o alísio do Sul,
sopra de sudeste para noroeste (sentido Leste-Oeste).
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Ventos Contra-alísios e Zona de Convergência Intertropical
• Os ventos contra-alísios fazem o sentido contrário, ou seja,
sopram do Equador para os trópicos, de oeste para leste. São
ventos secos que tem incidência em altitudes mais elevadas e
atuam das zonas equatoriais de baixa pressão para as zonas
subtropicais de alta pressão. Por esse motivo, grandes áreas
de deserto têm alta ocorrência dos contra-Alísios.
• A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é uma área que
circunda a Terra próximo a linha do Equador donde apresenta
todo o ano a atuação dos alísios uma vez que recebe maior
incidência dos raios solares.
O que é El Niño?
• O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas do oceano
Pacífico, especialmente na sua porção centro-sul, nas proximidades do litoral do Peru. Esse
processo ocorre de forma cíclica, sem uma temporalidade específica em termos de
sazonalidade, geralmente iniciando-se no mês de dezembro, quando há o início do verão no
Hemisfério Sul.
• Trata-se de um importante fenômeno atmosférico e também oceânico, visto que impacta de
forma direta as características da circulação atmosférica e das águas marítimas do planeta,
especialmente na porção tropical do globo, modificando assim o regime de temperaturas e de
precipitações nessa porção do mundo.
• Os estudos mais recentes apontam que uma mudança brusca nos ventos alísios que cortam a
região, especialmente o enfraquecimento desses ventos, tem gerado um avanço das correntes
marítimas de água quente nas regiões geográficas do centro-sul do oceano Pacífico,
culminando assim no aumento das temperaturas locais das águas oceânicas. Essa mudança
resulta justamente no aquecimento das águas desse oceano e, por consequência, em mudanças
consideráveis nas condições das massas de ar, correntes marítimas e pressões atmosféricas,
que por sua vez provocam diversas anomalias climáticas em diferentes regiões do globo,
especialmente na sua porção tropical, modificando assim os regimes de temperaturas e
precipitações globais.
Consequências do El Niño
• As consequências do El Niño envolvem a espacialização das mudanças climáticas provocadas por
esse fenômeno ao redor do mundo. Ele gera mudanças, especialmente nas temperaturas e nas
precipitações, em diversas regiões globais, com destaque para a faixa tropical do globo. As
principais consequências em termos climáticos do El Niño são:
• o registro de períodos de secas e a elevação das temperaturas no subcontinente indiano, no Sudeste
Asiático e na Austrália;
• o favorecimento da ocorrência de tempestades, ou seja, o aumento das precipitações na costa oeste
da América do Norte;
• o predomínio de um tempo mais quente e mais seco, especialmente nos países continentais da
América Central;
• a mudança das condições climáticas da América do Sul, com variações entre secas severas e grandes
volumes de chuvas.
• É importante destacar que as alterações climáticas provocadas pelo El Niño causam consequências
econômicas e ambientais em diversas regiões do globo. As perdas agrícolas em zonas geográficas
como o Sudeste Asiático e o Nordeste do Brasil, assim como o prejuízo à atividade pesqueira em
países como Peru e Equador, são consequências do El Niño.
El Niño no Brasil
• O Brasil, em razão da sua localização em uma faixa tropical do globo, sofre diretamente
com as mudanças climáticas em termos de temperatura e precipitação provocadas pelo El
Niño. Em relação às regiões brasileiras, o El Niño provoca secas severas no Norte e
Nordeste do país, implicando graves prejuízos à agropecuária e favorecendo a ocorrência de
queimadas.
• Por sua vez, a região Sul do Brasil sofre durante o fenômeno do El Niño com a ocorrência
de fortes chuvas, que resultam em prejuízo econômico, como o causado pelos alagamentos e
deslizamentos. O aumento da temperatura durante a ocorrência do El Niño na referida
região também provoca prejuízos aos produtores rurais locais.
• Já nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país, os efeitos do El Niño são menos previsíveis.
No geral, há mudança significativa dos padrões de temperatura e precipitação que são
registrados nessas regiões ao longo dos anos, favorecendo a ocorrência de eventos
extremos, como secas e tempestades.
Diferenças entre El Niño e La Niña
• O El Niño e o La Niña são fenômenos climáticos, de origem atmosférica e oceânica, que são
marcados pela alteração considerada anormal da temperatura das águas do oceano Pacífico,
especialmente nas proximidades do litoral oeste da América do Sul, próximo ao território do Peru.
No caso do El Niño, há o aumento anormal das temperaturas das águas oceânicas dessa zona
geográfica, enquanto na atuação do La Niña ocorre o contrário, ou seja, o resfriamento anormal das
águas oceânicas do Pacífico centro-sul. Em razão dessa oposição, o El Niño e o La Niña provocam
efeitos climáticos distintos, mas no geral, estão atrelados às mudanças de temperaturas e
precipitações registradas ao longo da faixa tropical do globo.
Esquema
simplificado do
comportamento
dos ventos e sua
influência sobre a
temperatura das
águas do Pacífico
em anos normais e
em anos de El
Niño.
Mapa dos impactos do El Niño no mundo
O que é La Niña?
• O La Niña é um evento climático natural que tem início no oceano Pacífico, em especial nas
áreas próximo da Linha do Equador. Consiste no resfriamento anormal das águas superficiais
do oceano Pacífico.
• Esse resfriamento: produz consequências para a circulação geral da atmosfera e implica em
transformações nas condições climáticas em diversas áreas do globo, como:
• modificação da temperatura;
• ocorrência de chuvas intensas em determinadas áreas e de secas severas em outras.
• As águas do Pacífico Equatorial esfriam entre 2 °C e 4 °C durante a vigência do La Niña.
• Esse fenômeno acontece de tempos em tempos, podendo se dar em intervalos bastante
variáveis que vão de dois a sete anos.
• A duração do La Niña também não é uma constante, estendendo-se entre nove meses e um
ano.
Características do La Niña
• O La Niña está diretamente relacionado com o sistema de ventos alísios, que são ventos que sopram, tanto a norte quanto a
sul, dos trópicos em direção à zona de baixa pressão situada próximo da Linha do Equador, chamada de Zona de
Convergência Intertropical (ZCIT). O sentido dos alísios é de leste para oeste.
• Quando os ventos alísios sopram com uma intensidade maior do que a convencional, eles “empurram” a camada
superficial de água quente do oceano Pacífico em direção a oeste, criando nessa região uma camada mais profunda de água
quente.
• Dessa forma, acontece uma espécie de represamento das águas com temperatura mais elevada, e elas ficam restritas a uma
área bem mais estreita do que em condições normais. O oposto acontece na região Oriental do Pacífico, próximo da costa
oeste sul-americana. Nessa área, o nível da água diminui, e a ressurgência de água fria se torna maior do que o
convencional.
Lembremos que ressurgência é o
Observe como se fenômeno de ascensão das águas
comportam os
ventos alísios e as de subsuperfície, que possuem
camadas de água temperaturas mais baixas do que as
quente e fria do
Pacífico em águas superficiais. Trata-se de um
condições normais evento natural, mas que se
e em anos de intensifica em anos de La Niña.
ocorrência do La
Niña.
Quais as consequências do La Niña?
• O La Niña provoca modificações significativas na circulação geral da atmosfera, o que decorre do fato de esse
fenômeno alongar as células de circulação que são formadas sobre o oceano Pacífico Equatorial.
• Como consequência, muitas regiões do planeta Terra experimentam uma alteração sazonal no regime pluviométrico,
o que se deve à mudança nos índices de umidade e também variações consideráveis de temperatura.
• No sul e sudeste do continente asiático, nos países insulares situados a nordeste do oceano Índico, como a Indonésia,
há um aumento no volume de chuvas, bem como registro de temperaturas mais elevadas.
• O mesmo acontece na Austrália e, do outro lado do Pacífico, na Colômbia. Ambos os países experimentam um
aumento substancial no volume de chuvas para o mesmo período em condições normais. No Leste Asiático e na
costa oeste da América do Norte, há queda de temperaturas.
• Secas severas são ocasionadas na região do Pacífico Central e na parcela ocidental da América do Sul, áreas nas
quais o frio também é intensificado, compreendendo os territórios:
• do Chile;
• da Argentina;
• do Equador;
• do Peru;
• O aumento da ressurgência na região, entretanto, se traduz em benefício para a atividade pesqueira, uma vez que as
águas de subsuperfície que afloram trazem consigo elevado teor de nutrientes e fitoplâncton, o que atrai grande
quantidade de peixes para aquela área.
La Niña no Brasil
• O La Niña interfere no clima de todas as regiões do Brasil. Em algumas delas, entretanto, é difícil prever o
comportamento desse fenômeno.
• Os estados das regiões Norte e Nordeste do país apresentam volumes de chuva elevados, os quais podem
atingir também o semiárido nordestino. As frentes frias se tornam mais frequentes especialmente nos estados
nordestinos, o que contribui para maiores índices pluviométricos.
• A última ocorrência do La Niña, entre 2021 e 2022, por exemplo, ocasionou chuvas muito intensas e
persistentes no sul do estado da Bahia, provocando aumento da vazão e cheia de inúmeros cursos d’água, que,
por sua vez, causaram enchentes em diversos municípios. Como consequência, milhares de pessoas ficaram
desabrigadas, havendo também centenas de feridos e registros de mortes.
• O oposto acontece na região Sul do Brasil. Os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
experimentam uma seca severa, com longos períodos sem chuva, especialmente entre os meses de setembro e
fevereiro, e um aumento brusco nas temperaturas diárias. Espera-se que municípios gaúchos registrem, ainda
no ano de 2022, recordes de temperatura máxima em decorrência do evento.
• Os efeitos do La Niña nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil são menos previsíveis. Em algumas
ocorrências, há escassez de chuvas. Já em outras, como é o caso do La Niña mais recente, os estados de ambas
as regiões enfrentam fortes chuvas e queda das temperaturas em períodos atípicos, como nos meses iniciais do
verão.
• Em Minas Gerais, por exemplo, o elevado volume pluviométrico tem ocasionado a cheia dos rios e enchentes
em alguns municípios, provocando também deslizamentos de terra e risco de rompimento de barragens. As
consequências do fenômeno se estendem para a economia, especialmente para a agropecuária.
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