Vidas
Entrelaçadas
Capitulo Um
Acordo sentindo os raios de sol no meu rosto, que ótimo jeito de acordar
em uma segunda-feira. Olho para relógio e são 11h da manhã não
acredito que estou atrasado. Pedi pra Kamilly me acordar cedo, já que ela
iria ao castelo antes do sol nascer para não ser vista pelos moradores e eu
devia ter encontrado minha mãe no ateliê há quatro horas. Minha mãe é
uma artista altamente conhecida por pessoas e principalmente pela
família real.
Lembro-me de quando era eu pequeno minha mãe me levava ao castelo,
pois tinha que pintar o retrato real, mas não tinha com quem me deixar.
Era legal ficar brincando pelo castelo, eu lembro que na época eu tinha um
amiguinho que morava lá, mas não lembro seu nome e nem seu rosto.
Mas de que adianta se eu lembrasse o rosto dele, foi há 19 anos, ele com
certeza mudou e nem se lembra de mim.
Sem enrolar mais corro para o banheiro e tomo um banho, não sei se lavei
meus cabelos com shampoo ou sabonete corporal, mas quem se importa?
Peguei a primeira roupa que vi uma manta bege, uma túnica azul escura,
calça da mesma cor e acessórios. Corri escada abaixo dando de cara com a
Kamilly sentada no sofá vendo o jornal oficial de Evergreen.
- KAMILLY! – grito assim que chego perto dela causando-a um pequeno
susto fazendo-a olhar para mim e depois voltar sua atenção a TV. – POR
QUE NÃO ME ACORDASTE CEDO?
Kamilly, vaidosa como sempre, vestia um vestido bege com a saia verde
esmeralda e um cinto de couro, como dizia muito vaidosa. Nós sempre
fomos muito próximos ao ponto de eu ser o primeiro, a saber, seus
maiores segredos e ela os meus.
- Aí Ben, primeiro não precisa gritar, então pare de gritar, por favor. - diz
voltando sua atenção pra mim e fazendo-me baixar-a-guarda - Segundo,
eu também acordei tarde. Faz uns 20 minutos que eu levantei.
- Hm, e por que está aqui? – digo me sentando ao seu lado do sofá. Ela ia
responder quando alguém sai da cozinha entrando na sala.
- Amor, sabe que horas o... – parou de falar assim que me vê – Bom dia
cunhadinho. - John vestia a mesma coisa que eu, a diferença é que a cor
de seus trajes era marrom.
Poucos sabiam do namoro de John e Kamy, na verdade acho que só
nossas famílias mesmo, olha que eles já estão juntos há quase três anos.
Eu nunca conheci a família real, na verdade lembro-me de ter conhecidos
eles quando era pequeno, mas não significa muita coisa. Já minha irmã
parece que conhece todo mundo daquele castelo, até os empregados.
- Bom dia vossa majestade. – digo implicando com ele como sempre o
fazendo bufar e se sentar ao lado de Kamy. – qual o motivo de sua
maravilhosa presença em nossa humilde residência?
- Meus pais convidaram vocês para um jantar em nossa casa em
comemoração aos meus 19 anos, e porque vossos pais têm assuntos a
tratar – que estranho, meus pais nunca falaram nada sobre conversarem
com a família do John.
- E o que seriam esses assuntos meu amor? – perguntou Kamy antes que
eu perguntasse.
- Eu também não sei, eles só disseram que isso era entre eles. – disse
olhando pra ela, não sei por que, mas sinto um sentimento estranho, sinto
como se John soubesse de algo.
Ok, agora eu fiquei curioso aproveitei que iria para o ateliê e perguntarei
pra mamãe. Dei um beijo na minha irmã e avisei que não era para fazer
bebês antes do casamento, fazendo Kamy ficar envergonhada e
arremessar uma almofada em minha direção, enquanto John abria um
sorriso malicioso.
Saio de casa e comecei a caminhar até o ateliê, o caminho não é longe
mesmo. Entro no ateliê da mamãe e a vejo pintando mais um quadro.
Pode se passar anos, mas pra mim ela sempre vai ser a mulher mais linda
da minha vida. Usava um vestido longo na cor vinho, cabelos ruivos com
tranças laterais e um sorriso mais lindo do mundo.
- Mamãe – digo e logo a abraço, essa que me recebe de braços abertos. Só
ela pra me fazer esquecer aquele moço mal educado.
- Meu amor, achei que não iria mas vir. – diz após nos separarmos- o que
aconteceu?
- Culpa da sua filha – digo emburrado e sento em minha cadeira e começo
a pintar um quadro – eu pedi pra Kamy me chamar assim que ela fosse ao
castelo, mas ela acordou tarde, por isso não me acordou. – assim que
termino de falar mamãe começa a rir e eu fiquei com um enorme ponto
de interrogação na cara – qual a graça?
- Desculpe querido, desculpe – disse parando de rir aos poucos – você
sabe que sua irmã te enganou né?
- O QUE? – digo virando-me para minha mãe.
- Sua irmã acordou e foi para o castelo. Mas ela só foi buscar o John e
voltou para casa. E está desde cedo acordada.
EU VOU MATAR A KAMILLY! Eu não acredito que ela fez isso e ainda
mentiu. Ah... Ela vai ver só quando eu chegar em casa, já pensou se fosse
algo mais importante? Não que trabalhar com a mamãe não seja, mas já
pensou se fosse um encontro ou um almoço na casa da família do Kael.
Esqueço isso por hora e volto a trabalhar.
No almoço papai veio almoçar com a gente. Estávamos conversando
normalmente quando me lembrei do que John disse.
- Pai, o John disse que a família real nos convidou para um jantar para
comemorarmos os 19 anos dele– digo como não quer nada e vejo suas
reações. Primeiro eles se olham depois meu pai fala.
- Que legal filho, achava que já estava na hora de termos um jantar em
família junto com a família real – disse e voltou a comer.
- É, mas não foi só isso que o John falou – vejo ele me olhar com um olhar
que não consigo identificar – ele também disse que vocês e os reis tinham
assuntos a tratar. Que assuntos seria esse pai? – o vejo hesitar antes de
responder.
- Não é nada demais meu filho, eles só querem que sua mãe faça mais
retrato da família real. – disse e eu assinto ainda com uma pulga atrás da
orelha...
- Mas e você filho? Como vai o Kael? – estranhei, ele e a mãe sempre
foram contra nosso namoro, mas nunca me impediram. - Ainda estão
juntos?
- Ah... Estamos bem, ele anda meio ocupado. Mal tem tempo pra mim,
mas tudo bem – digo e papai da um sorriso como se soubesse de algo. -
Por que a pergunta pai?
- Nada não filho, só acho melhor abrir o olho...
Depois disso ele trocou de assunto, mas ainda fiquei com uma duvida
sobre as fala. Mas acho que é melhor ignorar... Por hora. Após o almoço
meu pai voltou para seu trabalho e eu e minha mãe também.
Durante a tarde minha mãe me mandou ir ao mercantil da cidade para
comprar tintas novas, o caminho foi até que rápido já que passei o
caminho todo pensando em Kael, fazia duas semanas que não tinha
noticias suas.
Conhecemo-nos desde sempre, pois nossas famílias são amigas, desde
cedo éramos inseparáveis. Com o tempo essa amizade foi ficando mais
forte e no meu 16.º aniversario, Kael, de surpresa, me beijou e disse que
esse era seu presente para mim. Na época eu já sabia minha sexualidade e
minha família também, mas aquele tinha sido meu primeiro beijo. Mesmo
não sendo experiente foi bom, meio estranho por eu não saber o que
fazer.
Após isso fomos evoluindo cada vez mais. Até que finalmente o pedido de
namoro chegou, eu tinha 17 na época e ele tinha recém feito 18. Ele me
levou para um lago onde passamos a tarde comendo e banhando e ao por
do sol, ele se ajoelhou e me pediu em namoro. Foi tudo tão mágico e
especial que me sinto bobo só de lembrar.
- Apenas isso ou vai querer algo a mais, meu jovem? – pergunta o
atendente.
Com a pergunta saio de meus pensamentos. Nem percebi que tinha
chegado ao mercantil ou que tinha pegado as tintas.
Antes de lhe responder conferi se tinha pegado as tintas certas e de longe
avistei um kit de pinceis para pintura. Os meus estão velhos e mamãe não
irá brigar se eu comprasse.
Pego e quando estava a caminho do balcão acabo esbarrando em alguém,
que ótimo. Eu e minha mania de não prestar atenção por onde anda.
- oh, eu sinto mui... - sou interrompido pela pessoa
- não presta atenção por onde anda, não? – pra que essa grosseria todo
meu jovem? Foi só um esbarrão.
- pra que todo esse drama? Foi só um esbarrão, você nem caiu. – quando
falo que ele finalmente me olha, vejo me olhar com um olhar surpreso. E
seu rosto me é familiar, só não sei da onde.
- esbarrão? Você amaçou toda minha roupa.
É sério mesmo? Não acredito que um cara desse tá fazendo confusão por
causa de uma simples roupa que nem foi amaçada, é só coisa da cabeça
dele mesmo. Nem lhe respondo e dou meia volta em direção ao
atendente que ainda m esperava com minhas compras.
- tsc, é um sem educação mesmo – disse com um tom de deboche. Agora
eu perdi o controle
- escute aqui seu... Seu... Playboyzinho – diz fazendo-o me olha chocado –
para de chorar feito uma criança por uma camisa que nem foi amaçada.
Outra você nem me conhece ou conhece a minha família para falar que eu
sou um sem educação. Então abaixa a bola. - Antes que eu possa falar
mais alguma coisa Kael aparece no mercantil.
- o que esta acontecendo? – diz e se dirige para perto de mim.
- nada demais meu amor, apenas estava dando um conselho para esse
moço, irei pagar as compras e voltarei ao trabalho. Deseja me
acompanhar? - o vejo acenar então vou em direção ao balcão e pago as
compras. Saiu do mercantil com Kael a meu alcance.
- então senhor Jones, quer me contar o motivo do seu sumiço nessas duas
semanas? – digo enquanto caminhávamos em direção ao ateliê.
- você sabe meu príncipe, muito trabalho, as viagens que eu tenho que
fazer para outros reinos, sem contar nos meus pais. – disse me abraçando
por trás.
- quer conversar sobre isso? –disse me virando em sua direção assim que
chegamos ao ateliê
- hm, não é local e nem hora para conversamos sobre isso – disse
abraçando minha cintura. – está livre amanhã? – aceno – ótimo, me
encontre no nosso local.
Após isso ele me beijou e se despediu, entrei no ateliê e minha estava
olhando pelo vidro. Nem disse nada e lhe entreguei as tintas novas, e
assim foi nosso resto de tarde. Apenas trabalhando.