Personagem - Natalie
Nasci em São Paulo, Brasil, mas sempre fui “a garota peculiar da família”. Enquanto todo mundo parecia encaixar
perfeitamente nos moldes esperados, eu era o elemento fora da curva. Uma mistura de calma e intensidade, de
leveza e profundidade. Meus cabelos loiros sempre refletiram a luz do sol, meus olhos azuis pareciam tranquilos
como o oceano — mas a verdade é que por dentro havia sempre um furacão de ideias, vontades e sonhos diferentes
dos outros.
Desde pequena, me atraía pelo que fugia do comum. Era fascinada por jogos, criaturas estranhas, e séries —
principalmente as pós-apocalípticas, aquelas que mostram o fim do mundo e o que nasce depois. Me interessava
por tudo que fosse diferente, inclusive um pouco da cultura asiática, embora o único anime que realmente me
prendeu tenha sido Naruto. Me identifiquei com ele: um coração grande, barulhento por dentro, mas muitas vezes
incompreendido por fora.
Sempre tive uma ligação forte com a natureza e os animais. Biologia foi uma paixão desde cedo, tanto que escolhi
seguir essa área quando terminei o ensino médio. Entrei na faculdade de Biologia cheia de sonhos. Me formei,
comecei a trabalhar... mas com o tempo, percebi que aquilo não era o suficiente. Eu queria algo mais meu, mais
verdadeiro. Foi então que decidi abandonar aquela carreira segura e abraçar aquilo que sempre me fazia sentir
viva: as lives.
Desde os 16 anos, eu fazia lives por diversão — jogando, conversando, rindo com quem estivesse ali. Mesmo sem
muita frequência, fui construindo uma comunidade. Aos 21, decidi que esse seria meu verdadeiro caminho. Passei a
fazer lives todos os dias e, em apenas um ano, minha vida mudou. Ganhei milhares de seguidores, e me tornei uma
streamer reconhecida e muito amada. Pela primeira vez, me senti inteira. Era como se tudo tivesse, finalmente, feito
sentido.
Mas a melhor parte da minha história tem um nome: Rebeca.
A gente se conheceu quando eu tinha só 5 anos. Ela era ruiva, com cabelos longos e escorridos, e um brilho nos
olhos que eu nunca soube descrever, mas sempre reconheci. Desde o primeiro olhar, houve uma conexão que ia
além da amizade comum. A gente grudou uma na outra como se já se conhecesse de outras vidas. Crescemos
juntas, estudamos juntas, vivemos lado a lado.
Com o tempo, nossas descobertas foram acontecendo. A Beca se entendeu como lésbica. Eu, como bissexual.
Nunca tivemos pressa ou pressão. Vivemos o que a vida nos deu. Até que, depois de uma traição dolorosa de um
ex-namorado meu, parei para escutar meu coração de verdade. E ele dizia, bem claro, que quem eu sempre amei…
era ela.
E ela sentia o mesmo.
Hoje, com 23 anos, moramos juntas. Construímos um lar que é só nosso — cheio de risadas, carinho, cumplicidade…
e com um novo integrante da família: nosso gatinho preto, o Salem. Ele é tão peculiar quanto eu fui um dia — e
talvez por isso nos demos tão bem desde o início.