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Desempenho de Variedades de Milho em SC

O estudo comparou o desempenho de 15 variedades de milho em Santa Catarina, destacando a SCS155 Catarina como a variedade com maior rendimento e estabilidade. Os ensaios foram realizados em três locais durante a safra 2015/16, com um rendimento médio de 7.039 kg.ha. A pesquisa enfatiza a importância do milho na alimentação de suínos e aves, além de seu papel nas atividades de subsistência dos pequenos produtores.

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Desempenho de Variedades de Milho em SC

O estudo comparou o desempenho de 15 variedades de milho em Santa Catarina, destacando a SCS155 Catarina como a variedade com maior rendimento e estabilidade. Os ensaios foram realizados em três locais durante a safra 2015/16, com um rendimento médio de 7.039 kg.ha. A pesquisa enfatiza a importância do milho na alimentação de suínos e aves, além de seu papel nas atividades de subsistência dos pequenos produtores.

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Desempenho de variedades de milho em Santa Catarina

Felipe Bermudez(1); Alberto Höfs(2); Cristiano Nunes Nesi(2); Gilcimar Adriano Vogt(2); Cirio
Parizotto(2).

(1)
Pesquisador; Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina; Chapecó, SC;
(2)
felipepereira@[Link]; Pesquisador; Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa
Catarina.

RESUMO: O milho tem grande importância como Este cereal tem importância como atividade
atividade comercial, pois é a base da alimentação comercial, sendo a base da alimentação de suínos e
de suínos e aves, atividades de suma importância aves, duas das principais atividades agropecuárias
para Santa Catarina, além de dar suporte a uma de Santa Catarina, além de dar suporte a uma série
série de outras atividades de subsistência do de outras atividades de subsistência do pequeno
pequeno produtor rural. Assim, o objetivo desse produtor rural, podendo ainda constituir na sua
trabalho foi comparar o desempenho de diferentes principal fonte de alimentação (Bisognin et al.,
variedades de milho para Santa Catarina. Para isso, 1997).
foram utilizadas 15 variedades de milho As variedades tradicionais de milho de
provenientes de empresas públicas e privadas. Os polinização aberta foram substituídas ao longo dos
ensaios foram conduzidos em três locais: Campos últimos 30 anos pelos híbridos, os quais, hoje,
Novos, Chapecó e Papanduva, na safra 2015/16. O dominam o mercado e têm maior potencial
delineamento utilizado foi o de blocos ao acaso com produtivo, porém são mais exigentes em insumos e
3 repetições, com parcelas constituídas de 4 linhas investimento (adubação, disponibilidade hídrica e
de 4 metros de comprimento e espaçamento de defensivos). A adoção desses híbridos pelos
0,80m entre linhas, utilizando-se as 2 linhas centrais produtores deu-se de forma quase generalizada. No
para determinação do rendimento. O rendimento entanto, a adoção da tecnologia disponível para a
-1
médio dos 3 ambientes foi de 7.039 [Link] , com cultura, e requerida pelos híbridos, não foi
destaque para as variedades desenvolvidas pela empregada na mesma intensidade. Esse cenário
Epagri, as quais estão entre as quatro primeiras contribui para o baixo rendimento observado no
colocadas em Chapecó, com a SCS155 Catarina e setor, já que esses produtores não conseguem
IPR 164. A SCS155 Catarina também ficou em explorar todo o potencial produtivo dos híbridos
destaque em Papanduva, juntamente com a IPR (Emygdio et al., 2008).
114. Papanduva foi o ambiente que menos O desenvolvimento de novos cultivares de milho
influenciou as médias das variedades. Em Chapecó do tipo varietal, “variedades de polinização aberta”
e Campos Novos, o ambiente teve mais influência e ou “variedades melhoradas”, resulta em um
de forma similar nos dois ambientes. Com isso, a potencial produtivo muito superior ao das
variedade SCS155 Catarina é a indicada como a de tradicionais variedades crioulas ou locais (Emygdio
maior rendimento de grãos e com boa estabilidade et al., 2008).
para ser cultivada no estado de Santa Catarina. Segundo Reunião... (2008), existem, ainda, pelo
menos três fatores que colocam os cultivares de
Termos de indexação: Zea mays; interação GxE; milho do tipo varietal de polinização aberta como
AMMI. uma excelente opção de cultivo para agricultores de
pequena propriedade: a) O baixo custo da semente,
INTRODUÇÃO até cinco vezes menor que o custo da semente de
Segundo a CONAB (2016), no ano agrícola de um cultivar híbrido; b) A possibilidade de produção
2015/16, foram cultivados 370 mil ha de milho no de semente própria, pois, ao contrário dos híbridos,
estado de Santa Catarina, atingido uma produção as variedades não perdem o potencial produtivo
de 2,7 milhões de toneladas, o que corresponde a quando plantadas na safra seguinte; e, c) A maior
-1
um rendimento de 7.333 [Link] . plasticidade das variedades, em condições de
estresse, quando comparadas aos híbridos.

MILHO - Genética e melhoramento Página 1350


Com isso, o objetivo desse trabalho foi comparar apresenta a média da variável rendimento versus o
o desempenho de diferentes variedades de milho primeiro componente principal (PC1).
para Santa Catarina. As análises estatísticas foram realizadas com o
programa R, versão 3.3.0 (R CORE TEAM, 2016).
MATERIAL E MÉTODOS
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram utilizados 15 variedades de milho
provenientes de empresas públicas e privadas, Todas as pressuposições da análise de variância
sendo eles: AM 4001, AM 4002, AM 4003, Sintético foram atendidas. Além disso, o efeito de tratamento
PF 7021, Sintético PF 7031, BRS 4103, BRS foi significativo a 1% de probabilidade, tornando
Missões, BRS Planalto, SCS 156 Colorado, SCS possível a distinção dos materiais em cada
155 Catarina, SCS 154 Fortuna, IPR 164, IPR 114, ambiente (dados não mostrados).
FEPAGRO Pagnoceli, FEPAGRO 35. Os resultados médios de rendimento, altura de
Os ensaios foram conduzidos em três locais: planta e de inserção da espiga para cada ambiente,
Campos Novos, Chapecó e Papanduva, na safra são apresentados na tabela 1. O rendimento médio
-1
2015/16. dos três ambientes foi de 7.039 [Link] , com
As datas de semeadura foram: 28/10/2015 em destaque para as variedades desenvolvidas pela
Chapecó; 25/11/2015 em Campos Novos; Epagri, as quais estão entre as quatro primeiras
10/11/2015 em Papanduva. O delineamento colocadas em Chapecó, com rendimentos acima de
-1
utilizado foi o de blocos ao acaso com 3 repetições, 9.700 [Link] .
com parcelas constituídas de 4 linhas de 4 metros Em Chapecó o genótipo com a maior média foi o
de comprimento e espaçamento de 0,80m entre SCS155 Catarina, não diferindo apenas do IPR 164.
linhas, utilizando-se as 2 linhas centrais para Para o ambiente de Campos Novos, o genótipo
determinação do rendimento. A correção e de maior média foi o SCS155 Catarina. No entanto,
adubação do solo seguiram as recomendações da o grupo de maior desempenho diferiu apenas do
Sociedade... (2004), visando rendimento superior a FEPAGRO Pagnoceli e do PF 7031.
-1
6000 [Link] . O ensaio de Papanduva apresentou problemas
As variáveis observadas foram: altura de planta e de germinação, o que acarretou na eliminação do
de inserção de espiga e rendimento de grãos. material AM4001 desse ambiente na análise, pois
As análises de variância foram realizadas só foi possível obter dados de uma das repetições.
considerando modelo fixo e as médias foram Apesar disso, os genótipos de maior rendimento de
agrupadas pelo teste de Scott-Knott. grãos foram o IPR 114 e SCS155 Catarina, diferindo
A homogeneidade de variâncias, distribuição dos demais genótipos neste ambiente.
normal dos resíduos e aditividade dos blocos foram Papanduva foi o ambiente que menos influenciou
verificadas, respectivamente, pelos testes de as médias das variedades (menos contribui para a
Bartlett, Shapiro-Wilk e de aditividade de Tukey. interação), o que pode ser observado pelo menor
Todas as análises foram realizadas a 5% de comprimento da seta. Em Chapecó e Campos
significância. Novos, os ambientes tiveram maior influência e de
Para o estudo de variedades superiores quanto forma similar em ambos (Figura 1).
ao rendimento e estabilidade, recomenda-se utilizar A SCS 155 Catarina (14) foi identificada como a
análises que levem em consideração a interação do variedade com maior rendimento (afastada para a
genótipo com o ambiente. A análise utilizando o direita do eixo vertical) e maior estabilidade de
modelo AMMI (Additive Main effects and produção (próxima ao eixo horizontal).
Multiplicative Interaction analisys) combina, em um
Destaque, também, para as variedades IPR 164
único modelo, componentes aditivos para os efeitos (12), IPR 114 (11) e SCS154 Fortuna (13) por
principais (genótipos (G) e ambientes (E)) e apresentarem rendimento acima da média e alta
componentes multiplicativos para os efeitos da estabilidade. O último foi a variedade mais estável
interação GxE. O método AMMI permite uma identificada nessa análise.
análise mais detalhada da interação GxE, garante a
seleção de genótipos capazes de capitalizar O sintético PF7031 (5) apresentou baixo
interações positivas com ambientes, propicia rendimento e estabilidade. E a variedade AM4003
estimativas mais precisas das respostas genotípicas (3), identificado como o menos estável.
e possibilita uma fácil interpretação gráfica dos
resultados da análise estatística (Duarte &
Vencovsky, 1999). O resultado da análise é
apresentado na forma de um gráfico Biplot, que

MILHO - Genética e melhoramento Página 1351


CONCLUSÕES

A variedade SCS155 Catarina é a indicada como


a de maior rendimento de grãos e com boa
estabilidade para ser cultivada no estado de Santa
Catarina.

AGRADECIMENTOS

Os autores gostariam de agradecer a todas as


empresas que enviaram seus materiais para a
realização desse estudo. Além disso, agradecem às
unidades da Epagri de Campos Novos e Canoinhas
pela condução dos experimentos.

REFERÊNCIAS

BISOGNIN D. A.; CIPRANDI, O.; COIMBRA, J. L. M. &


GUIDOLIN, A. F. Potencial de variedades de polinização
aberta de milho em diferentes condições adversas de
ambiente. Pesquisa Agropecuária Gaúcha, Porto
Alegre, v.3, p. 29-34, 1997.

CONAB - Companhia nacional de abastecimento. Safra


2015/16. Acompanhamento de safra brasileira: grãos –
Nono levantamento / Junho, 2016. Disponível em <
[Link]
6_09_16_49_15_boletim_graos_junho__2016_-
_final.pdf>. Acesso em 28 de junho de 2016.

DUARTE, J. B.; VENCOVSKY, R. Interação genótipo x


ambiente: uma introdução à análise AMMI. Série
Monografias SBG, n. 9, 1999.

EMYGDIO, B. M.; SILVA, S. D. dos A.; PORTO, M. P.;


TEIXEIRA, M. C. C.; OLIVEIRA, A. C. B. de. Fenologia e
características agronômicas de variedades de milho
recomendadas para o RS. Pelotas: Embrapa Clima
Temperado, 2008. 18p. (Embrapa Clima Temperado.
Circular Técnica, 74).

R CORE TEAM. R: A language and environment for


statistical computing. 2016. R Foundation for Statistical
Computing. Disponível em <[Link]
Acesso em 28 de junho de 2016.

REUNIÃO TÉCNICA ANUAL DE MILHO, 53., REUNIÃO


TÉCNICA ANUAL DE SORGO, 36. Indicações técnicas
para o cultivo de milho e de sorgo no Rio Grande Sul,
2008/2009. Pelotas. Embrapa Clima Temperado. 169p.
2008.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO.


Manual de adubação e calagem para os Estados do
Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto
Alegre. Comissão de Química e Fertilidade do Solo –
RS/SC 394p. 2004.

MILHO - Genética e melhoramento Página 1352


Tabela 1. Rendimento de grãos, altura da planta e da inserção da espiga nos ensaios de
desempenho de variedades de polinização aberta de milho em três locais de Santa Catarina para
a safra 2015/16. Epagri – Cepaf, 2016.
(1) (1) (1) Altura
Variedade Chapecó Campos Novos Papanduva
Planta Espiga
-1
.................................([Link] )................................... .............(m)............
SCS155 Catarina 11.425 a 8.482 a 8.969 a 2,61 1,34
IPR 164 11.219 a 7.375 a 7.264 b 2,38 1,18
SCS154 Fortuna 9.924 b 7.534 a 6.920 b 2,40 1,19
SCS156 Colorado 9.762 b 5.862 a 7.140 b 2,43 1,21
Fepagro Pagnoceli 9.588 b 4.526 b 6.768 b 2,77 1,67
AM 4002 9.506 b 6.748 a 6.735 b 2,23 1,10
BRS Missões 9.116 b 8.662 a 4.690 c 2,39 1,19
BRS 4103 8.705 c 6.478 a 6.977 b 2,21 1,01
BRS Planalto 8.388 c 6.135 a 4.797 c 2,36 1,11
AM 4003 8.036 c 9.883 a 4.486 c 2,06 0,99
IPR 114 7.909 c 8.421 a 9.213 a 2,46 1,26
AM 4001 7.238 c 7.407 a --------- 2,03 0,97
PF 7021 7.216 c 6.007 a 7.307 b 2,25 1,05
Fepagro 35 7.175 c 7.487 a 5.818 c 2,45 1,19
PF 7031 6.359 c 1.968 c 4.993 c 1,98 0,87
C.V. (%) 10,72 19,52 9,52
¹ Valores seguidos pela mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott ao
nível de 5%.

Figura 1. Biplot AMMI para dados de rendimento de grãos de milho, com 15 genótipos (1:AM4001;
2:AM4002; 3:AM4003; 4:PF7021; 5:PF7031; 6:BRS4103; 7:BRS Missões; 8:BRS Planalto;

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9:FEPAGRO 35; 10:FEPAGRO Pagnoceli; 11:IPR 114; 12:IPR 164; 13:SCS154 Fortuna;
14:SCS155 Catarina; 15:SCS156 Colorado) e 3 ambientes no estado de Santa Catarina. Epagri –
Cepaf, 2016.

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