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Mário: Entre Sonhos e Realidade

O roteiro apresenta Mário, um jovem policial, que vive um conflito interno entre seu passado e suas responsabilidades atuais. Após um sonho perturbador e um dia de trabalho na delegacia, ele encontra um diário que o conecta a uma dor desconhecida. A narrativa explora temas de angústia, escolhas difíceis e a busca por compreensão em meio a um ambiente sombrio.
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Mário: Entre Sonhos e Realidade

O roteiro apresenta Mário, um jovem policial, que vive um conflito interno entre seu passado e suas responsabilidades atuais. Após um sonho perturbador e um dia de trabalho na delegacia, ele encontra um diário que o conecta a uma dor desconhecida. A narrativa explora temas de angústia, escolhas difíceis e a busca por compreensão em meio a um ambiente sombrio.
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Fade in:

1 INICIAR FLASHBACK: INT. SONHO DE MÁRIO EM UMA AVENIDA - NOITE 1


CHUVOSA

Por um momento a tela fica preta.

MÁRIO (O.S)
O meu coração hesita. Não sei mais o
que fazer, nem qual caminho seguir.

A CÂMERA rola lentamente pra cima e revela as pernas de um


homem que caminha na chuva. A câmera demora a revelar quem é
o homem.

A CÂMERA continua subindo lentamente e revela Mário, um homem


de 20 anos, de costas, em PLANO AMERICANO, que anda descalço
pela avenida. A estrada está com neblina e uma chuva forte
cai do céu.

A CÂMERA muda para o ângulo frontal, plano médio, mostra


Mário vestido com um pijama encharcado e com uma expressão
assustada no rosto. Os cabelos molhados estão cobrindo parte
dos seus olhos. Ao seu redor está escuro e não há sinal de
pessoas ou de carros. Mário caminha lentamente, como se
estivesse cansado. Ele olha ao redor, parece procurar uma
saída.

MÁRIO (V.O)
Agora o passado dele me assombra.

Sei que há uma linha tênue entre a


vida e a morte, e a tua existência
oscila por esse fio.

Sinto esse peso.

Sinto a angústia por tudo que poderia


ter sido e não foi.

Agora, me desprendo dos meus


privilégios pra enxergar a tua dor.

A escolha não é fácil. A tua alma tá


marcada por isso.

E a partir de agora a minha também.

A CÂMERA está em PLANO ABERTO, ângulo traseiro, mostra Mário


2.

de costas. O barulho de um motor de carro ecoa na cena, Mário


para de caminhar e vira para trás.

A CÂMERA muda para um plano detalhe, e mostra o rosto de


Mário iluminado por um farol de carro.

MÁRIO (V.O)
Encontrei na tua morte o cerne pra
seguir.

Fade out:

O carro atropela Mário, a luz se apaga.

2 DE VOLTA AO PRESENTE: EXT. CENTRO HISTÓRICO - NOITE 2

Imagens áreas do Centro Histórico mostra carros em movimento


e a rotina da cidade. Há barulho de buzinas e ligações
telefônicas (off).

A câmera muda para o ângulo traseiro do personagem, em plano


americano, Mário caminha em direção a delegacia.

Mário abre a porta e entra na delegacia.

3 INT. DELEGACIA - NOITE 3

A CÂMERA está no ângulo frontal e em plano médio. Mário está


assobiando, empurra a porta e entra na delegacia.

A CÂMERA muda para o ângulo frontal e em plano detalhe mostra


Ana, a recepcionista do lugar.

ANA
Olha quem deu as caras por aqui hoje!
E aí, sumido!

MÁRIO (O.S)
(aos risos) Buenas! foram só dois dias
longe daqui, Ana...

ANA
Pois parece que foi uma vida! Mas e
aí, como foi o final de semana com a
família?

MÁRIO
Ah, tranquilaço! Foi só eu e o pai.
Aproveitamos o dia pra pescar! A mãe
não quis ir, preferiu ir pra missa de
Corpus Christi, sabe como ela é uma
3.

católica ferrenha, né?

ANA
(aos risos) Essa Dona Maria... Se ela
não existisse tinha que mandar fazer
uma de barro!

MÁRIO
(acenando com a cabeça) Pois é...
Falando em mandar fazer, o Elias
apareceu por aqui no feriado?

A câmera muda para a porta de entrada. Elias entra na


delegacia.

ANA
Eita que tu vai custar a morrer, viu?
A gente tava falando de ti nesse exato
momento!

ELIAS
Bem ou mal?

ANA
Nem um e nem outro! tu sabe que tu não
fede e nem cheira aqui, né?

ELIAS
(aos risos) Tá cheia de graça hoje!

Mário ergue as mãos em direção a Elias para um aperto de mãos

MÁRIO
Quem é vivo sempre aparece!

ELIAS
Te digo o mesmo, meu chapa!

Mario se dirige ao balcão, pega a chave do carro e entrega


para Elias. Os dois caminham em direção a porta. Elias abre a
porta.

ELIAS
Bora lá pra mais uma!

4 EXT. DELEGACIA - NOITE 4

A CAMÊRA está em PLANO AMERICANO e no ângulo frontal. Mário e


Elias caminham em direção a viatura. Há uma certa
movimentação de pessoas ao redor da delegacia.
4.

Elias entra na viatura e senta no banco do motorista,


enquanto Mário senta no banco do copiloto.

5 INT. VIATURA - NOITE 5

A CÂMERA muda para o PLANO MÉDIO, no ÂNGULO FRONTAL e está


localizada na PARTE FRONTAL da viatura.

Elias liga o carro e começa a dirigir.

Mário, sentado no banco da viatura, inclina a cabeça para


baixo e pega a carteira que está no seu bolso direito. Abre,
pega a foto do seu pai que está dentro e começa a admirar.
Mário guarda a foto na carteira novamente.

MÁRIO
(se benzendo) Vamo lá pra mais um dia!

A câmera muda para o PLANO MÉDIO, com o ângulo na nuca dos


personagens. Os dois estão calados. Está tocando um pagode na
rádio do carro (off).

ELIAS
Não deu pro teu vascão esse final de
semana, hein?

MÁRIO
Nem me fala disso, Siô! Já me deu foi
raiva.

O rádio transmissor recebe um chamado

VOZ FEMININA
Na escuta?

Mário aperta um botão no painel do veículo

MÁRIO
Na escuta

VOZ FEMININA
Quem tá falando?

MÁRIO
Sargento Mário

VOZ FEMININA
Está próximo a Rua da Estrela?

MÁRIO
Positivo!
5.

VOZ FEMININA
Preciso de uma viatura nessa rua, no
número 42. Os vizinhos disseram que
estudantes estão ocupando esse casarão
de forma ilegal e que estão escutando
barulhos estranhos lá.

MÁRIO
A caminho!

6 EXT. RUA DA ESTRELA - NOITE 6

A CÂMERA ESTÁ EM UM PLANO ABERTO. O ÂNGULO mostra a viatura


chegando frontalmente. A rua está escura e o casarão está
aparentemente abandonado.

Mário desce do carro, em posição defensiva, apontando a arma


para o chão.

Elias desliga o carro e desce logo após Mário.

Mário se aproxima da porta e bate repetidas vezes.

ELIAS
Rapaz, eu acho que não tem ninguém aí!
Esse povo tá ouvindo é coisa!

MÁRIO
Parece que não tem ninguém mesmo, e a
gente nem pode entrar sem mandato.

ELIAS
Bora voltar?

MÁRIO
Bora!

MÁRIO (cont')
Não! não! pera aí!...

Elias entra na viatura. Mário se direciona pro lado direito


da ocupação. Ele sobe em um batente e tenta enxerga o que
tinha dentro do casarão.

Ao levantar a mão e colocar em um das aberturas da casa,


Mário sente um livro e puxa-o para baixo.
do
A câmera muda para um plano detalhe mostrando o diário.

Mário guarda o diário dentro da farda, sem que Elias veja.


6.

Fade out:

Mário entra na viatura e os dois voltam.

Fade in:

7 INT. QUARTO DE MÁRIO - NOITE 7

Mário abre a porta do quarto, entra retirando o uniforme e


joga em cima da cama. Ele pega o diário que estava no bolso
do direito da calça, abre a gaveta da mesa de cabeceira e
guarda o diário dentro e fecha.

O personagem retira uma toalha de dentro do guarda-roupa e a


enrola na cintura.

Mário fecha a fecha a janela do quarto e caminha em direção a


porta.

8 INT. CORREDOR DO APARTAMENTO - NOITE 8

A CÂMERA está no plano americano e mostra o ângulo frontal de


Mário.

Somente de toalha, o personagem caminha pelo corredor em


direção ao banheiro.

Um vulto preto passa por trás dele.

Mário vira bruscamente para trás, mas não enxerga nada. Ele
continua em direção ao banheiro.

Fade out:

Mário entra no banheiro.

Fade in:

9 INT. QUARTO DE MÁRIO - NOITE 9

Mário entra no quarto e senta na cama. A CÂMERA, em plano


médio, mostra o personagem sentado na cama.

Mário se espreguiça e deita na cama

MÁRIO
Ah! obrigado por mais um dia, Senhor!

De repente, algo bate na janela de vidro do quarto e Mário se


assusta.
7.

Mário
O personagem levanta, abre a janela, coloca a cabeça para
fora da janela e procura o que havia batido contra o vidro.

A CAMÊRA mostra a parte externa do prédio, o céu escuro e as


árvores balançando.

O personagem reclina a cabeça de volta para dentro do quarto.


Ao fechar metade da janela, uma coruja voa em direção a
janela e ecoa, repetidas vezes, o seu timbre agudo (off)

MÁRIO
(se benzendo) Tá repreendido!

Mário recua, deita na cama e fecha os olhos.

10 INT. SONHO DE MÁRIO - ? 10

O policial caminha lentamente por ambiente escuro com uma


lanterna, que possui uma luz amarelada. A câmera o segue em
um plano médio e enfatiza sua tensão.

A câmera alterna para o ponto de vista do policial. Ele anda


devagar, com a sensação de inquietação. A lanterna foca em
uma pessoa distante, sentada de costas em uma cadeira de
madeira. A medida que Mário se aproxima dessa pessoa, a
câmera focaliza a cadeira e se move lentamente em direção a
ela.

Mário escuta choro e sussurros (off) distantes e se aproxima


cada vez mais do que parece ser um adolescente.

Mário chega próximo dessa pessoa. A câmera mostra a nuca de


um adolescente.

A câmera muda e focaliza o rosto do policial, que toca o


ombro do adolescente. Em um movimento rápido, a câmera se
afasta e se vira para o adolescente. Seu rosto está
desfigurado, com olhos arregalados e coberto de sangue. A
câmera enfatiza essa imagem com um [Link] rosto do adolescente.

11 INT. QUARTO DE MÁRIO - MANHÃ 11


está confuso
Mário acorda assustado, com o rosto banhado em suor. A câmera
o mostra em um close-up, expressando sua confusão. Os efeitos
sonoros desaparecem lentamente, deixando apenas a respiração
ofegante de Mário.

A câmera acompanha os movimentos do personagem em um plano


médio, transmitindo sua confusão e ansiedade.

Mário se levanta, caminha em direção a porta do quarto e abre


8.

a porta para ir a cozinha.

12 INT. CORREDOR DO APARTAMENTO - MANHÃ 12

A câmera o segue em um ângulo baixo, e enfatiza sua a


sensação de que algo está errado.

13 INT. COZINHA DO APARTAMENTO - MANHÃ 13

Mário entra na cozinha e encontra seu pai, o coronel Soares,


de pé junto à pia, preparando o café da manhã. A câmera os
mostra em um plano médio, ressaltando a diferença de altura
entre os dois personagens.

CORONEL SOARES
Mário, aconteceu algo? Tu tá amarelo!

MÁRIO
Tô bem, pai! Só tive um pesadelo
estranhão. Acordei meio avoado.

O Coronel Soares observa Mário com preocupação, mantendo-se


em um plano médio.

CORONEL SOARES
Se precisar de alguma coisa, estou
aqui!

MÁRIO
Relaxa!

Mário levanta, abre a geladeira, e pega um copo de água. Em


seguida, caminha em direção ao quarto, e deixa o Coronel
Soares na cozinha. A câmera o segue em um plano médio, e
destaca que o personagem está se acalmando.

14 INT. QUARTO DE MÁRIO - MANHÃ 14

A CÂMERA mostra o policial parado ao lado da cômoda, em um


PLANO MÉDIO. Seu olhar se volta para a gaveta, e ele lembra
ter guardado o diário na noite anterior.

A CÂMERA, em plano detalhe, focaliza a mão do policial


enquanto ele abre a gaveta com cuidado, com o ângulo plongée.

A CÂMERA acompanha o policial em um PLANO MÉDIO enquanto ele


pega o diário e segura com cuidado. A câmera em close-up
mostra o rosto do personagem se preparando para ler o diário.

A CÂMERA muda para o ponto de vista do policial, mostrando


seu olhar percorrendo as páginas do diário.
9.

A CÂMERA mostra a primeira página do diário, que parece não


dizer muita coisa. O policial continua folheando até que
encontra uma página específica. A CÂMERA mostra, em PLANO
DETALHE, uma página escrita, com destaque para o nome do
escritor, Felipe.

A câmera volta para o rosto de Mário, em um close-up. Sua


expressão é de descrença. A CÂMERA foca cada reação em
detalhes, enquanto ele continua a ler.

Mário então fecha o diário bruscamente e o guarda dentro da


mesa de cabeceira novamente.

O policial levanta, caminha em direção a porta e segue para


conversar com seus pais que estão na cozinha.

15 INT. COZINHA DO APARTAMENTO - MANHÃ 15

Mário entra na cozinha e encontra sua mãe e seu pai sentados


à mesa de jantar. A câmera os mostra em um plano médio,
almoçando. A luz do sol entra pela janela e ilumina o
ambiente.

MÁRIO
Nem me esperaram pra almoçar, né?

MARIA
Oh meu filho... Perdão! O seu pai
disse que você estava um pouco mal, me
conta como foi ontem no serviço.

MÁRIO
Ontem aconteceu algo estranho durante
um chamado em uma das ocupações ali do
reviver. Era um casarão ali na Rua da
Estrela, parecia que tinha alguma
coisa lá, não sei... Vocês já ouviram
falar dele?

A mãe e o pai de Mário se olham rapidamente, e trocam um


olhar significativo. A câmera enfatiza esse momento de
silêncio, revelando a tensão no ambiente.

MARIA
Não, Mário! Nunca andei por essas
bandas.

O coronel Soares tenta desviar o assunto

CORONEL SOARES
E você não vai trabalhar hoje?
10.

Mário percebe a hesitação de seus pais, mas decide não


pressioná-los. A câmera foca em seu rosto, revelando sua
desconfiança.

MÁRIO
Acho que vou dar uma volta!

Mário caminha em direção ao quarto.

16 INT. SALA DO APARTAMENTO - TARDE 16

Fade out:

O PLANO DETALHE mostra o tempo passando

Fade in:

17 EXT. RUA DA ESTRELA - NOITE 17

A câmera mostra o interior do carro, mostrando a escuridão da


noite. Mário está sentado ao volante, suas mãos estão em cima
do volante enquanto ele observa o silêncio na rua. A rua está
escura, apenas a iluminação dos postes cria pequenos pontos
de luz amarelados.

Mário estaciona o carro e desliga o motor. A câmera mostra o


exterior do veículo. Ele se aproxima do casarão, vai até
próximo a brecha onde encontrou o diário antes.

A câmera está posicionada dentro do carro e mostra Mário


olhando fixamente para a fachada do casarão. Ele passa bem
devagar, olhando se há algum movimento lá dentro. A câmera
faz um plano médio de Mário, destacando sua curiosidade.

Mário desce do carro e se aproxima da brecha, olhando para o


interior da moradia. Ele sobe em um batente, inclina suas mão
para verificar o interior da casa pelo buraco na fachada. A
câmera faz um close-up de seu rosto tenso e foca no seu olho
direito, que se aproxima lentamente da abertura. A câmera
mostra um feixe de luz sob o olho direito de Mário.

Repentinamente, um vulto passa rapidamente pelo interior da


ocupação. A câmera se afasta e Mário dá um salto para trás,
surpreso e assustado.

MÁRIO
O que foi isso?

Ele volta rapidamente para o carro, olhando ao redor em busca


de qualquer sinal de movimentação. A câmera acompanha seus
movimentos, e transmite a sensação de urgência e tensão.
11.

Mário entra no carro e tranca as portas. A câmera reflete seu


olhar de intranquilidade e a necessidade de se afastar do
local.

A câmera mostra Mário através do para-brisa, seu rosto


iluminado pelos faróis do carro.

Mário liga o motor e acelera, e deixa a ocupação para trás.

18 INT. CARRO DE MÁRIO - NOITE CHUVOSA 18

A câmera mostra o interior do carro de Mário. O policial está


ao volante, com uma expressão cansada e preocupada. A avenida
está escura e a chuva cria uma neblina na avenida.

A câmera faz um plano médio de Mário e mostra sua agonia. Ele


passa a mão pelo rosto.

MÁRIO
Preciso entender o que está
acontecendo...

A câmera muda para um ângulo de fora do carro, mostrando a


estrada à frente, iluminada pelos faróis.

Cortes rápidos mostram, em plano detalhe, a mão de Mário


pegando o celular no porta copos. Ele desbloqueia o aparelho
e começa a pesquisar sobre sonhos sobrenaturais e seus
significados.

A câmera faz um close-up da tela do celular, mostrando os


resultados da pesquisa. Mário rola a página, lendo trechos de
artigos relacionados ao assunto.

Mário levanta a cabeça para frente e olha em direção a


estrada.

A câmera, em plano americano, mostra um homem parado no meio


da avenida, ensanguentado e com os olhos bem arregalados e
com uma expressão de horror. A câmera destaca sua aparência
assustadora.

Mário se assusta com a visão, seus olhos se arregalam e ele


freia o veículo bruscamente. O som dos pneus rangendo ecoa no
ambiente.

A câmera mostra Mário dentro do carro, seu rosto refletindo a


surpresa e o medo.

MÁRIO
(atordoado) Meu Deus, o que está
12.

acontecendo?

A câmera se afasta lentamente, revelando a cena do carro


parado na estrada, e o homem some.

O policial respira fundo e retorna para casa.

19 INT. QUARTO DE MÁRIO - NOITE 19

Mário se senta na beirada da cama, com o diário em mãos. A


câmera mostra, em plano detalhe, as páginas enquanto ele
começa a ler novamente.

A câmera mostra o rosto de Mário, seus olhos percorrendo as


palavras com intensidade. Sua expressão revela nervosismo à
medida que lê os relatos no diário.

A câmera, em plano detalhe, focaliza uma das páginas, onde o


nome do pai de Mário, Coronel Soares, é mencionado
repetidamente. Os textos falam sobre violência policial e a
ligação com as milícias.

Mário fecha o diário. Ele se deita na cama, mas sua mente


está conturbada. A câmera o mostra o policial olhando
fixamente para o teto.

A cena muda para um ângulo subjetivo, mostrando os olhos de


Mário lentamente se fechando enquanto ele adormece.

20 INT. SONHO DE MÁRIO NA PRAIA - MANHÃ NUBLADA 20

A cena muda para o interior do sonho de Mário. A câmera está


em plano aberto e mostra o personagem andando em um lugar
tranquilo, com o mar batendo suavemente nas pedras e o sol
refletindo nas águas.

Mário olha novamente o adolescente, vestido de branco,


segurando flores brancas e de frente para o mar. O policial
se aproxima, curioso para entender o que o adolescente está
dizendo.

À medida que Mário se aproxima, as palavras proferidas pelo


adolescente começam a se encaixar em sua mente.

ADOLESCENTE
Dizem que a vista do último andar dos
apartamentos é sempre a mais bonita,
menos naquele 2 de junho. Gostaria de
ver aquela criança cheia de vida
sonhando mais. Acordo, esquento o
café, vejo o jornal anunciar mais uma
13.

em
morte e volto há 2018 me perguntando
“Quem será que matou?". Os tiros tiram
e tiraram a vida dos meus irmãos! Os
tiros, tiram e tiraram a vida dos meus
líderes! Ergo o meu braço direito com
a mão fechada! Uso preto para
expressar minha força e minha dor! Não
pense que sou amargo, só estou mais
realista.
mário
Ele percebe que são trechos do texto presente no diário.

ADOLESCENTE
Nunca mais as ilusões gritaram contra
mim. Apenas me pergunto “Quando vou
ganhar flores e quando será o último
tiro?”

De repente, um tiro ecoa pelo ar. O adolescente é atingido


pelo tiro, seu corpo cai na areia. Mário corre
desesperadamente em sua direção, mas não consegue para ajudá-
lo.

Mário olha para trás e vê seu pai, o Coronel Soares,


apontando a arma em direção a eles. O policial se assusta e
sente medo enquanto seu pai dispara novamente em sua direção.

A imagem escure bruscamente. corte seco - fade out

21 INT. QUARTO DE MÁRIO - MANHÃ 21

Mário desperta bruscamente, suado e ofegante. Ele está de


volta à realidade, no seu quarto. Seu rosto expressa a
angústia da experiência vivida no sonho.

Ele olha em volta, tenta recuperar o fôlego.

A câmera, em plano detalhe, mostra Mário pesquisando sobre


especialistas em sonhos e encontrando Mariana, uma terapeuta
do sono.

Mário anota o endereço de Mariana e parte em busca da


verdade.

22 INT. CONSULTÓRIO DE MARIANA - TARDE 22

A cena muda para o consultório de Mariana, um ambiente


aconchegante e tranquilo. Mário entra no local, inquieto e
com um aspecto paranoico.

Mariana, uma mulher de meia-idade, calma, recebe Mário com um


14.

sorriso reconfortante.

MARIANA:
(calma) Bem-vindo, Mário! Sente-se,
por favor!

Mário se senta em uma cadeira, segurando o diário com


firmeza. Ele está inquieto e entrega o diário para Mariana.

MÁRIO:
(voz trêmula) Mariana, tô tendo uns
sonhos horríveis... eles estão me
levando a descobrir algo sobre meu
pai, sobre o passado dele e de alguém
que eu não conheço. O diário parece
dizer coisas importantes, mas eu
preciso entender o que eles
significam.

MARIANA:
Compreendo sua angústia, Mário. Vamos
trabalhar juntos para descobrir o que
aconteceu. Deite-se na maca, por
favor.

Mário se deita na maca, enquanto Mariana ajusta a iluminação


da sala, criando uma atmosfera tranquila e relaxante. A
câmera focaliza o rosto de Mário, e mostra suas expressões de
ansiedade e expectativa.

Mariana inicia uma terapia de relaxamento, guiando Mário por


meio de técnicas de respiração e visualização. A câmera
captura os detalhes do rosto de Mário, enquanto ele relaxa.

23 INT. SONHO DE MÁRIO EM UM LUGAR ESCURO - ? 23

A cena muda para o interior da mente de Mário. Ele está


imerso em um mundo onírico, onde tudo parece real, mas ao
mesmo tempo nebuloso. Mário caminha por um caminho escuro,
lentamente, guiado apenas por sua intuição

Mário chega ao fim do caminho, onde uma única porta surge


diante dele. Ele sente que atrás dessa porta estão as
respostas para todas as suas perguntas. Ele estende a mão
para a maçaneta e a gira lentamente.

24 INT. FLASHBACK - MENTE DE MÁRIO - ? 24

Mário tenta acompanhar os flashbacks, mas é como tentar


agarrar fumaça. No meio dessa enxurrada de memórias, ele para
em um flashback específico. Mariana, a terapeuta, guia-o para
15.

encontrar a verdade.

Mariana, está ao lado de Mário. Ela percebe que o policial


está em transe, com as pálpebras balançando, e se aproxima
com calma.

MARIANA:
Mário, se concentre. Deixe as peças se
encaixarem. Vamos juntos encontrar a
verdade que você busca.

Mariana pega a mão de Mário e, com movimentos suaves, conduz


o policial por uma série de flashbacks específicos, cada um
revelando uma peça-chave desse quebra-cabeça complexo.

A câmera captura as expressões de Mário, que variam entre


surpresa, compreensão e emoção. À medida que os flashbacks se
desenrolam,

Os flashbacks param em um acontecimento marcante, que


representa uma das peças principais do quebra-cabeça. Mário
olha fixamente para a cena, o impacto da verdade começando a
tomar forma em sua mente.

25 INT. FLASHBACK - OCUPAÇÃO NA RUA DA ESTRELA - NOITE 25

A imagem mostra seu pai, o coronel Soares, no início de sua


carreira policial. Ele entra na ocupação onde Mário segurando
sua arma com firmeza e em posição defensiva.

De repente, um adolescente surge à sua frente, parecendo


assustado e desamparado. O coronel Soares se assusta,
acreditando ser uma ameaça, e dispara em direção ao peito do
adolescente.

Mário observa, assustado, enquanto seu pai percebe o que


acabou de fazer.

O coronel Soares, está tomado pelo sentimento de pânico, opta


por não prestar socorro ao ferido.

Com a ajuda de seu companheiro de serviço, eles decidem


enterrar o corpo de Felipe na ocupação. Os dois não falam
nada.

Os dois carregam o adolescente. O coronel Soares o carrega


pelos braços enquanto o seu parceiro o pega pelas pernas.

De repente, tudo escure. corte seco. Fade out.


16.

26 INT. CONSULTÓRIO DE MARIANA - TARDE 26


Fade in
A cena muda para o interior do consultório de Mariana. Mário
acorda abruptamente, com sua respiração pesada.

Mariana, sentada ao seu lado, observa o rosto conturbado de


Mário.

MARIANA:
Você acordou, Mário. Como você se
sente?

MÁRIO:
(ofegante) Eu entendi tudo... meu
pai... o que ele fez... o Felipe...
ele estava buscando justiça... tudo
faz sentido agora.

MARIANA:
Essa jornada é difícil, Mário, mas
você está no caminho certo. O próximo
passo é confrontar a realidade e
decidir qual caminho seguir.

Mário se levanta, determinado e com o olhar decidido.

MÁRIO:
Eu preciso confirmar tudo o que vi.

Ele parte do consultório, com uma mistura de coragem e


incerteza estampada em seu rosto.
17.

___
FIM

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